Dr. Marcelo Quirino – Psicólogo Clínico
Docente do Seminário Teológico Batista de Duque de Caxias
Na forma litúrgica do discurso neopentecostal percebe-se que há uma fixação em expressividade emocional intensa. Qualquer forma comedida e tímida de louvar a Deus no momento de culto é radical e toscamente constrangida se não estiver sob o formato de expressão intensa e ampla de emoções, o que é julgado por ideal.
O Louvor a Deus é medido por essa expressividade emocional que precisa ser extensa e intensa, senão não é caracterizado como louvor ao Pai. Um formato litúrgico é imposto como o verdadeiro e o idealmente aceito. Esse formato litúrgico é equivocado, pois se baseia na exclusividade de apenas um item da dimensão humana como fator expressivo do louvor, desconsiderando todas as outras muitas dimensões da subjetividade humana. Um parâmetro de louvor ideal equivocadamente se estabelece levando em consideração somente um aspecto do humano.
Um louvor comedido de emoções e catarses é típico de ‘almas sem Cristo e que não oferecem o melhor para Deus’. Dizem: ‘dêem o seu melhor para Cristo’. E esse ‘melhor’ a que o clero litúrgico se refere é a expressividade ampla, extensa e intensa de emoções e gestuais. Nesse ‘melhor para Cristo’, o âmbito do cristianismo genuíno fora decepado para ceder formato a um reducionismo na vida do suposto adorador. A vida de adorador se avalia pelas emoções expressas no culto, somente. É a chamada Adoração Extravagante. De onde tiraram respaldo bíblico para esse nome não se sabe.
Um formato supostamente ideal é apresentado como o unicamente certo e por assim ser considerado, é exigido da congregação uma postura expressiva nesse cenário (neo)evangelical brasileiro pós-moderno. Com isso, criam-se os marginais da adoração, ‘os que não sabem adorar, já que não se permitem entregar a Deus e deixar ser guiado pelo Espírito de forma emocional’.
À emoção se reservou o status de quatro funções na liturgia de neopentecostais e de alguns bem-intencionados acríticos: 1) constata a experimentação sensorial da presença de Deus, 2) é o nível pelo qual se mede a espiritualidade do indivíduo e 3) é a apresentação da forma correta de se achegar ao Pai em adoração; 4) É fator psicoterapêutico em culto.
Essa expressividade emocional precisa ser ampla, extensa e intensa. Ou seja, uma emoção eivada de gestuais espaçosos, que perdure durante longo tempo e que alcance clímax emocionais típicos de catarses.
Esses são os papéis que lhe cabe no formato litúrgico pós-moderno. Esse equívoco teológico se funda numa hermenêutica pneumatológica (assim auto-referido pelo discurso neopentecostal, pois ‘pneumatológica’ é uma impropriedade semântica e também conceitual. Na verdade é uma hermenêutica sensorial e subjetiva, já que não se usa as manifestações bíblicas do Espírito Santo para interpretar e sim as próprias sensações designadas ao Espírito, Coelho Filho, 2008) e não cristocêntrica.
As Escrituras comprovam:
· II Tessalonicenses 2:9 “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira”.
· Mateus 7:22-23 “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” Então Cristo lhes dirá: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.
· I João 4:1: “não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”.
· João 7:24: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”.
· Mateus 7:16: “pelos seus frutos os conhecereis”.
Portanto, os frutos não são sinais e nem prodígios, nem adesão de muitos membros na igreja e nem conquistas materiais por parte da membresia. Sinais e prodígios o diabo faz, maravilhas e profecias e expulsão de demônios o homem também faz. Isso atrai multidão.
O fruto aqui sinalizado é daquela lista de Gálatas 5:22 “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Esses frutos dizem respeito à vida interior do cristão e não ao exterior demonstrável e ou aos sinais vistos dentro da igreja.
Tomamos os sinais, as maravilhas e os prodígios como fatores exclusivos e suficientes para a constatação da presença de Deus. Ignora-se a vida crucificada com Cristo e a conseqüente postura ética advinda disso. O problema não são os sinais. Não se nega que Cristo os faz. Mas torná-los suficientes e objeto de busca exclusiva é o perigo.
Paulo nos alertou sobre o comichão nos ouvidos dos últimos tempos que daria lugar para os desejos da carne humana. Por isso, não se deve crer em todo o espírito. Devem ser provados e julgados (sim) pela reta justiça, ou pela Bíblia como nos diz João em Jo 7:24“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”.
