Arquivos da categoria: Artigos

RELIGIÃO COMO ENFEITE

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você” e usado com permissão da revista.

Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 6.1)

Há um site de humor que mostra atrizes famosas, maquiadas, bem vestidas, enfeitadas, e exibe outra foto delas, ao natural, sem produção alguma, como se diz. A diferença é tão grande que muitas vezes nem se reconhece quem é. A imagem da pessoa enfeitada é bem diferente da pessoa real.

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“Um divórcio sempre deixa marcas e fragiliza a pessoa”

Entrevista: Isaltino Gomes Coelho Filho

Casal Feliz entrevista nesta edição o pastor Isaltino Gomes Coelho Filho. Ele é casado há 40 anos com Meacir Carolina. Nessas quatro décadas de casamento, Deus deu-lhes três filhos: Beny, Nelya e Camila. Todos casados. Desses casamentos, três netinhos (todos nascidos na região amazônica) alegram os avós Isaltino e Meacir. De Macapá, onde é pastor, Isaltino concedeu a presente entrevista, que toca num assunto muito importante: o divórcio.

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“FELICIDADE NÃO É SUFICIENTE PARA MIM!”

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 16 de setembro de 2012

 

Dona Nelya Werdan, minha mãe, me ensinou a ler aos seis anos. Eu esperava meu pai chegar do trabalho com quatro jornais: “O dia”, “O globo” (ainda existem), “A notícia” e “Diário da noite” (que não mais existem). Neles eu lia histórias em quadrinhos: Gabby Hayes, Pafúncio, O reizinho, Popeye, Mutt e Jeff, etc. Minha mãe dava-me livros. E comprava-me gibis. Flecha Ligeira, Flash Gordon, Tom Mix, Hopalong Cassidy, Cavaleiro Negro, Black Diamond, Fantasma, Mandrake, estiveram na minha infância. Continue lendo “FELICIDADE NÃO É SUFICIENTE PARA MIM!”

EDUCAÇÃO MINISTERIAL – UMA PERSPECTIVA PAULINA

Isaltino Gomes Coelho Filho

Preparado para a revista “O educador batista”

“A teologia é coisa demasiadamente importante para deixá-la nas mãos dos teólogos profissionais” (Ward Gasque). Ela é patrimônio de todos os crentes e não apenas da academia teológica. A academia se apossou da teologia e a sofisticou e complexizou. A doutrina do Espírito Santo se tornou Pneumahagiologia. Mas a teologia é pecúlio de toda a igreja e não pode ser elitizada e transformada em discurso incompreensível e alheio às necessidades da igreja. Não é para diletância de um grupo.

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TEMPO DE GANGORRA

Isaltino Gomes Coelho Filho

Fiquei encantado com o livro Tempo de gangorra, de Saïd Farhat, que é “uma visão panorâmica do processo político-militar no Brasil de 1978 a 1980”, como indica o subtítulo. Foi difícil comprá-lo. Em Macapá não há livrarias. Fui procurar fora do estado (se não há livraria em Macapá, muito menos no resto do estado) e custei a encontrá-lo por que o livro tem sido boicotado. Um vendedor de uma rede de livrarias, em S. Paulo, me disse claramente que eles não venderiam o livro. Alguns democratas liberais são muito patrulhadores. Comprei-o na Cultura, na Av. Paulista, em Sampa.

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DEUS VIROU LEXOTAN

A CULTURA DA MEDIOCRIDADE INVADE A ÁREA ESPIRITUAL

OU: DEUS VIROU LEXOTAN

Isaltino Gomes Coelho Filho

              A mediocridade da cultura atual é assustadora.  A bobagem avulta em todos os segmentos da mídia! As pessoas se pautam pela mediocridade, até mesmo as que deveriam ter a mente iluminada por Cristo!

