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	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho &#187; Artigos</title>
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		<title>PASTOR OU GERENTE? IGREJA OU EMPRESA?</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 19:54:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho             A questão não é nova.  E me defino logo: a igreja não é empresa e o pastor não é gerente eclesiástico. Sei que um pastor deve ter noções de liderança de grupo e que uma igreja precisa de regras de vivência administrativa. Inclusive, por ser pessoa jurídica, se submeter às [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>            A questão não é nova.  E me defino logo: a igreja não é empresa e o pastor não é gerente eclesiástico. Sei que um pastor deve ter noções de liderança de grupo e que uma igreja precisa de regras de vivência administrativa. Inclusive, por ser pessoa jurídica, se submeter às leis do país.  Mas igreja não é empresa. Igreja é igreja, algo totalmente singular e distinto de qualquer outra organização. E deve ser pastoreada por homens que sejam pastores. Deus deu pastores à igreja (Ef 4.1) e não administradores de empresa. Gerentes devem ficar em empresas, e pastores nas igrejas.</p>
<p> <span id="more-1397"></span></p>
<p>            A liderança da igreja não se forma em escolas de administração nem em cursos de liderança. É carismática. Os <em>charismata</em> do Espírito são para fazer a igreja viver. Sem os dons do Espírito a igreja pode ser uma instituição admirável, funcionando bem, como uma máquina azeitada, mas corre o risco de não ser mais igreja. Por <em>charisma</em> não me refiro a curas, línguas, ou sua interpretação. Nas listas de dons do Novo Testamento, estes não são os primeiros alistados. Não discutirei dons, aqui. Posso discuti-los em outra ocasião, mas agora afirmo o seguinte: a igreja e o ministério pastoral têm sido descaracterizados por causa de um enfoque equivocado. Os apóstolos pediram à igreja que escolhesse homens de boa reputação para administrar um problema da igreja, e afirmaram: “Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At 6.4). Esta é a função primordial do pastor: assuntos espirituais. E não me digam que supervisionar colocação de tijolos é negócio espiritual, que não há dicotomia entre vida material e espiritual, que esta separação é platonismo, etc. Posso discutir Platão em outra ocasião, mas ele não tem nada a ver com esta visão. Os apóstolos deixaram claro que tinham algo mais importante a fazer que cuidar de alguns problemas da igreja, que eram relevantes e ameaçavam a unidade, mas que não eram para eles cuidarem. Hoje há uma inversão: os pastores cuidam dos negócios e pedem à igreja que ore por eles. Mas em Atos, os homens da igreja cuidavam dos negócios e os pastores oravam e pregavam.</p>
<p>Ao apresentar o excelente “A vocação espiritual do pastor”, de Eugene Petersen, Ricardo Barbosa faz uma observação muito pertinente. Diz ele que há duas palavras novas, recém incorporadas ao vocabulário atinente à vocação pastoral: líder e terapeuta. Diz ele, textualmente: “Fala-se cada vez menos em formação pastoral e mais em formação de líderes. Curiosamente, ‘líder’ é uma palavra que não aparece na Bíblia para descrever aquele que serve a Deus em sua igreja. Também não aparece na longa história de vinte séculos de vocação pastoral” (p. 7). Continuando o arrazoado, Ricardo diz que quando se fala em pastor, hoje, não nos vem à mente a figura do Salmo 23 ou as responsabilidades sacerdotais de Arão, “mas as imagens do executivo, do administrador, do empresário, imagens de um profissional” (p. 8). Ele faz uma interessante comparação entre pastores e terapeutas seculares. Muitos destes renunciam à ciência, e citam manuais de auto-ajuda. Os pastores deixam de lado a orientação da Palavra, e citam terapeutas incrédulos e almanaques. Sua conclusão é séria: “Nosso chamado é para ser pastores, não líderes ou terapeutas” (p. 11).</p>
<p>            Isso se coaduna com a argumentação de Os Guiness, em “Dining with the Devil: the megachurch movement flirts with the modernity” (“Jantando com o Diabo – o movimento mega-igreja flerta com a modernidade”). Para Guiness, o maior desafio do mundo à igreja não é o secularismo, mas a secularização. O secularismo é uma filosofia, e a secularização é um processo. Sendo abertamente hostil, o secularismo, logo é identificado e rejeitado. Mas a secularização vem como um processo, e nos envolve sutilmente, até mesmo porque nós a usamos. Ouvi um líder cristão, nos anos noventas, dizer que “para viver segura, a igreja precisava ter, pelo menos, R$ 10.000,00 em caixa”. A argumentação é mundana, mas me chocou tanto que a comentei aos formandos da Faculdade de Teologia do Amazonas, em 1997, na palavra paraninfal que intitulei de “Quando a igreja troca a teologia pela tecnocracia”, e volto a ela, treze anos depois. Tal líder não entendeu que a maior segurança da igreja está em viver dentro da Palavra, na presença de Deus, e não no seu caixa. Quando há vida espiritual na igreja, o Espírito move os corações das pessoas. Foi assim que o Espírito agiu na vida de José, levando-o a vender seu terreno, sem que houvesse uma campanha para tal, e trouxesse o valor à igreja (At 4.36-37). Onde há espiritualidade há recursos. Mais que <em>marketing,</em> a igreja precisa de santidade. O obreiro cristão secularizado é um tecnocrata. Crê que a salvação e o futuro da igreja não estão em Deus e na oração, mas em táticas humanas. <em> </em>Sua visão é mundana. Assim, muitas igrejas vivem de campanhas e os pastores se esmeram na criatividade para mobilizar o povo. Mas um ambiente espiritual proveria isto. Muito de nossa ação secularizadora poderia ser alvo do pedido de Paulo: “Não extingais o Espírito” (1Ts 5.19). A verdadeira liderança se põe mãos do Espírito, vive em sua presença, e possibilita sua ação na igreja. Não o extingue, trocando-o por técnicas de animação do povo tipo: “Como liderar o povo de Deus em sua caminhada para o sucesso”. A maior característica de liderança da igreja é que ela deve ser carismática, vinda do Espírito, e não de cursinhos, livros e revistas sobre técnicas.</p>
<p>Na obra citada, Os Guiness traz o comentário feito por um negociante japonês a um cristão: “Sempre que encontro um líder budista, encontro um homem santo. Sempre que encontro um líder cristão, encontro um administrador” (p. 97). Isto me foi uma bofetada. A liderança cristã deve ser recrutada entre os mais santos e piedosos, os mais moldados pela Bíblia (cremos mesmo que ela é o manual de Deus à igreja?) e não entre os mais capazes na vida secular, mesmo que de espiritualidade opaca. Priorizamos a competência secular sobre a santidade, e depois descobrimos que não deu certo, porque as regras de vida da igreja diferem das regras de vida de uma empresa. Basta uma diferença para nos fazer refletir sobre isto. A saúde de uma empresa está em maximizar ganhos e minimizar gastos. Quer matar uma igreja? Faça isso! Quer ver uma igreja explodir de vida? Leve-a a investir em missões, em obreiros, em vidas. Os recursos virão. Afinal, Deus disse: “Minha é a prata, e meu é o ouro, diz o Senhor dos exércitos” (Ag 2.8). Está no Salmo 50.12: “Se eu tivesse fome, não to diria pois meu é o mundo e a sua plenitude”. Deus tem os recursos, mas momentaneamente os deixa com seu povo. E não precisam ser extorquidos do povo, que o traz voluntariamente quando Deus age. O problema é que parece que não cremos mais nessas coisas, e tentamos dar um jeito de fazer a igreja funcionar. Aposentamos o Espírito Santo. Estou chocado com a visão secular do reino de Deus entre nós. A proliferação de modelos eclesiásticos é uma prova disso. Damos cada vez mais valor à técnica e aos métodos. Colocamos Deus na periferia e o fazer humano no centro. Não é de admirar que vivamos em uma crise cíclica. Perdemos os alvos espirituais de vista. Eles são numéricos e quantitativos.  Mas a igreja é algo muito sério para a tomarmos em nossas mãos!  </p>
<p>No seu prefácio, Barbosa faz um interessante comentário sobre como é difícil aos pastores serem pastores. Diz ele que é porque os pastores estão afundados na idolatria: “Onde dois ou três estão reunidos e o nome de Deus é pronunciado, uma comissão está formada para a criação de um ídolo. Queremos deuses que não sejam deuses para que possamos ser ‘como deuses’” (p. 16). A tecnocracia é o grande ídolo, o bezerro de ouro de nossas igrejas e pastores. Assim, pastorado deixou de ser ensinar a Palavra e cuidar das pessoas e se tornou administrar um negócio espiritual. Deixou de ser um sacerdócio (viver na presença de Deus, ministrar a Palavra de Deus e interceder pelo rebanho de Deus) e passou a ser uma carreira religiosa. O pastor virou gerente.</p>
<p>O texto de Petersen, propriamente dito, se baseia em Jonas. Ele quis servir a Deus, não como este queria, mas do seu modo. No final, sua briga com o Senhor não foi por causa do reino de Deus, mas de sua reputação pessoal. Esta é uma das lutas do pastor: preocupar-se mais com sua reputação pessoal que com a vontade de Deus. Não podemos usar a igreja e o reino como degraus para a nossa escalada pessoal rumo ao sucesso. “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Mas muita gente está escrevendo sua história pessoal tendo o evangelho como pretexto. O ministério do obreiro é promovido mais que o nome de Jesus. Em alguns lugares, lá estão o nome do obreiro (em letras garrafais) e sua foto-pôster. É um culto à personalidade, vulgar e chocante. Esta pessoa está ambicionando o lugar de Jesus. Na realidade, o obreiro sequer deveria ser promovido.</p>
<p>Sei que pastores estão em baixa, não tem expressão e não movimentam recursos de monta. Gerentes, sim. E muitas igrejas, estruturadas como empresas, querem gerentes, não pastores. Há rebanhos que não querem pastores, mas agem como acionistas de um negócio espiritual: querem um executivo. Não querem ouvir a voz de Deus, até mesmo porque isso é perigoso. Querem ouvir o eco de sua própria voz. E atribuem ao eco o <em>status</em> de voz divina.</p>
