PASTOR OU GERENTE? IGREJA OU EMPRESA?

Isaltino Gomes Coelho Filho

            A questão não é nova.  E me defino logo: a igreja não é empresa e o pastor não é gerente eclesiástico. Sei que um pastor deve ter noções de liderança de grupo e que uma igreja precisa de regras de vivência administrativa. Inclusive, por ser pessoa jurídica, se submeter às leis do país.  Mas igreja não é empresa. Igreja é igreja, algo totalmente singular e distinto de qualquer outra organização. E deve ser pastoreada por homens que sejam pastores. Deus deu pastores à igreja (Ef 4.1) e não administradores de empresa. Gerentes devem ficar em empresas, e pastores nas igrejas.

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29 de julho de 2010   Categoria: Artigos

“TEU IRMÃO HÁ DE RESSURGIR”

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir” (João 11.23)

Diante da palavra de Marta de que Deus poderia lhe conceder tudo quanto ele pedisse (inclusive a ressurreição de Lázaro), Jesus diz que ele há de ressurgir. E Marta crê. Ela crê numa ressurreição geral, no último dia (v. 24). Jesus continua sua argumentação, seguindo o raciocínio de Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?” (vv. 25-26). Haverá, sim, uma ressurreição no último dia. Por causa de Jesus, que é ressurreição e vida. Ele pergunta a Marta se ela crê nisto, e ao invés de apenas dizer “sim”, ela vai além: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (v. 27).

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27 de julho de 2010   Categoria: Meditações em João

A MANIFESTAÇÃO DA VERDADEIRA FÉ

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele” (João 11.16).

Poucas palavras expressam um compromisso tão grande como estas de Tomé. Jesus insiste em retornar a Judéia (11.7). Seus discípulos tentam dissuadi-lo (11.8), mas ele se mantém irredutível. É quando Tomé concita os demais a irem, mesmo que seja para morrer com ele.  Verdade é que, como os demais, acabou fugindo (Mt 26.56). Mas recuperou-se, gastou sua vida na obra missionária, e morreu como mártir. Desta maneira, sua fala não foi retórica. Ele foi para morrer por Cristo. Cumpriu o que disse.

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26 de julho de 2010   Categoria: Artigos, Meditações em João

VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO…

 

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Preparado originalmente para a revista “Você”, e publicado com a autorização da revista

 

            Quem sai da bela e rica cidade de Marília para Lins, interior de S. Paulo, percorrerá cerca de 60 km. Mas ao sair de Marília já avistará o brilho de Lins, à noite. Situada em plano mais alto, a cidade tem suas luzes vistas de longe. Esta figura se ajusta à palavra de Jesus, à qual hoje chegamos, em nossa caminhada pelo sermão do monte: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.14-16).

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21 de julho de 2010   Categoria: Artigos

ESTUDO BÍBLICO EM HEBREUS – PARTE 3

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Já vimos que Hebreus é um livro absolutamente singular, com uma estrutura literária e teológica diferente da dos demais, e com uma linha de argumentação também bastante diferente. O autor tem um profundo conhecimento do judaísmo e da teologia dos sacrifícios, mas emprega categorias de pensamento próprias dos gregos. Isto torna o livro mais fascinante, porque é uma forma de argumentação que ainda não estudamos. É uma visão teológica do relacionamento entre cristianismo e judaísmo, entre a nova e a antiga revelação, com uma visão estrutural grega.

Já vimos, anteriormente, dois dos seus temas: a superioridade de Cristo e o sacrifício de Cristo. Eles nos enriqueceram quanto a uma visão mais correta da pessoa e da obra de Cristo. Hoje temos o terceiro, a nova aliança. Torna-se oportuno analisar isto porque há cristãos meio desorientados, querendo voltar a guardar preceitos do Antigo Testamento, ressuscitando festas judaicas, como se fosse observância para a igreja de Jesus. Tudo aquilo já passou, como diz Colossenses 2.16-16: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo”. Na realidade, isto já fora sinalizado desde a Transfiguração de Jesus, quando estão presentes Moisés (a Lei), Elias (os Profetas) e Jesus (a nova Revelação) e diante da proposta de Pedro de colocar os três em pé de igualdade, o Pai tirou Moisés e Elias de cena, e declarou, sobre Jesus: “Este é o meu Filho amado em que me comprazo, a ele ouvi”. Nós não ouvimos Moisés e Elias, mas a Jesus. Infelizmente, muitos cristãos estão apostando, negando a Cristo e sua cruz, e rebaixando-o a ao nível de vultos do Antigo Testamento. Este estudo reflete sobre isto.