Recordo-me de um jornal de Boa Vista, Roraima, que certa vez entrevistou com uma menina de 15 anos. Cada frivolidade! Seu sonho de consumo era uma Ferrari vermelha. Seus votos: “Simplicidade para todos!”. Dá para entender? As pessoas hoje são famosas não pelo brilho intelectual ou por acrescentarem à sociedade, mas pela estética e por aparecerem na tevê. Então, lemos na Internet: “Veja o que os famosos estão fazendo hoje!”. Bisbilhotar gente fútil é cultura! Continue lendo DEUS VIROU LEXOTAN

UMA CONVERSA SOBRE ORAÇÃO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Aula inaugural do terceiro trimestre da EBD da Igreja Batista Central de Macapá

 

INTRODUÇÃO

Oração é um dos temas mais comentados em nossos arraiais, mas não sei se é praticada com a mesma intensidade com que se comenta. A qualidade espiritual de boa parcela dos membros de nossas igrejas me deixa com esta dúvida. Ressentimentos, mágoas, intrigas, testemunho deficiente, falta de zelo espiritual, todas essas coisas me deixam em dúvida se as pessoas oram como dizem.

Em muitos momentos, a oração é uma reza evangélica. Até mesmo uma superstição. Vai se começar uma reunião, então “Vamos orar para Deus nos abençoar”. Uma visão mágica. Aquelas palavras ali proferidas, com as pessoas desatentas, ansiosas para começarem o assunto, farão Deus nos abençoar. Sem elas, Deus não nos abençoará. Aquele filme da oração da propina dos evangélicos corruptos de Brasília é lastimável. Reduzimos oração a palavras ditas em determinados momentos, não importando o estado espiritual das pessoas nem o motivo da reunião. Aquilo foi uma oração? Continue lendo UMA CONVERSA SOBRE ORAÇÃO

E NÃO CONSEGUEM NOTAR!

Isaltino Gomes Coelho Filho

                Numa quinta-feira à noite, após três expedientes de trabalho, achei que a televisão me relaxaria. Fui ver um humorístico, “A praça é nossa”. Fez-me rir, no passado. Havia um quadro de um sujeito vendendo bugigangas imprestáveis, e quando alguém perguntava: “Mas, quem compraria isso?”, vinha alguém que dizia “Eu!”. Geralmente todo estropiado, porque comprara o produto e se dera mal. O vendedor imitava os vendedores televisivos americanos, e não movia um músculo facial. Era hilário. Continue lendo E NÃO CONSEGUEM NOTAR!

A VIDA TODA É DE DEUS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicada originalmente na revista “Você”

“Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura? (…) Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mateus 6.26-27,34).

           Quando completou 38 anos de ministério pastoral, este autor decidiu parar um tempo, para descanso, estudo, viagens e escrever. Neste período foi morar na região de Brasília, que ele e a esposa muito amam. Adotou um passatempo matinal. Dava alpiste e painço aos pardais, em sua quadra. Punha-lhes água fresca, numa tigela, aonde eles vinham beber e se banhar. Eram dezenas de pardais. Na ocasião, escreveu três artigos sobre os pardais. Um deles se intitulava “Deus cuida dos pardais (mas eu dou água e comida para eles)”.  Ao retornar ao pastorado, em outra cidade, acertou com a pessoa que alugara sua casa que esta alimentaria os pardais. Continue lendo A VIDA TODA É DE DEUS

O GOVERNO DA IGREJA E AS LIDERANÇAS ECLESIÁSTICAS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Apresentado no I Congresso de Eclesiologia da Convenção Batista do Estado de São Paulo, 16 de junho de 2012

 

Não é uma queixa, mas eis um tema traiçoeiro. O preletor corre o risco de cair no lugar comum, dizendo o óbvio, que todos já sabem. Ser banal é terrível. Por outro lado o preletor pode cair na tentação de querer ser original, dizendo novidades para mostrar erudição. Seriam novidades que ele forçaria. Também é ruim para um preletor ser “novidadeiro”. Nutro muitas reservas com as pessoas que descobrem na Bíblia aquilo que nunca alguém viu antes, em dois mil anos de cristianismo. Continue lendo O GOVERNO DA IGREJA E AS LIDERANÇAS ECLESIÁSTICAS

