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	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho &#187; Artigos</title>
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		<title>NÃO PERCA SEU BARCO</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 14:49:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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										</div><p align="center">Pr. João Falcão Sobrinho</p>
<p align="center">
<p align="center">
<p>            Da janela do apartamento em que me hospedava em Macapá, eu podia ver o imenso Amazonas descendo pachorrento, sem pressa, para depositar no oceano a imensurável riqueza dos nutrientes que trazia desde suas nascentes no mundo amazônico. Eu estava em Macapá a fim de participar das celebrações do quadragésimo aniversário de ministério do Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho, promovidas pela Igreja Batista Central de Macapá, que ele pastoreia. Um dos espetáculos mais belos que já pude ver em meus 81 anos de vida, assisti ali daquela janela: o nascer do sol como se o astro-rei estivesse saindo de dentro do grande rio, tingindo de rubro a imensidão de suas águas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Podia ver também os barcos ancorados no cais e observar o temperamento calmo dos macapenses, como se a lerdeza do rio lhes impregnasse a própria alma. Tudo lá é feito devagar, com calma, não adianta se apressar porque o barco só pode zarpar quando o rio está cheio. Ali ancorado estava um barco de bom tamanho, cujo destino era Afuá, após três horas e meia de navegação. Aos poucos, o barco foi sendo tomado por centenas de passageiros com suas bagagens, redes e esperanças. Em dado momento, um tripulante tirou as amarras do barco e, com uma vara, afastou a proa da beira do cais, enquanto a prancha de acesso era removida e a porteira era fechada. Nesse exato momento, surge na avenida uma motocicleta em alta velocidade. Era um mototaxi com um passageiro na garupa. O homem gritava e gesticulava, evidentemente pedindo para que esperassem por ele. A moto chegou junto ao barco e, enquanto o passageiro tirava e devolvia o capacete e pagava a corrida, o barco já estava fora do alcance do seu embarque. O homem recolocou o capacete e voltou a montar na garupa da motocicleta visivelmente transtornado. Perdeu o último barco para Afuá. Por curiosa ironia, o nome do barco era FÉ EM DEUS. Eu vi um homem no cais em Macapá perder o barco que tinha por nome “Fé em Deus”.<span id="more-2201"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Provavelmente, no dia seguinte, haveria outro barco para Afuá. Quem, porém, perder, não o barco, mas a fé em Deus, não terá outro barco que o leve ao destino para onde deseja ir sua alma, o destino da Glória. Infelizmente, muitos homens e mulheres hoje estão no cais da vida, mas perderam o barco da fé em Deus. Estão crendo em ídolos, em mitos, em sistemas filosóficos, estão crendo em homens que se autodenominam representantes de Deus, estão crendo em slogans promocionais de religião, estão crendo em instituições religiosas, mas perderam a fé em Deus. Se não se arrependerem e não abrirem o coração para uma verdadeira fé no verdadeiro Deus, ficarão no cais da vida, ante-sala do inferno e nunca chegarão aonde, no fundo no fundo, gostariam de chegar – o Paraiso. Por amor à sua alma e ao seu destino na eternidade, não chegue atrasado, não perca o barco FÉ EM DEUS. Creia em Deus, creia em Jesus Cristo que morreu por você na cruz do Calvário. Creia enquanto é tempo, pois chegará o momento em que você desejará embarcar, mas o barco da salvação já terá se afastado rio adentro e você entrará em eterno desespero, nunca mais terá outra chance de embarcar no único barco que poderá levá-lo à vida eterna: A fé em Deus, a fé na graça da salvação, a fé no Cristo que por você morreu na cruz do Calvário. Não se atrase. Aceite hoje mesmo o Senhor Jesus pela fé. Não há outro barco para a vida eterna.</p>
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		<title>DESEJANDO SER UM OBREIRO MELHOR</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 20:31:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para um encontro com os pastores em Imperatriz, MA, e apresentado dia 12.12.11 &#160; “Você conhece alguém que faz bem o seu trabalho? Saiba que ele é melhor do que a maioria e merece estar na companhia de reis” (Pv 22.29, NTLH). A Bíblia faz este elogio a [...]]]></description>
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										</div><p align="center">
<p align="center">Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para um encontro com os pastores em Imperatriz, MA, e apresentado dia 12.12.11</p>
<p align="center">
<p>&nbsp;</p>
<p>“Você conhece alguém que faz bem o seu trabalho? Saiba que ele é melhor do que a maioria e merece estar na companhia de reis” (Pv 22.29, NTLH).</p>
<p>A Bíblia faz este elogio a quem é competente no seu ofício. Fazer bem um trabalho é questão de capricho pessoal e de amor ao trabalho. Só preguiçosos e inconseqüentes se desincumbem de sua tarefa de qualquer maneira. Quem é incumbido de uma tarefa e é negligente no fazê-la mostra que não tem noção de responsabilidade. E se a tarefa a ser desempenhada é no reino de Deus, a questão avulta de importância. Eu era seminarista, e no culto do café da manhã, no refeitório do seminário, num domingo, o também seminarista Ivo Seitz leu Jeremias 48.10: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente”. Isto foi há mais de quarenta anos, mas o impacto permanece comigo até hoje. Guardei isto: a obra de Deus não pode ser feita de qualquer maneira.<span id="more-2189"></span></p>
<p>Pelé já era o maior jogador do mundo (naquela época não se fazia votação – ele era consenso mundial), e quando o treino do Santos terminava, ele pagava do seu bolso a dois juvenis para continuarem treinando com ele. Um cruzava a bola na área para ele completar, e o  outro ficava no gol. Ele já era o maior de todos, mas continuava treinando. Por isso era o maior. Mas encontramos pastores que já estão satisfeitos com o que são. Nunca se aperfeiçoam. Certa vez, um aluno meu de Homilética pronunciou esta frase, no sermão: “Que previlégio ter a Cristo como Adevogado!”. Corrigi-o depois, na análise do sermão, pois era minha tarefa. Disse-lhe que era “privilégio” e “advogado” (com “d” mudo). O ex-aluno, quase trinta anos depois, ainda fala “previlégio” e “adevogado”. Com todo respeito: o idioma é o instrumento de um pregador. Se ele não o estuda, sob qualquer desculpa, isto é lastimável.</p>
<p>O caso é pior quando se trata do caráter e da espiritualidade não aperfeiçoados. A pessoa continua com as mesmas falhas, e incide nas mesmas quedas há anos. Isto é relaxamento moral, o pior de todos. Um obreiro sério desejará ser melhor. Inclusive como gente. Há obreiros que se tornam pessoas intratáveis. Querer melhorar deve ser um anseio nosso. Pensemos um pouco sobre isto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li>É PRECISO MELHORAR CULTIVANDO UMA ESPIRITUALIDADE SEGURA E EQUILIBRADA</li>
</ol>
<p>Esta é a primeira área em que o obreiro precisa melhorar. Na vida espiritual. É a base das demais. É mais importante que a ortodoxia. É preciso ter cuidado para não presumir que ortodoxia seja o aspecto mais importante da vida pastoral. É importante e eu cuido dela. Não preciso provar a ninguém que sou conservador e que não vejo isto como algo de que deva me envergonhar. Mas há ortodoxia raivosa. Alguém se referiu a um teólogo católico do passado como “o mastim do Senhor”. Soou-me horrível.  Eu mesmo tenho lutado para ser conservador sem ser um “pitbul” de Jesus. Porque os há. E como há! É uma coisa ser ardoroso e convicto e é outra ser um “jagunço de Cristo”. Vez por outra um “jagunço de Cristo” se zanga com o que escrevi, e me desanca com uma fúria que me impressiona. Ortodoxia sem espiritualidade tem cheiro de fogueira. Espiritualidade não combina com o cheiro de queimado.</p>
<p>Espiritualidade é um termo muito amplo e por isso vou defini-lo. Com ele quero falar sobre o cultivo da comunhão com o Senhor. Uma vida espiritual crescente e abundante. Ao dizê-la “segura e equilibrada” reconheço haver espiritualidade desequilibrada e por isso insegura. É aquela que os <em>insights</em>, os “eu acho”, ou “eu penso assim, ó” prevalecem. Há muito modismo e copismo em nosso meio. Chacrinha disse que “na televisão, nada se cria, tudo se copia”. No cenário evangélico também.  Desta maneira, os erros e equívocos se espalham com facilidade. Vamos  caracterizar, então.</p>
<p>Não creio em espiritualidade sadia fora do ensino das Escrituras. “Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). “Escondi a tua palavra em meu coração para não pecar contra ti” (Sl 119.11). O que Deus mais pede de nós é obediência à sua palavra: “Por acaso o SENHOR tem tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que obedeça à sua voz? Obedecer é melhor que oferecer sacrifícios, e o atender, melhor que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22). Na leitura, com fome, das Escrituras, e na aplicação dos seus ensinos à nossa vida está a santificação. Porque santificação nada mais que é obediência.  É conformidade à Palavra de Deus.</p>
<p>Este é um processo longo e penoso. O problema é que queremos atalhos. Queremos coisas rápidas e agradáveis.  As pessoas levam vinte anos engordando, querem emagrecer, mas não querem cortar hábitos. Querem uma cirurgia ou uma pílula para perder peso. Ninguém quer disciplina pessoal nem deixar de lado as coisas de que gosta. Há quem ame o erro e não quer deixá-lo nem quer lutar para superá-lo. Busca pílulas mágicas, ou atalhos. A moçada busca no louvor. Muitos pastores buscam em encontros e congressos, pensando que lá encontrarão um atalho. Vejo obreiros correndo de encontros em encontros em busca de alguma coisa que os satisfaça, espiritualmente. Voltam felizes, enganando-se a si mesmos, porque continuam os mesmos. E logo depois descobrem isso. E continuam procurando atalhos. Mas e o morrer diário? E a disciplina pessoal diária? E a palavra de Paulo: “Antes, subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão” (1Co 9.27)?  E a palavra de Jesus: “&#8230; tome cada diz a sua cruz&#8230;”, em Lucas 9.23? Tais palavras nos falam da luta para vencer-se a si mesmo, aos seus prazeres e apetites carnais. Não há atalhos, mas uma luta diária.</p>
<p>Há obreiros que só lêem a Bíblia para buscar sermão para o rebanho. São garçons subnutridos. Servem comida aos outros, mas não se alimentam. Por isso, sua comida é de má qualidade. Seus sermões podem impressionar pela oratória e manipulação, mas, cedo ou tarde se revelarão o que realmente são: artificiais. A maneira correta de se ler a Bíblia é com fome, para aprender, e depois fazer a pergunta: “À luz disto que li, onde devo mudar?”. Quando a lemos para nós temos sermões. Ela nos prega, primeiro, e depois a pregamos aos outros. Comentei com um colega, numa conversa que tratava de hábitos pessoais, que tenho mais de  trinta sermões confeccionados e ainda não pregados. Ele me disse: “É, você é um gênio!”, com sarcasmo. Respondi que não sou. É que leio a Bíblia todos os dias (leio-a duas vezes por ano, e em versões diferentes) e leio para aprender. Nesta prática, de repente um texto me pega de jeito, e até me deixa desconfortável. Ou me traz um consolo enorme. Medito nele, ele me ensina, e vejo que posso repartir com meu povo. Sou um pregador bastante limitado, mas leio para ser alimentado, e o Espírito me ensina a Palavra. Aí posso ensiná-la.</p>
<p>Um obreiro que queira ser melhor precisa ter comunhão com a Palavra de Deus. Precisa internalizá-la. Ao comentar o texto em que João come o livro que o anjo lhe dá (Ap 10.9-10), Eugene Petersen fez esta observação: “João faz isto: come o livro – não apenas o lê. O livro agora é parte de seus terminais nervosos, de seus reflexos, de sua imaginação”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_edn1">[i]</a>. O livro passa a fazer parte do ser do obreiro.</p>
<p>Os pastores precisamos voltar às Escrituras, ao amor por elas, a ter prazer em lê-las. Precisamos, acima de tudo, aplicá-las em nossas vidas. Elas nos darão firmeza, equilíbrio e uma espiritualidade sadia. Não prescindo da oração nem de outras disciplinas espirituais. Mas demoro-me aqui porque vejo que livros de auto-ajuda e de técnicas empresariais têm se tornado a leitura mais importante na vida de muitos obreiros. E deve ser a Bíblia. Não para pregá-la, mas para se alimentar. Como lembra Petersen: “a revelação é sempre formativa – não ficamos sabendo mais; passamos a ser mais”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_edn2">[ii]</a>.</p>
<p>Uma espiritualidade segura e equilibrada nunca trará auto-indulgência ao obreiro. “Você sabe que eu sou muito franco e tenho uma personalidade muito forte”, disse um obreiro, certa vez, numa discussão com a esposa. Esta lhe disse, “na lata”: “Você é um cavalo!”. Coitado do cavalo! Entrou de graça na história! E o pior foi que tivemos que ouvir o bate-boca conjugal. Homens de bom senso prezam as opiniões das esposas a seu respeito. Mas tomar uma dessas, da esposa, é duro. O pior é que foi na frente dos outros.</p>
<p>Precisamos chamar nosso pecado de pecado. O gênio forte de que alguns se orgulham é pecado. A convicção espiritual de que outros também se orgulham pode ser apenas rabugice azeda. A pessoa é belicosa e chama sua agressividade de “zelo santo”, o que cheira a blasfêmia. Há obreiros que se colocam acima da crítica. São “ungidos do Senhor” e isso lhes garante o direito de dizerem o que querem, como querem, de serem como querem. Não aceitam ser questionados e nunca acham que erraram. Sempre se autojustificam. Nesta prática acabam se fechando até para a ação do Espírito Santo. Confissão de pecado, arrependimento, pedido de transformação, essas coisas devem fazer parte do cotidiano de nossas orações, se queremos ser melhores. E muitas vezes virão acompanhadas de lágrimas.</p>
<p>Uma espiritualidade sadia e equilibrada é necessária porque temos a obrigação de ser o modelo para o rebanho e de ser como Cristo: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1). “Imitadores” é um substantivo derivado do verbo <em>mimétai, </em>de onde vem “mimetismo”, o fenômeno do camaleão, calango, bicho-pau. É assumir o ambiente. Paulo queria mimetizar Cristo. É um desafio para nós. Não são nossas esquisitices que o povo deve imitar, e sim nosso caráter cristão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li>É PRECISO CULTIVAR UM SENSO DE EQUIPE</li>
</ol>
