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	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho &#187; Livros da Bíblia</title>
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		<title>FILIPENSES 1.01-2</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 19:47:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[Estudos em Filipenses]]></category>
		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES INTRODUÇÃO À CARTA  E COMENTÁRIO EM 1.1-2 Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho   INTRODUÇÃO A história da fundação da igreja em Filipos está em Atos 16. Paulo teve uma visão para ir para a Macedônia (v. 9). Deus o chamava para ir pregar naquela [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: center;">IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</p>
<p style="text-align: center;">ESTUDO BÍBLICO EM FILIPENSES</p>
<p style="text-align: center;">INTRODUÇÃO À CARTA  E COMENTÁRIO EM 1.1-2</p>
<p style="text-align: center;">
Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p><em> </em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>A história da fundação da igreja em Filipos está em Atos 16. Paulo teve uma visão para ir para a Macedônia (v. 9). Deus o chamava para ir pregar naquela região e assim ele chegou a Filipos (v. 12). Esta foi a primeira igreja fundada na Europa. A primeira convertida foi Lídia (v. 14). Foi nesta cidade que se converteu o carcereiro, numa das mais belas histórias da Bíblia (At 16.25-34). Paulo escreveu a carta da prisão em Roma (Fp 1.12-13), quando  já havia cristãos no palácio do imperador (Fp 4.22). Não lamenta, mas escreve uma carta cheia de alegria. Este é o tema do livro, que se intitula <em> A carta da alegria</em>. Ele está feliz porque a igreja o apoiou na prisão e lhe enviou ofertas para se manter (Fp 4.15-18). Era uma igreja admirável, que amava Paulo, e ele a amava. Vamos estudar a carta da alegria, escrita por um preso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>UM ESBOÇO DA CARTA</p>
<p>1) Destinatários e saudação &#8211; 1.1-2</p>
<p>2) Ação de graças e confiança de Paulo &#8211; 1.3-8</p>
<p>3) A oração apostólica &#8211; 1.9-11</p>
<p>4)  Desejo e  alegria de Paulo &#8211; 1.12-26</p>
<p>5) Exortação e exemplo &#8211; 1.17 a 2.18</p>
<p>6) Planos para  futuro &#8211; 2.19-30</p>
<p>7) A grande digressão &#8211; 3.1-21</p>
<p> <img src='http://www.isaltino.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Encorajamento, apreciações e cumprimentos &#8211; 4.1-23</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>COMENTÁRIO TEXTUAL – 1.1-2</p>
<p>Paulo estava com Timóteo, companheiro inseparável. Ambos se intitulam de “servos”, não de senhores. Não têm autoridade sobre a igreja. Muitos pastores e membros de igreja agem como se fossem donos da obra. A postura correta que cada um de nós deve ter é a de <em>servo</em>. Este foi o padrão de Jesus (Mc 10.45). E foi sua recomendação aos seus seguidores (Lc 22.24-27).</p>
<p>A carta é endereçada aos “santos em Cristo, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (v. 1). <em>Santos</em> são os crentes. A palavra significa <em>separado</em>,  não para isolamento, e sim para um propósito. São pessoas que passaram a ter uma visão diferente da vida e têm um propósito construtivo no mundo. <em>Bispos</em> é outra maneira de chamar os pastores. Bispo, pastor e presbítero (ou ancião) são termos para a mesma pessoa, no exercício de funções diferentes. Veja Atos 20.17 (anciãos ou presbíteros) e Atos 20.28 (em que eles são bispos e pastoreiam ou apascentam o rebanho). <em>Diáconos</em> eram as pessoas incumbidas de exercer função que aliviasse a carga dos pastores. Seu surgimento está em Atos 6.1-6. Literalmente, a palavra indica alguém que serve à mesa. Era uma posição baixa, na sociedade. <em>Diácono</em> dono de igreja é outra incoerência.</p>
<p>O apóstolo os saúda com <em>graça </em> e <em>paz</em>. “Graça” é o grego <em>cháris</em> e corresponde ao hebraico <em>hen, </em>“favor”.<em> </em> Deus usa de bondade para com sua igreja. Paulo deseja que a igreja cresça no conhecimento da bondade de Deus. É bom saber que a bondade de Deus é crescente. “Paz” é o grego <em> eirene</em>, de onde vem Irene. Corresponde ao hebraico <em>shalom</em>. A idéia é de algo completo, de uma pessoa realizada, ajustada, e não apenas tranqüila. Ele deseja que a igreja prove o cuidado misericordioso de Deus e seja uma comunidade de pessoas completas, realizadas. Esta a proposta do evangelho. Que provemos a graça de Deus e desfrutemos da paz que Cristo oferece. Quando descansamos em Cristo temos paz. Ele deixou isso bem claro em Mateus 11.28-29. É o descanso de sabermos que nossa vida está em boas mãos, nas melhores mãos que há, as de Deus.</p>
<p>Por hoje é só. Na próxima semana teremos mais.</p>
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		<title>O PROFETA JEREMIAS</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 19:36:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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										</div><p><em>Um estudo preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Jeremias foi um homem incompreendido em sua época. Foi também um homem solitário. E cheio de adversários. Poucos homens foram tão hostilizados como ele. Não há profeta que tenha padecido mais que ele, e no restante da Bíblia, quem pode se ombrear é Paulo, em termos de perseguição. É chamado de “o profeta chorão”, um epíteto que mostra um conhecimento bastante superficial sobre sua vida. Na realidade, chamá-lo de “chorão” é uma injustiça. É um gigante entre os profetas e de chorão não tem nada. Num sermão no texto de Jeremias 2.13, o saudoso Pr. José dos Reis Pereira disse que Jeremias era um gigante espiritual, numa geração de pigmeus. Um bom termo: um gigante, não um chorão.</p>
<p><span id="more-1587"></span></p>
<p>De maneira sábia, o Dr. Page Kelley comentou que o reconhecimento da grandeza de Jeremias só veio nos dias do Novo Testamento. Quando Jesus perguntou o que os homens diziam sobre ele, a resposta dos discípulos foi “Uns dizem que és Jeremias”. Mais de seiscentos anos depois Jesus, o Filho de Deus, o homem perfeito, foi confundido com Jeremias redivivo. Que glória para Jeremias! Pensaram que o Filho de Deus era ele, que revivera. Que saibamos reconhecer a grandeza deste profeta.</p>
<p>1.TÍTULO &#8211; O nome “Jeremias” vem do hebraico <em>Yirmeyahu</em> (<em>Yirme-Yâh</em>) que significa “Iahweh estabelece” (ajuda, exalta, designa, lança).  O livro de Jeremias é o maior livro profético do AT.</p>
<p>2. O AUTOR – Jeremias, como dito, é conhecido como o “profeta chorão. Também o chamam de  “o profeta do coração quebrantado” (Jr 9.1; 13.17; 14.17; Lm 1.16; 2.1). Ele nasceu em 647 a.C. em Anatote (Jr. 1.1), pequena vila sacerdotal cerca de 5 km ao nordeste de Jerusalém, e, segundo a tradição judaica, teria morrido por volta de 582 a.C., aos 65 anos (647-582), apedrejado no Egito pelos judeus que ele tentou ajudar (Jr 43.1-8). Filho de Hilquias,  provável sumo sacerdote na ocasião da reforma de Josias (641-609 a.C.) e  bisavô de Esdras (Ed 7.1).  A família parece ter tido boas condições financeiras, pois Jeremias comprou um terreno de um parente falecido (Jr 32.9-10).</p>
<p>Constituído profeta antes do seu nascimento (Jr 1.5), Jeremias começou seu ministério aos 20 anos (ou um pouco menos) em 627 a.C. no 13º ano do reinado de Josias.  Normalmente um sacerdote começava a trabalhar aos 30 anos de idade (Nm 4.3), mas Jeremias foi “seduzido” (iludido) por Deus ao ministério (Jr 20.7). Foi proibido de se casar como sinal ao povo da iminente destruição de Jerusalém (Jr 16.1-5). Ministrou por 40 anos em Jerusalém (627-586 a.C.), e durante os 5 anos no Egito (Jr 43-44), ministrando a 5 reis diferentes (Josias, Jeoacaz, Jeoiaquim, Joaquim, e Zedequias, e um governador de Judá (Gedalias) após a queda (2Rs 25.22-25). Chamado bem jovem ao ministério profético, foi privado das bênçãos que um homem comum desfruta.</p>
<p>Apesar de ser um homem compassivo e profundamente sensível, Jeremias foi chamado para proclamar inexorável julgamento contra Judá.  Sua mensagem era dupla:</p>
<p>(1)   Negativa &#8211; destruir, arrancar, derrubar, arruinar;</p>
<p>(2) Positiva &#8211; edificar, plantar (Jr 1.10).  Considerado um traidor devido a estes pronunciamentos, Jeremias não viu uma só pessoa se converter ao longo do seu ministério. Foi ridicularizado, desprezado, ameaçado, difamado, amaldiçoado, açoitado, jogado num poço lamacento (Jr 11.18-23; 12.6; 15.10; 18.18; 20.2,10; 26.8-11,24; 32.2; 36.23,26; 37.15-16,21; 38.6-13,28; 40.1; 43.6-7).</p>
<p>Sua mensagem básica foi convencer os judeus que Babilônia era um instrumento usado por Deus (Is 43.13-15) para castigar seu povo. Foi uma mensagem impopular, pela qual foi considerado como traidor, trabalhando e profetizando a favor do inimigo (Jr 26.8-14; 27.8,11-17; 29.7; 38.17,18). Jeremias era um homem de rixas (Jr 15.10), não podia ir aos banquetes (Jr 16.8), foi perseguido por fora, mas sentiu um fogo por dentro (Jr 20.9). Chegou a ponto de até amaldiçoar o dia de seu nascimento (Jr 20.14-18), pois os homens de Anatote queriam matá-lo (Jr 11.21) e até seus próprios irmãos estavam contra ele (Jr 12.6).  Era um homem de coração partido e um livro queimado (Jr 36.23,32). E odiado por quase todos. Numa época em que a liderança evangélica busca o aplauso do mundo, Jeremias aparece na contra-mão. A lealdade à palavra de Deus é mais importante que qualquer outra lealdade.</p>
<p>3. AUTORIA &#8211; A autoria nunca foi contestado, pois o livro tem numerosas referências biográficas de Jeremias como autor (citado 131 vezes) e de Baruque como escrivão (citado 23 vezes).  Daniel 9.2, Esdras 1.1, e a tradição judaica dão crédito à autoria de Jeremias.  Não escreveu capítulo o 52 (Jr 51.64).  Veja Jerremias 36.1-3; 22-23; 32.</p>
<p>4. SITUAÇÃO HISTÓRICA – Mostrada em 2Reis 22 a 25;  2Crônicas 35 a 36. Após a morte de Isaías, Deus não se revelou a nenhum profeta por um espaço de mais de 50 anos durante os terríveis 55 anos do reinado de Manassés (2Rs 21.1, 2, 4,5,6,9,16; 24.3,4; Jr 15.4).  A condição moral era péssima. A religiosidade era uma fachada cobrindo a impiedade e injustiça, o “templo do Senhor” usado como um talismã (Jr 5.31; 7.4-11; 8.10; 16.12; 23.11,14).</p>
<p>No início, Judá fez alianças com os assírios contra os egípcios, ou com os egípcios contra os assírios.  A mensagem de Jeremias foi a de confiar em Deus pela proteção e não nas alianças feitas.  Em termos de Babilônia, a mensagem de Jeremias foi de render-se a Babilônia para não ser totalmente destruído (Jr 38.17,18).</p>
<p>5. TEMA &#8211; <em>O julgamento de Deus sobre um povo rebelde</em></p>
<p>6. PALAVRAS CHAVES &#8211;  Há duas palavras que se constituem na espinha dorsal do conteúdo do livro: (1) “Volte” (voltar), que surge 47 vezes; (Jr 3.12,14,22; 4.1; 8.4,5; 12.15; 15.19; 24.7, por exemplo) e (2) “Convertei-vos” &#8211; (Jr. 18.8,11; 25.5; 26.3; 35.15, por exemplo)</p>
<p>7. CENÁRIO POLÍTICO &#8211; Algumas datas históricas, internacionais significativas durante a profecia de Jeremias:</p>
<p>(1) 626 a.C. &#8211; Nabopolasar, da Babilônia, com ajuda dos medos, toma a cidade de Babilônia dos assírios.</p>
<p>(2) 612 a.C. &#8211; Os babilônios destroem Nínive. Em 610 a.C. eles tomaram Harã. (2Cr 35.20-25)</p>
<p>(3) 609 a.C. &#8211; Josias morre em Megido ao tentar impedir Faraó Neco de auxiliar a Assíria contra Babilônia (2Rs 23.29).</p>
<p>(4) 606 a.C. &#8211; Nabucodonosor liberta Jerusalém do controle egípcio; deporta judeus como Daniel a Babilônia.</p>
<p>(5) 605 a.C. &#8211; Babilônia derrota o exército egípcio em Carquemis e assume o controle de toda a Palestina.</p>
<p>(6) 597 a.C. &#8211; Nabucodonosor invade Jerusalém duas vezes, mata Jeoiaquim (Jr 36.30), prende Joaquim; saqueia o templo e deporta 10.000 pessoas da camada alta da população, incluindo Ezequiel (2Rs 24.11-16).  Coloca Zedequias como rei de Judá.</p>
<p>(7) 586 a.C. &#8211; Destruição do templo e de Jerusalém depois do sítio de um ano e meio (2Rs 25.1-12; Jr 39.1-10; 52.4-27).</p>
<p>(8) 568 a.C. &#8211; Nabucodonosor conquista o Egito (Jr 44.1-30, profetizado em 586 a.C.)</p>
<p>(9) 562 a.C. &#8211; Evil-Merodaque torna-se rei da Babilônia; liberta Joaquim (Jr 52.31-34, texto que não foi escrito por Jeremias, mas talvez por Baruque ou um dos seus discípulos).</p>
<p>8. CENÁRIO RELIGIOSO &#8211; Algumas datas religiosas significativas:</p>
<p>(1) 632 a.C. &#8211; Josias, aos 15 anos, começou a buscar a Iahweh (2Cr 34.3).</p>
<p>(2) 628 a.C. &#8211; Purificação do templo; remoção da idolatria (2Cr 34.3-8).</p>
<p>(3) 622 a.C. &#8211; O Livro da Lei achado; celebra-se a maior festa da Páscoa desde Samuel (2Cr 35.1, 7,18).</p>
<p>(4) 609 a.C. &#8211; Josias morto (2Rs 23.29); quatro reis ímpios depois (Jeoacaz-3 meses, Jeoiaquim-11 anos, Joaquim-3 meses, Zedequias-11 anos).</p>
<p>A condição moral da época de Jeremias degenerou de bom para o ruim e depois para o pior.  Até os líderes religiosos estavam completamente corrompidos (Jr 5.30,31; 8.10,11; 14.13,14; 23.11, 14, 16, 25, 26; 27.9-15).  Enquanto Jeremias continuou fiel a Deus e ao povo antes e depois do julgamento divino, os judeus continuaram obstinados, rebeldes e impenitentes, antes e depois  do julgamento (Jr 44.15-19).</p>
<p>9. DATA DA REDAÇÃO &#8211; Jeremias começou a escrever cerca de 605 a.C. (Jr 36.1, 2, 4; 45.1).  Depois de destruído aquele rolo, ele escreveu as mesmas palavras, acrescentando ainda outras (Jr 36.22-28,32). Escreveu uma carta aos cativos em 597 a.C. (Jr 29.1).  Mais tarde escreveu sobre o julgamento de Babilônia (Jr 51.60).  Os últimos quatro versículos (Jr 52.31-34) e provavelmente todo o capítulo 52 (Jr 51.64) foram escritos em 562 a.C. e, portanto, não por Jeremias, que se calcula, morreu cerca de 582 a.C. O livro de Jeremias, assim, foi composto durante muitos anos.  Lamentações foi escrito depois de 586 a.C.</p>
<p>10. OBJETIVO DO LIVRO &#8211; Registrar as admoestações de Deus a um povo rebelde que não apenas rejeitou a lei de Deus, mas também recusou inflexivelmente a correção de Deus anunciada pelos profetas.</p>
<p>11. RECURSOS PEDAGÓGICOS DE JEREMIAS &#8211; Como bom pedagogo, Jeremias utilizou recursos visuais:</p>
<p>(1)   13.1-11 – O cinto de linho escondido no Eufrates onde apodreceu</p>
<p>(2)   16.2, 8 &#8211; Não se casou, nem comeu ou bebeu em banquete.</p>
<p>(3)   18.1-8 &#8211; O oleiro e o barro</p>
<p>(4)    19.1-13 &#8211; A botija quebrada</p>
<p>(5)    24.1-10 &#8211; Dois cestos de figos</p>
<p>(6)   27.1-8 &#8211; Um jugo no pescoço</p>
<p>(7)   32.6-15 – A compra do campo do parente</p>
<p>(8)   35.1-19 &#8211; A obediência dos recabitas</p>
<p>(9)    43.8-13 &#8211; As pedras escondidas</p>
<p>(10) 51.63,64 – O livro jogado no Eufrates</p>
<p>12. PROFECIAS DE ESPERANÇA &#8211; Há dois temas proféticos:</p>
<p>(1) A volta depois de 70 anos no cativeiro (Jr 25.11,12; 29.10)</p>
<p>(2) Um cumprimento maior no futuro, em vários breves textos (Jr 3.16-18; 12.14-15; 23.5,6; 30.3-7; 31.8, 9, 28-34; 32.37-44; 33.15-21).</p>
<p>13. NOVA ALIANÇA &#8211; 31.31-34; 32.37-40 &#8211; Uma nova aliança foi profetizada para substituir (ampliar) o pacto condicional dado a Moisés no Sinai (31.32), que foi rejeitado pelo povo, resultando na sua expulsão da terra prometida (11.2-10).  Será um guia interior para o coração e não um código legal externo (Hb 8.7-13; 10.16-17). É muito oportuno estudar este tópico por causa do processo de rejudaização a que a igreja é hoje submetida, com muita gente negando a Cristo, e querendo retornar à primeira aliança, que caducou.</p>
<p>14. MENSAGEM DE JEREMIAS</p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="174" valign="top"></td>
<td width="117" valign="top">QUATRO TEMAS</td>
<td width="132" valign="top">ÊNFASE</td>
<td width="180" valign="top">ELEMENTO DE TEMPO</td>
</tr>
<tr>
<td width="174" valign="top">DESTRUIÇÃO</td>
<td width="117" valign="top">1. Repreender</td>
<td width="132" valign="top">Pecado do   povo</td>
<td width="180" valign="top">Condição atual (2.1-37)</td>
</tr>
<tr>
<td width="174" valign="top"></td>
<td width="117" valign="top">2. Acautelar</td>
<td width="132" valign="top">A justiça de Deus</td>
<td width="180" valign="top">Futuro predito ( 4.20)</td>
</tr>
<tr>
<td width="174" valign="top">CONSTRUÇÃO</td>
<td width="117" valign="top">3. Convite</td>
<td width="132" valign="top">A graça de Deus</td>
<td width="180" valign="top">Oferta atual ( 3.13-15)</td>
</tr>
<tr>
<td width="174" valign="top"></td>
<td width="117" valign="top">4. Consolação</td>
<td width="132" valign="top">Esperança do povo</td>
<td width="180" valign="top">Futuro predito (32.37-41)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>15. UMA RADIOGRAFIA DO LIVRO DE JEREMIAS<strong> -</strong> O livro não está em ordem cronológica. Por isso, seu entendimento histórico se torna complicado. Para ter uma cronologia, veja Plamplin, em sua obra “Jeremias, Seu Ministério, Sua Mensagem” (Juerp). Veja também “O Novo Dicionário da Bíblia”, em  “Jeremias”, no tópico V,  “Seus Oráculos”. Mas o essencial pode ser traduzido assim: pouco mais de vinte anos antes de Babilônia destruir Judá, Jeremias já o dizia.  Entendia que era o juízo de Iahweh sobre nação pela quebra da aliança.  Eis uma radiografia do livro:</p>
<p>(1)   Judá será destruído por Babilônia &#8211; 6.22-26</p>
<p>(2) Se deixar o pecado, Iahweh livrará a nação (7.5-7). O templo, apesar de todo o seu significado, que estudamos na apostila anterior, não livraria a nação &#8211; 7.4, 9-11.</p>
<p>(3) Quando tudo parecia perdido, nova mensagem de Jeremias: Judá deve aceitar o jugo caldeu e assim será poupado da destruição &#8211; 21.8-9.</p>
<p>(4) Judá será destruído e cativo por 70 anos (25.11, conferir com 2Cr 36.22). Depois, será restaurado (Jr 30 e 31) e dará um grande rei ao mundo (33.15). Aqui, a teologia do livro sofre uma guinada, pois os vislumbres da nova aliança já se fazem sentir.</p>
<p>(5) Babilônia será destruída e nunca mais se reerguerá (25.12). Confira com Isaías 13.19-22.  Quando lhe falarem da reconstrução de Babilônia para ajustar sistemas escatológicos, lembre-se destas passagens. Babilônia nunca mais será reconstruída. Os capítulos 50 e 51 tratam da destruição do poder caldeu. Uma grande lição: Deus pune o mal. Por mais poderosos que sejam os ímpios, Deus os punirá.</p>
<p>BIBLIOGRAFIA</p>
<ol>
<li>Plampin, Richard. <em> Jeremias, seu ministério, sua mensagem</em>. Rio: Juerp,  1987</li>
<li>Mesquita, Antonio. <em> Estudo nos livros de Jeremias e Lamentações de Jeremias</em>. Rio; Juerp,  2<sup>ª</sup> ed., 1980</li>
<li>Skinner, John. <em> Jeremias &#8211; profecia e religião</em>. S. Paulo: ASTE, 1966</li>
<li>Harrison, R. <em> Jeremias e Lamentações</em>. S. Paulo: Vida Nova, 1980</li>
<li>Almeida, Joãozinho. <em>Jeremias, homem de carne e osso</em>. S. Paulo: Paulinas, 1997</li>
<li>Boggio, G. <em>Jeremias, o testemunho de um mártir. </em> S. Paulo: Paulinas, 1984</li>
<li>Andrade, José Sélio. <em>Os profetas maiores (II) – Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel. </em>Rio de Janeiro: Juerp, 2004.</li>
</ol>
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		<title>2ª CARTA DE PEDRO</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2010 02:04:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudos bíblicos Se a primeira carta de Pedro não é muito lida, pregada e estudada em nosso meio, com a segunda a situação é pior. É quase que ignorada em nossos púlpitos. Para piorar, alguns comentários bíblicos são bem mais enfáticos com problemas críticos que [...]]]></description>
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										</div><p>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudos bíblicos</p>
<p>Se a primeira carta de Pedro não é muito lida, pregada e estudada em nosso meio, com a segunda a situação é pior. É quase que ignorada em nossos púlpitos. Para piorar, alguns comentários bíblicos são bem mais enfáticos com problemas críticos que com seu conteúdo. O comentário da Almeida Século 21, na sua maneira de argumentar sobre as dificuldades do livro ter sido aceito no cânon do Novo Testamento, por exemplo, é tão desalentador que tira a vontade de estudar a carta. A justificativa para a relutância da aceitação no cânon é tão tênue que nada resolve. Chega a ser surpreendente que uma edição da Bíblia, através de um comentário, deixe mais dúvidas que certeza sobre o valor da Bíblia. Coitada da segunda epistola de Pedro! Ignorada pelos cristãos, desprezada pelos críticos e quase que tolerada pelos comentaristas de uma edição bíblica.</p>
<p><span id="more-1584"></span>O <em>Manual Bíblico, </em>de Halley, reconhece a dificuldade que houve, mas é mais positivo: “Era reconhecida na Igreja Primitiva como escrito genuíno de Pedro e, através dos séculos, tem sido reverenciada como parte da Escritura Sagrada” (p. 587). Da mesma forma o <em>Manual Bíblico SBB </em> é enfático: “Uma tradição antiga, e o cuidado tomado pelos concílios da igreja antiga no sentido de eliminar documentos considerados falsificações, pesam a favor de Pedro como autor” (p. 752).  Gloag foi feliz ao afirmar: “Devemos recordar que os Pais do século IV, no tempo em que foi fixado o cânon do Novo Testamento, tinham muito mais elementos do que nós para resolverem o assunto, e sabe-se que nenhum escrito podia fazer parte das Escrituras canônicas sem que sobre ele houvesse um cuidadoso exame” (Broadus, <em>História, Doutrina e Interpretação da Bíblia, II, </em>p. 307).</p>
<p>AUTORIA E DATA – Apesar dos comentaristas, a questão da autoria parece se definir logo em 1.1. O autor se apresenta como Pedro. Os críticos alegam que é um caso de pseudonímia, o ato de usar o nome de alguém famoso em sua obra, para justificá-la, evento comum nos tempos antigos. Mas um pouco mais à frente, em 1.16-18, o autor declara que foi testemunha ocular da transfiguração, evento narrado em Mateus 17.  É a segunda declaração interna a favor de uma autoria petrina.  Em 3.1, ele declara ter escrito uma carta anterior. Embora o comentarista da Século 21 diga enfaticamente que não devemos supor que se trata da primeira epístola de Pedro ( por que não?), não é possível imaginar outro autor que não seja Pedro. Além disso, há semelhanças conceituais com a primeira epístola. O estilo literário é diferente, o que pode se explicar por ter Pedro usado amanuenses (redatores de sua narração) A data presumível fica entre os anos 64 e 68, e teria sido escrito não muito após a primeira.</p>