O SEMPRE DESCONCERTANTE JESUS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você”

“Pois eu também não condeno você. Vá e não peque mais!” (João 8.11)

              Todos nós conhecemos bem esta história. Já a lemos e a ouvimos muitas vezes. Ela começa com uma pegadinha dos líderes judeus, para derrubarem Jesus. Trouxeram-lhe uma mulher, “apanhada em adultério”. A Lei mosaica mandava apedrejá-la, dizem eles. Qual seria a posição de Jesus? Esta é a pegadinh Continue lendo O SEMPRE DESCONCERTANTE JESUS

O DESCONCERTANTE JESUS

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você”

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não cometa adultério’. Mas eu lhes digo: Quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração. Portanto, se o seu olho direito faz você pecar, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno. Se a sua mão direita faz você pecar, corte-a e jogue-a fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno” (Mateus 5.27-30, NTLH). 

 

A palavra “adultério” soa mal. Mas seu sentido é pior. É a quebra do vínculo com uma pessoa com que se casou, é a quebra de um voto de dedicação e fidelidade. Muitos dos heróis televisivos são mostrados como gente que se relaciona fora do casamento com muita facilidade. Mas não é este o princípio bíblico para a vida de um casal. Quando chegar sua hora de casar, você quererá uma pessoa que lhe seja fiel. É justo. Desejamos alguém que nos ame e se dedique a nós, e nunca nos traia. Mas você deve assumir o propósito de ser fiel e se dedicar à pessoa com que se casará. Continue lendo O DESCONCERTANTE JESUS

ESTA É A NOSSA TERRA

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado na “Revista de Missões” da Convenção Batista Amapaense, 2012

                O austríaco Johannes Mario Simmel, entre várias obras, é autor de um romance do tempo da guerra fria (Estados Unidos e União Soviética). Um cientista alemão foi trabalhar nos Estados Unidos, e um agente soviético tenta convencê-lo a mudar de lado. Como o cientista nascera na parte da Alemanha que agora era comunista, a Oriental, o agente lhe diz: “A Alemanha é sua terra!”. A resposta do cientista, justificando sua opção, foi esta: “A terra de um homem é onde ele se sente bem!”. Isso lhe significava mais do que o lugar onde nascera. Ele se sentia bem no Ocidente. Este era sua terra. Continue lendo ESTA É A NOSSA TERRA

JESUS É O SENHOR DO SÁBADO

Isaltino Gomes Coelho Filho

              Marcos contou que quando Jesus passou com os discípulos por uma plantação, eles, com fome, pegaram algumas espigas e as comeram. Os fariseus os censuraram porque era sábado e eles estavam fazendo o que não deviam. A história está em Marcos 2.23-28.

A censura não foi porque eles comeram as espigas. Isso era permitido. A “lei da respiga” permitia aos pobres e aos que estivessem com fome pegarem espigas que caíssem quando da colheita. Os colhedores não podiam pegá-las, e assim os necessitados vinham atrás colhendo. A censura dos fariseus foi porque era sábado e eles estavam debulhando as espigas (Lc 6.1). Isto era trabalho e no sábado não se trabalhava. Que coisa, não é? Continue lendo JESUS É O SENHOR DO SÁBADO

O NEOPAGANISMO – DE AVATAR AOS EVANGÉLICOS

Isaltino Gomes Coelho Filho

                Luiz Felipe Pondé é um pensador brilhante. Alguns lhe torcerão o nariz porque ele critica a esquerda com a mesma ironia e veemência de Nelson Rodrigues (quem o leu se lembra de uma de suas figuras prediletas, a universitária da PUC, emblemática como o tio Altamirando, de Stanislaw Ponte Preta). E a esquerda se julga acima da crítica.  E quem a critica é “reacionário”.  Sobre Pondé, escrevi, tempos atrás, o artigo “Santos entre taças de vinho”. Aguardava ansioso seu livro Guia politicamente incorreto da filosofia. Valeu a pena. Lê-lo me enriqueceu. Continue lendo O NEOPAGANISMO – DE AVATAR AOS EVANGÉLICOS

GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 2

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 2

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

A segunda doutrina a estudar é a doutrina de Deus. Falamos muito de Deus, mas quem é ele?  A DD fala de “triunidade”. Deus é trino e triúno (ou seja, as pessoas não são conflitantes e são uma). Trindade e triunidade caminham juntas. São três pessoas e as três pessoas são una.

 

II- Deus

O único Deus vivo e verdadeiro é Espírito pessoal, eterno, infinito e imutável; é onipotente, onisciente, e onipresente; é perfeito em santidade, justiça, verdade e amor.1 Ele é o criador, sustentador, redentor, juiz e Senhor da história e do universo, que governa pelo seu poder, dispondo de todas as coisas, de acordo com o seu eterno propósito e graça.2 Deus é infinito em santidade e em todas as demais perfeições.3 Por isso, a ele devemos todo o amor, culto e obediência.4 Em sua triunidade, o eterno Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo, pessoas distintas mas sem divisão em sua essência.5
1) Dt 6.4; Jr 10.1; Sl 139; 1Co 8.6; 1Tm 1.17; 2.5,6; Ex 3.14; 6.2,3; Is 43.15; Mt 6.9; Jo 4.24;  Ml 3.6; Tg 1.17; 1Pe 1.16,17
2) Gn 1.1; 17.1; Ex 15.11-18; Is 43.3; At 17.24-26; Ef 3.11; 1Pe 1.17
3) Ex 15.11; Is 6.1,2; 57.15; J34.10
4) Mt 22.37; Jo 4.23,24; 1Pe 1.15,16
5) Mt 28.19; Mc 1.9-11; 1Jo 5.7; Rm 15.30; 2Co 13.13; Fp 3.3

 

COMENTÁRIO: Preste atenção nesta afirmação: “Ele é o criador, sustentador, redentor, juiz e Senhor da história e do universo, que governa pelo seu poder, dispondo de todas as coisas, de acordo com o seu eterno propósito e graça”. Isto é mais suficiente para confiarmos a vida a ele.  Veja também esta afirmação: “Por isso, a ele devemos todo o amor, culto e obediência”. Ele não é um “quebra galhos” e nem existe em função de nós, mas nós devemos viver em função dele. Deus não é papai Noel. É um Ser sério, que merece amor e respeito. Não é uma força nem uma energia cósmica, mas um Ser Vivo.
1- Deus Pai

Deus, como Criador, manifesta disposição paternal para com todos os homens.1 Historicamente ele se revelou primeiro como pai ao povo de Israel, que escolheu consoante os propósitos de sua graça.2 Ele é Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem enviou a este mundo para salvar os pecadores e deles fazer filhos por adoção.3 Aqueles que aceitam a Jesus Cristo e nele creem são feitos filhos de Deus, nascidos pelo seu Espírito, e, assim, passam a tê-lo como Pai celestial, dele recebendo proteção e disciplina.

 

1) Is 64.8; Mt 6.9; 7.11; At 17.26-29; 1Co 8.6; Hb 12.9
2) Ex 4.22,23; Dt 32.6-18; Is 1.2,3; 63.16; Jr 31.9
3) Sl 2.7; Mt 3.17; 17.5; Lc 1.35; Jo 1.12
4) Mt 23.9; Jo 1.12,13; Rm 8.14-17; Gl 3.26; 4.4-7; Hb 12.6-11

 

COMENTÁRIO: Deus Pai é como a Bíblia mostra Deus em suas atividades com Criador, que escolheu Israel para que esta nação o revelasse ao mundo. Ele é Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo e é nosso por adoção (Jo 1.12). É Criador de todos, mas Pai dos que se rendem a Ele, na pessoa de Jesus. Nascemos da carne, por nossos pais. Quando cremos, nascemos do Espírito (Deus é Espírito) e nos tornamos seus filhos. Na cultura oriental, o pai era alguém a quem os filhos deviam a vida e a quem deviam honrar. E era alguém que cuidava dos filhos e os protegia. É uma excelente figura para mostrar Deus. A questão é a masculinidade de Deus, mas a figura de Deus como Criador, cuidador e merecedor de honra.

GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 1 – “As Escrituras Sagradas”

IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ

GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 1 – “As Escrituras Sagradas”

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

O estudo de doutrinas deve começar pelo conceito que temos sobre a Bíblia. Ela é a fonte de autoridade, para nós em matéria de religião. Não podemos discutir nada sem sua orientação. Comecemos por aqui. Eis o tópico primeiro da Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira: Escrituras Sagradas.

A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana. 1 É o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens.2 Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo.3 Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes e promover a glória de Deus.4 Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro, e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina.5 Revela o destino final do mundo e os critérios pelo qual Deus julgará todos os homens.6 A Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem ser aferidas as doutrinas e a conduta dos homens.7 Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo.8 Continue lendo GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 1 – “As Escrituras Sagradas”

JUÍZES 6.11 – APRENDENDO COM GIDEÃO

JUÍZES 6.11

APRENDENDO COM GIDEÃO

Preparado para o VII Encontro dos Gideões Internacionais, campo Rondônia/Acre e repartido com a Igreja Batista Central de Macapá

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

INTRODUÇÃO

Gideão surge em Juízes 6.11.  Seu nome significa “lenhador” ou “cortador”. Um sentido secundário é “guerreiro”. Surge amedrontado, escondido, sacudindo e limpando trigo. Um anjo o encarrega de libertar o seu povo. De medroso ele passa a libertador. Esta é a primeira lição que aprendemos de sua vida: sem Deus, os obstáculos são enormes. Quando Deus entra em nossa vida, tudo muda. Só o poder de Deus pode transformar radicalmente uma pessoa e todo o seu contexto. A presença de Deus numa vida faz diferença.

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ESTÁ AQUI UM RAPAZ…

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

                Estava em Monte Dourado, Vale do Jari, com Meacir. Fui para lecionar para um grupo de trinta líderes com os quais passo três dias por mês. Ela me acompanha porque dá assistência a algumas senhoras, em Laranjal do Jari. A gente ainda zanza por Vitória do Jari e Munguba, conhece os irmãos, papeia com eles, come bons peixes, e assim tem a vida enriquecida. Como programo meu tempo, fui trabalhar num livro de biografias bíblicas para adolescentes, acerto feito com uma editora evangélica. O personagem era André. Continue lendo ESTÁ AQUI UM RAPAZ…

O MAIOR NO REINO DOS CÉUS

Mateus 18.1-6.

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você”, da UFM.

Publicado com permissão da revista.

            As pessoas lutam por poder, para terem domínio sobre as outras. Vemos isto desde cedo, na história da humanidade. Em Gênesis 10.8 se fala de Ninrode, o primeiro homem que se tornou poderoso na terra.

Infelizmente, esta luta por poder também se encontra no cenário religioso. Encontramos nas igrejas gente que quer mandar e que deseja ser importante. Antigamente bastava aos pastores terem o título de pastores, que era considerado como honroso. Hoje alguns querem ser bispos, outros querem ser apóstolos, há bispo primaz, e há quem se chama de patriarca. E há aquelas pessoas que têm grandes carências emocionais e buscam na igreja o lugar para supri-las, lutando por reconhecimento. Na realidade, isso é mais doença espiritual que qualquer outra coisa. Continue lendo O MAIOR NO REINO DOS CÉUS

O MINISTÉRIO NÃO É MEU

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Estou pregando uma série de mensagens em Efésios, para orientar a Central de Macapá na visão bíblica do que seja uma igreja e quais suas atribuições.  Domingo passado apresentei a 17ª. mensagem, desta vez no texto de 4.11-16: “Os dons e sua finalidade”. Comentei o baixo conceito de igreja e de vida cristã que os crentes nutrem. Comecei pelo testemunho de uma senhora: como a Deus a abençoara.

