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	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho &#187; Estudos</title>
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		<title>ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES &#8211; TEXTO: 1.9-11 (1ª. parte)</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 11:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudos em Filipenses]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
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										</div><div>
<p style="text-align: center;">IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</p>
<p style="text-align: center;">
Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho – 11 de janeiro de 2012<br />
<em> </em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>A terceira e mais curta seção da carta.  Paulo ora  pela igreja. É bom verificarmos seu pedido, pois expressa o desejo apostólico para a comunidade cristã. Por certo que nos ajudará, também. Eis a estrutura da sua oração, reproduzindo as expressões que ele emprega (conforme a Versão Revisada, IBB):</p>
<p><span id="more-2224"></span></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<p>1. Que o vosso amor aumente mais e mais</p>
<p>2. No pleno conhecimento e em todo discernimento</p>
<p>3. Para que aproveis as coisas  excelentes</p>
<p>4.  A fim de que sejais sinceros e sem ofensa até o dia de Cristo</p>
<p>5. Cheios do fruto da justiça.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6. Que vem por meio de Jesus Cristo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>7. Para glória e louvor de Deus.</p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<div></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mostrado isto, entendamos o propósito de Paulo. No estudo de hoje veremos as quatro primeiras expressões. No próximo estudo, as três seguintes. Não perca sua cópia de hoje.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1.  QUE O VOSSO AMOR AUMENTE MAIS E MAIS &#8211; A igreja de Filipos era amorosa (1.7 e 4.14-16). Mas deveria crescer, ainda, nesta área. O alvo  para o cristão é o crescimento, e não  a estagnação. Veja 1Tessalonicenses 3.12 e 4.10. Há um alvo para o qual caminhar: Fp 3.13-14. Veja também 2Pedro 3.18. A comunidade cristã deve buscar o aperfeiçoamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. NO PLENO CONHECIMENTO E EM TODO DISCERNIMENTO &#8211; Não é um amor piegas e inconseqüente. Conhece e discerne. Há necessidade de discernimento na vida cristã. 1Coríntios 12.10: o dom de discernir. Também 1João 4.1.  <em>O caso do “avivamento” na Argentina, pelo qual se gritaram “aleluias”, mas depois se soube que não havia nada daquilo.</em> Viva Tomé!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. PARA QUE APROVEIS AS COISAS EXCELENTES  &#8211; “Aprovar” é um verbo grego usado para o teste da qualidade do metal que circulava como moeda. O metal inadequado era retirado, e do bom faziam-se moedas que circulavam. Examinem as idéias e tirem de circulação o que não presta. Aprovar o bem e reprovar o mal. Há um encadeamento lógico: conhecer e discernir para aprovar o bem: 1Tessalonicenses 5.20-22.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4.  SEJAM SINCEROS E SEM OFENSA ATÉ O DIA DE CRISTO – “Sincero” vem da mesma raiz que  “sol”, no grego. É a idéia de colocar algo sob a luz do sol para ver sua transparência. Era o teste para ver se havia cera nos buracos da madeira. “Sejam transparentes e nunca dissimulados” é o desejo paulino. “Até o dia de Cristo”. Veja Romanos 2.16. Um dia de julgamento e de prova. Até lá, “sem ofensa”, sem qualquer coisa em nossa vida que ofenda ao Senhor. Outra tradução possível é “sem culpa”. Neste caso, seria para vivermos sem a culpa de nossos pecados, pois que já fomos absolvidos (Rm 5.1).</p>
<p><em> </em></p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>A oração expressa o desejo de Paulo pela virtuosa igreja de Filipos. Um cristão que busque a excelência por certo que desejará em sua vida as mesmas coisas desejadas por Paulo. Assim façamos. É o desejo registrado na Palavra de Deus. Mas não esgotamos. No próximo estudo completaremos a lista dos desejos do apóstolo em nossa vida.</p>
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		<title>ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES – TEXTO: 1.3-8</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 12:16:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudos em Filipenses]]></category>

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		<description><![CDATA[IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho INTRODUÇÃO Para nos situarmos bem em nosso estudo, voltemos ao esboço da carta aos filipenses: 1) Destinatários e saudação &#8211; 1.1-2 2) Ação de graças e confiança de Paulo &#8211; 1.3-8 3) A oração apostólica &#8211; 1.9-11 4) Desejo e alegria de Paulo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
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										</div><p><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</span></p>
<p>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho<br />
<span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">INTRODUÇÃO</span></p>
<p><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">Para nos situarmos bem em nosso estudo, voltemos ao esboço da carta aos filipenses: </span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">1) Destinatários e saudação &#8211; 1.1-2</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">2) Ação de graças e confiança de Paulo &#8211; 1.3-8</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">3) A oração apostólica &#8211; 1.9-11</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">4) Desejo e alegria de Paulo &#8211; 1.12-26</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">5) Exortação e exemplo &#8211; 1.17 a 2.18</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">6) Planos para futuro &#8211; 2.19-30</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">7) A grande digressão &#8211; 3.1-21</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">8 ) Encorajamento, apreciações e cumprimentos &#8211; 4.1-20</span></span></p>
<p><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><span style="font-size: x-small;">9) Despedidas- 4.21-23</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">Após a saudação, Paulo mostra sua alegria, em forma de ação de graças. É bem diferente da carta aos gálatas, que começou com repreensão (Gl 1.6). Era uma igreja ativa, missionária, de bom testemunho e liberal no sustento. Em Corinto havia mau testemunho e a mesquinharia. A igreja de Filipos a igreja é totalmente positiva. Há igrejas como as da Galácia, cheias de problemas doutrinários. Há igrejas como a de Corinto, cheia de problemas doutrinários, brigas e mau testemunho. Mas há como a de Filipos, boa, amorosa e que dá alegria a quem convive com ela. Que igreja estamos construindo?<span id="more-2217"></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">COMENTÁRIO TEXTUAL</span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">Vv. 3-4 &#8211; Lembrar-se da igreja fazia Paulo dar graças a Deus. Sempre orava por ela. Uma função pastoral é a sacerdotal: interceder pela igreja. Conforme Hebreus 13.17 há igrejas que fazem pastores gemer. Filipos fazia Paulo se alegrar (v. 4). A Central de Macapá às vezes me preocupa. Mas me alegra. É uma igreja muito boa. Um pastor sempre deve amar a igreja que pastoreia, mas mesmo amadas, há igrejas turronas, difíceis e com donos ou famílias donas. A Central é uma igreja boa. </span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">V. 5 &#8211; O motivo da alegria: a cooperação da igreja no evangelho. Não era igreja inativa. Cooperava de duas maneiras: bom testemunho (2.15-16) e liberalidade financeira (4.15-16). Isto “desde o primeiro dia” (a conversão deles, o surgimento da igreja) “até agora”. Era constante, sem altos e baixos. “Cooperação” é o grego </span><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"><em> koinonia.</em></span><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"> Significa “compartilhamento de fé de forma fraterna”. Não é peso. É algo que se faz com alegria. A igreja de Filipos era compartilhadora, amiga, fraterna. </span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">V. 6 &#8211; Deus “começou a boa obra” e ele mesmo “aperfeiçoará”. Havia um processo de aperfeiçoamento na igreja. Muitos crentes começam a carreira cristã, mas não se aperfeiçoam. Ficam no mesmo estágio. Não crescem. Uma igreja de bom testemunho e liberal é composta de crentes que estão em aperfeiçoamento. A estagnação espiritual impede o testemunho e liberalidade.</span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">V. 7 &#8211; “Vos retenho no meu coração” (VR). “Retenho” é um verbo que dá a idéia de “prender”. Ele estava preso (1.13-14) e prendera a igreja, mas no seu coração. Isto porque ela lhe era solidária nas prisões dele e no testemunho pelo evangelho, que era seu ministério. A igreja se solidarizara com ele. Ela se identificara com seu ministério e ele a prendera em seu coração. E ele não sentia afeto apenas por alguns. “Todos vós”. Era uma igreja “fechada” com o pastor, em seus propósitos e ideais. </span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">V. 8 &#8211; “Tenho saudades”. Que bonito! Feliz é o obreiro que pode lembrar, sem amarguras, da igreja que pastoreou. Feliz é a igreja da qual um pastor sente saudades. </span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">CONCLUSÃO</span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: 'Times New Roman', serif;">Uma boa igreja é aquela que desperta saudades em quem viveu nela. Uma boa igreja é solidária aos obreiros do passado, aos missionários e aos que enfrentam lutas. Esta é a igreja por quem os pastores oram com alegria, sabendo que Deus está trabalhando nela. É a nossa igreja? Deus está trabalhando em sua vida, aperfeiçoando você? </span></p>
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		</item>
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		<title>FILIPENSES 1.01-2</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 19:47:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudos em Filipenses]]></category>
		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES INTRODUÇÃO À CARTA  E COMENTÁRIO EM 1.1-2 Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho   INTRODUÇÃO A história da fundação da igreja em Filipos está em Atos 16. Paulo teve uma visão para ir para a Macedônia (v. 9). Deus o chamava para ir pregar naquela [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: center;">IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</p>
<p style="text-align: center;">ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES</p>
<p style="text-align: center;">INTRODUÇÃO À CARTA  E COMENTÁRIO EM 1.1-2</p>
<p style="text-align: center;">
Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p><em> </em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>A história da fundação da igreja em Filipos está em Atos 16. Paulo teve uma visão para ir para a Macedônia (v. 9). Deus o chamava para ir pregar naquela região e assim ele chegou a Filipos (v. 12). Esta foi a primeira igreja fundada na Europa. A primeira convertida foi Lídia (v. 14). Foi nesta cidade que se converteu o carcereiro, numa das mais belas histórias da Bíblia (At 16.25-34). Paulo escreveu a carta da prisão em Roma (Fp 1.12-13), quando  já havia cristãos no palácio do imperador (Fp 4.22). Não lamenta, mas escreve uma carta cheia de alegria. Este é o tema do livro, que se intitula <em> A carta da alegria</em>. Ele está feliz porque a igreja o apoiou na prisão e lhe enviou ofertas para se manter (Fp 4.15-18). Era uma igreja admirável, que amava Paulo, e ele a amava. Vamos estudar a carta da alegria, escrita por um preso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>UM ESBOÇO DA CARTA</p>
<p>1) Destinatários e saudação &#8211; 1.1-2</p>
<p>2) Ação de graças e confiança de Paulo &#8211; 1.3-8</p>
<p>3) A oração apostólica &#8211; 1.9-11</p>
<p>4)  Desejo e  alegria de Paulo &#8211; 1.12-26</p>
<p>5) Exortação e exemplo &#8211; 1.17 a 2.18</p>
<p>6) Planos para  futuro &#8211; 2.19-30</p>
<p>7) A grande digressão &#8211; 3.1-21</p>
<p> <img src='http://www.isaltino.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Encorajamento, apreciações e cumprimentos &#8211; 4.1-23</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>COMENTÁRIO TEXTUAL – 1.1-2</p>
<p>Paulo estava com Timóteo, companheiro inseparável. Ambos se intitulam de “servos”, não de senhores. Não têm autoridade sobre a igreja. Muitos pastores e membros de igreja agem como se fossem donos da obra. A postura correta que cada um de nós deve ter é a de <em>servo</em>. Este foi o padrão de Jesus (Mc 10.45). E foi sua recomendação aos seus seguidores (Lc 22.24-27).</p>
<p>A carta é endereçada aos “santos em Cristo, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (v. 1). <em>Santos</em> são os crentes. A palavra significa <em>separado</em>,  não para isolamento, e sim para um propósito. São pessoas que passaram a ter uma visão diferente da vida e têm um propósito construtivo no mundo. <em>Bispos</em> é outra maneira de chamar os pastores. Bispo, pastor e presbítero (ou ancião) são termos para a mesma pessoa, no exercício de funções diferentes. Veja Atos 20.17 (anciãos ou presbíteros) e Atos 20.28 (em que eles são bispos e pastoreiam ou apascentam o rebanho). <em>Diáconos</em> eram as pessoas incumbidas de exercer função que aliviasse a carga dos pastores. Seu surgimento está em Atos 6.1-6. Literalmente, a palavra indica alguém que serve à mesa. Era uma posição baixa, na sociedade. <em>Diácono</em> dono de igreja é outra incoerência.</p>
<p>O apóstolo os saúda com <em>graça </em> e <em>paz</em>. “Graça” é o grego <em>cháris</em> e corresponde ao hebraico <em>hen, </em>“favor”.<em> </em> Deus usa de bondade para com sua igreja. Paulo deseja que a igreja cresça no conhecimento da bondade de Deus. É bom saber que a bondade de Deus é crescente. “Paz” é o grego <em> eirene</em>, de onde vem Irene. Corresponde ao hebraico <em>shalom</em>. A idéia é de algo completo, de uma pessoa realizada, ajustada, e não apenas tranqüila. Ele deseja que a igreja prove o cuidado misericordioso de Deus e seja uma comunidade de pessoas completas, realizadas. Esta a proposta do evangelho. Que provemos a graça de Deus e desfrutemos da paz que Cristo oferece. Quando descansamos em Cristo temos paz. Ele deixou isso bem claro em Mateus 11.28-29. É o descanso de sabermos que nossa vida está em boas mãos, nas melhores mãos que há, as de Deus.</p>
<p>Por hoje é só. Na próxima semana teremos mais.</p>
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		<title>ANJOS – UM BREVE ESTUDO BÍBLICO</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/11/anjos-%e2%80%93-um-breve-estudo-biblico/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 20:01:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[  Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para a Igreja Batista Central de Macapá, AP   INTRODUÇÃO O que é um “anjo”? Nos gibis de Maurício de Souza, é um ente com cabelos loiros encaracolados, olhos azuis, um par de asas nas costas e uma auréola sobre a cabeça.  Quando criança, criado na Igreja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
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										</div><p align="center"><em> </em></p>
<p align="center"><em>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para a Igreja Batista Central de Macapá, AP</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>O que é um “anjo”? Nos gibis de Maurício de Souza, é um ente com cabelos loiros encaracolados, olhos azuis, um par de asas nas costas e uma auréola sobre a cabeça.  Quando criança, criado na Igreja Católica, eu colecionava estampas de santos em meu catecismo. Havia um cartão especial que me impressionava: uma criança ia atravessar uma ponte e um anjo a protegia. Como sempre, o anjo era loiro e tinha um grande par de asas.</p>
<p>No misticismo de hoje, os anjos são mostrados como entes que podem ser manipulados. Há um anjo para cada dia, dá-se seu nome, e como se relacionar bem com ele. No neopentecostalismo não é diferente. “Gloria Copeland e Charles Capps sugerem que pode haver entre 40.000 e 72.000 anjos designados para cada crente, apenas esperando para servir-nos”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftn1">[1]</a>. Em certo lugar, um missionário recebera uma legião de anjos da parte de Deus, e os  alugava aos crentes, que pagavam mensalidades de um carnê pelo “aluguel”.</p>
<p>O que é um anjo? Alguém alado, alguém a serviço dos cristãos, alguém que vem nos visitar e dar revelações? O que a Bíblia diz?<span id="more-2170"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. OS TERMOS BÍBLICOS</p>
<p>O Antigo Testamento hebraico traz a palavra <em>mal’aqh</em> e o Novo Testamento grego assumiu a palavra <em>aggelos, </em>que se pronuncia <em>angelos  </em>(quando há dois gamas, nossa letra “g”, o primeiro soa como “n”) como as palavras mais comuns. Os termos não têm a ver com sua forma, mas com sua função, que significa “mensageiro”. Anjos são mensageiros de Deus. O termo é usado tanto para mensageiros humanos (1Rs 19.2, Lc 7.24 e 9.52), como para mensageiros divinos (Gn 21.17, Mt 1.20, Lc 22.43).</p>
<p>Na maior parte das vezes, a palavra se refere aos mensageiros de Deus, que povoam o mundo celeste e assistem em sua presença. Mas <em>aggelos</em> se usa tanto para anjos de Deus quanto para os anjos caídos. Já não acontece isto com <em>mal’aqh</em> porque no judaísmo a noção de Satanás e de anjos caídos é tênue.</p>
<p>Há outros termos hebraicos usados para designar anjos. Um deles é <em>benym Elohym </em>(“filhos de Deus”). Encontramos em Jó 1.6 e 2.1, Salmos 29.1 e 89.6 (que algumas versões trazem como “seres celestiais”).</p>
<p>Outro termo é “santos” (<em>qadoshym</em>), com a idéia de “distintos, separados”. Vemos assim no Salmo 89.5 e 7. Outro, ainda, é “vigias” ou “vigilantes” (<em>ayr</em>), que aparece apenas em Daniel 4.13, 17 e 23. A idéia é que estão vigiando pelo povo de Deus.</p>
<p>No Novo Testamento, além de <em>aggelos</em>, eles são chamados de “espíritos”, como lemos em Hebreus 1.4. O termo é <em>pneuma</em>, que significa “ar” ou “vento”. Ressalta a idéia da sua imaterialidade, ou seja, são incorpóreos. Citando Augustus Nicodemus:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Existe outro termo no Novo Testamento para se referir aos anjos, o qual só Paulo emprega: “principados e potestades”. Em duas ocasiões é usado em referência aos demônios (Ef 6.12; Cl 2.15) e em três outras aos anjos de Deus (Ef 3.10; Cl 1.16; 1Pe 3.22). Em todos os casos, refere-se ao poder e à hierarquia que existe entre esses espíritos <a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftn2">[2]</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DOS ANJOS</p>