<p>DESTINATÁRIOS – Em 3.1 temos a informação de que os destinatários são os mesmos da primeira carta: os cristãos que estavam espalhados na Ásia Menor. Mas 1.1 sugere que o autor pretendia que seu escrito tivesse um alcance maior: ele se dirige “aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa&#8230;”. Parece que deseja alcançar todos os cristãos. Já comentamos isto anteriormente, no estudo da primeira epístola: se Paulo havia morrido, Pedro se sentia responsável pelos cristãos de origem gentílica, que ele havia antes recusado. As heresias estavam avançando e competia aos apóstolos doutrinar as igrejas na revelação de Jesus.</p>
<p>PROPÓSITO DA CARTA – O propósito da epístola é tríplice: (1) Fortalecer os irmãos (capítulo 1, principalmente 1.19); (2) Denunciar falsos mestres (capítulo 2, principalmente 2.1); Orientar os cristãos sobre a segunda vinda de Cristo (capítulo 3, principalmente 3.9-10). Neste propósito tríplice, dois textos parecem ser a espinha dorsal da epístola: 2.1 e 3.1-4. Eles nos ajudam a entender o assunto.</p>
<p>UM ESBOÇO DA CARTA – De estrutura bem simples, esta epístola pode ser esboçada da seguinte maneira, como já delineamos no propósito:</p>
<ol>
<li>Um estímulo à vida cristã -  1.1-21.</li>
<li>O perigo de falsos mestres -  2.1-22.</li>
<li>A segunda vinda de Cristo e o julgamento – 3.1-18.</li>
</ol>
<p>Ela termina abruptamente, sem saudações pessoais e sem uma conclusão formal.  A ausência de saudações pessoais não significa nada em termos de inspiração ou de autoria. Pode apenas significar que a carta era geral, talvez uma circular, correndo as igrejas. A ausência de uma conclusão formal também nada indica.</p>
<p>UMA CARTA MODELADA NO SALMO 1? – O Salmo 1 é chamado de “O salmo dos dois caminhos”. Ele sintetiza e é, ao mesmo tempo, um prólogo do Saltério. Ele mostra que há dois caminhos por onde andar. Esta idéia fica presente nestaa obra de Pedro, que também nos fala de dois caminhos. A palavra hebraica para “caminho” é <em>hallaq, </em>que vem do verbo <em>halaq, </em>“andar”. Acabou significando um estilo de vida. A 2Pedro mostra duas maneiras de viver. A primeira, mostrada no capítulo 1, é chamada de “caminho da verdade” (2.2), “caminho direito” (2.15) e, ainda, “caminho da justiça” (2.21). Estas expressões estão no capítulo 2, mas é no início da carta que Pedro fala sobre o procedimento do cristão. O outro caminho, que no Salmo 2 seria o dos ímpios, é o dos falsos mestres, e é apresentado no capítulo 2 e chamado “caminho de Balaão” (2.15). Atente-se para o fato de que, ao falar do caminho de Balaão, Pedro não se refere àqueles que nunca conheceram o Senhor, mas sim de pessoas que foram resgatadas (2.1), mas desviaram-se das veredas da justiça (2.15,20-22).  Balaão era um profeta verdadeiro, mas desviou-se da verdade por dinheiro.</p>
<p>Esta figura de dois caminhos faz parte do ensino bíblico. Desde o Antigo Testamento, com as bênçãos e maldições, até o Novo Testamento, como na conclusão do sermão do monte e em muitas das parábolas de Jesus. Mas na 2Pedro, a teologia do Salmo 1 se faz bem presente.</p>
<p>Cada um destes caminhos tem ponto de partida, modo de caminhar e ponto de chegada, conforme fica evidente na epístola.</p>
<p>1 &#8211; Caminho 1 &#8211; Um estímulo à vida cristã &#8211; 1.1-21 – 1.1-21.  Este capítulo trata da trajetória cristã. O <em>ponto de partida</em> está em 1.4: “&#8230; havendo escapado da corrupção que pela concupiscência há no mundo&#8221;. Trata-se da conversão. Quem se converte não pode achar que já tem tudo o que Deus pode oferecer. A partir do versículo 5, encontramos uma lista de qualidades ou capacidades que devem ser alcançadas pelo cristão. Quem se converte tem fé. A fé foi alcançada (1.1), mas ela não é um fim em si mesma. Pelo contrário, é o início de uma jornada. Com diligência (ou zelo) (1.5), o cristão deve buscar: virtude (bondade ou bom procedimento), conhecimento, temperança (ou domínio próprio), paciência (ou perseverança), piedade, amor fraternal (fraternidade), amor (ágape).</p>
<p>Estas virtudes são interdependentes e complementares. Elas precisam uma da outra e se completam, uma com a outra. Pedro apresenta um plano de crescimento, o qual deve ser o alvo de todo cristão. É desse modo que a natureza divina se desenvolve em nós (1.4). Não convém ao recém-nascido permanecer como tal. Ele deve crescer. Aliás, ele deixou isso bem claro na 1Pedro 2.2.</p>
<p>A fé sem conhecimento e sem reflexão geralmente degenera em fanatismo e heresia. Por outro lado, o conhecimento sem fé degenera num intelectualismo oco ou em um legalismo cruel. Quem tem fé e conhecimento, mas não tem amor é uma pessoa perigosa, tornando-se manipuladora e até mesmo agressora. Quando Tiago e João quiseram pedir fogo do céu para destruir os samaritanos, eles demonstraram que tinham conhecimento e muita fé, mas nenhum amor ao próximo, nenhuma bondade, nenhuma paciência, nenhum domínio próprio. Jesus impediu aquela tragédia e, mais tarde, aqueles discípulos aprenderam a amar. Não basta que tenhamos conhecimento, nem mesmo poder espiritual. A misericórdia é extremamente necessária. Esta é uma das grandes tragédias da igreja contemporânea. De um lado, a tendência de dimensionar a vida cristã em termos cognitivos e transformar as divergências em campo de batalha. De outro, a tendência de transformar a fé em mero sentimentalismo e sensações, o que dilui a fé cristã ao nível aguado de uma nova era com tintura cristã.</p>
<p>No relato de toda essa experiência cristã, Pedro se vale de diversas termos que podem, no entanto, ser divididos em dois grupos: ações divinas e ações humanas. O início da nossa caminhada se dá pela operação do “divino poder” do Senhor (1.3). A partir daí, o homem tem muito a fazer.</p>
<p>Se Pedro estava exortando (1.12-15) os irmãos a cumprirem a sua parte no que diz respeito ao crescimento espiritual, é para evitar que  eles, depois de tudo o que Deus fez, se sentarem e esperado que Deus fizesse tudo na vida deles. É assim que muitos cristãos sofrem de miopia espiritual, e acabam esquecendo por completo as verdades aprendidas. Há muita gente que se converte, mas pára de crescer. Isto é lamentável.  Devemos caminhar para o crescimento. O texto de 3.18 mostra isto bem.</p>
<p>Nesta epístola, a caminhada rumo ao progresso espiritual é muito bem definida em 3.11-18. É uma chamada à santidade, que vai se desenrolando até o clímax de 3.18, que nos recomenda crescermos na graça e no conhecimento do Salvador Jesus Cristo. Esta é a última recomendação da carta, que mostra que o caminho da justiça é a firmeza em Cristo.</p>
<p>2 &#8211; Caminho 2 -O perigo de falsos mestres -  2.1-22.</p>
<p>No capítulo 2, o autor muda para um assunto extremamente oposto ao que estava sendo tratado até então. Seu conteúdo é muito semelhante à epístola de Judas. Não é necessário pensar que um copiou do outro. Os apóstolos não viviam sem contatos entre si, e suas cartas eram conhecidas uns dos outros. Em 3.15, por exemplo, Pedro cita as cartas de Paulo, mesmo sem nominá-las.</p>
<p>No capítulo 1, Pedro falou a respeito dos cristãos fiéis. Agora ele passa a se referir aos falsos mestres, seu caráter, suas obras e o conseqüente castigo. Esses são os que andam pelo &#8220;caminho de Balaão&#8221; (2.15). Reconhecendo que sua morte estava para suceder (1.14), Pedro se preocupa com seus sucessores, tanto no ministério, como na vivência comum da vida na igreja. Quer alertar bem sobre os falsos mestres. Mas, quem são eles? O que ensinam?</p>
<ul>
<li>Foram resgatados, mas se desviaram (2.1,15,19,20-22).</li>
</ul>
<ul>
<li>Apesar disto, continuam dentro das      igrejas (2.1,13).</li>
<li>Estão na liderança (2.2 – muitos      os estão seguindo).</li>
<li>Seu interesse é o dinheiro,  como Balaão (2.3,14-15).</li>
<li>São comparados aos anjos caídos,      aos contemporâneos de Noé e aos habitantes de Sodoma e Gomorra (2.4-6).</li>
</ul>
<p>O <em>ponto de partida </em>desse caminho é o mesmo daqueles mencionados no primeiro capítulo. Já que foram resgatados (2.1), o lugar de onde saíram está identificado como as &#8220;contaminações do mundo&#8221;, de onde escaparam mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo (2.20). Mas se desviaram da rota traçada pelo Senhor (2.15), sendo <em>envolvidos</em> e <em>vencidos </em>pelo mundo, terminando por se <em>afastarem</em> do santo mandamento de Deus (2.20-21). Mundo, aqui, é um sistema de valores voltados contra Deus, não o mundo social. Pode-se estar na igreja e se ser do mundo. Pode-se ser recluso do mundo social e estar no mundo. Não é lugar. É um modo de vida.</p>
<p>O seu <em>modo de caminhar</em> é identificado através de seu comportamento. O texto apresenta verbos e adjetivos que nos fazem compreender o caráter desses homens:</p>
<p>- Falsos, dissimulados, hereges, destruidores, negam a Cristo, libertinos, avarentos, mentirosos, fazem comércio de vidas, são carnais, seguem paixões imundas, são rebeldes, atrevidos, obstinados, como animais irracionais, blasfemos, injustos, luxuriosos, enganadores, adúlteros, insaciáveis, malditos, vaidosos, arrogantes, inconstantes, escravos da corrupção (2.1-3,10-14,18-19; 3.3). Tais palavras variam um pouco de uma versão bíblica para outra.</p>
<p>- Apesar de todo esse conteúdo maligno, tais homens apresentam uma aparência positiva. Afinal, são líderes, são mestres, e prometem liberdade aos seus seguidores (2.1-2,19). Mas, no final, “são fontes&#8230; sem água. São nuvens&#8230; também sem água” (2Pe.2.17; Jd.12). O seu aspecto é promissor, mas eles não produziam nada de positivo. Para um povo que vivia em região seca, árida, onde as chuvas eram extremamente necessárias, nuvens sem águas eram inúteis,  um triste engodo. É triste saber disto, mas há cristãos inúteis. Não beneficiam ninguém. São enganadores.</p>
<p>Das muitas características apresentadas, percebemos que se destacam as atitudes desses falsos mestres em relação à autoridade e ao dinheiro. Eles são rebeldes e avarentos, entre outros adjetivos.</p>
<p>O <em>ponto de chegada</em> desse caminho está demonstrado pelas expressões:</p>
<ul>
<li>&#8220;&#8230; a sentença&#8230;&#8221; (2.3).</li>
</ul>
<ul>
<li>&#8220;&#8230; a perdição&#8230;&#8221;      (2.3).</li>
<li>&#8220;&#8230; inferno&#8230;&#8221; (2.4).</li>
<li>&#8220;&#8230; cadeias da      escuridão&#8230;&#8221; (2.4).</li>
<li>&#8220;&#8230; juízo..&#8221; (2.4).</li>
<li>&#8220;&#8230; destruição&#8230;&#8221;      (2.6).</li>
<li>&#8220;&#8230; o dia do juízo, para      serem castigados.&#8221; (2.9).</li>
<li>&#8220;&#8230; a negridão das      trevas&#8221; (2.17).</li>
<li>&#8220;&#8230; o último estado pior do      que o primeiro&#8221; (2.20).</li>
<li>&#8220;&#8230; juízo e      destruição&#8230;&#8221; (3.7).</li>
</ul>
<p>3 &#8211; A segunda vinda de Cristo e o julgamento – 3.1-18.</p>
<p>Pedro encerra sua obra com um capítulo de ter escatológico, mas sem dissociá-lo da vida cristã. Sua escatologia não é teórica. É o pressuposto à questão: como devemos viver (3.11). depois de ter falado sobre dois caminhos, dois tipos de vida, ele fala sobre a segunda vinda de Cristo (3.4) e, pela perspectiva do juízo, comparando-o ao dilúvio dos dias de Noé (3.7). O dilúvio foi um <em>escaton </em>para aquela geração. Mas o <em>escaton </em>de Jesus é o ponto final da história, e até mesmo do <em>kosmos </em>(v. 12). Sem constrangimento algum, ele comenta a demora da <em>parousia</em>, termo grego que é usada para a segunda vinda de Jesus, e que designa “aparecimento”, geralmente de uma autoridade. Pedro comenta que o tempo de Deus é diferente do nosso. “Um dia para Deus é como mil anos e mil anos como um dia” (3.8).</p>
<p>A segunda vinda demanda duas posturas de nossa parte: fé e paciência. A aparente demora de Deus é manifestação da sua misericórdia. Ele está dando tempo para muitos ainda se arrependam e se convertam (3.9). Devemos crer e aguardar. A vida cristã é uma vida de fidelidade ao Senhor e de expectativa do fim da história. Infelizmente, muito da pregação contemporânea enfatiza mais a fidelidade de Deus para conosco que a nossa para com ele, e as realidades deste mundo mais que as do mundo vindouro. Talvez isso explique porque 2Pedro não é uma carta interessante. Os pregadores do cristianismo aguado de nosso tempo não sabem o que fazer com seu ensino.</p>
<p>O dilúvio foi o julgamento de um mundo ímpio pela água. Pedro diz que o fim desta nossa era se dará por meio de um “dilúvio de fogo”. O apóstolo idealiza um cenário de julgamento iluminado pelas chamas da ira divina. O fogo abrasará (3.10,12), destruirá (3.7) e derreterá (3.12). Serão atingidos: os céus (3.7,10,12), a terra (3.7,10) e todas as coisas que nela há (3.10-11). Semelhantemente ao texto de Apocalipse 21.1, Pedro também fala de novos céus e nova terra (2Pe3.13; Is.65.17). Na realidade, mais que uma nova realidade cósmica, ele está falando de uma nova ordem, pois que a primeira foi afetada pelo pecado (Gn 3.17-18, Rm 8.20-22). Esta é a idéia de novos céus e nova terra: uma nova ordem, não contaminada pelo pecado, regenerada por Deus. É a idéia que Paulo comentara em Romanos 8.18-22.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Não é uma carta em um estilo brilhante como as de Paulo ou como o livro de Hebreus. Mas é um livro do discípulo que mais de perto privou da companhia de Jesus, e que pode-se presumir, o que mais assimilou os seus ensinos.  O estilo é simples, o autor respeita Paulo, mas tem seu valor pessoal. O texto de 3.17-18, com que ele encerrou sua epístola, é a melhor maneira de terminarmos este estudo. O último ensino de Pedro é que os cristãos se aprofundem na pessoa de Jesus Cristo.  Que estas palavras fiquem conosco.</p>
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		<title>A PRIMEIRA CARTA DE PEDRO</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 00:06:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Carta de Pedro]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro]]></category>

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		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para grupos de estudo bíblico As duas cartas de Pedro não fazem parte dos livros prediletos dos cristãos, sendo preteridas pelas epístolas paulinas. Elas fazem parte das epístolas católicas, que recebem este nome porque não foram destinadas a igrejas em particular (como as de Paulo), mas eram universais [...]]]></description>
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										</div><p><em>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para grupos de estudo bíblico</em></p>
<p>As duas cartas de Pedro não fazem parte dos livros prediletos dos cristãos, sendo preteridas pelas epístolas paulinas. Elas fazem parte das epístolas católicas, que recebem este nome porque não foram destinadas a igrejas em particular (como as de Paulo), mas eram universais (este é o sentido da palavra “católico”). Nunca houve dúvida alguma na história da igreja de que seu autor fosse o apóstolo Pedro. Ele não possuía grande instrução acadêmica (At.4.13), mas suas cartas são bem escritas. Ele não freqüentou as escolas gregas, como provavelmente o autor de Hebreus freqüentou, nem teve instrução teologia, filosófica e jurídica, como Paulo, que era um doutor da lei. Mas não se deve presumir que fosse analfabeto ou ignorante. Não conhecia a filosofia grega ou o direito romano, mas como o grego era língua conhecida por todo o mundo, escreveu em grego. Também falava o aramaico, que era sua língua natal, e talvez o hebraico, que era a língua dos doutores da lei (como no passado, os padres falavam o latim). Não era um doutor da lei, mas ouvia o hebraico, como freqüentador da sinagoga, onde a lei era ensinada.</p>
<p><span id="more-1582"></span></p>
<p>Ele escreve esta carta com autoridade, sem titubeios. Apresenta-se como “apóstolo” (1.1) e “testemunha das aflições de Cristo” (5.1). Mas “apóstolo”, para ele (bem como para os demais autores do Novo Testamento) não significava domínio sobre os demais. Nem era sinal de superioridade eclesiástica ou título de nobreza espiritual. Era conseqüência de terem vivido com Jesus e recebido uma missão da parte dele. Não era uma carreira que se fazia na igreja, mas uma função que se desempenhava. E que não levava à riqueza e à boa vida, mas trazia uma missão que levou todos os apóstolos (exceção de João) à morte. Naquele momento, ser apóstolo não significa ser o “chefão”, mas ser o primeiro na lista dos candidatos à execução.</p>
<p>Ele escreve de Roma, que chama de “Babilônia” (5.13). Acompanham-no mais dois ilustres obreiros, Marcos e Silvano (5.12-13). Silvano era o nome romano de Silas, que já é a forma aramaica de “Saul”. A provável data da carta fica entre 62  e 69 d.C. O ano mais presumido é 64. Um dado para isto é que o autor ignora a destruição de Jerusalém, no ano 70. Se tivesse escrito depois desta data, sem dúvida que teria comentado isto em seu escrito, à luz das experiências que os discípulos viveram na cidade e da palavra de Jesus de que ela seria destruída. Parece que Pedro tinha conhecimento da carta aos romanos, e da epístola aos Hebreus, de autoria não sabida. Há uma grande afinidade de pensamento entre esta epístola de Pedro e as outras duas citadas.</p>
<p>DESTINATÁRIOS</p>
<p>Ele encaminha sua carta aos cristãos de origem gentílica (2.10) a quem chama de “peregrinos da Dispersão” (1.1). As cidades onde esses peregrinos estão são cidades onde Paulo trabalhou e deixou igrejas organizadas. As pressões do Império Romano eram mais fortes nesta região e ele se preocupa com os cristãos que lá viviam. Alguns estudiosos presumem que, à luz disto, Paulo já teria morrido (o fato de Marcos e Silas estarem com Pedro  faz com que esta possibilidade seja mais considerada) e Pedro assumira a responsabilidade por estes irmãos, principalmente porque, no princípio, ele era contra a evangelização dos gentios (At 10.25-28, 47-48 e 11.17). Pedro, inclusive, em 2.10, aplica aos cristãos gentios, quatro títulos que eram de Israel.</p>
<p>CIRCUNSTÂNCIA DA CARTA</p>
<p>O momento histórico em que a carta foi escrita era de perseguição imperial contra a igreja, após o incêndio em Roma, que Nero atribuiu aos cristãos. No livro de Atos, os perseguidores da igreja eram os judeus. Quando Pedro escreveu, os perseguidores eram os gentios (4.3-4, 12). A igreja de Cristo deve ter em mente que este mundo é lugar de testemunho e luta e que sua fidelidade a Cristo lhe custará perseguição.  O texto chave da carta é 4.1. O conceito chave, que domina a argumentação, é a idéia de sofrimento, que aparece em 1.11; 2.20; 3.17; 4.19; 5.1,9-10. Estas passagens não apenas nos mostram o que aqueles cristãos viviam, como nos mostram também o entendimento dos primeiros cristãos do que significava seguir a Cristo. A carta busca confortar e estimular os cristãos na sua caminhada, que naquela época tinha um preço muito alto. É uma carta de conforto. Fala de sofrimento, mas não o varre para baixo do tapete nem diz que cessará. O texto de 4.12-13 é bem claro: “Amados, não estranheis<strong> </strong>a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis”. O sofrimento existia e iria crescer. Cabe aqui o comentário da Bíblia Século 21: “Agora a ira de Nero, o imperador louco, estava prestes a derramar-se em Roma, para prejuízo da igreja. Por esse motivo, o apóstolo Pedro procurou preparar a igreja da Ásia Menor para o desastre iminente nessas províncias orientais, aonde a opressão sem dúvida chegaria, vinda do centro de irradiação: Roma”.</p>
<p>OS GRANDES TEMAS DA CARTA</p>
<p>Podemos delinear uma seqüência de pensamento na epístola, embora os temas às vezes se intercalem e se misturem.</p>
<p>1 &#8211; Natureza da salvação &#8211; 1.1-12.  <em>Salvos pela obra de Cristo</em></p>
<p>O assunto inicial da epístola é <em>a salvação e</em> <em>a</em> <em>herança no céu.</em> Aqueles que estavam sofrendo perseguições poderiam questionar sobre o efeito de sua conversão. Talvez eles esperassem uma <em>herança na terra,</em> uma vida tranqüila e próspera (como muitos hoje, que pensam que seguir a Cristo é ter uma vidinha mansa, ou como Packer diz, “a religião da banheira quente”). Deus pode nos dar este tipo de bênção material, mas isso não é uma promessa de Cristo para todo aquele que creia. Isso depende da vontade de Deus para cada pessoa. O que ele promete a todos é a vida eterna, uma herança nos céus.</p>
<p>As conquistas materiais não são um desdobramento inevitável da aceitação do evangelho. Mas nada impede que o cristão se esforce para conseguir o que lhe for lícito, assim como também fazem os que não são salvos. Ele não foi chamado para ser um miserável. Seguir a Cristo não implica em ser, necessariamente, um pobretão, sem ter onde cair morto.  Mas a busca de riqueza material não deve ser o objetivo principal da nossa vida ou da nossa fé. A fé não é suporte para riqueza, mas é um compromisso com Jesus.</p>
<p>2 &#8211; Crescimento espiritual &#8211; 1.13 &#8211; 2.10. <em>O que somos e o que devemos ser</em></p>
<p>Agora que estamos salvos, precisamos do <em>crescimento espiritual</em>, que só é possível mediante o <em>legítimo alimento espiritual: a palavra de Deus</em> (1.23-25; 2.1-2). A palavra &#8220;portanto&#8221;, em 1.13, conecta as duas seções do texto. Ela indica que considerando tudo o que foi dito antes, viriam, a seguir, admoestações relacionadas às conseqüências naturais ou necessárias ao bom andamento da questão anterior. Pedro vale-se muito do verbo “ser”. Vejamos principalmente as conjugações: “sois” e “sede” em referência ao que já “somos” pelos méritos de Cristo. E, por nosso compromisso com ele, o que devemos “ser”. Observe, no verbo “sede”, o modo imperativo indicando uma ordem. Pedro já disse que somos salvos&#8230; portanto&#8230; precisamos ser:</p>
<p>- Santos (separados da corrupção do mundo) &#8211; 1.15-16.</p>
<p>- Sóbrios (conscientes, atentos e vigilantes) &#8211; 1.13.</p>
<p>- Obedientes &#8211; 1.14.</p>
<p>3 &#8211; Vida cristã prática &#8211; 2.11 &#8211; 3.22. <em>O risco do pecado; vigilância; oração; serviço; comportamento; sofrimento e glória. </em></p>
<p>Após a conversão, temos um caminho pela frente: a vida cristã prática. É a ética, que é conseqüência da fé.  Pedro menciona situações e relações do dia-a-dia do cristão. O pecado é-lhe um <em>risco constante</em> (2.11-12; 4.1-6; 1.13-16). Pedro, que um dia disse que não negaria a Cristo e o fez por três vezes, sabe que o pecado pode acontecer, embora não deva. Diante desse risco real, o autor nos aconselha a <em>orar</em> e <em>vigiar</em> (4.7; 5.8-9).</p>