<p>Jonas pensou que podia servir a Deus em Társis, ao invés de Nínive. O seu negócio era servir a Deus. Então, ele tentou fazer à sua maneira, não à maneira de Deus. Como comento em meu livro “Jonas, nosso contemporâneo”, segundo os rabinos, a razão principal pela qual Jonas foi para Társis não foi por ser o lado oposto a Nínive, mas ser um lugar onde a Palavra de Deus não se fazia ouvir (com base em exegese de Isaías 66.19). Quando um homem segue seus <em>insights</em> foge da voz de Deus. O profeta ouve a voz de Deus. O homem religioso segue seus <em>insights. </em>Outra grande tentação do pastor é ser um homem religioso, e não um profeta. Porque é possível cuidar de religião sem ouvir a voz de Deus. É menos problemático cuidar de religião. Não é de estranhar a dificuldade de tantos pastores com a Bíblia, a ponto de chamarem quem cita a Bíblia de fundamentalista. Nessa enquadraram Jesus, porque ele gostava muito de dizer “Está escrito”. Gerente tem mais margem de manobra em negócios que pastor. O gerente ouve o mercado e segue as técnicas modernas. O pastor deve se guiar por noções tidas como obsoletas. E parece que o gerente e a igreja-empresa estão mais cotados que o pastor e a igreja-igreja: arrastam mais gente e aparentam mais sucesso aos olhos humanos. Mas perguntemo-nos: isto é mesmo igreja nos moldes bíblicos? O que estamos fazendo com a igreja e com o reino de Deus?</p>
<p>Pastores devem ouvir a Bíblia, submeter-se a ela, reger-se por ela. Gerentes amam e seguem técnicas e soluções como “R$ 10.000,00 em caixa”. Mas gerentes descaracterizam a igreja e a transformam num negócio secular. Precisamos recuperar o sentido bíblico de igreja, bem como os princípios bíblicos para a vida da igreja. Também precisamos recuperar a visão bíblica do ministério, trazendo o pastor de volta ao molde pastoral do Novo Testamento, e não ao figurino do gerente moderno. Caso contrário, nós que já perdemos as duas últimas décadas discutindo métodos para recuperar nossa denominação, perderemos outras, discutindo métodos e técnicas. Estamos patinando e não nos damos conta disso! Estou cansado de modelos, gráficos e desenhos que, na minha limitação gerencial, nunca entendo! Há trinta anos vejo minha denominação, que muito amo, discutir técnicas e modelos. Será que ainda não deu para notar que não é por aí? Não dá para notar que precisamos deixar os bezerros de ouro da técnica, dos modelos, do institucionalismo, e reentronizar o Deus verdadeiro em nossas igrejas? Que os rebanhos precisam de pastores e não de gerentes? Que carecemos de vida mais que de estratégias?</p>
<p>            Solução? Não tenho, mas ouso uma sugestão. Por que, ao invés de pedir às igrejas que orem pelo Brasil, no dia 15 de outubro, não pedimos às igrejas e aos batistas da CBB, que separem o dia para orar e jejuar pela denominação? Que tal priorizarmos a oração e a espiritualidade sobre técnica, modelos, planos e gestões?  Parece-me que ver a igreja como empresa e tornar o pastor em gerente é o que mais temos feito nos últimos vinte anos e não saímos do lugar. Jejuemos e oremos assim, e quem sabe, voltaremos ao pastor-pastor e à igreja-igreja. Oremos por um avivamento que nos faça retornar à simplicidade que há em Cristo (1Co 11.3). Um avivamento que nos leve a confessar e chorar nossos erros, que afaste da liderança as pessoas erradas, que leve os pastores a amarem mais as igrejas que seus ministérios, que acabe com as carreiras solos e nos reconduza ao trabalho solidário. Um avivamento que acabe com o “eu” e traga o “nós” de volta.</p>
<p>            Quanto a mim, quero ser pastor e não gerente. Quero cuidar de um rebanho, não de uma empresa. E reitero meu amor pela igreja de Jesus, pela minha denominação, e minha crença inabalável que precisamos retornar a um caminho abandonado. “Não removas os marcos antigos que teus pais estabeleceram” (Pv 22.28). Temos feito isto. E nos saído mal.</p>
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		<title>A MANIFESTAÇÃO DA VERDADEIRA FÉ</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 12:06:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho “Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele” (João 11.16). Poucas palavras expressam um compromisso tão grande como estas de Tomé. Jesus insiste em retornar a Judéia (11.7). Seus discípulos tentam dissuadi-lo (11.8), mas ele se mantém irredutível. É quando Tomé concita os demais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>“Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele” (João 11.16).</p>
<p>Poucas palavras expressam um compromisso tão grande como estas de Tomé. Jesus insiste em retornar a Judéia (11.7). Seus discípulos tentam dissuadi-lo (11.8), mas ele se mantém irredutível. É quando Tomé concita os demais a irem, mesmo que seja para morrer com ele.  Verdade é que, como os demais, acabou fugindo (Mt 26.56). Mas recuperou-se, gastou sua vida na obra missionária, e morreu como mártir. Desta maneira, sua fala não foi retórica. Ele foi para morrer por Cristo. Cumpriu o que disse.</p>
<p><span id="more-1385"></span>Tomé nos mostra como se manifesta a verdadeira fé. Vemos hoje uma fé infantil, em que as pessoas buscam apenas bênçãos, reivindicam, declaram, mas nao se comprometem a ponto de mostrarem-se dispostas a morrer por Jesus. Isto nos deixa com cristãos imaturos, que não se engajam e vêem o cristianismo apenas como algo por receber de Deus.</p>
<p>Jesus censurou uma multidão que o seguia por causa dos pães: “Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes” (Jo 6.26). São os cristãos “Enche minha barriga, Senhor!”. Hoje vemos seus parentes: “Enche-me de bênçãos, Senhor!”. São cristãos que não amam ao Senhor, apenas suas bênçãos. Mas a essência da vida cristã é o amor a Deus, não às suas bênçãos!</p>
<p>Assim diz Mateus 10.37-40: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Isto é vida cristã! Como é significativa uma das linhas do hino 62 do HCC: “Eu te amo na vida e na morte também!”. A verdadeira fé é aquela que ama ao Senhor, em qualquer circunstância, independente do que ele nos dê. Ele já deu, e muito, no Calvário: o perdão dos pecados, a adoção de filhos, a vida eterna. Um amor tão grande merece uma fé grandiosa, como a de Tomé, que mostre que estamos dispostos a morrer por ele. Mas, quantos dos cristãos infantis que seguem a Jesus por causa de bênçãos, estariam dispostos a morrer por ele? Porque uma coisa é amar as bênçãos, e outra é amar o Senhor das bênçãos.</p>
<p>Conta-se a história de uma louca que carregava em uma das mãos um balde com água, e na outra um archote aceso. Quando lhe perguntavam o porquê de tão estranha bagagem, ela respondia: “Com esta água, eu queria apagar o fogo do inferno, e com este fogo incendiar o céu. Para que Deus fosse amado pelo que é e não temido ou amado pelo que pode fazer por nós”. De louca a mulher não tinha nada. Pelo contrário, até nos ensina uma lição: devemos estar dispostos a amar o Senhor até à morte, se preciso for. Pelo que ele é, e não por suas bênçãos.</p>
<p>Esta é a verdadeira fé, a que não faz de bênçãos a sua força motriz, mas que se origina no autêntico e sincero amor a Deus. Que cada um de nós tenha a coragem de Tomé, de caminhar com o Senhor em qualquer circunstância. Mesmo se for para o sofrimento. Até para a morte. Jesus merece nossa lealdade.</p>
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		<title>VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO&#8230;</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2010/07/vos-sois-a-luz-do-mundo/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 15:05:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[  Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho   Preparado originalmente para a revista “Você”, e publicado com a autorização da revista               Quem sai da bela e rica cidade de Marília para Lins, interior de S. Paulo, percorrerá cerca de 60 km. Mas ao sair de Marília já avistará o brilho de Lins, à noite. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p style="text-align: right;">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p> </p>
<p><em>Preparado originalmente para a revista “Você”, e publicado com a autorização da revista</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>            Quem sai da bela e rica cidade de Marília para Lins, interior de S. Paulo, percorrerá cerca de 60 km. Mas ao sair de Marília já avistará o brilho de Lins, à noite. Situada em plano mais alto, a cidade tem suas luzes vistas de longe. Esta figura se ajusta à palavra de Jesus, à qual hoje chegamos, em nossa caminhada pelo sermão do monte: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.14-16).</p>
<p>    <span id="more-1383"></span>        No tempo de Jesus não havia energia elétrica, e a iluminação era precária. Mesmo assim, as cidades eram visíveis de longe, pois as casas eram construídas de pedras calcáreas, brancas, brilhantes sob o sol e o luar. Se edificadas sobre um monte, eram mais nítidas ainda. Os caminhos eram mal sinalizados, mas as cidades, vistas de longe, serviam de orientação. Assim deve ser o seguidor de Jesus. Num mundo desorientado, em trevas, ele deve ser referencial.</p>
<p>A METÁFORA DA LUZ</p>
<p>            A metáfora da luz é muito forte na Bíblia. Ela foi a primeira criação de Deus (Gn 1.3). Na poesia hebraica simboliza o conhecimento, a orientação e oposição às trevas, símbolo do mal (“a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” &#8211; João 1.5). O sentido das palavras de Jesus é bem claro: seus seguidores devem servir de orientação para os que vivem nas trevas, e devem viver vidas opostas à vida daquele que vive em trevas.</p>
<p>            O cristão, aquele que segue a Jesus, tem uma vida transparente, sem nada para esconder. Deve iluminar e nortear quem vive sem Cristo. Este autor conheceu a Jesus na adolescência, em grave crise existencial que o deixou desorientado. Foi cercado por muitos adolescentes que seguiam sinceramente a Jesus, e lhe serviram de baliza. Até hoje agradece a Deus por aqueles adolescentes, crentes fiéis, que o ajudaram na fase mais difícil de sua vida. É assim que a luz faz. Ela orienta os desorientados.</p>
