<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho &#187; Palestras</title>
	<atom:link href="http://www.isaltino.com.br/category/palestras/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.isaltino.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Feb 2012 13:30:41 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	
		<item>
		<title>A INTEGRIDADE DA PROFECIA</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/01/a-integridade-da-profecia/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/01/a-integridade-da-profecia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 00:11:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>
		<category><![CDATA[Foz do Iguaçu]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2230</guid>
		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Assembléia da Convenção Batista Brasileira, em Foz do Iguaçu, PR, 22.1.12 &#160; INTRODUÇÃO Comecemos definindo os termos, como dizia meu professor de Filosofia, Dr. Reynaldo Purim. Quando falo de “Integridade da profecia”, por “integridade” aludo à completude e ao inter-relacionamento da profecia. Aludo a como ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2012%2F01%2Fa-integridade-da-profecia%2F&title=A+INTEGRIDADE+DA+PROFECIA&desc=Preparado+pelo+Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho+para+a+Assembl%C3%A9ia+da+Conven%C3%A7%C3%A3o+Batista+Brasileira%2C+em+Foz+do+Igua%C3%A7u%2C+PR%2C+22.1.12%0D%0A%26nbsp%3B%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O%0D%0A%0D%0AComecemos+definindo+os+termos%2C+como+dizia&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p align="center">Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Assembléia da Convenção Batista Brasileira, em Foz do Iguaçu, PR, 22.1.12</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Comecemos definindo os termos, como dizia meu professor de Filosofia, Dr. Reynaldo Purim. Quando falo de “Integridade da profecia”, por “integridade” aludo à completude e ao inter-relacionamento da profecia. Aludo a como ela é completa, no sentido de ser um todo, e afirmo que é como um todo que o evento profecia deve ser analisado. E afirmo que suas partes e épocas se relacionam entre si. Para um bom entendimento teológico, ela não pode ser analisada em episódios desconectados uns dos outros. Em uma etapa posterior desta palestra, mostro o que isto implica para nós, em nossa teologia e em nossa ética. É nesta direção que caminharemos.<span id="more-2230"></span></p>
<p>Ao definir “integridade” como sendo sinônimo de completude e de um todo, quero eliminar a visão fragmentária de profecia, como ela fosse destinada por Deus para tratar de questiúnculas de varejo. A profecia bíblica não é um sistema de augúrios, tipo horóscopo, com previsões para a vida dos leitores. Pessoas que parecem não saber administrar sua vida buscam este uso da profecia. Precisam de alguém que lhes diga o que fazer. Geralmente elas encontram algum alegado profeta, que lhes dirá o que fazer na sua vida (quem quer ser iludido sempre encontrará alguém que lhe ajudará neste mister).  Em algumas vezes, neste processo, a Bíblia é usada para pinçar declarações em versículos isolados que são interpretadas por elas como sendo um oráculo divino pessoal. Em muitos segmentos, os alegados profetas que palpitam sobre a vida das pessoas chegam às raias da absoluta ausência de bom senso. Batizei uma jovem advogada que estava em uma dessas igrejas, onde ainda não fora batizada, mas ela e seu namorado já haviam sido designados para serem pastores. A profetisa orientara-os a já morarem juntos antes do casamento. Isto trouxe grande confusão à cabeça da jovem, que procurou uma igreja tradicional, onde a Bíblia fosse ensinada e tratada com reverência. O rapaz, hoje, está no espiritismo. Nem naquela seita permaneceu. Mas ambos foram “vocacionados” pela profetisa porque tinham formação superior e ocupavam funções sociais de visibilidade social. O critério sequer era espiritual, mas sim o quanto o jovem casal daria de visibilidade àquela seita. Muita gente acha que a verdade está na fama, e quando algum famoso professa alguma fé, esta fé deve ser a verdadeira. É por isso que famosos fazem mais sucesso em nossas igrejas com seus testemunhos que os santos homens e santas mulheres de Deus com seu ensino bíblico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. UM POUCO MAIS DE DEFINIÇÃO</p>
<p>Vou andar um pouco por aqui, negando, para afirmar depois o que ela é. Profecia não é adivinhação. O termo hebraico para “profetizar” é <em>nibba’ <a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftn1"><strong>[1]</strong></a></em>, cuja etimologia é bastante disputada. A idéia mais aceita é que se relaciona com o acadiano <em>nabû, </em>“chamar, convocar, proclamar”. Vemos isso no Código de Hamurábi, quando o rei caldeu afirma que ele foi <em>nibit Bel</em> (“vocacionado por Bel”) e que as demais divindades caldaicas o <em>nibiû </em>(chamaram ou nomearam) para ser seu vice-regente na terra. Este parece ser o primeiro registro histórico do termo. Seu sentido ficou sendo o de alguém chamado e designado por alguma divindade. Deste termo <em>nabû</em> vem o hebraico <em>nabhi</em>, “profeta, a pessoa chamada”.  O profeta seria alguém chamado por Deus para entregar uma mensagem, sendo seu representante entre os homens. Esta mensagem que ele transmite é a profecia.</p>
<p>Como a profecia só existe se existir um profeta (anjos não profetizam), a figura do profeta esclarece mais o evento da profecia. Os dois estão intrinsecamente ligados. O profeta era também chamado de <em>ish Elohym</em>, “homem de Deus”, como a sunamita declarou de Eliseu, em 2Reis 4.9 (<em>ish Elohym qadôsh – santo homem de Deus</em>). A expressão designava uma pessoa de uma vida totalmente consagrada a Deus. A profecia dependia, para sua comunicação, de uma relação especial do profeta com Deus.  Outros dois termos que se intercambiavam era <em>hôzeh </em>ou <em>ro’eh</em>, “vidente”. O sentido é mais amplo que descobrir coisas (embora em 1Samuel 9.9, o descobridor de coisas seja chamado de <em>ro’eh</em>). A idéia dos dois termos é que o profeta é o homem que vê aquilo que o mundo não vê. Um exemplo atual: eis os homens brincando com o pecado, apologizando drogas, enaltecendo o homossexualismo, banalizando o sexo, destroçando a família, levantando cercas contra o evangelho e contra Deus. Tudo isto é chamado de progresso e de avanço cultural. Quem se oponha a este arrastão é chamado de fundamentalista, e tido como politicamente incorreto. Mas o profeta é o homem que vê aonde conduz a vida sem Deus e brincando com o pecado. Ele ousa dizer que o aborto indiscriminado é infanticídio. Que o homossexualismo pode ser legal, mas é pecado. Ele é mal visto pelos  donos da informação, que massificam as pessoas e forçam a criação de leis para calá-los. Principalmente porque ousa falar do juízo de Deus. Mas pelo menos fica na companhia de um Jeremias, de um Amós, de um Elias, de um João Batista.  Faz parte de uma rara estirpe de homens sérios que serviram a Deus, sem se importarem com a popularidade de um mundo medíocre.</p>
<p>A profecia bíblica é portadora da verdade de Deus e ela mesma é a verdade de Deus. Profecia não é apenas história ou curiosidade. Menos ainda fofoca sobre alguém. Como está registrada na Bíblia, ela é, numa feliz expressão de Ernest Wright, o relato dos atos de Deus, porque na profecia Deus não apenas falou, mas agiu. Ele não é apenas o Deus que fala, mas é também o Deus que age. A profecia é sua palavra e também a sua ação, isso porque ela está enraizada na história. A história é o palco onde Deus se movimenta<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftn2">[2]</a>. A profecia é histórica porque une palavra e ação.</p>
<p>Assim vemos que o profeta não é um adivinho nem um proferidor de “palavras proféticas” que se cumprirão na vida de alguém. É um oráculo de Deus. E que a profecia é a verdade moral de Deus aos homens, porque a profecia sempre tem um significado moral. Ela não é informativa, mas se propõe a ser formativa.</p>
<p>A profecia é um todo integrado, mesmo com a particularização de destinatários (reis, Israel, Judá, nações pagãs, reis gentios, etc.). Ela é a instrução ao povo sobre a vontade de Yahweh. Por isso, acertadamente, diz Provérbios 29.18: “Onde não há profecia, o povo se corrompe”. A profecia ajudava o povo a se manter nos caminhos do Senhor. Os profetas exortavam o povo ao arrependimento e a uma vida correta com Deus. Havia predições em suas pregações, mas elas eram acessórias e não o fundamental. O fundamental na profecia sempre foi o chamado ao acerto da vida com Deus. A profecia não é, em sua essência, adivinhação ou cognição, mas a transmissão do caráter moral de Deus, com as implicações disto para a vida dos ouvintes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. A CONEXÃO ENTRE PROFECIA E PREDIÇÃO</p>
<p>Comecei o tópico anterior dizendo que profecia não era predição, e o desenvolvi dizendo que na profecia havia predição. Vamos esclarecer bem isto. As predições aparecem na profecia, geralmente como resultado da obediência ou rejeição à Palavra de Deus. Isto fica bem caracterizado nas bênçãos do monte Ebal, e as maldições do monte Gerizim (Dt 27.11 a 28.68). As bênçãos e maldições são previstas como resultado da resposta do povo. Da mesma maneira,  aspecto futurístico das bênçãos de Jacó sobre seus filhos e netos (Gn 49) tem a ver com o procedimento deles. O caso mais claro é a retirada da bênção da primogenitura a Rúben, e a não cessão dela aos sucessores imediatos, o que deveria suceder pelo direito mosaico, Simeão e Levi, que também são apenados. A bênção da primogenitura termina recaindo sobre Judá. A sua apaixonada defesa de Benjamim (Gn 44.16-34), que move o coração de José, mostra como ele mudou e, mesmo sendo o quarto filho, se habilitou a ela.  Sem dúvida que a peça oratória de Judá sucedeu, mas ela é inserida no texto para mostrar porque Judá passou a ser o destinatário da primogenitura. Ou seja, o futuro, segundo a profecia, é determinado pelo caráter e postura diante de Deus no presente em que a profecia é proferida. O elemento preditivo surge como componente do elemento ético. A profecia é um chamado à correção. Aceitando a correção, há bênção no futuro. Não aceitando, há maldição no futuro. Assim surgem as predições. Não são predições pelo hábito de prognosticar, mas para compor o quadro do ensino. Elas fazem parte de um todo.</p>
<p>É neste sentido que aparecem as predições da destruição de Jerusalém, bem como o retorno de Judá do cativeiro, por Jeremias. As profecias messiânicas surgem neste contexto: a restauração da dinastia davídica, após o castigo de Judá com o cativeiro babilônico. No entanto, há aqui uma notável distinção. A bênção da restauração não se liga a algo de bom feito pelo povo, mas ao <em>hesed</em> de Yahweh, que mantinha o pacto de pé. Mas mesmo neste caso, podemos notar que o futuro não era apenas predição, mas tinha um significado teológico. Mais uma vez, o foco não é adivinhar ou vislumbrar o futuro por mero exercício, como se os profetas fossem treinados para lerem o futuro. O foco é o cumprimento da Palavra falada por Deus. Isto fica bem definido na figura da amendoeira que floresce (Jr 1.11-12), com o interessante jogo de palavras, no hebraico (<em>shoqed, </em>“amendoeira”, e <em>shaqed, </em>“vigio”). A predição está sempre ligada a um projeto de Deus na história, e não à satisfação de figuras patéticas que querem diariamente uma “palavra profética” ou um “ato profético” (seja lá o que isso seja) para continuarem suas vidas opacas de significado histórico e sua incapacidade de viverem sem horóscopos e sem gurus.</p>
<p>Em Ageu, o messianismo profético está tão ligado à casa de Davi que Schwantes usou o termo “davidismo” para designá-lo<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftn3">[3]</a>. Deus prometeu, pela aliança davídica (2Sm 7.12-16), que um descendente da Davi reinaria para sempre. O davidismo subsidia o messianismo no cativeiro e no pós-cativeiro imediato. Ou seja, a predição messiânica está ligada à Palavra de Deus, e não a um anseio sociológico, em tempos de cativeiro. Ela já fora anunciada antes, na história. Predição não é adivinhação e faz parte de um processo histórico, não de fragmentos de vidas isoladas.</p>
<p>Este aspecto do elemento preditivo não ser fragmentário, atomizado e pessoal e sim se localizar dentro de um propósito de Deus tem um significado teológico muito rico. Praticamente, quase que toda a teologia do Novo Testamento está contida na nova aliança e no davidismo de Ezequiel e nos cânticos do Servo Sofredor de Yahweh<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftn4">[4]</a>. O elemento preditivo do Antigo Testamento se conecta à nova aliança. Hebreus 1.1-2 deixa isso bem claro. Os atos de Deus na história podem, sem exegese a fórceps, ser inseridos na expressão “de muitas maneiras”. A profecia se liga à história. O Messias é um novo Davi. Lembre-se que o Novo Testamento se abre e se fecha falando de Davi (Mt 1.1 e Ap 22.16). A história realizada do Antigo Testamento é o suporte do Novo Testamento. A profecia se fez história e gerou o Novo Testamento. Por isso, que não rebaixemos o conceito de profecia à adivinhação ou ao ato de algum guru iluminado em fazer declarações sobre a vida de pessoas. Isto é empobrecer ao extremo a idéia de profecia.</p>
<p>Esta integridade se vê no inter-relacionamento entre dois Testamentos. Vários exemplos podem ser aduzidos aqui. Miquéias 5.2 é um desses exemplos que destaco. O texto, produto do oitavo século antes de Cristo, aponta Belém como lugar de nascimento do Messias. Poucas semanas antes do Messias nascer, sua mãe estava em Nazaré, distante de Belém. Na longínqua Roma, um rei pagão edita um decreto, e obriga a mãe do Messias à viagem, e assim a profecia se cumpre. Não foi uma adivinhação, mas ação divina. Que precisou usar um pagão para que ela se cumprisse (como usou Ciro). Ele é Deus sobre os pagãos e os usa quando quer e como quer, sem que nada fique lhes devendo. Mas a escolha de Belém não foi acidental. Coloca-o na linhagem de Davi e da cidade de Davi. Sua criação em Nazaré não foi acidental. É o rei humilde. A profecia traz uma mensagem declarada e muitas vezes  também traz uma implícita, em seus contornos. Mas este exemplo mostra a ação de Deus na história, a interdependência dos dois Testamentos e que a profecia se ocupa de coisas grandes, como o eterno propósito de Deus. Aqui, a predição é altamente profética, mas enraizada na história. O elemento preditivo na profecia não é diletante (“Quem será o campeão deste ano?”)  ou frívola (“Ó profeta, com quem devo me casar?”). É histórico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. O QUE TORNA A PROFECIA POSSÍVEL E COMO ELA SE VIABILIZA</p>
<p>A profecia bíblica é possível e repousa sobre este fato: Deus se relaciona com os homens. Isto é notável desde o Éden e se torna agudo em Êxodo 3.18 (“E ouvirão a tua voz; e irás, com os anciãos de Israel, ao rei do Egito e lhe dirás: O SENHOR, o Deus dos hebreus, nos encontrou. Agora, pois, deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, a fim de que sacrifiquemos ao SENHOR, nosso Deus “), que é conhecido como a entrada de Yahweh na história de Israel. O verbo “encontrou” é bastante significativo. Não significa que ele houvesse perdido Israel, mas sim que veio recuperar Israel do cativeiro. Ele entrou na experiência do povo. A profecia existe porque Deus é um ser relacional. Neste relacionamento, por um ato da sua graça e da sua soberania, ele elege pessoas que se tornam seus profetas. A primeira ocorrência do termo “profeta” está em Gênesis 20.7, e se refere a Abraão. O significativo é que o termo não tem nenhuma conotação com vidência ou um significado teológico especial, mas com o caráter de Abraão. “Ele intercederá por ti”. O primeiro uso do termo <em>nabhi </em>se aplica a um homem por quem Deus tinha especial atenção e que deveria ser acatado. Ele era portador de bênção ou maldição para o rei. O profeta é um homem de relacionamento especial com Deus. Yahweh é o Deus da graça, do <em>hesed</em>, escolhe os seus, cuida deles, e os usa como canais para comunicar sua graça do mundo.</p>
<p>Sara não podia gerar um filho de Abimeleque. Ela seria a geradora da família eleita. Observe que a questão do profeta (e por extensão, a profecia) se liga, mais uma vez, à teologia e ao propósito histórico de Deus.</p>
<p>Porque é um ser relacional, Deus deseja manter bom relacionamento com seu povo, e o instrui para isso. O texto de Oséias 4.6 é bem claro: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”) . Chamo a sua atenção para o fato de que “conhecimento”, aqui, não é cognitivo. Muitas vezes o texto foi usado para dar base à educação religiosa e a necessidade de dar conhecimento bíblico ao povo. O hebraico é <em>da’at</em>, com o sentido de relacionamento vivencial e não cognitivo. É o verbo usado em “E Adão <em>conheceu </em>a Eva, sua mulher” (Gn 4.1). <em>Da’at </em>é conhecimento mais profundo e pessoal que se pode ter. Deus não está dizendo que faltam informações ao seu povo, mas sim que lhe falta relacionamento pessoal com ele. A profecia é transmissão de vida, e não de dados. No contexto de Oséias se entende que a profecia é para trazer o povo ao relacionamento correto com Deus. Correto não necessariamente em ortodoxia, mas em ortopraxia, no relacionar-se com Deus. A profecia é o chamado ao povo para andar corretamente com Deus. Isto pode ser visto como o desejo de Deus, bem expresso a Abrão: “Eu sou <em>El Shadday</em>, anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1).  A profecia é um chamado à retidão, ao <em>da’at</em>, ao <em>hallaq </em>(andar) com Deus.</p>
<p>A profecia é íntegra quando chama o homem a andar com Deus. O profeta é um <em>ish Elohym, </em>que por ser homem de Deus pode chamar os homens a andarem com Deus. Por desdobramento, ela se viabiliza por homens e mulheres santos, que Deus usa.</p>
<p>O pregador cristão, como profeta, como <em>ish Elohym</em> (homem de Deus)<em>, </em>como <em>hôzeh </em>ou <em>ro’eh </em>(aquele que vê o mundo com os olhos de Deus) deve transmitir vida. Ele não é um professor de curiosidades bíblicas, mas proclama a Palavra Viva de um Deus Vivo, proclama a Palavra que transmite vida. Por isso, ele não pode ser uma figura errática nem insegura. A moda hoje é não ser diretivo nem politicamente incorreto. Segundo tal posição, não podemos dizer que temos a verdade e que fora da mensagem que pregamos não há salvação e que as pessoas estão erradas. Mas o profeta tem convicções e não se subordina a conveniências culturais, porque a profecia, se é calcada na verdadeira Palavra de Deus, e não em <em>insights </em>humanos, é a verdade. É absoluta e não condicional. E se um homem não tem esta convicção, ele não é um profeta. E o que ele prega não é profecia. Moralmente, o mundo não é íntegro. A profecia, se realmente for bíblica, é moralmente íntegra, porque expressa a vontade de Deus que é “boa, perfeita e agradável” (Rm 12.2). A profecia sempre terá um elevado componente moral. E os profetas devem ser homens de moral elevada. Pigmeus espirituais nunca poderão ser profetas. A sunamita expressou bem. O <em>ish Elohym </em> deve ser <em>qadosh. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. A PROFECIA É BÍBLICA E NÃO PLATÔNICA</p>