<p>Mas, com grande propriedade, Pedro nos apresenta a vida cristã como algo mais que espiritual ou no momento do culto. Não se resume à oração e à vigilância. É isso também, mas vai além. Há o <em>serviço cristão</em>, que ele exemplifica pela <em>hospitalidade</em> e pelo <em>m</em><em>inistério</em> (4.9-11). Esta última palavra não significa o ministério pastoral, mas a <em>diaconía, </em>isto é, o serviço aos irmãos. Não basta orar. Devemos agir e trabalhar para os demais.</p>
<p>Outro item por ele abordado é o <em>comportamento cristão</em>. Do serviço se passa à moralidade pessoal. Tratamos agora da ética pessoal. As falhas nesta área podem invalidar nossas orações (3.7) e nosso serviço. Pedro menciona a vida social e civil (2.12-17), familiar (3.1-7) e profissional (2.18). Aconselha maridos, esposas e servos. Há uma grande ênfase em relacionamentos. Isto é muito significativo, porque vivemos hoje um evangelho intimista, em que tudo se resume à pessoa e Deus. A vida cristã não é intimista, mas relacional. Não acontece no templo, mas na vida social.</p>
<p><em>O sofrimento</em> é o tema principal da epístola. Ele faz parte intrínseca da vida cristã. O sofrimento era a situação vivida pelos destinatários da carta. O autor diz que não devemos estranhá-lo, como se fosse algo anormal (4.12), ou seja, algo que não deveria nos acontecer. Faz parte do plano de Deus para nós, pois <em>ele assim o quer</em> (3.17). Na realidade, é algo <em>necessário</em> (1.6). Tais afirmações podem ser chocantes. Por quê Deus quer que soframos? Não é que ele queira o sofrimento em si, mas sim o resultado do processo do sofrimento. Existem virtudes que não serão adquiridas de outra forma. O sofrimento tem grande força didática<em>. &#8220;Te deixei ter fome&#8230; para te dar a entender que nem só de pão viverá o homem..</em>.&#8221; (Dt 8.3), disse Deus. No sofrimento buscamos Deus e nos deixamos em suas mãos.  Alguém disse que o sofrimento é o microfone de Deus, onde ele nos fala com grande veemência.</p>
<p>Pedro nos apresenta dois tipos de sofrimento que podemos enfrentar: (1) pelo evangelho (perseguição, tentações e perseguições) e, (2) pelo pecado (conseqüências e punições). Se sofrermos como cristãos, sem culpa, então somos bem-aventurados (Mt 5.11-12). Mas se sofrermos merecidamente, então nenhuma honra receberemos (2.19-20; 4.14-16). Lembremo-nos do Calvário. Nele havia dois tipos de homens em sofrimento.  Um dos tipos foi Jesus, que morria sofrendo mas inocente. O outro tipo é o dos ladrões, que sofriam e morriam em conseqüência dos seus próprios erros.</p>
<p>O sofrimento pela causa do evangelho trará a <em>glória</em> como recompensa, no final. Esta é outra palavra importante na epístola, indicando glória presente na vida do cristão, glória futura e também a vanglória (1.24). O sofrimento é de <em>pequena duração</em> quando é comparado com a glória <em>eterna</em> que nos aguarda (1.6; 5.10).  A este propósito, veja também Romanos 8.18.</p>
<p>Os crentes de hoje querem a glória (e, às vezes, a vanglória), mas sofrimento, nunca, em hipótese alguma. Muitos querem colher o fruto sem plantar sua erva. Queremos participar da glória de Cristo em sua vinda, mas não queremos participar dos seus sofrimentos, enquanto vivemos aqui como sua igreja. Queremos o trono sem a cruz. Pedro associa tais elementos (1.11; 4.13; 5.1). Para justificar a necessidade e a utilidade do sofrimento, ele usa Cristo como exemplo (2.21; 3.18). O mesmo apóstolo se diz testemunha das aflições de Cristo e participante da sua glória. Com isso, ele deixa subentendida sua própria participação nos sofrimentos pelo evangelho. Seguir a Cristo é aceitar a possibilidade de sofrer por Cristo.</p>
<p>Quando o sofrimento nos acomete, somos levados a procurar seus motivos. Perguntamos: “<em>Por que</em> está acontecendo isso? O que eu fiz para merecer isso?”. Desta maneira, <em>olhamos para trás</em> em busca de uma possível causa. O sofrimento pelo pecado pode ser assim compreendido. Podemos olhar para trás e reconhecer nossa falha. Muitas vezes, porém, não conseguimos ligar o fato presente ao erro cometido. No caso do sofrimento permitido por Deus sem que tenhamos pecado, devemos <em>olhar para frente</em> e perguntar: <em>para que</em> está acontecendo isso? Mesmo que não possamos, em muitos casos, saber qual o propósito específico, de modo geral sabemos que toda adversidade que nos ocorre vem para o nosso próprio crescimento. Todo exercício físico, quando é corretamente realizado, contribui para o desenvolvimento da pessoa e a manutenção da sua boa forma muscular. Tais exercícios não são leves nem suaves. Se assim fossem, seriam inúteis. Assim são as provações e adversidades que enfrentamos. São exercícios para o espírito e para o caráter. Por eles nossa fé cresce, nossa paciência e nossa experiência se desenvolvem. O <em>produto </em>do sofrimento faz com que ele se justifique e seja até mesmo valorizado por escritores bíblicos como Pedro (aqui, neste contexto) e Paulo (Rm 5.3-5).</p>
<p>O ouro é extraído da jazida em estado bruto, cheio de sujeira e deformidades. Contudo, não será rejeitado por isso. Pelo contrário. Pelo seu valor, deverá ser trabalhado e suas impurezas deverão ser escoimadas, o que demanda um processo de purificação. Podemos até lavar aquela pepita de ouro, mas isso não será suficiente. Algumas impurezas estão incrustadas no metal. O ourives precisa levá-lo ao fogo (Ml 3.2). Da mesma forma Deus nos resgata sujos e deformados. Ele não nos rejeita por mais sujos que estejamos. Pedro compara as tribulações com o fogo e diz que assim como o ouro precisa passar por ele, da mesma forma nossa fé precisa ser provada para sermos aprovados (1.7). O fogo, por mais destruidor que seja, destrói as impurezas, não o ouro. No final do processo, o metal está limpo, brilhante, e muito mais valorizado. Assim acontece conosco. A propósito, veja 1Coríntios 10.13.</p>
<p>Nesta epístola, Pedro se vale de muitos termos negativos e de muitos outros positivos. Pode parecer conflito ou paradoxo, mas não é. Nem mero estilo literário. A vida é assim. Todos os elementos negativos do processo são necessários para que os positivos se manifestem. É uma relação necessária. Sem morte não haverá ressurreição. Primeiro vem o fogo, depois o brilho e o valor. Só não são necessários o pecado e o sofrimento que ele traz, já que não produz nenhum benefício, exceto uma lição que poderia ter sido aprendida de outra forma.</p>
<p>Muitas vezes, as experiências negativas são do presente, enquanto que o benefício está projetado para o futuro (1.4-5; 4.13; 5.1, 4, 6,10). Contudo, já experimentamos presentemente a esperança, a paz, a alegria, o amor, a misericórdia, etc. A glória, ou exaltação, é o principal elemento localizado no futuro, ligado à segunda vinda de Cristo.</p>
<p>4 &#8211; Exortações diversas &#8211; 4.1-19</p>
<p>Neste bloco encontramos vários conselhos sobre comportamento, amor mútuo, serviço e novamente sobre o sofrimento.</p>
<p>5 &#8211; Admoestações aos líderes &#8211; 5.1-14.</p>
<p>Neste bloco de versículos, Pedro se dirige de maneira especial aos anciãos, os presbíteros da igreja, dizendo que eles deviam ser exemplo para o rebanho, e não líderes dominadores. O líder não deve agir como se fosse dono das ovelhas, ou senhor de suas vidas. Liderança não é manipulação nem opressão, mas orientação amável. A ovelha deve ser vista como alvo de cuidado e proteção e não como se fosse fábrica de leite e lã, embora ela os produza. O ministério pastoral é serviço aos crentes e não aproveitamento deles em benefício pessoal. Ministério não é para enriquecimento do obreiro, mas para serviço dele à igreja, isto é, a pessoas, mais que uma instituição.</p>
<p>UM TEMA DISCUTIDO E NÃO DEFINIDO &#8211; A PREGAÇÃO AOS MORTOS</p>
<p>Um problema muito debatido nesta carta, talvez um dos mais debatidos no Novo Testamento, é o texto de 3.18-20. As discussões sobre ele são variadas. Procurarei expor sucintamente as principais linhas de interpretação do assunto em questão. Leiamos também 1Pedro 4.5-6, Romanos 10.7, Salmo 16.10 e Efésios 4.9.</p>
<p>Jesus foi  teria ido mesmo ao inferno? O texto de Pedro não está dizendo isso, mas esta tem sido, muitas vezes, a interpretação adotada, principalmente por causa de outros textos bíblicos, dos credos da Igreja Católica e dos livros apócrifos, alguns dos quais mencionam explicitamente a descida de Cristo ao inferno entre sua morte e sua ressurreição. Por exemplo, podemos citar o chamado &#8220;Credo dos Apóstolos&#8221; e os apócrifos &#8220;Evangelho de Bartolomeu&#8221; e &#8220;Evangelho de Nicodemos&#8221;. Um paralelo entre estes escritos e os textos bíblicos mencionados produz esta interpretação de que Cristo foi ao inferno.</p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="96" valign="top"><sub>Questão</sub></td>
<td colspan="7" width="493" valign="top"><sub>Respostas encontradas nos comentários</sub></td>
</tr>
<tr>
<td width="96" valign="top"><sub>Jesus foi ao inferno?</sub></td>
<td colspan="6" width="421" valign="top"><sub>Sim</sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>Não</sub></td>
</tr>
<tr>
<td width="96" valign="top"><sub>Como ele foi?</sub></td>
<td width="101" valign="top"><sub>Em seu espírito humano</sub></td>
<td width="124" valign="top"><sub>em carne e espírito</sub></td>
<td colspan="4" width="196" valign="top"><sub>Através do Espírito Santo</sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>De jeito nenhum. </sub></td>
</tr>
<tr>
<td width="96" valign="top"><sub>A quem ele pregou? </sub></td>
<td width="101" valign="top"><sub>Aos justos </sub></td>
<td width="124" valign="top"><sub>Aos ímpios (todos ou só aos da época de Noé)</sub></td>
<td colspan="2" width="103" valign="top"><sub>A justos e ímpios.</sub></td>
<td colspan="2" width="93" valign="top"><sub>Aos anjos caídos.</sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>A ninguém</sub></td>
</tr>
<tr>
<td width="96" valign="top"><sub>O que ele pregou?</sub></td>
<td width="101" valign="top"><sub>O evangelho</sub></td>
<td width="124" valign="top"><sub>Sua vitória</sub></td>
<td colspan="4" width="196" valign="top"><sub>O evangelho e sua vitória</sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>Nada</sub></td>
</tr>
<tr>
<td width="96" valign="top"><sub>Com que objetivo?</sub></td>
<td width="101" valign="top"><sub>Salvar os justos</sub></td>
<td width="124" valign="top"><sub>Salvar os ímpios</sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>Salvar a todos</sub></td>
<td colspan="2" width="61" valign="top"><sub>Declarar sua vitó-ria</sub></td>
<td width="62" valign="top"><sub>Sofrer</sub></p>
<p><sub>(batismo de fogo?)</sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>Nenhum</sub></td>
</tr>
<tr>
<td width="96" valign="top"><sub>Qual foi o efeito?</sub></td>
<td width="101" valign="top"><sub>Salvação e ressurreição dos justos. </sub></td>
<td width="124" valign="top"><sub>Salvação dos ímpios.</sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>Salvação de todos. </sub></td>
<td colspan="2" width="61" valign="top"><sub>Conde-nação dos ím-pios</sub></td>
<td width="62" valign="top"><sub> </sub></td>
<td width="72" valign="top"><sub>Nenhum</sub></td>
</tr>
<tr height="0">
<td width="96"></td>
<td width="101"></td>
<td width="124"></td>
<td width="72"></td>
<td width="31"></td>
<td width="31"></td>
<td width="62"></td>
<td width="72"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Cada opção traz seus desdobramentos e suscita uma série de perguntas que recebem respostas pouco claras e criam mais dúvidas. O próprio texto bíblico não é claro, e assim é pouco provável que eu venha a ser no comentário. Mas pelo tentarei, sem fazer de minhas palavras uma lei dos medos e persas.</p>
<p>Algumas respostas que são dadas podem ser refutadas pelo simples exame cuidadoso do texto de 1Pedro. A passagem não diz que ele foi pregar aos justos e nem que teria sido a todos os mortos ou a todos os ímpios.  A rigor, são mencionados apenas os ímpios que viveram nos dias de Noé. Alguns comentaristas estendem tal pregação a todos os mortos, valendo-se para tal do texto de 1Pedro 4.5-6, onde isso se torna mais claro.</p>
<p>Dizer que Cristo foi em carne e espírito ao inferno é bastante problemático, pois significa afirmar que ele estava vivo antes da ressurreição. Se ele foi em carne e espírito ao inferno, estava vivo. Se ele estava vivo, que ressurreição foi essa? Se a carne e espírito estão juntos, então não estamos falando de Cristo durante seus três dias em estado de morte.</p>
<p>Dizer que o Espírito Santo foi ao inferno resgatar alguém é confundir as funções das pessoas da Trindade. Vamos caminhar por aqui com cuidado, para não cairmos na heresia do modalismo, mas é fácil observar que cada pessoa da Trindade desempenha funções que as outras não exercem. O Espírito não foi crucificado. E o Pai não nasceu de uma virgem.  Mas o equívoco de afirmar que o Espírito foi ao inferno resgatar pessoas se dá pelo fato de que algumas traduções usam equivocadamente a palavra “Espírito”, com letra maiúscula em 1Pedro 3.18.</p>
<p>Os que dizem que Cristo não foi ao inferno, afirmam que ele foi se apresentar ao Pai após sua morte. Seu argumento maior são as palavras de Jesus ao ladrão crucificado: &#8220;Hoje estarás comigo no paraíso&#8221; (Lc 23.43 e 46). Como explicariam então o texto de Pedro? Calvino chegou a afirmar que a cruz foi o “inferno” experimentado por Cristo. Para os anabatistas, este mundo foi o “inferno” ao qual Cristo desceu, quando da encarnação.</p>
<p>Até o século IV se aceitava a idéia de que Cristo tivesse mesmo descido ao inferno, assim identificado como o “lugar dos mortos”. Somente a partir do século V é que se passou a questionar  este sentido dado ao texto bíblico.  Agostinho propôs a seguinte explicação: o evangelho teria sido anunciado aos mortos no tempo em que estes estavam vivos. Assim, os contemporâneos de Noé teriam ouvido sua pregação antes do dilúvio. O espírito de Cristo, mencionado em 1Pedro 3.18, estaria agindo através de Noé, o pregoeiro da justiça. Tal interpretação não explica o texto de 4.5-6, onde todos os mortos parecem estar envolvidos. Além disso, o texto de 3.18-20 diz que a pregação foi dirigida a “espíritos em prisão” e não a pessoas vivas.</p>
<p>É provável que Atos 2.27-31 seja o texto mais claro para que se infira que Cristo foi ao inferno. O autor utiliza a palavra <em>hades</em>. Esta palavra estaria sendo usada em referência a um lugar espiritual? Ou alude simplesmente à sepultura (At 2.29) ou apenas ao estado de morte (At 2.31)? Algumas versões usam a palavra <em>hades</em> enquanto outras a traduzem como “morte”. Uma outra versão menciona “região dos mortos”, o que não indica um sentido estritamente físico ou espiritual. A Bíblia Loyola usa a expressão “mansão dos mortos”. A versão antiga do Padre Figueiredo (que deixou marcas na tradição religiosa brasileira) traduz <em>hades</em> como “inferno”. A Linguagem de Hoje traduziu, em Atos 2.27, como “mundo dos mortos”. No seu “Vocabulário”, a LH diz que o mundo dos mortos era “um abismo escuro e silencioso situado nas profundezas da terra, para onde todas as pessoas iam depois de morrer”.</p>
<p>A palavra <em>hades</em> é de origem grega e vem da mitologia dos gregos, sendo utilizada para identificar o lugar espiritual para onde vão os mortos. É um termo composto, com o “a”, privativo, indicando ausência, e “des” (o visível). <em>Hades</em> é o “não visível”. O <em>hades</em> estaria divido em duas partes: “Campos Elíseos”, para os bons e o “tártaro”, para os maus. Os hebreus tinham uma concepção semelhante sobre a região dos mortos. Chamavam-na de <em>seol,</em> ou <em>sheol</em>, também com um lugar para os justos e outro para os ímpios. Entretanto, <em>sheol</em> também significa sepultura. Como o Novo Testamento foi escrito em grego, então foram usadas as palavras gregas que mais se aproximavam do conceito hebraico. Assim, a dúvida sobre lugar físico ou espiritual permanece, porque ambos os termos têm sentido difuso.</p>
<p>Uma interpretação bem interessante, em outra linha, é a de Grudem, que alega que Cristo estava “em espírito”, pregando através de Noé, durante a construção da arca. Agostinho e Tomás de Aquino concordam com esta posição, bem como alguns intérpretes modernos. Para outros intérpretes, o objetivo desta ida de Jesus aos espíritos no Tártaro não foi a redenção, mas o anúncio de sua vitória.</p>
<p>E qual é a melhor explicação? Bem, qualquer afirmação definitiva seria temerária. Não sendo matéria de fé, e sendo até mesmo questão circunstancial, o leitor pode formar sua posição pessoal com base nas informações aqui registradas. E pode buscar outras mais. Mas que não coloque todo o sentido e todo o valor da carta de Pedro nesta questão periférica. A questão mais importante, do ponto de vista global, foi bem sintetizada em 2.21: “Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas”. Somos chamados a um compromisso com Cristo, aceitando viver seu exemplo. Ser cristão é viver Cristo e viver como Cristo.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>A COMPOSIÇÃO DO NOVO TESTAMENTO E O EVANGELHO DE MATEUS</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2010/11/a-composicao-do-novo-testamento-e-o-evangelho-de-mateus/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 14:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para grupos de estudos bíblicos COMPOSIÇÃO O Novo Testamento se compõe de 27 livros, assim divididos: 4 evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas  &#8211; chamados de sinóticos – e João) 1 livro histórico (Atos) 13 cartas de Paulo (Romanos, 1 e 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses, 1 e [...]]]></description>
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										</div><p><span style="font-size: small;">Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para grupos de estudos bíblicos</span></p>
<p>COMPOSIÇÃO</p>
<p>O Novo Testamento se compõe de 27 livros, assim divididos:</p>
<p>4 evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas  &#8211; chamados de sinóticos – e João)</p>
<p>1 livro histórico (Atos)</p>
<p>13 cartas de Paulo (Romanos, 1 e 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses, 1 e 2Tessalonicenses, 1 e 2Timóteo, Tito – estas três chamadas de “pastorais”-  e Filemon)</p>
<p>1 livro de autoria desconhecida (Hebreus)</p>
<p>5 cartas gerais (Tiago, 1 e 2Pedro, 1, 2 e 3João e Judas)</p>
<p>1 apocalipse (Apocalipse ou Revelação)</p>
<p>Presume-se que 1Tessalonicenses tenha sido o primeiro documento escrito, no ano 46 de nossa era. O Apocalipse, o último, cerca do ano 95. Talvez um pouco antes. Pode haver pequenas divergências quanto às datas e à ordem de produção dos livros, mas em geral é isto que se afirma. Todos foram escritos em grego comum, que era a língua mais falada no mundo, na época. Um crítico da Nova Tradução da Linguagem de Hoje disse que esta tradução era a “vulgarização” do texto bíblico. Pois bem, ele acertou. O texto bíblico foi escrito em grego vulgar, não no grego clássico.</p>
<p><span id="more-1579"></span></p>
<ol>
<li>O EVANGELHO DE MATEUS</li>
</ol>
<p>Começamos pelo evangelho de Mateus. O evangelho não declara quem é seu autor, mas a Igreja sempre o atribuiu a Mateus. No primeiro século já se sabia quem era seu autor.  Por isso, esta questão não se discute e se dá como certa. A provável data de sua redação se deu entre os anos 62 e 70. Sabe-se que foi antes de 70 porque nesta época o templo foi destruído, e os judeus e cristãos (ainda tidos como seita judaica) foram expulsos da Palestina.</p>
<ol>
<li>QUEM FOI MATEUS?</li>
</ol>
<p>Seu nome, em aramaico, é Mattatyah, que significa “dom de Iahweh”.   Ele aparece nas quatro listas de discípulos (Mt 10.3, Mc 3.18, Lc 6.15 e At 1.13). Ele mesmo se chama de “publicano” (Mt 10.3), que era um cobrador de impostos a serviço de Roma. Era um judeu colaboracionista com o poder estrangeiro dominante. Os publicanos eram muito mal vistos.  Mas ele não tem vergonha do seu passado. Marcos e Lucas o chamam de Levi (Mt 9.9, Mc 2.14 e Lc 5.27). Presumem os estudiosos que eles quiseram evitar dizer que ele era publicano e usaram seu nome judeu. Mas ele mesmo fez questão de dizer que fora publicano, que Jesus o mudara. Inclusive ele deu uma festa para Jesus (Mt 9.10 e Mc 2.14-15). Jesus mudou radicalmente a sua vida: transformou-o de cobrador de impostos, a serviço do Império Romano, a apóstolo (representante) do Grande Rei, a serviço do reino que nunca se extinguirá. Tinha mesmo que dar uma festa. E nos ensina uma boa lição: nunca devemos nos envergonhar de nossa fé, mas até mesmo fazer questão de mostrá-la. Sua vida foi mudada radicalmente. Os publicanos, que cobravam impostos como queriam e embolsavam uma boa parte, eram muito ricos (Lc 19.2). Ele deixou tudo por Cristo. Parece ter entendido a lei da cruz, da qual escreveu (Mt 16.24-26). Ele assumiu o desafio de Jesus que ele registrou em sua obra. Dos discípulos, ele foi o que mais tinha a perder. As redes e os barcos continuariam esperando pelos pescadores, mas ele rompeu com o Império Romano. Não tinha para onde voltar. E não teria espaço entre seus compatriotas.</p>
<ol>
<li>PLANO DE TRABALHO</li>
</ol>
<p>A finalidade do primeiro evangelho é mostrar que Jesus é o verdadeiro Messias prometido no Antigo Testamento. Isto já fica bem claro em 1.1. Sabia-se que o Messias viria da linhagem de Davi (Ez 34.23-24). O Messias mostrado por Mateus não seria um guerreiro, mas o Salvador (1.21). Este Salvador originaria um novo povo, maior que Israel (21.43). Isto porque a revelação que ele trouxe é maior que a revelação trazida por Moisés (5.17, 5.21-22, 5.27-28, 5.31-32, 5.33-34, 5.38-39). Observe que ele cumpriu a lei (ela se cumpriu nele e ele opôs sua autoridade à de Moisés). Ele era maior que Moisés. Veja 17.4-5: é ele quem deve ser ouvido. Não são Moisés (simbolizando a Lei), nem Elias (simbolizando os profetas), os dois figurando o Antigo Testamento. Este é o plano de Mateus: Jesus é o Salvador prometido e traz uma revelação nova e superior. O tempo de Moisés passou. Uma observação se faz necessária para um bom entendimento: Mateus é tópico e não cronológico.  Ele não faz um relato dos acontecimentos em ordem, mas apresenta tópicos que comprovam sua tese.</p>
<ol>
<li>A MENSAGEM CENTRAL DO LIVRO</li>
</ol>
<p>A mensagem central do primeiro evangelho é simples, podendo ser definida numa curta sentença gramatical: “É chegado o reino dos céus”. Veja 3.2 e 4.17.  Como era judeu, Mateus evita usar o nome de Deus e em vez de “reino de Deus” usa “reino dos céus”. Jesus disse que o reino chegou com sua pessoa: 12.28. Jesus veio estabelecer o reino.</p>