<p>UMA FIGURA QUE VEM DO ANTIGO TESTAMENTO</p>
<p>             A metáfora do povo de Deus como luz vem do Antigo Testamento. Em Isaías 60.1-3, Judá, o povo de Deus, está no cativeiro na Babilônia. O povo não tem alegria alguma (Sl 137). Recebe a mensagem de que será restaurado. Uma luz chegou sobre a nação (v. 1). O mundo, inclusive a poderosa, rica e culta Babilônia, jaz em trevas, mas a glória virá sobre Judá (v. 2), e ele será luz para o mundo (v. 3).</p>
<p>            O mundo estava em trevas, mas a glória de Deus viria sobre a nação e a iluminaria. Com a luz de Deus ela iluminaria o mundo. Esta figura, no Novo Testamento, se aplica à igreja de Jesus. Ele é a luz do mundo, como lemos em João 1.4 (“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”) e em João 8.12 (“Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida”).</p>
<p>            Esta luz de Jesus deve brilhar em nossas vidas e assim iluminar o mundo. Nós devemos refletir a luz de Jesus para quem está sem ele, nas trevas.</p>
<p>A METÁFORA DA CANDEIA</p>
<p>            Na continuação de sua palavra, Jesus fala da candeia que não é acesa para ser colocada debaixo do alqueire, mas no velador. A candeia era uma lamparina, e o alqueire era um cesto para medida de grãos. Era todo fechado, sem aberturas, para os grãos não vazarem. Colocar uma lamparina debaixo de um cesto faz com o que fogo seja apagado, por falta de oxigênio. Não somos uma luz para se extinguir. Não podemos ser sufocados pelos valores do mundo. Infelizmente, muitos cristãos acabam sendo sufocados, imitando o vocabulário, as gírias, a cultura e a  moralidade do mundo. Por falta de oxigênio, que vem da comunhão com Deus pela oração e pelo estudo de sua Palavra, se extinguem. Isto é uma situação ruim para tal tipo de cristão, que será cobrado pelo Senhor, mas é terrível para o mundo: “Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!” (Mt 6.23b). Se nossa luz se apagar, quem iluminará o mundo, que já anda tão desorientado? Deus nos cobrará isto!</p>
<p>            A lamparina deveria ser colocada no velador, uma espécie de prateleira ou cantoneira, em boa altura, de modo a ter sua luz espalhada por todo o ambiente. Quanto mais alta estivesse, dentro da casa, mais brilharia. Da mesma maneira, quanto mais alto estivermos, do ponto de vista espiritual, mais brilharemos para iluminar o mundo.</p>
<p>UMA LUZ BRILHANDO NO ALTO</p>
<p>            Mas esta palavra de Jesus deve ser vista também como um desafio para o progresso na nossa vida. Sendo luz para o mundo em trevas, não somos gente de pouco valor. Muito pelo contrário. Temos muito valor. E devemos, além do crescimento espiritual e moral, para iluminarmos os que estão em trevas, buscar o crescimento na vida material.</p>
<p>            Nunca se contente em ser uma pessoa irrelevante ou inexpressiva. Ou, como se costuma dizer, um zero à esquerda. A Bíblia diz para não sermos  ambiciosos e gananciosos, mas não para sermos opacos. A luz é melhor que as trevas. Nós, como luz, precisamos crescer. O seguidor de Jesus deve representá-lo em qualquer segmento da vida em que esteja, mas não deve se contentar em ficar por último. A divisa da cidade de S. Paulo é <em>Non ducor, duco</em>, que significa “Não sou conduzido, conduzo”. Esta deve ser também a divisa do cristão. Ele não é conduzido pelo mundo, mas conduz o mundo. Deve aspirar ao melhor, subir na vida profissional, ser o melhor na profissão que escolher. E de lá, de cima, inspirar pessoas, iluminar vidas, marcar pessoas com a luz de Jesus.</p>
<p>            Se você puder subir, suba. Galgue os mais altos degraus na carreira que escolher, seja qual for. Ocupe os espaços principais. Se alguém da luz não sobe, sobe alguém das trevas. Temos deixado pessoas das trevas conduzirem os rumos da sociedade. Por isso, suba, mas ao subir, não deixe Deus no degrau de baixo. Suba com ele, para a glória dele, para que a luz dele que está você ilumine o mundo.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>            Lembremos as palavras finais desta figura de linguagem de Jesus: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.</p>
<p>            Somos os instrumentos pelos quais nosso Pai pode brilhar no mundo. Não nos esqueçamos disto. Que brilhe a nossa luz! E do alto!</p>
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		<title>RAZÃO E SENSIBILIDADE</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 14:23:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10.16) O filme inglês Razão e Sensibilidade (1995) narra a história de duas irmãs que diante das dificuldades financeiras da família adotaram formas diferentes de enfrentar a vida: uma, mais prática, valeu-se da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos;</em></p>
<p><em>portanto, sede prudentes como as serpentes </em></p>
<p><em>e simples como as pombas” (Mt 10.16)</em></p>
<p><a href="http://www.isaltino.com.br/wp-content/uploads/2010/07/razao.png"><img class="alignleft size-full wp-image-1377" title="razao" src="http://www.isaltino.com.br/wp-content/uploads/2010/07/razao.png" alt="" width="400" height="304" /></a> O filme inglês <em>Razão e Sensibilidade (1995)</em> narra a história de duas irmãs que diante das dificuldades financeiras da família adotaram formas diferentes de enfrentar a vida: uma, mais prática, valeu-se da razão como condutora de suas decisões, e a outra apoiou-se na emotividade como resposta. Na verdade, e a grosso modo, este é um pêndulo que todos nós precisamos aprender a nos equilibrar.</p>
<p>Carl Gustav Jung desenvolveu a teoria que possuímos  quatro funções psicológicas fundamentais: <em>pensamento, sentimento, sensação e intuição.</em> A seu ver, saudável é aquele capaz de transitar bem em cada uma dessas funções, para poder dar a melhor resposta que o momento exige. Coisa difícil, pois o problema é que costuma haver a preponderância de uma delas, que ele chama de “função superior”, e uma conseqüente dificuldade de transitar pelas outras funções.</p>
<p>Jesus deseja trazer unidade, equilíbrio e estabilidade à nossa personalidade. Da mesma forma que o Eterno organizou o caos do Universo, ele também pode trazer harmonia e beleza a cada um de nós. Ao preparar seus discípulos para enfrentar as duras experiências da vida de fé, Jesus advertiu-lhes para que fossem <em>“prudentes como as serpentes e simples como as pombas”</em>. Ou seja, o Mestre os instruiu para combinar a prudência, sagacidade e inteligência própria dos ofídicos, aliada à simplicidade das pombas. Numa tradução mais livre, que complementassem a razão com a sensibilidade.</p>
<p><span id="more-1376"></span></p>
<p>Quando não desenvolvemos adequadamente a razão, tornamo-nos presas fáceis dos enganos e sofismas, e alguns, “tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé&#8221; (1Tm 1.19). Somente crer não basta: também é preciso pensar corretamente.</p>
<p>Abandonando a razão e a boa consciência, nos tornamos como irracionais, e foi isso que quase levou o salmista Asafe a “escorregar”. Mas ele confessa e reconhece a origem de seu problema: “eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à Tua Presença” (Sl 73.22).</p>
<p>A irracionalidade nos aproxima dos animais e nos leva a agir  mediante impulso. “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento” (Sl 32.9), diz a bíblia. Confesso que os erros cometidos em minha vida – e não foram poucos –  quase sempre ocorreram quando deixei a razoabilidade de lado. Ao abandonar a racionalidade, passamos a decidir com o fígado. Creiam-me: a bílis é uma péssima conselheira.</p>
<p>A primeira vítima do agir irracional é o diálogo. Já tentou conversar, num bom nível, com alguém exasperado? Desista, pois as palavras que você diz nunca serão as palavras ouvidas. Muitos confessam depois: “fiquei como fora de mim”. Ora, quem está “fora de si” não tem como analisar corretamente o que estão lhe falando. Peça para alguém irado definir algumas pessoas ao qual não mantém bom relacionamento, e você verá o quanto a raiva “deforma” e “demoniza” o outro. É por isso que Paulo pede que  “a paz de Cristo seja o árbitro no coração”.</p>
<p>Há sempre a possibilidade de o pensamento tornar-se a “função superior”.  Até aí nada demais, porém se ele estiver desacompanhado da sensibilidade, para lhe dar equilíbrio, sensatez e temperança, o resultado pode ser nefasto.  A posse da razão, sem o freio da sensibilidade,  torna as pessoas cruéis, cheias da “verdade”. Deus nos livre dos cheios de razão.</p>
<p>Quando os aspectos saudáveis da sensibilidade são rejeitados, sem possibilidade de aflorar para fazer parte da personalidade, acaba por deixar a pessoa “pesada”, faltando-lhe a leveza, o bom-humor, o chiste. Ora, tudo que é rejeitado em nós ou impedido de se manifestar não pode contribuir no desenvolvimento do ser. E o que é pior: adoenta.</p>
<p>Por outro lado, possuir sensibilidade sem o apoio da razão produz gente “hipersensível”, que faz drama dos menores e irrelevantes acontecimentos, dá um valor excessivo aos seus sentimentos, e o mundo é visto e julgado – não a partir da realidade – mas do que ele está sentindo. É claro que se decepciona facilmente com todos que o cercam, e vive em constante flutuação emocional.</p>
<p>É preciso saber para que lado pendemos e que aspectos importantes da vida não estão sendo vivenciados. O Senhor espera de nós um desenvolvimento de todas as funções próprias de uma personalidade saudável. Se assim não for, ficaremos eternamente presos às reações infantis, e aos pensamentos próprios da adolescência.</p>
<p>As coisas espirituais são assim: requerem o empenho da totalidade da constituição de nosso ser, para que não sejamos cristãos “mancos” que vivem parcialmente de suas funções. É por isso que somente podemos amar a Deus de verdade se for de todo nosso coração, toda nossa alma, todo nosso entendimento e toda nossa força (Mc 12.30).</p>
<p>Pr. Daniel Rocha</p>