Deve-se avaliar os frutos oriundos de uma plena identificação com Cristo. A essência do cristianismo é deixar que Cristo viva ao invés da carne e de emocionalismos (Gl 2:20). Esse é o verdadeiro fruto da conversão humana.
Quanto à forma verdadeira e genuína de louvar a Deus, ela não se demonstra com emoções ou gestuais ou tremeliques. Não é isso que Deus nos exige e não é essa a mensagem de Cristo. Onde está esse formato litúrgico no Novo Testamento? Aliás, onde se encontra um formato litúrgico que respalde possíveis fixações em alguns modelos como o certo?
Paulo nos adverte sobre a Teologia do Empirismo, aquela em que pelos sentidos e sensações se mede a espiritualidade. Paulo teme que ”assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (II Co 11:3).
E sabe com o quê o serpente (diabo) enganou Eva, tentou Cristo e assim da mesma forma hoje faz? Ele usou uma fixação carnal humana por: 1) manifestações de sinais, 2) por prodígios e 3) por poder e desejos materiais.
Quando o diabo tentou Jesus, o que ele ofereceu ao mestre? 1) Sinal (manda que estes pães se transformem em pedras), 2) prodígios (aos seus anjos dará ordem ao teu respeito) e 3) poder e desejos materiais (tudo isto te darei). E o que ele usou para isso: a Palavra (porque está escrito).
Isto é diferente das fixações humanas por sinais, por prodígios e por poder e materialismo que há hoje na pós-modernidade em detrimento da figura de Cristo durante a adoração? O diabo usa a própria Palavra de Deus como uma Verdade contada pela metade para conseguir seu intento.
Esse argumento se põe porque o emocionalismo virou categoria de sinais para a presença de Deus. Cristo não disse: “onde estiverem dois ou três sentindo minha presença aí estarei eu no meio deles”. Alguns buscam sentir Cristo e não viver Cristo. A auto-sugestão está aí posta.
Mas se perguntaria: “e quanto a Atos 4:31: E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus”? Cheio do Espírito Santo aqui se refere a uma capacidade concedida pelo Espírito para um determinado fim: ousadia para falar das obras de Cristo e não emocionalidade para experimentar Cristo.
E como princípio de interpretação Bíblica, não podemos nos esquecer da intenção de Lucas ao escrever Atos: apologética e não normativa para os crentes. Como roga os princípios de hermenêutica (de interpretação bíblica): “não tomar descrição por prescrição” e “considere a intenção do autor”.
A intenção de Lucas em Atos é descritiva e apologética e não prescritiva e normativa. O argumento desta proposição se apresenta a partir do momento que consideramos Atos em seu conjunto: uma continuação do Evangelho de Lucas. Atos deve ser entendido como a continuação do Evangelho de Lucas.
Atos é uma carta descritiva e apologética escrita a Teófilo. Esta intenção de Lucas ao escrever Atos dos Apóstolos não se demonstra pelo autor, mas como Atos é a continuação do Evangelho de Lucas, podemos ver essa intenção no Evangelho.
Ao recorrermos ao Evangelho vemos essa intenção dita por Lucas: “havendo já informado minuciosamente desde o princípio” (intenção descritiva) e “para que conheceis a certeza das coisas que já estais informado” (intenção apologética).
Portanto, a hermenêutica de Atos deve ser entendida e considerada corretamente a fim de não reduzirmos a obra do Espírito a manifestações de catarse, possibilitando a auto-sugestão e o emocionalismo.
Entretanto, quer-se com isso ressaltar que o problema não reside na emoção. Mas sim na sua interposição entre a figura de Cristo e os homens como o único instrumento de vivenciar Deus em sua plenitude. Está em se colocar essa dimensão afetiva como a baliza que guia para Cristo em detrimento da vida crucificada por Cristo. O cerne da questão não está na emoção per si, mas na relação que cria ao intermediar Cristo e os homens.
Portanto, a verdadeira forma de louvar a Deus é o buscar parecer-se com Cristo, de forma integral. Essa é a verdadeira espiritualidade, buscar andar como o mestre andou. Espiritualidade cristã não á expressão de emoção meramente, mas antes sim uma expressão ética oriunda da assunção de atitudes. Isto é fruto do Espírito por meditação ativa.