<ol>
<li>UM ESBOÇO DE MATEUS</li>
</ol>
<p>Para “visualizarmos” o evangelho, eis um esboço de Mateus:</p>
<p>(1)   Nascimento e infância do Messias – 1.1 a 2.23</p>
<p>(2)   Preparo do Messias para seu ministério – 3.1 a 4.11</p>
<p>(3)   Grande ministério na Galiléia – 4.12 a 13.58</p>
<p>(4)   O ministério das retiradas do Messias – 14.1 a 18.35</p>
<p>(5)   O Messias vai a Jerusalém para sofrer e morrer – 19.1 a 20.34</p>
<p>(6)   Últimos dias do Messias – 21.1 a 28.20</p>
<p>Observe que a maior parte do ministério de Jesus aconteceu na Galiléia, a região mais desprezada de Israel. Por isso ele foi chamado de “galileu” (26.69). Isto não era um elogio, propriamente.</p>
<ol>
<li>OS CINCO GRANDES DISCURSOS DE MATEUS</li>
</ol>
<p>Embora no esboço acima não apareçam os “cinco grandes discursos” de Mateus (o esboço é abreviado), é comum referir-se a eles como sendo parte co conteúdo da argumentação do evangelista. Estes discursos são: (1) o sermão da montanha (caps. 5 a 7); (2) a obra dos discípulos especiais (9.35 a 11.1); (3) o reino dos céus (11.2 a 18.35); (4) o texto infantil (18 e 19); (5) o discurso escatológico,  ou o discurso do fim (24.1 a 26.2). Vamos comentar cada um, abreviadamente, para dar uma compreensão do conteúdo teológico de Mateus.</p>
<ol>
<li>O SERMÃO DA MONTANHA</li>
</ol>
<p>É considerado como “a constituição do reino”. Jesus assume a posição de “Mestre”, ao sentar (5.1-2). Os mestres tinham uma cadeira, onde se assentavam (Mt 23.1). Ele apresenta as bases de seu reino, a essência do ensino ético. Aqui se mostra como o cidadão do reino deve proceder. É a interpretação que ele faz da Lei, tirando-a do nível de obrigações religiosas e colocando-a em nível de relacionamentos, tanto com Deus como com os homens. No sermão da montanha se destaca o texto que se chama de “o sumo bem” (6.33) e “a lei da semeadura e colheita” (7.12). Ele termina mostrando que a base do novo tempo que ele veio inaugurar, o reino de Deus que chegou com ele, é a sua palavra: 7.24-27. A partir de agora, é a sua palavra que vale. A multidão ficou encantada com este discurso: 7.28-29. Aliás, o sermão da montanha é considerado como a mais bela construção de ensino religioso de todas as religiões mundiais. Nada pode ser comparado a ele. Segundo os estudiosos, ele está repleto de aramaísmos (expressões típicas do aramaico) mostrando que o texto grego foi traduzido de anotações de um discurso em aramaico. É falsa a idéia de que foi uma criação da igreja primitiva para uma ética de emergência, pois ela esperava Jesus voltar de uma hora para outra. Aliás, isto seria uma farsa, pois o texto diz claramente que Jesus o pronunciou. Cuidado com a “erudição teológica”, que muitas vezes apenas reflete um liberalismo teológico que não tem coragem de se declarar como tal.</p>
<ol>
<li>A OBRA DOS DISCÍPULOS ESPECIAIS</li>
</ol>
<p>Os discípulos são enviados, com instruções específicas (10.5-42), e ele vai para outro lugar. Este momento é importante: Jesus não é mais um pregador solitário, mas é um mestre portador de uma mensagem que seus discípulos começam a espalhar pelas cidades vizinhas. O evangelho começa a se alastrar. Graças a Deus por isso!</p>
<ol>
<li>O REINO DOS CÉUS</li>
</ol>
<p>É o maior trecho dos discursos.  O capítulo 13 é chamado de “o capítulo das parábolas do reino”. São sete (número perfeito) e mostram todo o processo do reino de Deus. Nelas se pode ver o reino em semeadura (semeador), em obra de falsificação pelo “inimigo” (joio e trigo), seu crescimento (mostarda e fermento), alguém que o acha por acidente (tesouro escondido), alguém que o acha após procura (a pérola de grande valor), e, por fim, a parábola da rede  mostra a sua consumação. É o reino desde sua semeadura (Jesus, os discípulos, a Igreja) até o fim do mundo (13.40). Uma radiografia histórica (ou parabólica) do avanço do evangelho. De um começo insignificante (um grão de semente de mostarda) à mais frondosa das árvores, de maneira que não se detém (as raízes da árvore rebentam pedras e calçadas), até a volta do Filho. O reino é expansivo e contagioso. E será vitorioso. Ninguém pode deter o reino de Cristo.</p>
<ol>
<li>O TEXTO INFANTIL</li>
</ol>
<p>Começa com crianças (18.2) e depois fala da bênção das crianças (19.13-14). O irmão que é escandalizado é chamado por “pequenino” (18.10). Os novos convertidos são considerados como “pequeninos” ou “crianças”.  Esta palavra reaparece em 18.14. A conduta do credor incompassivo é de criança e não cristão maduro. Não se trata de associar os fiéis com gente infantil, mas com gente dependente e que deveria ser respeitada. Jesus antecipou, em muito, o que hoje se pretende com o cuidado com as crianças, que naquela época não tinham grande valor.</p>
<p>10.  O ENSINO SOBRE O FIM</p>
<p>Este texto é chamado de “o pequeno apocalipse”. Contém as palavras de Jesus sobre o fim (24 a 26). No texto de 24.1-14 se misturam a destruição de Jerusalém (ano 70) com o fim da história, algo ainda a acontecer. Em 24.15-28 se trata do fim de Jerusalém, novamente. De 24.29 em diante,volta-se a falar do fim da história.  As parábolas das acompanhantes da noiva (25.1-13) e dos talentos (215.14-30) tratam do tempo do fim.  É importante notar o maior sinal do fim da história: 24.14. A maior indicação da volta de Jesus não são desgraças nem terremotos, mas um vigoroso incremento na obra da evangelização mundial.</p>
<p>11.  UM PARÊNTESIS</p>
<p>Os capítulos 21 e 22 tratam da rejeição de Israel a Cristo e como Deus escolheu um novo povo, para substituir Israel. Em 20.1-16, o trabalhador da última hora representa os gentios.  O templo é purificado por Jesus (21.12-17) mostrando que o judaísmo está corrompido e só a presença de Jesus poderia limpá-lo. A figueira infrutífera é Israel (21.18-22). Ela não tem os frutos que Iahweh esperava.  Alguns interpretam que “este monte” no v. 21 é o monte Sião, onde estava o templo. O judaísmo seria jogado fora. Pessoalmente, não assumiria esta interpretação, mas entendo-a como fazendo sentido. A parábola dos dois filhos mostra o contraste. O primeiro filho é Israel (21.29) que se comprometeu, mas não obedeceu. O segundo são os gentios, que não quiseram o primeiro ordenamento, mas acabaram indo (21.30). Veja o resultado das atitudes dos dois em 21.31. A parábola dos lavradores maus é a mais dura de todas as contadas por Jesus.  Em 21.39 ele chega a mostrar que os judeus o matariam fora da cidade de Jerusalém (como se faziam com os criminosos).  Veja, novamente, sua declaração em 21.43. A atitude da liderança religiosa dos judeus mostra que eles entenderam bem o recado: 21.45-46. Este foi o golpe que eles mais sentiram, e a partir daí selaram o destino de Jesus. É impressionante o poder do ódio religioso. As pessoas religiosas podem nutrir o pior tipo de ódio, o ódio que elas dizem ser em nome de Deus.</p>
<p>12.  A PÁSCOA E A CEIA</p>
<p>É um dos poucos relatos da vida e dos ensinos de Jesus que estão presentes nos quatro evangelhos. Em Mateus está em 26.17-30.  “O meu tempo está próximo” (v. 18) é a expressão chave para se entender corretamente o episódio. Estava chegando o tempo da sua morte.  Em Lucas 22.15 lemos “desejei ardentemente comer esta páscoa convosco”. A páscoa era uma festa familiar (Êx 12.3). Comia-se com a família. Aqui nasce a Igreja. Ela é a família de Jesus. A expressão “sangue do pacto”, em Mateus 26.28, alude ao pacto feito com Israel, na páscoa, quando Israel foi tomado como povo de Deus. A Igreja é o novo povo de Deus e é uma família. Em Lucas 22.20, o pacto é chamado de “novo pacto”.  Compare isto, cuidadosamente, com o texto de Hebreus 8.6-13. Aliás, é oportuno, mais tarde, ler os capítulos 8 a 10 de Hebreus, com bastante reflexão. Nada de flerte com o judaísmo nem com o sistema religioso do Antigo Testamento. O Calvário substitui o Sinai, e Jesus substitui Moisés. Nós somos filhos do Novo Testamento.</p>
<p>13.  A PAIXÃO DE JESUS</p>
<p>Chama-se assim ao relato de sua prisão e morte.  Começa com a agonia do Getsêmani (Mt 26.37) e vai até o capítulo 27, com seu sepultamento. É o momento mais comovente dos evangelhos.  A cruz não foi um acidente. Veja os textos de 26.54, 27.9, 27.35. O que os fariseus no seu fanatismo não conseguiram enxergar, um pagão enxergou:  27.54. O evangelho vai chegando ao fim mostrando os gentios se convertendo, mostrando a presença das mulheres (sempre inferiorizadas no judaísmo) como se vê em 27.55-56, 61 e 28.1. Aliás, a primeira adoração a Jesus, em Mateus, é de gentios (2.11). E a primeira pessoa de quem se fala, após a genealogia de Jesus, é uma mulher (1.18). Embora escrevendo para judeus, Mateus mostra que o evangelho rompe os limites do mundo religioso da época: aceita os gentios e valoriza a mulher.</p>
<p>14.  A RESSURREIÇÃO</p>
<p>“Tomaram precaução com o seu sepulcro, mas tudo foi em vão para o reter” (hino 140 HCC, 2<sup>ª</sup> estrofe).  Veja a precaução tomada pelos judeus em 27.62-66. Mas a ação de Deus se vê em 28.2-4 (até os guardas enviados pelos judeus viram os anjos e ouviram seu testemunho). A ressurreição de Jesus foi algo que trouxe um grande impacto na época. Houve muitas testemunhas: 1Coríntios 15.3-8. A ressurreição de Cristo é a pedra de toque do cristianismo (1Co 15.14 e 17). E é a garantia de que a nossa também acontecerá: 1Coríntios 15.20-26. O cristianismo é a única religião que faz firme declaração de que se fundador ressuscitou.</p>
<p>A ressurreição de Jesus é a garantia e o elemento de autoridade para que a Igreja pregue seu evangelho por todo o mundo: 28.18-20. Ele recebeu toda “autoridade”. No grego esta palavra é exoussía que significa “direito de mandar, poder de domínio ou governo”. Era uma outorga de alguém. O Pai outorgou esta autoridade ao Filho. Lembre-se de Filipenses 2.8-11 (vale a pena ler o texto, agora).  E exatamente porque tem esta autoridade, ele ordena que sua Igreja vá pregar seu evangelho em “todas as nações” e promete estar com ela “até a consumação dos séculos”, quando ele virá para encontrá-la e levá-la consigo. A Igreja deve ser evangelística e missionária. O mundo precisa ouvir falar de Jesus.</p>
<p>Mateus começa falando de Abraão (1.2) a quem a aliança foi proposta por Deus (Gn 12.1-2). A seguir, fala de Jesus, que é mostrado como o autor e o mediador de melhor aliança e mostra que a grande nação de Gênesis 12.2 é a Igreja.  Numa época de negação do evangelho e de uma volta a Levítico, em muitas igrejas, é oportuno recordar isto: nós é que somos os verdadeiros filhos de Abraão (Gl 3.7), que foi um crente e não um judeu (Gl 3.9).  A Igreja é o novo povo de Deus, herdeira e sucessora da eleição de Israel. Não há salvação na legislação religiosa do Antigo Testamento. Só há salvação em Jesus. Só Jesus Cristo salva. O judaísmo não é meio cristianismo. É obsoleto.</p>
<p>Assim termina a história prometida em Gênesis 12: a semente de Abraão germinou em Cristo. E deu ao mundo a árvore frondosa que se chama Igreja de Jesus Cristo. Nesta árvores estamos nós. Nela nos abrigamos.</p>
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		<title>ESTUDO BÍBLICO EM HEBREUS – PARTE 3</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 14:36:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Hebreus]]></category>

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										</div><p>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Já vimos que Hebreus é um livro absolutamente singular, com uma estrutura literária e teológica diferente da dos demais, e com uma linha de argumentação também bastante diferente. O autor tem um profundo conhecimento do judaísmo e da teologia dos sacrifícios, mas emprega categorias de pensamento próprias dos gregos. Isto torna o livro mais fascinante, porque é uma forma de argumentação que ainda não estudamos. É uma visão teológica do relacionamento entre cristianismo e judaísmo, entre a nova e a antiga revelação, com uma visão estrutural grega.</p>
<p>Já vimos, anteriormente, dois dos seus temas: a superioridade de Cristo e o sacrifício de Cristo. Eles nos enriqueceram quanto a uma visão mais correta da pessoa e da obra de Cristo. Hoje temos o terceiro, a nova aliança. Torna-se oportuno analisar isto porque há cristãos meio desorientados, querendo voltar a guardar preceitos do Antigo Testamento, ressuscitando festas judaicas, como se fosse observância para a igreja de Jesus. Tudo aquilo já passou, como diz Colossenses 2.16-16: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo”. Na realidade, isto já fora sinalizado desde a Transfiguração de Jesus, quando estão presentes Moisés (a Lei), Elias (os Profetas) e Jesus (a nova Revelação) e diante da proposta de Pedro de colocar os três em pé de igualdade, o Pai tirou Moisés e Elias de cena, e declarou, sobre Jesus: “Este é o meu Filho amado em que me comprazo, a ele ouvi”. Nós não ouvimos Moisés e Elias, mas a Jesus. Infelizmente, muitos cristãos estão apostando, negando a Cristo e sua cruz, e rebaixando-o a ao nível de vultos do Antigo Testamento. Este estudo reflete sobre isto.</p>
<p><span id="more-1379"></span>A BASE DA ARGUMENTAÇÃO</p>
<p>Toda a argumentação sobre a nova aliança vai se calcar em Hebreus 8.6-13. Assim diz o texto: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas. Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo. Porque repreendendo-os, diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá um novo pacto. Não segundo o pacto que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; pois não permaneceram naquele meu pacto, e eu para eles não atentei, diz o Senhor. Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;  e não ensinará cada um ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior. Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, e de seus pecados não me lembrarei mais. Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer”.</p>
<p>Na realidade, o texto é apenas uma citação ampliada de Jeremias 31.31-34, que assim diz: “Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados”. É a mais longa citação do Antigo Testamento encontrada no Novo Testamento.  Evidentemente que não é sem motivo que assim sucedeu. Inspirador dos autores, o Espírito Santo, autor último das Escrituras, sabia o que fazia. Levou o autor de Hebreus a comentar a profecia de Jeremias.</p>
<p>Para entender bem o que Hebreus diz precisamos ver o contexto em que Jeremias emprega suas palavras. O texto é o clímax teológico do livro do profeta. O povo está sob ameaça de condenação por causa dos seus pecados, o cativeiro se aproxima, mas o povo se escuda num pacto feito com Deus, na Páscoa. Mas com muita clareza, ele diz que esta aliança do Antigo Testamento, que Deus fez com Israel, na Páscoa, por meio de Moisés, foi rompida pelo povo. Vejamos, também, Ezequiel 16.59-60: “Pois assim diz o Senhor Deus: Eu te farei como fizeste, tu que desprezaste o juramento, quebrantando o pacto. Contudo eu me lembrarei do meu pacto, que fiz contigo nos dias da tua mocidade; e estabelecerei contigo um pacto eterno”. Eles iriam para o cativeiro por causa de seus pecados. De lá Deus os traria de volta e recomeçaria, com um punhado de retornados, o trabalho de dar o Messias ao mundo, fazendo uma nova aliança. Agora, não apenas com Israel, mas com toda a raça humana.</p>
<p>Vejamos, a propósito, Ezequiel 36.24-27: “Pois vos tirarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis”. Esta aliança veio a ser feita em Jesus. É este o sentido de Mateus 26.26-28, nas palavras do próprio Jesus: “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados”.</p>
<p>A nova aliança prometida por Deus em Jeremias e em Ezequiel se cumpriu com Jesus Cristo. Não é mais o sangue de um cordeiro, mas o sangue do Cordeiro. Aliás, a páscoa é uma profecia factual do sacrifício de Cristo. Ela anunciava a obra de Jesus, com sua nova aliança.</p>
<p>A IDÉIA DE ALIANÇA</p>
<p>Aliança, pacto, testamento, concerto, seja qual for a tradução que se dê, é o hebraico <em>berith</em>. A idéia não é um pacto bilateral, em que duas partes se sentam para trocar idéias e ajustar termos de um contrato em que ambas opinam. A idéia é de algo imposto, sem possibilidade de mudar termos. Era a palavra usada para os contratos de vassalagem antiga, quando um reino ou uma potência vencia outra nação e lhe impunha seus termos. A parte vencida deveria se submeter à vencedora, e a parte vencedora se comprometia a protegê-la de outros inimigos. Isto é um <em>berith</em>.</p>
<p>O conceito implícito no termo também se aplicava a uma nação que estava dominada por outra e uma terceira a libertava. Surgia o <em>berith</em>, depois da libertação, entre a nação libertada e nação que a libertara. Foi assim no Antigo Testamento. Israel era escravo do Egito. Deus o libertou e lhe trouxe seu pacto. Foi assim com a Igreja de Cristo. Éramos escravos (“Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” &#8211; Jo 8.34), mas Cristo nos libertou (“Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão” &#8211; Gl 5.1). A aliança entre Iahweh e Israel surgiu neste contexto: um poder mais forte que o Egito e Israel libertou este último e fez um pacto. É o contexto teológico da aliança feita conosco. Um poder mais forte que o pecado e o Maligno nos libertou e fez conosco um pacto. No primeiro pacto, Israel, até então uma massa de escravos, se tornou povo. No segundo pacto, nós nos tornamos povo de Deus no pacto feito em Cristo.</p>
<p>AS CARACTERÍSTICAS DA ALIANÇA FEITA EM CRISTO</p>
<p>Nesta aliança, a nova, a característica primeira e maior é o perdão dos pecados como iniciativa divina. Antes, o hebreu do Antigo Testamento procurava por perdão. Na nova, visto que a antiga se mostrou ineficaz, Deus a oferece. Jeremias 31.34 mostra isso: “E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados”. O texto paralelo de Ezequiel 36.25-27 corrobora a idéia de uma nova aliança com o perdão divino: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis”.  A correspondência se encontra em Hebreus 8.12 (“Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, e de seus pecados não me lembrarei mais”) e 10.14-17 (“Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados. E o Espírito Santo também no-lo testifica, porque depois de haver dito: Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seu entendimento; acrescenta: E não me lembrarei mais de seus pecados e de suas iniqüidades”). Em Hebreus 8.13, se acena com o fim dos sacrifícios judaicos: “Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer”. E também se observa a mesma linha de argumentação em Hebreus 10.18: “Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado”.  A oferta pelo pecado (<em>Hattat</em>) era o ato de reconciliação com Deus no culto judaico. Mas depois do sacrifício de Cristo, que trouxe o perdão, não há mais nenhum sacrifício por fazer.  O <em>Hattat </em>se tornou desnecessário porque Cristo resolveu, de uma vez por todas, o problema do pecado.</p>
<p>Também os textos de 2Coríntios 5.19 e 21 mostram isto: “pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação (&#8230;) Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. Deus tornou Cristo “pecado”, isto é, “oferta pelo pecado”, por nós. O judaísmo com seu sistema sacrificial perdeu sua razão de ser.</p>
<p>A segunda característica é a internalização da lei. A aliança feita com Israel culminou na doação da lei, em Êxodo 20. Mas a lei mosaica era externa, isto é, residia fora do homem. E fora posta em tábuas de pedra. Vejamos, a propósito, Êxodo 32.15-16: “E virou-se Moisés, e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, tábuas escritas de ambos os lados; de um e de outro lado estavam escritas. E aquelas tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas”. Na aliança feita em Cristo, a lei é interna. Vejamos, para notar o contraste da nova aliança, os textos de Jeremias 31.33 (“Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”) e Hebreus 8.10 (“Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”). O autor de Hebreus diz que a palavra de Jeremias se cumpriu com o advento do cristianismo. Neste, como prometido por Jeremias, a motivação para o relacionamento com Deus é interna. Antes, Deus estava fora do homem. O homem ia ao templo para achar Deus. Na nova aliança, Deus está no homem. Vejamos, ainda, Ezequiel 36.27, o texto em que este profeta também trata da nova aliança: “Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis”. A motivação religiosa não está fora do homem, mas dentro dele. É o Espírito Santo que habita no cristão, e não as tábuas da lei mosaica.</p>
<p>Assim, sendo, não precisamos ir a Jerusalém para orar nem precisamos orar curvados para Meca, como se Deus morasse num lugar destes. Nem precisamos subir a monte para buscar a Deus, como alguns cristãos desavisados e ignorantes do ensino do Novo Testamento procedem. No Novo Testamento, com a aliança nova feita por Jesus, Deus mora em nós: 1Coríntios 3.16 (“Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?”) e 6.19 (“Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”). Jesus já havia mostrado isso, que sua religião é interna, parte de dentro. Prestemos bastante atenção nos textos de Mateus 5.21-22 (“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno”), 5.38-41 (“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil”) e 5.43-44 (“Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem”). Neste último texto, há uma particularidade a ressaltar. De onde veio tal idéia, de odiar os inimigos, que Jesus disse que seus ouvintes tinham ouvido anteriormente? A lei não mandava odiar os inimigos, mas os essênios, sim. Eles haviam divulgado sua mensagem e, provando que nao era um deles, Jesus os refuta. Jesus ultrapassa o ensino de Moisés e, de quebra, contesta o dos essênios. Os judeus tinham transformado o pecado em questão de ritos, de cumprimentos da lei. Jesus põe-no em forma de sentimentos que motivam os atos. Por isto, o que contamina o homem é o que sai dele, e não o que entra nele:  “Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina. Então os discípulos, aproximando-se dele, perguntaram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco. E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. Respondeu Jesus: Estai vós também ainda sem entender? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora? Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina” (Mt 15.11-20). O bem e o mal estão dentro de nós, no coração, <em>lêb </em>ou <em>lebâb</em>, em hebraico, designando a interioridade volitiva do homem. Há um coração novo nos que crêem: “Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” (Ez 36.26) e “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito estável” (Sl 51.10). Para os hebreus, o coração é a sede das decisões, das faculdades intelectivas e onde estão as faculdades de juízo. Há uma nova razão, uma mentalidade nova. Isto se chama conversão. A nova aliança se baseia, também, na conversão do homem. A obediência, no judaísmo, era pela observância do ritual. No cristianismo, é pela conversão.</p>