<p>Em Lucas 10.1 lemos que Jesus enviou os setenta (ou setenta e dois) discípulos em duplas. À primeira vista, parece má estratégia para vender um produto (como os marqueteiros chamariam o evangelho). Se enviasse individualmente alcançaria o dobro dos lugares! Mas com isto ensinou que a obra não é para ser feita individualmente, e sim em equipe. Esta é outra área em que precisamos melhorar, saber conviver com os colegas.  Como há carreira solo! Como há gente que julga que é a pessoa mais iluminada do mundo, e despreza trabalhar em equipe e em subordinação! Como surgem ministérios concorrentes e como brotam inimizades no serviço de Deus! Por causa da vaidade pessoal. Ministros assim não mostram maturidade espiritual.</p>
<p>No tempo em que uma bola de futebol era muito cara, a garotada ficava dependente de quem tinha uma bola para todos jogarem. Muitas vezes o garoto era ruim de bola, que dava dó. Batia na orelha dela. Mas só havia jogo se ele fosse escalado, senão levava a bola para casa. Daí veio a expressão “o dono da bola”, aplicada ao garoto que se escalava. Há muito dono da bola no reino. Já vi gente levar uma caravana para uma assembléia para votar em seu nome. Finda a eleição, que perdeu, tal pessoa pegou a caravana, colocou no ônibus e foi-se embora. Não havia mais nada a fazer ali. Já vi muito executivo e presidente de instituições que, ao deixarem o cargo, nunca mais cooperaram. Deixaram de estar na proa e Deus os livrasse de irem para o convés ou para a popa! É gente que só coopera se for o “primeirão”. A obra de Deus tem sofrido muito por causa da vaidade pessoal. É preciso crucificar diariamente o ego, pois ele é forte, sempre se levanta e nos leva a atitudes ridículas como essas.</p>
<p>O desejo de ver o nome estampado em gás néon é uma das maiores evidências de infantilidade emocional. Um obreiro que é espiritualmente sadio busca apenas servir. Parece-me que ninguém quer lavar pés, mas muitos querem ter os pés lavados. Uma prova disso é o amor por títulos, hoje, no cenário evangélico. Havia um colega que me ligava e dizia: “Isaltino, aqui é o Pr. Dr. Fulano de Tal”. E eu sorria, sozinho. Era-me indiferente como ele me tratava, mas uma pessoa que trata um colega de atividade pelo prenome e se apresenta pelos títulos deve ter uma autoimagem fraquíssima. Precisa impressionar os outros. O colega se sentia incomodado comigo.</p>
<p>A obra é do Senhor e nós somos servos, não sócios. O brilho deve ser o dele e não o nosso. Buscar holofotes não é apenas doença emocional. É usurpação espiritual. A glória deve ser sempre de Cristo. Um obreiro que queira ser melhor há de querer o progresso do reino. Saberá que sozinho pouco poderá fazer, e saberá também que sua omissão prejudicará a obra. Terá noção de grupo e fará parte de um todo.</p>
<p>Sempre me impressionou a declaração de Henry Martin (por isso a mencionei várias vezes, em palestras), ao desembarcar nas praias da Índia: “Aqui, deixem-me gastar por Deus”. Cada obreiro cristão deve buscar seu lugar, mesmo que este não lhe dê nenhuma expressão social (afinal, ele quer brilhar ou fazer brilhar a luz de Cristo?). Encontrando-o, deve querer se gastar por Deus ali. Muitas vezes parece que o obreiro não quer servir a Cristo, mas quer usar o evangelho de Cristo para seu benefício, seja o material, seja o emocional. Algumas vezes os dois. Quando a visão de cooperação se sobrepõe à individualidade, o obreiro prova que cresceu. Um obreiro que queira ser melhor não se porá como “o rei da cocada preta”, mas trabalhará em equipe.</p>
<p>Um obreiro que queira melhorar sufocará seu desejo de poder. Numa obra excelente, o economista e sociólogo indiano Parag Khanna disserta sobre as possibilidades dos países emergentes entrarem no primeiro mundo. Ele é duro com a América Latina, à exceção do Chile. Lembra que a América Latina cultua caudilhos, e criou uma cultura que dá espaço a personalidades que procuram desconstruir as instituições, para melhor se imporem<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_edn3">[iii]</a>. Entendi, então, porque tantos, entre nós, combatem as instituições. Porque têm um desejo muito grande de poder. Este traço cultural latino-americano se alia ao desejo pecaminoso que vem desde o Éden: “Sereis como Deus” (Gn 3.5).  Quem deseja notoriedade e o poder que dela advém está dominado pelo pecado dos primeiros pais.</p>
<p>Deus disse a Jeremias: “E procuras tu grandezas para ti mesmo? Não as busques&#8230;”(Jr 45.5). Deus estava fazendo algo fantástico, um grande movimento histórico, e seu propósito eterno se cumpriria, mais uma vez. Que Jeremias se inserisse no projeto histórico de Deus, sem muita preocupação com seu mundo pessoal. Como isto nos serve! Busquemos coisas grandes para o reino, e insiramo-nos no propósito eterno de Deus. Um homem que está crescendo ama a obra de Deus mais do que a sua obra pessoal. Ama mais a Deus que a si mesmo. Não privatiza o reino de Deus, fazendo dele um negócio particular.</p>
<p>Nunca deveríamos nos esquecer das palavras do Batista: “Convém que ele cresça, e que eu diminua” (Jo 3.30). Não faz sentido usar o evangelho para buscar projeção pessoal. É uma das situações mais insólitas que conheço. Gente que envaidece espiritualmente. É-me tão absurdo que tenho dificuldades em comentar, pois não  me parece algo racional, sobre o que se pode teorizar. <em> </em>Puro <em>non sense. </em>Um obreiro que deseja ser melhor diminui mais e Cristo cresce em sua vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. É PRECISO TER BASES TEOLÓGICAS SADIAS</p>
<p>Ter bases teológicas sadias não é a mesma coisa que ser um teólogo. É cultivar o desejo de crescer teologicamente de maneira sadia. É ter bases teológicas equilibradas que lhe permitam formar uma cosmovisão teológica e bíblica, para conseguir interpretar o mundo pela Bíblia. Estou cansado de ouvir e ver leituras da Bíblia por Marx, Freud, Piaget, Darwin e Comte. Quando são feitas por incrédulos, não há de que se queixar nem se admirar. Mas há obreiros interpretando Jesus e a Palavra de Deus pela cultura secular.  Estão olhando pelo lado errado do binóculo. Ando sem paciência com a sociologização da Bíblia, efeito da Sociologia da Religião, que está substituindo a Teologia em muitas instituições de ensino teológico.  Aliás, talvez seja por isso que as igrejas as estão abandonando. E os vocacionados também.</p>
<p>Há os que interpretam o reino por livros repletos de conceitos seculares ou experiências de gurus evangélicos. Há obreiros acríticos que aceitam tudo sem questionar. Isto é evidência de uma fraqueza teológica terrível. Precisamos de obreiros que tenham uma cosmovisão bíblica, ou seja, que saibam interpretar o mundo à luz das Escrituras. Além de interpretar e pregar corretamente a Palavra, o obreiro precisa saber ler o mundo e os tempos por ela, e não lê-la pelo nosso tempo. Isso é ter bases teológicas sadias. A Bíblia é juíza, e não ré. Uma base teológica sadia faz saber isto.</p>
<p>Uma teologia sadia leva a amar a igreja. Há gente que não faz outra coisa na vida a não ser apedrejar a igreja. Um obreiro precisa amar a Igreja de Cristo em geral e a igreja de Cristo em particular, a igreja local. “Todos os vossos atos sejam feitos em amor”, disse Paulo (1Co 16.14). Principalmente o ato de servir. Aliás, somos chamados para servir e não para senhorear o reino. Nosso serviço se qualifica pelo amor. Podemos servir por <em>status</em>, carência afetiva (o líder sempre é estimado, a não ser que ele seja uma calamidade  total), por dinheiro, ou qualquer outro motivo, mas o único motivo válido é o amor ao que se faz e a quem se serve. Servimos a Deus, sim, mas servimos o seu povo. Um obreiro que queira ser melhor deve amar a  Deus, sim, mas deve amar a Igreja e sua igreja local. Ela não é seu ganha-pão. É parte de sua vida e de suas emoções. Deve ser sua paixão. Mas para ser uma paixão segura e equilibrada é preciso que ele tenha uma base bem sólida sobre o que seja a igreja e seu valor dentro do propósito eterno de Deus.</p>
<p>Há obreiros que, por absoluta ausência de consistência teológica, não têm noção do que seja o evento teológico “igreja”. Alguns sequer sabem como conduzir um culto. Já preguei em cultos sem ordem alguma. Era um ajuntamento de números especiais, com uma barulhada terrível, e depois de uma hora e meia de bumbumpraticumbumprugurundum me davam a palavra para pregar a um auditório esgotado, desejoso de ir embora. Os que não queriam ir embora estavam tão excitados que não acompanhariam nenhum raciocínio. Numa série de conferências evangelísticas, após a mensagem que eu pregava vinha o grupo de louvor para mais uma sessão de rock pauleira, que quebrava qualquer impacto que a mensagem pudesse ter produzido. Tenho visto cada coisa! Após uma mensagem de consagração vir uma coreografia de meninas trombando umas com as outras mostra um desconhecimento do que seja o culto, do que seja adoração, de qual seja o propósito da proclamação do evangelho. “Os pais das meninas gostam” foi a cândida explicação para este ato que comentei. Por dar ao povo o que povo gosta, ao invés de dar o que Deus prescreve em sua Palavra, é que agora está surgindo “o culto das torcidas”.  Há um culto para cada time de futebol. Naquele dia, o culto é apenas para os torcedores daquele clube, e as pessoas vêm com o uniforme do seu time. Façam-me o favor! Estão transformando o culto em circo de horrores, ao invés de adoração ao Deus Santo manifestado em Jesus de Nazaré.</p>
<p>O que é uma igreja, teologicamente falando? Sobre o que ela repousa e qual é sua missão? O que é o culto, qual é seu propósito? O que é, exatamente, um pastor? Não quero as respostas que andam pelas cabeças de alguns que estão reinventando a roda. Mas o que a Bíblia diz? O que nossos antepassados, heróis na fé (e não os empresários eclesiásticos contemporâneos) apregoaram?</p>
<p>Em quarenta anos de ministério, muitas vezes me desanimei. Algumas vezes pensei em desistir. Passei por períodos de entressafra espiritual. Sem ânimo, espiritualmente seco, muito frustrado. Respeito aqueles para quem o ministério é só bênção! Deve ser maravilhoso viver somente nas montanhas (o que nem Jesus conseguiu), mas infelizmente, muitas vezes andei pelos vales, pelas depressões dos caminhos ministeriais. Mas nestes momentos de sequidão, a visão teológica que eu formara me segurava. Eu tinha noção bem firme do que eram a pessoa e a obra de Jesus. Tinha noção do que era o evento teológico “igreja”, e  qual o papel de um pastor. O que me manteve na caminhada, além da inefável graça de Deus, foi ter bases teológicas seguras. Porque teologia não é especulação. É a estrutura óssea da convicção espiritual. Teologia não é especulação, mas são convicções. Em 2Timóteo 1.12, Paulo diz “&#8230; eu sei em que tenho crido”. Não diz “eu sinto o que tenho crido”, mas “eu sei em quem tenho crido”. “Sei” é o verbo <em>oída.</em> Seu sentido geral é mesmo de <em>gnoskô. </em>Os dois verbos se intercambiam no NT grego e não é correto dizer que significam coisas diferentes. Mas parece que <em>gnoskô </em>tem mais o sentido de “conhecer”. Por isso, Taylor diz: “Quando <em>oída </em>e <em>gnoskô </em>se distinguem, este é o verbo do conhecimento por experiência subjetiva, <em>oída</em> o de nítida percepção mental, conhecimento objetivo”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_edn4">[iv]</a>. Desde meus tempos de seminário que o uso deste verbo por Paulo, nesta passagem (quando fiz um trabalho, em Exegese de Grego, sobre o “conhecimento de Paulo”), me prende a atenção. Não era algo intuitivo ou que o apóstolo recebera por informação. Era algo enraizado em sua experiência, vivencial, que ele provara. Teologia não é especulação, mas uma reflexão profunda sobre Deus, sobre Cristo, com a orientação do Espírito Santo. Ela produz convicção espiritual, e não soberba. Ela dá equilíbrio espiritual. Permaneci na fé e no ministério mesmo nas andanças pelos vales porque refletira sobre a fé cristã. Internalizara verdades que passaram a fazer parte de minha vida. Não estão em minha mente, mas elas são “eu”.</p>
<p>Valorizamos muito a ação, e pouco a reflexão. O pastor que estuda é desdenhado, chamado de “teólogo” (que, infelizmente, entre nós soa como sinônimo de desocupado ou o que se preocupa com coisas inúteis). Para muitos, o pastor deve ser um gerente ou um executivo, e não uma pessoa que reflita, pense, analise, pondere. Talvez esta seja uma das razões pelas quais nossas igrejas são tão superficiais. Elas são agitadas, mas sem raízes. Porque quem as lidera se agita, mas não se preocupa em criar raízes.</p>
<p>Se você deseja ser um obreiro melhor estude. Estude a Bíblia, estude livros consistentes (não “Sabrina” e “Contigo” evangélicas), busque raízes. Valorizo muito a piedade espiritual e o espírito de serviço. Mas reconheço que a sombra projetada pelo ministério de Paulo foi muito maior que a de Pedro. Nós podemos nos preparar mais e melhor. É questão de valorizar a nossa missão.</p>
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<p>4. É PRECISO SER GENTE MELHOR</p>
<p>Spurgeon comentou sobre uma pessoa que falecera: “Espero que a grama ao lado seu túmulo cresça, porque enquanto ele foi vivo nada floresceu ao redor dele”. Naquele tempo não havia o “politicamente correto”, uma espécie de caIa-boca com que se tenta amordaçar a discordância. Por isso o “Príncipe dos Pregadores” se expressou assim. Mas esta expressão sua me lembra o rei Jeorão: “Morreu sem deixar de si saudades; e o sepultaram na cidade de Davi, porém não nos sepulcros dos reis” (2Cr 21.20).  Não foi chorado pelo povo e não foi sepultado com os reis do passado. Que tristeza! “Morreu sem deixar de si saudades”. Há obreiros que quando saem de uma igreja não fica deles saudade alguma. Nada floresceu ao redor deles. Alguns têm um ego tão grande que não sobra oxigênio para mais alguma coisa respirar junto deles. Um crente me disse, certa vez, que o tema predileto do seu pastor era&#8230; seu pastor.</p>