<p>Para ser íntegra, a profecia não pode ser um exercício platônico, na concepção de que saber é ser. Bastaria, então, dizer alguma coisa sobre Deus que as pessoas mudariam, porque saberiam alguma coisa sobre ele. Nossa sociedade tem este viés platônico: acha que se alguém sabe o certo fará o certo. Por isso há tanta ênfase em conscientizar, em nossa cultura. Ao invés de multar o motorista alcoolizado, vamos conscientizá-lo. Tudo se resolve com uma campanha de informações. Quero ressaltar bem este ponto: <em>o profeta não é um informador e a profecia não é informação. </em>O profeta é um pregador e a profecia é uma pregação. A pregação profética não pode omitir um evento teológico fundamental, a Queda. O homem é caído e sempre recusará a voz de Deus. A profecia íntegra sempre deve conter um aspecto moral: Deus é Santo, os homens são pecadores e devem se arrepender de seus pecados. As chamadas para a bênção, felicidade, prosperidade e saúde plena não são o cerne da profecia. De passagem: uma teologia bíblica equilibrada não pode ignorar a Queda. Muitos pregadores foram massificados pelo Iluminismo que molda nossa cultura ao invés de se encharcarem das Escrituras. Acreditam piamente na bondade humana. Ouvi um desses pregadores dizer que “a missão da igreja é despertar nos homens o que eles têm de melhor”. De onde veio tal idéia? Há alguma passagem bíblica que a respalde? A missão da igreja em geral e do profeta em particular foi bem caracterizada por Paulo: “De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2Co 5.20). Todas as vezes que a Queda é ignorada a teologia fica manca. O profeta se torna como os adversários de Jeremias, que só profetizavam coisas boas para o povo, e não a vontade de Deus. E a profecia não é massagem no ego de pecadores, mas o anúncio de que eles devem ajustar suas vidas às exigências de Deus.</p>
<p>Na realidade, o ambiente em que a profecia se desenrola é um campo de batalha espiritual. Não nos moldes de alguns “batalheiros”, cujo ensino se parece mais com “Guerra nas estrelas” que com o ensino bíblico. Jeremias travou uma dura batalha espiritual com os falsos profetas. Amós a travou com Amazias. Elias com os profetas de Baal. Paulo com Elimas e com os falsos apóstolos. Anunciar o desígnio de Deus é estar em batalha espiritual, não em recreio espiritual. A profecia proclamada suscita a reação dos poderes do mal. É por isso que o profeta precisa ser um <em>ish Elohym. </em>A questão não é de conhecimento, mas envolve luta espiritual. Por isso que o pregador não dá apenas informações, mas prega à mente e às emoções dos ouvintes. Pregamos para mover mentes e corações.</p>
<p>Muito do que o neopentecostalismo chama de profecia são generalidades e abstrações para comandar ou agradar pessoas. A profecia autenticamente íntegra e bíblica é bem definida, não abstrata, e visa, além da chamada ao arrependimento, o amadurecimento do povo de Deus. Lemos em Efésios 4.11-14: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”.  Volto ao que disse anteriormente: a profecia é formativa e não informativa. Ela é instrumento que o Espírito Santo emprega para nosso amadurecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5. AS MARCAS DA INTEGRIDADE DA PROFECIA</p>
<p>Há muita coisa chamada de “profecia” em nosso tempo. Como podemos distinguir entre o que seja a verdadeira e íntegra profecia e o que seja apenas criação humana? Mostrei algumas marcas morais, mas há algumas marcas notáveis no conteúdo. Elas são mostradas por Archer <a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftn5">[5]</a>, aludindo ao profeta. Amplio-as para a profecia. Aliás, neste trabalho, não dissocio os dois, profecia e profeta.</p>
<p>(1) A profecia servia para encorajar o povo de Deus a confiar exclusivamente na graça de Deus, e no seu poder libertador, e não nos méritos de força ou capacidade humanas. A profecia chama para confiar na graça de Deus, e não no homem. Jeremias 17.5-7 traduz isso muito bem: “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja esperança é o SENHOR”. Toda profecia que não ponha o foco na graça de Deus e que exalte a pessoa é falsa. Profetas que se colocam sob <em>spotlights </em>não são dignos do título. Profetas que amam os holofotes usurpam a glória de Deus.</p>
<p>(2) A profecia avisava ao povo que a segurança e a bem-aventurança dependiam de sua fidelidade à aliança. Esta aliança não era apenas de conteúdo doutrinário, mas exigia submissão sincera a Deus, em atos de amor. A <em>shemá </em>(Dt 6.4) e seu versículo imediato traduzem isto muito bem: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força”.  A profecia leva à confiança em Deus e a um amor genuíno por ele.</p>
<p>(3) A profecia encorajava Israel quanto ao seu futuro. Não se trata de futurismo, mas daquela atitude de saber que a vida está nas mãos de Deus. As Escrituras têm este poder. Seu ensino profético mostra que Deus está no controle e que as coisas terminarão onde ele deseja e determinou que elas terminassem. Quem expressou isto muito bem foi Paulo: “Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte”(Fp 1.20) e também “O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (2Tm 4.18). A profecia (neste caso da segurança de Paulo trata-se da profecia do Novo Testamento) infunde segurança ao povo de Deus. Ele tem tudo em suas mãos!</p>
<p>(4) A profecia hebraica mostrava sua natureza de algo vindo de Deus quando se cumpria de maneira objetivamente averiguável. Archer cita Deuteronômio 18, sem mencionar os versículos, em defesa desta afirmação. Devem ser os versículos 21-22, que dizem: “Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele”. Embora sua afirmação tenha respaldo bíblico, Archer  não apresentou todo o ensino sobre o que qualificava a profecia como vinda de Deus. Não era o cumprimento de algo que foi dito que tornava o que foi dito uma profecia vinda de Deus. Eis Deuteronômio 13.1-3: “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma”.  O padrão não é o cumprimento, mas se a profecia se coaduna com a Palavra de Deus. Tal profeta, ainda continua o texto de Deuteronômio, deveria ser morto porque falou rebeldia contra Deus (v. 5). O padrão é a Palavra de Deus. Qualquer profecia que colida contra os ensinos claros da Bíblia devem ser rejeitados. O parâmetro para se avaliar a integridade da profecia bem como qualquer palavra pronunciada como se fosse de Deus é a Bíblia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6. UMA JUNÇÃO DE PROFECIA E PROFETA</p>
<p>Praticamente tratei disto em toda a palestra. Mas vamos ser específicos, agora. A profecia não existe à parte do profeta. Deus não envia mensagens no éter, no vácuo. Até a mão que veio do nada e escreveu na parede (Dn 5) dependeu de um intérprete humano. A revelação natural, tão bem narrada no Salmo 19.1 e em Romanos 1.18-20, pode mostrar “seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade” (Rm 1.20), mas não seu propósito eterno para o homem. Isto só a revelação nas Escrituras e em Cristo pode fazer. O profeta anuncia os atos de Deus.  As marcas da integridade na profecia devem se fazer presentes na vida do profeta.</p>
<p>O profeta deve encorajar o povo de Deus a confiar exclusivamente na graça de Deus, e no seu poder libertador, e não nos méritos de força ou capacidade humanas. Deve avisar à igreja que a sua segurança e a sua bem-aventurança dependem da aliança que Jesus fez conosco, através do seu sangue. Deve avisar o mundo sem Cristo que ele precisa aceitar esta aliança ou estará perdido. Deve encorajar a igreja quanto ao seu futuro. Agora ela é Militante, mas a profecia neotestamentária nos avisa que ela será Triunfante. Ela não deve temer. O profeta contemporâneo aviva na igreja a mensagem de Romanos 8.18: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”.</p>
<p>E, por último, mas não o menos importante: o profeta é escravo da Palavra de Deus. Ela é senhora dele, de seus pensamentos e de sua pregação. Ele deve ser um homem íntegro, moral e teologicamente, porque prega uma mensagem íntegra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>A profecia é íntegra, no sentido de ser completa. Afirmo que a Bíblia é uma imensa obra profética, porque é a revelação de Deus. Ela nos fala dele. O que o homem precisa saber de fundamental para sua vida está nas Escrituras. Não é preciso que lhe venha algo de fora.</p>
<p>A profecia é íntegra, no sentido moral. Pode haver muitas coisas no Antigo Testamento que não conseguimos entender. Outras que nos chocam, como o aleijamento de cavalos, em 2Samuel 8.4 e 1 Crônicas 18.4. Mas a profecia do Antigo Testamento é ampliada e esclarecida no Novo Testamento. E é este que serve de padrão. Temos esquecido este aspecto hermenêutico fundamental e básico: é o Novo Testamento que interpreta o Antigo e que o esclarece. O Antigo subsidia o Novo, mas o Novo é a palavra final. Assim, a revelação se completa nas Escrituras. Se, eventualmente, houver alguma revelação, ela deve ser aferida pelas Escrituras, e mais particularmente pelo Novo Testamento. Mas quanto a mim, pessoalmente, ela me basta. Não preciso de um Joseph Smith com seu exótico livro do Mórmon. Nem dos escritos de Ellen White, que, segundo o ex-adventista Ubaldo Ribeiro, na assembléia da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Dallas, EUA (1980), foi considerada como “inspirada no mesmo sentido em que o são os profetas da Bíblia” e, “como mensageira do Senhor, seus escritos são uma continuação e fonte autorizada de verdade&#8230;”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftn6">[6]</a>. Isso colocou  seus escritos estão em pé de igualdade com  os escritos bíblicos. Em determinadas circunstâncias, superam a Bíblia porque “esclarecem” seus ensinos.</p>
<p>A Bíblia é íntegra e completa. Ela nos basta em termos de nos ensinar sobre Deus. É uma grande profecia, porque é um grande ensino.</p>
<div></div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftnref1">[1]</a>  ARCHER, Gleason. <em>Merece confiança o Antigo Testamento?</em> S. Paulo:  Edições Vida Nova, p. 333.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftnref2">[2]</a> Wright comenta isto com precisão e felicidade em <em>O Deus que age, </em>editado pela ASTE.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftnref3">[3]</a> Ele a expõe em sua obra <em>Ageu, </em>editada pela Sinodal.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftnref4">[4]</a> A quem se interessar, posso enviar minha dissertação de mestrado intitulada “Os sofrimentos do Messias e sua aplicação para nosso tempo  -– uma avaliação da teologia da prosperidade à luz dos cânticos do Servo Sofredor de Isaías”.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftnref5">[5]</a> ARCHER, p. 336. Eu as aceito e faço um reparo à quarta marca.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/A%20INTEGRIDADE%20DA%20PROFECIA%20-%2029.12.docx#_ftnref6">[6]</a> ARAÚJO, Ubaldo. <em>O Adventismo</em>, sem indicações, 1981, p. 96.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/01/a-integridade-da-profecia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>APOIO E PRESENÇA DE DIÁCONOS EM CAMPOS MISSIONÁRIOS</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/12/apoio-e-presenca-de-diaconos-em-campos-missionarios/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2011/12/apoio-e-presenca-de-diaconos-em-campos-missionarios/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 20:39:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2179</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Preparado para o 1º. Encontro dos Diáconos da Região Norte, em Belém do Pará, dia 12.11.11 &#160; INTRODUÇÃO – ONDE SE LEVANTA A TESE A DISCUTIR Eis-nos diante de uma das mais sensatas questões que já vi, em debates sobre o diaconato. Eu mesmo nunca desenvolvera o assunto anteriormente, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2011%2F12%2Fapoio-e-presenca-de-diaconos-em-campos-missionarios%2F&title=APOIO+E+PRESEN%C3%87A+DE+DI%C3%81CONOS+EM+CAMPOS+MISSION%C3%81RIOS&desc=Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%0D%0APreparado+para+o+1%C2%BA.+Encontro+dos+Di%C3%A1conos+da+Regi%C3%A3o+Norte%2C+em+Bel%C3%A9m+do+Par%C3%A1%2C+dia+12.11.11%0D%0A%26nbsp%3B%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O+%E2%80%93+ONDE+SE+LEVANTA+A+TESE+A+DISCUTIR%0D%0A%0D%0AEis-no&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">Preparado para o 1º. Encontro dos Diáconos da Região Norte, em Belém do Pará, dia 12.11.11</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO – ONDE SE LEVANTA A TESE A DISCUTIR</p>
<p>Eis-nos diante de uma das mais sensatas questões que já vi, em debates sobre o diaconato. Eu mesmo nunca desenvolvera o assunto anteriormente, mas já o notara em meus estudos bíblicos. Quando escrevi o livro “Atos – de Jerusalém a Roma”, isto se me fez mais agudo, porque foi algo que me saltou aos olhos. Fiquei com a ideia na cabeça. Armazenei-a, para um dia fazer o download mental e desenvolvê-la. Agora me designam este tema.  E de quebra, tive três dias inteiros para refletir sobre ele, em Parintins, onde fui realizar pregações. Em Macapá, as múltipas atividades me desviariam do assunto. Na cidade dos bois Garantido e Caprichoso, pude refletir mais sobre o tema. E, longe de casa, com saudades da minha boa igreja e de minha excelente esposa, o remédio foi aplicar-me a este trabalho para não sentir saudades.<span id="more-2179"></span></p>
<p>Estou sendo enigmático?  Explico-me.  O oficio diaconal ficou restrito, em nossas igrejas,  às atividades secundárias da vida eclesiástica. Por vezes, atividades gerenciais e adstritas ao prédio e às finanças da igreja local. Podem variar as atividades, mas em linhas gerais, é isto: diaconato se tornou a ministração da ceia, da beneficência e o cuidado do pastor (a célebre teoria das três mesas). Acresçam-se algumas atividade e outros aspectos mais que ora me fogem, mas em linha geral é isto.</p>
<p>A idéia de um ofício diaconal, no Novo Testamento, remonta a Atos 6.  O versículo 2 traz a expressão “Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas”. Literalmente, o “sirvamos” é “diaconemos”, no texto grego. Se acompanharmos a etimologia de <em>diákonos</em> e virmos sua origem, a leitura correta seria “garçonemos”. Esta fala dos apóstolos designa uma espécie de hierarquia de atividades. O ofício de proclamação da Palavra precede, em importância, ao ofício de beneficência. Por extensão, a tarefa de pregar não deve ser prejudicada por tempo dispensado à vida funcional e burocrática da igreja. Assim, sete homens são escolhidos. Serem  “sete” é questão bastante comentada, mas foge-nos ao alvo. O ponto central é este: <em>sete homens foram escolhidos para servir às mesas, mas nós não os vemos servindo às mesas, e sim pregando e fazendo missões.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>1. A JUSTIFICATIVA DA TESE</p>
<p>Os personagens são elegidos (v. 5), apresentados aos apóstolos (v. 6) e estes (só eles,  não a igreja) lhes impuseram as mãos, após orarem (v. 6). A imposição de mãos, neste contexto, tem função tríplice: (1) Com a imposição de mãos, os  apóstolos lhes transmitem “autoridade” e não “poder” espiritual. Para isto, devemos empregar o termo  “exsousía”, algo que se recebe de fora, não sendo intrínseca, mas extrínseca. O termo não aparece no texto, mas a imposição de mãos tinha esta finalidade; (2) Reconhecem o ofício (como o ofício real, profético ou sacerdotal); (3) E os consagram (não “ordenam”, mas “consagram”) ao ofício que a igreja aceitou e Deus orientou na escolha, após oração.</p>
<p>O versículo  7 se inicia pela nossa conjunção “e”, conectando a consagração dos sete  (v. 6) com a divulgação da Palavra e conversão de pessoas. A inferência lógica é que os diáconos desembaraçaram os apóstolos para pregar e assim houve este resultado. No entanto, o versículo 8 começa com um “Ora”. Ainda está se tratando do assunto “a escolha dos sete”. Ele descreve a atuação do primeiro nome da lista dos diáconos, Estêvão. A inserção de seu nome em primeiro lugar na lista indica, para alguns, que ele era o líder dos sete, o presidente do corpo diaconal. O que fazia Estêvão? Não o trabalho dos sete, mas o trabalho dos apóstolos. No capitulo 8 temos o relato da ação de outro personagem do grupo dos sete, Filipe. É o segundo nome da relação. Mantendo a linha de alguns comentaristas, o vice-presidente do grupo. E sua atividade não é servir mesas, mas como diz o versículo 5: “pregava-lhes a Cristo”.  Ele volta ser mencionado em Atos 21.8. Diz-se claramente que ele era um dos sete, mas o título que recebe é “o evangelista”. Não há menção a atividades dos outros. A história da igreja registra um bispo Nicolau, mas  não é seguro  associá-lo com o deste nome, na lista dos sete.</p>
<p>Eis o ponto: <em>dos homens escolhidos para servirem às mesas, os dois primeiros se notabilizaram por serem evangelistas. </em>Lembro que o termo, em Atos, tem a conotação de<em> missionários. </em>Por isso, é mais que justo presumir que os diáconos fossem pessoas que também praticavam evangelização e missões.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. O DIÁCONO DEVE TER VISÃO GLOBAL DO REINO DE DEUS</p>
<p>Um problema grave em nosso momento é a múltipla especialização de atividades no Reino de Deus. Confundindo a diversidade de dons com profissionalização e setorização do Reino, encontramos pessoas que são especialistas numa área e se omitem das demais. Há o músico que não se envolve em área alguma que não seja a sua. O educador que só vê sua atividade. O evangelista que acha que é a pessoa mais importante na vida da igreja e se exime do restante. O administrador que sequer participa de reuniões espirituais. Na hora do culto fica zanzando pelas instalações do prédio “para ver se tudo está em ordem”. Há burocratas  de agências denominacionais que só cuidam das atividades de escritório de sua instituição, e nem dizimistas são. Mas que esperam apoio da igreja local ao seu trabalho. Esta visão fragmentária da igreja (expressão visível do Reino) é prejudicial ao seu desenvolvimento.</p>
<p>A atitude de Estêvão e Filipe nos mostra que o diácono deve ter visão global do Reino. Isso implica em que ele cultive a compreensão de que não é um burocrata especializado em mesas da igreja, mas um cristão assumido e comprometido com a causa. Ele não pode ter função única e sim múltipla.</p>
