UM NEGÓCIO INÚTIL NO MEIO DO NADA

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 7 de julho de 2013

Fui a Pedra Branca do Amapari, a 180 km de Macapá, falar num encontro de casais. Foi muito bom. Havia quase quinze casais, produto do trabalho do nosso missionário Wilkerson. De Porto Grande para lá (80 km) é estrada de terra, cheia de buracos e “costelas de vaca”, além das conhecidas pontes de madeira carentes de conservação. Faz parte de nosso cenário. É o Amapá.

O que não entendi foi uma lombada, num lugar deserto, numa reta em que se anda a 40 km por hora. O que aquela lombada fazia ali? Caíra de algum caminhão? Sobrara material e então a fizeram? Mais um teste para a paciência dos motoristas? Lembrete de que não devíamos andar a mais de 40 por hora? Não sei. Meu acompanhante comentou: “Um negócio inútil no meio do nada”. Era desnecessário, sem utilidade. Nulidade. Como um poste no deserto. Uma bola de futebol rasgada. Um cofre de parede sem porta.

Há coisas inúteis, absolutamente desnecessárias, que servem de status. Conheci um casal que detesta café. Sequer suporta o cheiro. Em sua cozinha, reluzia uma bonita cafeteira. Perguntei-lhe por que a compraram, se não gostam de café. Disseram ser para as visitas. Mas não tinham pó em casa. A cafeteira era inútil. Um ornamento caro. Compramos muitas coisas inúteis, porque todo mundo tem ou porque é trés chic. Seduzidos pelo “comprismo”, adquirimos bagulhos desnecessários.

Quando estudei Publicidade, aprendi a técnica de supermercado. Os que têm padaria têm sua clientela maior para compra de pão. Mas o pão fica lá no fundo. O sujeito tem que atravessar o mercado todo para comprar o pãozinho. No meio das gôndolas, ofertas inúteis, que ele compra porque é bonitinho. Uma senhora disse que estava comprando duas caixas de sucrilhos, embora não os comesse, porque duas caixas davam direito a uma tijelinha. Duas caixas de sucrilhos para quem não gosta, por causa de uma tijelinha?

Sempre que vou a um shopping, penso nisto: “Quanta coisa inútil junta num mesmo lugar!”. Descaroçador de laranja. Ampulheta que marca o cozimento do ovo. Chaleira que apita! Como as pessoas viviam antes dessas engenhocas?

Incorporamos à nossa vida coisas, práticas e hábitos desnecessários só porque estão na moda ou porque são “oportunidades”. O vocabulário do mundo, a aceitação de práticas erradas, o uso do tempo no que não presta. Não precisamos, mas adquirimos. Tornamo-nos mundanos.

Um negócio inútil no meio do nada. Coisa sem valor. Que não faz falta. O seguidor de Jesus que não testemunha dele. O membro de igreja infrequente aos cultos, não adorador (Viram, estou na moda! Já uso o shiboleth evangélico!), não contribuinte, sem visão evangelística ou missionária. Nunca soma, só divide. Não constrói. Apenas derruba. Esconde talentos, deixando de ser servo. São lombadas na estrada esburacada.

É, como há lombada no meio da floresta!

E como alguns gostam delas!