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	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho &#187; Meditações em João</title>
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		<title>“TEU IRMÃO HÁ DE RESSURGIR”</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 12:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho “Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir” (João 11.23) Diante da palavra de Marta de que Deus poderia lhe conceder tudo quanto ele pedisse (inclusive a ressurreição de Lázaro), Jesus diz que ele há de ressurgir. E Marta crê. Ela crê numa ressurreição geral, no último dia (v. 24). Jesus continua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>“Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir” (João 11.23)</p>
<p>Diante da palavra de Marta de que Deus poderia lhe conceder tudo quanto ele pedisse (inclusive a ressurreição de Lázaro), Jesus diz que ele há de ressurgir. E Marta crê. Ela crê numa ressurreição geral, no último dia (v. 24). Jesus continua sua argumentação, seguindo o raciocínio de Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?” (vv. 25-26). Haverá, sim, uma ressurreição no último dia. Por causa de Jesus, que é ressurreição e vida. Ele pergunta a Marta se ela crê nisto, e ao invés de apenas dizer “sim”, ela vai além: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (v. 27).</p>
<p><span id="more-1387"></span>Haverá ressurreição no último dia porque Jesus é o Cristo. Os mortos ouvirão sua voz e voltarão do <em>hades: </em>“Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.28-29). Uma <em>avant-première</em> se deu quando da morte do Salvador: “E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam, os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos” (Mt 27.52-53).</p>
<p>“Teu irmão há de ressurgir”. Não só ele. Nós, também. Um dia sairemos do <em>hades </em>e viveremos para sempre. Meacir e eu costumamos dizer que somos indestrutíveis. O tempo passa e a sepultura fica cada vez mais próxima e o berço cada vez mais distante. Um dia virá a morte. Ela é inevitável. Inimiga formidável, espera por todos nós. Muitos pensam que ela tem a palavra final. Não tem. A palavra final é de Cristo. Os mortos ouvirão a sua voz e voltarão à vida. E para sempre, com ele. Seremos indestrutíveis.</p>
<p>Lázaro ressurgiu, mas morreu depois. Mas um dia ele e todos os fiéis ressurgirão para nunca mais morrer. Serão indestrutíveis. Um dia morrerei. Mas não será o fim. Hei de ressuscitar. Se você é de Cristo, há de ressuscitar. Por causa de Jesus Cristo. Desde sua ressurreição, a morte se tornou paciente terminal. Um dia ela morrerá: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo” (Ap 20.14). A morte morrerá, e nós viveremos para sempre. O fiel zomba da morte: “Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15.54-55).</p>
<p>Isto é possível por causa de Jesus: “(&#8230;) nosso Salvador Cristo Jesus, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho” (2Tm 1.10).</p>
<p>Bendito seja Jesus Cristo, o Ressurreto. Por causa dele, haveremos de ressurgir.</p>
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		<title>A MANIFESTAÇÃO DA VERDADEIRA FÉ</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 12:06:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho “Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele” (João 11.16). Poucas palavras expressam um compromisso tão grande como estas de Tomé. Jesus insiste em retornar a Judéia (11.7). Seus discípulos tentam dissuadi-lo (11.8), mas ele se mantém irredutível. É quando Tomé concita os demais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>“Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele” (João 11.16).</p>
<p>Poucas palavras expressam um compromisso tão grande como estas de Tomé. Jesus insiste em retornar a Judéia (11.7). Seus discípulos tentam dissuadi-lo (11.8), mas ele se mantém irredutível. É quando Tomé concita os demais a irem, mesmo que seja para morrer com ele.  Verdade é que, como os demais, acabou fugindo (Mt 26.56). Mas recuperou-se, gastou sua vida na obra missionária, e morreu como mártir. Desta maneira, sua fala não foi retórica. Ele foi para morrer por Cristo. Cumpriu o que disse.</p>
<p><span id="more-1385"></span>Tomé nos mostra como se manifesta a verdadeira fé. Vemos hoje uma fé infantil, em que as pessoas buscam apenas bênçãos, reivindicam, declaram, mas nao se comprometem a ponto de mostrarem-se dispostas a morrer por Jesus. Isto nos deixa com cristãos imaturos, que não se engajam e vêem o cristianismo apenas como algo por receber de Deus.</p>
<p>Jesus censurou uma multidão que o seguia por causa dos pães: “Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes” (Jo 6.26). São os cristãos “Enche minha barriga, Senhor!”. Hoje vemos seus parentes: “Enche-me de bênçãos, Senhor!”. São cristãos que não amam ao Senhor, apenas suas bênçãos. Mas a essência da vida cristã é o amor a Deus, não às suas bênçãos!</p>
<p>Assim diz Mateus 10.37-40: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Isto é vida cristã! Como é significativa uma das linhas do hino 62 do HCC: “Eu te amo na vida e na morte também!”. A verdadeira fé é aquela que ama ao Senhor, em qualquer circunstância, independente do que ele nos dê. Ele já deu, e muito, no Calvário: o perdão dos pecados, a adoção de filhos, a vida eterna. Um amor tão grande merece uma fé grandiosa, como a de Tomé, que mostre que estamos dispostos a morrer por ele. Mas, quantos dos cristãos infantis que seguem a Jesus por causa de bênçãos, estariam dispostos a morrer por ele? Porque uma coisa é amar as bênçãos, e outra é amar o Senhor das bênçãos.</p>
<p>Conta-se a história de uma louca que carregava em uma das mãos um balde com água, e na outra um archote aceso. Quando lhe perguntavam o porquê de tão estranha bagagem, ela respondia: “Com esta água, eu queria apagar o fogo do inferno, e com este fogo incendiar o céu. Para que Deus fosse amado pelo que é e não temido ou amado pelo que pode fazer por nós”. De louca a mulher não tinha nada. Pelo contrário, até nos ensina uma lição: devemos estar dispostos a amar o Senhor até à morte, se preciso for. Pelo que ele é, e não por suas bênçãos.</p>
<p>Esta é a verdadeira fé, a que não faz de bênçãos a sua força motriz, mas que se origina no autêntico e sincero amor a Deus. Que cada um de nós tenha a coragem de Tomé, de caminhar com o Senhor em qualquer circunstância. Mesmo se for para o sofrimento. Até para a morte. Jesus merece nossa lealdade.</p>
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		<title>QUANDO JESUS SE ATRASA…</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jun 2010 19:15:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho “Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava” (João 11.6). Fugindo dos que queriam prendê-lo, Jesus “retirou-se de novo para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali ficou” (Jo 10.40). Este lugar era Betânia (“Estas coisas aconteceram em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">“Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava” (João 11.6).</p>
