É A CANNABIS ALHEIA OU A SUA PHYLANTHUS?

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 14.4.13

Certo dia, quando ainda morava em Campinas, após o almoço, fiz chá de hortelã para mim e Meacir. Como tomava, na época, chá de quebra-pedra, deixei um canecão com água fervendo uma porção desta erva, e levei-lhe o chá no quarto. Por lá fiquei até que, meia hora depois, reclamei do cheiro de erva queimada. Próximo a nós havia alguns fumadores de uma erva que, segundo os intelectuais, faz bem, a cannabis sativa, a conhecida “maconha” (gozado, o cigarro faz mal e a maconha faz bem!). Comentei com Meacir: “Hoje eles estão abusando! Esta é a pior que já queimaram! Essa fede!”. Cinco minutos se passam e o cheiro piora. Até que ela disse: “Tem panela queimando!”. Dei um salto: “Meu Deus!”. Fui do quarto à cozinha num pé só. A água secara e a erva incandescia e carbonizava no canecão. Que anta! Culpei a cannabis alheia e era a minha phylanthus niruri, a quebra-pedra. Quase incendiei o apartamento.

Engraçado? Você já deve ter feito isto, fora do fogão: errou e culpou os outros. É a síndrome de Adão: “A mulher que tu me deste”. Eva e Deus erraram e ele, Adão, era vítima. “A serpente me enganou”, desculpou-se Eva. Cada um quis livrar sua pele. A serpente, por não ter dedo, não o apontou para ninguém. Talvez por ser astuta. Era melhor calar naquela hora!

Há gente assim. Estende o dedo contra Deus (“Por que Deus permite?”) e contra os outros (“Eles é que estão errados!”). Culpa o cheiro da erva dos outros. Mas é a sua que está cheirando mal.

Há quem sofra de vitimismo. É sempre vítima. Erra com os outros e culpa a reação deles. Mas muitos de nós somos vítimas de nossos erros. Uma pessoa fofoqueira vê as pessoas se distanciarem. Reclama delas. Alguém, explorador e desonesto com colegas de trabalho, angaria má reputação. Queixa-se da atitude dos outros. Um marido grosseiro ou uma mulher queixosa criam um ambiente insuportável, mas acham que o mau cheiro é da erva alheia.

Há acasos e acidentes na vida. Mas muito do que nos acontece em relacionamentos, com pessoas e com Deus, é produto de nossas ações. O profeta Obadias declarou: “O teu feito tornará sobre a tua cabeça” (v. 15). Muitas atitudes nossas são como bumerangue: voltam sobre nós. Uma pessoa se afasta de Deus, dá-se mal, e depois reclama que Deus a abandonou. Ela abandonou a Deus! Recusou seus cuidados! Alguém não é leal com outros, que não o julgam confiável, e depois se queixa! Não é a erva dos outros que está queimando! É a delas!

Meu caso terminou bem. Abrimos janelas, ligamos ventiladores, desodorizamos a casa, e fiz outro chá. O melhor: Meacir ficou com peninha do marido, tão atrapalhado, tadinho! Mas deixar nossa erva queimar nem sempre termina bem. Culpar os outros não resolve.

Está cheirando mal? Pode ser a sua erva!