GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 23 – Liberdade religiosa

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 23

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho.

 

INTRODUÇÃO

Liberdade religiosa é um apanágio dos batistas. Eles foram os pioneiros na luta pela liberdade religiosa. Foram vítimas de uma ditadura religiosa protestante e reformada. Lutaram pela liberdade e nunca impuseram sua fé a outros. Têm autoridade moral para falar do assunto.

XV- LIBERDADE RELIGIOSA – Deus e somente Deus é o Senhor da consciência (1). A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual (2). Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano (3). Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie (4). A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções (5). É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo (6). O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus (7).


(1) Gn 1.27; 2.7; Sl 9.7-8; Mt 10.28; 23.10; Rm 14.4-9,13; Tg 4.12
(2) Js 24.15; 1Pe 2.15,16; Lc 20.25
(3) Dn 3.15-18; Lc 20.25; At 4.9-20; 5.29
(4) Dn 3.16-18; 6; At 19.35-41
(5) Mt 22.21; Rm 13.1-7
(6) At 19.34-41

(7) As passagens deste item não aparecem no texto da Declaração.

OBSERVAÇÕES

1. A primeira igreja batista mundial foi organizada em 1609, na Holanda, por ingleses que fugiram da ditadura anglicana. Historicamente, gostem ou não, os batistas são dissidentes da Reforma. O grupo foi liderado pelo pastor John Smyth e pelo advogado Thomas Helwys. Eles foram anglicanos, depois puritanos, depois separatistas e, por fim, originaram o movimento batista. Em 1612, Helwys escreveu um documento pedindo ao rei Tiago I ampla liberdade religiosa. O entendimento dos primeiros batistas era que o Estado e Igreja são distintos e não compete ao Estado ditar a fé de seus súditos. Os batistas nunca tiveram um Vaticano católico nem uma Genebra reformada, tentando impor a fé a seus cidadãos. Nunca impuseram sua fé.

2. O Estado deve ser obedecido, bem como suas autoridades (Rm 13.1-2). Mas a autoridade humana é sempre penúltima. A lealdade última é a Deus (At 4.19-20). É sempre oportuno recordar que no Apocalipse o Estado, Roma, é Prostituta (Ap 17.1, 9 e 18). E as autoridades humanas são hostis a Deus e seu povo (Ap 17.12-14).

3. Não somos agitadores nem contestadores do poder civil pelo simples prazer de contestar, mas devemos lembrar que o Estado é contingente e Deus é eterno. O Estado não é divino. Convivi com batistas cubanos, russos, moçambicanos e angolanos (no tempo da ditadura socialista). Eles sofriam por sua fé, diante de um poder civil perverso. O Estado não é dono de nossas consciências nem de nossas almas.

4. Ao Estado devemos impostos, trabalho e apoio. A Deus devemos nossas vidas.

5. O Estado não deve privilegiar nenhuma religião, e as igrejas não devem pedir favores ao Estado. São esferas independentes.