<p><a href="mailto:dadaro@uol.com.br">dadaro@uol.com.br</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>QUANDO A IGREJA É AFETADA PELO QUE HÁ DE PIOR NA CULTURA DO MUNDO</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 13:06:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho Fui com a esposa à costureira, num ateliê ladeado por duas igrejas evangélicas, e outra em frente.  Da BR 040 até a quadra onde resido, a distância é de 2,3 km. Há treze igrejas evangélicas. Porque uma fechou. Após minha quadra há uma área de preservação ambiental. Na quadra seguinte, mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">
Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Fui com a esposa à costureira, num ateliê ladeado por duas igrejas evangélicas, e outra em frente.  Da BR 040 até a quadra onde resido, a distância é de 2,3 km. Há treze igrejas evangélicas. Porque uma fechou. Após minha quadra há uma área de preservação ambiental. Na quadra seguinte, mais seis igrejas. Sem retórica: há mais igrejas que bares.</p>
<p>A proliferação de igrejas deveria ser saudável. Mas preocupa, pois boa parte delas não tem conteúdo. A placa “igreja” pode abrigar um grupo longe do conceito bíblico de igreja. Pode ser apenas um lugar onde pessoas se reúnem e cantam cânticos de auto-ajuda, fazem catarse, ouvem um discurso estimulante, mas sem alusão ao conteúdo do Novo Testamento, sem menção a Jesus. Às vezes paro na porta e observo o que se canta, prega e faz. Faixas de propaganda (a competição é feroz!) anunciam semana de posse, recuperação de bens, vitória sobre o Devorador, felicidade, prosperidade, cura, saúde, etc. Uma anunciava a semana para recuperar um amor perdido. É a teologia da dor de cotovelo. Outra dizia para levar peças de roupas, que seriam ungidas. Neste frenesi, uma anunciava “óleo ungido”. Como se unge óleo?</p>
<p><span id="more-1365"></span></p>
<p>Perguntei a um obreiro de uma dessas igrejas por que não ficara em sua denominação, que é séria, e se ofereceu para dirigir um ponto de pregação, e crescer com o trabalho. Ele disse: “Quero ter o meu ministério!”.</p>
<p>Eis o ponto. As pessoas querem ter <em>seu</em> ministério. Parece que Jesus deixou uma franquia, gratuita por sinal, que qualquer um pode assumir. A ênfase hoje é nos ministérios de apóstolos, bispos e pastores. Eles lutam entre si, por poder, e alguém sai atirando contra seu grupo, e faz seu ministério. Ataca ex-colegas, a ex-denominação, e vai “servir a Deus por conta própria, conforme a visão que Deus lhe deu”. Julga-se um novo Lutero. Mas com causa pessoal.</p>
<p>Na realidade, três aspectos da cultura secular atual influenciam a proliferação das igrejas: (1) O individualismo e a seqüente rejeição de autoridade; (2) A superficialidade cultural; (3) A busca de felicidade. Comentarei cada um, rapidamente, vendo sua participação.</p>
<p>1. Sobre o individualismo: há uma ênfase exagerada no indivíduo sobre a instituição. Há muitos ministérios pedindo dinheiro para se manter. Não se subordinam a igreja alguma. Não se sabe a quem prestam contas do dinheiro e de suas atitudes. São autonormativos. Contornam a autoridade da igreja, pondo-se acima dela. Pegam carona na má vontade de crentes irados com a igreja, alguns com dificuldades de relacionamento e subordinação. Mas Deus não deu missão a pastores, e sim à igreja. Ele deu pastores à igreja, para ela cumprir sua missão (Ef 4.11), mas não deu a missão a pastores. No Novo Testamento, pastores são servos e não senhores da igreja. O primeiro envio de missionários foi feito pela igreja de Antioquia (At 13.1-3). A ênfase hoje é no obreiro. Há um forte culto à personalidade. Muita carreira solo. O sujeito perde uma eleição na sua denominação, funda seu ministério. Peca, recusa correção, funda seu ministério. Briga por dinheiro, funda seu ministério. Cultua-se o obreiro, e assim, homens são endeusados. A marca mais forte do individualismo é o foco na pessoa, recusando cooperação, solidariedade e subordinação. Os líderes de ministérios se atacam, brigam em bastidores, são dramáticos (um deles se dizia ameaçado de morte). Ninguém está acima da crítica nem é dono da igreja. Quando disseram a Lutero que seus seguidores estavam se chamando de luteranos, ele disse: “Quem sou eu? Quem é Lutero, para dar nome à igreja de Cristo? Eu sou um saco de vermes!”. Fica-me a impressão de que estão loteando a igreja de Jesus, erigindo impérios econômicos, à sombra de uma teologia manca segundo a qual, como filhos do Rei, temos direito ao melhor. Os pastores, elite dos filhos do Rei, merecem mais ainda. Os pastores somos servos de um homem que optou pela austeridade material: “Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20).</p>
<p>Ter recursos é melhor que a penúria. Mas Jesus não pode ser pretexto para formação de riquezas. Pastor não fez opção pela pobreza, mas não pode usar o ministério para enriquecer. Há gente querendo enriquecer, orgulhando-se, e dizendo que a prova de que Deus está do seu lado é sua riqueza material. Muito da dignidade do ministério se esvai pela ganância e voracidade material. Ouvi esta conversa, numa loja (tive que ouvir, a pessoa gritava no celular): “Irmã, aqui é a missionária Beltrana. Sabe aquela televisão? Tem aqui na loja Tal. Se quiser me dar, eu aceito!”. Isto é deprimente. Um obreiro de Jesus não coage pessoas a lhe presentearem. Tem dignidade. Deus cuida do obreiro fiel, e nada lhe falta. Mas ele não manifesta cupidez por coisas.</p>
<p>Os fiéis seguem o líder. Querem suas carências atendidas, sem compromisso. São assistentes, sem se engajar na igreja. Não são servos de Jesus e da igreja, mas filhos do Rei. O ministério do Pr. Sicrano lhes presta um serviço: satisfaz sua necessidade de adoração (leia-se: colocar suas emoções para fora), massageia-lhes o ego com mensagens tipo “Quem mexeu no meu queijo?”, espera contribuições e não pede engajamento na obra. Não prega o abandono do pecado. É a religião ideal: a pessoa paga e recebe o produto, um bem inelástico, que a deixará satisfeita. O fiel imita Mica: faz seu credo pessoal, escolhe seu sacerdote, paga, e espera a bênção (Jz 17 e 18). Mas no final, como Mica, poderá ficar sem dinheiro, sem seu sacerdote, e frustrado.</p>
<p>O individualismo triunfa sobre o grupo “igreja”. Tanto para o líder, posto acima da instituição (apesar dos seus defeitos, a igreja é instituição divina), como para o fiel, que paga para receber o que espera. O foco não é Cristo crucificado. É o homem. Não é o projeto de Deus. É o da pessoa.</p>
<p>2. Sobre a superficialidade cultural: o mundo é medíocre e promove uma cultura aguada. Isto se reflete no tipo de evangelho pregado e vivido nas igrejas. Honestamente: muitas vezes tenho vergonha de me dizer evangélico. O termo é sinônimo de ignorante, no meio secular. Seguimos a toada do mundo. Temos pregações fracas e cânticos medíocres, na letra e na música. A pobreza musical da maioria de nossos corinhos, pomposamente chamados de “louvor”, é tão notória que dispensa argumentação comprobatória. Só uma geração de poucas letras e fraco gosto musical se deleita com a maior parte eles.</p>
<p>A banalização midiática, aliada à visão de que toda manifestação cultural é rica, cheia de significado, nos fornece uma tranqueira pobre, dimensionada como bem cultural. Pichar é arte. Espancar uma bateria é arte. Borrões em tela são arte. Ajunte-se a preguiça cultural, pois nossa época é de <em>fast food</em>. Não se pesquisa, mas copia-se da Internet. Baixam-se sermões da Internet. O gerundismo mostra a dificuldade de se lidar com o idioma. Não se usa mais o verbo no infinitivo nem reflexivamente. É um tal de “você”, que aborrece. A obstetra dizia, em entrevista, ao repórter: “Quando você sente as dores do parto”. Nem querendo o repórter poderia sentir dores de parto. E vem o comentarista da Globo: “Quando você treina essa jogada, você sabe como é difícil”. Eu não treino jogada nenhuma, cara pálida. Escrevo uma coisa, o sujeito lê outra, e me desce o tacape por eu ter dito o que não disse. Bem, apenas 23% dos brasileiros conseguem ler e interpretar um texto. O nível cultural é fraquíssimo.</p>
<p>Pastor que estuda é ironizado. O professor é um fracassado. É melhor dar uma bola de futebol ao filho que colocá-lo a estudar. Neste contexto, as pessoas não têm capacidade de análise. Aceitam qualquer coisa. Afinal, como disse um político, livro é como aparelho de ginástica: a gente vê e corre. Ninguém quer ler. Quantos crentes lêem a Bíblia diariamente? Quantos já a leram toda? Soou-me absurdo uma pesquisa mostrando que mais da metade dos pastores nunca leu a Bíblia toda. Quantos lêem livros teológicos, estudam, preparam mensagens? Temos púlpitos fracos, de um lado, e gente desinteressada em ouvir alguma coisa, de outro. As pessoas não querem ler, nem ouvir. Querem falar e se soltar. Isto explica o “louvorismo” de nossas reuniões. Ele fornece sentimentos e sensações, mas nenhuma substância. O evangelho se torna um amontoado de sensações, e não a fé na pessoa de Jesus.</p>
<p>Despreparado, o rebanho se torna prato cheio para líderes sagazes. Formatado por imagens e não por letras, o indivíduo despreza a leitura. Gosta de tevê, com luzes, sons e movimentos. Somos uma cultura cada vez mais icônica e cada vez menos letrada. Todo o processo de educação religiosa de nossas igrejas se perde diante da imagem com movimento e som da igreja eletrônica.</p>
<p>A mediocridade do mundo migrou para a igreja. Ao invés de ser modelo, ela é cópia de um mundo pobre, de valores banais. A geração na qual fui adolescente, a dos anos sessentas, queria reformar o mundo. A atual quer o melhor do mundo. A igreja age assim. Ela quer o melhor do mundo, um mundo medíocre, e não mudá-lo.</p>
<p>3. A busca de felicidade. O mundo quer felicidade. Os crentes também a querem, e a igreja, para fidelizar clientes, a oferece. Não no céu, que vai demorar, mas aqui na terra. Esta busca infantil de felicidade, como se fosse uma mercadoria vendida em loja, é responsável por pregação que não corrige nem chama à santidade. Os cultos são roteirizados para que as pessoas se sintam bem, e saiam satisfeitas. A imperfeição e o desagradável devem ser varridos para baixo do tapete. Nos tempos do <em>revival</em>, muitas igrejas tinham os “bancos de confissão”, onde as pessoas que queriam confessar os pecados a Deus se sentavam, mostrando publicamente seu arrependimento. Hoje as pessoas são chamadas para receber a “oração poderosa que quebrará as correntes dos males da vida”.</p>