Isso não significa uma mera assunção de atitudes éticas e morais gerais. Mas sim uma atitude consciente e sacrificatória em direção à Estatura de Cristo e ao seu Caráter. Estes formam a verdadeira ética cristã.
O louvar a Deus não se mede com o nível de emoções, antes sim com a identificação com Cristo e com seu caráter. A intensidade de emoções até os loucos expressam, mas a consciência da negação da concupiscência carnal em prol da estatura de Cristo crucificada em si é uma atitude de santificação, de diminuir o ‘eu’ e engrandecer a Cristo dentro de si.
Devemos andar nEle e permanecer nEle como João andou e permaneceu, e não gritar para Ele, espernear para Ele ou realizar catarse para Ele. Para cristo emoção não é nada. A negação da carne sim. Isso é o verdadeiro cristianismo, baseado em atitudes e não em emoções como modelo de formato litúrgico.
Paulo nos centra mais uma vez em Cristo ao dizer que “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20). Isso se consegue com gritos e catarses? Ou na labuta diária pela santificação? Onde está na Bíblia que Paulo ‘catarsou’ para parecer-se com Cristo através da autonegação dos desejos concupiscentes?
O louvor que Deus requer é integralista. Louve a Deus com todo o seu ser, entregando-se integralmente a Cristo para purificação. As emoções são somente um item e um item muito pequeno da criação Divina constituída de atitudes e de comportamentos e de ações e de ética e de moral e de temperamento e de razão e de escolhas e de personalidade e de inconsciente e de consciente e de pré-consciente e de decisões e de memória e de sentimentos e de vontade e de motivação e de corpo e de linguagem e de raciocínio. Apenas um deles.
Dispensar os reducionismos da Palavra é necessário. Ao mesmo tempo em que o salmista exorta que devemos usar de sinceridade e não com o coração pela metade (“Louvarei ao Senhor de todo o meu coração, na assembléia dos justos e na congregação” – Salmos 111:1), Paulo nos adverte que o louvor vem de uma atitude ética para Deus ao assumir Cristo como o Novo Caráter e sermos “Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (Fp 1:11).
Esse ‘todo coração’ do salmista é emoção sim, mas não a magnitude e a intensidade da expressividade emocional. Aqui a sinceridade e a autenticidade de sentimento são medidas por Deus. As Escrituras dizem para “seguir a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (II Tm 2:22). O Senhor observa um coração puro e uma vida santificada.
A expressividade das emoções é outra dimensão humana do próprio sentimento dessas emoções no coração. Sentir e expressar são distintos. Sentir é distinto de catarse. A intensidade da expressividade emocional não se pode aliar ao amor que se tem para com o Mestre.
Por que só entregar a Ele as emoções e medir a espiritualidade pela expressividade, amplitude e intensidade das emoções? O ser humano é somente emoção? Cristo só quer expressão de emoção? Cristo não quer mais vida crucificada com Ele? O ser humano não é amplamente constituído de dimensões maiores e mais amplas que meras emoções, ou melhor, que meras emoções expressas que nem podem ser genuínas e autenticas? Louvar a Deus do jeito que Ele merece pressupõe somente a expressividade catártica de supostas emoções sinceras, logo o lado irracional do ser humano? Louvor a Deus se reduz a expressividade de emoções? Só isso? E o ser integral do ser?
E o lado racional descrito em Genesis como a pérola da criação de humana, a razão? O homem não é criado à imagem e semelhança de Deus? Deus é só emoção, portanto? Por que se mede a espiritualidade e o louvor do crente pelas emoções expressas no culto? Por que se considera e se incomoda demais com as emoções expressas no momento litúrgico? Essas emoções não podem ser apenas uma aprendizagem vicariante, mas que não significa crucificação da carne com Cristo? Por que se impõe essa forma litúrgica, eis a questão.
As emoções são mesmo um item fidedigno de se medir a espiritualidade e a crucificação do ser humano em Cristo? Não se expressam emoções em qualquer lugar e em qualquer hora? Logo essa expressividade de emoções não é algo trivial e comum que se expressa em qualquer evento? Então emoção não é uma exclusividade sacra, certo? Por que pegamos apenas uma dimensão do ser humano e logo o menos significativo e mais ludibriante para se medir uma vida de louvor sacrificada para Cristo? Isso é certo mesmo?