<p>A terceira característica é a responsabilidade e a retribuição pessoais. Jó oferecia sacrifícios por seus filhos (Jó 1.5). Ele era o sacerdote da família. Uma pessoa intercedia pelos pecados de outra e conseguia o perdão para ela. Na nova aliança, cada um deve dar contas de si mesmo a Deus. Ninguém pode responder por outro. Vejamos, a propósito, Jeremias 31.29-30: “Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram. Pelo contrário, cada um morrerá pela sua própria iniqüidade; de todo homem que comer uvas verdes, é que os dentes se embotarão”.  É este o sentido de Hebreus 8.11: “E não ensinará cada um ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior”. Ninguém pode conhecer ao Senhor por outro, mas cada um deve conhecê-lo. Isto é o que chamamos de “sacerdócio universal de todos os salvos”. Cada pessoa se relaciona com Deus diretamente por causa da obra de Cristo. Ele é o sumo sacerdote, como já vimos no estudo anterior.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Esta aliança é eterna: “Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas” (Hb 13.20). Foi proclamada no Antigo Testamento, da seguinte maneira, entre muitas declarações, sendo que algumas já foram citadas anteriormente:</p>
<p>(1) Por Ezequiel: “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis. E habitareis na terra que eu dei a vossos pais, e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus”. (Ez 36.25-28)</p>
<p>(2) Por Isaías: “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei um pacto perpétuo, dando-vos as firmes beneficências prometidas a Davi” (Is 55.3); “Quanto a mim, este é o meu pacto com eles, diz o Senhor: o meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca, nem da boca dos teus filhos, nem da boca dos filhos dos teus filhos, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre” (Is 59.21) e “Pois eu, o Senhor, amo o juízo, aborreço o roubo e toda injustiça; fielmente lhes darei sua recompensa, e farei com eles um pacto eterno” (Is 61.8).</p>
<p>Ela foi implantada por Jesus (Mt 26.28), e sua realização plena foi anunciada pelos apóstolos, nas seguintes declarações:</p>
<p>2Coríntios 3.6: “O qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica”. Não é da letra, a Torah, mas do espírito, ou Espírito, presente no salvo.</p>
<p>Romanos 11.27: “E este será o meu pacto com eles, quando eu tirar os seus pecados”. Ele tirou nossos pecados, na cruz, e fez um pacto conosco.</p>
<p>Hebreus 8.6-7: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor pacto, o qual está firmado sobre melhores promessas. Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo”. O primeiro pacto passou, pois tinha defeitos. O segundo, feito em Cristo, é melhor.</p>
<p>Hebreus 9.15: “E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna”. O novo pacto dá a vida eterna.</p>
<p>1João 5.20: “Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”, que é uma bela síntese da nova aliança. O Filho já veio, tudo que apontava para ele perdeu o sentido. Ele é a verdade, o próprio Deus.</p>
<p>Somos os destinatários e, ao mesmo tempo, os propagadores desta nova aliança. Em Cristo, Deus tem um novo modo de se relacionar com os homens. Isto experimentamos. Isto devemos dizer. As coisas velhas, inclusive a velha aliança, já passaram. Tudo se fez novo, inclusive a nova aliança.</p>
<p>Hebreus nos ensina isto: somos o povo do novo pacto. Somos filhos do Calvário, e não do Sinai. Não há motivo para voltar atrás, para a velha dispensação. Vivemos pela fé, e não pela Lei. Lembremos as palavras de Hebreus 10.38-39: “Mas o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma”.</p>
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		<title>ESTUDO BÍBLICO EM HEBREUS – PARTE 2</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 10:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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										</div><p style="text-align: right;">Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Hebreus é o livro da Bíblia que mais discute o sacrifício de Cristo. Como o tema do livro é <em>a superioridade de Cristo</em>, o autor desenvolve a questão do porquê do sacrifício de Jesus e tece comparações entre ele e os sacrifícios judaicos. Nosso assunto posterior será <em>a nova aliança</em>. É preciso referir-nos a ela, de passagem, agora. A primeira aliança, feita com Moisés, estava estruturada sobre <em>os</em> sacrifícios. A nova, feita em Cristo, está estruturada sobre <em>um</em> sacrifício, o de Jesus. E o autor mostrará que este é superior, é único e suficiente. Nao há motivo algum para voltar ao passado, ao sangue de animais, nem mesmo à pesada legislação sacerdotal do Antigo Testamento.</p>
<p style="text-align: left;"><span id="more-1368"></span>A questão da superioridade do sacrifício de Jesus já se delineia no fato de que ele é um sacerdote superior, como vemos em 4.14-16 (“Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.  Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.”)  e 8.1-2 (“Ora, do que estamos dizendo, o ponto principal é este: Temos um sumo sacerdote tal, que se assentou nos céus à direita do trono da Majestade, ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, que o Senhor fundou, e não o homem”. O sumo sacerdote de Jerusalém entrava no lugar santíssimo (ou santo dos santos). Jesus entrou no céu. O templo de Jerusalém era uma cópia do templo celestial (8.4-5). Como já dissemos, o autor segue a filosofia platônica, na teoria do real e do ideal. O santuário de Jerusalém era uma cópia do superior, o celestial. Foi neste que Jesus entrou. Por isto, a obra dele é melhor.</p>
<p>Há quatro aspectos no sacrifício de Jesus que devem ser ressaltados aqui, em contraste com os sacrifícios do judaísmo.</p>
<p>A ESFERA DO SACRIFÍCIO</p>
<p>Os sacrifícios do Antigo Testamento eram de ordem cerimonial. Eram para os que estavam cerimonialmente impuros. Serviam para “purificação da carne”, como lemos em 9.13: “Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne”. Eram incapazes de mudar a vida das pessoas, como vemos em 9.9: “que é uma parábola para o tempo presente, conforme a qual se oferecem tanto dons como sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que presta o culto”. Por isso que eram apenas ordenanças da carne até o tempo da reforma: “sendo somente, no tocante a comidas, e bebidas, e várias abluções, umas ordenanças da carne, impostas até um tempo de reforma” (9.10).</p>
<p>Os sacrifícios do Antigo Testamento não podiam aperfeiçoar as pessoas. Se aperfeiçoassem, elas teriam seus pecados perdoados e não continuariam com eles em sua consciência: “Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus. Doutra maneira, não teriam deixado de ser oferecidos? pois tendo sido uma vez purificados os que prestavam o culto, nunca mais teriam consciência de pecado” (10.1-2). Mas isto acontecia porque, como diz 10.1(“Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus”), a lei era apenas sombra das coisas futuras. Aliás, todo o judaísmo era apenas uma sombra do que viria, mas o corpo que projetava a sombra é Cristo: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo. (Cl 2.16-17). O sangue de Cristo purifica a consciência: ”Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?” (9.14). Enquanto o sacrifício judaico purificava o corpo de transgressões cerimoniais (tocar num morto, tocar em animal cerimonialmente imundo, doenças de pele, o fluxo das mulheres), o sacrifício de Cristo purifica a consciência. A esfera do sacrifício é deslocada do exterior (judaísmo) para o interior (cristianismo). Cristo purifica por dentro, purifica a alma. É isto que o autor de Hebreus não consegue entender: como os cristãos a quem ele se dirige não entenderam a superioridade da obra de Cristo e queriam voltar ao passado.</p>
<p>A NATUREZA DO SACRIFÍCIO</p>
<p>É verdade que a morte de Jesus sucedeu na terra. Mas diz o autor de Hebreus que seu sacrifício ele ofereceu a Deus: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?” (9.14). Com isto, na argumentação do autor, Cristo entrou num santuário celestial (lembre-se que ele está usando a argumentação de que o que há na terra é cópia do que há no céu, seguindo Platão com a noção do mundo real e do mundo ideal). Esta entrada de Cristo num santuário celestial se vê em 9.24: “Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus”. O drama do Calvário foi real, histórico, mas na argumentação do autor, apenas mostrava o que havia acontecido espiritualmente: Cristo quisera a cruz e caminhara para ela, para se oferecer a Deus por nós. A cruz nao foi um acidente, mas uma busca por parte do Crucificado. Ele a procurou.</p>
<p>Sobre isso, vejamos as passagens de Mateus 16.21 (“Desde então começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse a Jerusalém, que padecesse muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes, e dos escribas, que fosse morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse”), Marcos 9.30-31 (“Depois, tendo partido dali, passavam pela Galiléia, e ele não queria que ninguém o soubesse; porque ensinava a seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, que o matarão; e morto ele, depois de três dias ressurgirá”)  e João 18.11 (“Disse, pois, Jesus a Pedro: Mete a tua espada na bainha; não hei de beber o cálice que o Pai me deu?”). No Antigo Testamento, vale a pena considerar o texto de Isaías 53.4-11: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca. Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado; e quem dentre os da sua geração considerou que ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? E deram-lhe a sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustiça, nem houvesse engano na sua boca. Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.. Notemos que “ele tomou sobre si” (v. 4) e “ficará satisfeito”  (v. 11). Ele quis morrer pelos pecadores.</p>
<p>Neste aspecto, da natureza do seu sacrifício, temos que considerar mais três idéias:</p>
<p><em>A primeira</em> é que seu sacrifício foi perfeito. Em 9.14 vemos que ele nos purificou, o que os sacrifícios do judaísmo não podiam fazer: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?”. Os sacrifícios tinham que se repetir. Ele não precisou morrer repetidas vezes, mas resolveu o problema do pecado de uma vez por todas, para sempre: 9.26: “Doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”.  Na morte de Cristo, o pecado foi aniquilado para sempre. Em 1965, soldados japoneses escs, lutando contra quem aparecesse, sem saber que a guerra terminara. O teólogo Karl Barth fez uma observação bem sensata: “Povo curioso, esse. Lutando em uma guerra que terminara há vinte anos. Mas mais curiosa é a pessoa que luta contra Deus, dois mil anos após Cristo ter posto fim à guerra, no Calvário”. Cristo resolveu a questão da inimizade contra Deus.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> A segunda</em> é que seu sacrifício foi espiritual. Mais do que físico, foi um ato espiritual. Ele se ofereceu pelo “Espírito eterno” (9.14). O Pai, o Filho e o Espírito Santo trabalharam em harmonia para a redenção do homem. Não houve conflito entre as pessoas da Trindade.  Sabedor de que os sacrifícios do Antigo Testamento eram sem efeito, ele, Jesus, se ofereceu ao Pai para resolver o assunto: “Então eu disse: Eis-me aqui (no rol do livro está escrito de mim) para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tendo dito acima: Sacrifício e ofertas e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem neles te deleitaste (os quais se oferecem segundo a lei); agora disse: Eis-me aqui para fazer a tua vontade. Ele tira o primeiro, para estabelecer o segundo. É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre” (10.7-10).</p>
<p><em>A terceira</em> é que seu sacrifício foi vicário. Isto significa que foi no lugar dos outros. Ele morreu por nós. Assim levou os pecados dos que crêem: “Assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (9.28). Ele ofereceu-se a si mesmo como sacrifício pelos nossos pecados: “Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus” (10.11-12). Cristo morreu pelos nossos pecados foi a primeira confissão de fé da Igreja: “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;  que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15.3-4). Este é o nosso credo. Somos salvos porque Jesus morreu em nosso lugar e, desta maneira, carregou os nossos pecados. Voltemos a Isaías 53.5: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.</p>
<p>A SINGULARIDADE DO SACRIFÍCIO</p>
<p>Por singularidade queremos dizer que seu sacrifício foi único. Os sacrifícios judaicos tinham que repetir. O de Cristo é irrepetível. Isto nos é mostrado nos textos de 7.26-27 (“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus; que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo”, 9.24-28 (“Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”) e 10.10-12 (“É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus”) . O perdão que um fiel do Antigo Testamento conseguia era sempre temporário. Era perdão para um ato cometido. O perdão que Cristo conseguiu não foi para atos, mas para a “consciência”. Lembre-se do item “A esfera do sacrifício”. Ele perdoou mais do que atos. Perdoou a vida da pessoa, purificou-a por inteiro. Seu sacrifício não precisa se repetir. Assim como só se morre uma vez, Cristo morreu uma vez (9.27).  Isso basta.</p>
<p>Se com a sua morte Cristo nos livrou da morte, com sua vida ele nos deu vida. Ele foi o homem que conseguiu viver sem sofrer o poder do Diabo: “Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo; e livrasse todos aqueles que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à escravidão. (2.14-15). Ele teve uma vida singular, uma morte singular, e nos outorga efeitos singulares, que só ele pode outorgar. Quem foi salvo, foi salvo para sempre: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia” (Jo 6.37-39).</p>
<p>O CUMPRIMENTO DO SACRIFÍCIO</p>
<p>O sacrifício de Cristo teve efeitos permanentes, não transitórios, como os do Antigo Testamento. O animal do sacrifício do Antigo Testamento era representante do pecador. Mas Cristo não foi nosso representante e sim nosso precursor, como lemos em 6.20 (“Aonde Jesus, como precursor, entrou por nós, feito sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”). Isto quer dizer que ele foi o primeiro a adentrar a presença de Deus, no lugar santíssimo, como Sumo Sacerdote. Assim, todos nós somos sacerdotes e podemos adentrar a presença de Deus, como lemos em 10.19-25: “Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne,  e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”. O sacerdote do Antigo Testamento tinha que se purificar primeiro, como lemos em Levítico 16.4 (“Vestirá ele a túnica sagrada de linho, e terá as calças de linho sobre a sua carne, e cingir-se-á com o cinto de linho, e porá na cabeça a mitra de linho; essas são as vestes sagradas; por isso banhará o seu corpo em água, e as vestirá”). Cristo não precisou, porque era puro, mas inaugurou o caminho, abriu-o para nós, e assim permite que sejamos sacerdotes de nós mesmos, ou seja, podemos nos apresentar a Deus. Neste sentido, o sacrifício se Cristo se cumpriu de tal maneira que passamos a ter acesso pleno a Deus.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>O sacrifício de Cristo nos livrou da morte e nos possibilitou a vida eterna. É único, singular e irrepetível. Quem crê nele está salvo para sempre e passa a ter acesso pleno a Deus. Por isto, ele é melhor que os do Antigo Testamento. Por isso, cumpramos o texto de 10.22-25: “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”.</p>
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		<title>O LIVRO DE JÓ</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 14:23:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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										</div><p style="text-align: right;">Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Alguém denominou o livro de Jó de “a noite tenebrosa da alma”. O reformador Lutero o considerava como “o maior livro da Bíblia”. Para Carlyle, é “o maior livro já escrito”. Isto mostra que é mesmo um escrito fascinante. Eis o seu enredo, em linhas gerais: o personagem central, descrito como um homem íntegro, é degradado, ao extremo, em quatro níveis. <em>Materialmente</em>, passa da riqueza à pobreza; do bem estar à calamidade.   <em>Socialmente</em>, passa da honra ao desprezo. <em>Fisicamente</em>, da saúde à doença. <em>Emocionalmente</em>, da alegria ao desespero. Seus sofrimentos seguem num crescendo. Atônito, ele se recolhe para pensar, e após uma longa reflexão sobre o que lhe acontecera, explode em três porquês: (1) Por que nasci? (3.11), (2) Por que não morri ao nascer? (3.12), (3) Por que não morro agora? (3.20-22). Ele deseja a morte e amaldiçoa o dia em que nasceu (3.1-4). Sai situação era calamitosa. Primeiro, ele perdeu os bens (1.13-22). Depois, perdeu a saúde (2.7-8). A mulher, que deveria apoiá-lo, o aconselhou a se matar (2.9).<span id="more-1344"></span></p>
<p>Alguns amigos, ouvindo o falar do que lhe acontecera,  vêm aconselhá-lo, e acabam se mostrando como sendo um desastre. Enquanto ficaram calados, ajudaram-no muito, como apoio moral. Mas quando abriram a boca foi uma desgraça. Acusaram-no, do princípio ao fim. O que deveria ser conforto tornou-se uma discussão teológica. E desembocou numa torrente de acusações morais e espirituais ao sofredor. Jó se defendeu ferrenhamente das acusações. Quando o livro parece chegar a um impasse, em seu final, com todos argumentos expostos, um moço se levanta, contesta os amigos de Jó e ao próprio. E como <em>gran finale</em>, Deus aparece em um redemoinho, inquire a Jó, mostra-lhe sua ignorância, repreende os seus amigos. Jó vai orar pelos amigos, e, neste momento em que ele intercede pelos amigos, Deus muda sua situação. A história termina com ele recebendo o dobro do que tinha. A expressão final, “velho e farto de dias”, era uma expressão clássica para designar uma vida realizada.  Ele terminou com um homem realizado.</p>
<p>TÍTULO &#8211; Como Rute e Ester, o título homenageia o herói do livro &#8211; Jó &#8211; cujo nome, em hebraico, <em>yob</em> significa “o odiado, o perseguido”.  O mesmo nome, em árabe, significa “o arrependido, o recuador, o reparador”.  Talvez o sentido árabe seja mais correto, pois a história parece se relacionar com a parte norte da Arábia. Na realidade, O pano de fundo do livro é árabe, mas o pensamento teológico aborda as tendências comuns em Israel. Que são as tendências comuns em nosso tempo, também.</p>
<p>AUTORIA E DATA &#8211; A autoria e a data da composição de Jó são desconhecidas, mas são apresentados os possíveis escritores: Jó, Eliú, Moisés, Salomão ou um seu contemporâneo (1Rs 4.29-31), Isaías, Jeremias ou Baruque.  Os mais cotados são Moisés (1445-1405 a.C.) e Salomão (970-931 a.C.).  O Talmude judaico aponta Moisés, indicando que ele tomou conhecimento da história quando esteve em Midiã.  Outros rabinos e eruditos acreditam que foi Salomão, considerando que o conteúdo filosófico é semelhante ao de Eclesiastes (Ec 1.1). Correntes mais atuais julgam que Moisés foi o tradutor de uma história que encontrou em outro idioma, provavelmente o sumério. O pano de fundo é árabe e patriarcal, antes dos sacerdotes (Jó 1.5), mostrando o livro como anterior à Tora. Mas o hebraico é mais moderno, indicando que a cópia que nos chegou foi traduzida e adaptada.</p>
<p>DATA DOS ACONTECIMENTOS &#8211; Que Jó viveu antes ou pouco depois de Abraão é geralmente aceito pelas seguintes indicações:</p>
<p>(1) O nome de Deus &#8211; A designação constante de Deus pelos nomes “El”, “Eloah” ou “Elohym”, que eram as formas mais antigas de se referir a Deus.  Também o nome “Shaday” (o Todo Poderoso) é usado 31 vezes, enquanto que no resto do AT só 16 vezes.  O nome “Iahweh” aparece somente 32 vezes; ele começou a ser usado depois do êxodo (Êx 6.3).</p>
<p>(2) O modelo patriarcal de vida &#8211; Jó agiu como pai-sacerdote (Jó 1.5); havia bandos de saqueadores &#8211; Jó 1.15,17. Isto indica que o livro é antes da instituição do sacerdócio, quando o pai era o sacerdote da família.</p>
<p>(3) Não há referência alguma à Torá nos trechos sobre como ser justo perante Deus (Lv 9.7; Hb 7.26-27).</p>
<p>(4) A idade de Jó (Jó 42.16,17) de talvez 200 anos (60 + 140 anos).  As pessoas alcançaram esta idade na época de Abraão (175 anos &#8211; Gn 25.7), Isaque (180 anos &#8211; Gn 35.28), e Jacó (147 anos &#8211; Gn 47.28).  Ele tinha 14 filhos e 6 filhas.</p>
<p>(5) Elifaz, o temanita (Gn 36.15) &#8211; Descendente de Temã, filho de um Elifaz e neto de Esaú.</p>
<p>(6) Um poema sumério &#8211; Há várias semelhanças entre o livro de Jó e o poema sumério “O Justo Paciente”, encontrado em tábua de argila e datada em cerca de 1700 a.C. Mas há diferenças, também. Neste caso, Moisés teria composto o livro com base no poema sumério. E adaptado para fins espirituais em Israel.</p>
<p>TEMA &#8211; O livro trata basicamente dos conceitos errados sobre o porquê do sofrimento do justo, concluindo com o propósito correto e positivo de Deus.  Portanto, o tema pode ser resumido: <em>O Papel de Satanás, do Sofrimento e da Soberania de Deus no Aperfeiçoamento do Justo</em>.  O livro responde a pergunta: “Por que o Justo Sofre?”. E a resposta é surpreendente: não há uma resposta lógica ou filosófica. A resposta é a soberania de Deus.</p>
<p>ESBOÇO – O livro é um drama poético. O trecho compreendido pelos capítulos 1,2,42.7-17 é prosa.   O trecho compreendido pelos capítulos 3 a 42.6 é poesia.</p>
<p>I. PRÓLOGO (prosa) &#8211; Jó testado pelo sofrimento &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..1- 2</p>
<p>II. DIÁLOGO (poesia)- Jó aconselhado sobre o sofrimento &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.3 &#8211; 41</p>
<p>A. Debates dos três amigos &#8211; Elifaz, Bildade, Zofar &#8230;.    3-27  (punição)</p>
<p>1. 1º ciclo de debates &#8230;&#8230;.     3 &#8211; 14</p>
<p>2. 2º ciclo de debates &#8230;&#8230;.   15 &#8211; 21</p>