<p>Apresento cinco, a seguir. Não são todas as características, mas dentro de nosso propósito neste estudo nos servirão.</p>
<p>2.1  – Os anjos são entes espirituais. Prefiro chamá-los “entes” a “seres”. Filosoficamente, só há um Ser, Deus, o Incriado, o Eterno, o Autoexistente. Os demais são criados, por isso é melhor chamá-los de “entes”. Como entes espirituais, são incorpóreos (Hb 1.14). Embora não tenham corpo físico podem, eventualmente,  assumir forma corpórea, como percebemos em Gênesis 19.</p>
<p>2.2   - Os anjos são imortais. Não são eternos, pois eterno é o que não tem princípio nem fim. Eles tiveram início, mas não morrem. Esta imortalidade deles se vê nas palavras de Jesus em Lucas 20.36.</p>
<p>2.3   - Os anjos não se reproduzem de acordo com sua espécie. A Bíblia não os mostra como entes assexuados. As referências a eles se dão com o pronome masculino. Aparecem e são vistos como se fossem homens, do sexo masculino. No Antigo Testamento, Gabriel é mostrado com aparência de homem (Dn 8.15-16). É o mesmo Gabriel de Lucas 1.26. Em Apocalipse 12.7 há outro anjo, com nome masculino, Miguel (Ap 12.7). Não há referências a “anjas”, ou anjos do sexo feminino. Parece que sua reprodução não fazia parte do projeto de Deus.</p>
<p>2.4  – Os anjos têm poder superior ao humano, mas não são onipotentes. Vejamm-se  Salmo 8.5 (onde <em>elohym</em>, termo usado para Deus e para entes espirituais foi entendido por alguns tradutores como “Deus”) e 103.20. São mais fortes que nós (2Pe 2.11), são poderosos (2Ts 1.7) e esta força pode ser usada por Deus para tocar em pessoas (2Sm 24.16-17 e At 12.23). Esta força pode operar pelos crentes (At 5.19 e 12.7). Na ressurreição de Jesus esta força foi usada: Mateus 28.2.</p>
<p>2.5  – Os anjos são servidores dos crentes. Libertaram Pedro. Um deles apareceu a Paulo, em hora de crise e o esclareceu sobre o plano de Deus: Atos 27.23-25. Esta idéia é declarada em Hebreus 1.14.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. QUAL A ORIGEM DOS ANJOS?</p>
<p>Os anjos não são autoexistentes, ou seja, não são eternos nem são incriados.</p>
<p>A Bíblia não declara com exatidão  quando foram criados.  Pode ser que antes da criação material ou logo após ela. Deduzimos isso de Neemias 9.6. Jesus, o Filho, fez parte deste ato criador (Jo 1.1-3 e Cl 1.15-16). Há também o fato de que são criação divina e que devem ter sido criados todos juntos, pois eles não podem se procriar, como deduzimos das palavras de Jesus em Mateus 22.30.</p>
<p>É bom lembrarmos isto porque há hoje gente querendo adorar anjos. O culto a anjos já aparecia nos dias do Novo Testamento. Paulo adverte os colossenses para não cometerem neste erro: Colossenses 2.16-18. Jesus é maior que eles, porque os criou. Antes de adorar a criação, adore ao Criador. O texto de Hebreus 1.5-14 mostra a relação entre Jesus e os anjos. Vivemos numa época de religiosidade ocultista e antibíblica. Jesus é Senhor dos crentes, e os anjos são servidores dos crentes (Hb 1.14).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. POR QUE OS ANJOS FORAM CRIADOS?</p>
<p>Não foram criados porque Deus não tinha o que fazer. Ocupam um lugar especial no seu propósito. Vejamos algumas das ações dos anjos, que mostram por que foram criados:</p>
<p>4.1 &#8211;  Os anjos foram criados para darem glória, honra e ações de graça a Deus. Vejamos o Salmo 148.1-2.</p>
<p>4.2  &#8211; Os anjos foram criados para adorarem a Cristo: Hebreus 1.6. Eles cuidaram de Jesus: Mateus 4.11 e Lucas 22.43-44.</p>
<p>4.3  – Os anjos cumprem os propósitos divinos. Eles protegem o povo de Deus (Dn 12.1), lutam contra Satanás (Jd 9 e Ap 12.7). Anunciaram desígnios de Deus: Lucas 1.11-17, 1.26-38.</p>
<p>4.4  – Eles levam os salvos à presença de Deus: Lucas 16.22.</p>
<p>4.5  – Eles virão com Jesus, para efetuar juízo: 2Tessalonicenses 4.16 e Judas 14-15.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5. ORDENS DE ANJOS</p>
<p>A Bíblia deixa transparecer que há categorias de anjos, ou seja, ordens de anjos. Ela fala de querubins, serafins e arcanjos. Os dois primeiros indicam tipos diferentes, e “arcanjos” indica classificação.</p>
<p>5.1 – <em>Querubins – </em>O hebraico é <em>qerüb</em>. “Querubim” é plural (o plural hebraico não se faz com “s”, mas com “im”). São sempre representados como simbólicos, celestiais e alados. Impediam o retorno ao Éden (Gn 3.24). Dois deles estavam representados no propiciatório, que era a tampa da arca do Senhor (Ex 25.17-20, Hb 9.5). Eles protegiam objetos e lugares sagrados. Eram figuras para impressionar. Eis o que diz <em>O</em> <em>novo dicionário da Bíblia:</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Figuras de querubins formavam parte das suntuosas decorações do Templo de Salomão (1Rs 6.26 e segs.). Duas dessas, esculpidas em madeira de oliveira e recobertas de ouro, dominavam o Santo dos Santos ou santuário mais interno. Tinham cerca de 5 metros de altura, com a envergadura das asas de dimensões semelhantes, e, quando postas juntas cobriam a parede inteira (&#8230;). São geralmente representados como criaturas dotadas de asas, mas também com pés e mãos. Na visão de Ezequiel sobre a Jerusalém restaurada, as semelhanças esculpidas de querubins tinham dois rostos, um de homem e o outro de leão novo (Ez 41.18 e segs.) (&#8230;) Mas invariavelmente aparecem associados com Deus, e lhes eram atribuída uma elevada e etérea posição.<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftn3">[3]</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sua importância se vê no fato de que eram eles que guardavam o trono de Deus (Ez 10.1-4).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5.2 – ­<em>Serafins- </em>O hebraico é <em>seraf, </em>derivado de  “saraph”, “queimar, consumir com fogo”. As serpentes ardentes de Números 21.4-9 eram as <em>saraphs</em>, de mordedura ardente.  Os serafins seriam os anjos em fogo, ardendo. São mencionados em Isaías 6. Pareciam com homens, pela descrição de Isaías. Tanto que onde se lê que “cobriam os pés”, a Bíblia de Jerusalém, em nota de rodapé, diz “eufemismo para designar o sexo”. Literalmente eles seriam os anjos em fogo, ardendo. Isto porque estão próximo do templo de Yahweh. A proximidade de Deus é tão santa que os anjos estão em fogo. Isto causou o terror de Isaías (Is 6.5). Eles são anjos de adoração, e repetem incessantemente que Deus é Santo. Não três vezes santo, mas infinitamente santo. A idéia do texto hebraico não é que eles dizem três vezes “santo”, mas que as parelhas de anjos se revezam constantemente dizendo “santo”.  Um deles purificou Isaías (Is 6.6-7).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5.3 – <em>Arcanjos </em>– Seriam anjos mais antigos ou anjos maiorais, conforme a tradução. Um deles tocará a trombeta no dia final (1Ts 4.16). Outro lutou com o Diabo pelo corpo de Moisés (Jd 9). Segundo o apócrifo <em>Assunção de Moisés</em>, que é citado por Judas, Satanás queria usar o corpo de Moisés para torná-lo objeto de idolatria por parte dos hebreus. Os arcanjos parecem estar ligados a momentos muito especiais, singulares mesmo, da revelação. No livro de Tobias 12.15, da Bíblia católica, são mencionados sete arcanjos, que seriam Rafael, Gabriel, Uriel, Miguel, Izidquiel, Hanael e Quefarel. Seriam os únicos que teriam o privilégio de adentrar à presença de Deus. Gabriel disse a Zacarias que ele assistia diante de Deus (Lc 1.19). É oportuno lembrar que Tobias têm vários equívocos históricos e erros geográficos, que só entrou no cânon católico em 1548. Diz-nos Elwell: “Em 1548, o Concílio de Trento reconheceu que os apócrifos, com exceção de 3 e 4 Esdras e da Oração de Manasses, tinham <em>status</em> canônico não qualificado” <a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftn4">[4]</a>. Sem dúvida, Tobias, pelos erros históricos e geográficos, é um livro de ficção, com data de composição estimada no ano 200 antes de Cristo. Já reflete muitos conceitos persas e gregos (foi escrito em grego, não em hebraico)e não é base segura para estabelecer doutrinas nem posições teológicas. Mas registremos o andamento do conceito de anjos, no judaísmo, como ele mostra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6. ANJOS BONS E ANJOS MAUS</p>
<p>Os anjos são entes criados por Deus. A Bíblia nada diz sobre a época de sua criação, mas é provável que tenha sido antes da criação do mundo e do homem, pois um deles já impediu o homem de voltar ao Éden. A Bíblia é lacônica e enigmática sobre a queda deles, mas menciona anjos caídos (2 Pe 2.4 e Jd 6) e que padecerão no inferno com Satanás (Mt 25.41). O texto de Ezequiel 28.11-19 pode ser entendido como se o rei de Tiro fosse a encarnação de Satanás e dá uma descrição de como teria sucedido. Eles são os espíritos imundos do Novo Testamento (Mt 10.1). Por isso devemos ter cuidado ao adorar anjos. Quem sabe se o anjo adorado não é um caído?</p>
<p>Estão alguns no inferno, segundo 2Pedro 2.4. Aqui, inferno é “Tártaro”, que indica o lugar, na mitologia grega, onde Zeus aprisionara os titãs. Pedro pode ter usado este termo porque seus leitores, familiarizados com a cultura grega,  sabiam que era um lugar de espera de entes espirituais condenados. Alguns estão em liberdade e trabalham para prejudicar a obra de Deus (Ap 12.7-9 e Jd 9). Parece que os que estão na terra precisam de um corpo. Caso contrário, voltam para o Abismo, como se pode depreender de Lucas 8.27-31. O abismo ali mencionado não é o abismo onde os porcos caíram, mas o <em>Abadon</em>, na imaginação da época, uma fenda que conduzia ao hades, o mundo dos mortos. A idéia é de um lugar sem fundo, a habitação dos demônios. Em Apocalipse 20.1-2, Satanás é jogado no abismo (<em>Abadon</em>), onde ficará por um período de tempo, e de onde sairá. Só mais tarde é que ele será lançado no lago de fogo e enxofre (Ap 20.10). Este é o destino final dos anjos caídos.</p>
<p>Mas há anjos bons. Vejamos alguma coisa sobre eles. São os que não caíram e continuam trabalhando dentro do propósito de Deus.</p>
<p>6.1 – Eles guiam e guardam os crentes: Sl 91.11 e Hb 1.14. Lembremos, ainda que eles serviram a Jesus, logo após a tentação: Mateus 4.11. Marcos 1.13 diz que serviram durante todo o tempo.</p>
<p>6.2 – Eles tiveram participação no ministério de Jesus. Seu nascimento foi anunciado por Gabriel (Lc 1.26), um anjo falou a José sobre a gravidez de Maria (Mt 1.20) e o orientou a ir e regressar do Egito (Mt 2.13 e 19). Um anjo confortou Jesus no Getsêmani (Lc 22.43).</p>
<p>6.4 &#8211; Eles defendem os servos de Deus e os livram em momentos de aflições – Gn 19. 10-11,  At.5.19-20.</p>
<p>6.5 &#8211; Eles escoltam os salvos à presença de Deus: Lc 16.22. Em Lucas 24.22-24 e Judas 9, eles têm ações ao redor de falecidos.</p>
<p>6.6  &#8211;  Eles estarão ativos no juízo final:  Mt 13.49, 25.31-32  e 2Ts 1.7-8.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>7.  O DESTINO FINAL DOS ANJOS</p>
<p>Qual será o destino final dos anjos? Como terminará a história deles?</p>
<p>Os anos fiéis, que não caíram, continuarão servindo a Deus por toda a eternidade, como podemos deduzir de Apocalipse 21.1, 2 e 12.</p>
<p>Os anjos maus serão lançados no fogo eterno que foi preparado para o Diabo e para eles (Mt 25.41). À luz de 1Coríntios 6.3, os crentes terão parte no julgamento dos anjos maus, quando do juízo final.</p>
<p>Quanto a Satanás, será lançado e detido no Abismo (Ap 20.3). Na visão amilenista, esta detenção é sua limitação na época presente, pela ação do Espírito Santo na igreja que age no mundo e o bloqueia. Ele terá livre campo para agir por um período de tempo. Tentará destruir o povo de Deus, mas será derrotado. E lançado no lago de fogo (Ap 20.10 e Mt 25.41).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Criação divina, obreiros de Deus, ajudadores dos fiéis, tudo isto faz parte da razão de ser dos anjos. Um lembrete final: eles não devem ser adorados nem sequer reverenciados. No tempo de Paulo, alguns diziam ter visões de anjos e se gloriavam disso. O apóstolo exortou os crentes a não serem influenciados por tais pessoas: Colossenses 3.16-18. A Cabeça de tudo é Cristo  (Cl 2.19). Não suceda que venhamos a adorar a criatura no lugar do Criador. Jesus é o Criador. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Ele criou o mundo, os anjos, nós, e a Igreja. E esta,  com seu sangue. Seja ele bendito para sempre, inclusive por ter criado os anjos. Mas muito mais por nos ter salvado e nos constituído como seu povo.</p>
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftnref1">[1]</a> ANKERBERG, John e WALDON, John. <em> </em><em>Os fatos sobre o movimento da fé</em>. Porto Alegre: Chamada da Meia-Noite, 1996, p. 63.</p>
</div>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftnref2">[2]</a> Em seu artigo “Crença em anjos no Novo Testamento”, que recebi pela Internet, e do qual não tenho mais detalhes. Mas cito o autor, mesmo com dados incompletos, por questão de respeito.</p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftnref3">[3]</a> SHEDD , Russel (ed.)<em> O novo dicionário da Bíblia</em>. S. Paulo: Edições Vida Nova, s/d, 3º. vol. p. 1357</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/ANJOS%20-%20UM%20BREVE%20ESTUDO%20B%C3%8DBLICO.doc#_ftnref4">[4]</a> ELWELL, Walter (ed.) <em>Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã</em>. S. Paulo: Edições Vida Nova, 1988, 1º. v., p. 95.</p>
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		<title>O QUE NOS ACONTECE QUANDO MORREMOS?</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 20:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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<p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, estudo preparado para a Igreja Batista Central de Macapá</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>O que nos acontece quando morremos?  O materialista dirá que não acontece nada. Tudo se acabou. Para alguns, voltamos em uma segunda oportunidade, uma terceira, quantas forem necessárias.  Este mundo é uma espécie de penitenciária, um IAPEN espiritual, onde pagamos os erros de vidas passadas, embora não nos lembremos deles. Para outros mais, ficamos em uma espera, dormindo, até que um dia acordaremos, no juízo final. E outros, ainda, pensam que ficamos num lugar de onde orações e cerimônias religiosas do lado de cá, feitas por outras pessoas, nos tirarão. Mais recentemente, começou a se veicular a idéia de que continuamos vagando por aí, até cumprimos nossa missão. Isto foi mostrado em dois filmes, <em>Ghost </em> e <em>Sexto sentido</em>. Neste, um psicanalista é morto, mas não sabe que morreu. Contracena com ele um garoto que lhe diz: “I see dead people all the time” (“Eu vejo gente morta, sempre”). Só depois que ajuda o menino a se firmar, desempenhando um papel numa peça de Shakespeare, é que o psicanalista entende que morreu, e pode ir embora, de vez. Esta é uma tendência de romantizar a morte e enaltecer a vida humana mostrando seu sentido como sendo o cumprimento de uma missão. Quem cumpre sua missão aqui na terra pode morrer em paz. É uma  afirmação do existencialismo, que afirma que o sentido da vida é aquele que lhe damos. No entanto, Eclesiastes 12.13 define bem o sentido da vida: “De tudo o que foi dito, a conclusão é esta: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos porque foi para isso que fomos criados.”. Há um sentido na vida: viver com Deus. Não nascemos para vencer nem para sermos felizes. Nascemos para viver com Deus. Quando vivemos com ele, vencemos e somos felizes. Vitória e felicidade são subprodutos da vida partilhada com Deus. As circunstâncias se tornam pouco relevantes. O problema é que a humanidade quer viver sem Deus. E também quer explicar a morte sem ele.</p>
<p>Há quem diga que a morte não existe e tudo é ilusão. Tudo é <em>maya</em>. Mas todas as pessoas, em todas as épocas, foram iludidas?  A morte é real. Há um grande esforço da cultura secular em banir o sofrimento e a morte de nossas preocupações, negando-a ou romantizando-a. No fundo, é o medo da morte que nos faz revesti-la de aspecto romântico. Mas a morte é feia e triste.</p>
<p>Querer saber o que nos acontece após a morte é algo natural para quem crê na sobrevivência da alma. O materialista nada tem a especular aqui. Sua vida é pobre e se limita à sobrevivência física. Morrendo ele, tudo se acabou. Mas os que pensam em vida após a vida têm esta curiosidade. O que nos sucede, quando morremos?<span id="more-2123"></span></p>
<p>A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira é clara neste tópico (ela é em todos eles). Diz o item 16, intitulado “A Morte”, na sua quarta afirmação: <em>“Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chamam ‘dormir no Senhor’”. </em>Os adventistas do sétimo dia interpretam literalmente a expressão “dormir no Senhor”,  com sua doutrina do sono da alma.  Mas deixemo-los de lado e sigamos com a DD, que alista aqui as seguintes passagens bíblicas: Romanos 5.6-11 e 14.7-9, 1Coríntios 15.18-20, 2Coríntios 5.14-15, Filipenses 1.21-23, 1Tessalonicenses 4.13-17 e 5.10, 2Timóteo 2.11, 1Pedro 3.18, Apocalipse 14.13. Este é nosso ponto de partida.</p>
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<p>1. A MORTE COMO EVENTO UNIVERSAL</p>
<p>A primeira referência a morrer, na Bíblia, vem do próprio Deus. O autor da Vida falou da Morte: “&#8230; menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma a fruta dessa árvore; pois, no dia em que você a comer, certamente morrerá” (Gn 2.17). O “certamente” é enfático, como podemos ver numa tradução literal do texto hebraico: “Mas da árvore da entrada do bem e do mal, não comerás, sim, no dia em que dela comeres, morrerás, morrerás”.  Mas o homem comeu, e permaneceu vivo. Depois veremos o que Deus queria dizer com “morrerás”, neste texto.</p>
<p>A primeira morte, na Bíblia, parece ter sido de animais: “E o Deus Eterno fez roupas de peles de animais para Adão e a sua mulher se vestirem” (Gn 3.21). Ou Deus tirou as peles dos animais escapelando-os e deixando-os vivos, ou havia um zíper para tirar as peles deles, ou, ainda, eles morreram (ou foram mortos). Simbolicamente, é  a primeira declaração bíblica de que o homem não consegue resolver o problema das conseqüências do pecado. Apenas Deus pode. A separação de Deus é vista como nudez. Só Deus pode cobri-la.</p>