<p>A proclamação da cruz sumiu diante do oferecimento do trono. A situação de servos de Deus recuou diante do <em>status</em> de filhos do Rei, que reivindicam seus direitos. Embora haja vinte e quatro ocorrências no Novo Testamento sobre “vontade de Deus”, pregadores adoçam a boca de seus ouvintes dizendo que pedir segundo a vontade de Deus é falta de fé. Devemos exigir nossos direitos. Direito é mérito. Temos graça, não mérito. São a graça e a bondade de Deus que nos mantêm vivos. Há um evangelho antropocêntrico, com um Deus que nos deve e se vê obrigado a nós. Este baixo conceito de Deus fere sua dignidade, e distorce toda a teologia. O mantra de Tetzel, “Deus nosso Senhor não é mais Deus; confiou todo seu poder ao Papa”, se transmutou. Agora é “Deus nosso Senhor não é mais Deus; confiou todo seu poder ao ministério Tal”.</p>
<p>Esta visão responde pela perda de santidade e pelo triunfalismo infantil de tantos.   Confunde-se fé com arroubo e auto-suficiência. As pessoas firmam seus sonhos pessoais como sendo a vida cristã. Não anseiam pela vontade de Deus, nem aspiram à santidade. Querem ser felizes, alegam ter direitos, e ditam a agenda para Deus.</p>
<p>A mesquinhez de uma sociedade egoísta moldou a igreja. Quando uma igreja não contribui para fim denominacional ou missionário algum, não tem um missionário sequer, um ponto de pregação sequer, e gasta uma fábula com sua quadra de esportes, podemos perguntar: “Qual o conceito de igreja desses crentes?”. Buscam alegria, festa, bem-estar, felicidade. Encontrarão isto fora do projeto de Deus para eles? Há felicidade fora do ensino bíblico?</p>
<p>Alternativa? Sim, há. Uma igreja se reformando à luz da Escritura. Buscando seu rosto no Novo Testamento. Analisando sua prática litúrgica e todo o seu modo de ser à luz da Palavra. Uma volta ao Novo Testamento. Pastores e teólogos devem analisar suas pregações e ensinos à luz da Escritura. A Bíblia não pode ser interpretada pela cultura do mundo. Nem pela cultura da igreja. Estas devem ser avaliadas por ela. Precisamos retornar à Bíblia, ao evangelho da cruz, ao Cristo Exaltado, à pregação de um Deus santo e soberano.</p>
<p>As opções são uma nova Reforma e um novo Reavivamento (que não significa gritaria). Como disse Schaeffer: “Reforma se refere ao restabelecimento da doutrina pura; reavivamento se refere à restauração da vida cristã (&#8230;) Os grandes momentos na vida da igreja sucederam quando essas duas restaurações aconteceram simultaneamente: quando a igreja retornou à pura doutrina, e a vida dos cristãos conheceu o poder do Espírito Santo” (<em>Death in the city, </em>p. 12).</p>
<p>Precisamos de homens e mulheres comprometidos com a Bíblia, que amem a igreja, de espírito serviçal, que queiram glorificar ao Senhor Jesus. Assim, a cultura secular não triunfará sobre o evangelho, e o evangelho verdadeiro será conhecido no mundo.</p>
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		<title>QUANDO JESUS SE ATRASA…</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 19:15:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho “Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava” (João 11.6). Fugindo dos que queriam prendê-lo, Jesus “retirou-se de novo para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali ficou” (Jo 10.40). Este lugar era Betânia (“Estas coisas aconteceram em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">“Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava” (João 11.6).</p>
<p>Fugindo dos que queriam prendê-lo, Jesus “retirou-se de novo para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali ficou” (Jo 10.40). Este lugar era Betânia (“Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando” &#8211; Jo 1.28). Estamos agora no ciclo de atividades de Jesus em Betânia. Talvez estivesse um pouco distante da cidade ao ser informado que Lázaro, que morava em Betânia (11.1), estava doente. Ele se demorou mais dois dias para visitá-lo (11.6). Quando chegou ele havia sido sepultado há quatro dias (11.17). Sua caminhada demorou dois dias.</p>
<p><span id="more-1360"></span>As tentativas de localizar onde ele estava lidam com a ausência de detalhes de João. Não sabemos onde ele estava. Betânia ficava na Judéia. Ele deveria estar fora da Judéia, à luz de 11.7 (“Depois disto, disse a seus discípulos: Vamos outra vez para Judéia”). Ele quer dizer que, mesmo sob risco de morte, voltará à Judéia, para visitar Lázaro.  A questão é que ele se demorou até Lázaro morrer. Só depois de sua morte é que ele resolveu visitá-lo. Visitar defunto? O fato é que Jesus se atrasou no socorro pedido. As irmãs esperavam seu socorro, tanto que lhe disseram que se ele estivesse lá, Lázaro não teria morrido (vv. 21 e 32).</p>
<p>Jesus chegou atrasado. Este é um problema que muitos de nós enfrentamos. Por que ele chega atrasado, algumas vezes, em meio aos nossos problemas? Por que não ouve nosso clamor, de imediato? Por que tarda? Em outras palavras: por que Deus não cuida melhor de nós, e impede que as dificuldades se avolumem?</p>
<p>A resposta vem no versículo 4: “Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Nossa preocupação é “salvar nossa pele”. Deveríamos ter a mente de Jesus: nossas aflições servem que ele seja glorificado em nossa vida. Por isso ele se “atrasa” muitas vezes. “Atrasa” aos nossos olhos, pois aos seus ele sempre age na hora certa. O que causaria mais impacto: curar uma enfermidade ou ressuscitar um morto de quatro dias? Os judeus criam que a alma de um homem levava quatro dias de caminhada, de seu corpo até o <em>xeol.</em> No quarto dia, ela estava definitivamente encerrada. Jesus mostra que seu poder sobre a morte é tão grande que ele abre as portas do <em>xeol </em>e traz um homem de lá. Ele tem poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos.</p>
<p>“Lázaro” é a forma aramaica de “Eleazar”. Literalmente, <em>Él’azar.</em> Significa “Deus é misericórdia”. “Betânia” é o hebraico <em>Beit’aniah, </em>“casa da pobreza”. Na casa da pobreza, Jesus teve misericórdia de sofredores, e agiu com grande poder. Enriqueceu aquelas vidas. Não com bens, mas ajudando-as e glorificando-se. Hoje, a cidade se chama <em>El-Azarya</em>, associada ao nome de Lázaro. Deixou de ser casa da pobreza para ser o lugar da misericórdia de Deus.</p>
<p>Quando você pensar que Jesus está se atrasando para socorrê-lo, pense que sua demora é para mostrar mais poder, ainda, e para ser glorificado em sua vida. Este deve ser nosso maior anseio: que ele seja glorificado em nosso viver.</p>
<p>E lembre-se: Jesus transforma a casa da pobreza em lugar de misericórdia.</p>
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		<title>AS LEIS DO FENÔMENO LIDERANÇA</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 12:06:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Quirino]]></category>

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		<description><![CDATA[Dr. Marcelo Quirino Psicólogo Clínico/UFRJ www.marceloquirino.com Estive lendo, quer dizer, ouvindo o audiobook de John Maxwell sobre o que ele considera serem as 21 leis irrefutáveis da liderança. É um bom livro para termos uma compreensão geral e introdutória do fenômeno da liderança. Neste livro, o autor apresenta algumas leis imprescindíveis que qualquer líder deverá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Dr. Marcelo Quirino Psicólogo Clínico/UFRJ<br />
<a href="http://www.marceloquirino.com/" target="_blank">www.marceloquirino.com</a></p>
<p>Estive lendo, quer dizer, ouvindo o audiobook de John Maxwell sobre o que ele considera serem as 21 leis irrefutáveis da liderança. É um bom livro para termos uma compreensão geral e introdutória do fenômeno da liderança.</p>
<p>Neste livro, o autor apresenta algumas leis imprescindíveis que qualquer líder deverá seguir para lograr êxito na sua missão de tornar-se e permanecer líder.</p>
<p><span id="more-1355"></span>Temos apresentado no livro a lei da influência, do respeito, da base sólida, da intuição, da navegação e outras que constituem modos de funcionamento determinantes para as relações humanas. O termo lei é bem empregado porque liderança é da ordem de um fenômeno.</p>
<p>Como todo fenômeno, a liderança também se submete a leis, possui uma multiplicidade de fatores-causa que podem ou não variar para produzir a influência, é explicável e também pode ser reproduzida intencionalmente ou acontecer ao acaso, sem que esse acaso signifique ausência de fatores determinantes.</p>
<p>Como todo fenômeno, a liderança é também multideterminada. Isso significa que não basta meia-dúzia de fatores para produzi-la. A liderança é determinada pelas mais diversas condições, tais como o meio ambiente, as pessoas, os fatos, as decisões, os valores, a cultura, etc.</p>
<p>Manipular eficazmente essas dimensões é o desafio do pretenso líder. O líder tem o objetivo de produzir o fenômeno da liderança no seu grupo observando que antes de serem passo a passo para o êxito, as leis são forças que explicam tal fenômeno.</p>
<p>Essas leis atuam em todas as sete dimensões da liderança (vide artigo “As 7 Dimensões da Liderança”) e dão conta de explicar os fatores que estão em funcionamento no processo de liderar. O que não podemos esperar é que todas essas leis podem ser alcançadas e desempenhadas ao mesmo tempo.</p>
<p>Dominá-las por completo é um ideal que não deve servir de desestímulo, mas de reflexão para o processo contínuo de melhora, segundo a própria Lei do Processo.</p>
<p>Há de se entender que a base da liderança é a influência, nada mais. Contudo, existem diversos tipos de influência e o líder deve saber quais são as tipologias mais adequadas para determinado tipo de grupo. Por exemplo, a influência por espiritualidade não é o tipo de influência que determinará a ação de militares.</p>