<p>Há obreiros que se tornam criaturas humanas insuportáveis. Ninguém consegue conviver com eles. Escondidas na capa de santidade e sacralizando seu jeito de se relacionar mal como sendo um dom recebido de Deus (“não sirvo aos homens, mas a Deus”) tais pessoas se tornam um fardo para quem convive com elas. “Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele&#8230;” (1Sm 25.25) pode se aplicar a elas. Felizmente, muitos desses obreiros, à semelhança de Nabal, são casados com uma Abigail, que atenua suas falhas (eu sou casado com uma mulher mais suave que Abigail e ela tem me civilizado, coitada!), mas algumas mulheres não têm vocação para Abigail. Há obreiros que as suas próprias esposas não os agüentam. Nem os seus filhos. A família pastoral se destrói porque o obreiro não cresceu como gente, como membro de uma família. Deve ser muito difícil ser casada com um semideus ou ser filho de um. Como uma criança pode crescer sadiamente se o pai, para falar com ela, se vale de uma voz solene, como se estivesse no púlpito? Um colega me apresentou o filho, menino de dez anos: “Este é o irmão Fulano”. Há colegas que vêm me apresentar a esposa e dizem: “Esta é a irmã Fulana, minha esposa”. Acho que ele tem medo que eu tome alguma intimidade com ela e já coloca uma barreira entre mim e ela. Mas, gente, até para apresentar a família, o colega se vale de uma estrutura eclesiológica! Aquelas pessoas não são vistas por ele como sua família, mas são vistas como se fossem os irmãos da igreja! Na hora do almoço, o pastor pede à esposa que ore, mas nestes termos: “A irmã Fulana vai orar”. Isso é tão esquisito!</p>
<p>Meu colega, não sou ninguém, não sou nada. Não tenho autoridade para dar conselhos, mas posso repartir algo. Sou bem casado e após 40 anos de casamento ainda ando abraçado com minha esposa. Amo-a hoje mais do que no início do casamento. Dedico a ela meus livros. Não sou nada e tenho muitas falhas. Mas tenho acertado no lar. Por isso lhe digo com respeito e com amor: nunca sacrifique sua família no altar do sucesso ministerial. Sua esposa não é a “primeira dama” da igreja. É sua “primeira ovelha”, no sentido de que deve ser a pessoa de quem você mais deve cuidar. Nunca aconteça de você dizer como a sunamita: “&#8230; e me puseram por guarda de vinhas; a minha vinha, porém, não guardei” (Ct 1.6). Guarde a vinha que lhe confiarem, mas guarde a sua. Guarde sua família. Guarde seu casamento. Guarde seus filhos.</p>
<p>Seja crítico consigo mesmo. Analise sua vida. Queira crescer. Quando vejo que João foi apelidado por Jesus de “Boanerges” (filho do trovão) e que no fim de sua vida se tornou “o apóstolo do amor”, vejo que há esperanças para mim. Nós podemos ser pessoas melhores. Ser fiel a Deus e leal ao evangelho não significa ser uma pessoa horrível para se conviver.</p>
<p>Aqui me detenho pouco. Sei que esta é uma área delicada para abordar e creio que já disse o suficiente. É uma das áreas em que mais luto e sei que é bastante melindrosa. Isto basta. Por favor, reflitam sobre isso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Heráclito (540-480 a.C.) foi o filósofo do “tudo flui”. Disse ele que não podemos tomar banho duas vezes no mesmo rio. Banhamo-nos, saímos e quando voltamos àquele rio já se foi, porque as suas águas se foram. É outro rio. Deveria ser assim conosco. Nunca deveríamos ser as mesmas pessoas, de um dia para outro. Cada diz deveríamos acrescentar algo de novo e de bom à nossa vida. Algo que nos mudasse como pastores, pregadores, maridos, pais e como colegas. Mas que nos mudasse para melhor, “ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13).</p>
<p>Nos meus tempos de jovem havia um corinho que dizia: “Sempre melhorando, sempre melhorando, sempre melhorando no Senhor!”. Alguém dirá que ele cheira a naftalina. Bem, gostar ou desgostar de cheiro é questão subjetiva. Mas a mensagem do corinho é relevante. Um obreiro sério deverá ser melhor a cada dia. Devemos desejar ardentemente ser um obreiro melhor. Lutemos para isso. Submetamo-nos, cada dia, à graça de Deus. E que ele assim nos torne obreiros melhores.</p>
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<div><br clear="all" /></p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_ednref1">[i]</a> PETERSEN, Eugene. <em>Maravilhosa Bíblia – a arte de ler a Bíblia com o Espírito.</em> São Paulo: Mundo Cristão,  2008, p. 25.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_ednref2">[ii]</a> Ib. ibidem, p. 40.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_ednref3">[iii]</a> KHANNA, Parag. <em>O segundo mundo – impérios e influência na nova ordem global. </em>Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008, p. 194.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/DESEJANDO%20%20SER%20UM%20OBREIRO%20MELHOR.docx#_ednref4">[iv]</a> TAYLOR, <em>Introdução ao estudo do Novo Testamento grego. </em>Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 3ª. edição, 1966, p. 317, parágrafo 732.</p>
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		<title>A QUESTÃO DA UNÇÃO COM ÓLEO:  OUTRA VISÃO</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 20:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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										</div><p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>            “O Jornal Batista” publicou artigo do honrado Pr. Tarcisio, da PIB de Divinópolis, sob o tema acima.  Ele é um dos obreiros de mais futuro em nossa denominação. Preguei em sua ex-igreja,  quando ele era pastor em Feira de Santana, BA. Em seu ministério atual, fiz duas séries de pregações. Vi sua firmeza pastoral. Um senhor obreiro!</p>
<p>Em 1986, a JUERP lançou meu livro, <em>Tiago, nosso contemporâneo. </em>Teve três edições em português e uma em espanhol, em Cuba, de confecção artesanal, distribuída a pastores e seminaristas. Agora, aprofundei-me nos estudos e refiz o livro, como parte do Comentário Bíblico King James, da Abba Press, do qual sou o redator. Será outra edição, mais volumosa.</p>
<p>Naquela obra subscrevi a posição do Pr. Tarcísio, mas mudei minha visão. E a exponho, mesmo sabendo que virão críticas. Mas um dos votos que fiz a Deus foi que não hesitaria em mudar de posição quando convencido. Outro foi que não esconderia minha posição.<span id="more-2187"></span></p>
<p>O artigo foca Tiago 5.14: “Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da igreja, a fim de que estes orem sobre a pessoa enferma, ungindo-a com óleo em o Nome do Senhor; e a oração, feita com fé, durará o doente, e o Senhor o levantará. E se houver cometido pecado, será perdoado” (KJ). Neste texto, a Bíblia Vozes comenta: “Conforme o Concílio de Trento, o sacramento da Unção dos Enfermos se identifica com a prática aqui descrita”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn1">[1]</a>. A Bíblia de Jerusalém diz que “a Igreja viu uma forma inicial do sacramento da Unção dos Enfermos”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn2">[2]</a>. É normal que Roma queira basear aqui o sacramento da Extrema-Unção. Não encontrará outro texto, no NT, mais próximo da prática. Mas a doutrina surgiu no século 12, e Tiago não fala de morte, e sim de cura do doente. A King James refuta a ideia:  “Diferentemente do que afirmam alguns teólogos, essa não é uma indicação para a prática da ‘extrema unção’. Primeiro, porque Tiago está se referindo aos presbíteros e não aos sacerdotes; segundo, porque o uso do verbo grego original <em>sozo,</em> cujo significado é, ao mesmo tempo, ‘salvar’ e ‘curar’, indica uma oração para a vida e não preparativo para a morte<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn3">[3]</a>. Tiago é claro: “e a oração, feita com fé, curará o doente, e o Senhor o levantará”.</p>
<p>Eis o ponto: “Chame os presbíteros da igreja, a fim de que estes orem sobre a pessoa enferma, ungindo-a com óleo em o Nome do Senhor; e a oração, feita com fé, curará o doente, e o Senhor o levantará”.  O doente deve chamar os presbíteros para que orem sobre ele e o unjam em nome do Senhor. A oração, não o óleo, curará o doente. É a oração que cura, mas Tiago diz para ungir o doente com óleo.</p>
<p>A CBB não tem o hábito de ungir enfermos com óleo. Eu nunca o fiz. Mas não posso dizer que fazê-lo seja desvio doutrinário. Se os batistas não aprovamos não é pertinente. O pertinente é isto: <em>o que Tiago disse, exatamente? </em>Disse para ungir o enfermo com óleo e orar sobre ele.</p>
<p>O Pr. Tarcisio cita um articulista: “Existem dois verbos gregos com o sentido de esfregar, ou ungir. O primeiro é <em>chrio</em>, que significa ungir num ritual. Não foi esse o termo que Tiago usou. O verbo em Tiago 5.14 é <em>aleipho</em>, cujo significado é esfregar com óleo. Assim sendo, Tiago não estava referindo-se a um ritual. Pelo contrário, ele falava de uma atitude refrescante e estimulante para com as pessoas doentes ou deprimidas”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn4">[4]</a>. Mas a  distinção entre <em>chrio </em>e <em>aleipho </em>não é correta. Assim, a afirmação de que Tiago falava de atitude refrescante e estimulante também não é.</p>
<p>Diz Marcos 6.13: “E expulsavam muitos demônios; ungiam com óleo a inúmeros doentes e os curavam”. O verbo <em>aleipho</em> é usado aqui, em “ungiam”,  e não é em “atitude refrescante e estimulante”. Associam-se novamente doença, oração e cura. Respeitando o colega, a afirmação de que Tiago está dizendo algo como: “Está alguém entre vós doente? Chame os pastores da igreja, e orem sobre ele, pedindo que o Senhor abençoe a sua quimioterapia, o seu analgésico, o seu antibiótico, a sua vacina, os seus remédios”  não é correta nem feliz. Tiago não diz que os pastores devem pedir para que o óleo cure o doente (o articulista vê o óleo como remédio). Diz:  “e a oração, feita com fé, curará o doente”. O poder curador está na oração, segundo Tiago, e não no óleo. “A oração&#8230; curará o doente”. Deus responde orações e cura pessoas. Com ou sem remédio. Com ou sem óleo. O  óleo não cura,  não é remédio,  mas pode ser usado. Como diz para orar  pelos enfermos ele diz para ungi-los com óleo. E óleo (<em>élaio</em>) é óleo, não remédio. Não podemos impor nossos pressupostos doutrinários ao texto.</p>
<p>Outro respeitável articulista escreve: “Dicionaristas indicam que <em>aleipho </em>era a palavra secular para ungir e que <em>crio </em>(sic) era a palavra sagrada para ungir com finalidade de consagração”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn5">[5]</a>.  Sobre isto, cito o Dr. Taylor: “É inexato dizer que <em>aleipho </em>é ‘vocábulo profano’ e <em>chrio</em> ‘palavra sacra’ (&#8230;) <em>Chrio</em> se encontra nos papiros no sentido de untar um cavalo, e <em>aleipho</em>, mesmo no NT, não tem sentido ‘profano’ (Mc 6.13, 16.1, Lc 7.38, 46, Jo 11.2 e 12.3)”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn6">[6]</a>.</p>
<p>Brunotte comenta sobre isso: “Ungir é um ato simbólico através do qual os demônios são expulsos. As curas levadas a efeito pelos discípulos ou pelos presbíteros da igreja foram acompanhadas pela unção, ocorrendo no contexto da pregação e da oração. A cura, e, portanto, a unção também, veio a ser vista como um sinal visível do começo do reino de Deus. Qualquer entendimento semi-mágico da unção, no entanto, é firmemente refreado em Tg 5.13 e seguintes, pela importância atribuída à oração que a acompanha”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn7">[7]</a>.</p>
<p>Martorelli Dantas diz que é o racionalismo na igreja que vê a unção com óleo como sem valor e a nega, e afirma: “A unção, nos moldes de Tiago 5.14, é um ato de obediência àquilo que foi prescrito pela Palavra inspirada de Deus; em segundo lugar, nós cremos que Deus continua a curar enfermos em atenção à oração da igreja, de acordo com sua soberana vontade. Isto nunca deixou de ser assim, e o será, cremos nós, até a volta gloriosa de Cristo” <a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftn8">[8]</a>. Aceito sua posição: <em>o que foi prescrito na Palavra de Deus deve ser acatado</em>. A questão não é se aceitamos ou não ungir com óleo. A questão é que a Bíblia diz que o doente pode ser ungido com óleo.</p>
<p>O óleo não é mágico e não cura. Deus cura, em resposta à oração. Mas ungir com óleo não é heresia.  A prática está no NT. E cinco questões me ficam claras, neste aspecto (sigo e adapto Martorelli):</p>
<p>1. A unção com óleo deve ser feita apenas por oficiais constituídos pela igreja.</p>
<p>2. A unção do enfermo com óleo não é ordenança; não foi ordenada por Jesus.</p>
<p>3. O lugar adequado para ministrar o óleo é onde o enfermo está. Não há indicação de prática em culto público.</p>
<p>4. O óleo não tem poder de curar, e sim Deus, em resposta à oração em nome de Jesus.</p>
<p>5. Não se diz onde passar o óleo, mas desde o início do cristianismo era na testa do enfermo.</p>
<p>Não há a idéia de poder espiritual do óleo. Nem se recomenda seu uso em culto público. Ele faz parte de um simbolismo que pode nos escapar, mas seu uso é neotestamentário. Exegeticamente, não se pode dizer que ungir um doente e orar por ele seja desvio doutrinário. Podemos não gostar, mas Tiago recomenda. E repito: a questão não é se é nossa prática ou não, mas se a Bíblia diz. A palavra de Tiago é clara e não se lhe pode dar outro sentido.</p>
<p>Respeitando os demais: Tiago diz para ungir com óleo e orar. O óleo é óleo, e não remédio. São coisas diferentes: ungir com óleo e orar. A oração cura, não o óleo. Mas a unção com óleo está claramente dita na Bíblia. Sem querer diminuir alguém e provocar debates, é como vejo. “E eu penso que também tenho o Espírito de Deus” (2Co 7.40).</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref1">[1]</a> Nota de rodapé da Bíblia Vozes.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref2">[2]</a> Nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref3">[3]</a> Nota de rodapé no Novo Testamento King James, Edição de Estudo.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref4">[4]</a> GUIMARÃES, Leonardo de Souza: “Devem os batistas usar a unção com óleo?”, site da ADIBERJ, 23/04/11.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref5">[5]</a> LIMA, Dinelcir de Souza: “A unção com óleo”, site da ADIBERJ, 23/04/11.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref6">[6]</a> TAYLOR, William Carey. <em>Introdução ao estudo do Novo Testamento grego. </em>Rio: CPB, 3ª. ed., 1966, p. 345.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref7">[7]</a> BROWN, Collin (editor). <em>O novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento. </em>S. Paulo: Vida Nova, 4º. v., 1993, p. 676.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20quest%C3%A3o%20da%20un%C3%A7%C3%A3o%20com%20%C3%B3leo.docx#_ftnref8">[8]</a> DANTAS, Martorelli. <em>A questão da unção com óleo. </em>Pastor presbiteriano e professor de Teologia Sistemática e Hermenêutica do Seminário Presbiteriano do Norte, Recife. Artigo impresso, sem mais dados.</p>
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		<title>APRENDENDO A LIDAR COM AS PESSOAS</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 19:28:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá &#160; &#160; &#160; INTRODUÇÃO &#160; Hoje se ouve muito falar de “confrontação”, no aconselhamento pastoral. Em linhas gerais, é uma técnica de aconselhamento que se pauta pela repreensão bíblica. O termo “confrontação”, com toda a sua carga negativa, deixa isso [...]]]></description>