<p>A morte é universal. “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez” (Hb 9.27). Todas as pessoas que existem morrerão. Esta é a única certeza da vida, a morte. Como disse o filósofo dinamarquês Kierkegaard: “O homem nasce para morrer, e começa a morrer quando nasce”. Com ele concorda Heidegger: “A morte é a maneira de ser que a realidade humana assume desde que passa a existir. Tão logo um homem começa a viver, já é suficientemente velho para morrer” <a title="" href="#_ftn1">[1]</a>. A sabedoria popular cunhou isto da seguinte maneira: para morrer, basta estar vivo.</p>
<p>A morte aguarda cada pessoa no fim da jornada. Disse Benjamin Franklin: “Há duas coisas inevitáveis na vida: a morte e os impostos”.  Índios não pagam impostos, mas morrem. Na realidade, a morte é a única certeza que se tem na vida. Não sabemos que futuro os bebês que nasceram hoje, mundo afora, terão. Mas sabemos que todos eles morrerão. A morte é o mais temido adversário da humanidade.  Aguarda cada um de nós no fim de nossa experiência para uma batalha que nunca perde. Enfrentá-la tem sido motivo de muitas cogitações.  Epicuro, filósofo grego materialista, disse: “A morte não nos concerne, pois enquanto vivemos, a morte não está aqui. E quando ela chega, nós não estamos mais vivos” <a title="" href="#_ftn2">[2]</a>. Esta questão foi posta em outras palavras: “Enquanto somos, a morte não é. Quando ela é, nós não somos”. O grande problema para nós é que só sabemos o que ser e não o que é não ser. Em outras palavras, sabemos o que estar vivos, mas não o que é estar mortos. E o desconhecido nos atemoriza.</p>
<p>Summers, de forma poética, descreve a figura da Morte: “Com rosto lúgubre e garras de hárpia, a Morte anda no encalço de sua presa desde o início do registro da história do homem. Este aspecto da experiência humana entrou no mundo com uma nota trágica, em que um homem enraivecido contra seu irmão levantou-se para matá-lo. Desde aquela introdução, a Morte tem mantido os homens no temor do seu poder” <a title="" href="#_ftn3">[3]</a>.</p>
<p>Até agora o cenário parece sombrio. Comecei o raciocínio mostrando o que temos que enfrentar. Agora cito o Novo Testamento: “Deus nos salvou e nos chamou para sermos o seu povo. Não foi por causa do que temos feito, mas porque este era o seu plano e por causa da sua graça. Ele nos deu essa graça por meio de Cristo Jesus, antes da criação do mundo. Mas agora ela foi revelada a nós por meio do glorioso aparecimento de Cristo Jesus, o nosso Salvador. Ele acabou com o poder da morte e, por meio do evangelho, revelou a vida que dura para sempre” (2Tm 1.9-10). Por causa de Jesus temos a imortalidade, a vida eterna. Não somos filósofos ou pensadores sem esperança. Somos cristãos, e temos a bendita esperança trazida por Jesus. Esta esperança se baseia na obra de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).</p>
<p>Por este motivo, o cristão não teme a morte e reflete tranqüilo sobre ela. Não a varre para baixo do tapete. O verdadeiro cristão pode usar as palavras de uma composição de Bach: “Vem, ó doce morte!”. Porque que a morte não é o ponto final, mas como disse Diétrich Bonhoffer: “A morte é o supremo festival no caminho da libertação”. E como o pastor batista Martin Luther King Jr. pediu que fosse colocado em sua sepultura: “Livre, verdadeiramente livre; graças ao Deus Todo-Poderoso, verdadeiramente livre, afinal!”.</p>
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<p>2. OS TRÊS TIPOS DE MORTE</p>
<p>Quando a  Bíblia fala de “morte”, usa a palavra com três sentidos: a morte física, a espiritual e a eterna.</p>
<p>(1) <em>Física</em> – Refere-se à separação entre o espírito humano e o corpo, quando cessam as atividades físicas e cerebrais: Eclesiastes 12.7. Todos passam por ela: Hebreus 9.27. Todos nós passaremos por ela. Dentro de cem anos, nenhum de nós estará aqui. Teremos morrido.</p>
<p>(2)<strong> </strong><em>Espiritual </em>-<strong> </strong>É a situação da pessoa sem Cristo: Efésios 2.1. Por isso a pessoa precisa nascer de novo: João 3.3. Sem Cristo o homem está espiritualmente morto. Desde o Éden que o homem ele perdeu a comunhão com a Vida. É por isso que mundo não melhora. Morto não pode dar-se vida a si mesmo. E morto se decompõe.</p>
<p>(3) <em>Eterna </em>- É a situação da pessoa sem Cristo após a morte física: Apocalipse 20.15. Podemos dizer que quem só nasce uma vez (no físico), passa por três tipos de morte e morre eternamente. Quem nasce duas vezes (no sentido de João 3.3) só morre uma vez (Jo 11.25-26) e ressuscita duas (espiritual e corporalmente).</p>
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<p>3. E AO MORRERMOS, O QUE SUCEDE CONOSCO?</p>
<p>Voltemos a Hebreus 9.27. Ele nos permite compreender o esquema de nossas vidas: nascimentoè vida na terraè julgamento e vida no além. Todos nascemos, vivemos e todos morreremos. Isto é óbvio. Mas surge a questão: para onde vamos após a morte?</p>
<p>Segundo Eclesiastes 3.20, todos os mortos vão para um mesmo lugar, o pó: “Todos vão para um lugar; todos são pó e todos ao pó tornarão”. “Pó”, aqui, é tomado como destino final, porque afinal, alguns morrem afogados e outros, em incêndios.  Todos vão para outro lugar, após a morte. O termo hebraico para o lugar pós-morte é <em>sheol</em>. O termo grego que lhe é correspondente é <em>hades</em>, que significa “o invisível”, de <em>des</em>, “ver”, e o prefixo privativo <em>a</em>. É o termo que designa o mundo dos mortos. <em>Sheol </em>ou <em>hades</em> é o estado dos mortos entre a cessação de sua vida e o juízo final, quando da segunda vinda de Cristo.  Chamamos de <em>estado intermediário</em>. Esta expressão nada tem a ver com o purgatório. É “estado”  e não “lugar” intermediário.  A idéia de purgatório surgiu no século V de nossa era, com Agostinho, foi defendida por Gregório e definitivamente incorporada à teologia católica na 25<sup>ª</sup> sessão do Concílio de Trento, que aconteceu de 1545 a 1563, em reação à Reforma. O estado intermediário não intermedeia purgatório e céu, mas sim o estado desincorporado (em que existiremos fora do corpo) e o estado glorificado (quando seremos transformados, como diz 1Coríntios 15). Repito: é <em>estado</em> e não lugar <em>intermediário</em>. Todos os mortos estão em estado desincorporado, existindo fora do corpo. No <em>sheol/hades/além </em>há um lugar para os salvos e outro para os perdidos. Céu e inferno estão no além. Não estão aqui. Outra ressalva que deve ser feita é que o lugar onde os mortos estão, <em>sheol/hades/além</em>, é definitivo, não sendo possível passar de um lugar para outro, conforme lemos em Lucas 16.26. Sei que temos aqui uma parábola e que firmar um ponto doutrinário nela não é prudente. Mas dificilmente Jesus contaria uma história que contivesse um ponto equivocado, principalmente quando seu tema central é a suficiência da Palavra de Deus em matéria de orientação para a vida eterna. Neste caso, teria havido imprudência da parte dele, o que não se pode presumir. Mas uma observação de Summers sobre o estado intermediário nos ajudará mais a compreender a questão:</p>
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<p>O Novo Testamento ensina que na morte o corpo volta à terra e o espírito entra num estado de existência consciente, na bem-aventurança ou no sofrimento. O Novo Testamento também ensina que o corpo será levantado e transformado, na ocasião da ressurreição, quando Cristo voltar à terra. Se essas duas proposições são ensinadas no Novo Testamento, segue-se que há um estado desincorporado de existência cônscia do espírito entre os dois eventos &#8211; a morte e a ressurreição. À luz da teologia é certo haver algum tipo de vida ou de existência nesse interregno <a title="" href="#_ftn4">[4]</a>.</p>
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<p>Para entender bem o conceito de morte no Antigo Testamento, precisamos entender o conceito de homem. Ele se compõe de dois elementos: o <em>basar</em> (carne ou corpo, a parte material) e <em>nephesh</em> (alma). Embora alguns queiram ver o <em>ruah</em> (espírito) como um terceiro elemento, estudiosos como Knudson, Davidson, Delitzsch, entre outros, entendem que <em>ruah</em> é usado como sinônimo de <em>nephesh</em>, tendo ambos os termos o significado de princípio vital que resulta na vida psíquica do ser humano. O que sobrevive à morte passa para o <em>sheol</em>. Este é visto como um lugar de esquecimento (Sl 88.12) e de silêncio (Sl 94.17, 115.17), onde há certo grau de autoconsciência e possibilidade de movimento e comunicação (Is 14.19-20). Os seus moradores podiam ter certo conhecimento do futuro (1Sm 28.13-20), embora sejam denominados de &#8220;sombras&#8221; ou de <em>rephains</em>, termo hebraico que designa sombras da vida terrestre.  A idéia é de sobrevivência e não de aniquilamento. Os hebreus não tinham uma concepção bem definida de vida no além, por isso que o Antigo Testamento pouco fala sobre o assunto. Mas embora não houvesse uma teologia elaborada sobre a morte e a vida no além, os hebreus criam que havia algo do lado de lá.  Assim diz Thurman Bryant, em artigo sobre &#8220;O Corpo Celestial&#8221;:</p>
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<p>Há várias expressões da idéia de sobrevivência no Velho Testamento. Gênesis 35.18 relata que Raquel morreu no nascimento de Benjamin e saiu dela a alma ou <em>nephesh</em>. Eclesiastes 12.7 diz que ao morrer o corpo volta para a terra, como o era, e o espírito ou ruach volta para Deus. Também, a ocasião da visita da pitonisa de En-Dor a Saul reflete o conceito de sobrevivência após a morte. Outras passagens que afirmam a existência deste conceito são Jó 13.14-15, 19.25-27, Salmos 16, 17, 49 e 73. Há uma tradição hebraica antiga que quando o homem morre, sua alma parte do corpo, mas permanece perto dele durante três dias para partir de uma vez quando começa a decomposição. Dr. Summers acha esta tradição interessante em vista da declaração de Marta a Jesus que Lázaro jazia no túmulo já quatro dias (João 11.39). <a title="" href="#_ftn5">[5]</a></p>
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<p>Segundo a tradição judaica, três dias era o tempo de viagem do <em>ruah</em> ao sair do corpo até o <em>sheol</em> <a title="" href="#_ftn6">[6]</a>. No caso de Lázaro, pode significar também que Maria estava dizendo que o seu <em>ruah</em> já estava no <em>sheol</em>, de onde não se regressa.  Mas, independente da interpretação que se dê a esta passagem, o certo é que parece haver um desenvolvimento da idéia da vida após a vida terrena no Antigo Testamento, quando ele (o AT) está se encerrando.  Quando o hebreu tomou ciência de seu valor como indivíduo e não apenas como participante da nação, começou a refletir também sobre seu destino eterno como indivíduo. Numa segunda etapa, começou a refletir sobre a idéia de retribuição não apenas nesta vida, mas na vida além túmulo. Por fim, a noção de comunhão com Deus aqui na terra se espiritualizou também para o âmbito da vida após a morte. Mas o certo é que a teologia judaica, antes do fim do Antigo Testamento já cria numa vida além e até mesmo numa ressurreição dos mortos para receberem seu castigo ou sua recompensa, como lemos em Daniel 12.2-3. É com o cristianismo, no entanto, graças à obra de Cristo, que a vida no além assumirá um aspecto grandioso. A morte deixou de ser assustadora e foi até zombada por Paulo: “Assim, quando este corpo mortal se vestir com o que é imortal, quando este corpo que morre se vestir com o que não pode morrer, então acontecerá o que as Escrituras Sagradas dizem: ‘A morte está destruída! A vitória é completa! Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu poder de ferir?’”. A morte morrerá: “Então a morte e o mundo dos mortos foram jogados no lago de fogo. Esse lago de fogo é a segunda morte”. (Ap 20.14). Desde a ressurreição de Cristo a morte é paciente terminal.</p>
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<p>4. O LUGAR DO SALVO NO SHEOL/HADES/ALÉM</p>
<p>Ao morrer, o crente em Jesus vai para o <em>sheol/hades/além</em>, num lugar que lhe é próprio. É chamado de “seio de Abraão” (Lc 16.22-23), de “paraíso” (Lc 23.43) e “campos Elíseos” (literatura grega). São as moradas das quais Jesus disse que há muitas no céu, como lemos em João 14.2. É um lugar de glória, como lemos em Romanos 8.18. Vive-se com o Senhor para sempre, como lemos em Apocalipse 22.3-5. A palavra de Paulo em Filipenses 1.21-23 revela que a compreensão da vida após a morte é uma vida de qualidade bem superior à presentemente vivida. Deve ficar bem claro que o lugar do salvo, no <em>sheol/hades/além</em> é já de salvação. Na palavra de Paulo em 2Coríntios 5.7-8, morrer é estar ausente do corpo, mas presente com o Senhor.  Paulo deixa transparecer que a morte do salvo é o abandono do corpo material e uma entrada imediata na presença do Senhor. Este estado não é de inconsciência ou de sono. Pensemos nas palavras de Summers:</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Em Lucas 23.43 Jesus assegurou ao salteador arrependido: “Em   verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. E em Lucas 16.22, a expressão &#8220;foi levado&#8230; para o seio de Abraão&#8221; é claramente  um termo descritivo que se refere  ao estado de bem-aventurança na presença de Deus. Nenhum gozo maior poderia ser contemplado por um bom hebreu do que ser recebido com um abraço no seio de Abraão, o pai da raça.<a title="" href="#_ftn7">[7]</a></p>
<p>A promessa de Jesus ao ladrão, de estar no paraíso, merece mais observação de nossa parte. “Paraíso” é a transliteração do grego<em> paradeisos</em>. No grego clássico designava um jardim ou parque, lugar de beleza e de recreação. Um lugar de delícias. Os tradutores da LXX o usaram para designar o jardim do Éden, em Gênesis 2.8. Flávio Josefo usou o termo para os jardins de Salomão, em Etã, bem como para os jardins suspensos da Babilônia. Associou-se ä figura de um lugar aprazível. O termo aparece no Novo Testamento na história do ladrão na cruz, na experiência de Paulo em ter sido arrebatado (2Co 12.4) e no Apocalipse 2.7, ao se falar da árvore da vida que está no paraíso. Tem a idéia de uma restauração à posição original de antes da queda. Esta impressão é corroborada pela figura de Apocalipse 22.1-2, onde o termo não aparece, mas a árvore da vida, sim.  Mais do que lugar geográfico, o termo parece indicar o lugar onde Deus habita.</p>
<p>A este lugar chamamos, costumeiramente, de céu. No judaísmo posterior se desenvolveu a idéia de dividir o céu em sete regiões diferentes, mas havia muita fantasia e nenhum registro bíblico nos ficou ·. O maior escritor judeu contemporâneo, Prêmio Nobel de Literatura, é Isaac Bashevis Singer. Suas obras, mesmo sendo ficção, revelam muito do mundo religioso dos hebreus. Em <em>Shosha</em>, seu romance favorito, há esta observação feita por um de seus personagens: “Posso facilmente visualizar o Todo-Poderoso sentado no Trono da Glória no sétimo céu, Metraton à Sua direita, Sandafon à Sua esquerda&#8230;” <a title="" href="#_ftn8">[8]</a>. Não estou conferindo a uma obra de ficção o caráter de obra teológica, mas reconhecendo que Singer, em seus escritos, expressa a crença popular dos hebreus, na sua religiosidade popular.</p>
<p>Temos um possível resquício desta idéia de sete céus na palavra de Paulo, em Efésios 4.10, ao dizer que Jesus subiu acima de todos os céus, e de uma palavra sua ao dizer que foi arrebatado ao terceiro céu (2Co 12.1-4). Mas pouco aproveita para nosso raciocínio neste contexto.</p>
<p>O estado do salvo no <em>hades/sheol/além</em> é um estado de consciência e fixo (no sentido de que o destino final da pessoa é definido aqui, como lemos em Hebreus 12.7), definitivo (no sentido de que não se alterará) e um estado incompleto. Incompleto porque seremos revestidos do corpo celestial (2Co 5.2-4). Paulo desejava a ressurreição (Fp 3.10-11). O estado desincorporado é incompleto no sentido de que o homem, em sua inteireza, não foi devolvido ao estado original. Falta-lhe o corpo. Que ele receberá de volta, mas agora, glorificado.</p>
<p>Por isso, o cristão não teme nem lastima a morte. Para quem crê em Jesus, ela “simplesmente fornece a entrada para a nova ordem de vida incorruptível que Cristo agora tem, assegurando-a por nós na sua morte e ressurreição literais (1Co 15.49-50)”<a title="" href="#_ftn9">[9]</a> . É bom lembrar as palavras de Jesus, em João 20.25-26.  Elas foram dirigidas a uma enlutada, que perdera um parente. Jesus a consolou dizendo que Lázaro, seu irmão que falecera,  viveria para sempre. Nós cremos nisto, que um crente quando parte vai viver com Jesus para sempre?</p>
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<p>5. O LUGAR DO PERDIDO NO SHEOL/HADES/ALÉM</p>
<p>Há, também, um lugar de perdição, como lemos em Lucas 16.23-25. Algumas vezes é chamado de “inferno” (tradução de <em>hades</em>, como em Lucas 10.15). Outros nomes que este lugar recebe:</p>
<p>(1) “<em>Abadom</em>” (“destruição”), em Jó 26.6, onde é diferenciado do <em>sheol</em> e em Apocalipse 9.11 é o nome do anjo Apoliom, em grego;</p>
<p>(2) “Abismo” (a morada de demônios, em Lucas 8.31 e Apocalipse 9.11);</p>
<p>(3) “<em>Geena</em>” (inferno de fogo, em Mateus 18.9). Este último vem de Gê-Hinnom, vale de Hinom, onde se ofereciam crianças a Moloque, como lemos em 2Crônicas 28.3 e 33.6. Depois, este lugar se tornou um crematório. Animais mortos e lixo eram ali queimados. Tornou-se um símbolo de julgamento, como lemos em Jeremias 7.31-32. Em 2Pedro 2.4, o “inferno” em que os anjos foram lançados é o “Tártaro”, que no pensamento grego era o lugar mais baixo para os perdidos. Outro nome dado é “castigo eterno” (Mt 25.46). A situação do perdido é esta: ele vive agora sob o domínio do Maligno (2Co 4.4 e 1Jo 5.19). E viverá com ele na eternidade: Mateus 25.41.<strong>       </strong></p>
<p>O perdido está separado eternamente de Deus. Vemos isto em Lucas 16.23. Há um “grande abismo” separando o perdido do lugar onde Deus se encontra e há uma impossibilidade de se passar de um lado para outro.  Este estado do perdido é de consciência, também. Não é um estado de sono ou de aniquilação. O episódio do rico perdido nos ensina isto. O texto de 2Pedro 2.9 permite entender que os injustos, reservados para o dia do juízo, já estão sendo castigados.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>6. A RESSURREIÇÃO DO CORPO</p>
<p>A idéia de ressurreição corporal não é uma novidade neotestamentária. No texto citado de Daniel 12.2-3 se vê que o conceito já estava presente, mesmo que não muito elaborado, no judaísmo posterior. O autor de Hebreus declara que Abraão, quando decidiu que deveria oferecer Isaque em sacrifício, esperava por sua ressurreição (Hb 11.19). Pode-se alegar que esta é a exegese do autor de Hebreus e não, necessariamente, o pensamento de Abraão. Em resposta pode-se dizer que o autor é profundo conhecedor do Antigo Testamento e, que se não está autorizado a falar por Abraão, por certo sabia o que dizia.</p>