<p>Fugindo dos que queriam prendê-lo, Jesus “retirou-se de novo para além do Jordão, para o lugar onde João batizava no princípio; e ali ficou” (Jo 10.40). Este lugar era Betânia (“Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando” &#8211; Jo 1.28). Estamos agora no ciclo de atividades de Jesus em Betânia. Talvez estivesse um pouco distante da cidade ao ser informado que Lázaro, que morava em Betânia (11.1), estava doente. Ele se demorou mais dois dias para visitá-lo (11.6). Quando chegou ele havia sido sepultado há quatro dias (11.17). Sua caminhada demorou dois dias.</p>
<p><span id="more-1360"></span>As tentativas de localizar onde ele estava lidam com a ausência de detalhes de João. Não sabemos onde ele estava. Betânia ficava na Judéia. Ele deveria estar fora da Judéia, à luz de 11.7 (“Depois disto, disse a seus discípulos: Vamos outra vez para Judéia”). Ele quer dizer que, mesmo sob risco de morte, voltará à Judéia, para visitar Lázaro.  A questão é que ele se demorou até Lázaro morrer. Só depois de sua morte é que ele resolveu visitá-lo. Visitar defunto? O fato é que Jesus se atrasou no socorro pedido. As irmãs esperavam seu socorro, tanto que lhe disseram que se ele estivesse lá, Lázaro não teria morrido (vv. 21 e 32).</p>
<p>Jesus chegou atrasado. Este é um problema que muitos de nós enfrentamos. Por que ele chega atrasado, algumas vezes, em meio aos nossos problemas? Por que não ouve nosso clamor, de imediato? Por que tarda? Em outras palavras: por que Deus não cuida melhor de nós, e impede que as dificuldades se avolumem?</p>
<p>A resposta vem no versículo 4: “Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Nossa preocupação é “salvar nossa pele”. Deveríamos ter a mente de Jesus: nossas aflições servem que ele seja glorificado em nossa vida. Por isso ele se “atrasa” muitas vezes. “Atrasa” aos nossos olhos, pois aos seus ele sempre age na hora certa. O que causaria mais impacto: curar uma enfermidade ou ressuscitar um morto de quatro dias? Os judeus criam que a alma de um homem levava quatro dias de caminhada, de seu corpo até o <em>xeol.</em> No quarto dia, ela estava definitivamente encerrada. Jesus mostra que seu poder sobre a morte é tão grande que ele abre as portas do <em>xeol </em>e traz um homem de lá. Ele tem poder sobre a morte e sobre o mundo dos mortos.</p>
<p>“Lázaro” é a forma aramaica de “Eleazar”. Literalmente, <em>Él’azar.</em> Significa “Deus é misericórdia”. “Betânia” é o hebraico <em>Beit’aniah, </em>“casa da pobreza”. Na casa da pobreza, Jesus teve misericórdia de sofredores, e agiu com grande poder. Enriqueceu aquelas vidas. Não com bens, mas ajudando-as e glorificando-se. Hoje, a cidade se chama <em>El-Azarya</em>, associada ao nome de Lázaro. Deixou de ser casa da pobreza para ser o lugar da misericórdia de Deus.</p>
<p>Quando você pensar que Jesus está se atrasando para socorrê-lo, pense que sua demora é para mostrar mais poder, ainda, e para ser glorificado em sua vida. Este deve ser nosso maior anseio: que ele seja glorificado em nosso viver.</p>
<p>E lembre-se: Jesus transforma a casa da pobreza em lugar de misericórdia.</p>
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		<title>AS OVELHAS DE JESUS</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 10:55:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão”- João 10.27-28. Após dizer que os judeus não eram suas ovelhas, Jesus caracteriza quem são elas. “As minhas ovelhas”, ele começa a dizer, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;</p>
<p>eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão”- João 10.27-28.</p>
<p>Após dizer que os judeus não eram suas ovelhas, Jesus caracteriza quem são elas. “As minhas ovelhas”, ele começa a dizer, e faz uma das mais lindas declarações de toda a Bíblia. Não pertencem a uma denominação nem se caracterizam por uma determinada liturgia. São conhecidas por seis marcas, todas de relacionamento com ele.</p>
<p><em>A primeira:</em> “ouvem a minha voz”. Elas ouvem a Jesus, não a estranhos. A Jesus, não a Moisés ou a Elias (Mt 17.5), símbolos do Antigo Testamento. Ouvir Moisés e Elias produz situações tristes, como a noticiada pela Internet de sete igrejas evangélicas colombianas que se tornaram sinagogas. Há muita igreja “sinagogada” por aí. Não se compõem de ovelhas de Jesus. Não o ouvem direito.</p>
<p><em><span id="more-1338"></span>A segunda: </em>“eu as conheço”. Não apenas sabe os nomes (“Zaqueu, desce depressa”), mas se relaciona com elas. Sabe de suas carências e de suas fraquezas. Ele sabe o que é ser gente, pois foi como nós. Conhece nossas dores e fraquezas. Que consolo! “Oh, sim eu sei, Jesus bem vê, o que eu estou a sofrer”, diz um de nossos belos hinos.</p>
<p><em>A terceira:</em> “elas me seguem”. Ovelha de Jesus segue a Jesus, não ao pastor ou ao dono da seita. “Seguem” e não apenas contemplam. E imitam-no ao segui-lo: “Porque para isso fostes chamados, porquanto também Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1Pe 2.21). Seguir a Jesus não é cantar na igreja. É muito que isso. É procurar imitar a Jesus no cotidiano.</p>
<p><em>A quarta: </em>“eu lhes dou a vida eterna”. Ninguém consegue a vida eterna. Ele dá. É dom dele. E não dá aos bons ou aos religiosos, mas aos que o seguem. Não vem pela nossa virtude ou nossa perseverança. Vem por ele. Não nos salvamos. Somos salvos. Não somos o sujeito da salvação. Ele é.</p>
<p><em>A quinta: </em>“jamais perecerão”. A vida eterna não é figura de linguagem. É vitória sobre a morte. Crer em Jesus é saber que viveremos eternamente com Jesus. O cristão zomba da morte, como Paulo (1Co 15.55). Encara-a com naturalidade, e diz como Bach: “Vem, doce morte!”. Ela não assusta, mas nos leva para junto dele. Como disse Bonhoeffer: “A morte é o supremo festival no caminho da libertação”.</p>
<p><em>A sexta: </em>“ninguém as arrebatará da minha mão”. É a segurança do salvo. Ele canta como Lutero: “Se nos quisessem devorar demônios não contados, não nos podiam assustar, nem somos derrotados”. Satanás pode ser perigoso e rugir ao nosso redor como leão, mas é um derrotado: “Vencido cairá por uma só palavra”. Dizemos com Paulo: “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.37-39).</p>
<p>Ser ovelha de um bom pastor é muito bom. Por um ano e meio, por opção, fui ovelha de meu irmão, o Pr. Isaías Gomes Coelho. Um bom pastor, um amigo leal. Obrigado, mano! Mas antes dele e acima dele, sou ovelha de Jesus Cristo. E ser ovelha de Jesus é muito bom. Vale a pena!</p>