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18 de julho de 2010  Palavras-chave:   Categoria: Estudos, Livros da Bíblia

RAZÃO E SENSIBILIDADE

“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos;

portanto, sede prudentes como as serpentes

e simples como as pombas” (Mt 10.16)

O filme inglês Razão e Sensibilidade (1995) narra a história de duas irmãs que diante das dificuldades financeiras da família adotaram formas diferentes de enfrentar a vida: uma, mais prática, valeu-se da razão como condutora de suas decisões, e a outra apoiou-se na emotividade como resposta. Na verdade, e a grosso modo, este é um pêndulo que todos nós precisamos aprender a nos equilibrar.

Carl Gustav Jung desenvolveu a teoria que possuímos  quatro funções psicológicas fundamentais: pensamento, sentimento, sensação e intuição. A seu ver, saudável é aquele capaz de transitar bem em cada uma dessas funções, para poder dar a melhor resposta que o momento exige. Coisa difícil, pois o problema é que costuma haver a preponderância de uma delas, que ele chama de “função superior”, e uma conseqüente dificuldade de transitar pelas outras funções.

Jesus deseja trazer unidade, equilíbrio e estabilidade à nossa personalidade. Da mesma forma que o Eterno organizou o caos do Universo, ele também pode trazer harmonia e beleza a cada um de nós. Ao preparar seus discípulos para enfrentar as duras experiências da vida de fé, Jesus advertiu-lhes para que fossem “prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. Ou seja, o Mestre os instruiu para combinar a prudência, sagacidade e inteligência própria dos ofídicos, aliada à simplicidade das pombas. Numa tradução mais livre, que complementassem a razão com a sensibilidade.

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11 de julho de 2010   Categoria: Artigos

POBRE ELISA…

Elisa é uma jovem que teria sido morta, e o principal suspeito é o goleiro do Flamengo, Bruno. Quando escrevo, ainda não se achou o corpo e Bruno não confessou o crime. Não emito opinião se ele é culpado ou não. Não sou investigador ou juiz. Sei o que saiu na mídia, o que não ajuda. Os repórteres são confusos nas perguntas, falam mal, cheios de “é”, ahn”, como um locutor da Band, que não emite uma frase corrida, além de ser discursivo e repetitivo.

A moça não tem culpa, caso tenha sido assassinada, de sua própria morte.   Mas caiu na ilusão de tanta gente, a da visibilidade. É pensar que, por aparecer na mídia, uma pessoa é mais importante ou melhor que outras. A revista “Veja” trouxe uma reportagem de oito páginas, em que o apelido de “Maria chuteira”, caçadora de jogadores de futebol, lhe é associado. São moças que procuram jogadores famosos.

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10 de julho de 2010   Categoria: Pastorais

ESTUDO BÍBLICO EM HEBREUS – PARTE 2

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Hebreus é o livro da Bíblia que mais discute o sacrifício de Cristo. Como o tema do livro é a superioridade de Cristo, o autor desenvolve a questão do porquê do sacrifício de Jesus e tece comparações entre ele e os sacrifícios judaicos. Nosso assunto posterior será a nova aliança. É preciso referir-nos a ela, de passagem, agora. A primeira aliança, feita com Moisés, estava estruturada sobre os sacrifícios. A nova, feita em Cristo, está estruturada sobre um sacrifício, o de Jesus. E o autor mostrará que este é superior, é único e suficiente. Nao há motivo algum para voltar ao passado, ao sangue de animais, nem mesmo à pesada legislação sacerdotal do Antigo Testamento.

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1 de julho de 2010   Categoria: Estudos, Livros da Bíblia

QUANDO A IGREJA É AFETADA PELO QUE HÁ DE PIOR NA CULTURA DO MUNDO

Isaltino Gomes Coelho Filho

Fui com a esposa à costureira, num ateliê ladeado por duas igrejas evangélicas, e outra em frente.  Da BR 040 até a quadra onde resido, a distância é de 2,3 km. Há treze igrejas evangélicas. Porque uma fechou. Após minha quadra há uma área de preservação ambiental. Na quadra seguinte, mais seis igrejas. Sem retórica: há mais igrejas que bares.

A proliferação de igrejas deveria ser saudável. Mas preocupa, pois boa parte delas não tem conteúdo. A placa “igreja” pode abrigar um grupo longe do conceito bíblico de igreja. Pode ser apenas um lugar onde pessoas se reúnem e cantam cânticos de auto-ajuda, fazem catarse, ouvem um discurso estimulante, mas sem alusão ao conteúdo do Novo Testamento, sem menção a Jesus. Às vezes paro na porta e observo o que se canta, prega e faz. Faixas de propaganda (a competição é feroz!) anunciam semana de posse, recuperação de bens, vitória sobre o Devorador, felicidade, prosperidade, cura, saúde, etc. Uma anunciava a semana para recuperar um amor perdido. É a teologia da dor de cotovelo. Outra dizia para levar peças de roupas, que seriam ungidas. Neste frenesi, uma anunciava “óleo ungido”. Como se unge óleo?