A atitude de louvor é uma atitude ética e não meramente emocional, pois “aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou” (I Jo 2:6). Cristo não andou realizando catarse não é? “Como ele andou” significa uma atitude ética, processual, não? Ou “como Ele andou” aqui significa uma amplitude de expressão de emoções?
Mais uma vez ressalta-se que o problema não são as emoções. Mas sim pô-las sob o indicativo exclusivo da presença de Cristo e ou do Espírito. Observá-la como o crivo para a análise da adoração (se é que isso é ético) e como fator de uma espiritualidade madura.
O problema se inicia quando se reduz o cristianismo a uma mera expressão de ‘emocionalidades’. O perigo é reduzir o louvor para Cristo a isso e tornar suficiente o ato de santificação pela expressividade emocional. Não se pode tomar suficiente a emocionalidade. Não se deve revelá-la como a verdadeira e excludente forma certa de expressão de louvor. Aqui reside o perigo e a heresia pós-moderna.
Pois somos alertados pelas Escrituras quanto à forma de se conhecer a espiritualidade sadia. Eis o versículo e a análise em seguida:
1) (I João 2:3) - E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos.
· Não se conhece Deus só porque se jaz em catarse.
2) (I João 2:4) – Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.
· Atitude ética e não afetiva. O conhecer Deus implica uma atitude ética.
3) (I João 2:5) – Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele.
· Ser Cristão é uma medida integral. Guardar a Palavra é uma atitude ética e processual e intelectual.
4) (I João 2:6) – Aquele que diz que está nEle, também deve andar como Ele andou.
· Estar em Cristo não é um passo emocional, mas sim ético e processual, como o verbo ‘andar’ no modo infinitivo.
5) (I João 4:13) – Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito.
· Estar em Deus já é uma promessa. Sua presença não vem através de experimentação emocional.
6) (João 16:13) - Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.
(João 14:26) - Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
(João 15:26) - Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.
· ‘Guiar na verdade’, ‘ensinar’, ‘lembrar’ e ‘testificar’ pressupõem uma atitude intelectiva.
7) (I João 2:17) - E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
· Guarda a sua vontade e não experimentação de emoção.
8 ) (Hebreus 13:21) - Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém.
· Aperfeiçoar para a boa obra e realizar a vontade de Deus é atitude ética.
9) (João 14:21) - Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.
· Aquele que guarda e não o que realiza catarse.
10) (II Timóteo 3:10) - Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência,
· Modo de viver diz tudo.
11) (Mateus 7:21) Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
· Reparem: “Senhor, Senhor”, duas vezes, o que ressalta que quem clama pelo Senhor o faz com exagero, com extravagância. Não se quer dizer que a extravagância é um erro, mas é longe de ser a ideal, a exclusiva o modelo e o sinal de presença de Deus ou de intimidade com Ele. Quem te intimidade com Deus é aquele que faz a vontade dEle.
12) (Colossenses 1:9) – Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;
· E o melhor versículo. ‘Cheio do conhecimento de sua vontade’ e não da experimentação catártica. Em sabedoria e inteligência e não em intuição e emocionalismo.
Ser Cristão não se reduz a uma expressão emocional catártica. Muito menos adotar a experimentação emocional como parâmetro bíblico para a certeza da presença de Deus. Antes disso, ser Cristão é adotar Cristo numa atitude ética no quotidiano.
Portanto, a espiritualidade não pode ser medida (se é que isso é possível) por parâmetro desse âmbito. Não se adquire a Estatura de Cristo por via da experimentação de emoções. Uma Teologia Empirista não é o legado de Cristo.
Paulo nem outro apóstolo alcançaram a Estatura de Cristo com experimentação catártica. O derramar do Espírito é sempre com um propósito definido e não um fim em si amoldado a apenas uma dimensão humana, a emotiva. O derramar do Espírito também provém sobre a intelectualidade. Paulo se fez de “tudo para com todos” e isso foi obra de intelecto via Espírito de Deus e não de emocionalismo.
Cristo exige a integralidade do ser humano e não 0,99 %. O Espírito não se experimenta por via exclusivamente emocional. Indagar o porquê da fixação em expressividade emocional é um assunto para um outro texto e para outro formato de análise mais acurada. Enquanto isso, busquemos a Estatura Perfeita e não a emoção suspeita.
Referências
Coelho Filho. Neopentecostalismo: uma avaliação pastoral. Campinas: autor, 2008
Marcelo Quirino
Psicólogo Clínico (UFRJ)
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