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		<title>O PESO DA EXPERIÊNCIA PESSOAL</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2010/05/o-peso-da-experiencia-pessoal/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 12:49:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho “Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo” &#8211; João 9.25 A conversa era tensa. E piorou quando o sinédrio disse: “Dá glória a Deus”, iniciando o diálogo com ex-cego de nascença. Esta frase iniciava o processo por heresia. Normalmente degenerava em condenação. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>“Respondeu ele: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo” &#8211; João 9.25</p>
<p>A conversa era tensa. E piorou quando o sinédrio disse: “Dá glória a Deus”, iniciando o diálogo com ex-cego de nascença. Esta frase iniciava o processo por heresia. Normalmente degenerava em condenação. A resposta do inquirido foi desconcertante. Desconhece teologia, mas tem certeza de uma coisa: era cego e agora via. Contra os discursos, exibiu a sua experiência. Mais à frente, o ex-cego fulminou a falação dos teólogos: “Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer” (vv. 32-33).</p>
<p><span id="more-1315"></span>Muitas experiências não provam nada. “Eu senti no meu coração” ou “Deus me falou” são argumentos que pretendem ser a prova de si mesmos. O raciocínio é falho. Além disto, a subjetividade não pode julgar a objetividade. O que é, é. Isto independe do que a pessoa sinta. Sentimentos não provam fatos. Mas o personagem anônimo de João 9 mostrou a transformação em sua vida. Não exibiu sensações, mas um fato que não podia ser negado. Mais tarde, o sinédrio enfrentou a mesma situação, com a cura do coxo à porta do templo: “Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os que habitam em Jerusalém é manifesto que por eles foi feito um sinal notório, e não o podemos negar” (At 4.16).</p>
<p>Em programas de televisão vejo pessoas alegando curas de dor. Nas costas, na coluna, no braço. E o milagre é dado. Mas dor é um conceito subjetivo. Lembro-me de Cassius Clay, boxeador, lutando com a mandíbula fraturada. Eu, quando sinto dor, logo me recolho junto à minha esposa. O “tadinho!” dela e seu carinho compensam tudo. Longe de mim querer continuar fazendo alguma coisa com mandíbula fraturada. Mas nunca vi alguém realmente paralítico, atestado por médicos, ou cego, atestado por oftalmologista, ser curado. Por que não se exibem atestados médicos declarando a enfermidade da pessoa supostamente curada?</p>
<p>Mas o importante, na realidade, é isto: o testemunho baseado em experiência de transformação de vida é irrefutável. Muita gente pensa que não pode evangelizar porque não estudou em seminário (tenho dúvidas se seminário forma evangelistas) ou por não ter cultura acadêmica. O que alguém precisa para evangelizar é mostrar que Jesus mudou sua vida. Ouvi isto de um homem que testemunhava junto a outro: “Eu era um beberrão, espancava minha esposa e meus filhos se urinavam de medo quando eu chegava em casa. Jesus me transformou. Amo minha esposa, meus filhos têm prazer em minha companhia. Jesus mudou minha vida!”. O colega ouviu impressionado. Ele conhecia a vida anterior de quem lhe falava.</p>
<p>Gente transformada tem o que dizer. Gente transformada nunca consegue ficar sem dizer. Como disse Bernanos: “Os convertidos são incômodos”.  Precisamos de crentes que tenham experimentado uma profunda transformação de vida, e não apenas aderido a um programa ou a instituição. De gente que foi regenerada pelo poder do evangelho. Essas pessoas têm um testemunho irrefutável.</p>
<p>Você tem o que dizer? Jesus deu significado à sua vida? Então diga! Mas se Jesus nada fez em sua vida e você ainda continua cego ou coxo à porta do templo, clame a Deus. Não por riquezas e bênçãos, mas por transformação. O evangelho transforma, enche a vida de significado, dá razão para viver. E leva a um testemunho poderoso.</p>
<p>Jesus faz a diferença. Uma vida transformada por ele chamará a atenção. E dará um testemunho irrefutável. Que o Espírito de Deus nos habilite a todos, para podermos dizer: “Eu era&#8230;, mas o homem chamado Jesus&#8230;”.</p>
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		<title>O ERRO DO POLITICAMENTE CORRETO</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2010/05/o-erro-do-politicamente-correto/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 13:49:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho &#8221; disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais” &#8211; João 8.11 O “politicamente correto” tem pontos positivos, como evitar o desrespeito a pessoas e instituições, mas tem sido usado como cerca contra críticas e discordâncias de comportamentos. Discordar é ser mal visto. Ou, o que parece ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>&#8221; disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais” &#8211; João 8.11</p>
<p>O “politicamente correto” tem pontos positivos, como evitar o desrespeito a pessoas e instituições, mas tem sido usado como cerca contra críticas e discordâncias de comportamentos. Discordar é ser mal visto. Ou, o que parece ser o pior rótulo hoje em dia, “preconceituoso”. Esta parece ser a grande nódoa de qualquer pessoa ou o novo pecado imperdoável: ser preconceituoso. Geralmente se pespega o rótulo a quem não aceita certo tipo de conduta. Quando alguém não concorda com o homossexualismo, logo é taxado de preconceituoso. Mas se alguém não concorda com minha fé, não é preconceituoso. Tem convicções. Isto se parece com a postura daquela moribunda ideologia política que clama por liberdade e, ao chegar ao poder, nega-a aos discordantes. Os não preconceituosos são preconceituosos com seus discordantes.</p>
<p><span id="more-1282"></span>O episódio da mulher pega em adultério é muito usado por quem não gosta de ver seus erros apontados ou de pregações que falem de pecado. Se Jesus disse que não condenava a mulher adúltera, quem somos nós para “condenar” o sujeito que é pego carregando dinheiro em roupa íntima masculina? Ou o evangélico corrupto que ora agradecendo a propina? Por que “condenar” religiosos fraudulentos, pegos em crimes fiscais? Dizer que tais pessoas pecaram é preconceituoso e anticristão. Jesus foi misericordioso e perdoou. Devemos perdoar.</p>
<p>Ora, deixemos de malabarismos mentais que resvalam para o sofisma de pinguço após a sexta cerveja. Podemos discordar, sim. Todo o ministério de Jesus foi uma discordância da postura religiosa de sua época.  E “condenar”, aqui, merece ponderação. No caso de Jesus, era condenação legal, que levaria ao apedrejamento. No caso de discordar da conduta, trata-se de não aceitá-la e dizê-la errada.</p>