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										</div><p align="center">
<p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">
<p align="center">Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje se ouve muito falar de “confrontação”, no aconselhamento pastoral. Em linhas gerais, é uma técnica de aconselhamento que se pauta pela repreensão bíblica. O termo “confrontação”, com toda a sua carga negativa, deixa isso bem claro. O maior representante desta teoria, entre os evangélicos, é Jay Adams. Foi uma reação às técnicas modernas de não interferência do conselheiro nas decisões do aconselhando, e à assimilação das técnicas de psicologia secular pelos conselheiros pastorais. A linha a seguir era a de enfatizar o valor das Escrituras no aconselhamento pastoral, e não as idéias tolerantes e aceitadoras do pecado, o que me parece válido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Adams também resgata o valor da igreja, nesta teoria de aconselhamento. Se a pessoa aconselhada é membro de uma igreja, está debaixo de sua autoridade e a igreja pode repreendê-la. Somando as duas coisas, a autoridade das Escrituras e a autoridade da igreja, muitos adeptos desta teoria defenderam a repreensão pública das pessoas em pecado. O texto de 1Timóteo 5.20 foi muito usado: “Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor”.</p>
<p><span id="more-2152"></span></p>
<p>Assim sendo, o aconselhamento se tornou, em muitas igrejas, um ato de repreensão. Ou, como disse alguém, jocosamente: “Bater nas pessoas com a Bíblia”. Não me parece que foi isto que Jay Adams defendeu, mas esta posição foi assumida por alguns que usaram seu nome e sua posição. Quanto a ele, sua postura é a de recusar Psicologia, Psicanálise e Psiquiatria como auxiliares e usar apenas a Bíblia. Na primeira palestra, ao tratar do assunto “Aconselhamento pastoral ou aconselhamento psicológico?”, já abordei essa questão. Minha opção é pelo aconselhamento pastoral, tendo a Bíblia como referencial, mas sem ignorar boas contribuições da Psicologia. Não sou “adamista”. A questão aqui é outra: <em>o que significa confrontar? </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. CONFRONTAÇÃO</p>
<p>Ao falar de confrontação, seus propositores pensaram em confrontar o aconselhando com a Bíblia. Veja, por exemplo, esta observação de Jay Adams: “Pouco tempo depois, achei-me perguntando: ‘Não será que grande parte do que é chamado doença mental não é <em>doença,</em> afinal?’. Esta pergunta surgiu primariamente da observação de que, enquanto a Bíblia descreve a homossexualidade e a embriaguez como pecados, a maior parte da literatura especializada em saúde mental as chamava de ‘doenças’ ou ‘enfermidades’. Crendo na veracidade da Bíblia, o que me cabia era dizer que os especialistas em saúde mental erravam rotundamente tentando transferir do pecador sua responsabilidade, colocando a fonte do seu problema alcoólico ou sexual em fatores estruturais ou sociais completamente fora do controle dele”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ACONSELHAMENTO%20PASTORAL%20-%203.docx#_ftn1">[1]</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Concordo com isto. Nós nos pautamos pela Bíblia. O que ela diz que é pecado é pecado. Se ignorarmos seu ensino e se considerarmos certas práticas que ela diz que são pecaminosas como sendo doença, eliminaremos todo o alicerce da responsabilidade pessoal. Afinal de contas, o doente não é responsável por estar doente. Mas tenho algumas ressalvas com a confrontação bíblica porque tenho visto gente que simplesmente abre a Bíblia e lê duas ou três passagens bíblicas para o aconselhando, como se tivesse aberto um livro de receitas médicas e usasse os remédios de acordo com os sintomas. A pessoa é ignorada como pessoa. Sua particularidade é posta de lado. No aconselhamento isto é um risco muito grande. E muitas vezes, quando a pessoa está em pecado (porque alguns dos problemas dos aconselhandos são mesmo causados pelo pecado) parece que estão batendo nela com a Bíblia. Há momentos em que a gente não confronta, mas se enche de compaixão. Entendo bem as diferenças, mas entendo também que um conselheiro é uma pessoa empática (lembra disto?), não empática com o erro, mas com a pessoa, e muitas vezes precisará usar mais de carinho que de repreensão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Reconheço a autoridade das Escrituras e a autoridade da igreja (e, pelo que tenho escrito, qualquer pessoa me negar isto estará usando de má fé), mas receio que a ausência de misericórdia e o autoritarismo no aconselhamento sejam produtos imediatos da confrontação. Ou que a causem. O que dá no mesmo. Por isso definamos confrontação como valer-se da Bíblia e confrontar todo o processo de aconselhamento por ela.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. E O QUE A BÍBLIA DIZ?</p>
<p>Consideremos esta palavra de Paulo a Timóteo: “Não repreenda um homem mais velho, mas o aconselhe como se ele fosse o seu pai. Trate os homens mais jovens como irmãos, as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza” (1Tm 5.1-2).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se você prestou atenção aos detalhes, Paulo especifica maneiras diferentes de tratar as pessoas, de acordo com as suas faixas etárias.  Isto vai nos ajudar no aconselhamento. Paulo estabelece uma diferença entre o trabalho pessoal do líder cristão e sua tarefa como pregador. Quando pregamos, somos unidirecionais, ou seja, nossa palavra tem uma direção geral, o auditório como um todo. A pregação é proclamação. Não é diálogo, é unidirecional e autoritativa (isto é, com autoridade). Ela também é genérica. A não ser que o pregador esteja pregando especificamente a um grupo, o sermão é para toda a igreja. O aconselhamento é para uma pessoa, em particular. É uma conversa pessoal e não proclamação. O conselheiro tratará um homem mais velho que ele com o respeito que deve ter a seu próprio pai. Aos mais jovens ele tratará como se fossem seus irmãos. Às senhoras idosas ele tratará como se fossem sua mãe. E as jovens, como se fossem suas irmãs. E “com toda pureza”, ressalva Paulo. Esta observação é ainda válida para orientar o conselheiro de hoje: cuidado com orientação a jovens, para que esta não resvale para excessiva intimidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A pregação pode ser geral, mas o aconselhamento deve ser particular. E deve ser adaptado a cada faixa. Cada grupo deve ser tratado de uma determinada maneira. Por isso, a seguir, vamos analisar um pouco das características de cada faixa etária, de maneira que saibamos como agir com as pessoas de cada grupo. Veremos suas características, sempre as alistando em quatro blocos: Mentalmente, Fisicamente, Socialmente e Espiritualmente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. AS CARACTERÍSTICAS DO ADOLESCENTE – 13 a 16 ANOS</p>
<p>Poucas vezes os adolescentes procurarão aconselhamento no gabinete pastoral. Isto porque, geralmente, são arredios aos adultos e refratários a conselhos. Em casos mais sérios e quando eles têm confiança no obreiro isso sucederá com menos lentidão.  Mas em caso de crise, conversarão com o líder. Em outras ocasiões não procurarão nem para conversar, porque algumas vezes temem os adultos.  Mas é uma faixa etária que o conselheiro poderá procurar, porque aceitará conversa. No início, o adolescente é sempre reticente na conversa com o adulto, mas depois, quando confia nele, se abre e fica à vontade. Por isso, o conselheiro precisará ser amigo dos adolescentes e saber ganhar sua confiança. Não deve se portar como adolescente porque este é muito intuitivo e saberá quando o conselheiro estiver sendo artificial. Por isso, seja sempre natural. O adolescente rejeita a pessoa que finge com ele. É melhor ser uma pessoa mais austera em quem ele confie do que ser uma pessoa bajuladora, que ele nota que não está sendo natural.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4.1 – Mentalmente</p>
<p>1. Exagero da autoconfiança. O adolescente é exagerado em se julgar o bom. Há uma postura de desdém pelos mais velhos. É a época de contestação dos pais e dos líderes. Normalmente o adolescente é um <em>borderline</em>, ou seja, assume posturas perigosas, esportes de riscos, tem conduta arriscada. É a época em que acha que pode tudo e que pode até se envolver com drogas que conseguirá escapar quando quiser. Envolve-se em trapalhadas por ser autoconfiante em demasia.</p>
<p>2. Interessado em aparência pessoal. Interessa-se por sua aparência porque começa a se interessar pelo sexo oposto. Via de regra (para o padrão do adulto conservador), veste-se mal, porque imita aos demais e segue a moda. A moda, quase sempre, é ridícula. Basta ver alguns desfiles de modas em que roupas que ninguém usará são apresentadas.  Mas começa a se preocupar com sua aparência. O grande terror: as espinhas. Porque atingem logo o rosto.</p>
<p>3. Desenvolvimento sexual. Antigamente este era um período nebuloso, mas hoje, com a sexificação da sociedade, o sexo não lhe é estranho. Mas é o período em que a iniciação sexual sucede e o tema ocupa muito a sua mente. A pornografia atrai, a masturbação é praticada com freqüência, e, como acontece com a masturbação, os pensamentos impuros são rotineiros.</p>
<p>4. Menos energia. Dorme demais, sempre está cansado. As rápidas modificações em seu corpo consomem muita energia. Por isso, muitos adolescentes são vistos como sendo preguiçosos. São mais jovens, mas rendem menos que adultos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4.2 &#8211; Fisicamente.</p>
<p>1. Espírito de autoconfiança. Começa a se julgar fisicamente forte. Não é incomum lermos de brigas de adolescentes. É a época em que muitos se ajuntam em patotas ou gangues.</p>
<p>2. Acanhado. Envergonha-se com facilidades, tem pavor de ser zombado e se envolve até com quem não presta para não ser <em>nerd</em> ou otário.</p>
<p>3. Desajeitado. Desconhece ainda seu corpo, e as mudanças fisiológicas, inclusive a mudança de voz. Envergonha-se facilmente.</p>
<p>4. Impulsos em conflitos. É muito conflituoso. Chocam-se seus impulsos sexuais e de energia com a criação recebida. Choca-se com falhas na igreja. Torna-se crítico em relação ao que recebeu, mas ainda não tem valores para abraçar.</p>
<p>5. Romance. Apaixona-se com facilidade. É muito sentimental. Não é incomum ouvir-se que adolescentes foram vítimas de abuso sexual por parte de algum desconhecido com quem travou contato pela Internet. Está em busca do “grande amor da sua vida”. E gosta de arriscar. Risco e sonho, juntos, podem produzir estragos.</p>
<p>6. É introspectivo. Olha muito para dentro de si e quer privacidade. Em alguns momentos quererá isolamento. Neste período será calado e bastante fechado.</p>
<p>7. Reajustamento social. Está refazendo conceitos sociais e escolhendo amizades. Rejeitará alguns padrões e estabelecerá outros. É uma ocasião de mudança. Um bom conselheiro ajudará bastante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4.3 – Socialmente</p>
<p>1. Investigador. Isso ocasionará no ponto 4.4 o item 1.</p>
<p>2. Raciocínio rápido. Muitas vezes a resposta vem na ponta da língua, em discussão com alguém. Mas o ponto aqui é que a ingenuidade e a dependência de opinião de adultos diminuem. Começa a raciocinar com rapidez, mesmo que de forma confusa. Mas é o seu raciocínio, a sua opinião.</p>
<p>3. Confuso. Choque de opiniões, crise de valores, falta de referências para avaliar e definir-se, imaturidade emocional, tudo isso produz sua confusão.</p>
<p>4. Idealista. Começa a romantizar a vida. Tem ideais que podem ser errados, mas mostram que aspira a ser útil e a ser grande. No aconselhamento, exemplos de pessoas que lutaram por ideais sempre são melhores que conceitos abstratos. O adolescente procura alguém a quem imitar.</p>
<p>5. Abandono dos estudos.  É uma época em que muitos abandonam a escola. O adolescente precisa de incentivo e de monitoramento por parte de pessoas mais experientes (não de patrulhamento). Erram os pais e erram os conselheiros que deixam pra lá porque é assim mesmo. Um dos grandes problemas dos pais é o limite de liberdade que devem dar. A mesma coisa sucede nas igrejas. Há pastores dando a liderança musical da igreja aos jovens, “para não perdê-los para o mundo”. E os perdem para um evangelho que não é o evangelho. A música ficou sendo uma reserva dos jovens nas igrejas, mas na parte de cima faltam líderes. Onde estão os jovens da década passada, que foram guindados a líderes musicais? Estão liderando na igreja, hoje?</p>
<p>6. Memória associativa. Associa fatos com pessoas, comportamentos de pessoas com instituições, etc. A falha de um líder poderá ser associada com a falha da instituição. Pastores que falham com as igrejas abalam as estruturas dos adolescentes. Um bom conselheiro levará isto em conta, buscará não falhar e tratará de dissociar, no aconselhamento, falhas de pessoas com as falhas da igreja. Se o adolescente perde a credibilidade numa pessoa, haverá outras em quem ele poderá confiar. Mas quando perde a confiança numa instituição, o trabalho será mais difícil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4.4 – Espiritualmente</p>
<p>1. Crise religiosa. É a melhor época para a conversão. E também a melhor para abandonar a igreja. Um bom conselheiro saberá se locomover nesta área.</p>
<p>2. Desejo de servir. Por causa do idealismo. Excelente época para se trabalhar neles a consciência de serviço cristão e a chamada para o ministério. Um bom conselheiro saberá despertar no adolescente aconselhado o desejo de ser útil.</p>
<p>3. Desânimo. Por causa dos sentimentos confusos e da ausência de determinação. Pela incapacidade de decidir seu futuro, pelo medo de ter que tomar decisões sérias.</p>
<p>4. Covardia. Por vezes a covardia é em termos de fuga de responsabilidade. Em outras, ela se manifesta em forma de crueldade. Os casos de <em>bullyng</em> nas escolas mostram isso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estas características nos dão um quadro das possibilidades de se lidar com o adolescente. O conselheiro, sabendo como ele é, poderá montar sua estratégia de conversa pessoal e de trabalho coletivo. Saberá os pontos positivos e os negativos que poderá explorar. Saberá por onde fazer uma abordagem positiva e eficiente. E saberá também o que deve evitar. Evidentemente que evitará ser manipulador, mas com isso saberá como conquistar a confiança do adolescente e como se conduzir no relacionamento com ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5. AS CARACTERÍSTICAS DO JOVEM – 17 a 24 ANOS</p>