<p>3. 3º ciclo de debates &#8230;&#8230;.   22 &#8211; 27</p>
<p>B. Discurso de Jó  &#8211; (o cp. 28 é um interlúdio) &#8230;&#8230;&#8230;..28-31(justificação)</p>
<p>C. Censuras de Eliú &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;            32 &#8211; 37 (correção)</p>
<p>D. Desafios de Deus &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;           38 &#8211; 41 (submissão)</p>
<p>III. EPÍLOGO (prosa) &#8211; Jó aprovado pelo sofrimento . &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..42</p>
<p>OS PERSONAGENS PRINCIPAIS &#8211; (Jó 2.11-13; 32.1-5)</p>
<p>(1) Elifaz &#8211; Seu nome significa “Deus é ouro fino” ou “Deus é dispensador”.  Nativo de Temã (Gn 36.15), uma cidade de Edom ao sudeste da Palestina; lugar de sábios (Jr 49.7).  Nobre, sincero, sábio, cortês, Elifaz foi o primeiro e predominante porta-voz (mais velho?) dos três amigos, mostrando um raciocínio mais claro e uma atitude menos crítica do que os outros.  Sua filosofia básica foi: “Deus é puro e justo; o homem traz sobre si seus problemas” (Jó 4.7-8,17; 5.6-9).</p>
<p>(2) Bildade &#8211; Seu nome significa “filho de contendas”.  Nativo de Suah, a região do rio Eufrates.  Tradicionalista (Jó 8.8-10), contencioso, acusou Jó de impiedade (Jó 8.13).  Sua filosofia básica foi: “Deus é justo; o ímpio é punido” (Jó 8.3,4,20).</p>
<p>(3) Zofar &#8211; Seu nome significa “peludo” ou “áspero”.  Nativo de Naama, a região norte da Arábia.  Dogmático, moralista, brusco, farisaico, acusador (Jó 11.2-6).  Sua filosofia básica foi: “Deus odeia a iniqüidade, mas ama a justiça” (Jó 11.11,14-15).</p>
<p>(4) Eliú &#8211; Seu nome significa “Ele é nosso Deus”.  Nativo de Buz, (possivelmente Arábia ou Síria).  O mais jovem dos quatro conselheiros; não um amigo íntimo.  Sua filosofia básica era: “Deus é justo” (Jó 34.10-12; 36.7); “Deus vê tudo” (Jó 34.21-22); “Deus é grande, incompreensível” (Jó 36.26; 37.23).</p>
<p>Dos amigos (que como os três mosqueteiros eram quatro), Eliú foi quem deu o melhor diagnóstico e a melhor resposta ao sofrimento de Jó. Uma lição secundária, aqui, é que a verdade nem sempre está com os mais velhos.  Os outros três tinham uma teologia legalista, uma ortodoxia fria de “causa e efeito” segundo a qual Deus sempre recompensa ou pune imediatamente de modo um tanto automático e indireto.  Os conceitos errados sobre Deus forneceram aos três amigos opiniões equivocadas a respeito de Jó e seu sofrimento, e promoveram opiniões erradas sobre eles mesmos. Isto é importante porque nos mostra que uma concepção errada de Deus nos induz a erros de avaliação do nosso próximo e nos proporciona conceitos de vida errados. Eles eram sinceros em sua fé, mas estavam errados. Não basta ser sincero. É preciso ter uma compreensão correta de Deus para que a sinceridade nao se esvaia em erros de avaliação.</p>
<p>POR QUE O JUSTO SOFRE?  &#8211; No livro de Jó, Deus nos revela a resposta a um dos maiores problemas humanos: “Se Deus é amor e soberano, por que Ele permite que os justos sofram?” · Eis o dilema: “Ou Deus é todo poderoso, mas não ama perfeitamente, ou Deus ama perfeitamente, mas não é todo poderoso”. O amor de Deus e o sofrimento humano são incompatíveis, como alguns entendem. Veja como o sofrimento do justo foi interpretado.</p>
<p>(1) Satanás &#8211; Para ele o sofrimento do justo é o meio de forçar o homem a renunciar e repudiar a Deus.  Assim o homem é apenas um peão no jogo de xadrez entre Satanás e Deus, usado pelo Diabo para difamar, desacreditar, blasfemar a Deus, em cuja imagem o homem é feito.  Uma resposta pervertida.</p>
<p>(2) Três amigos &#8211; Para eles o sofrimento do justo, se na realidade ele é justo, é sempre um castigo de Deus pelo pecado (Jó 4.7-9; 5.6-9,17-18; 8.3-6; 11.13-15).  Este é o conceito da “Lei do Carma” (Veja Gl 6.7-8; Pv 22.8; Os 8.7; Os 10.13).  Mas é uma resposta errada por não ser completa (veja João 9.1-3).</p>
<p>(3) Eliú &#8211; Para ele o sofrimento é usado por Deus para corrigir, ensinar, disciplinar ou refinar (Jó 33.13-17,29-30).   Uma resposta iluminada.  Não só punir, mas também prevenir (Hb 12.5-11; Pv 3.11-12; Dt 8.1-5).</p>
<p>(4) Jó &#8211; No início ele pensou que o sofrimento era somente para o ímpio, não para o justo (Jó 6.24; 7.20; 21.19).  Mais tarde ele reconheceu que o sofrimento é um processo refinador divino para produzir ouro (23.10).  Jó recuperou sua saúde quando teve a graça de orar a favor de seus amigos (Jó 42.10). Veja também Mateus 5.44; Romanos 12.19-21; Provérbios 25.21; 1Pedro 3.9. Uma resposta certa. O irônico em toda a discussão é que Jó estava certo o tempo todo. Ele nada fizera que merecesse aquele tipo de punição. De acordo com a teologia dos seus amigos, embora estes o acusassem, ele não deveria estar sofrendo, pois era justo, reto e temente a Deus.</p>
<p>(5) Deus &#8211; Como é que Deus vê o sofrimento do justo? Por que Ele permite sofrimento?</p>
<p>(5.1) O sofrimento do justo é um privilégio, quando Deus permite que seu povo o ajude a cumprir algum grande propósito, tal como refutar Satanás (Jó 1.8-12; 2.3-6).  Veja, a propósito, Atos 5.41; 2Coríntios 12.7-10; Filipenses 1.29; Colossenses 1.24; Hebreus 10.34 e 1Pedro 4.13.</p>
<p>(5.2) O sofrimento do justo é um instrumento de Deus para se revelar a seus fiéis a fim de que eles confiem mesmo quando não entendam os caminhos de Deus (Jó 19.25-27; Hc 3.17-19; Jo 20.29; 1Pe 1.7).</p>
<p>(5.3) O sofrimento do justo é um processo pelo qual Deus aperfeiçoa, santifica, e se revela em profundidade a seu povo (Dt 8.1-5; Jó 23.10; 42.5-6; Sl 66.10-12; At 14.22; 1Ts 3.3; Hb 2.10; 5.8; 12.5-11; Tg 1.2-4; 1Pe 1.6; 4.1; 5.10). Por isso, o poeta alemão Goethe declarou: &#8220;Nunca passei por uma grande dor sem fazer dela um grande poema&#8221;.  O sofrimento sensibiliza as pessoas.  No caso de Jó, vemos que após a crise, seu conhecimento de Deus se tornou mais profundo, como se pode verificar em sua declaração de 42.5-6. Ele possuía um conhecimento de segunda mão, de ouvir falar. Agora era um conhecimento experiencial. Não basta ter informações sobre Deus. É preciso ter uma experiência real com ele.</p>
<p>Juntando estas três considerações, temos uma resposta perfeita.  O sofrimento é o maior teste que nos leva a amar, adorar, e confiar em Deus por quem ele é, não por aquilo que ganhamos dele (Hc 3.17-19; Fp 3.7,8). Porque, na realidade, o livro termina sem responder à questão &#8220;por que o justo sofre?&#8221;. Jó e Habacuque tratam do problema do sofrimento. Em Jó, o sofrimento é em nível individual, e em Habacuque, em nível coletivo. A pergunta, nos dois, é a mesma: “Por que o justo sofre?”. Qual é a resposta? Não há resposta. Nos dois casos, somos chamados a aceitar a soberania e a sabedoria divinas.</p>
<p>A teologia da prosperidade tem uma ênfase completamente distorcida da Palavra de Deus, ao ensinar que o fiel sempre prospera na saúde e nas coisas materiais. Ela amesquinha Deus, banaliza a questão do sofrimento, minimiza o propósito de Deus para nossa vida. E faz de Deus um corrupto subornado com ofertas para aquela igreja, ou para o “missionário” que promove a teologia da prosperidade.   O livro de Jó fornece uma negação do conceito de que ter saúde ou riqueza significa ser abençoado por Deus. Aliás, esta prosperidade pode até significar uma fé tão fraca, tão mundana, que Deus não se atreva em deixar seu “crentinho” sofrer porque sabe que ele não agüentaria este teste de aprofundamento na sua vida espiritual.  A experiência de Jó mostra que o sofrimento vem de Satanás, mas pela vontade permissiva de Deus em última instância (Jó 1.12; 2.6; 42.11).  A Bíblia ensina que o sofrimento faz parte da nossa vida cristã (Jo 16.33; At 14.22; 2Co 12.7-10; 1Ts 3.3; 2Tm 3.12; 1Pe 2.21).  Jesus Cristo foi aperfeiçoado pelo sofrimento (Hb 2.10; 5.8; 1Pe 4.1).  Precisamos manter o equilíbrio.  A Bíblia ensina prosperidade (Js 1.8; Sl 1.3; Dt 28.12-14), é verdade. E Deus não é sádico (não tem prazer em nosso sofrimento e em nossa pobreza).  Mas a Bíblia também ensina que a riqueza ou posse de bens não é o sentido último da vida: Mateus 6.19-21; Lucas 12.15; Filipenses 3.8; 1Timóteo 6.6-10. Vivemos numa sociedade consumista que ditou a agenda para as pregações para a igreja. O pregador que atrai multidões é aquele que promete riqueza e saúde. Nao aquele que chama para a fidelidade a Deus, nem o que proclama a santidade de Deus.</p>
<p>OS CONSELHEIROS DE JÓ – Eis algumas de suas qualidades negativas, que um conselheiro cristão não pode ter:</p>
<p>(1) Filosofia de vida errada &#8211; 4.7-8</p>
<p>(2) Falta de compaixão &#8211; 6.14-15</p>
<p>(3) Ar de superioridade &#8211; 12.2-3; 13.2,4-5</p>
<p>(4) Desprezo &#8211; 4.5; 11.2-5</p>
<p>(5) Zombaria &#8211; 13.9; 21.1-3</p>
<p>(6) Condenação; debate intelectual-16.4; 32.3</p>
<p>(7) Falaram demais &#8211; 16.2-4; 19.2 (Tg 1.19)</p>
<p>(8) Humilharam, envergonharam &#8211; 19.3</p>
<p>(9) Mentiram &#8211; 21.34; 42.7</p>
<p>(10) Foram impacientes &#8211; 32.5</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"> </span></p>
<p>Eis algumas qualidades positivas que um conselheiro deve ter: empatia, simpatia, identificação, solidariedade &#8211; 2.11-13.</p>
<p>VERSÍCULO CHAVE &#8211; Jó 23.10 &#8211; “Mas ele sabe o caminho por que eu ando; provando-me ele, sairei como o ouro”. Aqui Jó começou a compreender que estava sendo provado e que sairia purificado. Em termos de vida cristã para nós, cabe aqui uma palavra de um santo cristão do passado, Tozer: “É duvidoso que Deus use poderosamente um homem sem primeiro quebrá-lo antes”. Quando somos quebrados é que nos rendemos totalmente a Deus, colocamos os valores deste mundo em lugar inferior e a ele em primeiro lugar. Muitos crentes amam as bênçãos, mas não ao Abençoador. E quando perdem as coisas, perdem a fé. Na realidade, nao tinham fé, mas apenas uma euforia pelo seu bem estar. A fé se manifesta nas circunstâncias mais adversas.</p>
<p>O TRONO DE DEUS &#8211; Junto com Apocalipse (Ap 4.1-11; 21.3-8), o livro de Jó abre a cortina para uma ligeira visão do trono de Deus em tempos de provação.  Veja também 1Reis 22.19-23 e 2Crônicas 18.18-22.  A total soberania de Deus e o grande interesse divino pelas situações humanas estão enfatizados nessas poucas ocasiões.</p>
<p>SATANÁS – É necessário que tenhamos algo em mente: Satanás só aparece no início do livro. Há uma espécie de aposta entre ele e Deus. Depois, ele é esquecido. Não é sequer mencionado. É uma personagem irrelevante. Parece ser um pretexto para o desencadear da história. Como se as coisas más que nos sucedem fosse obra de um adversário. Mas devemos considerar também que ele é descrito no livro não como uma força do mal, mas como uma pessoa real desafiando a Deus, tendo enorme poder sobre a natureza e nutrindo grande inimizade contra aqueles que servem a Deus.  Com a exceção de 1Crônicas 21.1, o substantivo “Satanás” sempre vem acompanhado do artigo “o” (“o satanás”, lembrando que no hebraico não há letras maiúsculas ou minúsculas), mostrando não só a personalidade de Satanás, mas também sua função.  No Antigo Testamento não há uma descrição detalhada sobre ele. Apenas se indica que a humanidade tem um adversário. Entretanto, a sua inimizade está sempre sob a vigilância de Deus e restrita ao propósito divino.  Não há dualismo nem pluralismo, como se houvesse dois ou mais deuses (Is 45.5-7), mas um rebelde da alta criação de Deus (Is 14.12-15).  Veja Apocalipse 12.9,10; João 8.44; Efésios 2.1-3; 6.12; João 12.31; 2Coríntios 4.4; 1Pedro 5.8; Tiago 4.7; 1João 3.8 e Colossenses 2.15 para maiores explicações sobre Satanás. Lembro, ainda, que estas passagens são a interpretação cristã de Satanás, e não, necessariamente, o conceito expresso no livro de Jó.</p>
<p>GRANDEZA DE DEUS &#8211; De uma maneira extraordinária, Jó mostra a soberania de Deus e ao mesmo tempo seu cuidado pessoal para com seu povo.  Ele é justo (Jó 34.10-12), e uma visão correta de Deus leva o homem ao arrependimento e humildade (Jó 40.3-5; 42.5-6).</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Jó é um livro precioso, com considerações filosóficas e teológicas muito profundas. Tentar entendê-lo em partes, extraindo passagens do contexto global, será problemático. O livro precisa ser visto no seu todo, para se ter uma compreensão global de seu ensino. Que é, basicamente, este: nem sempre teremos respostas para nossas perguntas, mas podemos confiar que em momento algum Deus perdeu o controle dos eventos, e que nossa fé será recompensada. O sofrimento nunca deve desanimar um filho de Deus, porque sua história ainda não foi concluída.</p>
<p>Quando você estiver sofrendo, enfrentando dificuldades como Jó, sem conseguir entender o que está acontecendo ou porque Deus nao impede seus problemas, lembre-se desta história. E lembre-se também de uma palavra de Jesus a Pedro, quando este se recusou a ter os pés lavados por Jesus: “O que eu faço, tu não o sabes agora; mas depois o entenderás” (João 13.7). Não são queixas que Deus espera de nós. Apenas submissão. Ele nao nos deve explicações, sabe o que faz, e faz bem feito. Lembre, ainda, de Romanos 8.28: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.</p>
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		<title>A CARTA AOS GÁLATAS</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 13:21:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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										</div><p>Um estudo preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>A data da fundação da igreja na Galácia é estimada entre os anos 46 e 47, quando da primeira viagem missionária de Paulo, que é narrada em Atos 13 e 14. O apóstolo adoeceu e teve que se tratar naquela região e aproveitou para evangelizar: “e vós sabeis que por causa de uma enfermidade da carne vos anunciei o evangelho a primeira vez, e aquilo que na minha carne era para vós uma tentação, não o desprezastes nem o repelistes, antes me recebestes como a um anjo de Deus, mesmo como a Cristo Jesus” (Gl 4.13-15). À luz do versículo 15 alguns consideram que foi uma enfermidade nos olhos.  Isto seria confirmado pelo texto de 6.11 que parece indicar que Paulo tinha algum problema de visão (“Vede com que grandes letras vos escrevo com minha própria mão”). Segundo alguns comentaristas, tal problema o acompanhou por toda a vida adulta. Teria sido uma febre ocular contraída nas praias da Panfília, região de malária.</p>
<p><span id="more-1326"></span>A região da Galácia incluía Icônio, Listra, Derbe e Antioquia da Pisídia. A carta que Paulo escreve parece uma circular às igrejas daquela região. Não há cumprimentos pessoais no final, mostrando mais uma carta geral que uma carta a uma comunidade local.</p>
<p>Após a saída de Paulo chegaram os judaizantes. O ensino deles está bem expresso em Atos 15.1 e 5: “Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos’” e “Mas alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se dizendo que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes observar a lei de Moisés”. Eles entendiam que o cristianismo era uma seita judaica e que os ritos judaicos deveriam ser observados pelos cristãos, inclusive pelos gentios. Foram os precursores de tantas seitas evangélicas judaizantes da história passada e da história presente do cristianismo. Os judaizantes fizeram um grande estrago doutrinário junto aos gálatas, a ponto de Paulo se sentir desapontado com a inconstância deles, como lemos em Gálatas 3.1 (“Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado?”). Em 4.20, ele se diz perplexo com a maneira como eles procedem: “eu bem quisera estar presente convosco agora, e mudar o tom da minha voz; porque estou perplexo a vosso respeito”. Paulo é bem preciso na sua afirmação: se alguém pudesse se salvar pela lei, pela guarda da antiga dispensação, a morte de Cristo teria sido desnecessária, como lemos em 2.21: “Não faço nula a graça de Deus; porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão”. Se a lei salva, a morte de Cristo foi desnecessária.</p>
<p>A carta é a mais polêmica de todas as escritas por Paulo. A linguagem dele em 5.12 é bem dura, chegando mesmo a ser violenta: “Oxalá se mutilassem aqueles que vos andam inquietando”. Já que querem se circundar, que se circundem até o fim, que se mutilem. É como se dissesse: “Já que fazem tanta questão da circuncisão, que se castrem logo”.  A Bíblia de Jerusalém traz a seguinte nota de rodapé: “Possível alusão à castração ritual praticada no culto a Cibele”. Ou seja, já que querem se circundar, que se castrem de uma vez e acabem com isso.  Se Paulo tinha isto em mente, estava pensando nos ritos judaicos como sendo, agora, pagãos, também. Como o culto a Cibele.</p>
<p>Apesar da frustração de Paulo e da dureza de sua linguagem, a carta é um dos mais vibrantes documentos neotestamentários sobre a suficiência da obra de Cristo. Vale a pena refletir sobre ela, principalmente porque vivemos em tempos de rejudaização do cristianismo, com símbolos, festas e práticas judaicas sendo trazidos para dentro da igreja. Há cristãos que gostariam de ser judeus e parecem se sentir incomodados com a simplicidade do evangelho. Mas o ensino desta epístola é simples: Cristo, somente, e Cristo acima de tudo.</p>
<p>UM ESBOÇO DE GÁLATAS</p>
<p>Vejamos um esboço da epístola, para entender bem seu conteúdo:</p>
<h1>I.                    Introdução – 1.1-10</h1>
<ol>
<li>Saudação &#8211; 1.1-5</li>
<li>Motivo do escrito &#8211; defesa do evangelho: 1.6-10</li>
</ol>
<h1>II.                 Paulo defende seu apostolado – 1.11 a 2.14</h1>
<ol>
<li>Paulo recebeu seu evangelho diretamente de Cristo: 1.11-17</li>
<li>Paulo era independente dos 12 e de Jerusalém – 1.18-24</li>
<li>Paulo teve sua autoridade reconhecida pelos apóstolos de Jerusalém – 2.1-10</li>
<li>Paulo tinha tal autoridade que repreendeu a Pedro – 2.11-14</li>
</ol>
<h1>III.               Paulo defende o verdadeiro evangelho – 2.15 a 4.31</h1>
<ol>
<li>Judeus e gentios são justificados pela fé – 2.15-19</li>
<li>Crucificado com Cristo, Paulo vive na fé do Filho de Deus – 2.20-21</li>
<li>Voltar à lei é insensatez – 3.1-5</li>
<li>O pacto da fé é anterior à lei de Moisés – 3.6-14</li>
<li>A lei não pode invalidar as promessas do pacto da fé – 3.15-22</li>
<li>A lei é um aio (pedagogo) para nos levar a Cristo – 3.23-29</li>
<li>Os crentes no evangelho não são escravos, mas filhos – 4.1-7</li>
<li>Os ritos da lei não têm valor algum – 4.8-11</li>
<li>A mudança de atitude dos gálatas – 4.12-20</li>
</ol>
<p>10.  A alegoria das duas alianças: escravos e filhos – 4.21-31</p>
<h1>IV.              Paulo defende a liberdade dos crentes em Cristo</h1>
<ol>
<li>Quem guarda a lei acabou com o espaço de Cristo – 5.1-12</li>
<li>A liberdade cristã é limitada só pelo amor – 5.13-15</li>
<li>Os crentes andam pelo Espírito – 5.16</li>
<li>Há uma luta constante entre o Espírito e a carne – 5.17-18</li>
<li>As obras da carne – 5.19-21</li>
<li>As obras do Espírito – 5.22-25</li>
<li>A simpatia que se deve ter com os que caem – 6.1-5</li>
<li>A lei da ceifa e da colheita – 6.6-10</li>
<li>O contraste entre os motivos de Paulo e os dos judaizantes – 6.11-17</li>
</ol>
<h3>Conclusão: a bênção – 6.18</h3>
<p>Analisando o esboço e lendo alguns trechos que são chaves no pensamento do apóstolo, podemos ter uma idéia do conteúdo da epístola e do relacionamento correto entre a lei e o evangelho. Esta é uma das mais necessárias tarefas, hoje: descobrir a relação correta entre o evangelho e a lei.</p>
<p><em> </em></p>
<p>COMO OS GÁLATAS RECEBERAM O EVANGELHO</p>
<p>A Galácia era uma região composta, basicamente, de não judeus. O relacionamento entre judeus e gentios bastante era precário. Havia muitos preconceitos mútuos entre eles. Os fariseus, seita a que Paulo pertencera antes da conversão, eram muitos zelosos em fazer distinção entre puro e impuro, do ponto de vista das cerimônias religiosas judaicas. Entrando em contato com gentios, tinham muitas ordenanças para discipliná-los, cheias de preceitos tipo fazer e não fazer, como lemos em Colossenses 2.20-22: “Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens?”. Por sua vez, os gentios também discriminavam os judeus. Quando um deles ficava doente, “cuspiam no chão para ‘fechar o corpo’ e ‘isolar’ a doença” (<em>Bortolini</em>, p. 10). Os gálatas gentios viam os judeus como portadores de pragas. Mais tarde, séculos depois, Hitler “redescobriu” que os judeus eram a causa de todas as desgraças da Alemanha.</p>
<p>Paulo chegou com a mensagem de a divisão na raça humana acabou, como lemos em 3.26-28: “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.  Há um só povo, a Igreja de Jesus. O racismo, o bairrismo e regionalismo, práticas ainda existentes hoje, são contrários à fé cristã. O nazismo possibilitou o surgimento de um bizarro movimento chamado de “cristãos alemães”, que, sem necessidade de análise de seu conteúdo, já se constitui numa negação do que seja o cristianismo, em seu próprio título. Vemos o mesmo hoje: cristianismo latino-americano, cristianismo afro, e outras manifestações de ignorância do que seja o cristianismo. O cristianismo é supra-racial, supra-étnico. Não pode ser propriedade de uma raça.</p>
<p>Além disso, a região da Galácia era famosa por seus mercados de escravos. Por isto, Paulo usa muito, neste escrito a metáfora da escravidão.  Além disto, a região era possuidora de muitos templos erigidos a divindades pagãs. Quando eram pagãos, os gálatas eram escravos de falsas divindades, como lemos em 4.8 (“Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses”). Em Cristo chegou-lhes a liberdade, tanto do paganismo como do legalismo, como lemos em 5.1 (“Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão”). Em Cristo havia a liberdade espiritual e social, pois os homens são igualados. Ninguém é dono de ninguém, nem melhor que os outros.</p>
<p>O imperador romano espalhara estátuas suas pela região e o culto à sua pessoa era exigido. Desta maneira, ele era invocado como se fosse o protetor da humanidade. Os gálatas eram pessoas oprimidas por outras pessoas que pensavam que a vida alheia fosse uma simples mercadoria. Paulo pregou que Cristo veio nos resgatar deste “século mau” (1.4). “Século” é palavra grega <em>aéon</em>, que significa “sistema de valores, estado de coisas”, e não um período de cem anos. Paulo pregou para eles que Deus, em Cristo, estava trazendo uma nova ordem ao mundo. O evangelho era a mensagem de liberdade, como já vimos em 5.1, libertando a pessoa deste estado de coisas e trazendo uma nova proposta de vida. O evangelho não é uma religião entre muitas. É um estilo de vida proposto por Deus, para andarmos com ele. É a única verdade religiosa.</p>