<p>Jesus perdoou porque estava na sua soberana misericordiosa. Mas deixou uma recomendação: “&#8230; vai-te, e não peques mais”. Ele não foi conivente nem massificado pelo bom mocismo de hoje, que fecha os olhos a qualquer erro. Ele não quis ensinar que devemos fechar os olhos às mazelas espirituais e sociais de nossa época. Não desejou que tivéssemos coluna vertebral de plástico. Nem que compactuássemos com o pecado. Pior que o pseudo preconceito de dizer que algo está errado ou é pecado, é a conivência com o erro e com o pecado.</p>
<p>O perdão de Jesus não é um cartão de crédito sem limite para uso no shopping do pecado. É um estímulo à santidade. “Vai-te e não peques mais”. Graça não é trampolim para o antinomismo, mas uma escada para uma vida grata ao Senhor pela sua misericórdia. Crentes que não gostam de correção, que não aceitam ter seus pecados condenados e querem sempre se valer de artifícios para continuarem na sua vida pecaminosa estão blasfemando contra a graça. Não a entenderam. Torcem-na.</p>
<p>Em lugar algum a Bíblia nos exorta a sermos “Maria vai com as outras”. O seguidor de Jesus não é amorfo nem massificado. Tem noção de como deve viver, tem valores. Não os impõe aos demais, mas sabe que eles são corretos, e não se intimida com a pressão para concordar com o erro.</p>
<p>A mulher adúltera de João 8 não deve ser conectada ao “liberou geral”, mas à misericórdia do Senhor, que perdoa e que pede que a pessoa não continue a fazer o mesmo. É chamada à santidade e não à leniência. Não é mordaça, mas exortação a se refletir que todos somos culpados, todos merecemos críticas e não apenas criticar, e que todos precisamos da graça. E, provada a graça que traz o perdão, caminharmos rumo à santidade.</p>
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		<title>A PRIMEIRA CARTA DE JOÃO</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 14:48:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Meditações em João]]></category>

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		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudo bíblico INTRODUÇÃO Quase chegando ao fim da Bíblia, encontramos as três cartas de João. A segunda e a terceira são os menores livros da Bíblia. A primeira é uma dessas jóias semi-ocultas, quase nunca estudadas em nossas igrejas. Mas tem um valor enorme por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para núcleos de estudo bíblico</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Quase chegando ao fim da Bíblia, encontramos as três cartas de João. A segunda e a terceira são os menores livros da Bíblia. A primeira é uma dessas jóias semi-ocultas, quase nunca estudadas em nossas igrejas. Mas tem um valor enorme por nos mostrar o cenário teológico da igreja no primeiro século, bem como nos trazer lições preciosas do último discípulo de Jesus a morrer. João foi o discípulo que mais viveu. Tinha consciência de que sua vida estava se acabando e, sendo a última pessoa que viu Jesus vivo, precisava doutrinar bem a igreja. Neste sentido, sua carta, que hoje começamos a estudar é riquíssima.</p>
<p>AUTORIA</p>
<p>As três epístolas atribuídas a João omitem o nome do autor. Mas universalmente tem sido creditada a autoria a João, o apóstolo. Isto foi afirmado desde cedo, na história da Igreja, por homens como Policarpo, Papias, Eusébio, Irineu, Clemente de Alexandria e Tertuliano. Estes homens foram chamados de “pais da Igreja”, porque durante o ministério deles a Igreja se consolidou e firmou sua doutrina. O ensino deles é chamado de “patrística”, derivado de <em>pater</em>, “pai”. Pois bem, a teologia patrística sempre reconheceu o apóstolo João como sendo o autor das três epístolas que levam seu nome. No ano 170 de nossa era, isto já estava aceito pela igreja.</p>
<p><span id="more-1271"></span>&#8220;João&#8221; significa &#8220;Iahweh (é) gracioso&#8221;. Era um nome comum entre os hebreus, sendo a forma helenizada de “Jônatas”, que era o nome do filho de Saul. Nosso personagem era judeu, pescador (Mt 4.21), irmão de Tiago, filho de Zebedeu e Salomé (Mt 27.56 e Mc 15.40). Era o discípulo especialmente amado por Jesus (Jo 13.23; 19.26; 21.20). Alguns presumem que era o mais jovem, estando ainda na adolescência, e por isto Jesus teve um carinho todo especial por ele. Foi o discípulo mais íntimo do Mestre. Esteve presente na crucificação, o que mostra que estava disposto a correr risco por Jesus.  Como os demais, fugiu quando Jesus foi preso, mas voltou pouco tempo depois.</p>
<p>Jesus chamou a João e a Tiago de Boanerges, que significa &#8220;filhos do trovão&#8221;, referindo-se ao seu temperamento um pouco violento (Mc 3.17; Mc 9.38; Lc 9.54).  Há várias  citações a respeito de João nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Mas ele mesmo omite seu nome no seu evangelho (Jo 20.2; 19.26; 13.23; 21.2). Há referências a ele também em Atos 4.13; 5.33,40; 8.14; Gálatas 2.9; 2João 1; 3João 1 e Apocalipse 1.1,4,9. Na segunda e na terceira epístolas, ele se chama de &#8220;o presbítero&#8221;. Poderia se apresentar como apóstolo (afinal era o último apóstolo vivo), mas foi humilde ao utilizar este título, que significa “o ancião”. Uma lição aqui para muitos adolescentes e jovens: vocês serão anciãos, um dia, se não morrerem antes. O jovem João se tornou o “presbítero” (ancião) João. No Apocalipse, apresenta-se como &#8220;servo&#8221;. É uma lição para todos nós. Este deveria ser nosso título preferido, assumido com todo o significado do termo.</p>
<p>Após exercer o seu ministério em Jerusalém, João foi pastor em Éfeso, onde morreu entre os anos 95 e 100. Policrates (ano 190), bispo de Éfeso, escreveu: &#8220;João, que se reclinara no seio do Senhor, depois de haver sido uma testemunha e um mestre, dormiu em Éfeso&#8221;. Com sua morte se encerrou uma era, a das testemunhas oculares da vida, ministério, morte, ressurreição e ascensão de Jesus.</p>
<p>CARACTERÍSTICAS GERAIS DA CARTA</p>
<p>As palavras chaves da carta são conhecimento, amor e comunhão. São  termos que mostram a sua compreensão de vida cristã. A data tem sido estimada entre os anos 85 e 90.  O local tem sido considerado como Éfeso. O tom é carinhoso. Ele trata os destinatários por &#8220;meus filhinhos&#8221; (2.1,18,28; 3.7,18; 4.4; 5.21) e &#8220;amados&#8221; (3.2,21; 4.1,7,11). O primeiro termo, no grego, é, literalmente, “criancinhas”. O autor é bastante carinhoso.</p>
<p>CARACTERÍSTICAS DO CONTEÚDO DA CARTA</p>
<p>Parece que a carta foi escrita para resolver um conflito de autoridade que surgira em uma igreja local e esta pedira a orientação de João, como último apóstolo que era. Ele adverte muito contra falsos obreiros e chama a igreja a viver em amor. Por isto que sua epístola denuncia os falsos cristãos e incentiva os verdadeiros. O autor é incisivo, direto, bem convicto. É bem firme em apontar o erro e a verdade. Afinal, ele tem que orientar a igreja.  O propósito da carta é bem definido em quatro afirmações:</p>