<p>É o Novo Testamento que ensina claramente a ressurreição do corpo.  Pensemos nestas palavras de Erb, comentando o pensamento de Kantonen em <em>The christian hope</em>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A questão da vida depois da morte tem sido argumentada como uma questão de demonstrar a imortalidade, a capacidade da alma para resistir à morte. O corpo tem recebido pouca importância [...] Mas o credo cristão não diz &#8220;creio na imortalidade da alma&#8221;. Diz “creio na ressurreição do corpo”. O corpo não é a antítese da alma [...] É difícil conceber um contraste mais completo que o entre Platão e Paulo a respeito deste ponto. O Novo Testamento reconhece o corpo e a alma como dois aspectos diferentes, mas não antitéticos da existência humana [...] A alma não é uma parte separada do homem com substância própria.  <a title="" href="#_ftn10">[10]</a></p>
<p>Isto é o fundamental: a razão da esperança cristã não é a sobrevivência da alma, mas sim a questão da ressurreição do corpo.  O homem não é uma alma aprisionada num corpo, como pensava Platão. O homem é uma unidade, como ensina a Bíblia e como o ensino paulino sobre a ressurreição deixa claro. Na seqüência de seu argumento, Erb começa citando Niles em <em>Preaching the gospel of the ressurrection</em>, e segue depois com suas observações:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O homem não é uma alma imortal em um corpo mortal. O homem é corpo e alma &#8211; uma pessoa completa &#8211; em uma imortal relação com Deus.  A morte quebra, então, uma unidade e uma integridade que devem ser restauradas com a ressurreição do corpo. O cristão não quer desfazer-se do seu corpo como se fosse algo mal. Quer tê-lo redimido e glorificado pelo mesmo poder que produziu o corpo de Cristo após a ressurreição. Como Paulo, quer que o poder da ressurreição, que agora atua por ele por meio do Espírito de Cristo, continue e complete o processo de última e final salvação: corpo e alma, o homem completo à imagem de Cristo <a title="" href="#_ftn11">[11]</a></p>
<p>A ressurreição é a devolução do homem ao seu estado antes do pecado. É a vida ideal, antes da entrada do pecado no mundo e, assim, antes da entrada da morte no mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Voltemos à Declaração Doutrinária da CBB. Eis todo o item XVI, sobre “A morte”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Todos os homens são marcados pela finitude, de vez, que em conseqüência do pecado, a morte se estende a todos (1). A Palavra de Deus assegura a continuidade da consciência e da identidade pessoais após a morte, bem como a necessidade de todos os homens aceitarem a graça de Deus enquanto estão neste mundo (2). Com a morte  está definido o destino eterno de cada homem (3). Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na presença de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chamam “dormir no Senhor” (4). Os incrédulos e impenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definitiva de Deus (5).  Na Palavra de Deus encontramos claramente expressa a proibição divina da busca de contato com os mortos, bem como e negação da eficácia de atos religiosos com relação aos que já morreram.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1)   Romanos 5.12, 6.1; 1Coríntios 15.21, 26, Hebreus 9.27; Tiago 4.14</p>
<p>(2)   Lucas 16.19-31 e Hebreus 9.27</p>
<p>(3)   Lucas 16.19-31; 23.39-46, Hebreus 9.27</p>
<p>(4)   Romanos 5.6-11 e 14.7-9; 1Coríntios 15.18-20; 2Coríntios 5.14-15; Filipenses 1.21-23; 1Tessalonicenses 4.13-17, 5.10; 2Timóteo 2.11; 1Pedro 3.18; Apocalipse 14.13</p>
<p>(5)   Lucas 16.19-31; João 5.28-29</p>
<p>(6)   Êxodo 22.18; Levítico 19.31, 20.6, 27; Deuteronômio 18.10; 1Crônicas 10.13; Isaías 8.19 e 38.18; João 3.18 e 3.36 e Hebreus 3.13.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estudando-se as passagens mencionadas e refletindo com o coração aberto, podemos render graças a Deus por Jesus Cristo. Por causa de Jesus temos esperança. Como disse um teólogo escocês: “Se vivo agora, Cristo está comigo; se morro, estarei com ele. Que bênção inaudita!”. Isto é o mais importante. Não nos esqueçamos disto.</p>
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
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<p><a title="" href="#_ftnref1">[1]</a> AUBERT, Jean-Marie. <em>E depois&#8230;vida ou nada? </em>S. Paulo: Paulus, 1995, p. 11.</p>
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<div>
<p><a title="" href="#_ftnref2">[2]</a> GAARDER, Jostein. <em>Vita Brevis. </em>S. Paulo: Cia. das Letras, 1998, p. 143</p>
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<div>
<p><a title="" href="#_ftnref3">[3]</a> SUMMERS, Ray. <em>A Vida no Além. </em> Juerp: Rio de Janeiro, 1971, p. 19.</p>
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<div>
<p><a title="" href="#_ftnref4">[4]</a> Ib. ibidem, p. 31.</p>
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<div>
<p><a title="" href="#_ftnref5">[5]</a> BRYANT, Thurmon. “O Corpo Celestial”. Revista TEOLÓGICA, da Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, ano 1, número 1, janeiro de 1966,  p. 4.</p>
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<div>
<p><a title="" href="#_ftnref6">[6]</a>  KELLEY, Page. <em>Mensagens do Antigo Testamento Para Nossos Dias</em>. Rio de Janeiro: JUERP,  1980, p. 90.</p>
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<div>
<p><a title="" href="#_ftnref7">[7]</a> SUMMERS, op. cit.  p, 32</p>
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<div>
<p><a title="" href="#_ftnref8">[8]</a> SINGER, Isaac Bashevis. <em>Shosha. </em>S. Paulo: Francis, 2005, p.158.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="#_ftnref9">[9]</a> SHEDD, Russel: “Diversos sentidos de ‘morte’ nas epístolas de Paulo”.  Revista TEOLÓGICA, da Faculdade Teológica Batista de S. Paulo, ano 1, número 1, janeiro de 1966,  p. 20.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="#_ftnref10">[10]</a> ERB, Paul. <em>El Alfa y la Omega. Buenos Aires: Editorial La Aurora, 1968, p.  135.</em></p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="#_ftnref11">[11]</a> Ib. ibidem, p. 136.</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>ESTUDO BÍBLICO NO LIVRO DE ECLESIASTES</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 22:10:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[eclesiastes]]></category>
		<category><![CDATA[eclesiásticos]]></category>
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										</div><p><!--:en-->&nbsp;</p>
<p><em>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para grupos de estudo bíblico</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Um livro curioso e dos mais atraentes.  Para alguns, um livro desalentador, mas não é bem assim. É um dos mais ricos e profundos da Bíblia e que exige certo cuidado em seu estudo. O autor mostra caminhos errados para se realizar na vida, e depois mostra o caminho certo. Ao mostrar os caminhos errados, ele não os defende. Isto faz parte de sua estrutura de trabalho. É um livro diferente, num estilo diferente. Ele mostra uma pessoa, que no relato é ele meso, procurando o significado da existência. Frustrou-se com todas as possibilidades. Por fim, descobre como fazer. É assim que o livro caminha.</p>
<p><!--:--><span id="more-2048"></span><!--:en--></p>
<p>1. TÍTULO &#8211; O título hebraico é <em>Qoheleth</em> e significa “Pregador” ou “Mestre” ou “alguém, um orador público, que se dirige a uma assembléia (de <em>qahal</em>,  congregar) de pessoas”.  Não sabemos se é um nome pessoal, um pseudônimo, ou o título de um ofício.  O termo surge sete vezes em Eclesiastes (1.1,2, 12; 7.27; 12.8,9,10) mas não aparece em nenhum outro livro do AT.  A LXX deu o nome de Eclesiastes (<em>ek,</em>  fora de; <em>klesis, </em> chamado).  A palavra Igreja no grego é   <em>ekklesía</em>,  “uma assembléia, um grupo chamado fora (separado)”.</p>
<p><!--:--><!--more--><!--:en--></p>
<p>2. AUTOR &#8211; Não há menção do nome do autor, mas 1.1 o chama “filho de Davi, rei de Jerusalém”.  A única pessoa que preencheria tais características é Salomão, devido à sua sabedoria (Ec 1.16 e 1Rs 3.12; 4.29,30), sua riqueza (Ec 2.8 e 1Rs 10.23-24,27), seus projetos de construção (Ec 2.4-6 e 1Rs 6.1; 7.1) e sua coleção de provérbios (Ec 12.9 e 1Rs 4.32-34).  O autor se identifica em 1.1,12; 2.7,9; 12.9.  Alguns acham que a expressão “filho de Davi” poderia se referir a qualquer descendente de Davi, e que 1.16 e 2.9 não teriam sentido se o autor fosse Salomão.  Assim sugerem que o autor é uma pessoa anônima que está apresentando a sabedoria de Salomão para nossa consideração, e que Salomão é um tipo de “patrono” e “fundador” da tradição de sabedoria. Esta é uma posição que tem ganhado muitos adeptos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. LUGAR NA BÍBLIA &#8211; Eclesiastes é o quarto dos cinco livros poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares, em nossa Bíblia.  Na Bíblia Hebraica, é o quarto dos  Cinco Rolos (ou Megilloth), como são chamados Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, e Ester.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="73">LIVRO</td>
<td valign="top" width="104">TIPO DE</p>
<p>LITERATURA</td>
<td valign="top" width="123">PALAVRA CHAVE</td>
<td valign="top" width="94">FESTA ONDE</p>
<p>LIDO</td>
<td valign="top" width="227">ASSUNTOS PRINCIPAIS</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="73">Provérbios</td>
<td valign="top" width="104">Sabedoria, Didático</td>
<td valign="top" width="123">Sabedoria</td>
<td valign="top" width="94">Nenhuma</td>
<td valign="top" width="227">Sabedoria prática para vida íntegra, piedosa</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="73">Eclesiastes</td>
<td valign="top" width="104">Sabedoria, Didático</td>
<td valign="top" width="123">Futilidade</td>
<td valign="top" width="94">Tabernáculos</td>
<td valign="top" width="227">Futilidade no mundo; esperança em Deus</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="73">Jó</td>
<td valign="top" width="104">Sabedoria, Didático</td>
<td valign="top" width="123">Provações</td>
<td valign="top" width="94">Nenhuma</td>
<td valign="top" width="227">Sofrimento do justo para seu aperfeiçoamento</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="73">Salmos</td>
<td valign="top" width="104">Emoções, Devocional</td>
<td valign="top" width="123">Adoração</td>
<td valign="top" width="94">Nenhuma</td>
<td valign="top" width="227">Oração e louvor a Deus no cotidiano</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="73">Cantares</td>
<td valign="top" width="104">Emoções, Devocional</td>
<td valign="top" width="123">Amor</td>
<td valign="top" width="94">Páscoa</td>
<td valign="top" width="227">Amor puro entre dois amantes; Deus e seu povo</td>
</tr>
<tr>
<td valign="top" width="73">Lamentações</td>
<td valign="top" width="104">Emoções, Devocional</td>
<td valign="top" width="123">Destruição</td>
<td valign="top" width="94">Dest.de Jerusalém</td>
<td valign="top" width="227">Lamentação da desolação e do julgamento</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. DATA – Alguns presumem que Salomão tenha escrito Cantares no início do seu reinado (cerca de 965 a.C.), Provérbios no meio, quando seus poderes intelectuais estavam no auge (cerca de 950 a.C.), e Eclesiastes no final do seu reinado, quando estava decepcionado e desiludido com sua vida mundana (cerca de 935 a.C.).  Se o autor não foi Salomão, o livro pode ter sido escrito por um descendente de Davi entre 800 e 600 a.C., talvez no 4º século a.C.  O Talmude registra que houve objeção inicial da Escola Rabínica de Shammai e de outros rabinos quanto à inclusão de Eclesiastes no cânon da Bíblia Hebraica. Mas estas observações me parecem surgir por causa da dificuldade em lidar com o teor do livro. E pode ser que o livro não seja de Salomão, mas produto de uma escola de pensamento que o teria maturado por longo tempo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5. PALAVRAS CHAVES &#8211; Há cinco palavras ou frases chaves que identificam a mensagem de Eclesiastes:</p>
<p>(1) Vaidade (Hb,  <em>hevel</em>) &#8211; 39 vezes (33 vezes no restante do AT) =  futilidade, ilusão, vazio, sem sentido, passageiro, efêmero &#8211; sem valor eterno. (“Vaidade de vaidades” é uma forma superlativa de se expressar).  Uma paráfrase colocou a frase: “Bolha de sabão, bolha de sabão, tudo é mera bolha de sabão”.</p>
<p>(2) Debaixo do Sol &#8211; 29 vezes = terrestre, preso à terra, a visão mundana do homem natural</p>
<p>(3)  Deus , 40 vezes, sempre <em>Elohim</em>, o Deus criador, onipotente, infinito, majestoso; nunca Adonai ou Iahweh (Êx 6.3), o Deus pessoal de pacto, amor, e salvação.  Tudo vem de Elohim (Ec 7.14).</p>
<p>(4) Sabedoria/Sábio (<em>hokhmah</em> e <em>hakham</em>) &#8211; 45 vezes, significando um discernimento entre o bem e o mal, uma prudência prática.  A verdadeira sabedoria está numa vida centrada em Deus, pois debaixo do sol, nada satisfaz.</p>
<p>(5) Eternidade  (<em>‘olam</em>) &#8211; 7 vezes (1.4; 1.10; 2.16; 3.11; 3.14; 9.6; 12.5).  Contraste: “debaixo do sol” e “eternidade”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6. LITERATURA FILOSÓFICA &#8211; Eclesiastes investiga a vida do ponto de vista filosófico.  O livro é uma indagação de alguém que vê apenas futilidade em tudo ao redor de si até seus olhos se abrirem para contemplar sentido na vida ao tomar em conta a existência de Deus.  Assim, muitas afirmações de Eclesiastes têm causado perplexidade e interpretações errôneas, pois suas perspectivas e seus propósitos não foram analisados dentro do contexto em que o livro foi escrito.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A filosofia é “o estudo que leva à compreensão da realidade na sua inteireza”; ou dito de uma forma mais simples, “a busca do homem pela verdade”.  Existem duas escolas principais de pensamento na filosofia:  1) Empirismo, e  2) Racionalismo.  O empirismo ensina que a experiência humana, principalmente através dos cinco sentidos &#8211; tato, olfato, ouvido, visto, paladar &#8211; é a única fonte do conhecimento; isto é, o homem pode saber somente o que ele experimenta.  O racionalismo ensina que o raciocínio humano é a fonte primária do conhecimento e da verdade espiritual; isto é, o homem pode saber somente o que ele compreende mentalmente.  Foram René Descartes (1596-1650), com sua filosofia <em>Cogito, ergo sum</em> &#8211; &#8220;penso, logo existo&#8221;, e Isaac Newton (1642-1727) com seu método científico, que iniciaram a era moderna do Humanismo/Racionalismo, baseado no  Iluminismo e na Renascença de 1350-1650 d.C.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O movimento Nova Era, nos últimos anos, está tentando introduzir uma terceira opção na Era Pós-Moderna.  Rejeitando o paradigma cartesiano/newtoniano do raciocínio, este movimento ensina que o homem experimenta a realidade, não através dos cinco sentidos e certamente não do raciocínio e da lógica, mas mediante técnicas místicas, esotéricas, ocultistas, como meditação transcendental, ioga, zen, etc.. Estas técnicas o levariam a uma “experiência cósmica”, isto é, a um “estado alterado de consciência” onde ele se identifica completamente com a única realidade e verdade que existe &#8211; a energia cósmica.  Parando de raciocinar, de objetivar, de ser científico, o homem experimenta a realidade dentro de si mesmo de uma forma intuitiva, subjetiva, mística, pois ele é apenas uma “manifestação” desta realidade &#8211; energia cósmica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O livro de Eclesiastes registra as observações, reflexões, pesquisas, experimentações de <em>Qoheleth</em>, que buscou em vão a realidade e a verdade através do racionalismo (raciocínio) (Ec 1.13,16-18; 2.12-16) e do empirismo (experiência) (Ec 2.1-11).  Em ambas as indagações ele sempre se frustrou, concluindo que “tudo é futilidade” (Ec 1.2,14; 2.11,21,23; 12.8).  Nesta busca, então, ele descobriu que a verdade essencial está em Deus e que tem que vir por Revelação Divina.  Entendido desta forma, nem tudo expresso em Eclesiastes é verdade.  A Bíblia não contém erros, mas a Bíblia registra erros.  São coisas diferentes e que devem ser bem entendidas. Isso de forma alguma fere a doutrina da inspiração das Escrituras.  Afirmações como as que lemos em Eclesiastes 1.18; 2.24; 3.19-21; 7.1,16; 9.2-3,5,10-11 são conclusões lógicas do filósofo humanista, do homem natural, sem a luz da revelação divina.  O autor não é um homem assim, mas no seu raciocínio mostra como pensa um homem assim. No final de várias conclusões sobre a futilidade debaixo do sol, o <em>Qoheleth</em> reconhece a Deus e faz  uma interpretação de outra perspectiva da vida (Ec 2.24-26; 3.10-17; 5.19; 8.17; 9.1; 11.9; 12.1,13-14.  Assim, Eclesiastes confirma o vazio de tudo à parte de Deus, como fazem outros trechos bíblicos &#8211; 1João 2.15-17, Mateus 6.19-21, Tiago 4.1-4 e Colosenses 3.2.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>7. AS DEZ VAIDADES (FUTILIDADES) &#8211; São dez as vaidades (futilidades) que levam à frustração na vida:</p>
<p>1) Ec 2.15-16 &#8211; Futilidade da sabedoria humana &#8211; Os sábios e os estultos têm o mesmo fim &#8211; a morte.</p>
<p>2) Ec 2.19-21 &#8211; Futilidade do trabalho humano &#8211; O esforçado no final não tem vantagem sobre o ocioso.</p>
<p>3) Ec 2.26 &#8230;. &#8211; Futilidade do propósito humano &#8211; O homem propõe, mas Deus dispõe.</p>
<p>4) Ec 4.4 &#8230;&#8230; &#8211; Futilidade da rivalidade humana &#8211; Muito sucesso traz mais inveja do que alegria.</p>
<p>5) Ec 4.6-7&#8230;. &#8211; Futilidade da avareza humana &#8211; Ter muito alimenta a cobiça.</p>
<p>6) Ec 4.16 &#8230;. &#8211; Futilidade da fama humana &#8211; Ela é breve, incerta, e logo esquecida.</p>
<p>7) Ec 5.10 &#8230;. &#8211; Futilidade da riqueza humana &#8211; Ela não satisfaz; o aumento somente alimenta outros</p>
<p> <img src='http://www.isaltino.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Ec 6.9 &#8230;&#8230; &#8211; Futilidade da cobiça humana &#8211; O lucro muitas vezes não pode ser desfrutado, apesar do desejo.</p>
<p>9) Ec 7.6 &#8230;&#8230; &#8211; Futilidade da leviandade humana &#8211; Ela apenas camufla o triste fim inevitável.</p>
<p>10) Ec 8.10,14 &#8211; Futilidade do galardão humano &#8211; Troca de galardão: o mal é honrado; o bem é desprezado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>8. O TEMA &#8211; FUTILIDADE DEBAIXO DO SOL, MAS SIGNIFICADO DE VIDA EM DEUS – A chave para se entender o livro é 12.3.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>9. O PROPÓSITO &#8211; Mostrar a futilidade de estabelecer alvos materialistas, terrestres, como fins em si mesmos para dar significado à vida, e apontar a Deus como a fonte de toda realidade/verdade e a vida centrada nele como a única satisfatória.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>10. O ESBOÇO  -</p>