<p>Dos diáconos à região Norte, que é um campo missionário. É o meu campo missionário. É o nosso porque é a nossa região.  A Amazônia é um desafio à evangelização. Em si, ela já é um impacto na vida de quem tem sensibilidade emocional e espiritual.  Parodiando um de meus conterrâneos (não sei se foi Vinícius de Moraes ou Stanislaw Ponte Preta) que disse que “ser carioca é um estado de espírito”, digo que “ser amazônida é uma paixão da alma”, mais que certidão de nascimento.  A região é belíssima e entranha-se na alma de quem a vive, e não de que quem apenas vive nela. Mas é, ao mesmo tempo, um enorme desafio à evangelização. Li que das vinte melhores estradas do Brasil dezenove estão em São Paulo. Estradas do Brasil são horríveis, mas as piores estão na Amazônia. Além disso, aqui, as distâncias são grandes. Lembro-me, quando comecei a trabalhar na região, em 1993, com o choque que tive: as distâncias, no Amazonas, não eram medidas em horas ou quilômetros, mas em dias. “Fulano está a dez dias de viagem”. No Amapá, se a gente consegue passar com uma caminhonete, a 30 km por hora, “a estrada está boa”. Êta povo otimista o amapaense! Povos da floresta, população ribeirinha, comunidades isoladas, cultura diferente. Esta é uma região em que não se pode brincar de igreja e de ser cristão. Quem conhece o interiorzão sabe disso.  A área geográfica é enorme, e a dificuldade de movimentação lhe é proporcional. Não dá para prescindir de obreiros para evangelização e missões. E os diáconos são mão de obra especializada. Não em servir mesas, mas porque são “de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6.3). Gente assim não pode ser subutilizada, cuidando apenas de aspectos da burocracia eclesiástica. É mão de obra espiritualmente qualificada, e em alto nível, se o critério for bíblico e não social, econômico ou para aquietar alguma família que se julga dona da igreja. O critério bíblico não é que sejam tirados dos mais qualificados na política eclesiástica, mas os mais qualificados espiritualmente. Costumo dizer que “os missionários são a elite das tropas de Deus”. Os diáconos deve ser a elite espiritual da igreja (embora haja certo contrassenso na frase, vá lá!). Prezados diáconos: que elite vocês são, a política ou a espiritual? E quem é elite espiritual tem o coração ardendo com evangelização e missões. Não as vê como secundárias em sua vida, reservando-se a servir mesas e se entrincheirar na administração eclesiástica.</p>
<p>Na realidade, uma das tarefas dos diáconos deveria ser, à luz do espírito subjacente à proposta de sua escolha, exatamente diminuir os efeitos da burocracia da igreja local. Aspectos secundários não podiam se sobrepor ao essencial. Há igrejas estruturadas como megacorporações e seus membros exultam com isso, porque acham que a complexidade eclesiástica é sinal de crescimento.  E não é.  A complexidade é sinal de ensimesmamento, ou seja, a organização chamada “igreja” está despendendo mais tempo para cuidar de si do que para a função que foi criada. O secundário se torna mais importante que o essencial. A igreja primitiva brotou da estrutura da sinagoga (inclusive em termos de liturgia, que não veio da liturgia do templo). As viúvas eram cuidadas pela sinagoga. Convertidas, ficaram sem assistência. A igreja era, neste sentido, a sinagoga delas. Mas as sinagogas foram criadas como centro de ensino da Torah, e com toda probabilidade, no cativeiro. Foram exatamente a simplificação da religião. Os diáconos surgiram para evitar a complexidade que ameaçava a função primordial da igreja, e não para aumentá-la. Diáconos não devem ser pessoas confinadas à burocracia do templo e que, para justificar sua existência, aumentam-na, criando um gueto.</p>
<p>Diácono de verdade tem paixão pelo evangelho de Jesus. É integrado na igreja e na região onde ela está, não sendo um quisto cultural. Estêvão e Filipe não eram burocratas eclesiásticos, mas pessoas envolvidas na evangelização.</p>
<p>Falei de homens, mas se entendermos, como me soa, que Febe era diaconisa (Rm 16.2, ver rodapé na VR), é oportuno considerar que a menção especial a ela, nos termos dispostos, a torna a possível portadora da carta aos romanos. Com toda a probabilidade não fora lá a passeio. Uma carta como esta não seria entregue a uma turista despreocupada, mas a uma oficial da igreja. Não forçarei a situação ao dizer que esta diaconisa foi lá como missionária.</p>
<p>Posso concluir este tópico dizendo: há três diáconos citados como tais, no Novo Testamento. E os três evangelizavam e missionavam. Aplicando este princípio à nossa região, o diaconato não pode ser um ofício para ser exercido no templo e restrito à burocracia ou a um momento da liturgia. Porque Estêvão, Filipe e Febe se tornaram conhecidos por atividades extra-prédio. O diácono há que ser um evangelista, pregador leigo, envolvido com missões, na vanguarda da ação fora do templo e não apenas alguém que cuida de um jardinzinho eclesiástico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. O DIÁCONO – UM CONTRAPONTO ÀS NOVIDADES DOUTRINÁRIAS</p>
<p>Vamos definir bem a questão. Não me passa pela cabeça tornar os diáconos em cães de caça na igreja. Mas ressalto um ponto: a introdução de esquisitices doutrinárias nas igrejas tem sucedido a partir do ministério pastoral. O espírito de competição, o sonho da megaigreja e o desejo de escrever o nome em gás néon têm levado muitos obreiros ao exotismo doutrinário e litúrgico. Recordo-me de um colega ter dito, sobre as pessoas estarem levando fotografias de parentes para serem “benzidas” por ele, com oração e “óleo ungido” (o que é exatamente, óleo ungido? Como e com quê se unge óleo?). Ante meu espanto, ele me disse: “Eu não creio nisso, mas as pessoas se sentem bem e vêm ao culto por causa disso, aí ouvem a Palavra”. Jesuitismo puro: <em>os fins justificam os meios. </em></p>
<p>Tempos atrás escrevi um artigo intitulado “O valor da EBD”. Nele afirmei que um dos sinais de que a igreja corre risco doutrinário é quando o pastor deseja extinguir o ensino da Bíblia pelos chamados “leigos”, e assim acaba com a EBD. Ele se coloca como a única pessoa credenciada para ensinar as Escrituras. O material para estudo nos grupos é preparado por ele ou por ele escolhido.  Declarei ainda que a Escola Dominical é antídoto às heresias. Porque nas classes as questões são debatidas. Os professores, em boa parte das vezes, a maioria das vezes, são pessoas que moram na região da igreja, membros há tempos, conhecem-na, sabem de seus anseios, de seu jeitão de ser, estão lá antes do pastor, e depois que ele se for continuarão lá.</p>
<p>Um pequeno parêntesis e volto a esta linha: muitas igrejas têm errado em pressupor que a maior necessidade do professor da EBD é ter noções pedagógicas. Assim elas acham que quem é professor secular será um bom professor na EBD. Desta maneira acontece que esses professores trazem os mesmos vícios e as mesmas falhas de um sistema educacional secular falho e fraco, que não tem dado certo, para dentro da igreja. A primeira coisa que tais pessoas fazem, e isto parece doença de professor, é se queixar: da falta de recursos, de ambiente especial, de tecnologia educacional, da má vontade dos alunos, da falta de apoio da liderança, etc. Até o vocabulário passa a ser o mesmo: colocar (ao invés de dizer), tematizar (ao invés de desenvolver), conteúdos (no plural!), etc. Exatamente como no magistério secular, e para ser mais semelhante ao magistério secular, falta o <em>mea culpa. </em>Nunca ouvi professor dizer: “O problema sou eu”. Fechemos o parêntesis.</p>
<p><em>                        </em>Volto ao ponto. Os três diáconos que são mostrados em ação na Bíblia são mostrados em ações ligadas ao ensino das Escrituras. Dois pregando e uma portando a carta aos romanos. E agora junto as pontas: não basta evangelizar e fazer missões. É preciso doutrinar ou discipular, termos que soam sinônimos. Porque a Grande Comissão traz “ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado&#8230;” (Mt 28.20). O “ensinando” é, literalmente, “discipulando”. Muita gente usa esta expressão para justificar seu conceito de discipular: reproduzir pessoas à sua imagem e semelhança. Mas o ensino na igreja é para levar as pessoas ao “pleno conhecimento do Filho de Deus,  ao estado do homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13) e não para produzir clones do discipulador.  É incrível como alguns discipulados repetem até o tom e a inflexão de voz do líder do seu grupo. Agora, virou moda a figura do pastor peripatético, com microfone na mão, andando para lá e para cá, mancando das duas pernas, imitando certo pastor televisivo. Só falta colocarem um chapéu na cabeça.</p>
<p>Se os diáconos são extraídos das pessoas espiritualmente mais gabaritadas da membresia da igreja eles devem discipular e firmar as pessoas na Palavra. O melhor professor da EBD não é, necessariamente, o que domina a melhor didática, mas o que tem boa vida cristã. Verdade é que se pode ter boa vida cristã e didática, mas aquela se sobrepõe a esta. Porque o conteúdo (no singular) da fé cristã é Jesus Cristo. O bom doutrinador não é o que conhece versículos bíblicos ajustáveis a certos assuntos, mas aquele que tem o caráter de Cristo introjetado em sua vida. O diácono deve ser uma pessoa firme em Cristo, que sinalize aos novos convertidos como andar em Cristo. Ele deve ser alguém que ande com Jesus, por isso foi escolhido pela igreja. Deve ter um coração ardente por evangelização e missões e deve ter preocupação em que os alcançados sejam firmados na fé.</p>
<p>Fecho o ponto. O diácono deve ser um cristão maduro no caráter e no conhecimento da Palavra. Deve ser um doutrinador. Sem rasgar seda e sem falsa humildade, como também sem desejo de apedrejar alguém: os problemas doutrinários na igreja têm vindo de cima, e não de baixo. O diácono deve ser uma pessoa leal ao seu pastor, mas seria bom lembrar Aristóteles: “Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade”. <em>Mutatis mutandis&#8230;</em></p>
<p><em>                        </em>Num campo como o nosso, em que vicejam esquisitices, o diácono tem papel fundamental na preservação do resultado do trabalho evangelístico e missionário. Ele deve ser, por determinação bíblica, uma reserva moral e espiritual. E, por necessidade de nossas igrejas (o diaconato surgiu por uma necessidade da igreja), deve ser uma reserva missionária e doutrinária.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Pensará alguém que carreguei nas tintas (ou no teclado). Talvez seja porque nos acostumamos a abordar a questão por outro ângulo. Mas, como pastor de igreja e como líder denominacional (mesmo que sendo de pouca relevância) é isto o que espero de diáconos. Não tenho problema algum em conviver com diáconos e demais líderes que abraçassem o que apresentei aqui.</p>
<p>A presença diaconal em nossa região, que é campo missionário, é tímida. Tem sido intramuros e eclesial, paroquial mesmo. Precisa ser mais expressiva. Isso eu detecto, mas não viabilizo. Os diáconos é que devem viabilizar. Ninguém deu ordens a Estêvão e a Filipe. Não me consta que Paulo tenha coagido Febe a ser missionária, levando orientação discipular da Cencréia até Roma. Pode até ter pedido, mas o sistema eclesiástico que brota no Novo Testamento não parece ser piramidal. As vocações e as disposições são obra do Espírito. Por isso, que os diáconos ouçam a voz do Espírito Santo, não no alarido litúrgico, mas na carência do campo onde Deus os colocou e a igreja os reconheceu como dignos de tal honra.</p>
<p>Parafraseando Stott, com o seu livro <em>Ouça o Espírito, ouça o mundo, </em>eu digo: <em>Ouçam seu campo e ouçam nele a voz do Espírito. </em>Campos brancos para a colheita que precisam de obreiros sérios. E vocês devem ser a seriedade da igreja.</p>
<p>Era o que tinha a dizer. E tenho dito.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2011/12/apoio-e-presenca-de-diaconos-em-campos-missionarios/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>EBD: UM ENSINO PARA IMPACTAR VIDAS</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/11/ebd-um-ensino-para-impactar-vidas/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2011/11/ebd-um-ensino-para-impactar-vidas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 20:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2177</guid>
		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os professores da EBD da Igreja Batista Central de Macapá, 25.11.11     &#160; INTRODUÇÃO Esta palestra não ensinará alguém a ser um bom professor de EBD. Talvez não acrescente muito aos participantes, porque, na sua maior parte, são professores experientes e crentes maduros. Mas nos relembrará [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2011%2F11%2Febd-um-ensino-para-impactar-vidas%2F&title=EBD%3A+UM+ENSINO+PARA+IMPACTAR+VIDAS&desc=%0D%0APreparado+pelo+Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho+para+os+professores+da+EBD+da+Igreja+Batista+Central+de+Macap%C3%A1%2C+25.11.11%0D%0A%C2%A0%0D%0A%C2%A0%0D%0A%26nbsp%3B%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O%0D%0A%0D%0AEsta+palestra+n%C3%A3o+ensinar%C3%A1+algu%C3%A9m+a+ser&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p align="center">
<p align="center"><em>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os professores da EBD da Igreja Batista Central de Macapá, 25.11.11</em></p>
<p align="center"><em> </em></p>
<p align="center"><em> </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Esta palestra não ensinará alguém a ser um bom professor de EBD. Talvez não acrescente muito aos participantes, porque, na sua maior parte, são professores experientes e crentes maduros. Mas nos relembrará algumas verdades que, eventualmente, tenham ficado esmaecidas. E relembradas, debatidas e ponderadas, podem nos devolver um rumo que pode ter ficado perdido. É sempre bom relembrarmos verdades espirituais, mesmo que singelas. Muitas vezes ficamos tão familiarizados com elas que deixamos de ver seu brilho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>No livro <em>O mundo de Sofia, </em>o doutrinador de menina Sofia diz que a criança é  o verdadeiro filósofo, porque ainda não perdeu a capacidade de se encantar. Os adultos se acostumaram com as verdades, com o mundo, perderam esta capacidade de se encantar. As coisas se tornaram rotina. O doutrinador lhe escreve: “Podemos dizer que um filósofo permanece a vida toda tão receptivo e sensível às coisas como um bebê. E agora você precisa se decidir, querida Sofia: você é uma criança que ainda não se ‘acostumou’ com o mundo? Ou você é uma filósofa capaz de jurar que isto nunca vai lhe acontecer?”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/EBD%20UM%20ENSINO%20PARA%20IMPACTAR%20VIDAS2.docx#_edn1">[i]</a>.<span id="more-2177"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando acontece de nos “acostumarmos” à vida espiritual, perdemos a capacidade de nos encantarmos, na área espiritual, e perdemos também a capacidade de aprender algo novo. Já sabemos tudo e tudo se tornou rotina. Espero que os participantes deste encontro ainda estejam encantados. Com a Bíblia, com a igreja, com a EBD, com sua tarefa. Porque gente que fez da vida espiritual uma rotina não consegue impactar ninguém. É preciso que nos impressionemos com o mundo da igreja para impressionarmos os outros. E muito mais necessário é que nos impressionemos com a Bíblia e seu estudo para conseguirmos ensiná-la de maneira impactante. Porque o ensino que impacta vidas depende fundamentalmente de algo bem simples: que seja ministrado por pessoas que foram impactadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com isto, caminhemos juntos e edifiquemo-nos mutuamente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O LUGAR DO ENSINO NA IGREJA</p>
<p>A igreja cristã herdou sua estrutura litúrgica das sinagogas e não do templo. Numa época em que tanta gente quer ser levita, porque toca guitarra (e levita era uma espécie de zelador e guarda do templo) é oportuno recordar isso. A liturgia da sinagoga se centrava no ensino das Escrituras. O surgimento do judaísmo como uma religião ao redor de um livro ensinado ao povo se dá com o episódio de Neemias 8, quando Esdras lê a Lei para o povo. Neste momento, o judaísmo experimenta uma virada: passa a ser uma religião normatizada  por um livro. Isto se tornará mais forte com o trabalho das sinagogas. O ministério de ensino era a razão de ser das sinagogas, de onde herdamos a estrutura de ensino da igreja cristã. Tanto que Paulo ia às sinagogas para ensinar (At 13.14, 14.1, 17.1, 18.4, entre outros).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O  ministério de ensino faz parte vital da missão da igreja. Faz parte do conteúdo da Grande Comissão (Mt 28.19-20). O dom de ensino está em Romanos 12.7. Em Efésios 4.11-16, ao tratar da maturidade da igreja, Paulo mostra que o dom de ensinar é necessário para que ela seja  madura. Nunca teremos igrejas e crentes maduros sem o ensino bíblico consistente. Hoje muita gente quer encher a igreja na base de festas e programas especiais. Isto cria comunidades agitadas, mas não equilibradas. Até mesmo em nosso meio encontramos pessoas que se impressionam com igrejas que ajuntam gente, em grande multidão, e são levadas a presumir que a estrutura tradicional de igreja ensinadora está falida. Sem resvalar para críticas, recordo que nossas igrejas não são estação rodoviária, lugar de passagem. São família, lugar de firmar laços e criar vínculos relacionais estáveis. Numa igreja estabelecida sobre a Bíblia sempre há um núcleo fiel que, alguém que a visite e volte a vê-la dez anos depois, encontrará presente. São pessoas estáveis e permanentes, bem diferentes de igrejas que trazem sempre rostos novos em busca de alguma coisa, mas que nunca se formatam como uma comunidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A cultura contemporânea vive uma fase de irracionalismo e de superespiritualização.  A história do pensamento humano é um pêndulo. A história da Filosofia mostra como as correntes filosóficas vieram em choques, colidindo, indo de um extremo a outro. Por exemplo, o extremo racionalismo de Hegel foi abalado pela emotividade não racional de Kierkegaard.  No nosso caso, após três décadas de materialismo, cientificismo, marxismo, existencialismo e agnosticismo, entramos numa fase de misticismo. Saímos do ceticismo para a crença no absurdo. Isto ajuda a entender o porquê do florescimento de tanta esquisitice espiritual. Uma pessoa que me disse que não podia crer na mensagem de Jesus porque a julgava absurda. Mas trazia estampado em seu carro um adesivo “Eu acredito em duendes”. Neste cipoal de incoerências, surgem os absurdos evangélicos. Quanto mais mística, irracional e manipulativa for a seita, mais adeptos ela consegue. Porque as pessoas confundem irracionalidade com espiritualidade. Acham que razão e estudo matam a fé. São, sem saber, kierkegaardianas: o que vale é a subjetividade. Estamos em desvantagem. Nós, chamados de tradicionais, não  formamos currais. Treinamos pessoas para  a maturidade. O pastor competente consegue formar líderes que partilhem o fardo com ele, e formata uma igreja que não é dependente dele. Ela tem alegria em tê-lo como pastor, mas não depende dele para viver. O bom pastor é aquele que, saindo de uma igreja, ela continua bem. Ele formou líderes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A boa igreja tem bons mestres. E são eles que ajudam a igreja a sobreviver a crises. Porque  bons mestres na igreja produzem pessoas maduras que sabem andar sozinhas e superar as dificuldades. O ensino na igreja não é para  formar dependência, mas pessoas maduras, que saibam viver sem o mestre. Tenho visto que muito do chamado discipulado nada mais é que criar pessoas dependentes do discipulador.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alisto, a seguir, algumas passagens bíblicas que acentuam o valor do ensino. Leiamo-las (elas foram distribuídas, à parte) e a partir delas, sigamos nosso rumo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A IMPORTÂNCIA DO ENSINO</p>