Ela foi a um shopping  comprar roupas para os três filhos. Como chovia e seriam muitos pacotes (deveria estar abonada), orou para que Deus lhe desse uma boa vaga no estacionamento. E Deus a abençoou muito. Quando ela chegava, saía uma pessoa e ela pôde estacionar na primeira vaga. E agora testemunhava do poder de Deus em lhe conseguir boa vaga no estacionamento.

A maior parte dos membros de igreja vê a vida cristã como uma oportunidade de ser abençoada e conseguir mais coisas. Para eles, sua vida é deles, eles têm sonhos, alvos e projetos pessoais, e Deus os ajuda a conseguir o que querem. Colocam adesivos nos carros: “O segredo do meu sucesso é Jesus”. A igreja supre suas necessidades e é o lugar aonde eles vão para recarregarem sua bateria espiritual e continuarem sua luta por uma vida feliz, cheia de trecos.

Costumamos falar de Paulo como fazedor de tendas em determinado período de sua vida, e aplicamos o termo aos pastores que tem ocupações seculares. O trabalho deles se chama “tendas”. Eles fazem tendas para poderem servir a Deus. Todos os crentes são ministros de Deus. Suas profissões são suas tendas, porque Deus deve vir em primeiro lugar, e não seu bem estar pessoal. Têm ocupações profissionais, mas são primeiro servos de Deus. Falei de um boletim de uma igreja nos Estados Unidos, em cujo expediente se lia: “Ministros da igreja: todos os membros. Auxiliar dos ministros: o pastor da igreja”. Não eram eles que apoiavam meu ministério, mas eu  apoiava o ministério deles, porque Deus deu a missão à igreja, e não aos pastores. Ele deu pastores à igreja para eles capacitarem e treinarem a igreja a cumprir sua missão. Não existe o “Ministério Isaltino Gomes Coelho Filho” que minhas ovelhas têm que subsidiar. Existe o “Ministério Igreja Batista Central de Macapá” que seu pastor tem que apoiar.

Através de minhas ovelhas Jesus penetra nos tribunais, delegacias, cadeias, hospitais, consultórios, salas de aulas, cozinhas, lojas comerciais, caminhões, ônibus e aviões. São os lugares onde eles trabalham, e Cristo entra pelo ministério deles. O pastor não é o dono da igreja, mas seu servo, e a treina para o serviço. Como diz o Pastor Tarcísio, de Divinópolis, ao assinar as pastorais do seu boletim: “Servo dos servos do Senhor”. Há muito pastor usando a igreja para projetar seu nome e seu ministério. Há muito personalismo e egolatria no ministério pastoral. Um pastor é um peão num jogo de xadrez, que o Grande Jogador move para onde deseja. A glória é do Jogador, Grande Mestre, não do peão.

Encerrando o sermão disse que eles são o corpo de Cristo, sua presença no mundo. Jesus está presente na sociedade através deles. Ao mesmo tempo eles constroem o corpo de Cristo, com sua vida. São fazedores de tendas profissionais, porque são cristãos de tempo integral.

Não só minhas ovelhas, mas todo o rebanho do Senhor precisa entender isto. São servos de tempo integral. Jesus não existe para fazê-los felizes e abençoá-los, mas eles existem para servir e honrar a Jesus. Esta é a nossa missão, honrar e exaltar a Cristo, levando seu nome a todos os segmentos da sociedade.