<p>INTRODUÇÃO &#8211; 1.1-11</p>
<p>I. A BUSCA DA REALIDADE E VERDADE PELA EXPERIÊNCIA PESSOAL &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..1 &#8211; 2</p>
<p>1. A procura na sabedoria &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.         1.12-18</p>
<p>2. A procura no prazer &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;          2. 1-11</p>
<p>3. A comparação dos dois &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..        2.12-26</p>
<p>II. A BUSCA DA REALIDADE E VERDADE PELA OBSERVAÇÃO GERAL &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..3 &#8211; 5</p>
<p>1. A predeterminação da vida &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..        3.1-22</p>
<p>2. Os males e enigmas da vida &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.        4.1-16</p>
<p>3. Os conselhos na luz destas observações &#8230;&#8230;..       5.1-20</p>
<p>III. A BUSCA DA REALIDADE E VERDADE PELA MORALIDADE PRÁTICA &#8230;&#8230;&#8230;&#8230; 6 &#8211; 8</p>
<p>1. As coisas materiais não satisfazem &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..         6.1-12</p>
<p>2. A moralidade é um caminho melhor &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;        7.1-8.8</p>
<p>3. As irregularidades da vida &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;        8.9-17</p>
<p>IV. A BUSCA DA REALIDADE E VERDADE REVISTA E CONCLUÍDA &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..9 &#8211; 12</p>
<p>1. Conclusões humanas &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..         9.1-11.8</p>
<p>2. Conclusões espirituais &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;         11.9-12.14</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>11. O PESSIMISMO E CETICISMO DE ECLESIASTES -  O livro expressa certo pessimismo, talvez mesmo de Salomão, mostrando provavelmente a própria decepção e desilusão de uma pessoa materialista (veja, por exemplo, Eclesiastes 7.26-29).  Seu pessimismo tem três causas:</p>
<p>1) Ele vivia a vida egoisticamente em vez de socialmente &#8211; Vivia para TER em vez de SER ou DAR. O paradoxo da vida é que quanto mais a pessoa obtém, tanto menos ela realmente tem; quanto mais ela dá, tanto mais recebe; quanto mais ela vive por sua própria felicidade, tanto menos é feliz (Dt 15.7-10; Pv 11.24; 19.17; 22.9; 21.13; 28.27; Ec 5.13; Jr 17.11; Mc 8.35; 10.29-31).</p>
<p>2) Ele viu a vida como algo separado de Deus em vez de controlado por Ele (Ec 9.11)</p>
<p>3) Ele viu a vida terminar com a morte em vez de ter um destino além (Ec 3.19-22; 9.5,10).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É possível verificar que o autor buscou o sentido da vida. Este é o tema contextualizado do livro: <em>onde está o sentido da vida? </em> Procurou por ele:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1) Nos prazeres (2.1 e 3)</p>
<p>(2) No poder (2.7)</p>
<p>(3) Nas riquezas (2.9-11)</p>
<p>(4) Na sabedoria (2.13-17 e 12.12)</p>
<p>(5) No trabalho (2.20-23).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>12. CONTRASTE COM PROVÉRBIOS &#8211; Enquanto Provérbios aplica a sabedoria no benefício prático de uma vida dirigida por Deus, Eclesiastes aplica a sabedoria no objetivo filosófico de entender o significado da vida.  Ele indaga o “porquê” da vida.  Valeu a pena ter vivido?  No  epílogo (Ec 12.13-14) ele chega à conclusão certa e final.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>13. A REJEIÇAO DO NATURALISMO E DO HUMANISMO &#8211; Nenhum outro livro da Bíblia é mais específico na rejeição do naturalismo e do humanismo.  O autor expõe a futilidade de uma filosofia de vida baseada apenas na sabedoria natural, e mostra como a sabedoria, riquezas e prazeres resultam em desilusão, se procurados como sendo um fim em si mesmos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>14. O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO -  No capítulo 12, há uma descrição do processo de envelhecimento: vv. 2-8. “Os maus dias” (v. 1) são a velhice. V. 2:  o calor da vida está indo embora. “Guardas da casa” são os braços. “Homens fortes” são as pernas. “Moedores” são os dentes.  “Olham pela janela”, os olhos. “As portas da rua”, os ouvidos.  “For baixo o ruído da moedura”, a boca, com poucos dentes, a pessoa mastiga pouco. Não havia prótese dentária naquela época. “Levantarmos à voz das aves” mostra o ancião que acorda cedo. “As filhas da música ficarem abatidas” retrata  a surdez. “Temerem o que é alto” mostra o pouco fôlego do ancião para subir ladeiras. “Florescer a amendoeira” mostra os seus cabelos brancos. “Gafanhoto for um peso” se refere à sua pouca força física.  “Falhar o desejo” significa que cessou o impulso sexual. “Homem se vai à casa paterna” é uma figura para designar a partida para a eternidade. “Pranteadores” são as carpideiras profissionais. Como agentes os agentes funerários hoje.   No versículo 6 aparecem quatro figuras da morte.  “Quebre o copo de ouro” é uma figura que aparece em <em>2001, Uma Odisséia Espacial.</em>Um copo se quebra, na cena final do filme.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>O livro tem um tom melancólico e no final se encaminha para o desespero: 12.8 é o fim da argumentação existencial, de crise. Então vem a resposta para o uso da vida. Começou em 12.1 e conclui em 12.13. Conferir com Salmo 37.25 e 2Timóteo 4.7-8. Estes versículos respondem à questão do autor de Eclesiastes.<!--:--></p>
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		</item>
		<item>
		<title>UMA BREVE INTRODUÇÃO À BÍBLIA &#8211; UMA ABORDAGEM HISTÓRICA-DEVOCIONAL</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 12:35:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ UMA BREVE INTRODUÇÃO À BÍBLIA &#8211; UMA ABORDAGEM HISTÓRICA-DEVOCIONAL Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho &#160; &#160; INTRODUÇÃO A Bíblia contém 66 livros (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento), escritos por cerca de 40 autores (31 do AT e 9 do NT).  Ela foi escrita durante um período [...]]]></description>
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										</div><p><!--:pt--><strong><strong>IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</strong><br />
</strong></p>
<p>UMA BREVE INTRODUÇÃO À BÍBLIA &#8211; UMA ABORDAGEM HISTÓRICA-DEVOCIONAL</p>
<p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
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<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>A Bíblia contém 66 livros (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento), escritos por cerca de 40 autores (31 do AT e 9 do NT).  Ela foi escrita durante um período de mais ou menos 1.500 anos (1.400 a.C. a 100 d.C.), mas tem um único tema &#8211; <em>a redenção do homem</em>.  O AT compõe três quartos do conteúdo da Bíblia; o NT, um quarto.  Em termos da mensagem do evangelho:</p>
<ol>
<li>1.    O AT relata: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..a <em>preparação</em> para o Evangelho</li>
<li>2.    Os quatro evangelhos relatam: &#8230;&#8230;.a <em>manifestação</em> do Evangelho</li>
<li>3.    Atos relata: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.a <em>expansão</em> do Evangelho</li>
<li>4.    As epístolas relatam: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..a <em>explicação</em> do Evangelho</li>
<li>5.    O Apocalipse relata: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;a <em>consumação</em> do Evangelho.</li>
</ol>
<p><!--:--><!--:en--><strong><strong>IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</strong><br />
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<p>UMA BREVE INTRODUÇÃO À BÍBLIA &#8211; UMA ABORDAGEM HISTÓRICA-DEVOCIONAL</p>
<p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
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<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>A Bíblia contém 66 livros (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento), escritos por cerca de 40 autores (31 do AT e 9 do NT).  Ela foi escrita durante um período de mais ou menos 1.500 anos (1.400 a.C. a 100 d.C.), mas tem um único tema - <em>a redenção do homem</em>.  O AT compõe três quartos do conteúdo da Bíblia; o NT, um quarto.  Em termos da mensagem do evangelho:</p>
<ol>
<li>1.    O AT relata: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..a <em>preparação</em> para o Evangelho</li>
<li>2.    Os quatro evangelhos relatam: &#8230;&#8230;.a <em>manifestação</em> do Evangelho</li>
<li>3.    Atos relata: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.a <em>expansão</em> do Evangelho</li>
<li>4.    As epístolas relatam: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..a <em>explicação</em> do Evangelho</li>
<li>5.    O Apocalipse relata: &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;a <em>consumação</em> do Evangelho.<!--:--><span id="more-2044"></span><!--:pt-->Mas surge a pergunta, feita por muita gente: será que a Bíblia merece confiança, principalmente o AT, que é tão antigo? E também não será que as igrejas mudaram a Bíblia, de acordo com o tempo? Para responder a esta questão, precisamos considerar duas questões<em>: </em>(1) <em>Como o texto foi produzido; </em>(2)<em> Como o texto se tornou o padrão religioso, digno de crédito</em>. A estas duas, acrescento mais algum material para ampliar nosso conhecimento de como temos um texto que dizemos ser a Palavra de Deus. E que podemos ter certeza de sua autoridade e que não é um arranjo de um grupo.
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<p>1. COMO O TEXTO FOI PRODUZIDO &#8211; A Bíblia foi produzida num espaço de 1.500 anos. O êxodo de Israel aconteceu em 1445 a.C. (segundo a data mais recuada,  de acordo com algumas fontes), e o Apocalipse foi escrito no ano 95 de nossa era. Ajuntando os dois temos 1540 anos. Considerando que Moisés escreveu logo depois do êxodo, podemos calcular 1.500 anos. A preservação dos textos se chama de <em>transmissão</em>. É o <em>processo</em> pelo qual os manuscritos originais, os <em>autógrafos</em>, foram <em>copiados</em> e recopiados através dos séculos.  Houve a <em>transmissão oral</em>, mas houve muito mais a <em>transmissão por escrito.</em>  Formou-se uma profissão altamente conceituada, denominada de “escribas” que se encarregavam desta fiel transmissão, começando com Esdras (Ed 7.6,10-11).  Os escribas tinham tanto respeito pelo texto, que chegaram a ter uma <em>supersticiosa veneração</em> de suas Escrituras.  No 5º e 6º séculos d.C<span style="text-decoration: underline;">.</span>, um grupo de escribas judaicos eruditos (os doutores da lei), chamado de <em>massoretas</em>, produziu uma edição padrão do AT, usando todos os manuscritos disponíveis daquela época.  Este texto modelar ficou tão correto que séculos mais tarde, quando em 1947 d.C. os rolos de Qumrã foram descobertos, datados ao redor de 175 a 225 a.C., os manuscritos eram quase iguais.  Deus, o divino autor que se revelou e que inspirou os escritores para comunicarem sua mensagem, também preservou a sua Revelação durante séculos de transmissão. Esses 1.500 anos são suficientes para dizermos que a Bíblia é um livro maturado, provado e afirmado em mais de um milênio. Não foi algo feito às pressas. E podemos afirmar, com segurança, que o Antigo Testamento que temos é o que havia no tempo de Jesus. Não procede e é profundamente desonesta a afirmação de que o conteúdo da Bíblia foi alterado com o tempo, pelas igrejas. Quem diz isto ignora por completo o processo de formação do cânon das Escrituras. Só a ignorância ou a má-fé para afirmar isto.</p>
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<p>2. COMO O TEXTO SE TORNOU PADRÃO RELIGIOSO – Este processo se chama <em>canonização. </em>Mais tarde passou a ter o sentido aplicado a transformação de uma pessoa em santa, depois da beatificação, na Igreja Católica. Mas, etimológica e historicamente, “canonização” é a <em>identificação de um escrito como sendo divinamente inspirado</em>.  A palavra “cânon” vem do hebraico <em>qanah</em>, que significa “régua de medir<em>”</em>. “Cânon significa”, na linguagem de estudo da Bíblia, o conjunto de livros, que se tornou o <em>“padrão aferidor”, </em>a régua de medir da nossa fé<em>.</em> Os judeus chamam sua Bíblia, que é o Antigo Testamento protestante e evangélico, de <em>Tanakh</em>, derivado de três palavras, <em>Torah </em>(Lei), <em>Nabhym</em> (Profetas) e <em>Kethubym </em>(Escritos), que são as três divisões que deram à Bíblia (o nosso Antigo Testamento).</p>
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<p>(1) <em>A canonização da Lei </em>(Torah) &#8211; Houve <em>anotações</em> (Êx 24.4-7; Dt 31.9-13,24-26).  Estes escritos foram lidos e aceitos como Palavra de Deus séculos mais tarde na época de Josias (2Rs 23.1-3; 2Cr 34.29-31) e Esdras (Ne 8.1-3,8,13,14; 9.3), mas na realidade já tinham sido aceitos como autoritativos (isto é, com autoridade) por Josué (Js 1.8; 24.26-28).</p>
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<p>(2) <em>A canonização dos Profetas </em>(Nabhym) &#8211; Todos os profetas foram reconhecidos como homens com uma mensagem especial de Deus, e, assim, seus escritos foram logo aceitos como autoritativos, vindo de Deus. O que eles falaram se cumpriu, e a vida deles mostrava a seriedade do que falavam, também.</p>
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<p>(3) <em>A canonização dos Escritos</em> (Kethubym) &#8211; Os escritos também foram aceitos sem problemas.  Houve uma compilação deles pelos escribas do rei Ezequias (Pv 25.1), e há tradições antigas que dizem que Esdras, junto com outros escribas <em>conhecidos</em> como “A Grande Sinagoga” colecionaram e organizaram os manuscritos, de forma em que o Antigo Testamento, na sua essência, foi completado uns 400 anos antes de Cristo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Igreja Católica Apostólica Romana acrescentou, no dia 8/4/1546, numa sessão do Concílio de Trento, com apenas cinco cardeais e quarenta e oito bispos presentes, alguns livros, que chamamos de apócrifos, e por ela chamados “deuterocanônicos” (que é o termo correto, diga-se).  Esta posição foi confirmada mais tarde no Concílio Vaticano I, em 1870 d.C. Assim sendo, é oportuno lembrar que não procede a afirmação de que a Bíblia protestante tem livros a menos. É a Bíblia católica que tem livros a mais. Ela os acrescentou. Ela aceitava o Antigo Testamento como judeus e protestantes sempre aceitaram.</p>
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<p>Certas traduções usadas pela Igreja Anglicana e a tradução de Martinho Lutero incluem os livros deuterocanônicos, mas inserindo-os em uma seção especial, chamada de “Apócrifos”, entre o Antigo e o Novo Testamentos. Devemos ressaltar que tais livros nunca foram aceitos como inspirados pelos protestantes e evangélicos.</p>
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<p>3. E O NOVO TESTAMENTO, COMO FOI FORMADO?</p>
<p>Houve anotações dos sermões e discursos de Jesus, feitos pelos seus discípulos. Alguns estudiosos, por exemplo, afirmam que o sermão do monte é uma tradução grega (a língua em que o NT foi escrito) de um texto aramaico, a língua que Jesus falava. Há muitas expressões idiomáticas (chamadas de aramaísmos), que mostram que foram anotações de algo pronunciado em linguagem coloquial e não produzido originalmente em grego.  Além disso, a tradição oral (que é a repetição do que fora ouvido) era algo comum naquela época e havia um grande cuidado com a preservação do conteúdo. Afinal, era um dos métodos mais fortes de perpetuar ensinos. Os evangelhos foram aceitos sem problemas. As cartas de Paulo tinham o peso e autoridade de sua vida e de seu trabalho. As epístolas de Tiago, Judas, Pedro e João foram escritas por homens que as igrejas da época respeitavam e reconheciam como pessoas dignas de crédito, e de reconhecida comunhão com Deus. Houve vários critérios, que deixamos de comentar aqui, para evitar tornar o estudo muito técnico. Mas mencionamos três, que são os mais importantes: autoria, aceitação das igrejas e fidelidade à doutrina. O NT se divide em evangelhos (quatro), um livro histórico (Atos), cartas de Paulo (treze), uma carta de autor desconhecido (Hebreus), cartas de outros autores (sete, chamadas de cartas gerais) e o Apocalipse, num total de vinte e sete livros.</p>
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<p>Comecemos com o texto de 2Pedro 1.20-21: “sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo”. Podemos observar que Pedro considerava “a profecia” (Antigo Testamento) como “Escritura” (<em>grafês</em>, palavra usada para “escrito”, mas aqui com o sentido de um escrito com autoridade).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isto nos mostra que a Bíblia dos primeiros cristãos foi o Antigo Testamento. Vemos mais disto em Lucas 24.27, na atitude de Jesus: “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras”. E também em Lucas 24.44: “Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Os judeus dividiam o Antigo Testamento em Lei, Profetas e Escritos. Jesus alude às três divisões, apenas citando “Salmos” em vez de “Escritos”. Talvez por ser o maior livro dos Escritos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desde cedo, o ministério de Jesus sinalizou que havia algo de diferente no mundo. O episódio da transfiguração elucida bem isto. Diante dos discípulos estavam Moisés e Elias, tipificando a Lei e os Profetas, mais Jesus, a nova revelação. Quando Pedro tenta nivelar os três, dispondo-se a fazer uma tenda para cada um, Deus Pai intervém e declara: “Este é o meu Filho amado, em que me comprazo; a ele ouvi” (Mt 17.5) e tira Moisés e Elias de cena. Os discípulos “erguendo os olhos, não viram a ninguém, senão a Jesus somente” (Mt 17.8). Nós ouvimos a Jesus, e não a Moisés e os Profetas. Ouvimos o Novo Testamento, e não o Antigo. Também deduzimos isto de uma palavra de Jesus, em Lucas 16.16: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele”. A Lei e os Profetas, o Antigo Testamento, se esgotaram em João Batista, o último dos profetas na linhagem dos profetas de Israel. Com Jesus se inicia um tempo novo. Obviamente que uma nova revelação acabaria por surgir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jesus se valeu do Antigo Testamento, como judeu que era, mas tinha a noção de que trazia uma nova revelação. E sabia que não conseguiria completar toda ela, na comunicação aos discípulos. Lemos isto em João 16.12: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora”. Já dissera coisas demais para que um grupo de pescadores, moldados no judaísmo, conseguissem entender tudo. Ainda havia mais coisas para dizer. Ele continua o discurso e anuncia que suas verdades ainda continuarão a ser ditas, agora pelo Espírito Santo, nos versículos 13-14: “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará”. Esta palavra de Jesus é o endosso à revelação que viria desaguar no Novo Testamento.</p>