<p>Os jovens se constituem numa grande força da igreja, mas também são um grupo que necessita muito de acompanhamento. Boa parte dos problemas da igreja tem surgido no meio deles. Não se trata aqui do aconselhamento individual, mas da presença do líder da igreja como alguém que tem ascendência sobre eles e pode ser referência até mesmo sem aconselhamento face a face. Como lidar com o jovem? Como aconselhá-lo? Vejamos suas características mais marcantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5.1 – Mentalmente</p>
<p>1. Maturidade. Do ponto de vista mental, está no ponto ideal. Não é mais inseguro como o adolescente. Já tem muitos pontos de vista firmados e não é tão dependente da opinião do grupo como o adolescente. Discorda e sabe filtrar muito do que ouve, embora ainda seja facilmente impressionável. Já tem noção de carreira a seguir e pensa em seu futuro de maneira mais organizada, como constituição de família. O aconselhamento pode ser mais racional e mais conceitual.</p>
<p>2. Autoconfiança. Não em excesso, porque muitas vezes já se deu mal e aprendeu a ser menos afobado e um pouco mais prudente que quando era adolescente. Mas tem confiança em si, e acha que pode resolver situações difíceis que surgem. Pode ser desafiado a mudanças porque crê que dará conta de efetuá-las.</p>
<p>3. Hábitos de saúde formados. Tem noção do que é prejudicial. Pode até se envolver com drogas, por insegurança emocional e fuga da realidade (causa principal do uso de drogas), mas não é ingênuo como o adolescente que se acha acima dos riscos. Sabe o risco de álcool, fumo e está informado das DST. Pensa que coisas ruins podem lhe acontecer.</p>
<p>4. Atléticos. Geralmente praticam esportes. Cuidam mais do corpo, são menos desleixados com a aparência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5.2 – Fisicamente</p>
<p>1. São independentes. Podem preparar seu prato, cuidam de sua vida. Sabem agir e aprendem a “se virarem sozinhos”.</p>
<p>2. Responsáveis. Assumem compromissos com mais seriedade, até mesmo porque estão buscando uma causa para se engajar. Pode-se confiar tarefas a eles. No aconselhamento aprendem a assumir culpa e reconhecem erros.</p>
<p>3. Amigos. Nem sempre andam em bandos, como adolescentes, mas têm grande espírito de grupo e de amizades. Um conselheiro que consiga mostrar-lhes amizade terá neles amigos de verdade. Nesta fase da idade formam amizades que durarão muitos anos.</p>
<p>4. Espírito de renúncia. Exatamente por estarem em busca de uma causa, há um grande espírito de renúncia. Muitos missionários comprometeram suas vidas com a obra nesta fase de sua vida. Assumem compromissos espirituais e renunciam até mesmo a confortos e um futuro seguro, se entenderem que isto é digno de um estilo de vida que os apaixone. Um bom conselheiro saberá se valer deste aspecto para desafiá-los a abrirem mão de circunstâncias para uma vida mais santa e mais engajada no reino.</p>
<p>5. Amor-sexo. O amor não é mais platônico, como no início da adolescência. É identificado com o sexo. A sexualidade não é tão perturbadora como na adolescência, mas é mais forte, desejando se expressar. Antigamente, antes do que os psicólogos chamam de “adultescência”, era a fase em que muitos casamentos sucediam (aos 23 ou 24 anos era comum que os jovens se casassem).</p>
<p>5. Habilidades. Menos “desengonçado” que o adolescente, com mais domínio corporal, o jovem apresenta habilidades físicas mais desenvolvidas. Os grandes atletas de hoje começam a ser fabricados desde a infância, mas é nesta fase de idade que a habilidade corporal se manifesta mais acentuada. Exceto os gênios e os fabricados, aqui aparece habilidade esportiva, artística, etc.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5.3 – Socialmente</p>
<p>1. Escolhas feitas. É uma época de formar amizades que perdurarão, de tomar decisões religiosas em que permanecerão firmes, e de escolha de profissão. Geralmente as conversões acontecidas nesta época permanecem.</p>
<p>2. Razão e vontade. São menos impressionáveis que adolescentes. Usam mais a razão e a vontade consciente, mais que os impulsos. Pode se racionalizar o aconselhamento.</p>
<p>3. Amadurecidos. Por causa do item 1. As amizades são mais selecionadas e as posturas diante da vida são mais equilibradas.</p>
<p>4. Busca da verdade. Isto hoje pode estar um pouco apagado porque somos uma sociedade que busca conveniências, e não mais a verdade. Até mesmo nas igrejas, a verdade tem sido sacrificada pela ditadura dos números. A igreja tem optado pelo que dá certo, aos olhos do mundo, e não pela verdade. Mas mesmo massificado por esta cultura de querer proveito, o jovem ainda busca a verdade. É a procura de uma causa para viver. É a busca de respostas que o satisfaçam.</p>
<p>5. Pensamento independente. Da mesma maneira que a igreja, o jovem tem sido massificado pela mídia. Mas seu pensamento é próprio. Já rejeitou algumas coisas que recebeu na infância, quando estava na adolescência. Agora tem algumas idéias próprias e valores pessoais. Pode seguir algum “guru iluminado”, mas já pensa por si. O conselheiro deverá estimulá-lo a tomar decisões pessoais e se firmar nelas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5.4 –Espiritualmente</p>
<p>1. Vontade de servir. Por ser idealista, o jovem deseja servir. Alguns pastores, por causa das crises dos seminários têm alegado que as igrejas não estão mais desafiando os jovens. Não é verdade. O Projeto Radical da JMM e os projetos trans, da JMN, mostram que o jovem quer servir. Ele recusa o seminário porque não vê sentido nele nem vê desafio na vida de muitos professores, que associam erudição como iconoclastia. Os seminários é que estão ficando desinteressantes para os jovens, com a substituição da teologia pela sociologia da religião, com a secularização do sagrado. Mas o jovem continua desejoso de servir. O pastor e o conselheiro podem usar isto como um desafio ao engajamento e como desejo de estabelecer propósitos para sua vida.</p>
<p>2. Conversão. É uma época propícia à conversão. Não apenas a religiosa, mas a conversão em termos de valores. O conselheiro poderá desafiar o jovem a mudar atitudes e comportamentos, porque encontrará resposta.</p>
<p>3. O surgimento de dúvidas. Se é uma época para entrar para o serviço é também uma época para desviar do evangelho. O conselheiro precisa oferecer respostas seguras e mostrar convicção do que fala. As dúvidas não devem ser encaradas como falta de fé ou incredulidade, mas sim como a busca de conhecimento da verdade. Questiona-se o assumido para ter certeza, não necessariamente para se afastar do evangelho.</p>
<p>4. Escolha da vocação. É um tempo de entrada em universidade, de escolha de carreira, de avaliação do uso da vida e preocupação com o futuro. As encruzilhadas são muitas e o conselheiro precisa ter compreensão de que o jovem um lugar ou um espaço social para encaixar sua vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É indispensável que o conselheiro mostre aos jovens que é uma pessoa segura e equilibrada, aparecendo como alguém que está convicto de sua tarefa. O jovem quer tomar decisões seguras porque sabe que elas nortearão toda a sua vida. Um conselheiro inseguro ou patético causará muitos males e prestará um péssimo serviço. Os jovens confiam em uma pessoa segura, que sabe o que faz e que sabe em que crê. Imagine a segurança do jovem Timóteo ao ouvir o veterano Paulo dizer: “É por isso que sofro essas coisas. Mas eu ainda tenho muita confiança, pois sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar, até aquele Dia, aquilo que ele me confiou.” (2Tm 1.12). Mostrando toda sua convicção, ele pode desafiar e orientar o jovem pastor: “Tome como modelo os ensinamentos verdadeiros que eu lhe dei e fique firme na fé e no amor que temos por estarmos unidos com Cristo Jesus. Por meio do poder do Espírito Santo, que vive em nós, guarde esse precioso tesouro que foi entregue a você.” (2Tm 1.13-14).  Fosse Paulo um líder patético, não empolgaria nem desafiaria Timóteo.  A autoridade intrínseca, a que a pessoa tem em si mesma, e não porque lhe foi outorgada, é fundamental para o conselheiro de jovens.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6. AS CARACTERÍSTICAS DO ADULTO – 25 ANOS EM DIANTE</p>
<p>Normalmente os adultos procuram mais o conselheiro que adolescentes e jovens. Mas isto não significa aceitação automática do conselheiro. Este precisará mostrar segurança e lhe será útil conhecer algumas características desta faixa etária, também.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6.1 – Mentalmente</p>
<p>1. Maturidade. Bem mais firmada que a dos jovens. Há, evidentemente, casos de insegurança emocional e de imaturidade. Estamos falando em termos gerais sobre o grupo. O adulto já está maduro e correções de rumo podem ser feitas por ele, em sua vida. Mas geralmente estão arraigados em posições e pontos de vista. Pode se observar isto no fato de que a maior parte dos rachas nas igrejas é ocasionada por adultos que discordam de alguma posição do pastor. Esta maturidade descamba para a inflexibilidade: “Sempre foi assim” ou “Nossa igreja sempre foi assim”.</p>
<p>2. Agressivos. Exatamente por já saberem tudo (às vezes têm mais idade que o pastor ou que o conselheiro) a maturidade do adulto o transforma em alguém agressivo. Esta agressividade não é, necessariamente, violência. É a postura de se posicionar mais seguramente e de ser mais duro na exposição de suas posições. O conselheiro que é pastor e dirige reuniões de conselhos administrativos de igrejas sabe bem do que estamos falando.</p>
<p>3. Poder de perseverar. O adulto é mais seguro, já passou por crises em sua vida e venceu algumas delas. Perdeu em outras, mas amadureceu. Ele persevera. O conselheiro deve ter isto em mente. O adulto que lhe procura quer superar dificuldades e está disposto a lutar. Quer enxergar luz no fim do túnel.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6.2 – Fisicamente</p>
<p>1. Aprecia ainda recreação, participa de jogos. Tem capacidade de trabalho e se bem desafiado trabalha bastante na igreja. O conselheiro deverá levar em conta que lida com alguém que tem boa disposição física, a não ser que sofra alguma enfermidade.</p>
<p>2. Desejo de servir. Com a vida bem definida, com filhos pequenos, ele procura uma área para se dedicar a Deus. Pode ser chamado a servir a igreja, participar de projetos missionários, etc. O conselheiro deverá lembrar que muitas das crises dos adultos vêm, exatamente, por não utilizar seu potencial no reino de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6.3 – Socialmente</p>
<p>1. Concentra-se em amizades e em reuniões de grupo. Precisa de vida comunitária. O bom conselheiro procurará envolvê-lo com grupo. As chamadas terapias de grupo funcionam melhor com adultos, por exemplo. Mas o grupo que o conselheiro procurará inserir o adulto que estiver aconselhando é a igreja.</p>
<p>2. Pesquisa independente. Nem sempre segue o grupo. Discorda, pensa independentemente, busca informações. O conselheiro deve considerar a possibilidade de que sua orientação seja apenas mais uma, entre outras que o adulto procurará.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6.4 – Espiritualmente</p>
<p>1. Conversão possível, mas enfrentando mais resistência. Mudança de religião e de comportamento para o adulto é mais complicado. Há muito mais coisas em jogo. O conselheiro não deve esperar mudanças imediatas, mas deve trabalhar para que elas aconteçam. Obviamente não estamos ignorando o poder do Espírito Santo em transformar vidas e modificar hábitos. Estamos considerando a questão do ponto de vista das disposições das faixas etárias.</p>
<p>2. Convicção profunda. O trabalho deverá ser lento e regado a oração. Muita paciência. É verdade que na hora da crise o adulto, entendendo bem o que deve fazer, faz com mais determinação. Mas o conselheiro deve saber que do ponto de vista espiritual o adulto é mais seguro que qualquer outra faixa etária. Evidentemente que há adultos inseguros, mas esta é a regra geral. No geral, cabem para o adulto as palavras de Paulo: “Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Agora que sou adulto, parei de agir como criança” (1Co 13.11).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>É óbvio que não se pode, em uma palestra de poucas páginas, dar-se uma visão exaustiva das características das faixas etárias. Falamos aqui em termos gerais.  Com base nisto, como ponto de partida, e mais pesquisas, leituras e avaliações, o conselheiro progredirá em sua função. Mas o fundamental é saber distinguir, no aconselhamento, as características da pessoa, respeitar essas características e saber valer-se delas, sem manipulação, para cumprir seu propósito.</p>
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ACONSELHAMENTO%20PASTORAL%20-%203.docx#_ftnref1">[1]</a> ADAMS, Jay. <em>Conselheiro capaz. </em>S. José dos Campos: Editora Fiel, 1977, p. 12.</p>
</div>
</div>
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		<title>A MATEMÁTICA DO PERDÃO</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 00:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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										</div><p align="center"><span style="direction: ltr;"> </span></p>
<p align="center">Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">
<p align="center">Publicado originalmente na revista “Você. Publicada no site com a autorização da revista.</p>
<p align="center">
<p align="center"><em>“Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou: &#8211; Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes? &#8211; Não! &#8211; respondeu Jesus. &#8211; Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete”</em>  (Mateus 18.21-22, NTLH).</p>
<p><em> </em></p>
<p>Jesus havia acabado de falar, há pouco, aos seus discípulos, sobre a maneira deles se relacionarem. Se um irmão errasse contra o outro, este deveria procurá-lo e acertar os ponteiros com ele (v. 15). Se o errado ouvisse, a pessoa certa teria ganhado o irmão. Que bom! É melhor ganhar alguém que perder a amizade da pessoa! Mas se o errado não quisesse ouvi-lo, ele deveria levar duas ou três outras pessoas, agora já como testemunhas (v. 16). Se ela não ouvisse os irmãos, uma espécie de comissão, então que o assunto fosse à igreja (v. 17). Isto é importante. Precisamos resgatar a autoridade da igreja. Ela não é apenas um lugar aonde vamos nem uma instituição que deve fazer nossa vontade e atender aos nossos caprichos. Ela é a manifestação da presença de Jesus neste mundo, e tem autoridade sobre seus membros. Se a pessoa errada não quisesse ouvir a igreja, então esta o deveria considerar como um não irmão. Como se fosse “um pagão ou cobrador de impostos” (LH). Estas eram duas classes de pessoas que não tinham boa imagem espiritual. Quem recusa se corrigir acaba criando uma imagem espiritual ruim para si.</p>