<p>Ao produzir intencionalmente a influência, o líder não deve perder de vista que isso será um fato artificial, uma vez que sairá da naturalidade das relações humanas e passará ao intencional. Isso implica que a liderança será um eterno aprendizado, pois as condições em que a liderança pode ser exercitada são infinitas. Nesse ínterim, líderes autocráticos e narcisistas não têm vez.</p>
<p>A liderança é um fato social básico de todas as relações humanas e acontece naturalmente onde há seres humanos. A artificialidade da liderança significa apenas que esse fato será intencionalmente produzido.</p>
<p>Ao buscar desenvolver a influência de modo intencional, o pretenso líder sairá do domínio do acaso e do natural para buscar mais segurança num tipo de influência específica para o grupo em que se encontra.</p>
<p>Um líder nunca deve pressupor que é líder por si mesmo. Isso é ignorar o princípio axiomático de que a liderança é um fenômeno. Um líder nunca deve pressupor que sua liderança é confortavelmente transportada para diversos grupos sem nenhum efeito ou custo.</p>
<p>Esse pensamento equivocado cria líderes autoritários, que pensam que seus subordinados são insubmissos. Mas na verdade são liderados não conquistados devido à incompetência do líder em saber que a liderança é uma conquista e não uma dádiva de sua personalidade ou espiritualidade.</p>
<p>Saber que liderança é um fenômeno não é apenas um mero conhecimento. Isso implica posturas para produzir a influência de forma contínua, artificial e eternamente adaptada. O livro “O Monge e o Executivo” demonstra esse principio da artificialidade ao expor que a responsabilidade do líder é desenvolver modos de aumentar o campo de abrangência da sua influência através da postura de servo, o que Cristo fez, mesmo sendo O Filho do Homem.</p>
<p>O livro é de boa leitura e concentra de forma prática, objetiva e concreta as leis que operam para determinar o processo de influência humana. Esse processo obedece a leis, é complexo e extrapola as características da pessoa do líder.</p>
<p>Portanto, o verdadeiro líder é aquele que não precisa apontar para si mesmo e indicar quem é o líder. Se o líder faz isso, em si já é um sinal de que não é o líder. E de quem é a culpa? Dos liderados que não souberam reconhecer a beleza de personalidade que tem o ‘líder’ ou da incompetência da liderança em manejar a artificialidade desse fenômeno complexo?</p>
<p>Contudo, cada vez que o líder precisa diversificar seus modos de influência, se torna mais líder. Para ser mais líder é preciso saber que influência não será fenômeno natural dado em todas as circunstâncias e lugares, mas sim desenvolvido para cada novo grupo.<br />
Marcelo Quirino<br />
Psicólogo Clínico (UFRJ)<br />
Fone (021) 8260.6966<br />
<a href="http://www.marceloquirino.com/" target="_blank">www.marceloquirino.com</a><br />
<a href="http://twitter.com/quirinopsico" target="_blank">http://twitter.com/quirinopsico</a><br />
Protegido por YHWH</p>
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		<title>A VIDA DE QUEM AMA MISSÕES</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 12:31:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho Eu era professor na Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, fim da década de setenta, prestes a entrar nos meus trinta anos. Na capela da Faculdade falou-nos Helena Bagby Harrison, filha do casal Bagby, iniciador do trabalho batista entre brasileiros. Bem idosa mesmo. Desde sua figura física até o fim de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Eu era professor na Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, fim da década de setenta, prestes a entrar nos meus trinta anos. Na capela da Faculdade falou-nos Helena Bagby Harrison, filha do casal Bagby, iniciador do trabalho batista entre brasileiros. Bem idosa mesmo. Desde sua figura física até o fim de sua palavra fiquei totalmente desnorteado. Ela contou a história de seus pais, como sua mãe morrera, em um vôo, e o piloto, que fora seu aluno, retornou com o avião, dizendo que morrera uma princesa a bordo, “a Princesa dos Batistas Brasileiros”.</p>
<p><span id="more-1352"></span>Contou ainda outros eventos e eu fui diminuindo de tamanho, enquanto a ouvia. Diante de mim estava uma pioneira, filha de pioneiros, cuja vida toda foi em função da evangelização do Brasil. Profundamente comovido, fazendo força para não chorar, entreguei-lhe o que tinha na mão, um comentário sobre os profetas menores, escrito por Crabtree (eu o usaria para uma citação na aula sobre Obadias), e pedi que ela autografasse. Guardo este livro com carinho especial: tem o autógrafo de Helena Bagby Harrison, uma gigante da obra missionária.</p>
<p>Aquela palavra foi muito significativa para mim. Eu estava em fase de decisão. Continuaria no ministério? Valia a pena insistir em uma atividade pouco rendosa, do ponto de vista material, enfrentando ovelhas problemáticas e convivendo com colegas de ministério com os quais não simpatizava, mas com quem tinha que trabalhar? Não seria melhor fazer outra coisa na vida? A fala calma e lenta de uma senhora idosa cuja vida toda girara em função da evangelização do Brasil me respondeu: SIM, VALIA A PENA. Era uma anciã realizada, filha de pais legendários, ela mesma uma legenda. Gente realizada porque envolvida com missões. Helena Bagby Harrison me sinalizou que uma vida dedicada à evangelização e missões vale a pena.</p>
<p>Muitos crentes levam vidas insípidas, são insatisfeitos e sempre buscam algo coisa mais. Alguns pulam de doutrina em doutrina, de igreja em igreja, apegam-se a detalhes teológicos e questões eclesiásticas com um vigor incomum. Muitas vezes apenas uma tentativa de encontrar sentido para sua vida espiritual. Precisam de uma causa, dentro da Causa, para se realizarem.</p>
<p>Paixão por evangelização e missões dá sentido à vida espiritual. Primeiro, porque é produto de experiência com Deus: “não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido” (At 4.20). Depois porque é produto de paixão pelo evangelho de Jesus. É o desejo de que todos experimentem a salvação que há no Filho de Deus. Há gente apaixonada por Tillich, por Barth, por Calvino, mais que pelo Cristo Crucificado: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2).</p>
<p>Li a biografia de Bagby quando era moço. Impressionou-me sua paixão pela evangelização do Brasil e sua imensa capacidade de trabalho. Ouvindo sua filha, já anciã, dar testemunho da vida dos pais, ficou-me a certeza: a vida comprometida com o evangelho de Jesus, ocupada com evangelização e missões, é uma vida rica, cheia de sentido. Ter coração missionário não faz bem apenas ao mundo sem Cristo, que é evangelizado. Faz bem ao próprio crente. Ele se realiza em fazer a vontade de Deus, anunciando o evangelho. São formosos os pés dos que anunciam o evangelho (Rm 10.15). Não são menos formosos os pés do que promovem missões, amam missões, oram por missões, contribuem para missões. São pessoas assim que provêem o sustento financeiro e espiritual dos missionários.</p>
<p>Os Bagby gastaram suas vidas pela evangelização do Brasil. Felizes os que amam, os que fazem e os que sustentam missões.</p>
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		<title>O LIVRO DE JÓ</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 14:23:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Alguém denominou o livro de Jó de “a noite tenebrosa da alma”. O reformador Lutero o considerava como “o maior livro da Bíblia”. Para Carlyle, é “o maior livro já escrito”. Isto mostra que é mesmo um escrito fascinante. Eis o seu enredo, em linhas gerais: o personagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Alguém denominou o livro de Jó de “a noite tenebrosa da alma”. O reformador Lutero o considerava como “o maior livro da Bíblia”. Para Carlyle, é “o maior livro já escrito”. Isto mostra que é mesmo um escrito fascinante. Eis o seu enredo, em linhas gerais: o personagem central, descrito como um homem íntegro, é degradado, ao extremo, em quatro níveis. <em>Materialmente</em>, passa da riqueza à pobreza; do bem estar à calamidade.   <em>Socialmente</em>, passa da honra ao desprezo. <em>Fisicamente</em>, da saúde à doença. <em>Emocionalmente</em>, da alegria ao desespero. Seus sofrimentos seguem num crescendo. Atônito, ele se recolhe para pensar, e após uma longa reflexão sobre o que lhe acontecera, explode em três porquês: (1) Por que nasci? (3.11), (2) Por que não morri ao nascer? (3.12), (3) Por que não morro agora? (3.20-22). Ele deseja a morte e amaldiçoa o dia em que nasceu (3.1-4). Sai situação era calamitosa. Primeiro, ele perdeu os bens (1.13-22). Depois, perdeu a saúde (2.7-8). A mulher, que deveria apoiá-lo, o aconselhou a se matar (2.9).<span id="more-1344"></span></p>
<p>Alguns amigos, ouvindo o falar do que lhe acontecera,  vêm aconselhá-lo, e acabam se mostrando como sendo um desastre. Enquanto ficaram calados, ajudaram-no muito, como apoio moral. Mas quando abriram a boca foi uma desgraça. Acusaram-no, do princípio ao fim. O que deveria ser conforto tornou-se uma discussão teológica. E desembocou numa torrente de acusações morais e espirituais ao sofredor. Jó se defendeu ferrenhamente das acusações. Quando o livro parece chegar a um impasse, em seu final, com todos argumentos expostos, um moço se levanta, contesta os amigos de Jó e ao próprio. E como <em>gran finale</em>, Deus aparece em um redemoinho, inquire a Jó, mostra-lhe sua ignorância, repreende os seus amigos. Jó vai orar pelos amigos, e, neste momento em que ele intercede pelos amigos, Deus muda sua situação. A história termina com ele recebendo o dobro do que tinha. A expressão final, “velho e farto de dias”, era uma expressão clássica para designar uma vida realizada.  Ele terminou com um homem realizado.</p>
<p>TÍTULO &#8211; Como Rute e Ester, o título homenageia o herói do livro &#8211; Jó &#8211; cujo nome, em hebraico, <em>yob</em> significa “o odiado, o perseguido”.  O mesmo nome, em árabe, significa “o arrependido, o recuador, o reparador”.  Talvez o sentido árabe seja mais correto, pois a história parece se relacionar com a parte norte da Arábia. Na realidade, O pano de fundo do livro é árabe, mas o pensamento teológico aborda as tendências comuns em Israel. Que são as tendências comuns em nosso tempo, também.</p>