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<p>A igreja primitiva entendeu que a revelação do Antigo Testamento se esgotou com o ensino de Jesus. A citação de Jesus em Lucas 16.16 deve ter soado bem clara para eles. Havia uma parte nova em fazimento. Este ensino de Jesus é a palavra final de Deus, como lemos em Hebreus 1.1-2: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho&#8230;”. Jesus é a Palavra encarnada, como diz João, no prólogo do evangelho (“e a Palavra de fez carne” &#8211; Jo 1.14) e é, também, a Palavra final.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao mesmo tempo, a igreja entendeu que tinha uma tarefa de reorganizar a revelação divina escrita. Como reverenciavam as Escrituras, isto deve ter sido uma tarefa muito bem pensada pelos discípulos. Em João 5.39, Jesus disse que os judeus examinavam as Escrituras e que elas testificavam dele: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim”. A Igreja entendeu que o Antigo Testamento fora um testemunho sobre Jesus.  A questão era, de um ponto de vista de formulação, bem simples: reinterpretar as Escrituras. Mas era algo bastante complexo. Doutores da Lei haviam cristalizado o Antigo Testamento em séculos de estudo. Como eles fariam isto? Eles tinham que dar algumas explicações não apenas ao mundo, mas a si mesmos. Como entender o fenômeno Jesus? Como explicar o que eles tinham visto? Primeiramente, eles releram o Antigo Testamento, procurando por Jesus. Ele mesmo dissera que o Antigo Testamento testemunhara dele (Jo 5.39) e que Moisés testemunhara dele (“Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu”- Jo 5.46). Nos sermões em Atos vemos que a Igreja foi buscar no Antigo Testamento, principalmente em Salmos, algumas pistas sobre Jesus. Salmos falam das esperanças e das expectativas dos judeus. Inclusive as esperanças pelo Messias. Os salmos messiânicos aludiam ao rei de Jerusalém como ungido de Deus. Foram aplicados a Jesus. A grande tarefa foi reinterpretar o Antigo Testamento. Ao mesmo tempo em que reinterpretava o Antigo Testamento, a igreja produzia a sua literatura, que gerou o Novo Testamento. Eis nossa questão: como isto aconteceu? Como surgiram os escritos sobre Jesus, sobre a nova revelação, e como chegaram a ser tidos como autoritativos?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3.1 &#8211; A TRADIÇÃO ORAL &#8211; Antes de chegarem à escrita, os relatos de Jesus circularam oralmente. Esta era uma prática entre os orientais e, óbvio, os judeus. Nas caravanas de viajantes pelo deserto, nas vilas, à noite, ao redor das fogueiras, no campo, as pessoas se ajuntavam para contar as histórias de seu povo. A grande massa da literatura dos rabinos foi desenvolvida entre os anos 100 a.C. e 50 de nossa era. Neste período de 150 anos, a transmissão foi oral. Foi o método de que o Espírito se valeu para formar o Antigo Testamento. Lemos em 2Timóteo 1.14: “guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós”. “O bom depósito” é, no grego, <em>ten kalen paratheken</em>, literalmente, “o verdadeiro depósito”. <em>Kalen</em> era usado para designar algo verdadeiro em contraposição ao falso, principalmente moedas. Paulo está falando da tradição oral que Timóteo recebeu, que está nele, com o auxílio do Espírito Santo, e que ele deve diferenciar das tradições falsas. Assim se foi formando o Novo Testamento. Seu gérmen foi a tradição oral.</p>
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<p>Citando Crabtree: “O primeiro evangelho representa a tradição apostólica circulada na Judéia, o Evangelho segundo Mateus. O segundo evangelho representa a tradição conhecida na Igreja de Roma, o Evangelho de Marcos, recebido do apóstolo Pedro. O terceiro evangelho, escrito por Lucas, o médico, representa a tradição circulada em Antioquia e em outras igrejas da Ásia Menor” <a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftn1">[1]</a>. Segundo esta teoria, a tradição foi, assim, preservada em três edições: a judaica, a romana e a grega. Isto é suficiente para mostrar que a formulação dos evangelhos foi algo muito bem preparado. Não é um trabalho irrelevante, pois que as três grandes correntes do pensamento mundial, na época, foram alcançadas pelo evangelho e puderam avaliá-lo, também.</p>
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<p>3.2 &#8211; A TRADIÇÃO ESCRITA &#8211; Houve documentação do ensinado por Jesus. Alguns estudiosos, por exemplo, afirmam que o sermão do Monte foi pronunciado em hebraico (menos provavelmente em aramaico) e que isto se vê na forma com foi traduzido para o grego <a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftn2">[2]</a>. Neste caso, teria havido anotações do longo discurso. O que temos seria uma síntese do que Jesus proferiu. Mas, isto é que nos interessa neste contexto: teria havido anotações escritas dos sermões proferidos por Jesus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. QUAL O VALOR DISTO PARA NÓS? &#8211; O grande valor está em que os cristãos consideram o Antigo Testamento, junto com o Novo (os dois juntos formam a nossa Bíblia), como Palavra de Deus. Não que ela <em>contém </em>ou que ela <em>se torna</em>, mas que ela <em>é </em>a Palavra de Deus. Crêem que ela tem lições vivenciais para nós. Longe de ser um livro embolorado, é um livro dinâmico, porque mostra as relações entre Deus e os homens por mil e quinhentos anos. Mostra como Deus se manifestou, como as pessoas agiram, o que deu certo e o que deu errado. Ela traz padrões vivenciais que sempre funcionaram. As sociedades podem mudar, mas os problemas básicos da humanidade são sempre os mesmos. A Bíblia tem ajudado homens e mulheres, nestes 3.500 anos, desde seu primeiro livro, até hoje. Não pode ser descartada sem mais nem menos. E deve ser compreendida como sendo um elemento útil para orientar a nossa vida.</p>
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<p>5. COMO DEVEMOS VER A BÍBLIA?</p>
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<p>(1) Reconhecendo-a como uma obra inspirada por Deus: 2Pedro 1.20-21. Deus veio se revelando gradualmente, até que se revelou, de vez, na pessoa de Jesus: Hebreus 1.1-4. Depois de Jesus, nada há mais para se dizer, em termos de revelação. Cremos que Deus continua <em>a falar</em>, mas não que continua a se <em>revelar</em>. Ele disse tudo, em Jesus.</p>
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<p>(2) Reconhecendo-a como verdadeira: 2Timóteo 3.14-17. Isto não significa a verdade em ciência, e química ou qualquer ramo do saber humano. Ela foi escrita para nos ensinar sobre Deus, e neste ponto, seus conceitos são verdadeiros. Há nela o registro de falhas humanas, de falhas pessoais dos escritores, mas os conceitos são de origem divina. Ela não doura a pílula nem varre os defeitos das pessoas para baixo do tapete. É profundamente honesta em mostrar os erros, mas em termos de verdade religiosa, ela é a verdade.</p>
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<p>(3) Reconhecendo-a como útil para guiar a nossa vida. Vejamos, sobre isto, o Salmo 119.105. A pessoa que a estuda e medita nela é abençoada em sua vida e nas decisões que deve tomar: Salmo 1.2-3. Assim sendo, não basta lê-la como um livro qualquer, mas lê-la e praticá-la, como vemos em Tiago 1.22-25. Nosso relacionamento com a Bíblia nunca pode ser meramente cognitivo, mas deve ser existencial.</p>
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<p>(4) Reconhecendo o critério de que houve uma revelação progressiva. Deus se revelou gradativamente (Hb 1.1-2) até dar sua palavra final em Jesus. É o Novo que interpreta o Antigo e é a nossa fonte de autoridade. Não guardamos o Antigo Testamento, porque o cristão segue a Cristo (a nova revelação), e não a Moisés (a Lei) e Elias (os profetas), conforme Deus Pai declarou em Mateus 17.5. O Novo Testamento é o fio de prumo para se entender a Bíblia, e Cristo é o fio de prumo para se entender o Novo Testamento. Jesus é, como disse Lutero, “o cânon dentro do cânon”. Ela é a chave para se entender as Escrituras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO &#8211; Hoje, muitas pessoas pretendem falar em nome de Deus e trazem seus conceitos pessoais como se estes fossem um oráculo sagrado. Ter conceitos pessoais é um direito de qualquer um, mas atribuí-los a Deus é algo bem mais sério. Devemos ouvir, examinar e filtrar toda e qualquer afirmação religiosa: Atos 17.10-11 e 1Tessalonicenses 5.21. Nenhuma pessoa, nenhum líder religioso, que se diga cristão, tem o direito de ensinar o oposto da Bíblia ou de usá-la como deseja. O livre exame das Escrituras é uma coisa, mas a livre interpretação é outra. O texto bíblico tem um sentido e não pode receber outro que divirja do seu ensino. A interpretação bíblica não pode seguir regras de interpretação de textos seculares, porque deve partir de um pressuposto fundamental: <em>o texto é inspirado por Deus. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E toda e qualquer pretensa revelação que alguém traga deve ser examinada pela Bíblia, e não o oposto. A Bíblia é juíza e não ré. É o microscópio pelo qual devemos enxergar as realidades espirituais, e não o objeto a ser analisado pelas lentes de correntes de pensamento humano. Aceitar ensinos humanos, como os adventistas fazem com os escritos de Hellen White ou os mórmons fazem com o Livro do Mórmon, colocando-os em pé de igualdade com a Bíblia é blasfêmia. Os adventistas, por exemplo, consideram White como fonte de autoridade e continuadora da Revelação. Isto é dizer que a Bíblia é incompleta. E nós, que a estudamos, devemos fazer como lemos em Tiago 1.22-25. O mais importante no seu estudo não é descobrir curiosidades inúteis, mas sim aplicar a sua mensagem, na nossa vida. Este é o propósito divino para nós.</p>
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<hr align="left" size="1" width="33%" />
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftnref1">[1]</a> David Smith, <em>The days of his flesh, p. XV</em></p>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftnref2">[2]</a> Chouraqui, <em>A Bíblia – Matyah</em>, p.  82.</p>
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<p><img title="More..." src="http://www.isaltino.com.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /></p>
<p>Mas surge a pergunta, feita por muita gente: será que a Bíblia merece confiança, principalmente o AT, que é tão antigo? E também não será que as igrejas mudaram a Bíblia, de acordo com o tempo? Para responder a esta questão, precisamos considerar duas questões<em>: </em>(1) <em>Como o texto foi produzido; </em>(2)<em> Como o texto se tornou o padrão religioso, digno de crédito</em>. A estas duas, acrescento mais algum material para ampliar nosso conhecimento de como temos um texto que dizemos ser a Palavra de Deus. E que podemos ter certeza de sua autoridade e que não é um arranjo de um grupo.</p>
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<p>1. COMO O TEXTO FOI PRODUZIDO &#8211; A Bíblia foi produzida num espaço de 1.500 anos. O êxodo de Israel aconteceu em 1445 a.C. (segundo a data mais recuada,  de acordo com algumas fontes), e o Apocalipse foi escrito no ano 95 de nossa era. Ajuntando os dois temos 1540 anos. Considerando que Moisés escreveu logo depois do êxodo, podemos calcular 1.500 anos. A preservação dos textos se chama de <em>transmissão</em>. É o <em>processo</em> pelo qual os manuscritos originais, os<em>autógrafos</em>, foram <em>copiados</em> e recopiados através dos séculos.  Houve a <em>transmissão oral</em>, mas houve muito mais a<em>transmissão por escrito.</em>  Formou-se uma profissão altamente conceituada, denominada de “escribas” que se encarregavam desta fiel transmissão, começando com Esdras (Ed 7.6,10-11).  Os escribas tinham tanto respeito pelo texto, que chegaram a ter uma <em>supersticiosa veneração</em> de suas Escrituras.  No 5º e 6º séculos d.C., um grupo de escribas judaicos eruditos (os doutores da lei), chamado de <em>massoretas</em>, produziu uma edição padrão do AT, usando todos os manuscritos disponíveis daquela época.  Este texto modelar ficou tão correto que séculos mais tarde, quando em 1947 d.C. os rolos de Qumrã foram descobertos, datados ao redor de 175 a 225 a.C., os manuscritos eram quase iguais.  Deus, o divino autor que se revelou e que inspirou os escritores para comunicarem sua mensagem, também preservou a sua Revelação durante séculos de transmissão. Esses 1.500 anos são suficientes para dizermos que a Bíblia é um livro maturado, provado e afirmado em mais de um milênio. Não foi algo feito às pressas. E podemos afirmar, com segurança, que o Antigo Testamento que temos é o que havia no tempo de Jesus. Não procede e é profundamente desonesta a afirmação de que o conteúdo da Bíblia foi alterado com o tempo, pelas igrejas. Quem diz isto ignora por completo o processo de formação do cânon das Escrituras. Só a ignorância ou a má-fé para afirmar isto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. COMO O TEXTO SE TORNOU PADRÃO RELIGIOSO – Este processo se chama <em>canonização. </em>Mais tarde passou a ter o sentido aplicado a transformação de uma pessoa em santa, depois da beatificação, na Igreja Católica. Mas, etimológica e historicamente, “canonização” é a <em>identificação de um escrito como sendo divinamente inspirado</em>.  A palavra “cânon” vem do hebraico <em>qanah</em>, que significa “régua de medir<em>”</em>. “Cânon significa”, na linguagem de estudo da Bíblia, o conjunto de livros, que se tornou o <em>“padrão aferidor”, </em>a régua de medir da nossa fé<em>.</em> Os judeus chamam sua Bíblia, que é o Antigo Testamento protestante e evangélico, de <em>Tanakh</em>, derivado de três palavras, <em>Torah </em>(Lei), <em>Nabhym</em> (Profetas) e <em>Kethubym</em>(Escritos), que são as três divisões que deram à Bíblia (o nosso Antigo Testamento).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1) <em>A canonização da Lei </em>(Torah) &#8211; Houve <em>anotações</em> (Êx 24.4-7; Dt 31.9-13,24-26).  Estes escritos foram lidos e aceitos como Palavra de Deus séculos mais tarde na época de Josias (2Rs 23.1-3; 2Cr 34.29-31) e Esdras (Ne 8.1-3,8,13,14; 9.3), mas na realidade já tinham sido aceitos como autoritativos (isto é, com autoridade) por Josué (Js 1.8; 24.26-28).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(2) <em>A canonização dos Profetas </em>(Nabhym) &#8211; Todos os profetas foram reconhecidos como homens com uma mensagem especial de Deus, e, assim, seus escritos foram logo aceitos como autoritativos, vindo de Deus. O que eles falaram se cumpriu, e a vida deles mostrava a seriedade do que falavam, também.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(3) <em>A canonização dos Escritos</em> (Kethubym) &#8211; Os escritos também foram aceitos sem problemas.  Houve uma compilação deles pelos escribas do rei Ezequias (Pv 25.1), e há tradições antigas que dizem que Esdras, junto com outros escribas<em>conhecidos</em> como “A Grande Sinagoga” colecionaram e organizaram os manuscritos, de forma em que o Antigo Testamento, na sua essência, foi completado uns 400 anos antes de Cristo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Igreja Católica Apostólica Romana acrescentou, no dia 8/4/1546, numa sessão do Concílio de Trento, com apenas cinco cardeais e quarenta e oito bispos presentes, alguns livros, que chamamos de apócrifos, e por ela chamados “deuterocanônicos” (que é o termo correto, diga-se).  Esta posição foi confirmada mais tarde no Concílio Vaticano I, em 1870 d.C. Assim sendo, é oportuno lembrar que não procede a afirmação de que a Bíblia protestante tem livros a menos. É a Bíblia católica que tem livros a mais. Ela os acrescentou. Ela aceitava o Antigo Testamento como judeus e protestantes sempre aceitaram.</p>
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<p>Certas traduções usadas pela Igreja Anglicana e a tradução de Martinho Lutero incluem os livros deuterocanônicos, mas inserindo-os em uma seção especial, chamada de “Apócrifos”, entre o Antigo e o Novo Testamentos. Devemos ressaltar que tais livros nunca foram aceitos como inspirados pelos protestantes e evangélicos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. E O NOVO TESTAMENTO, COMO FOI FORMADO?</p>
<p>Houve anotações dos sermões e discursos de Jesus, feitos pelos seus discípulos. Alguns estudiosos, por exemplo, afirmam que o sermão do monte é uma tradução grega (a língua em que o NT foi escrito) de um texto aramaico, a língua que Jesus falava. Há muitas expressões idiomáticas (chamadas de aramaísmos), que mostram que foram anotações de algo pronunciado em linguagem coloquial e não produzido originalmente em grego.  Além disso, a tradição oral (que é a repetição do que fora ouvido) era algo comum naquela época e havia um grande cuidado com a preservação do conteúdo. Afinal, era um dos métodos mais fortes de perpetuar ensinos. Os evangelhos foram aceitos sem problemas. As cartas de Paulo tinham o peso e autoridade de sua vida e de seu trabalho. As epístolas de Tiago, Judas, Pedro e João foram escritas por homens que as igrejas da época respeitavam e reconheciam como pessoas dignas de crédito, e de reconhecida comunhão com Deus. Houve vários critérios, que deixamos de comentar aqui, para evitar tornar o estudo muito técnico. Mas mencionamos três, que são os mais importantes: autoria, aceitação das igrejas e fidelidade à doutrina. O NT se divide em evangelhos (quatro), um livro histórico (Atos), cartas de Paulo (treze), uma carta de autor desconhecido (Hebreus), cartas de outros autores (sete, chamadas de cartas gerais) e o Apocalipse, num total de vinte e sete livros.</p>