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29 de junho de 2010   Categoria: Artigos

O espelho

26 de junho de 2010   Categoria: Vídeos

QUANDO JESUS SE ATRASA…

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava” (João 11.6).

Fugindo dos que queriam prendê-lo, Jesus “retirou-se de novo para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali ficou” (Jo 10.40). Este lugar era Betânia (“Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando” – Jo 1.28). Estamos agora no ciclo de atividades de Jesus em Betânia. Talvez estivesse um pouco distante da cidade ao ser informado que Lázaro, que morava em Betânia (11.1), estava doente. Ele se demorou mais dois dias para visitá-lo (11.6). Quando chegou ele havia sido sepultado há quatro dias (11.17). Sua caminhada demorou dois dias.

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26 de junho de 2010   Categoria: Artigos, Meditações em João

AS LEIS DO FENÔMENO LIDERANÇA

Dr. Marcelo Quirino Psicólogo Clínico/UFRJ
www.marceloquirino.com

Estive lendo, quer dizer, ouvindo o audiobook de John Maxwell sobre o que ele considera serem as 21 leis irrefutáveis da liderança. É um bom livro para termos uma compreensão geral e introdutória do fenômeno da liderança.

Neste livro, o autor apresenta algumas leis imprescindíveis que qualquer líder deverá seguir para lograr êxito na sua missão de tornar-se e permanecer líder.

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21 de junho de 2010  Palavras-chave:   Categoria: Artigos

A VIDA DE QUEM AMA MISSÕES

Isaltino Gomes Coelho Filho

Eu era professor na Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, fim da década de setenta, prestes a entrar nos meus trinta anos. Na capela da Faculdade falou-nos Helena Bagby Harrison, filha do casal Bagby, iniciador do trabalho batista entre brasileiros. Bem idosa mesmo. Desde sua figura física até o fim de sua palavra fiquei totalmente desnorteado. Ela contou a história de seus pais, como sua mãe morrera, em um vôo, e o piloto, que fora seu aluno, retornou com o avião, dizendo que morrera uma princesa a bordo, “a Princesa dos Batistas Brasileiros”.

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18 de junho de 2010   Categoria: Artigos

ESTUDO BÍBLICO EM HEBREUS – PARTE 1

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

INTRODUÇÃO

Hebreus é o único livro do Novo Testamento de autoria desconhecida. E é um livro de conteúdo também desconhecido, na maior parte de nossas igrejas. Raramente se prega nele ou se estuda seu conteúdo. Geralmente se usa o texto de 13.8, para justificar dons miraculosos, mas se ignora o resto do livro. E assim mesmo, o uso deste versículo, quando assim feito, é fora do contexto.  Mas, infelizmente, ignora-se principalmente o significado global do seu tema. No entanto, ele é possuidor de mais rica teologia. Um cristão não pode ignorar seu conteúdo. Ele traz a essência da fé cristã. É o livro do Novo Testamento que mais claramente enfatiza as distinções que há entre o judaísmo e o cristianismo, e mostra, de maneira bem clara, o que é ser um cristão. Estudar Hebreus é conhecer as implicações da obra redentora de Jesus.  Temos um cristianismo que não ensina a totalidade da obra de Jesus. Para muitos segmentos, ele é apenas um pretexto para se usar seu nome como se fosse uma senha para se acessar o site das bênçãos de Deus.

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17 de junho de 2010   Categoria: Estudos

O LIVRO DE JÓ

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Alguém denominou o livro de Jó de “a noite tenebrosa da alma”. O reformador Lutero o considerava como “o maior livro da Bíblia”. Para Carlyle, é “o maior livro já escrito”. Isto mostra que é mesmo um escrito fascinante. Eis o seu enredo, em linhas gerais: o personagem central, descrito como um homem íntegro, é degradado, ao extremo, em quatro níveis. Materialmente, passa da riqueza à pobreza; do bem estar à calamidade.   Socialmente, passa da honra ao desprezo. Fisicamente, da saúde à doença. Emocionalmente, da alegria ao desespero. Seus sofrimentos seguem num crescendo. Atônito, ele se recolhe para pensar, e após uma longa reflexão sobre o que lhe acontecera, explode em três porquês: (1) Por que nasci? (3.11), (2) Por que não morri ao nascer? (3.12), (3) Por que não morro agora? (3.20-22). Ele deseja a morte e amaldiçoa o dia em que nasceu (3.1-4). Sai situação era calamitosa. Primeiro, ele perdeu os bens (1.13-22). Depois, perdeu a saúde (2.7-8). A mulher, que deveria apoiá-lo, o aconselhou a se matar (2.9). Leia o artigo completo »

15 de junho de 2010   Categoria: Artigos, Livros da Bíblia

AS OVELHAS DE JESUS

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão”- João 10.27-28.