<p><span id="more-2131"></span></p>
<p>Jesus ensinou que irmãos que entrassem em desavenças deveriam procurar logo a reconciliação. As pessoas devem se entender e viver em paz, umas com as outras. O princípio do entendimento é bem simples. Basta as pessoas não se colocarem como mais importantes que as outras, entendendo que o maior é quem serve (18.1-5). O problema é que a vaidade humana é muito grande, e a igreja é contaminada pelo jeito de ser do mundo. Segundo o ensino de Jesus, o maior é quem serve. Ele mesmo serviu (Mc 10.45). Para o mundo, o maior é quem tem muitos serviçais. São visões completamente diferentes, e muitas vezes nós copiamos o modelo do mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Parece que Pedro se sentiu um pouco incomodado. O maior é quem serve? Deve tratar bem quem erra comigo? Então fez uma pergunta a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?”. Por que, exatamente sete? Por que não dez, por exemplo?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os mestres judaicos (os rabinos) ensinavam a perdoar até três vezes. Eles usavam a história de Israel, lembrando que Deus perdoara as nações inimigas apenas três vezes (veja isso em Amós 1.3, 6, 9, 11 e 13). Ora, se o próprio Deus perdoara apenas três vezes, diziam os mestres, por que ser mais justo que ele e perdoar mais vezes que ele? Perdoar três vezes estava de bom tamanho. Pedro resolveu “arrasar”: dobrou o número que os mestres rabinos recomendavam e deu mais um de quebra: “até sete?”.   Além disso, sete é um número simbólico, na cultura do Oriente antigo, pois era o número de dias na semana. Era o número que contava o tempo. Seu valor era mais que matemático, era simbólico. Na mística judaica dava a idéia de algo completo, bem extenso. Pedro não apenas excedeu o ensino dos mestres como mostrou que estava cheio de disposição para perdoar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas Jesus sempre foi desconcertante. Deu uma resposta a Pedro que, por certo, ele não esperava. Talvez Pedro pensasse que Jesus lhe diria: “Puxa, Pedro, você está crescendo espiritualmente, rapaz! Estou orgulhoso de você!”, mas não foi esta a palavra que Jesus deu. “Setenta vezes sete” ou, como pode ser, em uma variante de tradução, “setenta e sete vezes”. A primeira possibilidade é a mais aceita. Bem, setenta vezes sete dá quatrocentos e noventa. É este o número de vezes que temos que perdoar?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A expressão de Jesus é mais que matemática. É teológica: Na cultura lingüística da época sugere um número infinito de vezes. Nos escritos apócrifos, como no livro de Eclesiástico (não confunda com o livro de Eclesiastes, que está em nossa Bíblia), tinha este sentido, de um número ilimitado de vezes. Não há limites para o perdão que devemos exercer. Porque nosso padrão não é o trato de Deus com as nações no Antigo Testamento, mas é o ensino de Jesus, no Novo Testamento. Nós somos cristãos, e não judeus. Consideremos que não há limites para o perdão que Deus manifestou em Jesus. Quem foi perdoado deve perdoar. Tanto é assim que logo a seguir ele conta a parábola do credor sem compaixão (18.23-35). Quem provou o amor e perdão de Deus deve amar e perdoar os irmãos. João disse isso de maneira bem clara: “Queridas amigas e amigos, se foi assim que Deus nos amou, então nós devemos nos amar uns aos outros” (1Jo 4.11).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas Jesus sabia o que estava dizendo. Perdoar faz bem. Faz bem a quem é perdoado, porque esta pessoa fica sabendo que a outra parte não tem mais nada contra ela. Faz bem à igreja, porque quando seus membros estão brigados, o testemunho da nossa fé ao mundo fica mais difícil. E faz bem a quem perdoa, porque o perdoador tira um fardo do seu coração. Por isso não deve haver limite para o perdão. Devemos perdoar sempre.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Saber estas coisas é importante, mas praticá-las é mais importante ainda. Se você tem mágoa ou ressentimento contra alguém, se está bronqueado com alguma pessoa, procure acertar-se com ela. Será uma libertação para ela e para você. E se ela for da igreja, será uma bênção para a igreja. Perdoe, e no ensino de Jesus, até “setenta vezes sete”.</p>
<p align="center">
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		<title>A IDA AO VALE DO JARI</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 13:09:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A IDA AO VALE DO JARI Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Artigo desenvolvido a partir da pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.10.11               A ida ao vale do Jari enriqueceu minha vida. Aliás, as viagens pelo interior da Amazônia sempre são lições de vida e momentos inesquecíveis.  Viajamos por uma estrada [...]]]></description>
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										</div><p align="center">A IDA AO VALE DO JARI</p>
<p align="center">
<p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">Artigo desenvolvido a partir da pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.10.11</p>
<p align="center">
<p align="center">
<p>              A ida ao vale do Jari enriqueceu minha vida. Aliás, as viagens pelo interior da Amazônia sempre são lições de vida e momentos inesquecíveis.  Viajamos por uma estrada no melhor “padrão Amapá”, ou seja, muito ruim. Os 280 km desde Macapá foram percorridos em cinco horas e meia, em uma Hilux. Atravessamos o rio numa catraia e chegamos a Monte Dourado. Cidade bonita, arrumada e limpa. Lembra a Vila Industrial, em Tucuruí, sul do Pará. Não fosse o calor amazônico e o povo moreno, pareceria um subúrbio das cidades dos Estados Unidos: casas grandes, ajardinadas, ruas bem calçadas (raridade na região). As casas são da CADAM.</p>
<p><span id="more-2096"></span></p>
<p>A fábrica da FACEL (fábrica de celulose) veio do Japão, montada sobre balsas. Foi fixada junto ao rio, sobre as balsas. Ela testemunha a capacidade do homem e as possibilidades da Amazônia. O caulim é extraído no Amapá, atravessa o rio, e é processado no Pará. O Amapá é curioso: é rico, mas vive na pobreza.  Disseram-me que de cada tonelada de minério aqui extraído os <em>royalties </em>que ficam são de seis quilos, apenas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fomos a Munguba conhecer a congregação que será organizada em igreja este ano. Templo bonito, área enorme. Como a Igreja de Monte Dourado, um belo templo em grande área. Tomamos a catraia e fomos a Vitória do Jari. Templo de madeira, uma palafita sobre charco. Numa EBF colocaram quase 600 crianças no templo e o piso quase  cedeu. Seria um vexame as crianças caírem no lamaçal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Duas pessoas diferentes, em momentos diferentes, me fizeram a mesma pergunta: “Onde estão os obreiros? Para onde vão as  centenas de seminaristas que se formam?”. Dei-lhes a mesma resposta: “Ficam nas cidades grandes, amontoados nas grandes igrejas ou esperando um pastorado vagar”. Há pastores para dirigir grupos de oração e até para ensaiar corinhos. Igrejas e pastores se orgulham de ter vários pastores. Dá sinal de <em>status </em>à igreja e mostra o pastor como homem que tem subordinados sob seu comando. Melhor fariam mantendo obreiros em igrejas nas regiões longínquas, desassistidas. Há gente brigando por vaga em pastorado e há igrejas clamando por pastores. E o espírito de chamada? Onde fica? O Espírito só chama para grandes centros? Só vale a pena ser pastor se for em uma “igrejona” numa “cidadona”?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não temos seminários no Amapá. É até bom. Assim treinamos pessoas daqui, que amam este lugar e a obra de Deus. Interessadas,  elas querem saber mais da Bíblia. Querem a Palavra e não o blábláblá da sociologia da religião e conversas sobre teísmo aberto e pós-modernidade. Buscamos ensinar a Bíblia, como pregá-la, gerir a igreja, ajudar pessoas e manter visão missionária.  Assim, em Monte Dourado, lecionei para 29 pessoas que desejam servir melhor à Igreja de Jesus. Vieram de carro, moto, bicicleta e barco. Agüentaram três dias de aula, o calor, a ausência de tecnologia educacional. Bíblia aberta, perguntas, satisfação, alegria: eis a definição destes dias. No encerramento, é óbvio, peixe. Pacu assado. Ô <em>bênça</em>!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ser batista no Amapá é fascinante. A COBAP, nossa convenção estadual, tem visão e projeto. Deus tem despertado vocações! Oro diariamente para que Deus traga bons obreiros para cá e desperte as igrejas. Que os crentes indiferentes tenham mais zelo pela obra. E edifico-me em ver estas pessoas que amam o Reino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ser batista no Amapá é um desafio. Um estado carente, de comunicações lentas, mas com gente que precisa de Jesus. Aqui também há o rebanho do Senhor para ser cuidado. Este desafio é também para você. Precisamos de gente, de oração e recursos. Qual é a sua parte?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O OCIDENTE AMA A VIOLÊNCIA</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 21:39:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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										</div><div>
<p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
</div>
<p>Buthaina Shaban, porta-voz do governo sírio, fez uma observação que merece ser ponderada, em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”(16.9.11). Sua última frase foi esta: “O problema do Ocidente é que eles amam a violência”.  Daí o “Folha” ter colocado a manchete que é o título deste artigo.</p>
<p><!--:--><span id="more-2084"></span><!--:en--></p>
<p>Numa rima pobre, mais aliteração que rima: o Ocidente está doente. O sintoma maior é o amor pela violência. Tanto a ama que faz dela entretenimento, como se vê em muitos filmes e em músicas que a apologizam. Os telejornais a exploram à saciedade. Um apresentador deste tipo de programa, tempos atrás, estava furioso porque não havia um morto para exibir. O ferido sobrevivera. Quando sucede um crime que chama a atenção,  logo enfileiram crimes semelhantes, criando um clima mórbido, doentio.  Alguns segmentos da mídia não informam. Exploram a miséria. O que dita a pauta não é a informação, mas o mercado, regido pelo <em>ibope. </em>Darcy Ribeiro afirmou: “Hoje, quem determina o que se divulga, e com que se calor se divulga qualquer coisa, não são os jornalistas, é o caixa, é a gerência dos órgãos de comunicação. E esta só está atenta às razões do lucro”  (<em>O Brasil como problema, </em>p. 51).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O amor à violência não é sadio. E sua presença nas artes (músicas e filmes, mais acentuadamente) é prova disso. Aumentam a violência. Para alguns, a mídia e as artes não fazem isso, não a aumentam. Apenas retratam o que há na sociedade. A exibição da violência  seria um reflexo das ações violentas da sociedade, e não sua causa. Sobre isso, fica a palavra de Medved, crítico de cinema. Diz ele que os produtores <em>pretendem </em>influenciar o público, por meio dos valores que veiculam, e dos personagens que apresentam, em seus filmes (<em>Hollywood versus America: popular culture and the war on traditional values</em>). E critica os que negam isto, chamando-os de hipócritas. Negam que seu produto cultural influencia crenças e comportamentos, mas apresentam produtos, de maneira subliminar, e recebem prêmios por promoverem tendências culturais e bens de consumo (<em>Cinema e fé cristã,</em> de Godawa, p. 17).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O fato é que promoção do mal encontra eco no coração humano a ponto de se misturarem tendência e causa. Apesar de várias explicações sociológicas e psicológicas, a razão principal me soa esta: o fascínio pelo mal que existe no homem é porque o homem é mau. Ele é pecador. “Contudo, o SENHOR observou que a perversidade do ser humano havia crescido muito na terra e que toda a motivação das idéias que provinham das suas entranhas era sempre e somente inclinada à prática do mal” (Gn 6.5-6). E “Reconheço que sou pecador desde o meu nascimento. Sim, desde que me concebeu minha mãe” (Sl 51.5).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mito da bondade humana se disseminou entre nós. Contaminou a Igreja e muitos púlpitos, que pararam de falar de pecado e de conversão, e adotaram a tônica do direito das pessoas à felicidade, delineada em ter bens materiais, saúde plena e ausência de problemas relacionais. Nada mais se fala de dever. As pessoas só têm direitos, não deveres. A Igreja era a única reserva moral, no sentido de chamar as pessoas ao arrependimento, abandono do pecado e submissão a um valor absoluto, Deus e sua Palavra. Correntes teológicas liberais minaram o fundamento de um Absoluto, dando-nos tudo como relativo (o famoso “olhar do outro”) e descontruindo a autoridade das Escrituras, subordinando-as à sua visão cultural.  