<p align="center">
<p align="center">
<p align="center">PARA AS GERAÇÕES FUTURAS</p>
<p>“<em>Ensinem-nas a seus filhos</em>, conversando a respeito delas quando estiverem sentados em casa e quando estiverem andando pelo caminho, quando se deitarem e quando se levantarem” (Dt 11.19)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Disse ele aos israelitas: No futuro, quando os filhos perguntarem aos seus pais: &#8216;Que significam essas pedras?&#8217; <em>Expliquem a eles</em>: Aqui Israel atravessou o Jordão em terra seca” (Js 4.21-22)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">PARA A GERAÇÃO PRESENTE</p>
<p>“Pois tudo o que foi escrito no passado, <em>foi escrito para nos ensinar</em>, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança.” (Rm 15.4)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">O ENSINO É UM DOM DADO POR DEUS</p>
<p>“<em>Se o seu dom</em> é servir, sirva; se <em>é ensinar</em>, ensine;” (Rm 12.7)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">PORQUE NÃO BASTA IR</p>
<p>“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, <em>ensinando-os a obedecer</em> a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”. (Mt 28.19-20)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">O ESPÍRITO SANTO ENSINA E LEMBRA</p>
<p>“Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, <em>lhes ensinará todas as coisas</em> e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse.” (Jo 14.26)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">NO TEMPLO E DE CASA EM CASA</p>
<p>“Todos os dias, no templo e de casa em casa, <em>não deixavam de ensinar</em> e proclamar que Jesus é o Cristo.” (At 5.42)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">PARA QUE HAJA FIRMEZA</p>
<p>“Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo, o Salvador de todos os homens, especialmente dos que crêem. Ordene e <em>ensine estas coisas</em>.” (1Tm 10.11)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">HOMENS FIÉIS QUE ENSINEM OUTROS</p>
<p>“Portanto, você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus. E <em>as palavras que me ouviu</em> dizer na presença de muitas testemunhas, <em>confie-as a homens fiéis</em> que sejam também <em>capazes de ensinar outros.</em>” (2Tm 2. 1-2)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTAS PASSAGENS</p>
<p>Chamo sua atenção para alguns aspectos importantes que brotam destes textos:</p>
<p>&nbsp;</p>
<ol start="1">
<li>O ensino cristão não é meramente cognitivo, ou seja, a transmissão de dados e informações. O mestre cristão não ministra informações cristãs. Ministra vida, ministra experiência com Deus. Lemos em Oséias 4.6: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta  conhecimento&#8230;”. A palavra “conhecimento” é o hebraico <em>da’at </em>que é o conhecimento nos termos de “Adão <em>conheceu</em> a Eva sua mulher”.  É o <em>conhecimento </em>pela mais profunda experiência.  Isto lhe impõe um ônus: <em>ele precisa ser uma pessoa que tenha experiência com Deus</em>. Uma pessoa pode ser mestre secular de alta competência, e ser um péssimo mestre cristão. O mestre cristão não passa informações, mas transmite realidades espirituais que ele deve viver. O mais importante é vida. O conteúdo mais forte do ensino cristão é a vida. Não a vida pessoal, que glorifica a pessoa, mas a vida com Cristo, que glorifica a Cristo. Cristo deve ser visto na vida do mestre cristão.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol start="2">
<li>Nas passagens bíblicas lidas observamos que o conteúdo do ensino eram experiências com Deus. O ensino a passar aos jovens hebreus era este:  Deus fizera algo por Israel. Da mesma maneira, este é o ensino a se passar aos jovens cristãos: Deus fez algo por nós, em Jesus Cristo. Os mestres tinham internalizado o conteúdo. Assim, não contavam histórias, mas contavam algo que lhes era vivencial. O mestre cristão não é um contador de histórias, mas deve exibir uma experiência com Deus para motivar os alunos a se interessarem a ter uma experiência com Deus. Muitos professores de crianças contam as histórias bíblicas como se fossem as histórias de João e Maria ou de Chapeuzinho Vermelho. Devem contar como revelação de Deus, com paixão espiritual. Não são contadores de histórias, mas apresentadores de Jesus.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol start="3">
<li>Na igreja, o Mestre que ensina os mestres é o Espírito Santo. O mestre cristão precisa ter um dom espiritual, e não apenas um dom natural. Ele precisa ter uma vida em comunhão com Deus e sob orientação do Espírito Santo. Vida espiritual abundante é exigência do mestre cristão. E seu ensino não deve se restringir ao templo. Confundimos tempo de classe na EBD com ensino cristão. No tempo da EBD o ensino é exposto em forma de aula, mas ele deve continuar em todo lugar e deve se expressar na vida do discípulo, em todo lugar. Os alunos devem saber e ver que seu mestre vive o que ensina.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol start="4">
<li>Observe nas passagens do Novo Testamento (principalmente Mt 28.18-20, Jo 14.26 e At 5.42) que nosso tema de ensino é o evangelho de Jesus Cristo. É este o ponto central. Nosso ensino e nossa pregação se focam em Jesus. Deve ter um aspecto evangelístico, também. Há gente não salva na igreja e na EBD, que deve ser desafiada à conversão. Hoje estamos pregando e ensinando  meio ambiente, coleta seletiva de lixo, responsabilidade social, etc. Estas coisas não são erradas e são boas em si mesmas, mas não são o foco de nosso ensino. “Discussões sobre salvar a família ou salvar a Terra de uma catástrofe ambiental são ouvidas pelos não cristãos. Mas discursos e ações dos quais a igreja testemunha – o julgamento de Deus e a justificação dos pecadores por meio de Cristo – são estranhos aos ouvidos deles”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/EBD%20UM%20ENSINO%20PARA%20IMPACTAR%20VIDAS2.docx#_edn2">[ii]</a>. Se não ouvirem da igreja, de quem ouvirão?</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<p>ALGUNS DESAFIOS PARA NÓS</p>
<p>Isto posto, gostaria de salientar alguns desafios para estabelecermos um processo de ensino que conduza os crentes à maturidade cristã, tendo como desdobramento os quesitos anteriores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li><em>O primeiro é que o mestre precisa internalizar em sua vida o que ele ensina. </em>É mais que saber a lição. É <em>ser</em> a lição. Valha-nos, aqui o texto de Romanos 2.17-24. Leiamo-lo, substituindo “judeu” por “crente” e “lei” por “evangelho”. O mestre cristão precisa ter uma vida transformada pelo ensino do Espírito Santo ao seu coração, para transformar vidas com seu ensino. Ao comentar o texto em que João come o livro que o anjo lhe dá (Ap 10.9-10), Eugene Petersen fez esta observação: “João faz isto: come o livro – não apenas o lê. O livro agora é parte de seus terminais nervosos, de seus reflexos, de sua imaginação”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/EBD%20UM%20ENSINO%20PARA%20IMPACTAR%20VIDAS2.docx#_edn3">[iii]</a></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li><em>O segundo é que o mestre cristão deve ter em mente que transmite vida, não informações</em>. Pode até trazer informações, mas elas precisam estar carregadas de vida. Lecionei Homilética, por mais de trinta anos, inclusive em nível de Mestrado. Uma das considerações que fazia aos alunos é que pusessem vida no sermão, desde a leitura do texto bíblico. Isto não significa gritar, mas falar com firmeza, com convicção. Há gente que lê o diálogo de Jesus com a mulher samaritana como se estivesse lendo uma bula de remédio. E há os que perderam a paixão pelo livro santo e o lêem como obrigação. Ler a Bíblia é sempre um ato de paixão e de humildade. Nenhum pregador e nenhum mestre  terão futuro se lerem a Bíblia em busca de sermão ou para preparar estudo. Devem ler para si, com fome.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li><em>O terceiro é que o mestre precisa ter em mente o objetivo do ensino cristão</em>. A meta do ensino está bem definida em Efésios 4.12-16. Mais que ter uma igreja bem doutrinada (o que é válido e necessário) é ter cristãos vivos, maduros e equilibrados. Muita classe de EBD parece fila do SUS: um lugar onde se exibem cicatrizes de cirurgia, numa disputa para ver quem tem a dor mais forte ou cirurgia mais dramática. Há uma tendência muito grande em círculos evangélicos de afastamento das Escrituras, substituindo-a pelo texto de nossa existência (necessidades, anseios e dores). A classe não é lugar para terapia de grupo, mas para ensino da Palavra. É a Bíblia que deve ser ensinada e não a vida dos participantes. E este ensino não é informativo, mas formativo.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li><em>O quarto é que o mestre precisa entender que não é um guru, mas um instrumento divino</em>. As primeiras instruções cristãs que Saulo de Tarso recebeu foram de Ananias, mas ele ultrapassou Ananias. Foi-se para cumprir seu ministério. O ensino cristão não cria dependência, mas forma pessoas para viverem suas vidas sob orientação do Espírito Santo. O mestre deve respeitar o aluno, não o vendo como uma criança, mas como um irmão a quem Deus quer usar e talvez até mais que a ele, o mestre.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li><em>O quinto é que o mestre precisa entender que não é um produto acabado, mas em construção</em>. Paulo foi mestre de Timóteo e Tito, bem como de muitos outros pastores e igrejas. No fim de sua vida, queria livros e pergaminhos (livros sagrados), como lemos em 2Timóteo 4.13. Este crescimento não era apenas intelectual, mas espiritual e relacional, pois ele viu o valor de Marcos (2Tm  4.11), com quem antes  brigara (At 15.37-40). O mestre cristão estará sempre crescendo, inclusive nos relacionamentos. Há santos insuportáveis, pessoas muito difíceis de conviver. Não cresceram emocional e espiritualmente, mas cresceram em seus pontos de vista pessoais.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<ol>
<li><em>O sexto é que precisamos rever um ponto básico de ensino</em>. Fazemos avaliações cognitivas, com perguntas que mensuram o quanto o aluno aprendeu. Quando escrevi  três últimos trimestres de lições para a Convenção Batista Fluminense, fiz perguntas de teor vivencial, para saber  quanto os alunos tinham mudado comportamento e não o que guardaram de conceitos. Se ensinamos para formar vidas, devemos avaliar por vidas transformadas. Neste sentido, o grande desafio é para que os alunos mudem suas vidas à luz da Palavra de Deus. Se este for o alvo, encaminharemos nosso ensino nesta direção.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>O ex-presidente FHC, em entrevista à revista <em>Veja</em>, nas páginas amarelas, declarou que ele, como professor, apenas dava aulas. Não se importava com a vida do aluno fora da classe. Isto era problema do aluno. Um professor secular pode pensar e agir assim. Um mestre na igreja do Senhor é diferente. Ele não ensina matérias nem disciplina. Ensina uma pessoa, Jesus Cristo. E ensina esta pessoa a pessoas. Sempre disse aos meus alunos de Homilética: “Nós não apenas pregamos a Bíblia. Pregamos a Bíblia para pessoas”. O alvo do nosso trabalho é gente. Gente preciosa aos olhos de Deus. E que deve ser preciosa aos olhos do mestre cristão. Deve saber os nomes dos alunos, deve orar por eles, e deve preparar o estudo pensando neles. Não no seu desempenho como professor, se brilhará ou não. Mas em como poderá ajudar os alunos a crescerem espiritualmente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ser mestre cristão é algo muito sério. “Meus irmãos, somente poucos de vocês deveriam se tornar mestres na Igreja, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com mais rigor que os outros” (Tg 3.1). É o que se chama de glória com peso. É glorioso, mas é pesado. E não deve nos intimidar, mas nos tornar conscientes da seriedade do que fazemos e nos levar a uma consagração de vida ao Senhor para desempenho de nossa missão.</p>
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/EBD%20UM%20ENSINO%20PARA%20IMPACTAR%20VIDAS2.docx#_ednref1">[i]</a> GAARDER, Jostein. <em>O mundo de Sofia. </em>São Paulo: Companhia das Letras, 3ª. reimpressão, 1995, p. 30.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/EBD%20UM%20ENSINO%20PARA%20IMPACTAR%20VIDAS2.docx#_ednref2">[ii]</a> HORTON, Michael. <em>Cristianismo sem Cristo. </em>São Paulo: Editora Cristã,  2010, p. 107.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/EBD%20UM%20ENSINO%20PARA%20IMPACTAR%20VIDAS2.docx#_ednref3">[iii]</a> PETERSEN, Eugene. <em>Maravilhosa Bíblia – a arte de ler a Bíblia com o Espírito.</em> São Paulo: Mundo Cristão,  2008, p. 25.</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2011/11/ebd-um-ensino-para-impactar-vidas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>IGREJAS EM BUSCA DE RELEVÂNCIA</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/11/igrejas-em-busca-de-relevancia/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2011/11/igrejas-em-busca-de-relevancia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 23:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2167</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Apresentado a 12ª.  Assembléia da COBAP, Convenção Batista Amapaense, na Terceira Igreja Batista de Santana, em 19.11.11. &#160; INTRODUÇÃO Igrejas em busca de relevância se tornou uma preocupação na mente de tanta gente que dá vontade de perguntar: como elas sobreviveram até hoje, num mundo tão competitivo, sendo irrelevantes? Numa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2011%2F11%2Figrejas-em-busca-de-relevancia%2F&title=IGREJAS+EM+BUSCA+DE+RELEV%C3%82NCIA&desc=Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%0D%0AApresentado+a+12%C2%AA.+%C2%A0Assembl%C3%A9ia+da+COBAP%2C+Conven%C3%A7%C3%A3o+Batista+Amapaense%2C+na+Terceira+Igreja+Batista+de+Santana%2C+em+19.11.11.%0D%0A%26nbsp%3B%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O%0D%0A%0D%0AIgrejas+em+bu&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">Apresentado a 12ª.  Assembléia da COBAP, Convenção Batista Amapaense, na Terceira Igreja Batista de Santana, em 19.11.11.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Igrejas em busca de relevância se tornou uma preocupação na mente de tanta gente que dá vontade de perguntar: como elas sobreviveram até hoje, num mundo tão competitivo, sendo irrelevantes? Numa sociedade secularizada e massificada por valores contrários aos das igrejas, como elas ainda existem, crescem e ainda preocupam tanta gente que se sente incomodada com elas? Parece que igreja é o negócio mais irrelevante do mundo e que alguns descobriram agora como torná-la relevantes, funcionais e interessantes.<span id="more-2167"></span></p>
<p>Não creio que a questão por trás de tudo seja relevância ou sua ausência. Há outras mais. Pretendo mostrar isto neste trabalho. E também mostrar que esta preocupação não tem sentido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. DEFININDO TERMOS</p>
<p>A  questão se torna mais aguda quando tentamos entender o que se quer dizer com isso.  Porque relevância não é contemporaneidade. É importância. Neste sentido, se quer se dizer que a mensagem da igreja não é contemporânea, é verdade. Mas é importante. Porque importância não é contemporaneidade, mas ter valor ainda hoje. Quem queira  dizer que sua mensagem não tem importância hoje não aborda mais a questão de forma ou de modelo, mas nega a essência de sua pregação.</p>
<p>Exemplifico para mostrar que relevância e contemporaneidade não são a mesma coisa. Big Brother Brasil é contemporâneo, mas é irrelevante. A medicina, como ciência, não é contemporânea, mas é relevante. A questão me soa mais como um desejo de tornar a igreja contemporânea no mesmo nível e prática de certos eventos que foram assim definidos pela cultura prevalecente.  Nossa cultura parece ter voltado ao primitivismo. As pessoas se comunicam mais com o corpo que com a cognição. A cultura do sacolejo, por exemplo, nos produziu algo curioso: a qualquer momento que ligarmos a televisão veremos um grupo musical se sacudindo. Pode ser de baixa qualidade musical, mas se sacoleja, e é exótico, então é contemporâneo. A letra pode ser paupérrima, mas se está envolta em sacolejo, é contemporânea. Isto foi definido como <em>o correto</em>. Tal mentalidade migrou para o eclesiástico. Tudo que é igreja tem um grupo de louvor. Alguns, e tenho visto nas minhas andanças pelo Brasil, de baixíssima qualidade musical. Mas é contemporâneo. Um coral ou um quarteto pode ter excelente qualidade musical, mas é ultrapassado. Como resultado, digo sem titubeio e sem exagero: a qualidade musical de nossos cultos caiu muito, nos últimos anos. É medíocre. Ruim mesmo.</p>
<p>Que relevância querem impor à igreja? Relevância não é quantificável. Nos termos em que está sendo disposta é questão de opinião. Por isso levanto a questão: o que é relevância e por que a igreja deve ter o que chamam de relevância?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. O X DA QUESTÃO: DE QUE ESTÁ SE FALANDO?</p>
<p>Deu para entender que a questão é esta: de que estão falando? O que querem impingir à igreja? Comecemos pela definição de igreja. Evitarei definição formal e rebuscada. Ela é agência do Reino de Deus. É o aspecto visível do Reino invisível. Sua missão é anunciar Jesus Cristo como Senhor sobre todos os homens. Neste sentido ela é relevante. Ela anuncia a mais importante mensagem que o mundo precisa ouvir. Se o faz adequadamente, se alguns de seus setores se desviam desta linha, é outra questão. O que interessa é isto: como instituição e com a mensagem que tem, a igreja é relevante ou não? Não é se gostamos dela ou não, mas se o evento teológico chamado igreja é relevante ou não. E se seu tema é relevante ou não.</p>
<p>Muita gente tem analisado a igreja por um ângulo secular. Quando morei em Brasília fui o pastor organizador da Igreja Batista da Quadra 02, em Sobradinho. Foi um dos momentos mais agradáveis no meu ministério. A Quadra 02 é um dos meus xodós. Fui seu organizador e primeiro pastor. Foi em 23 de abril de 1988. No dia 25 fui à sede da TERRACAP para ver se havia algum lote disponível, na Quadra 02, para igreja. Fomos organizados em uma escola. O representante da TERRACAP me disse que não havia interesse em vender área para  igrejas porque elas subutilizam a propriedade, com reuniões apenas às quartas e domingos. Suas áreas não tinham função social. Como terreno em Brasília era raro (e depois houve tantas invasões de luxo que foram toleradas!) isto não era interessante. Perguntei-lhe por que havia estádios de futebol em Brasília, se lá não havia futebol. Qual era a função social dos estádios de futebol, inclusive o do Sobradinho, onde aconteciam jogos com dez pagantes. Talvez alguns parentes de alguns jogadores.  Qual era a função social dos botequins? Quem mais ajudava as pessoas, no sentido de prepará-las para vida, a igreja ou o boteco?</p>