Após dizer que os judeus não eram suas ovelhas, Jesus caracteriza quem são elas. “As minhas ovelhas”, ele começa a dizer, e faz uma das mais lindas declarações de toda a Bíblia. Não pertencem a uma denominação nem se caracterizam por uma determinada liturgia. São conhecidas por seis marcas, todas de relacionamento com ele.

A primeira: “ouvem a minha voz”. Elas ouvem a Jesus, não a estranhos. A Jesus, não a Moisés ou a Elias (Mt 17.5), símbolos do Antigo Testamento. Ouvir Moisés e Elias produz situações tristes, como a noticiada pela Internet de sete igrejas evangélicas colombianas que se tornaram sinagogas. Há muita igreja “sinagogada” por aí. Não se compõem de ovelhas de Jesus. Não o ouvem direito.

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13 de junho de 2010   Categoria: Artigos, Meditações em João

CORRIGINDO EQUÍVOCOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Preparado para a revista “Pregação e pregadores”, da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil

Infelizmente muitas pessoas pensam que falar corretamente é ato de vaidade ou exibicionismo cultural. Para pessoas que usam o idioma como ferramenta, isto deveria ser uma preocupação. Falar corretamente não é afetação ou vaidade. Falar complicado ou valendo-se um vocabulário complicado e não usual, isto sim, é afetação. Mas o uso correto da língua mostra cuidado e respeito pelo auditório e pela sua missão. Esta coluna não tem como pretensão ironizar ou ridicularizar pessoas nem considerar alguém inferior por cometer equívocos que aqui mostramos. Pretende ajudar em sua correção, pela dignidade que a pregação deve ter. A pregação não precisa ter uma linguagem afetada, mas esta pode ser correta. Assim apontamos alguns equívocos que podem ser corrigidos.

  1. Nunca diga “No entretanto”. Tal expressão não existe. É “no entanto” ou “entretanto”.
  2. Também não ore pedindo que “A mensagem venha de encontro às nossas necessidades” nem peça que Deus “venha de encontro à igreja”. A não ser que você queira ser atropelado pela mensagem ou por Deus. “De encontro” é chocar-se. Peça que a mensagem venha “ao encontro de nossas necessidades” ou que Deus “venha ao encontro da igreja” (se bem que ele nunca a perde; ela, às vezes, perde o rumo). Mas não confunda “ao encontro de” com “de encontro a”.
  3. “Outra alternativa” é pleonasmo, pois alter já significa “outro”. Diga, apenas, “alternativa”. Há também uma diferença entre “alternativa” e “opção”. A rigor, “alternativa” se aplica a uma possibilidade de escolher apenas entre duas questões. “Opção” é quando há mais de duas possibilidades de escolha. Mas, modernamente, nos testes escolares, se pede que assinale a alternativa correta, e se incluem quatro ou cinco opções. Como diz o Professor Sacconi: “A alternativa, em rigor, só poderia ser assinalada se houvesse apenas duas possibilidades de escolha para a resposta daquilo que se pede. Forçou-se assim, mais uma catacrese, já que em alternativa existe o elemento alter, que significa outro”.
  4. Não fale “previlégio”. É “privilégio”, que se diz. “Previlégio” é um sacrilégio contra a língua.
  5. Evite o uso do termo “Ofertório” para o momento de devolução de dízimos e entrega de ofertas no culto. Todo mundo entende, mas não é o mais correto. “Ofertório” é (1) a “parte da missa durante a qual o padre oferece a Deus o pão e o vinho, antes de consagrá-los”; (2) “orações que precedem ou acompanham essa oblação”; (3) “trecho musical composto para esta parte da missa”. Chame de “entrega dos dízimos”, ou, melhor, ainda, de “devolução dos dízimos”. Cuidado, também, com “dizimar”. Está popularizado entre nós como o ato de entrega do dízimo, e todos compreendem, mas “dizimar” vem do latim decimare, “matar um em cada dez”. Dicionários ainda registram “Destruir em parte ou quase completamente” e “desbaratar, desfalcar”. De repente, um purista da língua entende ao pé da letra, e eis o problema!
  6. Não confunda “bimestral” com “bimensal”. “Bimestral” acontece de dois em dois meses, e “bimensal”, duas vezes por mês. Na realidade, “bimensal” está mais como sinônimo de “quinzenal”.
  7. Não confunda “estada” com “estadia”. Não diga que o conferencista está em “estadia” na igreja. “Estada” é o ato de estar ou permanecer, e sempre se aplica a pessoas ou animais. “Estadia” é o tempo de permanência de veículos na garagem. O carro do conferencista poderá fazer “estadia” no estacionamento da igreja, mas ele, não, coitado. Arranje-lhe um quarto.
  8. Da mesma maneira, não confunda “ao invés de” com “em vez de”. “Ao invés de” se usa com a idéia de oposição, de situação contrária ou antônima. “O dólar, ao invés de baixar, subiu”. “Em vez de” se usa para simples troca ou substituição: “O Pr. João, em vez de pregar um sermão expositivo, pregou um sermão temático”. A diferença de sermões não é uma situação contrária, mas o dólar subir e não baixar, isto é.