<p>AUTORIA E DATA &#8211; A autoria e a data da composição de Jó são desconhecidas, mas são apresentados os possíveis escritores: Jó, Eliú, Moisés, Salomão ou um seu contemporâneo (1Rs 4.29-31), Isaías, Jeremias ou Baruque.  Os mais cotados são Moisés (1445-1405 a.C.) e Salomão (970-931 a.C.).  O Talmude judaico aponta Moisés, indicando que ele tomou conhecimento da história quando esteve em Midiã.  Outros rabinos e eruditos acreditam que foi Salomão, considerando que o conteúdo filosófico é semelhante ao de Eclesiastes (Ec 1.1). Correntes mais atuais julgam que Moisés foi o tradutor de uma história que encontrou em outro idioma, provavelmente o sumério. O pano de fundo é árabe e patriarcal, antes dos sacerdotes (Jó 1.5), mostrando o livro como anterior à Tora. Mas o hebraico é mais moderno, indicando que a cópia que nos chegou foi traduzida e adaptada.</p>
<p>DATA DOS ACONTECIMENTOS &#8211; Que Jó viveu antes ou pouco depois de Abraão é geralmente aceito pelas seguintes indicações:</p>
<p>(1) O nome de Deus &#8211; A designação constante de Deus pelos nomes “El”, “Eloah” ou “Elohym”, que eram as formas mais antigas de se referir a Deus.  Também o nome “Shaday” (o Todo Poderoso) é usado 31 vezes, enquanto que no resto do AT só 16 vezes.  O nome “Iahweh” aparece somente 32 vezes; ele começou a ser usado depois do êxodo (Êx 6.3).</p>
<p>(2) O modelo patriarcal de vida &#8211; Jó agiu como pai-sacerdote (Jó 1.5); havia bandos de saqueadores &#8211; Jó 1.15,17. Isto indica que o livro é antes da instituição do sacerdócio, quando o pai era o sacerdote da família.</p>
<p>(3) Não há referência alguma à Torá nos trechos sobre como ser justo perante Deus (Lv 9.7; Hb 7.26-27).</p>
<p>(4) A idade de Jó (Jó 42.16,17) de talvez 200 anos (60 + 140 anos).  As pessoas alcançaram esta idade na época de Abraão (175 anos &#8211; Gn 25.7), Isaque (180 anos &#8211; Gn 35.28), e Jacó (147 anos &#8211; Gn 47.28).  Ele tinha 14 filhos e 6 filhas.</p>
<p>(5) Elifaz, o temanita (Gn 36.15) &#8211; Descendente de Temã, filho de um Elifaz e neto de Esaú.</p>
<p>(6) Um poema sumério &#8211; Há várias semelhanças entre o livro de Jó e o poema sumério “O Justo Paciente”, encontrado em tábua de argila e datada em cerca de 1700 a.C. Mas há diferenças, também. Neste caso, Moisés teria composto o livro com base no poema sumério. E adaptado para fins espirituais em Israel.</p>
<p>TEMA &#8211; O livro trata basicamente dos conceitos errados sobre o porquê do sofrimento do justo, concluindo com o propósito correto e positivo de Deus.  Portanto, o tema pode ser resumido: <em>O Papel de Satanás, do Sofrimento e da Soberania de Deus no Aperfeiçoamento do Justo</em>.  O livro responde a pergunta: “Por que o Justo Sofre?”. E a resposta é surpreendente: não há uma resposta lógica ou filosófica. A resposta é a soberania de Deus.</p>
<p>ESBOÇO – O livro é um drama poético. O trecho compreendido pelos capítulos 1,2,42.7-17 é prosa.   O trecho compreendido pelos capítulos 3 a 42.6 é poesia.</p>
<p>I. PRÓLOGO (prosa) &#8211; Jó testado pelo sofrimento &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..1- 2</p>
<p>II. DIÁLOGO (poesia)- Jó aconselhado sobre o sofrimento &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.3 &#8211; 41</p>
<p>A. Debates dos três amigos &#8211; Elifaz, Bildade, Zofar &#8230;.    3-27  (punição)</p>
<p>1. 1º ciclo de debates &#8230;&#8230;.     3 &#8211; 14</p>
<p>2. 2º ciclo de debates &#8230;&#8230;.   15 &#8211; 21</p>
<p>3. 3º ciclo de debates &#8230;&#8230;.   22 &#8211; 27</p>
<p>B. Discurso de Jó  &#8211; (o cp. 28 é um interlúdio) &#8230;&#8230;&#8230;..28-31(justificação)</p>
<p>C. Censuras de Eliú &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;            32 &#8211; 37 (correção)</p>
<p>D. Desafios de Deus &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;           38 &#8211; 41 (submissão)</p>
<p>III. EPÍLOGO (prosa) &#8211; Jó aprovado pelo sofrimento . &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..42</p>
<p>OS PERSONAGENS PRINCIPAIS &#8211; (Jó 2.11-13; 32.1-5)</p>
<p>(1) Elifaz &#8211; Seu nome significa “Deus é ouro fino” ou “Deus é dispensador”.  Nativo de Temã (Gn 36.15), uma cidade de Edom ao sudeste da Palestina; lugar de sábios (Jr 49.7).  Nobre, sincero, sábio, cortês, Elifaz foi o primeiro e predominante porta-voz (mais velho?) dos três amigos, mostrando um raciocínio mais claro e uma atitude menos crítica do que os outros.  Sua filosofia básica foi: “Deus é puro e justo; o homem traz sobre si seus problemas” (Jó 4.7-8,17; 5.6-9).</p>
<p>(2) Bildade &#8211; Seu nome significa “filho de contendas”.  Nativo de Suah, a região do rio Eufrates.  Tradicionalista (Jó 8.8-10), contencioso, acusou Jó de impiedade (Jó 8.13).  Sua filosofia básica foi: “Deus é justo; o ímpio é punido” (Jó 8.3,4,20).</p>
<p>(3) Zofar &#8211; Seu nome significa “peludo” ou “áspero”.  Nativo de Naama, a região norte da Arábia.  Dogmático, moralista, brusco, farisaico, acusador (Jó 11.2-6).  Sua filosofia básica foi: “Deus odeia a iniqüidade, mas ama a justiça” (Jó 11.11,14-15).</p>
<p>(4) Eliú &#8211; Seu nome significa “Ele é nosso Deus”.  Nativo de Buz, (possivelmente Arábia ou Síria).  O mais jovem dos quatro conselheiros; não um amigo íntimo.  Sua filosofia básica era: “Deus é justo” (Jó 34.10-12; 36.7); “Deus vê tudo” (Jó 34.21-22); “Deus é grande, incompreensível” (Jó 36.26; 37.23).</p>
<p>Dos amigos (que como os três mosqueteiros eram quatro), Eliú foi quem deu o melhor diagnóstico e a melhor resposta ao sofrimento de Jó. Uma lição secundária, aqui, é que a verdade nem sempre está com os mais velhos.  Os outros três tinham uma teologia legalista, uma ortodoxia fria de “causa e efeito” segundo a qual Deus sempre recompensa ou pune imediatamente de modo um tanto automático e indireto.  Os conceitos errados sobre Deus forneceram aos três amigos opiniões equivocadas a respeito de Jó e seu sofrimento, e promoveram opiniões erradas sobre eles mesmos. Isto é importante porque nos mostra que uma concepção errada de Deus nos induz a erros de avaliação do nosso próximo e nos proporciona conceitos de vida errados. Eles eram sinceros em sua fé, mas estavam errados. Não basta ser sincero. É preciso ter uma compreensão correta de Deus para que a sinceridade nao se esvaia em erros de avaliação.</p>
<p>POR QUE O JUSTO SOFRE?  &#8211; No livro de Jó, Deus nos revela a resposta a um dos maiores problemas humanos: “Se Deus é amor e soberano, por que Ele permite que os justos sofram?” · Eis o dilema: “Ou Deus é todo poderoso, mas não ama perfeitamente, ou Deus ama perfeitamente, mas não é todo poderoso”. O amor de Deus e o sofrimento humano são incompatíveis, como alguns entendem. Veja como o sofrimento do justo foi interpretado.</p>
<p>(1) Satanás &#8211; Para ele o sofrimento do justo é o meio de forçar o homem a renunciar e repudiar a Deus.  Assim o homem é apenas um peão no jogo de xadrez entre Satanás e Deus, usado pelo Diabo para difamar, desacreditar, blasfemar a Deus, em cuja imagem o homem é feito.  Uma resposta pervertida.</p>
<p>(2) Três amigos &#8211; Para eles o sofrimento do justo, se na realidade ele é justo, é sempre um castigo de Deus pelo pecado (Jó 4.7-9; 5.6-9,17-18; 8.3-6; 11.13-15).  Este é o conceito da “Lei do Carma” (Veja Gl 6.7-8; Pv 22.8; Os 8.7; Os 10.13).  Mas é uma resposta errada por não ser completa (veja João 9.1-3).</p>
<p>(3) Eliú &#8211; Para ele o sofrimento é usado por Deus para corrigir, ensinar, disciplinar ou refinar (Jó 33.13-17,29-30).   Uma resposta iluminada.  Não só punir, mas também prevenir (Hb 12.5-11; Pv 3.11-12; Dt 8.1-5).</p>
<p>(4) Jó &#8211; No início ele pensou que o sofrimento era somente para o ímpio, não para o justo (Jó 6.24; 7.20; 21.19).  Mais tarde ele reconheceu que o sofrimento é um processo refinador divino para produzir ouro (23.10).  Jó recuperou sua saúde quando teve a graça de orar a favor de seus amigos (Jó 42.10). Veja também Mateus 5.44; Romanos 12.19-21; Provérbios 25.21; 1Pedro 3.9. Uma resposta certa. O irônico em toda a discussão é que Jó estava certo o tempo todo. Ele nada fizera que merecesse aquele tipo de punição. De acordo com a teologia dos seus amigos, embora estes o acusassem, ele não deveria estar sofrendo, pois era justo, reto e temente a Deus.</p>
<p>(5) Deus &#8211; Como é que Deus vê o sofrimento do justo? Por que Ele permite sofrimento?</p>
<p>(5.1) O sofrimento do justo é um privilégio, quando Deus permite que seu povo o ajude a cumprir algum grande propósito, tal como refutar Satanás (Jó 1.8-12; 2.3-6).  Veja, a propósito, Atos 5.41; 2Coríntios 12.7-10; Filipenses 1.29; Colossenses 1.24; Hebreus 10.34 e 1Pedro 4.13.</p>
<p>(5.2) O sofrimento do justo é um instrumento de Deus para se revelar a seus fiéis a fim de que eles confiem mesmo quando não entendam os caminhos de Deus (Jó 19.25-27; Hc 3.17-19; Jo 20.29; 1Pe 1.7).</p>
<p>(5.3) O sofrimento do justo é um processo pelo qual Deus aperfeiçoa, santifica, e se revela em profundidade a seu povo (Dt 8.1-5; Jó 23.10; 42.5-6; Sl 66.10-12; At 14.22; 1Ts 3.3; Hb 2.10; 5.8; 12.5-11; Tg 1.2-4; 1Pe 1.6; 4.1; 5.10). Por isso, o poeta alemão Goethe declarou: &#8220;Nunca passei por uma grande dor sem fazer dela um grande poema&#8221;.  O sofrimento sensibiliza as pessoas.  No caso de Jó, vemos que após a crise, seu conhecimento de Deus se tornou mais profundo, como se pode verificar em sua declaração de 42.5-6. Ele possuía um conhecimento de segunda mão, de ouvir falar. Agora era um conhecimento experiencial. Não basta ter informações sobre Deus. É preciso ter uma experiência real com ele.</p>