<p>1 &#8211; &#8220;Para que a nossa alegria seja completa&#8221; &#8211; 1.4</p>
<p>2 &#8211; &#8220;Para que não pequeis&#8221; &#8211; 2.1.</p>
<p>3 -“Para advertir contra os enganadores” &#8211; 2.26.</p>
<p>4 &#8211; &#8220;Para que saibais que tendes a vida eterna&#8221; &#8211; 5.13.</p>
<p>Ele estava preocupado com o presente e o futuro da igreja (em geral, não uma igreja local).  Era o último apóstolo vivo.  Os demais já haviam morrido e falsos mestres apareciam por toda parte. Ele queria deixar a Igreja firmada para se sentir mais tranqüilo e ter alegria completa (1.4). Por estas coisas, seu livro é mais um tratado teológico que uma carta. O tom é carinhoso, mas o livro não é pessoal, no sentido de se dirigir, particularmente, a uma pessoa ou a uma igreja. Não há saudações, despedidas ou menção de nomes. Pensa-se que a obra se destinava à igreja em geral. Ele alerta contra o pecado (2.1) e as heresias (2.26). Os dois assuntos estão muito ligados, mas as heresias são mais perigosas. O pecado deve ser evitado, mas se for cometido, há perdão (1.7,9; 2.1). A heresia é mais perigosa porque se constitui em <em>afastamento de Deus</em>. A que João mencionava levava à apostasia. O herege pensa que está certo, mas está errado. Seu pecado é pecado sem reconhecimento, sem confissão, sem arrependimento e, assim, sem perdão. Esta é a questão: quem passa a crer numa doutrina contrária à cruz pode ser perdoado? Não é que Deus se recuse a perdoá-lo, mas a própria pessoa não acredita na única solução divina, que é o sacrifício de Cristo. Tal quadro pode ser mudado, mas é difícil. Por isso que ele queria prevenir contra as heresias, e por isso enfatizou o conhecimento e estudo da Palavra de Deus.</p>
<p>O CONTEXTO EM QUE JOÃO ESCREVE</p>
<p>A situação da igreja inspirava cuidados. Vemos isso nas cartas às sete igrejas da Ásia Menor (Ap 2 e 3). As heresias se alastravam em muitas comunidades. No Apocalipse, livro escrito na mesma época, João menciona as expressões &#8220;sinagoga de Satanás&#8221; (Ap 2.9), &#8220;nicolaítas&#8221; (Ap 2.6,15) e &#8220;doutrina de Balaão&#8221; (Ap 2.14), etc.</p>
<p>Que heresias eram estas? A mais conhecida era o <em>gnosticismo,</em> sistema que misturava idéias filosóficas e crenças judaicas e cristãs. Muitos cristãos se tornaram gnósticos. Criam em Jesus, mas negavam a realidade de sua encarnação e morte. Como se denominavam cristãos, criava-se uma situação confusa. Quem eram os verdadeiros cristãos? Os que criam de uma forma ou os que criam de outra? João notou que havia necessidade de identificação, discernimento, definição e posicionamento. Observemos as perguntas-chave que autor apresenta:</p>
<p>1 – &#8220;Quem é o mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo?&#8221; (1Jo 2.22-23).</p>
<p>2 – &#8220;Quem é o que vence o mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?&#8221; (1 Jo 5.5).</p>
<p>João quer mostrar quem é o falso cristão e qual o verdadeiro, sendo que este é aquele que vence o mundo. Nesta atividade, ele usa pronomes demonstrativos e indefinidos para especificar e definir os indivíduos em relação a Cristo. João usa repetidamente a fórmula: &#8220;Quem não faz isso não é aquilo&#8221;. Ou &#8220;Quem faz tal coisa é outra coisa&#8221;.</p>
<p>Aquele &#8211; 2.6,11,17,22,23,26,29; 3.4,6,17; 5.1,5,16,18 (Veja também  2João, 9).</p>
<p>Alguém – 2.1,15,27; 4.20; 5.16.</p>
<p>Quem – 4.7-10.</p>
<p>O texto de 2.22-23 é elucidativo. O problema maior era de ordem cristológica, ou seja, dizia respeito à pessoa de Jesus.  Para João, os hereges diziam ter o Pai, mas negavam o Filho. Compare com 2João 9.  Os gnósticos ensinavam que Jesus era um homem comum, filho natural de um casal chamado Maria e José.  Segundo seu ensino, a Divindade não podia se encarnar, porque a matéria era má. Quando o homem Jesus foi batizado, a pessoa de Cristo veio sobre ele. Quando o homem Jesus morreu, a pessoa de Cristo saiu dele, porque a Divindade não podia morrer. Os gnósticos negavam que Jesus e o Cristo fossem a mesma pessoa. Eles negavam que Jesus fosse a forma humana de Deus. Vejamos, ainda, 1João 4.2 e 2João 7, sobre o assunto. O gnosticismo sobrevive hoje como uma espécie de racionalismo cristão. A corrente que João combateu se chamava <em>docetismo</em>, do grego <em>dokein</em>, que significa “parecer”. Para eles, Jesus “parecia” carne, mas não era. Por isto João afirma a encarnação de Jesus: 1.1 e 4.2-3.</p>
<p>João identifica quem tem a verdade e quem pratica a mentira.  Ele ajuda a identificar os personagens do cenário e a situação dos próprios leitores no contexto da verdade e da mentira. O exemplo que ele emprega é o de Caim e Abel (1Jo 3.11-12), simbolicamente representando dois grupos de pessoas que estavam dentro da igreja. Desta maneira, o autor identifica quem está em comunhão com Deus e quem não está. No quadro a seguir, listamos diversas expressões usadas na epístola através das quais se traça uma linha divisória entre os dois grupos. Vamos chamá-los, figuradamente, como João, de &#8220;grupo de Abel&#8221; e &#8220;grupo de Caim&#8221;.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="299" valign="top">&#8220;Grupo de Abel&#8221;</td>
<td width="299" valign="top">&#8220;Grupo de Caim&#8221;</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Vida (1.1-2; 2.16,25; 3.14-16;   5.11-13,16,20)</td>
<td width="299" valign="top">Morte (3.14; 5.16-17)</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Verdade – 1.6,8; 2.4,5,8,21,27; 3.18-19;   4.6; 5.7,20.</td>
<td width="299" valign="top">Mentira – 1.6,10; 2.4,21-22,27; 4.20; 5.10</p>
<p>Erro – 4.6 &#8211; Engano &#8211; 1.8; 2.26; 3.7</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Verdadeiro (2.8,27; 5.20)</td>
<td width="299" valign="top">Falso ou mentiroso (2.22)</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Espírito da verdade (4.6)</td>
<td width="299" valign="top">Espírito do erro (4.6)</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Cristo (1.3, etc)</td>
<td width="299" valign="top">Anticristo (2.18,22)</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Amor ao irmão (2.10)</td>
<td width="299" valign="top">Amor ao mundo (2.15)</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Sofre ódio do mundo (3.13)</td>
<td width="299" valign="top">Ódio ao irmão (2.11; 3.15)</td>
</tr>
<tr>
<td width="299" valign="top">Luz &#8211; 1.5,7; 2.8-10.</td>
<td width="299" valign="top">Trevas – 1.5-6; 2.8-9,11.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>É possível passar de um lado para o outro. Esta mudança se chama <em>conversão</em> ou, no sentido contrário, <em>apostasia</em>. João disse que &#8220;passamos da morte para a vida”.(3.14). E o seu cuidado era para que não acontecesse o processo contrário com alguns irmãos que, envolvidos pela heresia, pudessem passar da verdade para a mentira.</p>