Até a próxima edição. Se você tem alguma dúvida ou alguma sugestão ou algum comentário sobre os tópicos, escreva para a redação.

12 de junho de 2010   Categoria: Artigos

NO DIA DO PASTOR…

É bom lembrar que ele é alguém vocacionado por Deus para o ministério e, nesta categoria, deve liderar o povo de Deus com humildade e submissão ao Pastor dos pastores – Jesus Cristo.

É bom lembrar que ele não é um super-homem como alguns podem imaginar. O pastor tem fraquezas, se cansa, comete falhas, adoece, precisa de descanso, necessita de carinho e afeto. Isto devemos reconhecer para não exigir demais de um pastor.

É bom lembrar que ele deve ser objeto das orações do povo de Deus, pois o inimigo tudo fará para destruí-lo. E se não conseguir, vai atacar sua família.

É bom lembrar que, às vezes, seu coração está triste e abatido, e não tem ninguém que o console!

É bom lembrar que, às vezes, num mesmo dia, ele realiza o culto fúnebre de uma ovelha querida e depois vai visitar uma criança recém-nascida no hospital. Como ele consegue demonstrar tristeza e alegria ao mesmo tempo? Só mesmo segurando nas mãos de Deus!

É bom lembrar que, é verdade: há ministérios estéreis e púlpitos vazios. Há pastorados que trazem vexame e tristeza ao povo de Deus. Mas, há outros que são frutíferos, prósperos em termos de edificação e conversões, promovendo o crescimento do reino de Deus. Não podemos generalizar!

É bom lembrar que ele precisa ser sustentado condignamente, para que possa cumprir seu árduo ministério sem preocupações de ordem financeira, podendo manter sua família com dignidade. É bíblico: “Digno é o obreiro do seu salário” (1ª Tm 5.18).

Neste dia, é bom lembrar dos pastores “porque velam por vossas almas” (Hb 13.17).

Autor: Pr. Billy Graham Rodrigues
Primeira Igreja Batista em Serra Dourada-ES

11 de junho de 2010  Palavras-chave:   Categoria: Artigos

A CARTA AOS GÁLATAS

Um estudo preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

A data da fundação da igreja na Galácia é estimada entre os anos 46 e 47, quando da primeira viagem missionária de Paulo, que é narrada em Atos 13 e 14. O apóstolo adoeceu e teve que se tratar naquela região e aproveitou para evangelizar: “e vós sabeis que por causa de uma enfermidade da carne vos anunciei o evangelho a primeira vez, e aquilo que na minha carne era para vós uma tentação, não o desprezastes nem o repelistes, antes me recebestes como a um anjo de Deus, mesmo como a Cristo Jesus” (Gl 4.13-15). À luz do versículo 15 alguns consideram que foi uma enfermidade nos olhos.  Isto seria confirmado pelo texto de 6.11 que parece indicar que Paulo tinha algum problema de visão (“Vede com que grandes letras vos escrevo com minha própria mão”). Segundo alguns comentaristas, tal problema o acompanhou por toda a vida adulta. Teria sido uma febre ocular contraída nas praias da Panfília, região de malária.

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2 de junho de 2010   Categoria: Estudos, Livros da Bíblia

UM ESTUDO EM 1TIMÓTEO

Estudo ampliado do esboço preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os pastores batistas em Cabo Frio, RJ, agosto de 2004

INTRODUÇÃO

As cartas a Timóteo e a Tito são chamadas de “epístolas pastorais”. Na realidade, todas as cartas de Paulo foram pastorais, porque ele as escreveu como um pastor. Mas estas são assim chamadas porque foram dirigidas a dois pastores: Timóteo e Tito. O sentido da palavra “pastoral” aqui ficou quase como sendo sinônimo de “clerical”, uma carta para pastores. Somos pastores. Servem-nos por isto. Paulo, o grande pastor, missionário, o maior teólogo da igreja, tem algo a nos dizer aqui. Vejamos, aprendamos e tenhamos humildade de internalizar.

