“Sombra e realidade” – Hebreus 10.1-10

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

ESTUDO BÍBLICO EM HEBREUS – 12.6.13

“Sombra e realidade” – Hebreus 10.1-10

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho.

 

INTRODUÇÃO

A argumentação do autor parece com “o mito da caverna”, de Platão. Homens vivem acorrentados, desde o nascimento, numa caverna. Passam sua vida olhando a parede do fundo, onde sombras são projetadas pela luz de uma fogueira. Eles pensam que aquele mundo de sombras é o real. Um dia, um dos prisioneiros sai da caverna e vai ao mundo exterior. Ele viu as coisas como são, o mundo real. Na volta, diria aos amigos que aquilo é sombra de um mundo real. Eles não creriam, se zangariam e o ameaçariam. O autor de Hebreus é este homem, teologicamente falando. Ele saiu da caverna do Antigo Testamento, viu a verdade do Novo Testamento. Viu que a Lei era sombra e que Jesus é a realidade. Por isso, nada de voltar ao Antigo Testamento. Nada de Lei. Nem de reconstruir o templo de Salomão, como querem alguns. Leia Colossenses 2.17. Vejamos, então, “Sombra e realidade”.

1. A LEI, UMA SOMBRA DA REALIDADE QUE É JESUS – VV. 1-4

Citando a King James: “O sistema mosaico era composto da Lei e de todos os procedimentos sacerdotais levíticos (7.11). Contudo os sacrifícios perpetuados pela Lei, ano após ano, constituíam-se em uma grande ilustração e antevisão (literalmente em grego: sombra) do poderoso e derradeiro sacrifício vicário de Cristo. O alvo da fé cristã é nos tornar discípulos (cópias fiéis) de Jesus Cristo (Rm 8.29, 2Co 4.4, Cl 2.17)”. A Lei era um “vislumbre” (skía, “sombra”). Dava a ideia do que viria. Não era a realidade. A realidade é Cristo. Se os sacrifícios valessem, não seria necessário repeti-los. Como a missa de corpo, de sétimo dia, de trigésimo dia, de ano. Se valesse, por que repetir? Os sacrifícios recordavam os pecados (v. 3). O v. 4 traz o termo “impossível”. É adynatos, “incapaz, sem poder”. Leia 7.19. Eram apenas sombra do que viria com Jesus. Uma visão pálida, projetada na parede.

 

2. JESUS, A REALIDADE EXPRESSA PELA SOMBRA – VV. 5-10

“Quando Cristo veio ao mundo” (v. 5). Não quando nasceu. Ele já existia (Jo 17.5). Deus não queria “sacrifício (thusía, ‘uma vítima’) e oferta (prosphora, ‘apresentação de algo sem sangue’)”. Queria obediência, por isso Jesus disse: “Vim para fazer a tua vontade, ó Deus” (v. 7). Jesus aprendeu a obedecer, ele que era Senhor (Hb 5.8, Fp 2.5-8). Deus não quis nada do sistema legal do AT (v. 8). Jesus veio para fazer a vontade do Pai e assim cancelou o primeiro (protos, modelo) para estabelecer o segundo (v. 9). As sombras acabaram. Vale a realidade! Em Jesus, somos santificados de uma vez por todas (v. 10). O termo “santificados” (hagíazo) alude ao estado de pureza que ficava aquele que sacrificava. Somos purificados em Jesus (1Jo 1.9). Não precisamos admirar as sombras do passado. Temos a realidade em Jesus. O AT prenunciava sua vinda. Era sua sombra. Ele, a luz, chegou. Somos do NT, não do AT.

 

CONCLUSÃO

Sombras, para quê? Zacarias, pai do Batista, reconheceu que seu filho veio ao mundo para preparar o caminho para o sol nascente: “E isso, por causa das profundas misericórdias de nosso Deus, através das quais dos céus nos visitará o sol nascente” (Lc 1.78). Em Jesus chegou o sol nascente “para iluminar aqueles que estão vivendo em meio às trevas, e guiar nossos pés no caminho da paz” (Lc 1.79). Nada de sombras! Temos o Sol!