NÃO PERCA SEU BARCO

Pr. João Falcão Sobrinho

            Da janela do apartamento em que me hospedava em Macapá, eu podia ver o imenso Amazonas descendo pachorrento, sem pressa, para depositar no oceano a imensurável riqueza dos nutrientes que trazia desde suas nascentes no mundo amazônico. Eu estava em Macapá a fim de participar das celebrações do quadragésimo aniversário de ministério do Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho, promovidas pela Igreja Batista Central de Macapá, que ele pastoreia. Um dos espetáculos mais belos que já pude ver em meus 81 anos de vida, assisti ali daquela janela: o nascer do sol como se o astro-rei estivesse saindo de dentro do grande rio, tingindo de rubro a imensidão de suas águas.

 

Podia ver também os barcos ancorados no cais e observar o temperamento calmo dos macapenses, como se a lerdeza do rio lhes impregnasse a própria alma. Tudo lá é feito devagar, com calma, não adianta se apressar porque o barco só pode zarpar quando o rio está cheio. Ali ancorado estava um barco de bom tamanho, cujo destino era Afuá, após três horas e meia de navegação. Aos poucos, o barco foi sendo tomado por centenas de passageiros com suas bagagens, redes e esperanças. Em dado momento, um tripulante tirou as amarras do barco e, com uma vara, afastou a proa da beira do cais, enquanto a prancha de acesso era removida e a porteira era fechada. Nesse exato momento, surge na avenida uma motocicleta em alta velocidade. Era um mototaxi com um passageiro na garupa. O homem gritava e gesticulava, evidentemente pedindo para que esperassem por ele. A moto chegou junto ao barco e, enquanto o passageiro tirava e devolvia o capacete e pagava a corrida, o barco já estava fora do alcance do seu embarque. O homem recolocou o capacete e voltou a montar na garupa da motocicleta visivelmente transtornado. Perdeu o último barco para Afuá. Por curiosa ironia, o nome do barco era FÉ EM DEUS. Eu vi um homem no cais em Macapá perder o barco que tinha por nome “Fé em Deus”. Continue lendo NÃO PERCA SEU BARCO

DESEJANDO SER UM OBREIRO MELHOR

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para um encontro com os pastores em Imperatriz, MA, e apresentado dia 12.12.11

 

“Você conhece alguém que faz bem o seu trabalho? Saiba que ele é melhor do que a maioria e merece estar na companhia de reis” (Pv 22.29, NTLH).

A Bíblia faz este elogio a quem é competente no seu ofício. Fazer bem um trabalho é questão de capricho pessoal e de amor ao trabalho. Só preguiçosos e inconseqüentes se desincumbem de sua tarefa de qualquer maneira. Quem é incumbido de uma tarefa e é negligente no fazê-la mostra que não tem noção de responsabilidade. E se a tarefa a ser desempenhada é no reino de Deus, a questão avulta de importância. Eu era seminarista, e no culto do café da manhã, no refeitório do seminário, num domingo, o também seminarista Ivo Seitz leu Jeremias 48.10: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente”. Isto foi há mais de quarenta anos, mas o impacto permanece comigo até hoje. Guardei isto: a obra de Deus não pode ser feita de qualquer maneira. Continue lendo DESEJANDO SER UM OBREIRO MELHOR

A QUESTÃO DA UNÇÃO COM ÓLEO: OUTRA VISÃO

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

            “O Jornal Batista” publicou artigo do honrado Pr. Tarcisio, da PIB de Divinópolis, sob o tema acima.  Ele é um dos obreiros de mais futuro em nossa denominação. Preguei em sua ex-igreja,  quando ele era pastor em Feira de Santana, BA. Em seu ministério atual, fiz duas séries de pregações. Vi sua firmeza pastoral. Um senhor obreiro!

Em 1986, a JUERP lançou meu livro, Tiago, nosso contemporâneo. Teve três edições em português e uma em espanhol, em Cuba, de confecção artesanal, distribuída a pastores e seminaristas. Agora, aprofundei-me nos estudos e refiz o livro, como parte do Comentário Bíblico King James, da Abba Press, do qual sou o redator. Será outra edição, mais volumosa.