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30 de maio de 2010   Categoria: Estudos, Livros da Bíblia

O PESO DA EXPERIÊNCIA PESSOAL

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo” – João 9.25

A conversa era tensa. E piorou quando o sinédrio disse: “Dá glória a Deus”, iniciando o diálogo com ex-cego de nascença. Esta frase iniciava o processo por heresia. Normalmente degenerava em condenação. A resposta do inquirido foi desconcertante. Desconhece teologia, mas tem certeza de uma coisa: era cego e agora via. Contra os discursos, exibiu a sua experiência. Mais à frente, o ex-cego fulminou a falação dos teólogos: “Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer” (vv. 32-33).

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28 de maio de 2010   Categoria: Artigos, Meditações em João

A 2ª CARTA AOS CORÍNTIOS

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudos bíblicos

A data mais recente para esta carta é o ano 57, segundo a maioria dos estudiosos. É a data limite, pois muitos entendem que teria sido escrita antes disto. Paulo passara por Éfeso, pouco depois de escrever a primeira carta aos coríntios, que parece ter sido levada por Tito (2Co 12.17-18).  De lá foi para Trôade, onde esperava encontrar-se com o mesmo Tito, para ser informado do efeito que a sua carta causara na igreja (2Co 2.12-13). Não o encontrando, foi para a Macedônia, onde, por fim, o encontro entre os dois se deu. Foi aí que Paulo ficou sabendo como os coríntios se contristaram com o seu escrito. Aliás, é curioso como as pessoas nem sempre se contristam por andar erradas, mas se entristecem quando são corrigidas. Elas amam o pecado, mas resistem à correção. E, quando corrigidas, ficam tristes. Mas pior é quando as pessoas, ao serem corrigidas, se abespinham, se zangam, e tentam derrubar o obreiro. Muito pastor já perdeu pastorado por mexer em “casas de marimbondo” do pecado de alguém famoso ou de dízimo alto na igreja. Lembro-me da queixa de um pastor que, além de deposto do pastorado, quase foi agredido fisicamente, por não ter aceitado que o filho de um “poderoso” na igreja fosse traficante drogas. O filho do poderoso era membro da igreja e traficante…

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27 de maio de 2010   Categoria: Estudos

A 1ª CARTA AOS CORÍNTIOS

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudos bíblicos

Corinto era uma grande metrópole de origem grega. Na realidade, apesar de Atenas ser a capital, era a cidade mais importante da Grécia, por sua localização geográfica. No tempo de Paulo, era uma das maiores cidades do Império Romano, com cerca de 400.000 habitantes, um número considerável, na época (hoje já é bastante!). Ficava a 80 km de Atenas, sendo rota comercial, uma espécie de encruzilhada do mundo da época (por isso que era a mais importante da Grécia). Era a capital da província da Acaia. Paulo implantou o evangelho ali (At 18.1-3), tendo ficado um ano e meio na cidade (At 18.11). Parece que conseguiu muitos frutos em seu trabalho (At 18.9-10).

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27 de maio de 2010   Categoria: Estudos

PARABÉNS, SR. NEYMAR

Isaltino Gomes Coelho Filho

Não é o Neymar, jogador do Santos, que estou elogiando. É seu pai. Torço pelo Santos, mas esse negócio de “meninos da Vila” é bobeira. Paulo Henrique tem 20 anos e Neymar, 18. Menino é quem tem dez, onze anos, no máximo quinze. Com 18 e com 20 anos, o sujeito já deve ter tomado senso na vida. Já vota, está ou passou pelo serviço militar.  É tempo de tomar juízo.

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23 de maio de 2010   Categoria: Artigos

QUEIMANDO INCENSO AOS DERROTADOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Quando Amazias veio da matança dos edomeus, trouxe consigo os deuses dos filhos de Seir e os elevou para serem os seus deuses, prostrando-se diante deles e queimando-lhes incenso. Pelo que o Senhor se irou contra Amazias e lhe enviou um profeta, que lhe disse: Por que buscaste os deuses deste povo, os quais não livraram o seu próprio povo da tua mão?” (2Crônicas 25.14)

Quando eu era criança, meus pais tentaram me cooptar para torcer por seu time de futebol. Ele, Flamengo. Ela, Fluminense. Duas vezes, pois nasceu no Estado do Rio. Minha mãe deu a cartada final. Haveria um jogo no Maracanã: Fluminense e Porto, de Portugal. Ela disse ao meu pai: “Isaltino, leva o menino para conhecer o Maracanã. Haverá pouca gente, não haverá riscos”.