<p>IDENTIFICANDO A DOUTRINA, O MESTRE E O ESPÍRITO</p>
<p>“Heresia” vem do grego <em>hairesis</em>, que significa “ênfase exagerada num aspecto”. Mais tarde é que passou a designar “erro”. A heresia é uma doutrina errada, mas isso pode não estar tão claro no início. Afinal, ela enfatiza uma parte da verdade. O que chega até nós é simplesmente uma doutrina. Esta deve ser então identificada. Por meio dos parâmetros encontrados na epístola, o autor identifica a <em>doutrina</em>, o <em>mestre</em> e o <em>espírito</em> que está por trás (2.22-23, 4.1-6). As chaves identificadoras são:</p>
<ul>
<li>Relação com Cristo (2.22-23);</li>
<li>Relação com os irmãos. (3.10,17).</li>
<li>Relação com o mundo (2.15).</li>
</ul>
<p>Estes são os &#8220;instrumentos&#8221; que nos farão identificar a verdade e a mentira. Tais indicadores são complementares entre si. Se alguém negar que Cristo é o Filho de Deus, estará reprovado. Não está na verdade. Se alguém afirma que Cristo é o Filho de Deus mas nega sua encarnação e morte, estará reprovado. Se alguém diz ter uma fé correta a respeito de Cristo, então o próximo teste é a relação com os irmãos. Se a pessoa odeia os irmãos ou lhes nega auxílio nas necessidades, então estará reprovada. Se a pessoa ama o mundo, anda segundo o mundo, vive de modo agradável ao mundo, pecando habitualmente, então está do lado da mentira. A relações com os irmãos e com o mundo constituem evidências visíveis do tipo de relação que temos com Cristo, uma vez que esse vínculo é espiritual e invisível.</p>
<p>Mas não devemos sair por aí, julgando as pessoas estabanadamente.  Em primeiro lugar, cada um deve julgar e purificar a si mesmo (1Jo 3.3; 5.10; 1Co 11.28,31; 2Co 13.5; 2Jo 1.8). Depois, é preciso avaliar o ensino que recebemos (1Co 14.29; 1Ts 5.20-21; I Co 10.15). Se uma doutrina é contrária a <em>Cristo</em>, contrária à comunhão dos<em> irmãos </em>ou favorável ao <em>mundanismo</em>, deve ser rejeitada. Não se pode aceitar tudo passivamente porque quem ensina alega que “Deus falou” porque diz que “tem uma revelação de Deus”..  Há uma doutrina estabelecida, a verdade revelada por Deus. Não se pode criar nem inventar o que se quer.</p>
<p>ESTAR E PERMANECER &#8211; POSIÇÃO E PERSEVERANÇA</p>
<p>Precisamos nos localizar nesta cenário. <em>Onde estamos</em>? João usa diversas vezes o verbo &#8220;<em>estar</em>&#8220;. Em algumas delas, ele se preocupa em &#8220;localizar&#8221; espiritualmente as pessoas. Se guardamos a palavra e amamos os irmãos, isso indica que &#8220;estamos&#8221; em Cristo. Quem não ama seu irmão, &#8220;está&#8221; nas trevas. Finalizando, ele diz que &#8220;estamos&#8221; em Cristo, que é o verdadeiro Deus. (1Jo 2.5-6,9; 5.20).</p>
<p>Podemos ter nossa posição muito bem definida. Entretanto, vamos mantê-la? Um outro verbo muito importante para João é &#8220;permanecer&#8221;. Lembre-se do capítulo 15 do evangelho de João: &#8220;Permanecei em mim e eu permanecerei em vós&#8221;. &#8220;Se alguém permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto”. &#8220;Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora.&#8221; &#8220;Se vós permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós pedireis o que quiserdes e vos será feito.&#8221; &#8220;Permanecei no meu amor&#8230;&#8221;, etc.</p>
<p>Na primeira epístola, esta ênfase continua nos seguintes textos: 2.10, 14,17,19,24,27,28; 3.6,9,14-15,17,24; 4.12-16. Em todos esses versículos aparece o verbo &#8220;permanecer&#8221;. Isso demonstra a preocupação do autor com a perseverança dos irmãos no caminho da verdade. Veja também 2João 1.2,9.</p>
<p>COMBATE AO GNOSTICISMO</p>
<p>João se mostrou bastante combativo em relação ao gnosticismo. Esta palavra vem do termo grego <em>gnosis</em> que significa &#8220;conhecimento&#8221;. Não se deve confundir <em>gnosticismo </em>com <em>gnoseologia</em>, ou “teoria do conhecimento”, em Filosofia.  Os gnósticos criam e ensinavam que a salvação da alma dependia do conhecimento de alguns mistérios só revelados aos que participavam de seus rituais de iniciação. O apóstolo usou então a mesma palavra, &#8220;conhecimento&#8221;, para combater as heresias gnósticas. Tanto no evangelho como na primeira epístola, ele mostrou o que realmente importa conhecer: a verdade, que é o próprio Cristo e o amor, que é o próprio Deus.</p>
<p>O conhecimento sem amor pode causar tragédias. A bomba atômica é um exemplo clássico disto. Lembremos, ainda da dinamite, inventada por Nobel, e também que Santos Dumont suicidou-se num hotel de S. Paulo, em 1932, quando viu aviões bombardearem os paulistas, na Revolução de 1932. Conhecimento sem discernimento moral e espiritual acaba sendo uma tragédia. Em si, o conhecimento de fatos, verdades e teorias não é redentor. Aliás, cabe aqui uma expressão de Michael Green:  “O homem é um gigante tecnológico e um anão ético”.</p>
<p>O verbo &#8220;conhecer&#8221; aparece nos seguintes versículos: 2.3, 13, 14,18,20; 3.1,6,16,19,20,24; 4.2,6,7,8,13,16; 5.2.20. .</p>
<p>A carta destaca também a palavra &#8220;luz&#8221;, que também é um símbolo do conhecimento: 1.5,7; 2.8,9, 10. João a usa desde o prólogo do evangelho. É no seu evangelho que temos registradas as famosas palavras de Jesus sobre ser ele a luz do mundo: 8.12.</p>
<p>Outro verbo similar é o &#8220;saber&#8221;. Essa palavra tem um sentido muito forte, pois não admite dúvida, insegurança, medo nem ignorância. O comentário da Bíblia Thompson chama a primeira epístola de João de &#8220;a carta das certezas&#8221;. O autor usa o verbo &#8220;saber&#8221; de uma forma bastante clara e determinada. (2.3, 5,11,21,29; 3.2,5,14,15; 5.15). Ele diz: &#8220;Sabemos que somos de Deus”. Não estamos perdidos nem confusos. SABEMOS quem somos, onde estamos e para onde vamos.</p>
<p>O gnosticismo afirmava que o mal residia na matéria. Portanto, os gnósticos negavam que Deus pudesse se encarnar. Em relação a Cristo, João escreveu: &#8220;nós ouvimos, vimos, contemplamos, nossas mãos tocaram&#8230;&#8221; (1.1-3). Ou seja, o apóstolo estava afirmando insistentemente que o corpo de Cristo era matéria, pois poderia ser tocado, como de fato o foi. Não se tratava de um espírito, uma aparição, como os gnósticos afirmavam. (4.2 e 5.6). João faz questão de afirmar que foi testemunha ocular do evento chamado Jesus.</p>
<p>OUTRAS PALAVRAS, EXPRESSÕES E CONCEITOS EM DESTAQUE</p>
<p>VIDA &#8211; Este é um termo muito caro a João, que o usa desde o evangelho (veja João 1.4): 1.1-2; 2.16,25; 3.14-16; 5.11-13,16,20. O ensino é que há a vida de Deus para nós por meio de Cristo.</p>
<p>MUNDO – Em João, mundo não significa o cosmos, mas um sistema de valores corrompidos, direcionados contra Deus. Este é o nosso posicionamento: não amamos o mundo; somos odiados por ele e  haveremos de vencê-lo (2.2,15-17; 3.1,13,17; 4.1,3-5,9,14,17; 5.4-5,19).</p>