<p>Os gálatas receberam a mensagem do evangelho com alegria e estavam dispostos até a sofrer por Paulo, como lemos em 4.15 (“Onde está, pois, aquela vossa satisfação? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os vossos olhos, e mos teríeis dado”), tamanha a estima que lhe devotavam. Uma nova vida chegara para eles. O evangelho é sempre assim: causa alegria e traz uma nova proposta de Deus para nossa vida. Não faz sentido, conhecendo-o, vir a desprezá-lo. Não faz sentido tentar modificá-lo ou ajustá-lo a correntes de pensamentos seculares.</p>
<p>A CHEGADA DOS JUDAIZANTES</p>
<p>Com a saída de Paulo, chegaram os lobos. Há pessoas que têm prazer não em trabalhar, mas em trazer complicações. Os judaizantes eram assim. Não faziam seu trabalho, mas se aproveitavam do trabalho alheio. Lembram o chupim, um pássaro que não faz ninho, mas que coloca seus ovos no ninho de outros, aproveitando-se do esforço alheio.  Como certas denominações evangélicas e certos obreiros que gostam de pescar em aquário. Tais eram os judaizantes. Iam atrás de Paulo, aproveitando sua saída de algum lugar. Nada se sabe do que construíram, apenas que destruíam o trabalho alheio. Como alguns, ainda hoje. Quantas igrejas destroçadas por obreiros oportunistas, que alegam, em autêntica blasfêmia, que agem assim movidos pelo Espírito Santo! Destroem o corpo de Cristo em nome do Espírito! Mas o fato é que a proposta teológica deles aniquilava o evangelho e punha fim ao cristianismo. Prova disso é que eles se congregaram, por fim, numa seita, chamada <em>ebionistas</em>, quando Jerusalém foi destruída, no ano 70. A divisão entre judeus e cristãos ficou mais acentuada, com a queda da cidade e o fim de Israel, e eles passaram a se reunir neste grupo, que acabou pelo fim do segundo século, rejeitado pela igreja e também pelos judeus. Os judaizantes terminaram na obscuridade que mereciam.</p>
<p>OS ENSINOS PRINCIPAIS DE GÁLATAS</p>
<p>Vamos destacar sete dos pontos principais da epístola e buscar, assim, entender o conteúdo deste documento, tido como a “epístola da liberdade cristã”.  São eles: 1) A defesa do apostolado de Paulo; 2) Seu evangelho, recebido por revelação; 3) A relação entre a lei e a graça; 4) A alegoria de Sara e Agar; 5) A graça não é estímulo à vida desenfreada; 6) Os herdeiros de Deus são controlados pelo Espírito Santo; 7) O princípio da colheita e da semeadura. Os itens 5 e 6 serão considerados juntos.</p>
<p>A DEFESA DO APOSTOLADO DE PAULO</p>
<p>A tática era a mesma: desmoralizar a pessoa de Paulo para invalidar sua mensagem. A mesma tática que tantos usam hoje. Desmoralizar um obreiro, uma igreja, uma denominação, para poder afirmar suas idéias. Há grupos que tentam, muitas vezes, demonizar um obreiro, para se imporem sobre ele. No estudo de 2Coríntios, vimos que os judaizantes apresentavam cartas de Jerusalém e alegavam que Paulo não as possuía.  Ele não era recomendado por ninguém. O argumento deles era o seguinte: Paulo não andara com Jesus, pela Palestina. Só os doze é que podiam ser chamados de “apóstolos”. Paulo usurpava o título. Seu evangelho era ilegítimo. O deles, recomendados pelos doze, era.</p>
<p>Paulo responde que seu evangelho é verdadeiro e qualquer outro é anátema (“maldição”), em 1.6-8: “Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho, o qual não é outro; senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. O que ele pregou é a verdade, a única verdade. Não recebeu sua mensagem de homens, afirma ele. Não foram os doze que lhe passaram o evangelho, mas o próprio Jesus, como se lê em 1.11-12: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens;porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo”. Quando a graça de Deus o alcançou, ele deixou tudo que era e tudo que fazia, não consultou ninguém e passou três anos na Arábia: “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para estar com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. Depois, passados três anos, subi a Jerusalém para visitar a Cefas, e demorei com ele quinze dias” (1.15-18) . Costuma-se pensar que foram três anos de meditações e de revelação, quando o próprio Senhor Jesus lhe apareceu e lhe teria exposto o ensino do evangelho. Só depois destes três anos é que ele foi visitar Pedro, numa visita que durou quinze dias (1.18). E os doze o aceitaram prontamente: “e quando conheceram a graça que me fora dada, Tiago, Cefas e João, que pareciam ser as colunas, deram a mim e a Barnabé as destras de comunhão, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão” (2.9).  Depois disto, levou mais catorze anos para voltar a Jerusalém e só foi porque Jesus lhe deu uma revelação (2.1-2). Nada precisou aprender dos doze, que nada lhe acrescentaram, e o deixaram pregar o evangelho, como se lê em 2.6-9. Em vez de lhes pedir permissão, como se fosse submisso a eles, ele chegou a repreender a Pedro, por sua dubiedade:” Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe na cara, porque era repreensível. Pois antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles chegaram, se foi retirando e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão.  E os outros judeus também dissimularam com ele, de modo que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam retamente conforme a verdade do evangelho, disse a Cefas perante todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como os judeus, como é que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (2.11-14). Tinha percepção bem clara do que devia pregar e como o tempo do judaísmo acabara. Mais, até, que os doze. Na realidade, Paulo foi o homem que teve a mais nítida compreensão do que significou o evento Jesus.</p>
<p>Os judaizantes queriam a circuncisão dos gentios convertidos para terem motivo de se gloriar. Mais ou menos como se exibissem os gálatas como pessoas a quem eles haviam convencido. Há gente que gosta de exibir troféus.  Paulo diz que não precisa desta glória carnal, mas que sua glória é a cruz de Jesus Cristo, da qual eles queriam fugir, para não serem perseguidos: “Todos os que querem ostentar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.<strong> </strong>Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne. Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (6.12-15). Não é sintomático que tantos tele-evangelistas varram a cruz para baixo do tapete e se orgulhem dos fiéis que pescam em outros aquários? Você vê algum deles pregar Cristo e sua cruz?  Parece que a cruz incomoda profundamente certo tipo de cristãos hoje. Eles querem o trono, queres as bênçãos, querem o Antigo Testamento com suas danças e instrumentos, querem ser levitas, mas não querem a cruz nem querem ser crucificados com Cristo, identificando-se com ele. Porque só pode seguir a Cristo quem tomou a cruz. A declaração de 6.17 (“Daqui em diante ninguém me moleste; porque eu trago no meu corpo as marcas de Jesus”), que já consideramos em outro estudo, é emblemática desta situação. Os circuncidados traziam sua marca, a da circuncisão. Ele trazia sua marca, as marcas de Cristo. Já vimos que a palavra é <em>stigma</em>, que tem,  como um de seus  sentidos o de “cicatriz”.  Ele também estava crucificado com Cristo, como se lê em 2.20 (“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”). Ou seja, estava se identificando com ele, em seus sofrimentos. Paulo não era uma pessoa qualquer, um criador de casos. Era um crucificado. Ele cumprira o que Jesus disse em Lucas 9.23: “Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. O verdadeiro cristão não é aquele que é abençoado materialmente e exibe seus bens como prova de sua fé. O verdadeiro cristão é aquele que toma a cruz e pode mostrar os sinais dela em sua vida. Seguir a Cristo não é ter uma passagem de primeira classe por este mundo, sendo abençoado materialmente, nunca adoecendo, saqueando riquezas dos ímpios (seja lá o que isto signifique), mas é ser crucificado com Cristo. Como disse Bonhoeffer, “o Cristo crucificado só pode ter seguidores crucificados”.</p>
<p>SEU EVANGELHO, RECEBIDO POR REVELAÇÃO</p>
<p>Paulo pregava o evangelho (1.8), mas não o recebera dos apóstolos e sim do próprio Jesus (1.11-12). Parece que isto foi na revelação por ele mencionada em 2.2 e no tempo em que esteve no deserto, período que durou três anos (1.17-18). Já consideramos estas passagens, anteriormente, e assim me dispenso de reproduzi-las aqui. Nas palavras de Halley, “Paulo ficou de tal modo aturdido com o golpe recebido do céu e com a percepção inesperada de ter sido errado durante toda a sua vida, que achou melhor reconsiderar os fatos; procurou a solidão para refazer-se”. Foi na Arábia que teve algumas de suas revelações, como podemos deduzir de 1.16-17. Ele não criara doutrina alguma. E recebera a incumbência divina do pregar “o evangelho da incircuncisão” (2.7), ou seja, de pregar aos gentios o evangelho sem mescla de antigüidade judaica. Os demais iriam aos judeus e ele iria aos gentios, com a missão de universalizar o evangelho (2.9).</p>
<p>Na realidade, Paulo compreendeu o evangelho melhor do qualquer um dos doze. Eles tiveram dúvidas e até mesmo no dia da ascensão de Jesus, mostraram que esperavam um messias político (“Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel?”- At 1.6). Paulo compreendeu com muita clareza que, em Jesus, Deus se fizera carne, morrera, ressuscitara, abrira o caminho da salvação, e que um dia voltará em glória para fechar a história.  É por causa de Paulo que temos uma visão completa da obra de Cristo. É o que o apóstolo chama, em 1Timóteo 3.16, de “mistério da piedade”. Em 1Coríntios 11.23-24 ele diz que transmite para a igreja de Corinto a mensagem que recebeu.  Mas recebeu de quem? De Pedro, nos quinze dias que passou com ele, ou do próprio Senhor Jesus? Parece-me que foi do próprio Senhor Jesus, à luz de sua palavra em 2.6, e da autoridade com que ele procede em suas cartas. Ele é absolutamente independente dos doze. No entanto, sua mensagem é a mesma mensagem dos doze. Não há um cristianismo paulino e um cristianismo petrino, no Novo Testamento. Há um cristianismo apenas, o de Jesus Cristo. Pregado aos gentios por Paulo, e aos judeus, pelos demais apóstolos.</p>
<p>Paulo recebeu o evangelho por revelação. Por isto, sua compreensão de Cristo é a mais profunda de todo o Novo Testamento. Não foi um dos doze, mas é reconhecido como o apóstolo por excelência. Os doze autenticaram seu ministério, aceitando-o, como temos um vislumbre em 2Pedro 3.15-16: “e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; como faz também em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, mas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição” Observe que mesmo dizendo que nas cartas de Paulo há coisas difíceis de entender, Pedro a considera como “Escrituras”, pois usa o termo “as outras Escrituras”. Esta expressão designava escritos sagrados, incluindo os do Antigo Testamento. Pedro via os escritos de Paulo como sagrados, como continuação da revelação.</p>
<p>A RELAÇÃO ENTRE LEI E GRAÇA</p>
<p>Esta relação fica bem clara em 1.11: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi de homem algum, nem me foi ensinado; mas o recebi por revelação de Jesus Cristo”.  A doutrina da graça foi recebida por Paulo, do próprio Jesus.  Ninguém é justificado pela lei, mas somente pela graça. Isto é declarado de maneira bem clara em Efésios 2.8-9 (“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Antes da graça chegar, estávamos sob a tutela da lei, como lemos em 3.23-24: “Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio”. A lei foi um “aio”. O termo grego empregado por Paulo é “pedagogo”, que era como designava o escravo que levava a criança até a escola, para seu aprendizado. Lá chegando, sua função cessava e ele deixava a criança aos cuidados de um mestre maior. A lei foi um escravo que nos conduziu até o Mestre supremo, o ensinador das verdades de Deus, Jesus Cristo. Nele nos chega a fé e, assim, nada mais temos a ver com a lei: “Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio” (3.25).</p>
<p>Então, a lei é ruim? De modo nenhum! Ela serviu para dar consciência de pecado, mas não pode dar vida. Para dar vida, veio o evangelho, veio a fé, como se lê em 3.21-22: “É a lei, então, contra as promessas de Deus? De modo nenhum; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos que crêem”. Voltar à lei, com todos os seus ritos, é voltar a um passado pobre e fraco, é escravizar-se. Isto pode ser bem visto em 4.9-10: “agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?<strong> </strong>Guardais dias, e meses, e tempos, e anos”. Voltar ao ensino do Antigo Testamento é voltar à pobreza revelacional, à incompletude revelacional.</p>
<p>Os judeus orgulhavam-se de serem filhos de Abraão. Veja isto em João 8.33, 39, 53. No ensino de Paulo, Abraão não foi um homem da lei, mas um homem da fé (ele usa a palavra “fé” para designar o evangelho, a graça). Veja isto em 3.6-7: “Assim como Abraão creu a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão”. Abraão não foi judeu, mas crente, como lemos em 3.9: “De modo que os que são da fé são abençoados com o crente Abraão”.  Abraão viveu 430 antes de Moisés, que trouxe a lei. Abraão não viveu sob a lei. Ela veio depois dele. Viveu sob a graça, e a lei não podia invalidar a graça: “E digo isto: Ao testamento anteriormente confirmado por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não invalida, de forma a tornar inoperante a promessa” (3.17). A lei teve um motivo. Foi doada até que viesse o descendente de Abraão, Jesus Cristo (compare 3.16 e 19). Vindo o descendente, a lei acabou. Quem é de Cristo é herdeiro da promessa feita a Abraão (3.29). Nós, os que cremos em Jesus, é que somos os verdadeiros descendentes de Abraão, e os herdeiros da promessa a ele feita.</p>
<p>A ALEGORIA DE SARA E AGAR</p>
<p>É o trecho de 3.21-31. Longo, mas elucidativo. Abraão gerou filhos com duas mulheres, Agar e Sara. Mas o filho de Agar teve que ser despedido, pois não era o herdeiro: “Que diz, porém, a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre” (4.30). Os dois filhos são do mesmo homem, mas Isaque é o herdeiro e Ismael, não. Ismael é o filho com Agar.  Isaque, o filho com Sara. Sara é a mulher da promessa e Agar, não. Por via de conseqüência, os descendentes de Ismael são rejeitados, e os Isaque, aceitos. Mas Paulo faz uma argumentação curiosa. Em vez de dizer que Ismael originou os árabes e Isaque, os judeus, diz ele que Ismael é o exemplo do homem da lei, pois sua mãe, Agar, “gera para a escravidão”  (4.24). Estar sob a lei é estar escravo.  Mas, quem é Agar, no pensamento de Paulo? É Jerusalém, a capital dos judeus. Eles são da lei, são filhos de Agar, são escravos: “Ora, esta Agar é o monte Sinai na Arábia e corresponde à Jerusalém atual, pois é escrava com seus filhos” (4.25). Os cristãos somos filhos de Sara, somos filhos da promessa: “Ora vós, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaque” e “Pelo que, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da livre” (4.28, 31).</p>
<p>A conclusão desta alegoria é dura: “lança fora a escrava e seu filho&#8230;” (4.30). Ou seja, não ao judaísmo! Nesta alegoria, Paulo declara o fim do judaísmo como sistema religioso para apresentar o homem diante de Deus e conseguir sua justificação. Pela lei, ninguém é justificado: “sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada” (2.16). Tentar justificar-se pela lei é cair da graça, como lemos em 5.4: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça decaístes”.</p>
<p>A GRAÇA NÃO É ESTÍMULO PARA O PECADO</p>
<p>A lei mostrava o pecado. A graça, o perdão. A lei acusa, a graça perdoa. Então posso pecar à vontade, porque estou perdoado e toda vez que confessar serei perdoado?  A resposta é bem precisa em 5.13: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros”. A graça não é estímulo à vida desenfreada, mas sim para uma vida de mutualidade, para serviço aos outros.</p>
<p>A essência do pecado é o egoísmo. O desejo do primeiro casal, quando caiu em pecado, foi ser como Deus. Esta foi a proposta da serpente:  “Sereis como Deus”. Afirmar o “eu” é a síntese desta atitude. Como disse o teólogo Manson, o pecado é a rejeição dos dez mandamentos e a instituição do undécimo: “Tu te amarás a ti mesmo sobre todas as coisas”. Na graça, o <em>eu</em> não se afirma, mas o amor e o respeito ao próximo, sim. Jesus é o maior exemplo da graça, pois é o homem que se deu pelos outros. Vemos isto, de maneira clara e profunda, na atitude de Jesus relatada em João 15.13: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”.</p>
<p>Toda a lei se resume num só preceito, como ele mostra em 5.14: “Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Isto nos ajuda a entender a conhecida frase de Agostinho: “Ama e faze o que quiseres”. Porque quem ama, respeita o próximo. O amor nunca procede do maligno, mas apenas de Deus, como lemos em 1João 4.7: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”.  Por isto, os cristãos não se mordem nem se devoram, como diz Paulo, em 5.15: “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais uns aos outros”. Quem vive na graça, vive no amor e, assim, respeita os demais.</p>
<p>A liberdade que temos para fazer o que queremos é limitada pelo amor. Quem ama nunca agirá de maneira a fazer mal a outra pessoa. E o primeiro fruto que mostra a presença do Espírito na vida da pessoa, escreve o apóstolo, em 5.22, é o amor.  A construção gramatical deste versículo é curiosa. Paulo fala de fruto, mas alista nove atributos. Na realidade, o fruto é o amor. Os oito outros atributos alistados são o amor em ação. A graça produz amor. Aqui podemos ajuntar a outra idéia, a de que os filhos da promessa são guiados pelo Espírito, no pensamento de Paulo nesta epístola. Os que são de Cristo, crucificaram a carne com paixões e concupiscências (5.24). “Carne” é a natureza humana pecaminosa. “Paixões” se refere aos instintos. “Concupiscência” significa “um desejo muito forte que prevalece sobre a razão”. Estar no Espírito significa ser dominado pelo Espírito e triunfar sobre os sentidos.</p>
<p>Crucificando esta natureza, os que são de Cristo passam a andar no Espírito. Passamos a viver nele quando fomos salvos. Devemos andar nele, como salvos que somos.  A salvação tem uma dimensão ética, também. É para andarmos nela. A palavra “andar”, para a mente do hebreu, tinha o sentido de ”regra, conduta”. É o verbo <em>hallak</em>, que significava, primeiramente, “andar”, mas se tornou, depois,  sinônimo de conduta. A conduta do cristão é coincidente com sua fé.</p>
<p>O PRINCÍPIO DA SEMEADURA E DA COLHEITA</p>
<p>É o texto de 6.7: “Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará”.  Qual o sentido da frase nesta carta? O que tem ela a ver com a argumentação aqui desenvolvida? Parece que ele está pedindo respeito, como podemos ler no versículo 6: “E o que está sendo instruído na palavra, faça participante em todas as boas coisas aquele que o instrui”. Quem está recebendo a mensagem do evangelho, que “faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui”.  Logo a seguir, ele traz a declaração do princípio da semeadura e da colheita. E continua. Quem semear para a corrupção, colherá isto. Quem semear para o Espírito (a vida no evangelho) colherá a vida eterna. Se um obreiro semeia a Palavra de vida, os que a recebem devem ajudá-lo. Ele deve colher o que semeou.</p>
<p>Quem semeia para o mal, colhe o mal. É o sentido do versículo 8: “Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”. Quem semeia para o bem, mesmo que demore, colherá o bem: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (v. 9).  Por causa disto, a prática do bem deve ser uma constante na vida dos cristãos.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Um comentário bem antigo sobre Gálatas se intitulava “Pepitas de Gálatas”. O autor via a epístola como uma mina de ouro e se propunha a oferecer aos estudiosos algumas pepitas deste veio. Podemos ver apenas a palavra dura de Paulo com os Gálatas e nos esquecermos de ver que ele afirma com vigor a suficiência da obra de Cristo e a necessidade de ensinarmos que o homem é salvo pela graça. Que Deus nos aceita e que mostrou na cruz de Jesus. Com o sacrifício de Cristo, o perdão é oferecido para uma salvação eterna.</p>
<p>Mais que ver um homem rabugento, brigando por doutrina, vejamos um homem apaixonado pelo evangelho, a ponto de dizer que estava crucificado com Cristo (2.20). E lembremos que o evangelho é, antes e acima de tudo, Cristo crucificado, poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.</p>
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		<title>UM ESTUDO EM 1TIMÓTEO</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2010 23:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[Livros da Bíblia]]></category>

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										</div><h1>Estudo ampliado do esboço preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os pastores batistas em Cabo Frio, RJ, agosto de 2004</h1>
<h1><span style="font-weight: normal; font-size: 13px;">INTRODUÇÃO</span></h1>
<p>As cartas a Timóteo e a Tito são chamadas de “epístolas pastorais”. Na realidade, todas as cartas de Paulo foram pastorais, porque ele as escreveu como um pastor. Mas estas são assim chamadas porque foram dirigidas a dois pastores: Timóteo e Tito. O sentido da palavra “pastoral” aqui ficou quase como sendo sinônimo de “clerical”, uma carta para pastores. Somos pastores. Servem-nos por isto. Paulo, o grande pastor, missionário, o maior teólogo da igreja, tem algo a nos dizer aqui. Vejamos, aprendamos e tenhamos humildade de internalizar.</p>
<p><span id="more-1318"></span></p>
<p>QUEM É TIMÓTEO?</p>
<p>Comecemos pelo destinatário da epístola. Foi chamado de “filho”, por Paulo: “Esta admoestação te dirijo, filho Timóteo, que segundo as profecias que houve acerca de ti, por elas pelejes a boa peleja” (1.18). Em parte pelo acompanhamento (antes, se chamava “discipulado”; agora, se chama “mentoreamento”; amanhã, não sabemos qual o termo, porque gostamos muito de termos novos e pomposos para as coisas antigas). Mas fica uma pista para nós: como deve ser o relacionamento entre pastores, principalmente mais experientes e novos. Não é de rivalidade, mas solidariedade e mutualidade. Os pastores mais idosos não devem sentir ciúmes, mas apoiar os mais novos. E estes não devem ver os mais velhos como múmias ultrapassadas, mas como alguém que já passou por onde eles estão e sabem das pedras no caminho. Paulo determinara um certo tipo de trabalho para Timóteo: “Como te roguei, quando partia para a Macedônia, que ficasse em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinassem doutrina diversa, nem se preocupassem com fábulas ou genealogias intermináveis, pois que produzem antes discussões que edificação para com Deus, que se funda na fé&#8230;” (1.3-4). Era Paulo uma espécie de bispo, coordenador, ou era Timóteo seu auxiliar?</p>