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23 de maio de 2010   Categoria: Artigos

OS PARDAIS NOVAMENTE

Isaltino Gomes Coelho Filho

Escrevi três artigos sobre os pardais: “Deus cuida dos pardais – mas eu dou comida e água para eles”, “A volta dos pardais” e “Os pardais e a filosofia”. Este é o quarto, mas a lição veio de um colega, o Pr. Sérgio Vaz, presidente da Convenção Goiana, pastor da PIB de Urias Magalhães, em Goiânia. Em conversa comigo e com Meacir ele falou dos pardais que faziam ninho em sua varanda, onde estávamos. Alguém lhe recomendou que tirasse os ninhos, mas ele se recusou e deu as razões, que alisto a seguir.

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23 de maio de 2010   Categoria: Artigos

UMA IGREJA VELHA! QUERO UMA IGREJA VELHA!

Isaltino Gomes Coelho Filho

“Intolerâncias” é o título de artigo de Mauro Santayana, no “Jornal do Brasil”, de 12 de outubro. Começa assim: “Um fiel ‘desequilibrado’ da Assembléia de Deus apedrejou a imagem de Nossa Senhora, durante a procissão do Círio de Nazaré, em Belém. O ‘bispo’ da Igreja Universal do Reino de Deus, Sérgio von Helder, esmurrou e chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em programa de televisão visto por milhões de pessoas, faz dez anos hoje – e não era desequilibrado”.

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23 de maio de 2010   Categoria: Artigos

A BOA E ANTIGA EBD

Pr. Tarcísio Farias Guimarães, PIB de Divinópolis, MG

A história do cristianismo evangélico está claramente marcada pelo empenho em proporcionar ensino bíblico a todos os povos, gerando discípulos de Cristo que conhecem os ensinos do Mestre. Seminários teológicos, editoras, publicações, pregações e distribuição gratuita de Bíblias têm sido alguns meios pelos quais os evangélicos promovem ensino cristão. Destacamos ainda a Escola Bíblica Dominical (EBD), que tem uma história de séculos na promoção do ensino bíblico em todo o mundo.

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20 de maio de 2010   Categoria: Artigos

PREPARANDO-SE PARA ACERTAR NO CASAMENTO


Uma palestra preparada e apresentada por Meacir Carolina Frederico Coelho, aos jovens da Igreja Batista em Maracaju – MS

INTRODUÇÃO

“As emoções compartilhadas/expressas são ingredientes essenciais nos relacionamentos saudáveis” (Gary Oliver). Quando se pensa em casamento, a preocupação é preparar-se para um relacionamento saudável. Não basta conhecer alguma coisa a respeito da outra pessoa. É preciso abrir o coração, dividir anseios e desejos profundos. Arriscar expor suas dúvidas, medos e inseguranças. Ou seja, compartilhar emoções. Para que assim aconteça, é preciso permitir que Deus renove mentes (1Co 2.16, Rm 12.2, Fp 2.5), cure emoções (Rm 14.1, Ef 4.26 e 5.1-2) e dirija escolhas (Rm 13.12, Ef 4.22-24, Fp 3.13).

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20 de maio de 2010  Palavras-chave:   Categoria: Palestras

O SÉCULO DAS TREVAS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Mudar-me-ei para Macapá, Amapá, em julho. Leio diariamente dois jornais da cidade, pela Internet, para me familiarizar com meu futuro domicílio. Um dos jornais é o “Diário do Amapá”. Sua edição de 7.5.10 trouxe um editorial sob o título “Século das trevas”. O jornal comenta o assassinato de um homem de 37 anos, em Mazagão, interior do estado, com requintes de crueldade, por quatro delinqüentes.

O que é rotina nas grandes metrópoles ainda soa como novidade na cidade de Mazagão. O editorialista faz algumas observações que eu, particularmente, venho fazendo há anos. Ele se choca com o fato de que o século 21, que deveria ser o século das luzes, é a “Idade das trevas”. Parece ainda nutrir a visão do Iluminismo racionalista de que o progresso científico, econômico e social traria o novo Éden para a humanidade. É a visão ingênua que diz “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. Como os formadores de opinião são lentos em entender isto! Criaram uma visão mecanicista do homem. Ele é uma máquina que pode ser programada e condicionada e produzir os resultados que se esperam dele. Ele apenas responde a estímulos e a condicionamento social, quer sejam estes de ordem cultural ou econômica. Mas o articulista entende que o homem é corrupto e criminoso, apesar de receber educação.