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<p>Comecemos com o texto de 2Pedro 1.20-21: “sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo”. Podemos observar que Pedro considerava “a profecia” (Antigo Testamento) como “Escritura” (<em>grafês</em>, palavra usada para “escrito”, mas aqui com o sentido de um escrito com autoridade).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isto nos mostra que a Bíblia dos primeiros cristãos foi o Antigo Testamento. Vemos mais disto em Lucas 24.27, na atitude de Jesus: “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras”. E também em Lucas 24.44: “Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Os judeus dividiam o Antigo Testamento em Lei, Profetas e Escritos. Jesus alude às três divisões, apenas citando “Salmos” em vez de “Escritos”. Talvez por ser o maior livro dos Escritos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desde cedo, o ministério de Jesus sinalizou que havia algo de diferente no mundo. O episódio da transfiguração elucida bem isto. Diante dos discípulos estavam Moisés e Elias, tipificando a Lei e os Profetas, mais Jesus, a nova revelação. Quando Pedro tenta nivelar os três, dispondo-se a fazer uma tenda para cada um, Deus Pai intervém e declara: “Este é o meu Filho amado, em que me comprazo; a ele ouvi” (Mt 17.5) e tira Moisés e Elias de cena. Os discípulos “erguendo os olhos, não viram a ninguém, senão a Jesus somente” (Mt 17.8). Nós ouvimos a Jesus, e não a Moisés e os Profetas. Ouvimos o Novo Testamento, e não o Antigo. Também deduzimos isto de uma palavra de Jesus, em Lucas 16.16: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele”. A Lei e os Profetas, o Antigo Testamento, se esgotaram em João Batista, o último dos profetas na linhagem dos profetas de Israel. Com Jesus se inicia um tempo novo. Obviamente que uma nova revelação acabaria por surgir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jesus se valeu do Antigo Testamento, como judeu que era, mas tinha a noção de que trazia uma nova revelação. E sabia que não conseguiria completar toda ela, na comunicação aos discípulos. Lemos isto em João 16.12: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora”. Já dissera coisas demais para que um grupo de pescadores, moldados no judaísmo, conseguissem entender tudo. Ainda havia mais coisas para dizer. Ele continua o discurso e anuncia que suas verdades ainda continuarão a ser ditas, agora pelo Espírito Santo, nos versículos 13-14: “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará”. Esta palavra de Jesus é o endosso à revelação que viria desaguar no Novo Testamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A igreja primitiva entendeu que a revelação do Antigo Testamento se esgotou com o ensino de Jesus. A citação de Jesus em Lucas 16.16 deve ter soado bem clara para eles. Havia uma parte nova em fazimento. Este ensino de Jesus é a palavra final de Deus, como lemos em Hebreus 1.1-2: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho&#8230;”. Jesus é a Palavra encarnada, como diz João, no prólogo do evangelho (“e a Palavra de fez carne” &#8211; Jo 1.14) e é, também, a Palavra final.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao mesmo tempo, a igreja entendeu que tinha uma tarefa de reorganizar a revelação divina escrita. Como reverenciavam as Escrituras, isto deve ter sido uma tarefa muito bem pensada pelos discípulos. Em João 5.39, Jesus disse que os judeus examinavam as Escrituras e que elas testificavam dele: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim”. A Igreja entendeu que o Antigo Testamento fora um testemunho sobre Jesus.  A questão era, de um ponto de vista de formulação, bem simples: reinterpretar as Escrituras. Mas era algo bastante complexo. Doutores da Lei haviam cristalizado o Antigo Testamento em séculos de estudo. Como eles fariam isto? Eles tinham que dar algumas explicações não apenas ao mundo, mas a si mesmos. Como entender o fenômeno Jesus? Como explicar o que eles tinham visto? Primeiramente, eles releram o Antigo Testamento, procurando por Jesus. Ele mesmo dissera que o Antigo Testamento testemunhara dele (Jo 5.39) e que Moisés testemunhara dele (“Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu”- Jo 5.46). Nos sermões em Atos vemos que a Igreja foi buscar no Antigo Testamento, principalmente em Salmos, algumas pistas sobre Jesus. Salmos falam das esperanças e das expectativas dos judeus. Inclusive as esperanças pelo Messias. Os salmos messiânicos aludiam ao rei de Jerusalém como ungido de Deus. Foram aplicados a Jesus. A grande tarefa foi reinterpretar o Antigo Testamento. Ao mesmo tempo em que reinterpretava o Antigo Testamento, a igreja produzia a sua literatura, que gerou o Novo Testamento. Eis nossa questão: como isto aconteceu? Como surgiram os escritos sobre Jesus, sobre a nova revelação, e como chegaram a ser tidos como autoritativos?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3.1 &#8211; A TRADIÇÃO ORAL &#8211; Antes de chegarem à escrita, os relatos de Jesus circularam oralmente. Esta era uma prática entre os orientais e, óbvio, os judeus. Nas caravanas de viajantes pelo deserto, nas vilas, à noite, ao redor das fogueiras, no campo, as pessoas se ajuntavam para contar as histórias de seu povo. A grande massa da literatura dos rabinos foi desenvolvida entre os anos 100 a.C. e 50 de nossa era. Neste período de 150 anos, a transmissão foi oral. Foi o método de que o Espírito se valeu para formar o Antigo Testamento. Lemos em 2Timóteo 1.14: “guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós”. “O bom depósito” é, no grego, <em>ten kalen paratheken</em>, literalmente, “o verdadeiro depósito”. <em>Kalen</em> era usado para designar algo verdadeiro em contraposição ao falso, principalmente moedas. Paulo está falando da tradição oral que Timóteo recebeu, que está nele, com o auxílio do Espírito Santo, e que ele deve diferenciar das tradições falsas. Assim se foi formando o Novo Testamento. Seu gérmen foi a tradição oral.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Citando Crabtree: “O primeiro evangelho representa a tradição apostólica circulada na Judéia, o Evangelho segundo Mateus. O segundo evangelho representa a tradição conhecida na Igreja de Roma, o Evangelho de Marcos, recebido do apóstolo Pedro. O terceiro evangelho, escrito por Lucas, o médico, representa a tradição circulada em Antioquia e em outras igrejas da Ásia Menor” <a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftn1">[1]</a>. Segundo esta teoria, a tradição foi, assim, preservada em três edições: a judaica, a romana e a grega. Isto é suficiente para mostrar que a formulação dos evangelhos foi algo muito bem preparado. Não é um trabalho irrelevante, pois que as três grandes correntes do pensamento mundial, na época, foram alcançadas pelo evangelho e puderam avaliá-lo, também.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3.2 &#8211; A TRADIÇÃO ESCRITA &#8211; Houve documentação do ensinado por Jesus. Alguns estudiosos, por exemplo, afirmam que o sermão do Monte foi pronunciado em hebraico (menos provavelmente em aramaico) e que isto se vê na forma com foi traduzido para o grego <a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftn2">[2]</a>. Neste caso, teria havido anotações do longo discurso. O que temos seria uma síntese do que Jesus proferiu. Mas, isto é que nos interessa neste contexto: teria havido anotações escritas dos sermões proferidos por Jesus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. QUAL O VALOR DISTO PARA NÓS? &#8211; O grande valor está em que os cristãos consideram o Antigo Testamento, junto com o Novo (os dois juntos formam a nossa Bíblia), como Palavra de Deus. Não que ela <em>contém </em>ou que ela <em>se torna</em>, mas que ela <em>é </em>a Palavra de Deus. Crêem que ela tem lições vivenciais para nós. Longe de ser um livro embolorado, é um livro dinâmico, porque mostra as relações entre Deus e os homens por mil e quinhentos anos. Mostra como Deus se manifestou, como as pessoas agiram, o que deu certo e o que deu errado. Ela traz padrões vivenciais que sempre funcionaram. As sociedades podem mudar, mas os problemas básicos da humanidade são sempre os mesmos. A Bíblia tem ajudado homens e mulheres, nestes 3.500 anos, desde seu primeiro livro, até hoje. Não pode ser descartada sem mais nem menos. E deve ser compreendida como sendo um elemento útil para orientar a nossa vida.</p>
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<p>5. COMO DEVEMOS VER A BÍBLIA?</p>
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<p>(1) Reconhecendo-a como uma obra inspirada por Deus: 2Pedro 1.20-21. Deus veio se revelando gradualmente, até que se revelou, de vez, na pessoa de Jesus: Hebreus 1.1-4. Depois de Jesus, nada há mais para se dizer, em termos de revelação. Cremos que Deus continua <em>a falar</em>, mas não que continua a se <em>revelar</em>. Ele disse tudo, em Jesus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(2) Reconhecendo-a como verdadeira: 2Timóteo 3.14-17. Isto não significa a verdade em ciência, e química ou qualquer ramo do saber humano. Ela foi escrita para nos ensinar sobre Deus, e neste ponto, seus conceitos são verdadeiros. Há nela o registro de falhas humanas, de falhas pessoais dos escritores, mas os conceitos são de origem divina. Ela não doura a pílula nem varre os defeitos das pessoas para baixo do tapete. É profundamente honesta em mostrar os erros, mas em termos de verdade religiosa, ela é a verdade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(3) Reconhecendo-a como útil para guiar a nossa vida. Vejamos, sobre isto, o Salmo 119.105. A pessoa que a estuda e medita nela é abençoada em sua vida e nas decisões que deve tomar: Salmo 1.2-3. Assim sendo, não basta lê-la como um livro qualquer, mas lê-la e praticá-la, como vemos em Tiago 1.22-25. Nosso relacionamento com a Bíblia nunca pode ser meramente cognitivo, mas deve ser existencial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(4) Reconhecendo o critério de que houve uma revelação progressiva. Deus se revelou gradativamente (Hb 1.1-2) até dar sua palavra final em Jesus. É o Novo que interpreta o Antigo e é a nossa fonte de autoridade. Não guardamos o Antigo Testamento, porque o cristão segue a Cristo (a nova revelação), e não a Moisés (a Lei) e Elias (os profetas), conforme Deus Pai declarou em Mateus 17.5. O Novo Testamento é o fio de prumo para se entender a Bíblia, e Cristo é o fio de prumo para se entender o Novo Testamento. Jesus é, como disse Lutero, “o cânon dentro do cânon”. Ela é a chave para se entender as Escrituras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO &#8211; Hoje, muitas pessoas pretendem falar em nome de Deus e trazem seus conceitos pessoais como se estes fossem um oráculo sagrado. Ter conceitos pessoais é um direito de qualquer um, mas atribuí-los a Deus é algo bem mais sério. Devemos ouvir, examinar e filtrar toda e qualquer afirmação religiosa: Atos 17.10-11 e 1Tessalonicenses 5.21. Nenhuma pessoa, nenhum líder religioso, que se diga cristão, tem o direito de ensinar o oposto da Bíblia ou de usá-la como deseja. O livre exame das Escrituras é uma coisa, mas a livre interpretação é outra. O texto bíblico tem um sentido e não pode receber outro que divirja do seu ensino. A interpretação bíblica não pode seguir regras de interpretação de textos seculares, porque deve partir de um pressuposto fundamental: <em>o texto é inspirado por Deus.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E toda e qualquer pretensa revelação que alguém traga deve ser examinada pela Bíblia, e não o oposto. A Bíblia é juíza e não ré. É o microscópio pelo qual devemos enxergar as realidades espirituais, e não o objeto a ser analisado pelas lentes de correntes de pensamento humano. Aceitar ensinos humanos, como os adventistas fazem com os escritos de Hellen White ou os mórmons fazem com o Livro do Mórmon, colocando-os em pé de igualdade com a Bíblia é blasfêmia. Os adventistas, por exemplo, consideram White como fonte de autoridade e continuadora da Revelação. Isto é dizer que a Bíblia é incompleta. E nós, que a estudamos, devemos fazer como lemos em Tiago 1.22-25. O mais importante no seu estudo não é descobrir curiosidades inúteis, mas sim aplicar a sua mensagem, na nossa vida. Este é o propósito divino para nós.</p>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftnref1">[1]</a> David Smith, <em>The days of his flesh, p. XV</em></p>
</div>
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<p><a title="" href="file:///C:/Users/Projecao2010/Downloads/INTRODU%C3%87%C3%83O%20%C3%80%20B%C3%8DBLIA.doc#_ftnref2">[2]</a> Chouraqui, <em>A Bíblia – Matyah</em>, p.  82.</p>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>ESTUDO BÍBLICO NO SALMO 23</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 13:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho &#160; INTRODUÇÃO O mais conhecido dos salmos. Chamado de “salmo do bom pastor”. Há várias maneiras de analisá-lo. Uma delas é a maneira linear, como fazemos hoje. Façamos, então, a análise linear do Salmo, vendo os versículos em seqüência. &#160; &#160; V. 1 &#8211; O Senhor é o meu pastor; [...]]]></description>
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										</div><p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>O mais conhecido dos salmos. Chamado de “salmo do bom pastor”. Há várias maneiras de analisá-lo. Uma delas é a maneira linear, como fazemos hoje. Façamos, então, a análise linear do Salmo, vendo os versículos em seqüência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>V. 1 &#8211; <em>O Senhor é o meu pastor; nada me faltará</em> – Tese do salmo na primeira declaração. A conseqüência vem na segunda parte. Porque Iahweh é o pastor, nada falta. “Pastor” se aplicava ao homem que cuidava de ovelha (vv. 1-4) e ao líder humano (vv.5-6).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>V. 2 &#8211; <em>Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranqüilas –</em> Na primeira declaração, vemos o cuidado na alimentação. Era difícil achar pastos verdes no  deserto. Mas o Senhor provê isto. Na segunda, ele conduz a ovelha às águas. Ovelhas só bebem em águas paradas, calmas, nunca agitadas. O versículo fala da provisão de quem confia no Senhor. Ele toma os cuidados necessários, mesmo que sejam especiais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>V. 3 &#8211; <em>Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome – </em>No calor do deserto se precisa de frescor, de refrigério. O Senhor refrigera a alma. <em>Alma</em> é o hebraico <em>nephesh¸ </em>e significa a integralidade da pessoa, o âmago. De novo, a segunda frase se liga à primeira. Como isto acontece? Ele refrigera a alma quando nos guia nos caminhos certos, por amor a ele mesmo. Não é por mérito nosso, mas porque ele tem prazer nisto. A mensagem bíblica é de um Deus que ama e que cuida (1Jo 4.8).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>V. 4 &#8211; <em>Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam  –</em> Quando a situação ficar difícil, beirando a morte, aquele que confia não teme. Tem experiência do cuidado divino, sabe de sua companhia constante. Seu consolo vem da vara (disciplina) e do cuidado (cajado). Deus cuida e ensina. Cuidado e disciplina caminham juntos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>V.  5 <em>- Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos; unges com óleo a minha cabeça, o meu cálice transborda</em> – Agora a linguagem é de trato humano. Comer com alguém era ter amizade com este alguém. “Ungir” não é unção sacerdotal, mas, literalmente “passar gordura”. Era para que a pessoa não sofresse insolação no deserto. Ele faz isso com a ovelha. Cálice cheio era sinal de favoritismo. Veja Gênesis 43.34. O Senhor é amigo, cuida de nosso bem-estar e mostra que tem cuidado especial por nós. Veja Êxodo 11.7.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>V. 6 &#8211; <em>Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias</em> – O fiel tem a certeza de que é acompanhado pela bondade (<em>tôv</em>, o que é bom) e pela misericórdia (<em>hesed</em>, o amor eterno). O fiel é acompanhado, todos os dias, pelas boas coisas de Deus e por seu amor que nunca se acaba. E, quando ele morrer, vai morar na casa do Senhor para sempre.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Um salmo que fala do cuidado de Deus. Quem confia nele, de todo coração, pode descansar. Ele cuida. Sobre quem é este pastor, lembremos destas palavras de Jesus: João 10.11 e 10.14. Aquele que confia em Jesus pode ter a certeza de confiou a vida a quem tem autoridade e interesse.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>DEUS E AS RIQUEZAS</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jun 2011 19:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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<p><em>“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6.24).</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Publicado originalmente pela revista “Você”. Publicado no site por deferência da revista.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como tudo que Jesus disse, aqui há uma profundidade extraordinária. Ele revelava muita sabedoria em suas palavras e nesta declaração nos deixa um conselho que, se observado, muito ajudará nossa vida espiritual, como também a emocional e até mesmo a vida material. Ele trata da nossa relação com os bens materiais. Eles devem ser nossos servos e devem ser usados por nós. Não podem ser nossos senhores nem nos dominar.</p>
<p><span id="more-1910"></span></p>
<p>Na nossa cultura uma pessoa é feliz e realizada se consegue ter muitas coisas. “Bem-aventurados os ricos, porque eles podem todas as coisas” parece ser a bem-aventurança de nossa sociedade. Por isso, muitas pessoas são dominadas pelas coisas. Elas vivem em função de bens materiais e sempre querem mais. São consumistas, como as filhas da sanguessuga: “A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá” (Pv 30.15). Nunca estão satisfeitas com o que tem e sempre desejam mais. O moço rico que queria seguir a Jesus, desafiado a deixar tudo por ele, ficou com o tudo, mas ficou muito triste (“Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens” – Mt 19.22). Curioso: continuou rico, mas frustrado. As coisas não conseguem encher nossa alma de significado. Há quem tenha muitas coisas, mas não tem paz interior nem segurança espiritual. Isto mostra que há valores mais preciosos que bens materiais. Como cristãos precisamos pensar nisso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>ENTÃO, A GENTE TEM QUE SER POBRE?</p>