<p>Relevância não se quantifica. Não se mede por quilômetros ou reais conseguidos. Como a mensagem da igreja é espiritual e apela para o espírito do homem (que não se quantifica nem se mede) ela é vista como irrelevante. Mesmo que uma pessoa depravada seja tornada em santa. Mesmo que um criminoso seja regenerado. Mesmo que um drogado se levante ou uma prostituta se torne uma mãe extremosa. Tudo isso são valores não quantificáveis nem mensuráveis. A sociedade valoriza pela quantidade e pelo movimento. Não nos iludamos com isto.</p>
<p>O mundo não pode avaliar o que foi uma alma consolada num culto. As pessoas não ficam sabendo que alguém entrou num culto pensando em suicídio, mas ali foi alcançado pela graça de Deus e saiu com novo ânimo para a vida. Relevância da igreja, para alguns, só acontece se houver um curso de artesanato, um prato de sopa dado a alguém, uma muda de roupa velha dada a outrem, um corte de cabelo feito num mendigo. Porque estas coisas são quantificadas e mensuradas. Não me entendam mal. Essas coisas são boas e as igrejas que as realizam estão fazendo algo bom para a comunidade. São atos bons, mas qualquer organização beneficente pode fazê-los. No entanto, pregar o evangelho que coloca a vida do homem em ordem com Deus só a igreja pode fazer. Nenhuma outra  instituição pode. Esta é a relevância da igreja! Esta é sua singularidade! Esta é uma das razões pelas quais sou apaixonado por igreja. Ela é fantástica!</p>
<p>Quando se discute o tema “igrejas relevantes”, estamos falando mesmo de relevância ou de uma adequação da igreja a uma ótica mundana esposada por alguns, que a contemporaniza? Ela pode ser relevante sem ter essa contemporaneidade. Mas pode ser contemporânea e ser irrelevante. Pode ter artesanato, sopa e corte de cabelos, mas ser, como igreja, irrelevante. A relevância da igreja vem de sua mensagem. Se ela proclama a salvação pela fé em Cristo, ela é relevante. Se ela chama os homens a se reconciliarem com Deus por meio de Jesus ela é relevante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. UM EQUÍVOCO NA AVALIAÇÃO DA IGREJA</p>
<p>Desdobro o argumento: o equívoco está na ONGuização da igreja. Na atribuição de muitos fatores sociais a ela, fatores que não são errados, mas são acessórios e não a sua essência. No equívoco de vê-la mais como organização social, que deve preencher áreas sociais da vida não atendidas pelo poder público, que como agência proclamadora do Reino. E digo Reino nos moldes do proposto por Jesus e não como o resultado de acréscimo de coisas que puseram no termo. Há um blábláblá enorme sobre Reino no discurso teológico latino americano de esquerda. Falo de Reino como os evangelhos falam. E parece que quem não tem o acessório, mas só o fundamental,  é visto como irrelevante e pregador de evangelho descarnado.</p>
<p>Nada também contra as ONGs, por favor. Sei que evangélicos têm uma imensa capacidade de colocar na boca dos outros palavras que os outros não disseram (ou escreveram – apenas 24% dos brasileiros conseguem decodificar um texto). O que digo é isto: a  missão precípua de uma igreja não é prover assistência social nem lazer e entretenimento para jovens. Ou cuidar de animais de rua (eu mesmo estou me engajando em uma ONG para cuidar de animais de rua, em Macapá).  Estou usando ONG como figura pelo seu aspecto social, e pela sua estrutura, de comunas, como a igreja local. Elas têm uma utilidade pública por causa do seu escopo social.</p>
<p>O terreno é minado e vou andar por ele com cuidado. Mas vou andar. O noticiário político (deveria ser policial) nos mostra ONGs que foram criadas para sugar dinheiro do Estado. Trambique puro. Fiel ao seu viés marxista de ter um Estado forte que domine tudo (o Estado brasileiro quer até ensinar os pais a não darem palmadas nos filhos), o Ministro Aldo Rabelo quer menos ONG e mais Estado. O problema não são as ONGS, e sim que corruptos encontraram brechas na lei e criaram ONGs de fachada para seus fins escusos. E alguns desses corruptos fazem parte do Estado. Elas cumprem um papel extraordinário. Suprem lacunas do Estado, são mobilização popular, têm mobilidade administrativa. Elas são um fenômeno social fantástico.</p>
<p>Mas a igreja é diferente. Sua utilidade (se podemos usar este termo) deve ser percebida de outro ângulo. A relevância da igreja reside em ela cumprir a missão para a qual foi destinada. Eis  Atos 2.38: “Pedro respondeu: &#8211; Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo”. Eis 2Coríntios 5.20: “Portanto, estamos aqui falando em nome de Cristo, como se o próprio Deus estivesse pedindo por meio de nós. Em nome de Cristo nós pedimos a vocês que deixem que Deus os transforme de inimigos em amigos dele”.  Esta é a missão da igreja.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. UMA PROPOSTA DE CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DA RELEVÂNCIA DA IGREJA</p>
<p>Começo de maneira apologética. Quem transformou mais pessoas que Jesus Cristo? Quem recuperou mais vidas, ao longo da história? Quem tirou mais gente da lama?</p>
<p>Trabalhando com pessoas com problemas de álcool e drogas, fiquei conhecendo muito do trabalho dos Alcoólicos Anônimos. É sério e fantástico e tem ajudado muita gente. Os AA não querem entrar em competição com ninguém, sei disso. Mas, com respeito a eles, Jesus fez mais que eles para tirar pessoas do vício.</p>
<p>Pessoas que são regeneradas pelo poder do evangelho são novas criaturas. Se a igreja quiser ser mesmo relevante, que pregue Jesus Cristo, poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Estamos assumindo um complexo de inferioridade em relação ao mundo, e muitos de nós não cremos mais que pregar Jesus Cristo, o poder de Deus que salva, regenera e muda para sempre é a mais importante coisa que se pode fazer. Em muitas igrejas o louvor é mais importante, e em muitos cenários a igreja é direcionada para o poder político e social. Nossa relevância vem daqui, e este é o critério correto: só o evangelho pode transformar pessoas e a sociedade. O resto são folhas de parreira para esconder os resultados do pecado.</p>
<p>Neste sentido, nada é mais relevante à igreja que cumprir sua missão, não a descrita pelos missiólogos, mas a estabelecida pelo Senhor Jesus, e bem descrita na Grande Comissão: “Então Jesus chegou perto deles e disse: &#8211; Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. E lembrem disto: Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28.18-20)..</p>
<p>Mas recordo uma palavra de A. W. Tozer: “É falsa a concepção de que a primeira missão da igreja é anunciar o evangelho. Sua primeira missão é ser espiritualmente digna de fazê-lo”.  Igrejas fracas, sem autoridade espiritual, que pregam um cristianismo folgazão e de entretenimento, divulgarão um evangelho falso. Há muita gente querendo que a igreja seja amigável. Há até um livro com este título, <em>Igrejas amigáveis. </em>Recordo uma frase de Haroldo Reimer: “A igreja não está no mundo para fazer relações públicas, mas para entregar um ultimato”. Ela chama os homens a deporem as armas e se renderem a Cristo. Como disse Douglas Webster: “O pecador não é um coitado, mas um rebelde de armas nas mãos contra Deus”. Ao invés de seguir George Barna, que ela siga Abraão e seja amiga de Deus.</p>
<p>Queremos igrejas relevantes?  Elas serão relevantes na medida exata em que compreenderem bem para que existem, qual sua missão, qual sua mensagem, e estabelecerem suas prioridades. Evangelismo e missões são suas prioridades. Se elas perderem isto, poderão ser relevantes ao mundo, mas irrelevantes para Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Citei Abraão e vou encerrar por ele. Quando chegava numa cidade, o velho patriarca, antes de tudo, levantava um altar de pedras para Deus. Depois, para si, fazia tendas. Para Deus a prioridade e o duradouro. Para si, o secundário e o temporário. Nós construímos mansões para nós e investimos pouco em vidas. Não investimos mais em missões e evangelismo, que rendem frutos para a eternidade. Gastamos mais com patrimônio que com missões. Gastamos mais com futilidades pessoais que com o Reino.</p>
<p>Abraão foi relevante. Porque foi fiel à sua chamada. Igreja relevante é aquela que é fiel à sua chamada, que é pregar Jesus como Senhor, e não a que se contenta em ser trampolim para eleger políticos ou pretexto para pessoas formarem império econômico. Da mesma maneira, o pastor relevante não é que se preocupa em escrever seu nome em gás néon, mas em exaltar o nome de Jesus. É aquele cujo tema predileto não seja ele mesmo (há gente que só consegue falar de si mesma!), mas Jesus Cristo. “Eu me propus a não saber nada entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2).</p>
<p>Eu os desafio a serem obreiros relevantes e a formatarem igrejas relevantes. Pela ótica neotestamentária e não pela ótica do mundo.</p>
<p>Tenho dito. E era o que eu tinha a dizer.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2011/11/igrejas-em-busca-de-relevancia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O PASTOR DO SÉCULO 21 &#8211; UMA REFLEXÃO NA ÁREA DA TEOLOGIA</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/09/o-pastor-do-seculo-21-uma-reflexao-na-area-da-teologia/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2011/09/o-pastor-do-seculo-21-uma-reflexao-na-area-da-teologia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 11:37:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2075</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Preparada para a 1ª. Conferência da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Subseção Mesquitense, Mesquita, RJ, 9.9.11 &#160; INTRODUÇÃO Falar para pastores e líderes sobre temas do momento provoca-me dois tipos de percepção. Um é que alguns pensam que precisamos entender o nosso tempo para nos encaixarmos nele e também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2011%2F09%2Fo-pastor-do-seculo-21-uma-reflexao-na-area-da-teologia%2F&title=O+PASTOR+DO+S%C3%89CULO+21+-+UMA+REFLEX%C3%83O+NA+%C3%81REA+DA+TEOLOGIA&desc=%0D%0A%0D%0APr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%0D%0A%0D%0APreparada+para+a+1%C2%AA.+Confer%C3%AAncia+da+Ordem+dos+Pastores+Batistas+do+Brasil%2C+Subse%C3%A7%C3%A3o+Mesquitense%2C+Mesquita%2C+RJ%2C+9.9.11%0D%0A%0D%0A%26nbsp%3B%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O%0D%0A%0D%0AFalar+para&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p><!--:en--></p>
<p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Preparada para a 1ª. Conferência da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Subseção Mesquitense, Mesquita, RJ, 9.9.11</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Falar para pastores e líderes sobre temas do momento provoca-me dois tipos de percepção. Um é que alguns pensam que precisamos entender o nosso tempo para nos encaixarmos nele e também encaixarmos nele a nossa mensagem. Parece que este é o sentimento mais comum. Já me deixei dominar por ele, em tempos idos. Outra percepção é que devo me firmar mais nas raízes bíblicas e encaixar o tempo em que vivemos dentro dele. É este o sentimento que me conduz.</p>
<p>Tempos atrás, falei num congresso de pastores de outra denominação sobre o tema “Como deve ser o pastor do século 21?”. Pus as cartas na mesa na primeira sentença gramatical: “Exatamente como deveria ser o pastor do século 20, o do século 18, o do século 15 e o do século primeiro”. E coloco as cartas na mesa, logo no início, também aqui. Nosso foco não deve ser um ajuste do que pregamos aos novos tempos, mas sim como pregar a mensagem de sempre aos novos tempos. Quando focalizou tempos futuros, os do fim, Paulo não prognosticou nenhum conteúdo diferente a Timóteo, mas exortou-o à firmeza: “Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que julgará todos os seres humanos, tanto os que estiverem vivos como os que estiverem mortos, eu ordeno a você, com toda a firmeza, o seguinte: Por causa da vinda de Cristo e do seu Reino, pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência. Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir. Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para darem atenção às lendas. Mas você, seja moderado em todas as situações. Suporte o sofrimento, faça o trabalho de um pregador do evangelho e cumpra bem o seu dever de servo de Deus” (2Tm 4.1-4, NTLH).<!--:--><span id="more-2075"></span><!--:en--></p>
<p>O fundamental, para mim, não são os tempos em que vivemos, mas o que pregamos ao nosso tempo. O conteúdo independe do tempo, não pode ser ajustado a época e a cultura alguma. Judeus e gregos tinham cosmovisões   completamente diferentes, mas a igreja pregava aos dois grupos o mesmo evangelho. Tanto que lemos em 1Coríntios 1.23-24: “Mas nós anunciamos o Cristo crucificado &#8211; uma mensagem que para os judeus é ofensa e para os não-judeus é loucura. Mas para aqueles que Deus tem chamado, tanto judeus como não-judeus, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus”.  Era o mesmo evangelho e seu teor não fazia sentido para qualquer dos grupos. E isto não abateu a Igreja. Ela não teve dois evangelhos, um para cada cultura.</p>
<p>Mas parece que hoje temos uma preocupação muito grande em desvestir o evangelho da sua loucura e adorná-lo com a sabedoria humana. A preocupação de muitos pregadores é como torná-lo palatável ao incrédulo. Querem fazer com que o evangelho tenha sentido para o homem pecador. Mas ele continua sem sentido para os pecadores. Nossa tarefa é pregá-lo assim mesmo, na convicção de que o Espírito Santo tem poder para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Nossa tarefa não é tornar nossa mensagem aceitável. É pregar a mensagem, mesmo que pareça inaceitável. O evangelho não pode ser adaptado a tempos, culturas  e gostos. Quando tentamos fazer isto, produzimos o que se vê hoje, uma balbúrdia incrível no cenário evangélico. E um evangelho água com açúcar, que tem mais o rosto de Lair Ribeiro que o de Jesus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. MAS É ERRADO ANALISARMOS NOSSO TEMPO?</p>
<p>Não, não é errado. É até necessário. O erro se dá quando analisamos o tempo em que vivemos, e com essa análise formamos uma maçaroca intelectual e queremos ver o que da Bíblia podemos aproveitar para não ferir a maçaroca que fizemos. Em termos mais elegantes: submetemos a Bíblia ao escrutínio do nosso tempo, e não o oposto. Prego para auditórios diversificados: intelectuais e gente de roça, estudantes e operários, senhores sisudos e jovens álacres. Mudo as ilustrações. Mudo a forma de me dirigir ao auditório, mas sempre falo da salvação que vem pela obra vicária de Cristo. Este é o tema.</p>
<p>Continuo com cartas na mesa: a Bíblia é o microscópio pelo qual examinamos a cultura secular. Ela não é um objeto que analisamos pela cultura secular. Ela é senhora e não serva; é juíza e não ré, palavra última e não palavra penúltima.</p>
<p>Com tudo isto, quero dizer que nossa maior necessidade não é a de conhecimento de nosso tempo, mas sim de firmeza nas Escrituras para analisarmos nosso tempo por ela. Se nossos ouvintes gostarão, se acharão que é insensatez dizer que o destino eterno deles depende da resposta que darão à obra que um homem fez numa cruz, num lugarejo obscuro, há dois milênios, isso não importa.</p>
<p>Conhecer nosso tempo é bom se isto mostra o terreno onde lançaremos a semente. Mas é um ato equivocado determinar a essência da semente pelo terreno. Na parábola do semeador havia tipos diferentes de solos. Mas não havia tipos diferentes de sementes. Nossa semente é o evangelho de Jesus, na certeza de suas palavras: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13.31). E para quem acha que isto é ultrapassado, que precisamos de refinamento cultural, e não de uma mensagem tão retrógrada, lembro outras palavras de Jesus: “Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos” (Lc 9.26). Muitos não querem ser vistos como ultrapassados, e refinam a mensagem para torná-la atraente ao mundo atual.</p>
<p>Definidas estas coisas, quero lhes falar sobre como o obreiro de tempos pós-modernos deve se posicionar. Sei o que é pós-modernidade. Poderia discorrer sobre ela. Em meu site (www.isaltino.com.br) há uma apostila sobre o assunto. Mas o obreiro de um mundo pós-moderno não deve se mirar nos moldes do mundo e sim nos moldes de um obreiro leal à Palavra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. A NECESSIDADE DE UMA TEOLOGIA SADIA</p>
<p>A Igreja carece de uma teologia sadia. E seus obreiros mais ainda. E muito mais que os obreiros de época anteriores. Porque vivemos numa negação de valores, de subjetivação da verdade, de relativismo filosófico e moral. Alguém precisa sinalizar alguma coisa nesta bagunça em que vivemos. E quem pode sinalizar corretamente é a Igreja de Cristo. Ela tem a verdade. E se alguns de seus setores pensam que não têm e que dizer isso é ser arrogante numa época de politicamente correto, devem mudar logo de lado, caso não queiram entender o que é o evangelho. Nós temos a verdade. Quem não crê nisto, por favor, não fique marcando gol contra. Porque desconfio que torce para o time adversário.</p>
<p>Nós precisamos de uma teologia sadia. Porque precisamos ter as bases bem definidas e os contornos de nossa fé bem delineados. O obreiro e a Igreja de um tempo pós-moderno, um tempo vacilante e sem fronteiras, precisam ser firmes e devem ter suas fronteiras teológicas bem definidas. E isto mais que nunca.</p>
<p>A Igreja precisa sinalizar ao mundo que há um caminho e uma verdade. Nosso tempo é de relativismos: o que é verdade para você pode não ser verdade para mim. Hoje, as pessoas têm as suas verdades. A Igreja precisa deixar claro que ela tem a verdade de Deus. E antes de tudo precisa deixar isso claro para ela mesma. O neopentecostalismo criou uma situação  surrealista: colocou a subjetividade humana no lugar da objetividade das Escrituras.  São sentimentos, <em>insights, </em>vislumbres, percepções parciais que ditam as normas. Até mesmo em igrejas ditas tradicionais ouvimos muito esta frase: “Eu senti em meu coração” ou “Eu sinto”, geralmente introduzindo uma observação da pessoa em defesa de alguma verdade. Desculpe-me, se você usa esta frase, mas o que você sente é irrelevante. O relevante é o que a Bíblia diz. Diz Jeremias 17.9: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? “. Infelizmente, o “sentismo” e o “achismo” são as maiores vertentes hermenêuticas, hoje, no movimento evangélico. Precisamos restaurar a objetividade do ensino das Escrituras. Nossos sentimentos devem se subordinar a ela. Bem como nossos interesses e nossas perspectivas.</p>
<p>A maior batalha que teremos na área da Teologia, nestes anos imediatos, é sobre a fonte de autoridade em matéria de religião. Sempre se apontou que a Bíblia é a fonte última. O preâmbulo da Declaração Doutrinária da CBB diz: “Através dos tempos, os batistas têm se notabilizado pela defesa destes princípios: 1º) A aceitação das Escrituras Sagradas como única regra de fé e conduta”. E todo o resto parte deste ponto.</p>