<p>Juntando estas três considerações, temos uma resposta perfeita.  O sofrimento é o maior teste que nos leva a amar, adorar, e confiar em Deus por quem ele é, não por aquilo que ganhamos dele (Hc 3.17-19; Fp 3.7,8). Porque, na realidade, o livro termina sem responder à questão &#8220;por que o justo sofre?&#8221;. Jó e Habacuque tratam do problema do sofrimento. Em Jó, o sofrimento é em nível individual, e em Habacuque, em nível coletivo. A pergunta, nos dois, é a mesma: “Por que o justo sofre?”. Qual é a resposta? Não há resposta. Nos dois casos, somos chamados a aceitar a soberania e a sabedoria divinas.</p>
<p>A teologia da prosperidade tem uma ênfase completamente distorcida da Palavra de Deus, ao ensinar que o fiel sempre prospera na saúde e nas coisas materiais. Ela amesquinha Deus, banaliza a questão do sofrimento, minimiza o propósito de Deus para nossa vida. E faz de Deus um corrupto subornado com ofertas para aquela igreja, ou para o “missionário” que promove a teologia da prosperidade.   O livro de Jó fornece uma negação do conceito de que ter saúde ou riqueza significa ser abençoado por Deus. Aliás, esta prosperidade pode até significar uma fé tão fraca, tão mundana, que Deus não se atreva em deixar seu “crentinho” sofrer porque sabe que ele não agüentaria este teste de aprofundamento na sua vida espiritual.  A experiência de Jó mostra que o sofrimento vem de Satanás, mas pela vontade permissiva de Deus em última instância (Jó 1.12; 2.6; 42.11).  A Bíblia ensina que o sofrimento faz parte da nossa vida cristã (Jo 16.33; At 14.22; 2Co 12.7-10; 1Ts 3.3; 2Tm 3.12; 1Pe 2.21).  Jesus Cristo foi aperfeiçoado pelo sofrimento (Hb 2.10; 5.8; 1Pe 4.1).  Precisamos manter o equilíbrio.  A Bíblia ensina prosperidade (Js 1.8; Sl 1.3; Dt 28.12-14), é verdade. E Deus não é sádico (não tem prazer em nosso sofrimento e em nossa pobreza).  Mas a Bíblia também ensina que a riqueza ou posse de bens não é o sentido último da vida: Mateus 6.19-21; Lucas 12.15; Filipenses 3.8; 1Timóteo 6.6-10. Vivemos numa sociedade consumista que ditou a agenda para as pregações para a igreja. O pregador que atrai multidões é aquele que promete riqueza e saúde. Nao aquele que chama para a fidelidade a Deus, nem o que proclama a santidade de Deus.</p>
<p>OS CONSELHEIROS DE JÓ – Eis algumas de suas qualidades negativas, que um conselheiro cristão não pode ter:</p>
<p>(1) Filosofia de vida errada &#8211; 4.7-8</p>
<p>(2) Falta de compaixão &#8211; 6.14-15</p>
<p>(3) Ar de superioridade &#8211; 12.2-3; 13.2,4-5</p>
<p>(4) Desprezo &#8211; 4.5; 11.2-5</p>
<p>(5) Zombaria &#8211; 13.9; 21.1-3</p>
<p>(6) Condenação; debate intelectual-16.4; 32.3</p>
<p>(7) Falaram demais &#8211; 16.2-4; 19.2 (Tg 1.19)</p>
<p>(8) Humilharam, envergonharam &#8211; 19.3</p>
<p>(9) Mentiram &#8211; 21.34; 42.7</p>
<p>(10) Foram impacientes &#8211; 32.5</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"> </span></p>
<p>Eis algumas qualidades positivas que um conselheiro deve ter: empatia, simpatia, identificação, solidariedade &#8211; 2.11-13.</p>
<p>VERSÍCULO CHAVE &#8211; Jó 23.10 &#8211; “Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro”. Aqui Jó começou a compreender que estava sendo provado e que sairia purificado. Em termos de vida cristã para nós, cabe aqui uma palavra de um santo cristão do passado, Tozer: “É duvidoso que Deus use poderosamente um homem sem primeiro quebrá-lo antes”. Quando somos quebrados é que nos rendemos totalmente a Deus, colocamos os valores deste mundo em lugar inferior e a ele em primeiro lugar. Muitos crentes amam as bênçãos, mas não ao Abençoador. E quando perdem as coisas, perdem a fé. Na realidade, nao tinham fé, mas apenas uma euforia pelo seu bem estar. A fé se manifesta nas circunstâncias mais adversas.</p>
<p>O TRONO DE DEUS &#8211; Junto com Apocalipse (Ap 4.1-11; 21.3-8), o livro de Jó abre a cortina para uma ligeira visão do trono de Deus em tempos de provação.  Veja também 1Reis 22.19-23 e 2Crônicas 18.18-22.  A total soberania de Deus e o grande interesse divino pelas situações humanas estão enfatizados nessas poucas ocasiões.</p>
<p>SATANÁS – É necessário que tenhamos algo em mente: Satanás só aparece no início do livro. Há uma espécie de aposta entre ele e Deus. Depois, ele é esquecido. Não é sequer mencionado. É uma personagem irrelevante. Parece ser um pretexto para o desencadear da história. Como se as coisas más que nos sucedem fosse obra de um adversário. Mas devemos considerar também que ele é descrito no livro não como uma força do mal, mas como uma pessoa real desafiando a Deus, tendo enorme poder sobre a natureza e nutrindo grande inimizade contra aqueles que servem a Deus.  Com a exceção de 1Crônicas 21.1, o substantivo “Satanás” sempre vem acompanhado do artigo “o” (“o satanás”, lembrando que no hebraico não há letras maiúsculas ou minúsculas), mostrando não só a personalidade de Satanás, mas também sua função.  No Antigo Testamento não há uma descrição detalhada sobre ele. Apenas se indica que a humanidade tem um adversário. Entretanto, a sua inimizade está sempre sob a vigilância de Deus e restrita ao propósito divino.  Não há dualismo nem pluralismo, como se houvesse dois ou mais deuses (Is 45.5-7), mas um rebelde da alta criação de Deus (Is 14.12-15).  Veja Apocalipse 12.9,10; João 8.44; Efésios 2.1-3; 6.12; João 12.31; 2Coríntios 4.4; 1Pedro 5.8; Tiago 4.7; 1João 3.8 e Colossenses 2.15 para maiores explicações sobre Satanás. Lembro, ainda, que estas passagens são a interpretação cristã de Satanás, e não, necessariamente, o conceito expresso no livro de Jó.</p>
<p>GRANDEZA DE DEUS &#8211; De uma maneira extraordinária, Jó mostra a soberania de Deus e ao mesmo tempo seu cuidado pessoal para com seu povo.  Ele é justo (Jó 34.10-12), e uma visão correta de Deus leva o homem ao arrependimento e humildade (Jó 40.3-5; 42.5-6).</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Jó é um livro precioso, com considerações filosóficas e teológicas muito profundas. Tentar entendê-lo em partes, extraindo passagens do contexto global, será problemático. O livro precisa ser visto no seu todo, para se ter uma compreensão global de seu ensino. Que é, basicamente, este: nem sempre teremos respostas para nossas perguntas, mas podemos confiar que em momento algum Deus perdeu o controle dos eventos, e que nossa fé será recompensada. O sofrimento nunca deve desanimar um filho de Deus, porque sua história ainda não foi concluída.</p>
<p>Quando você estiver sofrendo, enfrentando dificuldades como Jó, sem conseguir entender o que está acontecendo ou porque Deus nao impede seus problemas, lembre-se desta história. E lembre-se também de uma palavra de Jesus a Pedro, quando este se recusou a ter os pés lavados por Jesus: “O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás” (João 13.7). Não são queixas que Deus espera de nós. Apenas submissão. Ele nao nos deve explicações, sabe o que faz, e faz bem feito. Lembre, ainda, de Romanos 8.28: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.</p>
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		<title>AS OVELHAS DE JESUS</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 10:55:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão”- João 10.27-28. Após dizer que os judeus não eram suas ovelhas, Jesus caracteriza quem são elas. “As minhas ovelhas”, ele começa a dizer, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;</p>
<p>eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão”- João 10.27-28.</p>
<p>Após dizer que os judeus não eram suas ovelhas, Jesus caracteriza quem são elas. “As minhas ovelhas”, ele começa a dizer, e faz uma das mais lindas declarações de toda a Bíblia. Não pertencem a uma denominação nem se caracterizam por uma determinada liturgia. São conhecidas por seis marcas, todas de relacionamento com ele.</p>
<p><em>A primeira:</em> “ouvem a minha voz”. Elas ouvem a Jesus, não a estranhos. A Jesus, não a Moisés ou a Elias (Mt 17.5), símbolos do Antigo Testamento. Ouvir Moisés e Elias produz situações tristes, como a noticiada pela Internet de sete igrejas evangélicas colombianas que se tornaram sinagogas. Há muita igreja “sinagogada” por aí. Não se compõem de ovelhas de Jesus. Não o ouvem direito.</p>
<p><em><span id="more-1338"></span>A segunda: </em>“eu as conheço”. Não apenas sabe os nomes (“Zaqueu, desce depressa”), mas se relaciona com elas. Sabe de suas carências e de suas fraquezas. Ele sabe o que é ser gente, pois foi como nós. Conhece nossas dores e fraquezas. Que consolo! “Oh, sim eu sei, Jesus bem vê, o que eu estou a sofrer”, diz um de nossos belos hinos.</p>
<p><em>A terceira:</em> “elas me seguem”. Ovelha de Jesus segue a Jesus, não ao pastor ou ao dono da seita. “Seguem” e não apenas contemplam. E imitam-no ao segui-lo: “Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1Pe 2.21). Seguir a Jesus não é cantar na igreja. É muito que isso. É procurar imitar a Jesus no cotidiano.</p>
<p><em>A quarta: </em>“eu lhes dou a vida eterna”. Ninguém consegue a vida eterna. Ele dá. É dom dele. E não dá aos bons ou aos religiosos, mas aos que o seguem. Não vem pela nossa virtude ou nossa perseverança. Vem por ele. Não nos salvamos. Somos salvos. Não somos o sujeito da salvação. Ele é.</p>
<p><em>A quinta: </em>“jamais perecerão”. A vida eterna não é figura de linguagem. É vitória sobre a morte. Crer em Jesus é saber que viveremos eternamente com Jesus. O cristão zomba da morte, como Paulo (1Co 15.55). Encara-a com naturalidade, e diz como Bach: “Vem, doce morte!”. Ela não assusta, mas nos leva para junto dele. Como disse Bonhoeffer: “A morte é o supremo festival no caminho da libertação”.</p>
<p><em>A sexta: </em>“ninguém as arrebatará da minha mão”. É a segurança do salvo. Ele canta como Lutero: “Se nos quisessem devorar demônios não contados, não nos podiam assustar, nem somos derrotados”. Satanás pode ser perigoso e rugir ao nosso redor como leão, mas é um derrotado: “Vencido cairá por uma só palavra”. Dizemos com Paulo: “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.37-39).</p>
<p>Ser ovelha de um bom pastor é muito bom. Por um ano e meio, por opção, fui ovelha de meu irmão, o Pr. Isaías Gomes Coelho. Um bom pastor, um amigo leal. Obrigado, mano! Mas antes dele e acima dele, sou ovelha de Jesus Cristo. E ser ovelha de Jesus é muito bom. Vale a pena!</p>
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