<p>VERDADEIRO &#8211; Mandamento – 2.8. Luz – 2.8. Unção – 2.27. Jesus – 5.20. Deus – 5.20.</p>
<p>AMOR &#8211; (como substantivo, e o verbo AMAR) 2.5,10,12,15; 3.1,10,14,16-18,23; 4.7-12,16-21; 5.1-3.  Na primeira epístola, o autor usa o verbo amar em diversas conjugações: ama, ameis, amamos, amemo-nos, amado, amados, amou, amar-nos, amo, amar, ame, amemos.  Foi num estudo desta epístola para novos convertidos em Hipona, que Agostinho declarou a célebre frase: “Ama e faze o que quiseres&#8230;”.  Afinal, o amor cobre uma multidão de pecados (1Pe 4.8). Mas esta frase de Agostinho merece bastante cuidados em sua aplicação.</p>
<p>O amor vem de Deus, através de Jesus. &#8220;Ele nos amou primeiro” (4.19). Daí em diante, o amor deve ter livre curso em direção aos irmãos, mas não em direção ao mundo. O amor deve &#8220;circular como sangue&#8221; no Corpo de Cristo, que é a igreja.</p>
<p>COMUNHÃO &#8211; 1.3,6-7. A palavra é <em>koinonia</em>, que traz a idéia de bom relacionamento interpessoal.</p>
<p>MANDAMENTO(s) &#8211; 2.3-4,7-8; 3.22-24; 4.21; 5.2-3.</p>
<p>O QUE SE DIZ E O QUE SE É &#8211; 1.6, 8,10; 2.4,6,9; 4.20;</p>
<p>MANDAMENTOS NEGATIVOS – Há pelo menos dois: NÃO AMEIS o mundo (2.15) e NÃO CREIAIS a todo espírito (4.1). Há coisas certas por fazer e coisas erradas por evitar. Duas deles são a aceitação dos valores do mundo e a credulidade que, costumeiramente, temos para com pessoas dizem falar em nome de Deus. É bom que tenhamos isto em mente.</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>1João é uma carta a qual não damos muito valor. Mas é riquíssima, porque nos mostra os primeiros problemas doutrinários que a igreja enfrentou. E mostra também como ele afirmou a pessoa de Jesus Cristo em sua integralidade, perfeitamente homem e perfeitamente Deus, vindo em carne. Afirma também que o Espírito não é fonte de confusão, como se vê hoje, em tantas comunidades.  Mostra que o Espírito produz uma visão correta da pessoa de Jesus. Isto é algo que nunca deveríamos esquecer.</p>
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		<title>DOIS TIPOS DE DISCÍPULOS</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 03:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Isaltino Gomes Coelho Filho “Respondeu-lhe Felipe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pouco. Ao que lhe disse um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?” – João 6.7-9 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>“Respondeu-lhe Felipe: Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pouco. Ao que lhe disse um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?” – João 6.7-9</p>
<p>Filipe e André são discípulos de Jesus com nomes gregos significativos: “amigo dos cavalos” e “homem”. Um voltado para animais e outro para pessoas. Ambos são mais de bastidores que da linha de frente. São mencionados sempre em papéis secundários, e nunca propriamente de comando.</p>
<p>André é uma figura fantástica.  Viveu nos bastidores e à sombra do irmão, Pedro, que ele levou a Jesus. Sempre com uma palavra positiva e colaborando para decisões. No episódio em tela, Jesus levanta a questão: onde arranjar comida para tanta gente? Já decidiu o que fará, mas experimenta os discípulos. Se foi um teste, do ponto de vista de Recursos Humanos, Filipe foi reprovado e André foi aprovado.</p>
<p>Quando Jesus traz o problema a Filipe, este o agrava: sete meses de salário de um trabalhador não bastariam. Filipe dramatiza o problema. André aponta numa direção. Não chega a dar uma resposta, mas devolve o problema para o Senhor, após mostrar alguma coisa. E a pista de André é assumida imediatamente por Jesus, que age a partir de sua sugestão.  Se fosse se lastrear na palavra de Filipe, Jesus apenas teria o problema com cores mais vívidas.</p>
<p><span id="more-1229"></span>Há gente que nunca tem soluções, e sempre aumenta os problemas. Há gente que busca soluções. E há dois aspectos mais que são elucidativos no estilo de André. O primeiro é que a conversa é entre Jesus e Filipe. Mas André se envolve. Aquilo é com ele também. Ele faz parte do grupo. Problema do grupo é problema dele. Quantos se omitem e acham que o problema é dos outros! Sempre têm uma palavra crítica e desalentadora. Não somam. Aumentam a dificuldade. O segundo é que André vira um menino com um lanche. No meio de uma multidão ele viu um menino e seu lanchinho. Vê e valoriza as coisas pequenas. Deus diz para não desprezarmos as coisas pequenas (Zc 4.10). Coisas pequenas se tornam grandiosas nas mãos de Deus. Nem devemos desprezar as pessoas pequenas. Muitos pastores, missionários e obreiros de valor foram chamados por Deus quando eram crianças.</p>
<p>André é discípulo dos bastidores. Mas se envolve. A coisa é com ele, é dele e ele faz parte do todo. Não censura nem se queixa. Apresenta soluções. Vê a obra de Jesus como sendo algo que lhe diz respeito. E valoriza coisas pequenas.</p>
<p>A vida do homem dos bastidores foi fantástica. Missionário, chegou à Cítia, por isso é o padroeiro da Rússia. É o padroeiro da Escócia, porque teria chegado lá com o evangelho. Assim, a Igreja Anglicana comemora seu dia de missões em 30 de novembro, dia de Santo André. Morreu crucificado na Acaia, Grécia, para onde voltou. Sua agonia durou dias e ele foi posto em uma cruz em forma de x, a cruz de Santo André, o que explica o brasão da cidade deste nome no ABC Paulista. Durante a sua agonia, exortava as pessoas que vinham ver o espetáculo de sua morte a entregarem a vida a Jesus. Evangelizou até morrer.</p>
<p>Um homem dos bastidores, atento, dedicado e consagrado. Envolvia-se com a obra de Jesus e mostrou isso servindo até a morte. Filipe não foi um inútil. Deus o usou. Mas André é o tipo de crente que as igrejas necessitam. Há donos demais nas igrejas. E servos de menos. André é servo. Sem holofote, mas homem leal e útil. Imitemos André.</p>
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		<title>LUZ TEMPORÁRIA, SIM; DEFINITIVA, NÃO</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 03:08:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Ele era a lâmpada que ardia e alumiava; e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.” – João 5.35 Isaltino Gomes Coelho Filho “Luz” é uma das metáforas usadas por João, como verdade, vida, caminho, água, etc. Ele se ligou muito neste estilo de Jesus ensinar. Esta palavra do Mestre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Ele era a lâmpada que ardia e alumiava; e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.” – João 5.35</p>