<p>Precisamos ter uma teologia bem segura neste ponto: tudo parte  da Bíblia e a ela tudo se submete. Infelizmente, todos afirmamos isto, mas nem sempre praticamos isto. Primeiro porque, como eu disse, temos o subjetivismo neopentecostal infiltrado em nossas igrejas, alimentado pelo  romantismo da época, em que os sentimentos soam mais alto que a razão. Nossa geração não reflete, mas sente. Depois por causa da mentalidade pragmática que se dissemina entre nós. O que deu certo em algum lugar passa a ser a verdade. A verdade não é mais o que  é certo, mas o que funciona. A pós-modernidade tira o foco da verdade objetiva para a funcionalidade. Precisamos lembrar bem que somos “a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3.15). E que “a coluna e firmeza da verdade” deve estar alicerçada sobre a Palavra que é a verdade: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).</p>
<p>Que a Igreja estude a Palavra, submeta suas práticas e sua liturgia à Palavra. Que os pregadores preguem a Palavra e não seus desinteressantes conceitos culturais. Há obreiros que julgam suas platitudes um autêntico oráculo de Yahweh. Precisamos de pregadores que preguem a Palavra e não que contem historinhas o tempo todo. O pastor do século 21, bem como a igreja do século 21, precisa de uma teologia bíblica sadia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. A NECESSIDADE DE UMA SOTERIOLOGIA CORRETA</p>
<p>Continuamos afirmando, em nossas pregações, que Cristo é o Salvador. Mas, Salvador de quê, exatamente?</p>
<p>Na teologia da libertação, entre muitos outros aspectos, Jesus é “o revelador dos verdadeiros valores humanos”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/O%20PASTOR%20DO%20S%C3%89CULO%2021%20-%20TEOLOGIA.docx#_ftn1">[1]</a>. Ele é “o homem para os homens”. Ele é mais um modelo que um Salvador.  A soteriologia da falecida teologia da libertação é de fundo econômico, mas ingenuamente alguns de seus propugnadores criam que Jesus era um modelo que os homens poderiam seguir e que assim seriam socialmente transformados. Sendo o homem intrinsecamente bom, as pessoas precisavam ver o “modelo Jesus”, e se disporiam a imitá-lo. Outros teólogos desta linha, como boa parte dos seus comentários bíblicos mostra, falam de um tal de “projeto de Jesus”, que nunca entendi qual seja. Um desses comentários, em cada página trazia o tal “projeto de Jesus”. Parece-me que era de um levantamento das massas contra as famosas “elites”, de quem todos falam, mas nunca identificam. Mas a soteriologia sempre se liga à libertação da pobreza material.</p>
<p>Ideologicamente,  a teologia da prosperidade é irmã gêmea da teologia da libertação, pois sua soteriologia também se liga à libertação da pobreza material. Só que seu viés é pelo exorcismo, e não pela política. Acrescenta algo mais em sua panela de heresias: a resolução dos problemas relacionais e de saúde.</p>
<p>Outros vêem Igreja como um lugar, apenas. E como um lugar de catarse, de liberação de emoções. É uma forma de terapia emocional. A Igreja acaba se tornando apenas um evento sócio-emocional. Salvação é se sentir bem e estar em paz consigo mesmo. A soteriologia tradicional parte da anunciação do nascimento de Jesus: “  E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21). A soteriologia correta parte daqui: perdão dos pecados. Há pecados e há o pecado. Não é ter paz consigo mesmo e se aceitar como se é. É ter paz com Deus e aceitar seu Filho. E, pelo poder do Espírito Santo, tornar-se aquilo que deve ser.</p>
<p>Fortemente marcados pelo mito da bondade inata dos homens, mito que vem do Iluminismo, nossa cultura prega a bondade humana. Nossas pregações têm omitido o pecado, a condenação e, principalmente, o inferno. Estas questões são consideradas como medievais e indignas de pessoas ilustradas, cultas, do século 21. Como disse alguém, há pouco tempo: “A missão da Igreja é despertar o melhor dos homens”. Frase feita, bonitinha. Mas sem nexo. Qual é o nosso melhor? Diz Isaías 64.6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; e todos nós caímos como a folha, e as nossas culpas, como um vento, nos arrebatam”. Não teremos soteriologia correta se não tivermos a noção correta de quem seja o homem: pecador, caído, perdido. É curioso como os próprios crentes não gostam da doutrina da depravação da raça e da pecaminosidade humana. Um dia vi um pastor zangado com um corinho (e não sou fã deles) que diz “Se olhares para dentro de mim nada de bom encontrarás”. Ele estava realmente zangado. E me disse: “Nós temos muito de bom!”. Mas não temos! A Bíblia diz que não temos. Nosso “bom” é “trapo da imundícia”, referência aos absorventes menstruais das senhoras da época do profeta. Se há algo bom em nós é produto da graça. É a graça que nos torna pessoas melhores. Talvez se possa dar um crédito por causa dos termos “bem” e “bom”, mas não somos bons. E, realmente, o pecado habita em nós.</p>
<p><em>En pasant, </em>reside aqui um dos muitos equívocos da maçonaria. Uma de suas frases de efeito diz: “Nós escolhemos os homens bons e os tornamos melhores”. Numa curta frase, dois erros teológicos. Primeiro: não há homens bons. “E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus.” (Mc 10.18). Segundo: porque ninguém pode ser transformado se não for pela graça. Sou pessimista quanto ao homem. Lembro de uma frase de Billy Graham: “O homem é exatamente o que a Bíblia diz que ele é”<a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/O%20PASTOR%20DO%20S%C3%89CULO%2021%20-%20TEOLOGIA.docx#_ftn2">[2]</a>. E o retrato que ela faz do homem não é lisonjeiro.</p>
<p>Precisamos falar de pecado. A palavra está tão fora de modo que inspirou um livro teológico com o título <em>O pecado ainda existe? <a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/O%20PASTOR%20DO%20S%C3%89CULO%2021%20-%20TEOLOGIA.docx#_ftn3"><strong>[3]</strong></a></em>. A Igreja parece se reunir mais para celebrar (exatamente o quê?) que para confessar. Num exame superficial da <em>Concordância bíblica da SBB</em> encontrei 41 referências a “confessar” e 11 a “confissão”. Não examinei o número de vezes que aparece “pedir perdão” e semelhantes, e por isso não as considero. Aumentaria a lista. Mas culpa, pecado e perdão são palavras comuns nas Escrituras. Na década dos sessentas, um dos versículos que nossas igrejas mais recitavam era 2Crônicas 7.14. Hoje o mote é “Louvai ao Senhor”. Não se deduza que sou contra o louvor. Sou contra o culto que baniu a confissão. Sou contra a tentativa de varrer para baixo do tapete a reflexão e tudo submeter à agitação. Parece-me que as pessoas não pensam muito, mas apenas sentem e se sacodem. Nossa cultura não é reflexiva. É romântica, piegas e sensual (dos sentidos).</p>
<p>Há um grande esforço de algumas ciências e disciplinas para tirar do homem o sentimento de culpa. Ele é produto do meio, das circunstâncias, dos genes, mas nunca resultado de suas decisões e menos ainda alguém que diga como Paulo: “&#8230; eu sou carnal, vendido sob o pecado” (Rm 7.14) e “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim” (Rm 7.19-20). Além de desmentir a concepção iluminista de que o homem é bom, Paulo desmente a visão platônica de que saber é ser. Como isto nos tem marcado também! Todos os nossos problemas parecem que serão resolvidos com “conscientização”. Multar motoristas bêbedos e irresponsáveis? Não, isso é repressão, indústria da multa. Vamos conscientizar tais pessoas! Combater as drogas? Vamos conscientizar os nossos jovens. Ora, alguém não sabe que álcool e volante não combinam? Alguém ignora que drogas são destrutivas? Nosso problema não é cognitivo. É espiritual. Somos pecadores, dominados pelo pecado, e precisamos ser libertos do poder do Maligno: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” (Jo 8.36). Quando a Igreja perderá o acanhamento de chamar as pessoas ao abandono do pecado, e até quando continuará pregando auto-ajuda, como se a obra salvífica de Cristo fosse nos fazer sentir-nos melhores, emocionalmente?</p>
<p>Precisamos de uma soteriologia centrada na obra vicária de Jesus Cristo. Seu evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). A Igreja precisa pregar que os homens são pecadores, estão perdidos, vão para a condenação eterna, e só Jesus Cristo salva.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. A NECESSIDADE DE UMA CRISTOLOGIA CORRETA</p>
<p>Parte da argumentação foi feita aqui, mas com a conotação da teologia da salvação. Agora, trato da pessoa de Cristo. Precisamos enfatizar bem os aspectos centrais da vida do Salvador: nascimento virginal, vida sem pecado, morte vicária, ressurreição corporal, ascensão e sua segunda vinda em poder e glória para julgar o mundo. Porque há um esforço enorme para se descaracterizar a pessoa de Jesus. Ele já foi mostrado como hippie, como guerrilheiro, como modelo de vida, e agora parece ser um incômodo para a Igreja. Parece que muitas igrejas não sabem o que fazer com Cristo e sua cruz. A mídia procura distorcê-lo. E a teologia contemporânea insiste em desmitologizá-lo, em buscar o Jesus histórico, tentando fazer uma nova história e nos dar um novo Cristo. Gente em gabinete com ar condicionado e em poltronas estofadas pretende saber mais sobre o Jesus do Novo Testamento que os evangelistas e Paulo.</p>
<p>Muito da distorção sobre a figura de Jesus está vindo dos cânticos, onde ele quase nunca é cantado e quando é cantado, em alguns dos cânticos se assemelha mais a uma força que a uma pessoa. Parece mais uma energia cósmica que o Salvador do mundo.</p>
<p>Só há um Cristo digno de ser pregado, o do Novo Testamento. E este é o Cristo crucificado. Mas há cultos em que o nome de Jesus só é mencionado na oração: “Em nome de Jesus”. Passou a ser mais uma senha que o Senhor da Igreja. Quantos sermões você ouviu ou quantos pregou, neste ano, sobre o Cristo crucificado? Preguei no aniversário de uma igreja e havia cinco grupos de louvor escalados. Não era uma ordem de culto. Era um ajuntamento de números especiais. Cada grupo apresentou três números, e antes de cada número houve o famoso sermãozinho  sobre o louvor. Cá pra nós: sermão de grupo de louvor é duro de ouvir. São platitudes dispensáveis. O culto começou às 19 horas e me deram a palavra às 20h50. Metade do auditório estava tão cansada de tanto louvor, que não acompanharia meia hora de sermão. A outra metade estava tão excitada que não acompanharia nenhum raciocínio. O culto foi um louvor ao louvor, não a Cristo. O louvor foi um fim em si mesmo. Quando me deram a palavra observei um fato muito triste: em uma hora e cinqüenta minutos de culto, o nome de Jesus só fora pronunciado na frase “em nome de Jesus”, nas orações que se haviam feito. A Igreja é de Cristo, mas o louvor não é a ele. E o foco também não é ele, mas as pessoas que se exibem.</p>
<p>“Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2.2). Culto em que Cristo não foi pregado e a mensagem da cruz não foi anunciada não foi um culto neotestamentário. Há pregações moralistas, há pregações de auto-ajuda, há pregações que caberiam numa sinagoga, mas a pregação numa igreja deve ser cristocêntrica. O centro do culto não é o louvor, mas é Cristo.</p>
<p>Deu para notar que neste tópico, falando de uma cristologia correta, detive-me mais na cristologia prática, vivenciada na Igreja, que à Cristologia como aspecto da Teologia. Porque o que me incomoda é que a Teologia está sendo refeita, ou melhor, distorcida, nos cultos, e não nos seminários. Mas como já havia tocado no assunto no tópico anterior, ao falar da soteriologia, creio que já comentei o suficiente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5. A NECESSIDADE DE UMA ESCATOLOGIA CORRETA</p>
<p>Há pouco, os evangélicos brasileiros ficaram escandalizados porque um pastor muito presente na mídia negou a segunda vinda de Cristo. Dispenso-me de comentar o pastor, mas centro-me na segunda vinda. A Igreja crê mesmo nela? Quão raramente se prega sobre ela! Quão raramente se canta sobre ela!</p>
<p>A teologia da libertação passou fogo na escatologia, dizendo-a ser um recurso das elites (de novo!) para manter as massas acalmadas. A teologia da prosperidade a aniquilou, porque quer o céu aqui. Não conseguiu entender a tensão do <em>já </em> e do <em>ainda não </em> da vida cristã. E, na realidade, muitos de nós estamos mais interessados em melhores empregos, melhores casas, carros zeros e maiores, que no céu.</p>
<p>Mas não é de céu que quero falar, especificamente, no aspecto de  escatologia. Quero falar sobre a necessidade da igreja em advertir os pecadores de que haverá juízo. Que haverá um fim, que Cristo voltará e julgará a todos. A teologia da prosperidade em geral, e algumas de nossas pregações pragmáticas, em particular, têm empobrecido o ensino bíblico. “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19).</p>
<p>Os crentes têm perdido a perspectiva do céu. Fico decepcionado com o desespero de alguns crentes quando perdem parentes crentes. Um colega me contou de uma senhora de sua igreja que ficou desesperada porque a mãe, com quase 90 anos e muito doente, partira para estar com o Senhor. E onde fica Filipenses 1.23, que diz: “Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor”? . Antes que me digam que eu não sei o que é perder mãe: perdi a minha aos meus 14 anos de idade. E ela não era crente. Era espírita. A questão é que as pessoas não ouvem pregações sobre o céu, não aspiram por ele, não o desejam, e querem apenas bênção sobre bênção, aqui na terra. Na realidade, nós não cremos no céu. Dizemos crer, mas não cremos.</p>
<p>Uma escatologia correta ensinará que a Igreja é hoje militante, e não triunfante (o que nos livrará de muitas ingenuidades pregadas e cantadas), mas um dia será triunfante. Que não será vencida, que pode sonhar e deve trabalhar pelo triunfo do evangelho. Não servimos a uma causa que pode ou não dar certo, mas que dará certo. E que o triunfo a cantar não é meu triunfo sobre minhas dificuldades pessoais, mas o triunfo de Jesus Cristo! Para muitos crentes, importa-lhes o seu triunfo, a sua bênção, e não a glória de Cristo, como Senhor do universo.</p>
<p>A mim, pouco me importa meu triunfo pessoal. Sou apenas um peão no tabuleiro do jogo de xadrez, que o Grande Jogador move para onde desejar, para fazer seu plano funcionar. Peão é descartável, é peça que sacrifica para se obter a vitória. Não aspiro a grandes coisas, mas apenas a ser útil. E não estou sendo vaidoso nem preciso ser elogiado por isso. É obrigação de cada cristão dizer como Paulo: “segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.” (Fp 1.20). A escatologia correta é aquela em que sabemos do triunfo do evangelho, que este triunfo virá por Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, e que nossa vida a serviço dele contribui para o avanço da obra.</p>
<p>Esta visão escatológica de vitória do reino nos ajuda a entender que seguir a Cristo não é uma viagem de primeira classe por este mundo, mas um engajamento no seu exército. Nós seremos vencedores. Mas, em termos humanos, nós faremos a vitória acontecer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Primeiro quis apresentar esta palestra. Depois apresentarei mensagens bíblicas. Mas o que pretendi dizer aqui, dificilmente caberia num sermão. Procuro pregar expositivamente e aqui expus alguns conceitos teológicos que ficariam esparsos. Inseri-los nos sermões seria fazer piruetas exegéticas, o que não me soa correto.</p>
<p>O que aqui apresentei é o que creio. É minha convicção. E a síntese do que foi dito pode ser vista no uso que faço de Provérbios 22.28: “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais”. Temos um balizamento de quatro séculos de história como batistas. Não removamos os marcos que nossos ancestrais estabeleceram.</p>
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/O%20PASTOR%20DO%20S%C3%89CULO%2021%20-%20TEOLOGIA.docx#_ftnref1">[1]</a> Conforme citação de Scott Horrel, no artigo “Jesus Cristo: Deus e homem. A relevância da cristologia clássica para a América Latina”, na revista <em>Vox Scripturae, </em>vol. II, número 2, p. 24.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/O%20PASTOR%20DO%20S%C3%89CULO%2021%20-%20TEOLOGIA.docx#_ftnref2">[2]</a> GRAHAM, Billy. <em>Mundo em chamas. </em>Rio de Janeiro: Record, 1965., p. 31.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/kleber/Downloads/O%20PASTOR%20DO%20S%C3%89CULO%2021%20-%20TEOLOGIA.docx#_ftnref3">[3]</a> MOSER, Antônio. <em>O pecado ainda existe? </em>S. Paulo: Edições Paulinas, 2ª. ed., 1977.</p>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2011/09/o-pastor-do-seculo-21-uma-reflexao-na-area-da-teologia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>MODELOS E CRESCIMENTO DAS IGREJAS BATISTAS</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/05/modelos-e-crescimento-das-igrejas-batistas/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2011/05/modelos-e-crescimento-das-igrejas-batistas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 May 2011 09:48:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=1868</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, preparada para o Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Secção Pará – Palestra 3 INTRODUÇÃO Associar crescimento das igrejas com um modelo eclesiológico me parece surrealista. Só é entendível que isto suceda porque vivemos numa sociedade que valoriza a tecnologia, tem forte viés iluminista, e vê a igreja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2011%2F05%2Fmodelos-e-crescimento-das-igrejas-batistas%2F&title=MODELOS+E+CRESCIMENTO+DAS+IGREJAS+BATISTAS&desc=Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%2C+preparada+para+o+Congresso+da+Ordem+dos+Pastores+Batistas+do+Brasil%2C+Sec%C3%A7%C3%A3o+Par%C3%A1+%E2%80%93+Palestra+3%0D%0A%0D%0A+%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O%0D%0A%0D%0AAssociar+crescimento+das+igrejas+com+um+mode&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p><em>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, preparada para o Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Secção Pará – Palestra 3</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Associar crescimento das igrejas com um modelo eclesiológico me parece surrealista. Só é entendível que isto suceda porque vivemos numa sociedade que valoriza a tecnologia, tem forte viés iluminista, e vê a igreja como uma organização secular, sujeita às mesmas circunstâncias das organizações seculares. É um reducionismo simplista que vem desde Giovanni Vico, e que foi reforçado pelo Iluminismo. E encampado pelo marxismo. Disse Vico: “A natureza das coisas não é mais do que virem elas a ser em determinados momentos e de determinadas maneiras. Onde quer que as mesmas circunstâncias estejam presentes, surgirão os mesmos fenômenos e não quaisquer outros (…) refiro-me a esta verdade incontestável: <em>o mundo social é certamente obra do homem; </em>e daí se segue que se podem e devem encontrar os princípios deste mundo nas modificações da própria inteligência humana”<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftn1">[1]</a>. A igreja tem sido vista como obra do homem e ficou sujeita a leis programadoras, num mecanicismo histórico, típico do marxismo. Achamos que podemos programar o crescimento das igrejas, e que isto acontecerá se reproduzirmos circunstâncias e situações. Se aplicarmos as técnicas certas, os resultados surgirão, independente do lugar ou das pessoas. Podemos fazer as coisas acontecerem. Basta sabermos fazer. Tendo acontecido, basta repetir em outros lugares. Isto é um reducionismo, que empobrece o evangelho e diminui Deus. Nesta visão secularizante, basta aplicar determinadas técnicas para que um organismo social cresça. Como a igreja é vista como um organismo social deve haver técnicas certas para seu crescimento.<span id="more-1868"></span></p>