<p>“Isso quer dizer que só pobre pode seguir a Cristo? Ter bens materiais é pecado?”. Não foi isso que Jesus disse. Devemos ter cuidado ao interpretar as palavras do Salvador. Na Idade Média surgiram as ordens de frades mendicantes. Eles entenderam erradamente o ensino de Jesus. Pediam esmolas para sobreviver e achavam que sendo mendigos estariam mais pertos de Deus. Eles não podiam ter bens porque isso os tornava espiritualmente depreciados, mas os outros precisavam ter bens para ajudá-los. Então, o problema não é a posse de bens, mas o seu uso. Porque alguém precisava ter bens para que eles vivessem!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outras pessoas fazem voto de pobreza para melhor servir a Deus. Respeitamos isso como um compromisso da pessoa com Deus, mas precisamos saber que ser rico não é pecado. Quem sustentava Jesus e os doze discípulos, enquanto eles iam pregando de cidade em cidade? Quem comprava mantimentos? Quem lhes dava dinheiro para comprarem roupas? Havia mulheres ricas que serviam a Jesus com seus bens (Lc 8.3). José de Arimatéia, um homem rico, foi quem tomou providências para sepultar a Jesus (Mt 27.57-60). Barnabé, um homem rico, colocou seu dinheiro para ajudar na igreja (At 4.36-37). Ao longo da história do evangelho, e ainda hoje, muitos crentes de posses têm investido no reino de Deus, sustentando obreiros, construindo templos, mantendo instituições evangélicas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há muita crítica ao consumismo em nosso tempo. Deus fez o ser humano como consumidor (Gn 1.29). Os animais são consumidores (Gn 1.30). O problema não é consumo. Consumimos roupa, alimento e combustível. O problema é viver em função do consumo. É viver para ter coisas. Quando isso acontece, a pessoa deixa ter bens e os bens passam a ter a pessoa. Os bens não a servem, mas ela serve aos bens. Eles são seu dono, seu senhor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não temos que ser pobres. Nem viver desesperados para sermos ricos. Pobreza ou riqueza não são virtude ou pecado. São circunstâncias da vida. O mais importante é viver dignamente com o que temos. A Bíblia diz: “Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e o favor é melhor do que a prata e o ouro. O rico e o pobre se encontram; quem os faz a ambos é o Senhor” (Pv 22.1-2).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Bíblia diz: “Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.10). Prestou atenção? Ela não diz que <em>o dinheiro</em> é a raiz de todos os males, mas que <em>o amor ao dinheiro</em> é a raiz de todos os males. Guardemos, então, isso. Não é o dinheiro, não são os bens, não são as coisas, não é o nosso patrimônio. É o nosso sentimento para com eles.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>DEUS OU MAMOM?</p>
<p>Algumas versões bíblicas trazem “Não podeis servir a Deus e a Mamom”. Outras trazem esta informação em nota de rodapé: a palavra “riqueza”, no original, é “Mamom”. Não é Mamão, é Mamom. Não era uma divindade, como se afirma. Era a palavra aramaica, a língua de Jesus, para riquezas ou opulência. Nos escritos judaicos, o termo foi personificado, isto é, mostrada como se fosse uma pessoa. A idéia dos contemporâneos de Jesus é que as riquezas agem sobre a vida das pessoas como se fossem alguém, como se fossem gente. O que Jesus diz é bem preciso: ou se serve a Deus ou se vive dominado pelos bens materiais. No sermão do monte ele disse: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21). Se nosso tesouro, que nas palavras dele significam nosso maior bem, estiver nas coisas, nosso coração estará nas coisas. Se nosso bem maior for Deus, nosso coração estará com Deus. Ou com um ou outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O que Jesus diz aqui é algo que muitos cristãos piedosos descobriram e viveram. Nossa paixão maior dominará nossa vida. Nossas emoções, nossos anseios e nossos atos serão direcionados no rumo dessa paixão. Lembremos de Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20) e “Mas em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24). Entendeu a questão? Não é o quanto temos ou o que temos, mas qual é a nossa maior paixão. Uma banda de rock? Artistas de televisão? Dinheiro? Todas essas coisas podem trazer boa dose de prazer, mas nunca podem dar o sentido da vida para a pessoa. Só Deus pode. E aqueles que têm uma vida consagrada a Deus e dedicada a seu serviço descobrem uma segurança e uma paz interior que nada pode dar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>MAS, COMO VIVER SEM PREOCUPAÇÃO COM DINHEIRO?</p>
<p>Todos nós necessitamos de dinheiro. E, sendo honestos, é melhor ter dinheiro do que não ter. Mas ter riquezas é diferente de ser dominado por elas. E necessitar de dinheiro é diferente de viver em ansiedade por causa dele.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lembra de Salomão? Deus lhe disse para pedir o que quisesse. O que você pediria? Muito dinheiro? Salomão pediu sabedoria para governar bem o povo e desempenhar bem a missão que Deus tinha para ele. Deus não apenas lhe concedeu sabedoria, mas disse-lhe outra coisa: “Também te dou o que não pediste, assim riquezas como glória; de modo que não haverá teu igual entre os reis, por todos os teus dias” (1Rs 3.13). Notou o que aconteceu? Porque ele colocou ser útil a Deus e cumprir sua missão, a missão que Deus lhe designara, de ser rei, recebeu também riquezas, que não havia pedido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jesus disse isso de maneira admirável: “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). Ele nos ensinou que quando colocamos o reino de Deus em primeiro lugar em nossa vida, e não os bens, as demais coisas nos são acrescentadas. Não é preciso viver ansiosos. É apenas necessário viver dentro da vontade de Deus e não ser dominado por Mamom. Lutero disse que “aquilo que domina a vida de uma vida isso é seu deus”. Que nosso Deus seja Deus e não um deus tipo Mamom ou roupas de grife.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Qual é a postura correta com as riquezas? Como devemos nos relacionar com os bens materiais?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agur nos ensina uma boa oração, no livro de Provérbios: “Duas coisas te peço; não mas negues, antes que morra: Alonga de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza: dá-me só o pão que me é necessário; para que eu de farto não te negue, e diga: Quem é o Senhor? ou, empobrecendo, não venha a furtar, e profane o nome de Deus” (Pv 30.7-9). É a medida justa que ele pede. Nem de mais nem de menos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se, eventualmente, você tiver de menos, lembre sempre de Mateus 6.33. Ponha o reino de Deus em primeiro lugar, e Deus cuidará de você. Se tiver sobrando, lembre-se do exemplo de Barnabé. Não seja dominado pelos bens. E se você subir na vida, e enriquecer, ganhar muito dinheiro de forma honesta, nunca deixe Deus no degrau de baixo, em sua subida. Suba sempre com ele e invista no reino. Contribua para a obra, sustente missionários, ajude pobres, órfãos e viúvas. Não viva para si mesmo. Quem vive para si, além de ser uma pessoa medíocre, perde o sentido da vida. “Quem ama o dinheiro não se fartará de dinheiro; nem o que ama a riqueza se fartará do ganho; também isso é vaidade” (Ec 5.10). E lembre também de 1João 2.17: “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A  CARTA  AOS  EFÉSIOS</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Mar 2011 11:48:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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										</div><p><span>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Esta carta é chamada de “a rainha das epístolas”. É considerada como sendo o melhor tratado sobre a Igreja. Nos dois manuscritos gregos mais antigos, chamados de <em>Álefe</em> e de <em>Beith</em> não constam o nome de Éfeso. Marcião considerava-a como a “epístola a Laodicéia”. Neste caso seria ela o documento mencionado em Colossenses 4.16. Parece que a carta foi uma circular, que Paulo encaminhou às igrejas. Uma  cópia que nos ficou guardou o nome de Éfeso. Mas os dois manuscritos citados o têm em branco. Em favor desta teoria, vem o fato de que Paulo fundara a igreja de Éfeso (At 19.1) e a pastoreou por três anos (At 20.31). Na epístola, aparentemente, ele desconhece a igreja:  1.15. Obviamente, se carta não foi endereçada especificamente a Éfeso,  isto não diminui a sua autenticidade nem o seu valor. Aumenta-o, pelo contrário. Mostra que foi algo que Paulo queria que todas as igrejas lessem. Tem grande valor, portanto.</p>
<p><span id="more-1772"></span>A carta é impessoal, não mencionando nomes de pessoas, a não ser Tíquico (6.21). Poderia ter sido ele o portador das cartas, entregando as cópias às igrejas. A bênção final (6.23-24) é bastante genérica, podendo ser aplicada a qualquer comunidade cristã em qualquer lugar. Paulo a escreveu da prisão em Roma (3.1, 4.1 e 6.20), dispondo de tempo para fazer cópias para todas as igrejas da época.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>UM ESBOÇO DA EPÍSTOLA</p>
<p>Sendo uma obra muito bem elaborada, Efésios tem duas grandes divisões, facilmente notadas. A primeira vai de 1.1 a 3.21. Após a saudação, Paulo trata dos <em> propósitos eternos de Deus em relação ao homem</em>. Esta é a primeira parte. Ela trata do propósito divino para a humanidade.  A segunda vai de 4.1 a 6.24 e pode ser chamada de<em> conseqüências práticas do propósito divino para nós.</em> Em termos simples: o que Deus fez por nós e o que devemos fazer, tendo sido transformados pela graça de Deus.</p>
<p>Na realidade, Efésios não é uma carta, como conhecemos. É muito mais um tratado teológico sobre a Igreja. A ausência de pessoalidade (nomes, lugares, situações) e os conceitos mostrados indicam que ela é um tratado de Paulo, mais que um documento pessoal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A MENSAGEM DE EFÉSIOS -  A PESSOA DE CRISTO</p>
<p>O tema central de Efésios é a pessoa de Cristo. É a obra mais cristológica de Paulo, ou seja, onde ele mais expõe a pessoa de Cristo. Na realidade, este era o assunto de Paulo (1Co 2.2), mas aqui ele trata muito mais da pessoa do que da obra de Jesus. E seu conceito de Cristo aqui é bastante diferente do conceito mostrado em outras obras. O texto de 1.10, por exemplo, é de uma profundidade fantástica. Há nele uma declaração não encontrada em nenhum outro lugar. Todas as coisas convergirão para Cristo, na plenitude dos tempos, no fim dos tempos. Quando apresentei estudos no Seminário de Queluz, em Portugal, sobre Efésios, abordei este tópico, que impressionou os pastores lusos: o Cristo cosmológico, ou o Cristo cósmico.  Cristo, além de Criador,  é a finalidade do universo. Ele está acima de tudo, por causa de sua ressurreição, como lemos em 1.2-21. Ele é o cabeça sobre tudo (1.22). Ele é a razão de ser do universo. Tudo se encaminha para sua mão ou para ser sujeito aos seus pés.</p>
<p>Cristo está assentado nos lugares celestiais (1.20). É só aqui que Paulo emprega esta expressão. Isto significa que ele é de outra dimensão espiritual, de outra esfera de vida. Neste tratado, Paulo não discute a humanidade ou os feitos de Jesus. Mostra os feitos do Pai e apresenta um Cristo mais celestial, mais envolvido com o universo. Tudo caminha para uma consumação cosmológica, centralizada na pessoa de Jesus, como já lemos em  1.10. Isto não quer dizer que Paulo mudou sua pregação. Ele via o perigo dos gnósticos, que ensinavam que, sendo criatura, Jesus era inferior a Deus. Na realidade, nunca poderia ser Deus, porque para eles, gnósticos, a matéria era má. Nesta carta e em sua irmã gêmea, Colossenses, Paulo mostra que Cristo é plenamente Deus (Cl 2.9) e é o Criador de todo o universo (Cl 1.16-17). Em Éfesios, Cristo é mostrado como sendo a finalidade do universo. Completa assim o pensamento de Colossenses. O mundo é obra dele, foi feito para ele e voltará para ele. Cristo é Senhor não apenas das almas dos homens, mas de todo o cosmos. Paulo teve uma extraordinária compreensão de Jesus: naquele homem, o Criador e Sustentador do universo se fez presente entre os homens.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A MENSAGEM DE EFÉSIOS – O QUE É A IGREJA</p>
<p>O conceito de Igreja aqui em Efésios é também profundo. Ela não surgiu como um imprevisto,  porque Israel rejeitou a Jesus e Deus “ficou no mato sem cachorro”, precisando de um povo e aí escolheu a Igreja. Ela não é um par de muletas emocionais para a  Divindade. Ela foi escolhida na eternidade, antes de haver tempo, no coração de Deus (1.4). Deus nos predestinou para Cristo antes de tudo existir (1.5). A Igreja, presentemente, é o corpo de Cristo (1.23), o que quer dizer que ele está presente neste mundo por ela. Ele age neste mundo por ela. É por ela que ele se manifesta.</p>
<p>A Igreja é o novo povo de Deus, junção dos dois povos anteriores, judeus e gentios (2.14). Em Cristo, o Pai aboliu toda a antiga dispensação, o Antigo Testamento em suas ordenanças (2.15).  Israel estava edificada sobre sacerdotes e profetas. A Igreja está edificada sobre apóstolos e profetas (2.20). Isto quer dizer que ela tem uma revelação nova, diferente. Os profetas falavam de Iahweh. Os apóstolos falavam de Jesus. Ele é o centro da nova ordem de Deus.  A Igreja é também  a nova raça de Deus (2.14-15). É ela a habitação do Espírito (2.22).</p>
<p>A Igreja é tão fantástica, que não apenas foi engendrada por Deus na eternidade, mas é ela que ensina aos anjos, como lemos em 3.10. Quando tanta gente está querendo consultar anjos e aprender deles (como os gnósticos diziam que faziam), Paulo diz que eles é que aprendem da Igreja. É por ela que Deus manifesta sua sabedoria. Principados e potestades espirituais devem olhar para a Igreja de Jesus na terra e ver como Deus é sábio, como conduziu as coisas, como da aparente derrota (a morte de Cristo), conseguiu uma vitória retumbante, com sua ressurreição. Ele une os povos na pessoa de Jesus.</p>
<p>O desejo de Paulo é que sejamos cheios de Deus (3.19). Por isso que, em  vez de sermos cheios de vinho, devemos ser cheios do Espírito de Deus (5.18). Em vez de “pileque”, santidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A MENSAGEM DE EFÉSIOS – OS RELACIONAMENTOS</p>
<p>Em Cristo fomos colocados em um novo relacionamento com Deus. Veja isto em 2.12-13, 19. Este novo relacionamento com ele se evidencia em novos relacionamentos com os outros. Quando Deus entra numa vida, redireciona-a em todos os sentidos.  Paulo mostra isso  na Igreja (2.14, com a expressão “parede de separação”). O apelo à unidade da fé, em 2.1-6 e 5.21 mostram isso muito bem. Depois, Paulo mostra estes relacionamentos no lar, no relacionamento entre cônjuges (5.22-27),  na postura dos filhos para com os pais (6.1-3), na dos pais para com os filhos (6.4),  dos servos para com os senhores (6.5-7) e dos senhores para com os servos (6.9).</p>
<p>Este novo modo de vida é explicável. A Igreja é a nova sociedade de Deus. Deve andar de modo digno, como Deus espera (4.17-19 e 22-24). Estamos envolvidos uns com os outros (4.25) e nosso relacionamento deve ser verdadeiro. O falar que devemos ter uns para com os outros deve evidenciar isto: 4.30-32. Isto é imitar a Deus: 5.1-2.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A MENSAGEM DE EFÉSIOS – A SALVAÇÃO</p>
<p>Os gnósticos ensinavam a salvação pelo conhecimento (<em>gnôsis</em>, daí seu nome, <em> gnósticos</em>). Paulo mostra que a salvação não nos vem por obra humana, mas pela graça de Deus, por meio da fé (2.8-9). A salvação tem um componente divino e outro humano. Da parte de Deus, ela é um ato de graça, ou seja, é um favor imerecido. Os gnósticos se gloriavam de sua sabedoria e de seus mistérios. Pensavam que seriam salvos pelo seu conhecimento esotérico. Paulo diz que, sendo a salvação um ato da graça, ninguém pode se gloriar. Nós não a conseguimos. Deus no-la dá, em Cristo. Estávamos mortos (2.5) e um morto nada pode fazer. Deus nos deu vida, em Cristo (2.5). Ele fez isto por causa de sua grande misericórdia (2.4). Ele não é um juiz destrambelhado, iracundo, cheio de ódio. Deus é rico em misericórdia. É por isto que podemos ser salvos. Pela misericórdia de Deus.  Ele deseja que todos os homens sejam salvos (1Tm 2.4).</p>
<p>Da parte humana, vem a fé. Fé é aceitar o que Deus fez. Costumo definir estes dois termos assim: graça é o chamado e fé é a resposta. Graça é Deus vindo até a metade do caminho e o homem vindo até a outra metade. Graça é Deus “eu dou”. Fé é o homem dizendo: “eu aceito”. Graça são os braços de Deus abertos e estendidos para nós. Fé é o homem lançando-se nos braços de Deus. No entanto, a graça não opera contra a nossa vontade. Ela se completa em nossa vida com a fé, que é a nossa resposta.  Desta maneira se juntam dois elementos, a vontade de Deus e o arbítrio humano. Ninguém é salvo à força. A salvação é oferecida, mas precisa ser aceita.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A MENSAGEM DE EFÉSIOS – ARMADURA DE DEUS</p>
<p>Encarcerado, olhando a armadura do soldado romano, Paulo fez uma analogia dela com armadura do cristão (6. 11-17). Enumera as suas partes. Primeira: o cinturão, que vinha do meio do peito até a cintura, para proteger de golpes de espada. Paulo o compara à verdade. Isto é mais do que o posto da mentira. É um sistema de valores. Sobre o cinturão, punha-se a couraça, que protegia todo o peito. Paulo fala da couraça da justiça. “Justiça”, no pensamento de Paulo, é o ato de Deus em nos tornar retos, perdoados, em Cristo. Temos um sistema de valores e de fé, que é a verdade, e que nos protege do erro, do pecado e do mal. Havia o escudo, que protegia todo o corpo. Quando as flechas eram lançadas, o soldado se abaixava e se escondia atrás do escudo. Paulo fala do escudo da fé. É a fé que protege dos “dardos inflamados do Maligno”. A salvação, como um todo, é o capacete. Nossa nova relação com Deus é que protege nossa cabeça, a nossa mente. Mas não ficando apenas na defesa, o cristão se vale da espada do Espírito, a Palavra de Deus, para atacar. É com a Palavra de Deus que nos defendemos e atacamos. No deserto, por três vezes, Jesus se valeu deste recurso: Mateus 4.4,7 e 10. “Está escrito” deve ser a lembrança para todos nós.</p>
<p>Além da armadura, um outro recurso: a oração. Não apenas por si, mas também a  intercessória (6.18-19). Quando oramos intercessoriamente, abrimos nosso coração para a obra de Deus como um todo. Orar intercessoriamente faz bem a quem ora, também.</p>
<p>Esta armadura não é para lutarmos uns contra os outros. É para lutar contra o Diabo  (6.11) e contra anjos caídos que nos assediam (6.12). Por vezes agimos como se os outros de outra fé fossem nossos inimigos. Nossos inimigos são Satanás e seus companheiros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Começando com a soberana vontade de Deus em nos amar e nos escolher antes da história, ainda na eternidade, passando pela obra histórica de Cristo em trazer o universo de volta para o Pai, e pela  Igreja que surge como expressão concreta do ministério de Cristo, até à nossa luta contra as potestades espirituais que desejam a desordem no mundo, Efésios é um belo documento que mostra a totalidade da vida cristã. O texto de 3.20-21 deve ficar em nossa mente como lembrança do que ele pode fazer por nós e a quem deve ser a glória por aquilo que ele faz: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse seja glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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