O Ocidente está doente porque é pós-cristão e neopagão. E boa parte da Igreja de Cristo agravou sua enfermidade, com um diagnóstico errado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Emil Brunner (<em>Christianity and civilization</em>) argumentou sobre a singularidade do momento ocidental: nunca antes uma civilização importante tentou construir-se sem fundamentos religiosos. Por trás de todo suporte civilizatório sempre houve uma fundamentação religiosa, fosse islamita,  hindu, budista ou cristã. Este suporte religioso fez com que a civilização se tornasse maior que o indivíduo e ele se inserisse no grupo e aceitasse orientação. Hoje temos o culto ao indivíduo, que se sobrepõe a tudo. Com isso, as pessoas perderam até a noção de ridículo. Há programas de televisão, tipo “mundo cão” que mostram aonde a individualidade exacerbada nos levou. Num deles, um sujeito exultava porque sua esposa o traíra com seu irmão e fugira com ele. Foi seu momento de glória, seus quinze minutos de fama, como disse Andy Warhol (“No futuro todos serão famosos por quinze minutos”). O ex-ministro Nelson Jobim disse que “os idiotas perderam a modéstia”. Perderam a compostura também, Jobim. Perderam a noção de pudor, e só existe o “eu” para atender. Até nas igrejas: a intercessão cedeu lugar à reivindicação dos direitos. O dever de se congregar, de sustentar a obra, de investir em missões, de deixar marcas de uma vida produtiva foi posto de lado. O humorista Stanislaw Ponte Preta disse certa vez: “Ou se restaure a  moralidade ou locupletemo-nos todos”, falando da corrupção política. Estamos na fase de nos locupletarmos todos, no sentido de nos satisfazermos, até em muitos cultos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há uma doença moral, em nossa cultura, mas seu fundo é espiritual. Num dia em que reescrevia este artigo, mais uma vez,  pela manhã assisti a um programa de tevê sobre travestis prostitutos. Foram mostrados como pessoas boas, incompreendidas, vítimas de preconceitos da sociedade (o grupo sempre é mostrado como mau e o indivíduo como bom) e os discordantes e críticos de seu comportamento (porque se prostituíam em frente às suas casas, e ali armavam cenas constrangedoras) eram preconceituosos, trogloditas culturais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Algo desperta minha curiosidade. Gostaria de ter mais dados sobre isso. Tem conexão com a expressão de Paulo, “Deus os entregou”, em Romanos 1.24, 26 e 28. Como os pagãos se afundaram na imoralidade, desprezando Deus, este os abandonou. O Ocidente está mergulhando no paganismo. Deus o está deixando se afundar e indo embora. Cito Wells: “A verdade é que o cristianismo está deixando o Ocidente. Na América, ele está estagnando, mas na África e na América Latina e em partes da Ásia multiplica-se rápida e abundantemente, pelo menos estatisticamente&#8230; A face do cristianismo está mudando. Já não é mais primariamente nortista, européia e anglo-saxã. Sua aparência é subdesenvolvida. É predominante um rosto do hemisfério sul, jovem, quase iletrado, pobre e bastante tradicional. A questão sobre a qual os ocidentais devem ponderar é por quê. Por que, apesar dos melhores esforços para a acomodação cultural na América, Deus parece levar sua obra para outro lugar?” (<em>Coragem para ser protestante, </em>p. 53). Para Wells, bem como para Brunner, o termo “ocidental” alude aos Estados Unidos e Europa, o primeiro mundo. O segundo e terceiro mundo lhes são algo à parte. Para argumentação, sigo sua linha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>À parte o preconceito de Wells (iletrados e subdesenvolvidos coisa nenhuma!), ele diz algo que eu venho pensando: o cristianismo está voltando às suas origens, tornando-se pobre e do terceiro mundo. Está deixando de ser uma cultura para ser uma fé viva ao redor de uma pessoa que revelou Deus em sua vida, sendo ela o próprio Deus. Como disse Halverson<em>:</em> o cristianismo surgiu na Palestina como uma comunhão de homens e mulheres ao redor de uma pessoa. Depois migrou para Roma, e se tornou uma instituição. De lá ganhou a Europa  e se tornou uma cultura. Chegou aos EUA, onde se tornou um negócio. Descaracterizou-se. Sua volta às origens deve ter algum significado que me escapa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O cristianismo liberal tentou um <em>modus vivendi</em> pacífico com a cultura, para não ser chamado de retrógrado. Morreu. As denominações tradicionais e as igrejas mais conservadoras experimentam crescimento. Apesar de teólogos e eclesiólogos liberais continuarem tentando matar a Igreja ou reinventá-la de acordo com sua perspectiva reducionista, a Igreja moldada pelo Novo Testamento ainda cresce.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quanto da doença do Ocidente não é porque ele rejeitou Deus e Deus o abandonou aos seus deleites? Quanto da parcela de culpa da decadência moral da sociedade não é culpa de igrejas que deixaram de ser referência moral e se tornaram agências de recreação espiritual? A cultura ocidental agoniza. Filosoficamente é um caos. Teologicamente é moribunda.  A chamada “teologia da prosperidade” não merece o rótulo de “teologia”. É um materialismo egoístico, que com o liberalismo teológico e o abandono dos grandes pilares da fé cristã, está minando a saúde espiritual da Igreja. Um evangelho descaracterizado, uma Bíblia lida como metanarrativa e uma fé desengajada, sem visão histórica, produzem igrejas doentes. A Igreja ocidental está doente.  E se a Igreja adoece, o mundo morre. Precisamos insistir na pregação de Cristo crucificado, poder de Deus para salvação dos pecadores arrependidos. Precisamos voltar a falar de pecado e da necessidade de arrependimento, e que em Cristo Deus nos dá uma nova vida. Para que a Igreja viva. E para que o mundo tenha esperança. Sem o evangelho não há esperança.<!--:--></p>
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		<title>O que é ser jovem cristão?</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 12:22:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Quirino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Quirino]]></category>

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		<description><![CDATA[Marcelo Quirino Psicólogo Clínico Docente Seminário Teológico Batista de Dq Caxias www.marceloquirino.com             O que é ser jovem? O que não é ser jovem? Ser jovem é ter vida? Ser jovem é ter fantasias e sonhos? Ser jovem é ter força? Não sei. Acho que isso não é ser jovem. Conheço muitos senhores e senhoras [...]]]></description>
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										</div><p align="right"><strong><em><br />
Marcelo Quirino</em></strong></p>
<p align="right"><strong><em>Psicólogo Clínico </em></strong></p>
<p align="right"><strong><em>Docente Seminário Teológico Batista de Dq Caxias</em></strong></p>
<p align="right"><a href="http://www.marceloquirino.com/" target="_blank"><strong><em>www.marceloquirino.com</em></strong></a></p>
<p>            O que é ser jovem? O que não é ser jovem? Ser jovem é ter vida? Ser jovem é ter fantasias e sonhos? Ser jovem é ter força? Não sei. Acho que isso não é ser jovem. Conheço muitos senhores e senhoras de 80 anos que tem vida, força e sonhos. Então o que é ser jovem? Só sei que não sei definir o que é ser jovem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse problema me intriga. Queria definir o que é ser jovem. Afinal, então por que inventaram essa palavra ‘jovem’? Será que é só para marcar a etapa da vida que vai dos 13 aos 35 anos? Epa! Peraí! E quem define que ser jovem começa aos 13 e termina aos 35? Tá errado isso!? Tem muitos ‘jovens’ de 22 que mais parecem velhos.</p>
<p><!--:--><span id="more-2079"></span><!--:en--></p>
<p>Não sei definir quando começa a juventude. Por que inventaram a palavra ‘jovem’ sem saber defini-la e ainda por cima estipularam um prazo de quando ela começa e quando termina? Meio doido isso! Inventam uma coisa que não sabe bem o que é direito&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dizem que jovem é a força do mundo. Mas hoje há muitos jovens que são preguiçosos e esperam a vida passar. Não é correto essa característica de força do mundo. Conheci uma senhora que terminou o curso de medicina aos 80 anos de idade. Quem é o jovem da história? E conheci um menino de 20 anos deprimido porque disse não ter mais força para agüentar a vida pesada que tem. Por que ele, o jovem, desistiu da vida e a velhinha não? E também conheci um senhor de 45 anos que mora nessa rua aqui, que anda de cadeira de rodas e pega o ônibus todo dia para vender balas no metrópoles. Quem é o jovem da história?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não sei o que é ser jovem e acho que ninguém sabe o que é ser jovem. Na verdade, quando me faço a pergunta o que é ser jovem, eu não descubro a resposta. Eu descubro apenas que as definições que damos para essa palavra são erradas e injustas. Essa definição de ser a força do mundo, os sonhadores, os revolucionários, os que têm entre 13 e 35 anos, tudo isso é furado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não dá para a gente entender o que é ser jovem com essas ideias. Ah, eu acho que sei como resolver essa questão de definir o que é ser jovem. Creio que a gente poderia sonhar um pouco e imaginar um novo mundo. Só dá para definir bem o que é ser jovem se a gente imaginar um novo mundo cheio de esperança, paz, harmonia e tranqüilidade. Aí a gente bota neles as pessoas que têm entre 13 e 35 anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imagino que eles viveriam bem nesse mundo. Não teria problemas, não teria brigas, não teria discussões, não teria contra quem se revolucionar, não teria o que sonhar. Porque sonho é quando a gente imagina algo melhor pra gente e se esse mundo imaginado é perfeito, então a gente não precisa ter sonhos.</p>
<p>Gostei dessa ideia, um mundo perfeito com pessoas entre 13 e 35 anos de idade que se chamam jovens. Ué, por que se chamam assim? Ora, não sei, a gente definiu que os de 13 a 35 anos de idade seriam os jovens não foi? Então foi, tá combinado, combinamos assim.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas peraí. Temos um problema nessa nossa hipótese! Pensa comigo&#8230; Se a gente colocou neste mundo imaginário só pessoas entre 13 e 35 anos de idade e sem ninguém mais de outra idade, não tem porque a gente chamá-las de jovens. São pessoas, humanos!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Claro! Só tem o porquê a gente definir ‘jovem’,‘criança’, ‘adolescente’, ‘adulto’ se a gente colocar todo mundo junto. Epa”olha que descoberta maneira. Só existe a palavra jovem em contraste com a palavra criança, adolescente, adulto e velho. Mas caramba&#8230; É melhor não entrarmos nessa confusão não. Já ta difícil definir ‘jovem’, imagina tentar definir criança, adolescente, adulto e velho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Que legal, o jovem só existe se ao lado dele existir adolescente, adulto, velho e criança, entendeu? Se todo mundo for entre 13 e 35 anos de idade, não precisa chamar de jovem. A gente chama de pessoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Olha então achamos outra característica: pra ser jovem, deve-se respeitar os diferentes. Os adolescentes, os adultos, os velhos e as crianças. Só é possível ser jovem com tolerância e respeito ao diferente. Eeeeeee pra mim. Consegui ao menos chegar a uma conclusão legal.</p>
<p>Agora sabe qual é o maior problema? É definir o que é ser jovem no mundo de hoje. Nesse mundo que não é perfeito como aquele que a gente imaginou. É um mundo violento, egoísta, interesseiro, briguento, corrupto. Como ser jovem num mundo desses? Não dá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Epa. Acho que descobri outra coisa. Pra ser jovem num mundo como esses, é só misturar as características daquele mundo imaginário, perfeito, harmônico e com paz nesse mundo aqui, o real. O jovem, pra ser jovem no mundo de hoje, precisa querer criar o mundo imaginário, um mundo melhor, um mundo que não existe, um mundo a ser construído.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caramba. Que estranho isso! Só é possível ser jovem entre os diferentes e só é possível ser jovem vivendo num mundo e pensando que se está vivendo em outro mundo, um melhor. Creio que ser jovem é encurtar distancias. Éeeeeeeee. Encurtar distâncias, entre os diferentes que nos cercam e entre os mundos em que vivemos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Temos um mundo real, mas criamos um mundo melhor em nossas cabeças para tentar igualar esse mundo real ao mundo imaginário. Isso é ser jovem. Um encurtador de distancias. Encurta distâncias entre pessoas e encurta distancias entre os mundos. Eeeeeeeeee pra mim!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Viu!? Estou conseguindo chegar a algumas conclusões. Mesmo sem a ajuda de vocês que só ficam ai sentados ouvindo meus pensamentos. Mas creio que não é só isso encurtar distâncias entre mundos e pessoas. Falta algo&#8230; Sempre falta&#8230; ué! Deus e Deus onde está? Claro. Precisamos definir o que jo-vem cris-tão. E não somente jovem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas será que é suficiente definirmos juventude apenas como encurtadores? Mas e onde fica Deus nessa história? Creio que ele não fica no céu. É isso mesmo. Ele não está no céu. Mas se ele não está no céu, onde ele está? Ele está dentro do jovem, claro!. Mas de qualquer jovem?</p>
<p>Não. Claro que não. Apenas dentro daqueles que fazem a vontade do Pai, de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hummmm. Já que o jovem é o que encurta as coisas, ele é quem deve encurtar distâncias entre Céus e os homens. Não é um barato. É isso! O jovem cristão deve ser aquele que encurta distâncias entre a humanidade e as boas novas. E como se faz isso?</p>
<p>Não é tão fácil. Creio que em primeiro lugar pra ser um encurtador de distâncias entre o divino e o homem, o jovem deve ter o divino morando em si mesmo. Só assim será possível encurtar a distância dos outros que estão longe de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas que tarefa difícil hein. Encurtar distancias entre Deus e os homens. Isso é ser jovem cristão! Iiii mas o adolescente, o adulto, o velho e criança não fazem isso também? Hahahaha. Eu acho que não dá p definir o que é isso. Deve ser uma invenção das pessoas&#8230;.. É isso! Eureca. A palavra jovem é uma invenção. E como podemos definir o que é fruto da imaginação? Não dá! Não dá para definir o que é ser jovem sem ser preciso e sem fazer exclusão de quem não é jovem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isso me alivia sabia. Na verdade não sei porque a palavra jovem é uma definição das pessoas. Mas se é uma definição das pessoas, será que Deus se importa com isso? Acho que não. Ele quer que todo mundo seja um encurtador de distâncias entre ele e as pessoas. Isso é o que importa pra ele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Então se você é adolescente, adulto, velho, criança ou jovem, encurte distâncias. É pra encurtar e não pra acabar com ela, porque se acabar com as distâncias é um perigo e as pessoas serem todas iguais. Encurte a distancia entre os mundos, entre as pessoas e entre a humanidade e Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se você fizer isso pode se considerar um jovem cristão. Se somos todos irmãos, não há necessidade de definirmos o que é ser jovem, o que é ser criança ou adulto. Basta que sejamos irmãos, que encurtemos as distâncias e os senhores de 80 anos que quiserem ser jovens, aqueles de 11 anos que quiserem ser jovens conosco aqui na JUGUAR, estejam todos à vontade, afinal o único critério é ser um ‘encurtador de distâncias’ mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>CHEGA DE COITADISMO&#8230; CHEGA DE BENÇOÍSMO&#8230;</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/08/chega-de-coitadismo-chega-de-bencoismo/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 11:28:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 21.8.11           Tempos atrás escrevi a pastoral intitulada “Vender não pode, comprar pode”. Nela disse não entender por que vender drogas é crime, e comprá-las, não. O vendedor é criminoso e o comprador é um doente, um coitado. Sem apologizar drogas [...]]]></description>