<p>Timóteo recebera o “dom da graça” (não um carisma, mas ofício) por imposição de mãos: 4.14 (“Não negligencies o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbíterio”) e 2Timóteo 1.6 (“Por esta razão te lembro que despertes o dom de Deus, que há em ti pela imposição das minhas mãos”). Parece que o jovem pastor tinha, ainda, uma função de distribuir valores materiais: “Os anciãos que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino” (5.17). A Linguagem de Hoje captou bem o sentido do texto grego, ao traduzir como “Os presbíteros que fazem um bom trabalho na igreja merecem pagamento em dobro, especialmente os que se esforçam na pregação do evangelho e no ensino cristão”. Esta responsabilidade parece ser de Timóteo: pagar os pastores. Ou talvez fosse ele alguém que recebia ofertas das igrejas para distribuir (seria ele uma espécie de tesoureiro de uma associação de igrejas?) ou exercesse outra função que demandasse remunerar obreiros. Mas, além disso, o jovem pastor parece ter alguma autoridade (moral? Institucional?) sobre outros pastores: “Não aceites acusação contra um ancião, senão com duas ou três testemunhas. Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor. Conjuro-te diante de Deus, e de Cristo Jesus, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo com parcialidade. A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (5.19-22). Temos poucos dados para afirmar categoricamente, mas uma coisa é certa: as informações textuais não nos mostram era o jovenzinho assustado e fracote que alguns pensam ter sido. Surpreendeu-me (na revisão deste trabalho, em 2010) ver na introdução da Bíblia Almeida Século 21 a declaração de que Timóteo era “um pastor ainda sem experiência”. Como se afirma isso? Ele seria mesmo um doentinho inexperiente?   Num artigo que escrevi sobre este jovem pastor e que intitulei de “Timóteo, a fé não fingida”, faço esta observação:</p>
<p>Normalmente, a imagem que fazemos de Timóteo é de um jovem fraco e enfermiço, por causa da declaração de Paulo: &#8220;por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades&#8221; (1Tm 5.23). Até mesmo Stott, autor criterioso, o dá como &#8220;de estrutura física fraca, de disposição tímida&#8230;”. Segundo Fairbain, Timóteo era &#8220;mais inclinado a ser comandado do que a comandar&#8221;. De onde Stott e Fairbain tiraram estas idéias?</p>
<p>À luz das passagens mencionadas, Timóteo parece ter sido um jovem com responsabilidades enormes no reino. E parece ter dado conta delas. Não há censura alguma de Paulo a ele, nas cartas. Apenas palavras que mostram satisfação e confiança.  A linguagem carinhosa de Paulo, produto de seu zelo e amor por Timóteo, pode induzir alguém a pensar na fragilidade deste, mas devemos nos ater às declarações bíblicas. Um pastor sério sempre admoesta, com preocupação, um pastor mais jovem. Principalmente se o considera com um filho. Mas estereotipar Timóteo com um jovem tonto ou inexperiente me parece demais, principalmente quando, num estudo acurado, vemos que ele tinha atribuições de um homem maduro e acatado, na igreja. Suas responsabilidades incluíam uma espécie de autoridade sobre os pastores, mesmo que, como batistas, não aceitemos a idéia de um bispado em termos de um pastor-chefe (ou, como, em imitação dos americanos, alguns brasileiros intitulam o pastor titular de “pastor sênior”).</p>
<p>AS FUNÇÕES DE TIMÓTEO</p>
<p>Que fazia ele? O que Paulo esperava dele e lhe designara como tarefa? São algumas tarefas pastorais, nossas, e algo que se espera de nós, como pastores. Vejamos.</p>
<p>(1) <em>Zelar pelo depósito teológico e espiritual da igreja</em>, como se lê em 1.3-4 (“Como te roguei, quando partia para a Macedônia, que ficasse em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinassem doutrina diversa, nem se preocupassem com fábulas ou genealogias intermináveis, pois que produzem antes discussões que edificação para com Deus, que se funda na fé&#8230;”), em 6.3-5 (“Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, e, por fim, em 6.20-21 (“Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, evitando as conversas vãs e profanas e as oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja convosco”). Esta é uma das funções pastorais. O pastor é o guardião da herança teológica da igreja. Infelizmente, muitos pastores hoje acham que só serão legitimados se forem novidadeiros. Há gente abraçando novidades exóticas porque acham que isso é ser pastor: criar coisas novas, em vez de defender as antigas. A eclesiologia contemporânea tem se tornado um circo de horrores porque alguns têm uma necessidade incurável de criar novidades.</p>
<p>(2) <em>Apregoar a verdade. Não apenas defendê-la, mas pregá-la.</em> Deve lutar pelo evangelho com base em sua autoridade espiritual: “Esta admoestação te dirijo, filho Timóteo, que segundo as profecias que houve acerca de ti, por elas pelejes a boa peleja” (1.18), e deve, também, ensinar com esta autoridade: “Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, nutrido pelas palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” e “Manda estas coisas e ensina-as” (4.6 e 11). Deve exortar a todas as faixas etárias da igreja: “Não repreendas asperamente a um velho, mas admoesta-o como a um pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza” e “Manda, pois, estas coisas, para que elas sejam irrepreensíveis” (5.1-2 e 7). Deve, ainda, repreender os que estão em pecado, na igreja: “Aos que vivem no pecado, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” (5.20), bem como exortar os poderosos: “manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos; que pratiquem o bem, que se enriqueçam de boas obras, que sejam liberais e generosos, entesourando para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a verdadeira vida. (6.17-19). Deve exortar e ensinar, ou seja, deve ser um homem que ensine o povo dentro das Escrituras: “Até que eu vá, aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino”(4.13). É oportuno lembrar que, neste texto, a expressão ”aplica-te à leitura” significa a leitura pública das Escrituras. Ele deveria fazer a leitura pública das Escrituras e expô-las. Assim se fazia nas sinagogas, de onde a igreja herdou seu estilo de culto. Este é o significado do termo. O foco do seu ensino devia ser as Escrituras. É uma pena que muitos pastores hoje estejam deixando a Bíblia de lado e ensinando suas opiniões pessoais, ou as de homens ladinos cuja preocupação é apenas com bens materiais. Ou, ainda, opiniões de pensadores e artistas incrédulos, secularizando o púlpito. Timóteo não deveria ser um bajulador nem um pregador de auto-ajuda, mas um ensinador da Palavra de Deus. Quem queira ser apóstolo, hoje, e queira comandar pastores, deveria ter a simplicidade e o despojamento material de Paulo. E deveria dar conselho como os de Paulo.</p>
<p>(3) <em>Amadurecer espiritual e teologicamente. </em>Este último tópico merece atenção especial.  Não se trata do mero acúmulo de informação, mas a busca constante de amadurecimento espiritual e teológico, pois a expressão “até à minha chegada” mostra que Paulo continuava a investir nele. O obreiro precisa investir em si mesmo: “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas. Exercita-te a ti mesmo na piedade. Pois o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, visto que tem a promessa da vida presente e da que há de vir” (4.7-8). Obreiro que para de crescer espiritualmente terá sérias dificuldades em seu ministério. Ser pastor é sério demais para o obreiro estagnar e julgar que, porque consagrado ao ministério, alcançou a plenitude do saber e do caráter espiritual.</p>
<p>Devemos prestar atenção num aspecto: o ensino pastoral tem dois ângulos: (1) <em>rejeitar</em> o que se opõe à doutrina sadia, e (2) <em>fortalecer </em>a doutrina sadia. Isto sem deixar de cuidar de si mesmo. Há obreiros que tornam executivos espirituais e se parecem cada vez mais executivos, e cada vez menos homens espirituais. E há igrejas que cada vez mais parecem com empresas e cada vez menos agências do reino. Há conselhos de obreiros que se assemelham muito mais a conselhos administrativos seculares que um encontro de homens e mulheres de Deus para tratar das coisas de Deus. Devemos ter muito cuidado para não descaracterizarmos a igreja. O cuidado espiritual deve ser a primazia. É mais importante que o material. Deus cuida da igreja. Mas nós somos a igreja e devemos nos portar como igreja, não como empresa secular.</p>
<p>COMO TIMÓTEO DEVE SER?</p>
<p>Em primeiro lugar, ele deve saber que é um militante cristão, batalhando pela fé, e mantendo um caráter elevado: “Esta admoestação te dirijo, filho Timóteo, que segundo as profecias que houve acerca de ti, por elas pelejes a boa peleja, conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragando no tocante à fé; e entre esses Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar” (1.18-20). O pastor não é um diletante. É uma pessoa engajada no reino e lutadora pelo evangelho. Não é um <em>bon vivant</em> preguiçoso, e oportunista, mas um batalhador. Isto se vê, também, na figura do atleta: “Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas. Exercita-te a ti mesmo na piedade. Pois o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, visto que tem a promessa da vida presente e da que há de vir”. (4.7-8). São figuras de movimento, de alguém sempre em ação.</p>
<p>Timóteo deveria ter sensibilidade e prudência. Há obreiros insensíveis, que não amam as ovelhas nem ao Senhor, mas apenas o seu ministério ou, talvez seja melhor dizer assim, sua carreira. Eles são o centro de seu ministério.  Ele deveria respeitar os idosos como se fossem seu pai e sua mãe: “Não repreendas asperamente a um velho, mas admoesta-o como a um pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza” (5.1-2). Nestes versículos se vê que ele deveria ser como um irmão para os jovens (5.1) e como um irmão, casto, puro, com as moças (5.2). Não deveria abusar de sua autoridade. É bom lembrar que o pastor não é superior às pessoas nem está acima das regras de boa educação e de convivência social. Muita gente usa seu título eclesiástico para ser arrogante. Lembro-me de um pastor que fazia questão que seu rebanho, e até mesmo os colegas, o chamassem de “Pastor Doutor”. Isto revela infantilidade, insegurança e desconhecimento do ofício pastoral. Ministério é serviço e não honraria. A maior honra do pastor virá quando ele ouvir estas palavras do Senhor Jesus: “Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21). Por que aspirar a mais que isto?</p>
<p>Esta prudência se vê em que ele deveria testar os diáconos: “E também estes sejam primeiro provados, depois exercitem o diaconato, se forem irrepreensíveis” (3.10). Diáconos não são o departamento pessoal da igreja, nem estão acima da autoridade pastoral. Devem ser testados, primeiro. E só podem ser diáconos se forem “irrepreensíveis”.</p>
<p>Timóteo (e por extensão, nós, pastores) deveria ser cauteloso no que dizem sobre os colegas: “Não aceites acusação contra um ancião, senão com duas ou três testemunhas” (5.19). Há muito obreiro que ouve alguma coisa sobre um colega e, sem falar com este, passa para frente, muitas vezes aumentando o que ouviu. Alguns exultam com más notícias sobre os colegas, porque não os vêem como companheiros, mas como rivais. E tanto Timóteo como o obreiro de hoje devem ser cautelosos no impor as mãos sobre futuros colegas: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos” (5.22). Há gente consagrando obreiros “à tapa”, como se diz, alegando que o processo normal exigido pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil é uma burocracia muito complicada. Não é. Trata-se da seriedade do ministério que está sendo enfocada. É assim que o Novo Testamento recomenda, e é assim que deve ser feito. Consagrar um pastor é algo sério. O ministério pastoral não é para indignos ou despreparados. A melhor obra requer o melhor preparo e as melhores condições.</p>
<p>Na recomendação de Paulo a Timóteo, se vê que o obreiro deve ser um homem puro: “Conserva-te a ti mesmo puro” (5.22) e “com toda a pureza” (5.2 . Os termos aqui são, respectivamente,  <em>hagnéia</em> e <em>hagnón. </em>Não é o habitual <em>katarós, </em> que é puro, mas com o sentido de moral, de ética, de não mistura com o erro. Os termos <em>hagnéia</em> e <em>hagnón</em> aludem mais à pureza sacerdotal, daquilo que é consagrado a Deus. É o termo para Espírito<em> Santo</em>. É designativo da pureza como um ato de culto a Deus, não por força de moralidade pessoal ou exigência funcional. Designa, também,  a pureza do caráter, mais que dos atos. Cada pastor deve manter-se como uma oferta viva a Deus. Nossos ministérios devem ser um ato de culto vivo ao Deus Vivo. Ministério é ato de culto e não carreira secular.</p>
<p>O CONFLITO COM OS FALSOS MESTRES</p>
<p>Já vimos que Timóteo deveria zelar pelo tesouro teológico da igreja, protegendo-a dos falsos mestres. E em 1.3-11 o conflito com os falsos mestres é bem delineado: “Como te roguei, quando partia para a Macedônia, que ficasse em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinassem doutrina diversa, nem se preocupassem com fábulas ou genealogias intermináveis, pois que produzem antes discussões que edificação para com Deus, que se funda na fé&#8230; Mas o fim desta admoestação é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência, e de uma fé não fingida; das quais coisas alguns se desviaram, e se entregaram a discursos vãos, querendo ser doutores da lei, embora não entendam nem o que dizem nem o que com tanta confiança afirmam. Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usar legitimamente, reconhecendo que a lei não é feita para o justo, mas para os transgressores e insubordinados, os irreverentes e pecadores, os ímpios e profanos, para os parricidas, matricidas e homicidas, para os devassos, os sodomitas, os roubadores de homens, os mentirosos, os perjuros, e para tudo que for contrário à sã doutrina, segundo o evangelho da glória do Deus bendito, que me foi confiado”. Isto é dito sobre os falsos mestres em termos gerais. Mas, em termos particulares, que ensinavam eles?</p>
<p>(1) <em>Ensinavam fábulas e genealogias</em>: “Nem se preocupassem com fábulas ou genealogias intermináveis, pois que produzem antes discussões que edificação para com Deus, que se funda na fé&#8230;“. 1.4. Talvez seja uma alusão às discussões genealógicas dos judaizantes. Talvez (é outra possibilidade), se refira às lendas de personagens judaicas (principalmente nos apócrifos, cheios de lendas), uma tentativa de tornar fabuloso o conteúdo do evangelho. Há gente que não se conforma com a simplicidade da mensagem da cruz, e tenta adorná-la, com segredos “tremendos” que só iniciados podem receber. Aqui cabem os textos de Tito 1.14 (“não dando ouvidos a fábulas judaicas, nem a mandamentos de homens que se desviam da verdade”) e 2Timóteo 4.3-4: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas”. É provável que Colossenses 2.16-19 também caiba aqui: “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo. Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal”. Uma exortação que não pode deixar de ser feita: o cristianismo rompeu com o sistema antigo e não deve voltar para onde saiu. Guardemos isso porque os judaizantes contemporâneos andam muito ativos. Devemos rejeitar, com veemência, os que querem sobrepor o Antigo Testamento ao Novo. Somos do Calvário, e não do Sinai ou o Sião; nada temos com a estrela de Davi e com a menorá, mas com a cruz. Somos a igreja de Cristo, e não um Israel remendado. Nosso vinho é o novo e não o velho. Somos pastores e não rabinos. Pregamos a Jesus e não a Moisés. Esperamos a segunda, e não a primeira vinda de Jesus.</p>
<p>Os contemporâneos de Timóteo queriam ser “mestres da lei” (o título não é acadêmico, mas denota a idéia de se sobrepor aos outros). Cuidado também com os muito espirituais, os “preferidos de Deus” e “capacitados especialmente” por Deus. São aqueles que estão cheios de visões, de descobertas de questões que nunca alguém viu, em dois mil anos de cristianismo. Geralmente se colocam acima da igreja e são eles mesmos o centro do seu ministério.</p>
<p>(2) <em>Seu ensino tinha discordância do ensino de Jesus</em>: “Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade,<strong> </strong>é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro” (6.3-5). A igreja já possuía uma doutrina sobre Jesus (as cartas de Paulo mostram isso, bem como 1 e 2Pedro e 1João). A igreja precisa se firmar na cristologia. Talvez este seja um dos problemas mais sérios hoje, a ausência de conteúdo cristológico na pregação da igreja. Alguns setores estão mais ligados em demônios do que em Cristo. Certa vez me surpreendi ao entrar em uma livraria evangélica em busca de um livro sobre cristologia e não ter encontrado um sequer. Mas encontrei mais de quarenta sobre batalha espiritual, demônios, conquistar a cidade para Cristo, etc. Mais ênfase no demônio e em novidades teologicamente insustentáveis que na pessoa de Jesus. Nós pregamos a Cristo, e não novidades. É uma mensagem velha, a velha mensagem da cruz de Jesus. E lembremos esta expressão: “cuidando que a piedade é fonte de lucro”. Ministério não é para enriquecer os pastores. Pastores não fazem voto de pobreza, mas não devem ver o ministério como pretexto para construírem impérios econômicos. A expressão “Sou filho do Rei e mereço o melhor” beira o cinismo, mas vamos considerá-la fruto da ignorância bíblica e teológica. Somos servos de um homem que optou pela austeridade material: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8.20).</p>
<p>(3) <em>Eles manifestavam discordância no conteúdo do ensino</em>: “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade; pois todas as coisas criadas por Deus são boas, e nada deve ser rejeitado se é recebido com ações de graças; porque pela palavra de Deus e pela oração são santificadas” (4.1-5). O ascetismo e o ritualismo alimentar ameaçavam a igreja. A lição a tirarmos aqui é que a vida com Cristo não consiste de regras, mas de conteúdo: “Porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Estas declarações de Paulo, tanto em Timóteo como em Romanos, são duras críticas ao gnosticismo, que via o mundo material como mau e apenas o espiritual como bom. A vida toda é um dom de Deus. Os fariseus criaram uma rigorosa prescrição alimentar. E os neofariseus fazem o mesmo hoje, com seu neojudaísmo.</p>
<p>O APELO FINAL A TIMÓTEO</p>
<p>Paulo faz dois apelos muito fortes a Timóteo. Atentemos para eles, porque são apelos aos pastores de hoje. Não podemos ignorá-los.</p>
<p>O primeiro apelo está em 6.11-15: “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Peleja a boa peleja da fé, apodera-te da vida eterna, para a qual foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. Diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que perante Pôncio Pilatos deu o testemunho da boa confissão, exorto-te a que guardes este mandamento sem mácula e irrepreensível até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual, no tempo próprio, manifestará o bem-aventurado e único soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores”. Preste atenção aos verbos: fugir (do mal), seguir (o bem), combater (pelo evangelho), apossar-se (das promessas eternas), guardar (as prescrições de Paulo, seu dom, suas responsabilidades). O obreiro de Cristo deve investir em si. Há uma ironia trágica em Cânticos 1.6 (“Não repareis em eu ser morena, porque o sol crestou-me a tez; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, e me puseram por guarda de vinhas; a minha vinha, porém, não guardei”): a sunamita guardou o que era dos outros, mas não guardou o que era seu.<em> </em>Há obreiros que guardam a igreja, os crentes e não guardam a si mesmos. Guarde-se a si mesmo, obreiro de Jesus! Guarde sua família! Guarde sua fé! Guarde sua integridade!</p>
<p>O segundo apelo se encontra em 6.20: “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, evitando as conversas vãs e profanas e as oposições da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé”. Há obreiros que ficaram fascinados pelo mundo. O evangelho é demasiadamente simplório para eles. São apaixonados por filósofos e pensadores seculares, mas não o são pelo evangelho. Alguns interpretam a Bíblia e a pessoa de Jesus à luz de pensadores seculares incrédulos. Um obreiro me disse que desistiu de um curso teológico em nível de pós-graduação porque não aceitava a “Santíssima Trindade” que norteava a linha exegética do curso: Hegel-Marx-Weber.  Defender as Escrituras era pecado mortal, bem como negar as teses da “Trindade” do curso. Mas era um curso de Teologia, em um seminário evangélico! Talvez isso explique a perda de autoridade bíblica do púlpito, que se perde em devaneios humanos ou em “profecias e revelações”. E também porque os seminários perderam muito de sua credibilidade e de seu charme. Minou-se, no ensino de muitos deles, a autoridade das Escrituras.</p>
<p>Guardar a sã doutrina do evangelho é tarefa pesada e difícil. Era naquele tempo e não é menos, hoje. É expor-se ao ridículo e ser chamado de “fundamentalista” ou “defensor de conceitos, sem amor às pessoas”. Para isso, Timóteo deveria buscar a ajuda do Espírito Santo: “Guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós” (2Tm 1.14). Para isso devemos também buscar a ajuda do Espírito Santo. Manter a igreja dentro do ensino do evangelho é uma importante função do pastor.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Provavelmente, caros colegas, não falei nada que vocês não soubessem. Não lhes disse nada de novo. Mas não é minha pretensão ensinar algo novo. Pelo contrário, quero ensinar (se assim posso dizer) algo velho, algo com raízes, algo histórico: a fé cristã em sua integridade. Exulto em ser pastor, mas tremo por ser pastor: porque ser pastor é zelar por esta herança legada por homens que formataram a vida e o pensamento da igreja. É ser servo de Cristo, ser servo do povo de Deus, dar continuidade à relação dos defensores do legado de Deus à sua igreja. Deus nos ajude a dar conta do recado.</p>
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