<p>Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>“Luz” é uma das metáforas usadas por João, como verdade, vida, caminho, água, etc. Ele se ligou muito neste estilo de Jesus ensinar. Esta palavra do Mestre que ele registrou em 5.35 é significativa. Jesus falava de João Batista (v. 33). Os homens se alegraram com sua luz, que era temporária. Mas quando veio a luz verdadeira, que João não era (“Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo” – Jo 1.8-9), eles não quiseram.</p>
<p><span id="more-1218"></span>Numa ocasião, quiseram fazê-lo rei (“Percebendo, pois, Jesus que estavam prestes a vir e levá-lo à força para o fazerem rei, tornou a retirar-se para o monte, ele sozinho” – Jo 6.15). Depois não o quiseram como rei e disseram que César era seu rei (“Mas eles clamaram: Tira-o! tira-o! crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso rei? responderam, os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César” – Jo 19.15). Eis outro contraste registrado por João. Mestre literário, ele sabia tecer o enredo e ligar pontas que, aparentemente, ficavam soltas.</p>
<p>Esta atitude dos contemporâneos de Jesus é um emblema da postura das pessoas que ouvem o evangelho hoje. Elas querem Jesus, querem um Rei, querem Deus, mas <em>soft. </em>Querem Deus, mas não muito. Só o suficiente para serem energizadas para seus negócios, e assim obterem sucesso. Querem um “tantinho” só de Deus. Lembro-me de minha avó Isaltina, me oferecendo café após o almoço: “Só um ‘goliquinho’”. Um pequeno gole, que ela, no falar fluminense, chamava de “goliquinho”. Há gente que quer um “goliquinho” de Deus. Quer Deus, mas domesticado, amestrado, de acordo com suas conveniências. Uma luzinha só basta. Muita luz é problemático. Tais pessoas querem satisfação, mas não compromisso.</p>
<p>Já notou que hoje todo mundo quer ser adorador, e ninguém quer ser servo? Adorar faz bem. Servir é problemático. Exige autodoação e mudança. Ser adorador dá <em>status. </em>“Servo” é termo, mesmo enobrecido espiritualmente, que deprecia. Servo reprime suas emoções para cumprir as ordens do Senhor. Adorador libera emoções. Servo ouve (“Depois veio o Senhor, parou e chamou como das outras vezes: Samuel! Samuel! Ao que respondeu Samuel: Fala, porque o teu servo ouve” – 1Sm 3.10). Adorador fala. Alguns declaram!</p>
<p>Nossos cultos de celebração têm boa freqüência. A Escola Bíblica Dominical, não. Queremos Deus, mas só um pouquinho. Culto alegre, sim. Debruçar-se sobre a Bíblia, não. Ouvi que nos Estados Unidos só 5% dos crentes lêem a Bíblia diariamente. Não deve ser diferente aqui. Basta ver o grande número de crentes sem Bíblia, nos cultos. Um “goliquinho” só de Deus. Porque muito vai mexer em nossa vida. Um Deus que abençoe, que dê saúde, que dê vitória, tudo bem. Traz esta luz para cá. Um Deus que exija, bem, isto é outra história.</p>
<p>Quem é da luz e ama a luz quer luz, e não uma lanterna. “Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus” (Jo 3.20-21).</p>
<p>João era uma luz de pouca intensidade, comparado com Jesus. Ele é o sol: “Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça&#8230;” (M. 4.2). Fique com o sol, não com uma lanterna.</p>
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		<title>À BEIRA DO TANQUE&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 20:57:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Achava-se ali um homem que, havia trinta e oito anos, estava enfermo” – João 5.5 Por que a precisão de João em dizer que o homem estava enfermo há trinta e oito anos, ainda mais quando os judeus apreciavam números redondos, e quarenta era um número com idéia de algo completo? Porque este foi o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Achava-se ali um homem que, havia trinta e oito anos, estava enfermo” – João 5.5</p>
<p>Por que a precisão de João em dizer que o homem estava enfermo há trinta e oito anos, ainda mais quando os judeus apreciavam números redondos, e quarenta era um número com idéia de algo completo? Porque este foi o tempo que Israel passou no deserto: exatamente trinta e oito anos. O homem é um símbolo de Israel.</p>
<p>A multidão ao redor do tanque se compunha de “enfermos, cegos, mancos e paralíticos” (v. 3, Almeida Século 21). Quando o messias viesse, diziam os judeus, os cegos veriam, os surdos ouviriam, os paralíticos saltariam e os mudos falariam. Baseavam-se em Isaías 35.5-6, um texto que fala de águas e ribeiros. Na teologia dos hebreus, a vinda do messias se ligava a curas de cegos, surdos, mudos e paralíticos. Então, Jesus cura um paralítico, anunciando que o messias chegou.</p>
<p><span id="more-1147"></span></p>
<p>A pergunta de Jesus é intrigante: “Queres ser curado?” (v. 6). Pergunta desnecessária. Obviamente ele queria. Senão não estaria ali. Mas Jesus espera que o homem externe sua vontade. E ele não externa! Se a pergunta do Senhor parece sem sentido, a resposta do homem é mais sem sentido: “Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que, ao ser agitada a água, me ponha no tanque; assim, enquanto eu vou, desce outro antes de mim” (v. 7). Não fora isso que Jesus perguntara.</p>
<p>Entendemos o que está sendo mostrado aqui? Primeiro: o messias chegou. Ele está no seu ambiente: águas. Com seu público, os carentes. O messias de Deus, Jesus de Nazaré, veio para os carentes e veio para cumprir o que Deus dissera, em sua Palavra. Segundo: o messias procura estimular os carentes à fé. Toca na necessidade deles. O homem queria andar. Esta era sua carência. Todos nós temos necessidades. O messias nos desperta em nossas lacunas. Terceiro: nossa resposta ao messias nem sempre é sensata. Discursamos ou nos desculpamos ou culpamos alguém ao invés de dizer a ele: “Eu quero, faz isso na minha vida”.</p>
<p>A solução de Jesus é curiosa. Ele manda o homem tomar o leito (um tipo de colchonete) e ir embora. A maca dominava o homem, mas o homem é que deveria dominar a maca. Isto fora dito a Caim: “E se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas sobre ele tu deves dominar” (Gn 4.7). O messias veio com autoridade de nos mandar dominar nossa maca. Não é o pecado que deve nos dominar. Mas nós, que somos “robustecidos com poder pelo seu Espírito no homem interior” (Ef 3.16), podemos dominar o pecado.</p>
<p>O messias não veio para batalhar pilotando aviões de Israel contra árabes e russos. Nem para nos dar riquezas materiais. Veio para nos salvar. Para nos tirar do marasmo espiritual, da apatia, do abandono a que nos entregamos. Veio para refazer nossa vida. Veio pra nos dizer: “Põe-te de pé, domina o que te domina e vai viver”. Jesus pode fazer isso. Jesus tem poder para fazer isto. Jesus faz isto.</p>
<p>Não fique à beira do tanque. Não fique esperando que anjos venham ajudá-lo. O messias diz: “Levanta-te, toma o teu leito e anda” (Jo 5.8). Filho de Deus, põe-te pé, e com a graça e o poder de Jesus, enrola tuas deficiências, e vai viver!</p>
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