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										</div><p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 21.8.11</p>
<p>          Tempos atrás escrevi a pastoral intitulada “Vender não pode, comprar pode”. Nela disse não entender por que vender drogas é crime, e comprá-las, não. O vendedor é criminoso e o comprador é um doente, um coitado. Sem apologizar drogas (é só ler a pastoral), perguntei se o vendedor não seria um farmacêutico vendendo o remédio necessário.<!--:--><!--:en--></p>
<p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 21.8.11</p>
<p>          Tempos atrás escrevi a pastoral intitulada “Vender não pode, comprar pode”. Nela disse não entender por que vender drogas é crime, e comprá-las, não. O vendedor é criminoso e o comprador é um doente, um coitado. Sem apologizar drogas (é só ler a pastoral), perguntei se o vendedor não seria um farmacêutico vendendo o remédio necessário.<!--:--><span id="more-2041"></span><!--:pt--></p>
<p>O psiquiatra e escritor inglês Anthony Daniels deu entrevista à “Veja”, sob o sugestivo título “Eles têm culpa, sim”. Ele critica a vitimização da pessoa que usa drogas. E defende a responsabilização dos viciados. São pessoas que fizeram opções. Ele chama os intelectuais que defendem a vitimização de “desonestos” (eu chamo de ingênuos), e diz algo que eu disse em vários artigos: a influência do Iluminismo e de Rousseau, falando sobre a bondade do homem: o homem é bom, puro, e a sociedade é que o corrompe.</p>
<p>Diz Daniels: “Não sou religioso, mas considero a visão cristã de que o homem nasce com o pecado original mais realista”. Se ele é religioso ou não, não vem ao caso. O que vem ao caso é que o cristianismo é lúcido, coerente e é a única visão de vida completa.</p>
<p>Boa parte do caos da sociedade é que as igrejas pararam de pregar sobre o pecado e chamar as pessoas ao arrependimento. É só bênção! Tudo para atrair as pessoas. Querem fidelizar clientes e não anunciar “todo o conselho de Deus” (At 20.27). Os homens precisam se arrepender de seus pecados. “Arrependei-vos e crede” foi  a pregação do Batista (Mt 3.2), de Jesus (Mt 4.17), e da igreja primitiva (At 2.38).</p>
<p>Pastores e igrejas que pregam bênçãos ao invés de pregarem o arrependimento dos pecados e a fé em Jesus estão indo contra a Bíblia, prejudicam os pecadores, e iludem-se a si mesmos. Estão mais preocupados consigo, com seus ministérios, inchando-os e tornando-se figurões, que com o destino final dos pecadores.  A maior necessidade do ser humano é de ser perdoado por Deus e acertar a vida com ele. “Não há paz para os ímpios”(Is 48.22).</p>
<p>A mesma revista publicou, tempos atrás, entrevista com o pensador Luiz Pondé. Inspirou-me a pastoral “Santos entre taças de vinho”. O filósofo, não cristão,  ressaltou o valor da doutrina cristã do pecado e da presença do mal na vida das pessoas. É curioso que não cristãos estejam vendo o que igrejas e pastores não vêem: é preciso advertir as pessoas sobre o pecado e sobre o poder do mal. Quando homens sem Deus têm mais lucidez espiritual que os homens de Deus, estes precisam consertar seus passos.</p>
<p>Chega de coitadismo! O homem é pecador e é responsável por sua vida. E chega de bençoísmo! A mensagem que a igreja deve pregar é a de chamar as pessoas a se reconciliarem com Deus!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O psiquiatra e escritor inglês Anthony Daniels deu entrevista à “Veja”, sob o sugestivo título “Eles têm culpa, sim”. Ele critica a vitimização da pessoa que usa drogas. E defende a responsabilização dos viciados. São pessoas que fizeram opções. Ele chama os intelectuais que defendem a vitimização de “desonestos” (eu chamo de ingênuos), e diz algo que eu disse em vários artigos: a influência do Iluminismo e de Rousseau, falando sobre a bondade do homem: o homem é bom, puro, e a sociedade é que o corrompe.</p>
<p>Diz Daniels: “Não sou religioso, mas considero a visão cristã de que o homem nasce com o pecado original mais realista”. Se ele é religioso ou não, não vem ao caso. O que vem ao caso é que o cristianismo é lúcido, coerente e é a única visão de vida completa.</p>
<p>Boa parte do caos da sociedade é que as igrejas pararam de pregar sobre o pecado e chamar as pessoas ao arrependimento. É só bênção! Tudo para atrair as pessoas. Querem fidelizar clientes e não anunciar “todo o conselho de Deus” (At 20.27). Os homens precisam se arrepender de seus pecados. “Arrependei-vos e crede” foi  a pregação do Batista (Mt 3.2), de Jesus (Mt 4.17), e da igreja primitiva (At 2.38).</p>
<p>Pastores e igrejas que pregam bênçãos ao invés de pregarem o arrependimento dos pecados e a fé em Jesus estão indo contra a Bíblia, prejudicam os pecadores, e iludem-se a si mesmos. Estão mais preocupados consigo, com seus ministérios, inchando-os e tornando-se figurões, que com o destino final dos pecadores.  A maior necessidade do ser humano é de ser perdoado por Deus e acertar a vida com ele. “Não há paz para os ímpios”(Is 48.22).</p>
<p>A mesma revista publicou, tempos atrás, entrevista com o pensador Luiz Pondé. Inspirou-me a pastoral “Santos entre taças de vinho”. O filósofo, não cristão,  ressaltou o valor da doutrina cristã do pecado e da presença do mal na vida das pessoas. É curioso que não cristãos estejam vendo o que igrejas e pastores não vêem: é preciso advertir as pessoas sobre o pecado e sobre o poder do mal. Quando homens sem Deus têm mais lucidez espiritual que os homens de Deus, estes precisam consertar seus passos.</p>
<p>Chega de coitadismo! O homem é pecador e é responsável por sua vida. E chega de bençoísmo! A mensagem que a igreja deve pregar é a de chamar as pessoas a se reconciliarem com Deus!</p>
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		<title>DEÍSMO MORALISTA TERAPÊUTICO</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/08/deismo-moralista-terapeutico/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 14:14:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho           A expressão “deísmo moralista terapêutico” foi criada pelo sociólogo Christian Smith para designar a compreensão de Deus nutrida pelos jovens norte-americanos. Ele pesquisou durante cinco anos a visão religiosa dos adolescentes dos Estados Unidos, e publicou suas conclusões no livro Soul searching: the religious and spirituals lives of american [...]]]></description>
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										</div><p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
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<p>          A expressão “deísmo moralista terapêutico” foi criada pelo sociólogo Christian Smith para designar a compreensão de Deus nutrida pelos jovens norte-americanos. Ele pesquisou durante cinco anos a visão religiosa dos adolescentes dos Estados Unidos, e publicou suas conclusões no livro <em>Soul searching: the religious and spirituals lives of american teenagers </em>(Oxford University Press)<em>.  </em>Ele mostra como esta visão está  distante do ensino bíblico. Algumas de suas conclusões estão em português,  nos livros <em>Cristianismo sem Cristo – o evangelho alternativo da igreja atual, </em>de Michael Horton (Editora Cultura Cristã) e <em>Deuses falsos, </em> de Timothy Keller (Thomas Nelson). Examinando-as, o leitor verificará que em nada diferem dos adolescentes brasileiros, nem dos crentes em geral. Lendo estas obras constatei que o credo evangélico brasileiro é, sem sombras de dúvida, o deísmo moralista terapêutico.<span id="more-2038"></span></p>
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<p>O deísmo moralismo terapêutico  pode ser definido como “Uma crença em que Deus abençoa e leva para o céu as pessoas boas e sinceras que tentam viver uma vida decente aqui na terra (o moralismo). A coisa mais importante da vida é se sentir bem, estar em paz consigo mesmo, e ser feliz (o terapêutico). Deus não precisa estar envolvido em nossa vida, ou seja, não é um Deus pessoal. A não ser nos momentos de aperto, quando ele se aproxima e nos socorre (o deísmo)”.</p>
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<p>Horton fez uma boa descrição dos seus pontos:</p>
<p>1. Deus criou o mundo.</p>
<p>2. Deus quer que sejamos bons, educados e justos uns com os outros, como todas as religiões ensinam.</p>
<p>3. O objetivo central da vida é estar em paz consigo mesmo.</p>
<p>4. Deus não precisa estar envolvido com ninguém, exceto quando a situação for muito aflitiva.</p>
<p>5. Todas as pessoas boas vão para o céu.</p>
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<p>Sintetizando: Deus é uma força criadora, uma energia. Devemos ser bons. A felicidade é o bem supremo da vida. Não precisamos procurar por Deus, a não ser quando a coisa fica feia. E a salvação é universal. É uma religião humanista em que o Transcendente não é tão relevante assim. O fiel olha para baixo, ao invés de olhar para cima. Olha para dentro, ao invés de olhar para fora. A preocupação é consigo mesmo, e não com o mundo. A ética é calcada sobre si, pois a decência na vida é para se sentir bem, em paz, não por amor ao próximo ou como um ato de culto a Deus. É uma barganha, nada mais.</p>
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<p>Isto não é exclusivo dos jovens americanos ou brasileiros. Parece ser a pregação nas igrejas evangélicas, que baniram o pecado, a necessidade de expiação, a morte vicária de Cristo e a condenação para os que o rejeitam. E onde o Transcendente é apenas uma Força que pode ser manipulada em benefício do fiel. Num mundo egoísta, em que as pessoas querem apenas satisfazer suas carências e vêem Deus como o grande quebrador de galhos, que vai enriquecê-las e resolver todos os seus problemas, esta mensagem encontra grande aceitação. Deus existe para seu benefício e satisfação pessoal. Há igrejas que estão há anos sem ouvir um sermão sobre a obra vicária de Cristo, a chamada ao arrependimento e abandono do pecado. A mensagem parece ser esta: você tem direitos, deve exigi-los, e se souber exigir segundo aquela igreja ensina, será abençoado. Mesmo que viva em pecado. Aliás, pecado caiu em desuso. O único pecado é a falta de amor. Um livro bem interessante sobre este tema é de um teólogo católico, Moser: <em>O pecado ainda existe? </em>(Edições Paulinas).<em> </em>Parece que não. Existe apenas a necessidade dos clientes a serem satisfeitos na igreja. A pregação de hoje parece mais focada na terapia (como Deus pode tornar alguém feliz) do que nas exigências de Deus. As necessidades do cliente são mais fortes que a proclamação da santidade de Deus. Oferece-se graça (geralmente ligada à saúde,  bens materiais e resolução de conflitos familiares), mas omite-se a santidade de Deus. Quando você ouviu (ou pregou) pela última vez, um sermão falando da santidade de Deus e do pecado humano?</p>
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<p>Há pregadores mais interessados em fidelizar clientes, dizendo-lhes o que querem ouvir do que proclamar os atos de Deus em Cristo, dizendo o que Deus quer ouvir. Prova disso são as faixas de campanhas de igreja, que relaciono a seguir (faixas reais, que vi): “Venha buscar sua bênção!”,  “Uma bênção a cada culto!”, “Nós temos uma bênção para você!”, “Você nasceu para vencer!”, “Aprenda a vencer o Devorador”, “Venha recuperar o que é seu”, “Aqui, a bênção é maior!”. E, por incrível que pareça, esta (não vi, mas me disseram): “Aqui, o seu dízimo é apenas 7%” (e há gente pedindo 30%!). Há pregadores que colocam o foco em si. Sua mensagem glorifica seu ministério. Antigamente os crentes oravam dizendo: “Esconde teu servo atrás da cruz de Cristo”. Hoje há quem esconda a cruz de Cristo atrás de si. Como disse um membro de igreja: “O tema predileto de nosso pastor é ele mesmo”.  Com este tipo de pregação personalista, massageadora do ego, lisonjeira ao pecador, não é se de admirar que o deísmo moralista terapêutico esteja em expansão. É o credo oculto de muitas igrejas. Mas bem explícito nas pregações.</p>
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<p>Preocupa-me ver que as igrejas hoje estejam caminhando para o ecologismo, num discurso politicamente correto, mais interessadas em mostrar sintonia com os novos tempos, do que se prender aos velhos tempos. Igreja tem função mais importante que falar de ecologia e ensinar coleta seletiva de lixo. Ela é pregoeira dos atos de Deus em Cristo. Ela deve dizer como Paulo: “Porquanto decidi nada saber entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado“ (1Co 2.2). Sua missão é mais ampla e mais profunda que dizer aos homens que devem bons e amigáveis. Ela deve dizer: “Assim, vos suplicamos em nome de Cristo que vos reconcilieis com Deus” (2Co 5.20). A igreja deve pregar o evangelho e pregar o evangelho não é fazer saraus musicais ou shows gospéis. É dizer que o homem é pecador, que necessita se arrepender de seus pecados e crer em Jesus Cristo, que ele voltará em poder e glória e julgará o mundo. No deísmo moralista terapêutico, nossa função é apenas cuidar do mundo que a Força Cósmica produziu.</p>
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<p>O deísmo moralista terapêutico tem avançado porque igrejas e pregadores têm negligenciado a pregação autêntica. As igrejas não devem se preocupar em serem “igrejas amigáveis”, mas sim de serem igrejas leais à essência do evangelho. E esta ainda é a mesma: “&#8230; Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras” (1Co 15.3-4) e “&#8230; a trombeta soará&#8230; “(1Co 15.52).</p>
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<p>Deísmo moralista terapêutico é a perversão do evangelho. É um evangelho humano, de gente que se serve do evangelho, mas não prega a verdade bíblica. É uma infelicidade para a igreja porque a enche de pessoas que sequer sabem o que é seguir a Cristo, mas que se julgam cristãs. Imunizam-se contra o verdadeiro evangelho. Deus cobrará desses pregadores e dessas igrejas o desvio que fizeram.</p>
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<p>O evangelho que Jesus revelou é “Cristo crucificado, poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. O evangelho do deísmo moralista terapêutico é a negação de Jesus. É anátema. Que seja recusado. Está na hora das igrejas e dos pregadores voltarem à Bíblia, e mais particularmente, ao Novo Testamento.</p>
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