<p>Há vários modelos eclesiológicos prometendo o crescimento da igreja. Assim vemos ministério colegiado, ministérios leigos, células, igrejas nos lares, igreja emergente, igrejas amigáveis, G12 (sobre o qual a Convenção Batista Brasileira se pronunciou) e outros mais. Estes modelos diferem em forma e outros, em conteúdo. Mas alguns de seus defensores, não todos, fazem com que tenham algo em comum: defendem-nos com ardor, como se fossem um oráculo de Yahweh, a última esperança da terra. Alguns são bem enfáticos, como um que me disse, textualmente: “Fora do modelo de igreja em células não vejo futuro para a igreja!”. Devo dizer que esta foi uma opinião de uma pessoa, e não do conteúdo do movimento celular em si mesmo.</p>
<p>Honestamente, nunca me preocupei com esta questão, em termos de optar por um deles. Examinei, li, conversei com alguns de seus usuários, e continuei tradicional, “fossilizado”, como alguns dizem. Sem vaidade, não sou um fracassado. Todas as igrejas que pastoreei cresceram e organizaram outras. Não creio que a questão de crescimento de igreja tenha que ser atrelado a modelos eclesiológicos. Não vejo nenhum modelo como redentor da igreja. Nem o que uso. Tendo posto as cartas na mesa, sigamos em frente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. ALGUNS RECEIOS</p>
<p>Quero manifestar alguns receios que nutro nesta questão de modelos.</p>
<p>(1) Meu primeiro e mais forte receio é que é que o fazer humano seja posto acima do poder de Deus. A crença na eficácia da estrutura eclesiástica se torna maior que a crença no poder de Deus. Abordei isto no discurso paraninfal apresentado à Faculdade Batista de Teologia do Amazonas, em 1997: “Quando a igreja troca a teologia pela tecnocracia” <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftn2"><em><strong>[2]</strong></em></a><em>. </em> Nele mencionei os pontos de discordância entre uma igreja e uma empresa, e como os critérios de crescimento de uma nada têm a ver com o de outra. A descaracterização da igreja é algo muito sério, e que temos que  repudiar.  Corremos  este risco porque os batistas somos muito institucionalizados. Temos uma crença ingênua no poder das nossas instituições. Quase que as sacralizamos. Cremos que todos os nossos problemas se resolvem com mais um Grupo de Trabalho, uma comissão ou mais uma organização. E com isto tomamos as rédeas do processo espiritual em nossas mãos. Perdoem-me por citar a mim mesmo, mas repeti estas preocupações no artigo “Pastor ou gerente? Igreja ou empresa?”<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftn3">[3]</a>, onde cito principalmente Os Guiness, em seu livro <em>Dining with the Devil: the megachurch movement flirts with the modernity. </em>Este respeitado pensador cristão mostra como a igreja, embora reaja contra a filosofia do secularismo, é seduzida pelo processo de secularização. Ela aceita a maneira de pensar do mundo. Ela não cumpre Romanos 12.2 e é moldada pelo mundo, perdendo sua essência.</p>
<p>(2) Meu segundo receio é o modismo. Certas práticas se tornam, entre nós, um autêntico <em>shiboleth</em>, aquela “pegadinha”dos gileaditas contra os efraimitas (Jz 12.5-6). É o único modo certo de fazer as coisas. Tem que fazer assim para não ser um ultrapassado. Não vai ser morto como os efraimitas, mas espiritual ou intelectualmente, está morto. O copismo é muito forte em nosso meio. Desde os cânticos ingênuos repetidos em várias igrejas até estilos de pregadores que passam a ser imitados. Acontece, às vezes, de a igreja não ter uma cultura adequada para aceitar determinada eclesiologia (cada igreja desenvolve um jeitão, uma maneira de ser, com o tempo) e o obreiro não tem o perfil para tocar aquele processo, mas tem que fazer daquele jeito. Nem a igreja nem o obreiro têm condições de vivenciar aquele modelo. Particularmente, sou descentralizador e distribuo tarefas. Teria dificuldades com estruturas que colocam todo o poder na mão  do pastor. Não saberia como agir, e me perderia na administração deste modelo.  Aliás, <em>en pasant, </em>o pastor deve examinar bem a congregação que o convida para o pastorado para ver se ele e ela têm algo em comum, se seus estilos se harmonizam.</p>
<p>(3) Meu terceiro receio é o exclusivismo. Citei anteriormente a frase de um adepto do modelo de igrejas em células, para o qual a única salvação para a igreja estava neste modelo. Ele simplesmente aniquilou o Espírito Santo e apagou toda a história da igreja. Teve uma crise de “Nunca antes na história deste país” e zerou o cristianismo. É bom ser apaixonado pelo que se faz, desde que se façam coisas corretas, mas é preciso cautela para não elevar seu gosto, seu trabalho e sua opção  ao nível de absoluto. Há gente que exagera sua atividade e sua importância. Cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém (a não ser à galinha, mas isto é outra história). Que quem opte por um modelo não faça dele o modelo exclusivo. Há pessoas que acham que sem elas Deus estaria perdido, sem saber o que fazer. Deus é soberano, e age independente do que pensamos. Com todo respeito a Augusto Cury, apesar de seu livro <em>Você é insubstituível,</em> os cemitérios estão cheios de insubstituíveis. E o cemitério da história está cheio de instituições, organizações e modelos insubstituíveis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. QUAL O MODELO DO NOVO TESTAMENTO?</p>
<p>A resposta é curta: nenhum. O Novo Testamento nos fornece material para uma teologia da igreja, mas não para um padrão que seja o modelo funcional de igreja. Frank Viola declara, em um de seus livros: “&#8230; o Novo Testamento não contém tal projeto a ser reproduzido, tampouco uma lista de normas e prescrições para os cristãos seguirem”<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftn4">[4]</a>. Correto, muito correto. Mas, a seguir, ele apresenta o seu, de igrejas nas casas, e num passe de mágica o mostra como sendo o único correto. Cáustico com os demais modelos e cantando loas ao seu modelo, ele vai desconstruindo tudo, desde as denominações ao modelo em células. Muito de seu arrazoado é correto, mas numa argumentação primária e canhestra, ele transforma algo historicamente eventual em absoluto teológico. Estabelecer uma eclesiologia padrão nas igrejas que foram focadas nas cartas paulinas é um pouco temerário.  Eram circunstâncias em mutação. A teologia foi definida, mas o <em>modus operandi</em> das igrejas, em termos estruturais, não me parece ter sido definido no Novo Testamento.</p>
<p>As idéias deste movimento de igrejas nos lares foram mais disseminadas num romance <em>Por que você não quer mais ir à igreja, </em>de Jacobsen e Coleman, bem escrito, embora raiando o absurdo com um apóstolo João redivivo, andando em nosso meio. Mesmo no romance dá para ver que o conceito se igreja se esvazia teologicamente. Ela perde sua universalidade, deixa de cultivar a comunhão dos santos (é cheia de empáfia espiritual, pelo menos nos escritos de Viola) e perde também a visão missionária. Sua visão social é uma esquisita forma de <em>koinonia</em>, que pode ser chamada de <em>koinonite</em>:<em> </em>“Você traz cafezinho e eu trago bolachinhas”. Soa-me como guetização do conceito de igreja. Se gasto tempo com Viola e seguidores é exatamente por isto: por se apropriarem do conceito bíblico de igreja e amoldá-lo à sua visão de grupinho de auto-serviço, em culto ao umbigo. Isto acaba com a igreja. Tira-lhe a universalidade, a missão mundial de evangelização e a torna em grupo de auto-ajuda. Cabe bem aqui a observação de Horton: “O teatro principal para o serviço do povo é <em>o mundo, </em>e não <em>os ministérios de serviço</em> dentro da igreja”<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftn5">[5]</a>.</p>
<p>A igreja primitiva não tinha templos. Mas tampouco tinha qualquer estrutura eclesiológica. Era apenas um agrupamento de homens e mulheres, ao redor de um fato: Cristo vivera, morrera, ressuscitara e deixara um grupo que cria nele. Qualquer modelo que advogue para si o título de ser o modelo neotestamentário terá que fazer piruetas exegéticas para justificar sua posição e sua existência.</p>
<p>Viola é radicalmente contra instituições religiosas e igrejas institucionais, mas usa uma Bíblia que foi editada por alguma instituição religiosa, mantida por igrejas institucionais. Edita livros por editoras religiosas, administradas por pessoas que pertencem a igrejas institucionais. Se todo o cristianismo fosse nos moldes de Viola estaríamos muito mal das pernas.</p>
<p>Modelos são embalagens. Não são absolutos nem o mais importante. O mais valioso é o que a embalagem traz, e se esta se sobrepõe ao produto, isto me beira à idolatria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. MAS HÁ MODELOS QUE DÃO CERTO!</p>
<p>Não há garantia que um modelo transplantado de uma igreja para outra dê certo. Ainda é cedo para se afirmar que dê certo, e as pesquisas até agora não são exaustivas para se afirmar que dê certo. Mas a experiência de colegas que se frustraram com modelos que empacaram em sua igreja mostra que nem sempre dá certo.</p>
<p>Os dados estão defasados, mas a mais exaustiva pesquisa sobre crescimento de igrejas ainda pertence a um trabalho efetuado na década dos sessentas, por Read, Monterroso e Johnson. Foram dez meses de pesquisa em duas mil igrejas em dezessete países e vinte meses de análise dos dados da pesquisa. O resultado gerou um livro <em>O crescimento da igreja na América latina <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftn6"><strong>[6]</strong></a>. </em> Os dados estão defasados, porque a pesquisa já tem meio século. Mas apontaram algo surpreendente: o crescimento das igrejas não estava ligado à doutrina (havia igrejas tradicionais que cresciam e igrejas pentecostais que não cresciam), nem à eclesiologia (não fazia diferença se o governo era congregacional, episcopal ou presbiterial), nem à liturgia (não fazia diferença se era solene ou solto). Estava ligado à capacidade de mobilização dos chamados leigos, e do seu envolvimento com a obra. Isto está de acordo com o chamado <em>teorema de Strachan</em>. O nome deriva do missiólogo Keneth Strachan.  Ele analisou o crescimento das seitas na América latina, inclusive o comunismo, que ele chamou de seita com religiosidade secular, e testemunhas de Jeová. Observando o porquê de seu crescimento, declarou que “O crescimento de um grupo religioso está diretamente ligado à capacidade deste grupo em mobilizar seus membros numa constante e contínua propagação de suas crenças”. Esta expressão ficou conhecida como o <em>teorema de Strachan. </em>O que faz o crescimento não é o modelo, mas são as pessoas.</p>
<p>Um reparo que se faria à pesquisa, hoje, é o crescimento do neopentecostalismo com a figura sacerdotal do pastor e com uma absoluta ausência de participação dos leigos, em regimes ultra-centralizados. Mas mesmo assim, examinando-se a Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça, Renascer e semelhantes, observa-se que o elemento chamado leigo, se não participa da divulgação da fé, participa de cultos descarregando suas emoções. E pessoas são chamadas para darem testemunhos, que, via de rega, as colocam como foco de atenção. As pessoas têm muita necessidade de chamar a atenção e de serem notadas. Um culto em que podem se expressar e falar (mesmo que coisas duvidosas como vemos em alguns testemunhos) as atrai. Elas são o foco de atenção. Mas isto é outro caso, as patologias emocionais das pessoas.</p>
<p>A questão que levanto é esta: é o modelo, em si, ou o fato de que o modelo envolve as pessoas? Se o envolvimento das pessoas suceder em outro modelo, o crescimento não aparecerá? É o modelo mesmo ou o padrão comum é o do envolvimento das pessoas com sua crença?</p>
<p>Lembro-me de uma afirmação que li em um livro de Filosofia, e de cujo título me esqueci. Ficou-me a declaração: “As idéias movem o mundo” <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftn7">[7]</a>. Mais tarde, ruminando a frase, discordei. As idéias não movem o mundo. O que move o mundo são as pessoas. Que o evangelho seria levado aos gentios estava predito a Abraão (Gn 12.3). Mas o Espírito Santo chamou dois homens, Barnabé e Saulo, para esta obra (At 13.1-2). A doutrina da justificação pela fé sempre esteve lá, na Bíblia. Mas Lutero a redescobriu. A ordem de missão mundial da igreja sempre esteve lá, no Novo Testamento. Um dia, um homem, William Carey, a abraçou com entusiasmo.  São pessoas, motivadas, treinadas, envolvidas, comprometidas, que fazem a diferença. Por isso, contradito o título deste tópico. Há pessoas que fazem os modelos darem certo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. O MODELO NECESSÁRIO</p>
<p>O modelo necessário está no conceito de pastor e no conceito de igreja. Precisamos de pastores que sejam pastores, e não meros  funcionários religiosos. E de igrejas que sejam igrejas, não meros agrupamentos religiosos. Pastores e igrejas que preguem todo o conselho de Deus e não que se preocupem em fidelizar clientes, para ter gente no culto. As igrejas não precisam de clientes, mas de pessoas salvas e engajadas.</p>
<p>Precisamos de obreiros que amem o ministério, que o levem a sério. Que digam como Paulo: “Contudo, nem por um momento considero a vida como valioso tesouro para mim mesmo, contanto que possa completar a missão e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus” (At 20.24, King James).</p>
<p>Creio que um dos maiores problemas hoje está na área pastoral. Andarei por aqui sobre o fio da navalha, com cuidado, e com temor. Não jogaria pedras em colega algum, nem me poria como modelo, mas tenho me chocado com a falta de zelo de alguns obreiros e com a falta de conteúdo de algumas igrejas. Graças a Deus por homens e mulheres santos e comprometidos com o ministério. Graças a Deus por igrejas que pregam o evangelho. Mas a imagem que o mundo tem de pastores é de pessoas pouco íntegras e das igrejas evangélicas como instituições pouco confiáveis. Este fator prova que não estou sendo duro. Não temos boa imagem junto ao mundo.</p>
<p>Precisamos de pastores que formatem suas igrejas espiritualmente. Que as levem à santificação, que não deve ser entendida como gritaria, mas sim como abandono do pecado e crescimento na graça. Que as levem a crescer em evangelismo e missões. Que sejam cooperadores com os colegas e com o grupo. Que não se isolem e que façam parte do todo. E que entendam que o crescimento é obra de Deus, e não de técnicas e de modelos. “Eu plantei; Apolo regou; mas foi Deus quem deu o crescimento” (1Co 3.5, KJ).</p>
<p>O modelo ideal não é o que privilegia forma, mas o que privilegia caráter. Tanto o espiritual quanto o moral. Tanto do obreiro quanto o da igreja.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Uma última palavra: nossa missão, como pastores, não é produzir o crescimento da igreja. Ele é conseqüência de nossa missão ser cumprida.  Em termos de nossa missão para com a igreja como um todo, as palavras de Paulo são bem esclarecedoras: “Pois tenho verdadeiro ciúme de vós e esse zelo vem de Deus, pois vos consagrei a um único esposo, que é Cristo, a fim de vos apresentar a Ele como virgem pura” (1Co 11.2, KJ). Em termos de nossa missão para com o crente, como indivíduo, cabem as palavras de Colossenses 1.28: “A Ele, portanto, proclamamos, aconselhando e ensinando cada pessoa, com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”.</p>
<p>Ter ciúmes e zelo pela igreja. E cuidado pelas ovelhas. Estas são nossas funções precípuas, entre muitas outras. Quando a igreja em geral e o crente em particular amadurecem, a igreja cresce. O crescimento é natural, não produzido em laboratórios eclesiásticos. Cuidemos de nossas igrejas como um todo, e de nossas ovelhas, em particular. Deus dará o crescimento através das vidas dos crentes, que se reproduzirão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<hr size="1" />
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftnref1">[1]</a> WILSON, Edmund. <em>Rumo à estação Finlândia. </em>São Paulo: Círculo do Livro, 1987, p. 12. O trecho em itálico é de Vico, conforma a obra de Wilson.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftnref2">[2]</a> O discurso foi publicado na <em>Revista teológica</em>, do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, ano XIII, no. 17, da página 4 à página 7. Infelizmente, o revisor cochilou e colocou “Quando a igreja troca a teologia pela teocracia”, minando grande parte da força do material.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftnref3">[3]</a> Publicado na revista “Administração eclesiástica”, ano 38, no. 149, 1T11, páginas 6 a 9.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftnref4">[4]</a> VIOLA, Frank. <em>Reimaginando a igreja.</em>Brasília: Editora Palavra, 2009, p. 36.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftnref5">[5]</a> HORTON, Michael. <em>Cristianismo sem Cristo. </em>S. Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010, p. 160. O itálico é de Horton.  É um livro excelente, cuja leitura reflexiva recomendo, com todo respeito.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftnref6">[6]</a> READ, William; MONTERROSO, Victor, JOHNSON, Harmon. <em>O crescimento da igreja na América latina. </em>S. Paulo: Editora Mundo Cristão, s/d.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/MODELOS%20DE%20CRESCIMENTO.docx#_ftnref7">[7]</a> Enviei esta palestra para o Presidente da Ordem dos Pastores do Pará, Pr. Ruy Machado, e ele me deu a fonte. Transcrevo trecho do seu e-mail e agradeço a gentileza de me orientar: “A referência é: MENDONÇA. Eduardo Prado de. <em>O mundo precisa de Filosofia.</em> 10ª ed. Rio de Janeiro: Editora Agir, 1991.<br />