A certa altura diz o editorial: “Vive-se hoje no Brasil, a mais a absoluta inversão de valores. O homem honesto é visto com desconfiança em muitos gabinetes oficiais. O homem correto, aquele que devolve ao dono aquilo que não é seu quando encontra, por acaso, uma quantia em dinheiro ou objeto de valor é chamado de otário. A mulher virtuosa é discriminada, como se a depravação moral que domina a sociedade fosse o correto e o normal”. Viu bem. Há uma absoluta inversão de valores. Cresce o cinismo e acua-se o que era visto como virtude. A maior parte das leis hoje, para exemplificar isto, é para tirar limites, e não para impô-los. Há uma espécie de “Liberou geral, galera!”, nos meios de comunicação e na cultura em geral. Se alguém discordar de minha posição religiosa, exerce seu direito de opção. Se eu discordar da opção sexual de alguém (eu achava que sexo não fosse opção, que viesse de “fábrica”) serei criminoso. Que radicalismo! Que parcialidade! Há um lento e laborioso processo de desconstrução de valores e da cultura, em geral. Acua-se cada vez a pessoa que tem valores e exalta-se quem os demole.

Caminho com o autor do editorial até um ponto. Dissocio-me da caminhada com ele quando ele diz que a causa de nossos males é a impunidade: “Infelizmente, a maior mazela de quantas se abatem sobre o Brasil de hoje e de sempre é a impunidade”. Creio que sua visão, aqui, foi pouco clara.

A impunidade é uma desgraça, mas não é a causa de nossas mazelas. Ela as amplia, mas nossas mazelas se devem ao pecado humano. A imagem de que o homem é bom, e que seus problemas são deficiências de educação e de bens, escassez de lazer e semelhantes, é um engodo. O século 20, que deveria ser o século das luzes, viu duas guerras mundiais. Viu monstros como Hitler, Stalin, Idi Amin, Bokassa, Mao Tse-Tung, etc. Não vimos o Éden. Vimos Treblinka e Auschwitz. Vimos Hiroshima e Nagasaki. Desde 1789, quando da Revolução Francesa, coroa do Iluminismo, não houve um só dia em que pelo menos duas nações não estivessem em guerra, na face da terra.

Não sou ingênuo e nutro uma péssima imagem do ser humano. E explico: sou um cristão, que crê na Bíblia, e ela menciona, repetidas vezes, que o homem é pecador, é mau, carrega a maldade dentro de si. Billy Graham disse bem: “O homem é exatamente que a Bíblia diz que ele é”. Não é a sociedade que torna o homem mau. Ele torna a sociedade má. Ele é um rei Midas às avessas. Tudo que Midas tocava se tornava em ouro. Tudo que o homem toca se arruína. A Bíblia diz que o homem é pecador e que seu problema é espiritual. Que ele precisa se acertar com Deus. Mas diariamente, quem crê em Deus, é ridicularizado. A fé cristã é mostrada como tolice de quem vive numa Idade das Trevas mental. A humanidade descrê de Deus, zomba de valores religiosos, apregoa que o homem é um macaco aperfeiçoado, apenas matéria, e espera que haja um comportamento digno do homem? Ora, se valemos tanto quanto um macaco, um feixe de capim ou um monte de estrume de boi, se somos apenas matéria, que dignidade há em nós ou no nosso semelhante? Se não há dignidade intrínseca do ser humano, por que esperar bondade dele? Por que praticar bondade? Por que esperar resultados morais se não há valores morais, por absoluta ausência de referenciais? Como bem disse Dostoievski, “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Sem um absoluto, tudo é relativo! Isto é acaciano! Destroem-se valores, zomba-se da retidão, reprimem-se os críticos da imoralidade, chamando-os de “fundamentalistas”, e se espera virtude? C, S. Lewis disse bem: “Caçoamos da honra e nos surpreendemos ao encontrar homens desonrados entre nós”.

E o editorial, bem escrito, termina com esta expressão: “E tal qual um novo Cícero, pergunto aos senhores da vida e da morte de todos nós: “Quousque tandem, abutere patiencia nostra…?”, ou seja, até quando – senhores da política – abusarão da nossa paciência?”.

Vou terminar parafraseando-o, também em latim: “Quousque tandem, abutere patientia divinae?”. Até quando os homens continuarão virando as costas para Deus, e acharão que são capazes de se curarem a si mesmos? Tentar resolver o problema do homem com recursos humanos é como tentar se levantar pelos cordões dos sapatos. O homem precisa de Deus. Precisa do evangelho de Jesus. Ele é tão corrupto e tão pecador, que muitos desfiguram o evangelho e o torcem para formar impérios econômicos. Se torcem coisas santas como o evangelho, por certo que com mais facilidade torcem os valores humanos.

O nosso século não é das luzes. É das trevas. E a Bíblia mostra que o pecado são trevas. Mostra, ainda, que Jesus é a luz. É num coração transformado por Jesus que o mundo pode ser melhorado. O resto é ingenuidade. O ingênuo não é o que crê no evangelho. Ingênuo, mesmo, é que não crê, que lhe vira as costas, e tenta mudar o mundo. É preciso muita fé para crer assim. E fé deste tamanho eu não tenho.

9 de maio de 2010   Categoria: Artigos