Naquela obra subscrevi a posição do Pr. Tarcísio, mas mudei minha visão. E a exponho, mesmo sabendo que virão críticas. Mas um dos votos que fiz a Deus foi que não hesitaria em mudar de posição quando convencido. Outro foi que não esconderia minha posição. Continue lendo A QUESTÃO DA UNÇÃO COM ÓLEO: OUTRA VISÃO

APRENDENDO A LIDAR COM AS PESSOAS

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Hoje se ouve muito falar de “confrontação”, no aconselhamento pastoral. Em linhas gerais, é uma técnica de aconselhamento que se pauta pela repreensão bíblica. O termo “confrontação”, com toda a sua carga negativa, deixa isso bem claro. O maior representante desta teoria, entre os evangélicos, é Jay Adams. Foi uma reação às técnicas modernas de não interferência do conselheiro nas decisões do aconselhando, e à assimilação das técnicas de psicologia secular pelos conselheiros pastorais. A linha a seguir era a de enfatizar o valor das Escrituras no aconselhamento pastoral, e não as idéias tolerantes e aceitadoras do pecado, o que me parece válido.

 

Adams também resgata o valor da igreja, nesta teoria de aconselhamento. Se a pessoa aconselhada é membro de uma igreja, está debaixo de sua autoridade e a igreja pode repreendê-la. Somando as duas coisas, a autoridade das Escrituras e a autoridade da igreja, muitos adeptos desta teoria defenderam a repreensão pública das pessoas em pecado. O texto de 1Timóteo 5.20 foi muito usado: “Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor”.

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A MATEMÁTICA DO PERDÃO

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

Publicado originalmente na revista “Você. Publicada no site com a autorização da revista.

“Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou: – Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes? – Não! – respondeu Jesus. – Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete”  (Mateus 18.21-22, NTLH).

 

Jesus havia acabado de falar, há pouco, aos seus discípulos, sobre a maneira deles se relacionarem. Se um irmão errasse contra o outro, este deveria procurá-lo e acertar os ponteiros com ele (v. 15). Se o errado ouvisse, a pessoa certa teria ganhado o irmão. Que bom! É melhor ganhar alguém que perder a amizade da pessoa! Mas se o errado não quisesse ouvi-lo, ele deveria levar duas ou três outras pessoas, agora já como testemunhas (v. 16). Se ela não ouvisse os irmãos, uma espécie de comissão, então que o assunto fosse à igreja (v. 17). Isto é importante. Precisamos resgatar a autoridade da igreja. Ela não é apenas um lugar aonde vamos nem uma instituição que deve fazer nossa vontade e atender aos nossos caprichos. Ela é a manifestação da presença de Jesus neste mundo, e tem autoridade sobre seus membros. Se a pessoa errada não quisesse ouvir a igreja, então esta o deveria considerar como um não irmão. Como se fosse “um pagão ou cobrador de impostos” (LH). Estas eram duas classes de pessoas que não tinham boa imagem espiritual. Quem recusa se corrigir acaba criando uma imagem espiritual ruim para si.

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A IDA AO VALE DO JARI

A IDA AO VALE DO JARI

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Artigo desenvolvido a partir da pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 10.10.11

              A ida ao vale do Jari enriqueceu minha vida. Aliás, as viagens pelo interior da Amazônia sempre são lições de vida e momentos inesquecíveis.  Viajamos por uma estrada no melhor “padrão Amapá”, ou seja, muito ruim. Os 280 km desde Macapá foram percorridos em cinco horas e meia, em uma Hilux. Atravessamos o rio numa catraia e chegamos a Monte Dourado. Cidade bonita, arrumada e limpa. Lembra a Vila Industrial, em Tucuruí, sul do Pará. Não fosse o calor amazônico e o povo moreno, pareceria um subúrbio das cidades dos Estados Unidos: casas grandes, ajardinadas, ruas bem calçadas (raridade na região). As casas são da CADAM.

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