OS;  A frase é de um capítulo do livro. Se bem que, Platão e Aristóteles já a mencionam  não <em>ipsis literis</em>, mas a idéia da frase permeia por estes filósofos, principalmente em Aristóteles no livro <em>Alfa da Metafísica</em>.”. Valeu, colega!</p>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2011/05/modelos-e-crescimento-das-igrejas-batistas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>AUTONOMIA E COOPERAÇÃO NAS IGREJAS BATISTAS</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/05/autonomia-e-cooperacao-nas-igrejas-batistas/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2011/05/autonomia-e-cooperacao-nas-igrejas-batistas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 15 May 2011 09:48:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=1866</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, preparada para o Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Secção Pará – Palestra 2 INTRODUÇÃO Começo por Sócrates: “Se queres conversar comigo, define tuas palavras”. E como dizia meu mestre em Filosofia, Dr. Purim, a qualquer pergunta que fizéssemos: “Bem, bem, bem vamos definir os termos!”. Definamos palavras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2011%2F05%2Fautonomia-e-cooperacao-nas-igrejas-batistas%2F&title=AUTONOMIA+E+COOPERA%C3%87%C3%83O+NAS+IGREJAS+BATISTAS&desc=Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%2C+preparada+para+o+Congresso+da+Ordem+dos+Pastores+Batistas+do+Brasil%2C+Sec%C3%A7%C3%A3o+Par%C3%A1+%E2%80%93+Palestra+2%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O%0D%0A%0D%0ACome%C3%A7o+por+S%C3%B3crates%3A+%E2%80%9CSe+queres+conversar+com&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p><em>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, preparada para o Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Secção Pará – Palestra 2</em></p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Começo por Sócrates: “Se queres conversar comigo, define tuas palavras”. E como dizia meu mestre em Filosofia, Dr. Purim, a qualquer pergunta que fizéssemos: “Bem, bem, bem vamos definir os termos!”. Definamos palavras e termos. Autonomia é a faculdade de se governar por suas próprias leis, por vontade própria. Deriva do grego <em>autós, </em>“próprio”, e <em>nomós, </em>“lei”. Cooperação é o ato de cooperar, “operar com alguém”. Não gosto de começar com definições, ainda mais de dicionários. Mas fiz assim para mostrar que os dois termos nada têm de conflitantes. Uma igreja autônoma pode muito bem ser uma igreja cooperante. E uma igreja cooperante não perde sua autonomia.<span id="more-1866"></span></p>
<p>Sobre a autonomia das igrejas batistas, assim se pronuncia a Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira: “As igrejas neotestamentárias são autônomas, têm governo democrático, praticam a disciplina e se regem em todas as questões espirituais e doutrinárias exclusivamente pela Palavra de Deus, sob a orientação do Espírito Santo”<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftn1">[1]</a>. Infelizmente, a DD nada afirma sobre a cooperação das igrejas. Há uma observação muito tênue, no mesmo item, sobre “harmonia e cooperação”, mas não fica claro de quem é a cooperação, se das igrejas entre si ou dos membros das igrejas.</p>
<p>O artigo 2º. do Estatuto da Convenção Batista Brasileira diz que as igrejas lhe são “filiadas”. Gramaticalmente não está errado, pois o ato de filiar-se tem, como um de seus sentidos, o de ajuntar-se a uma organização. A mim, o melhor termo seria “cooperantes”. Porque tira a idéia de uma possível subordinação, porque filhos se subordinam a pais (como no conceito de uma loja filial, que presta contas à matriz) como também porque chamaria a atenção para a necessidade de cooperar. Há igrejas filiadas, mas não cooperantes.</p>
<p>Uma igreja batista é autônoma e deve ser cooperante. Ela é autônoma (rege-se por si mesma), é congregacional (rege-se pela congregação) e deve ser cooperante (faz parte de um todo e se envolve com as demais). Sua autonomia, sua congregacionalidade e sua cooperação são neotestamentárias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DA AUTONOMIA</p>
<p>Anos atrás, houve uma pressão de algumas pessoas, num estado onde pastoreei, para que a questão da autonomia das igrejas fosse revista. Na mente de alguns, naquela região, ficou uma semente de episcopalização denominacional, infelizmente. A Ordem dos Pastores da região promoveu um debate e coube-me apresentar o ponto de vista da autonomia da igreja local. Foi fácil, porque é simples e óbvio: do ponto de vista do Novo Testamento só existe uma organização reconhecida e legitimada, a igreja local.</p>
<p>Por todo o Novo Testamento não encontramos um mandamento sequer que configure uma ordem externa de uma instituição tida como superior à igreja local. Não há uma passagem bíblica que mostre a igreja local como estando subordinada a alguém ou a alguma coisa, do ponto de vista humano.</p>
<p>Em Atos 15 temos o evento do concílio de Jerusalém. Alguns dizem que foi a primeira convenção batista da história. Acho que sim.  As igrejas já estavam com problemas doutrinários e já estavam brigando. Só podiam ser batistas&#8230;</p>
<p>Mas o tom que subjaz ao concílio parece ser de debate e de recomendação. A decisão tomada não parece ter sido imposta, como uma ordem, mas foi emitida como uma recomendação. Inclusive é oportuno considerar a nota de rodapé da King James, em português, sobre o evento: “A autoridade absoluta nas decisões dos cristãos é outorgada ao Espírito Santo; entretanto, é importante notar que houve entre os crentes franca e fraterna exposição de idéias que culminaram em harmoniosa concordância e decisão final, com apoio dos apóstolos, presbíteros e demais irmãos em Cristo (22.23)”<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftn2">[2]</a>.</p>
<p>Mas o que me interessa neste contexto é a palavra do concílio sobre os perturbadores. Qual a relação deles com o concílio? Está no versículo 24. Assim traduzem algumas diferentes versões:</p>
<p><em>Almeida Século 21</em>: “Desde que soubemos que alguns dos nossos, os quais não enviamos, vos tem perturbado, com palavras, confundindo-vos a mente”.</p>
<p><em>Bíblia de Jerusalém: </em>“Tendo sabido que alguns dos nossos, sem mandato de nossa parte, saindo até vós, perturbaram-vos, transtornando vossas almas com palavras”.</p>
<p><em>Linguagem de Hoje: </em>“Soubemos que alguns do nosso grupo foram até aí e disseram coisas que criaram problemas para vocês. Porém  não foi com nossa autorização que eles fizeram isso”.</p>
<p><em>King James: </em>“Desde que alguns saíram de entre nós, sem nossa permissão, e vos têm constrangido por meios de suas palavras, confundindo-vos a mente”.</p>
<p><em>Almeida, Versão Revisada: </em>“Porquanto ouvimos que alguns dentre nós, aos quais nada mandamos, vos têm perturbado, confundindo as vossas almas”.</p>
<p>Meu foco recai sobre as expressões “os quais não enviamos”, “sem mandato de nossa parte”, “não foi com autorização”, “sem nossa permissão”, “aos quais nada mandamos”.  O texto grego é <em>hois ou diesteilametha. </em>Esta última palavra é o primeiro aoristo de um verbo antigo, com o sentido de “enviar distintamente; com comando”<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftn3">[3]</a>. Não foram autorizados. Por quem? Pelos líderes, como pessoas? Por eles, como uma organização administrativa? Pelo concílio? Este era uma instituição permanente como o sinédrio ou foi uma eventualidade? Esta declaração deixa entrever a possibilidade de que houvessem pessoas enviadas com mandato, devidamente autorizadas? Havia um órgão que enviava pessoas às igrejas, com ordens? Esta se dizendo que estes não faziam parte de um grupo que fosse autorizado?</p>
<p>A idéia que parece ficar da declaração é que o concílio discordou da atitude daquelas pessoas, e declarou que elas agiram por conta própria. Parece mais isto do que dizer que não fizeram com ordem deles, mas que essa ordem pudesse ser possível. A mim fica a idéia de que o concílio foi eventual e não era uma organização que dava ordens e que, no caso em tela, foi desobedecido, por isso estava negando sua autoridade aos perturbadores. O concílio não tinha autoridade prévia nem teve autoridade posterior. Foi eventual.</p>
<p>Em alguns momentos Paulo parece ser um supervisor da obra. As igrejas da Macedônia lhe pediram permissão para contribuir (2Co 8.4). Ele orienta as igrejas, como vemos em várias passagens bíblicas. Em alguns momentos, ele parece ter autoridade sobre os pastores. O texto de 1Timóteo 5.17 e seguintes trazem recomendações sobre os pastores, que, tudo indica, deveriam ser cumpridas por Timóteo: remuneração dos obreiros, sua disciplina e sua consagração. O contexto de várias situações parece mesmo indicar que Paulo tinha autoridade sobre alguns obreiros. Mas parece também que esta autoridade é intrínseca, e não extrínseca. Ou seja, é dele, porque quem ele é, e não uma autoridade outorgada, porque ocupa um cargo. Não me parece que Paulo fosse um bispo (no sentido episcopal) ou diretor de alguma instituição eclesiástica. E também ele se mostra um homem dependente das igrejas, principalmente em questão de sustento.</p>
<p>É estranha ao Novo Testamento a noção de uma autoridade extrínseca, outorgada por uma organização. Talvez porque os apóstolos ainda estivessem vivos e pudessem ser consultados. Mas a vida administrativa das igrejas parece pertencer-lhe a elas. Mas Atos 15, mesmo não sendo padrão, e sim indicativo, nos mostra que a autoridade não é centralizada nem externa. As decisões de fora são recomendadas e não impostas às igrejas. E tomadas após debates. É importante ressaltar que o grupo vencido não saiu para fazer uma “nova convenção”, mas entendeu que era a voz do Espírito Santo. Vejo que hoje, quem perde, pensa que a voz do Espírito manda rachar o grupo.</p>
<p>Trechos de 1Coríntios (que à luz de 1Coríntios 5.9 não foi a primeira carta que Paulo escreveu à igreja), mostram que, do ponto de vista funcional, a autoridade de Paulo não era absoluta: Apolo não seguiu uma recomendação dele. É significativo que Paulo seja bastante assertivo em questões teológicas e espirituais, mas não o seja em questões que envolvem decisões das igrejas. Nestas, ele parece mostrar-se numa posição de expectativa de resposta a pedidos e recomendações, mais que numa posição de quem aguarda acatamento de ordens.</p>
<p>Embora não tenha sido exaustivo, creio ter deixado claro que é mais viável ver a autonomia das igrejas que um governo central ou um bispo/apóstolo sobre as igrejas, no Novo Testamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DA COOPERAÇÃO</p>
<p>A cooperação parece ser o elemento mais freqüente nas páginas do Novo Testamento, ao lado dos problemas internos das igrejas. Na realidade, explicitamente, o Novo Testamento fala mais de cooperação que de autonomia. Creio que fala mais até mesmo implicitamente. É de estranhar que a cooperação seja tão pouco assumida por grande parte das igrejas. E estas agem assim por influência pastoral. Isto só me parece explicável à luz do egoísmo próprio de uma sociedade materialista, que julga as pessoas e instituições pelo quanto elas possuem. As igrejas querem ser bem sucedidas, e os pastores querem ser pastores de igrejas bem sucedidas. Isto implica, em nossa cultura, em templos suntuosos, quadras de futebol de salão para atrair os jovens, e mostra de poder econômico. Na cultura bíblica, o bom sucesso implica em valores espirituais, como dadivosidade e autodoação.  Mas nós, mundanizados, assumimos a cultura capitalista. O valor cristão maior é dar. O valor mundano básico é ajuntar. Nas igrejas, infelizmente, há mais preocupação hoje em ajuntar para si ou investir em si que distribuir e investir recursos nos outros. Somos mais regidos pela cultura do mundo que pela cultura neotestamentária. Mas do ponto de vista do Novo Testamento, as igrejas eram solidárias e investiam recursos nas outras igrejas.</p>
<p>Por exemplo, a igreja de Jerusalém enviou Barnabé a Antioquia (At 11.22), quando recebeu as notícias daquela cidade. Isto demandou despesas. A atitude da igreja não parece ter sido de mando, mas de surpresa pela ação de Deus fora de Jerusalém e do âmbito dos judeus puros. A comunidade de Antioquia passou a ser comandada por Barnabé, mas sua vida administrativa parece ter sido própria (v. 26). Não foram comandados pela igreja de Jerusalém. Os cristãos de Antioquia, judeus não puros, não se viram como um gueto nem cuidaram apenas de seus interesses, mas enviaram uma oferta para os cristãos da Judéia (v. 29). Barnabé trouxe Saulo para Antioquia, quando Saulo ainda não era o vulto que viria a ser, mais tarde. Não parece ele que precisou de autorização de Jerusalém para fazer isto. A igreja de Antioquia não precisou de “luz verde”, da igreja maior para tomar decisão. Nem Paulo ficou subordinado à igreja de Jerusalém. No episódio não transparece subordinação, mas sim cooperação. E esta, à luz do interesse genuíno de uma igreja por outra igreja.</p>
<p>Na realidade, os vínculos de Paulo com a igreja de Jerusalém não existiam, à luz de Gálatas 1.17 e 2.1-9, principalmente o versículo 1. Paulo ficou por catorze anos sem contato com a igreja de Jerusalém. As igrejas já eram autônomas e solidárias, antes do concílio de Jerusalém. Elas não interferiam na vida das outras, mas se ajudavam mutuamente. Viam-se como parceiras.</p>
<p>As igrejas da Macedônia, que eram pobres, ajudaram outras igrejas pobres (2Co 8.1-5). A ajuda não era, necessariamente, porque o ajudador tinha de sobra e o ajudado nada tinha. Era porque “primeiramente deram a si mesmos ao Senhor” (v. 5). Ajudaram porque eram cristãos. O critério não era o de sobra nem o de necessidade de ajuda, mas de solidariedade por sentimento cristão. Diz-se o mesmo das igrejas da Macedônia, em Romanos 15.26. Dependerá da datação que dermos às duas cartas (2Coríntios e Romanos), dizer se aqui Paulo está se referindo ao mesmo episódio ou a dois episódios diferentes. Como se cita também a Acaia, além da Macedônia, e as duas eram províncias distintas, pode ser que se refira a outro episódio. Se não for, é pelo menos a declaração de que as igrejas em duas regiões tinham sentimentos de cooperação solidária. Seja qual for a interpretação, a solidariedade que se evidenciava em cooperação não foi uma prática isolada. Em 1Coríntios 16.2, Paulo recomenda à igreja que, no culto de domingo, levante uma oferta para “o povo de Deus”. Não era para a própria igreja, mas “vossa contribuição para Jerusalém” (v. 3). Parece tratar-se ainda que questão da carência material dos crentes de Jerusalém. Os de Corinto, que eram cristãos vindos do paganismo, foram exortados a colaborarem.</p>
<p>Paulo foi ajudado, financeiramente, nas prisões em Roma pela igreja de Filipos (Fp 4.10). E até mesmo nas orientações apostólicas de origem teológica havia recomendação de solidariedade entre as igrejas. A igreja de Colossos recebeu uma carta de Paulo e deveria repassá-la para a igreja de Laodicéia. E a carta que Paulo escreveu à igreja de Laodicéia deveria repassada à igreja de Colossos (Cl 4.16). As igrejas mantinham vínculos de relacionamentos em vários níveis, inclusive de ensino, não sendo instituições isoladas umas das outras. Não havia rivalidades entre elas, nem havia donos da obra entre os pastores e líderes. O relacionamento era excelente: “Saudai uns aos outros com um beijo santo. Todas as igrejas de Cristo vos enviam fraternas saudações” (Rm 16.16).</p>
<p>Se entre as igrejas havia solidariedade, entre os obreiros havia respeito, porque havia consciência de servos: “Quem é, portanto, Apolo? E quem é Paulo? Servos por intermédio dos quais viestes a crer&#8230;” (1Co 3.5). Os que buscavam denegrir o ministério alheio foram chamados de “cães”, por Paulo (Fp 3.2). Eram os judaizantes, que queriam destruir a graça do evangelho, implantando em seu lugar a lei de ordenanças. Paulo os  chamou de “falsos apóstolos” (2Co 11.13). No restante, transparece respeito e apoio. Até mesmo Pedro, que foi repreendido publicamente por Paulo (Gl 2.11-14), chamou Paulo de “nosso amado irmão Paulo”e mostrou respeito por sua erudição (2Pe 3.15). Hoje há muita igreja e muito ministério organizado em termos personalistas e autocráticos.</p>
<p>Resumindo: as igrejas eram solidárias e os obreiros não eram competidores, e sim, cooperadores. Não havia autocracia nas igrejas, e elas se viam como parte de um todo. Sua autonomia não obstaculava sua cooperação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. AJUNTANDO AS PARTES</p>
<p>A autonomia da igreja local deve ser preservada porque é bíblica. Defendo a autonomia das igrejas e tenho grande receio pela episcopalização e pela apostolização das igrejas. É uma descaracterização do Novo Testamento. E a cooperação deve ser mantida porque é bíblica. E se a igreja é a única instituição legitimada no Novo Testamento, a estrutura que criamos de associações, convenções e juntas, não é antibíblica. É uma maneira de planejarmos a cooperação. A forma expressa a essência, neste caso.</p>
<p>Posso parece duro e deselegante, mas vejo três razões para que tantos hoje minem a cooperação. A primeira razão é a insensibilidade para com o todo. É a umbiguite de que falei na palestra anterior. A segunda é a vaidade. O que o obreiro está dizendo é: “Só eu sei fazer”, “só o meu jeito é o certo” ou isto é uma manifestação do seu desejo mundano de ser um figurão. O terceiro é o desejo de poder. Numa obra excelente, o economista e sociólogo indiano Parag Khanna disserta sobre as possibilidades dos países do segundo mundo (os emergentes) adentrarem o primeiro mundo. Ele é severo com os países da América Latina, à exceção do Chile. Comenta que a América Latina cultua caudilhos, tendo uma cultura que dá espaço a personalidades que procuram desconstruir as instituições, para melhor se imporem <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftn4">[4]</a>. Isto me ajuda a entender porque tantos “batem” nas instituições denominacionais, e até nas igrejas. É que a cultura latino-americana aprecia o autoritarismo. Inclusive o eclesiástico.</p>
<p>Denominação e igrejas desconstruídas são oportunidades excelentes para caudilhos evangélicos. O que há de obreiro que se apresenta como salvador da denominação e da igreja local impressiona. Os latino-americanos gostam de messias humanos&#8230; E nossas igrejas, massificadas pelo mundo, e não modeladas pelas Escrituras os aceitam, e legitimam, vendo-os como super-homens espirituais. E alguns líderes, também desprezando a formatação das Escrituras, seguem seus impulsos naturais, e assim se tornam os caudilhos que com nada cooperam e vêem apenas seu ministério. Porque o autocrata não reparte nada.</p>
<p>Parece-me haver muito personalismo em nossos quadros. Muita busca de notoriedade e pouca disposição para serviço.  Sempre me impressionou a declaração de Henry Martin, ao desembarcar nas praias da Índia: “Aqui, deixem-me gastar por Deus”. Cada obreiro cristão deve buscar seu lugar, independente da expressão social que este tenha (afinal, é ou não é servo de Cristo?) e  tendo encontrado-o, queira se gastar por Deus ali. Muitas vezes o que transparece é que o obreiro não quer servir a Cristo, mas quer usar o evangelho de Cristo para seu benefício. Algumas vezes o benefício material, outras vezes o benefício emocional, algumas vezes os dois. Quando a visão de cooperação se sobrepõe à individualidade, o obreiro está mostrando sua maturidade espiritual.</p>
<p>A busca de um grande nome ou de um ministério personalista não é o ideal para o progresso do reino. É extremamente necessário, neste momento que vivemos, de desafios e de carências, cultivar uma visão de serviço que seja cooperativa e solidária. Vou abstrair um pouco (mas não totalmente)  a expressão do seu contexto geral, mas as palavras de Deus a Jeremias, em seu significado, têm grande valor para todos nós: “E procuras coisas magníficas para ti mesmo? Não as busques&#8230;”(Jr 45.5). Deus estava fazendo algo fantástico, uma grande movimentação histórica, em que seu propósito eterno se cumpriria, mais uma vez. Que Jeremias se inserisse no projeto histórico de Deus, sem muita preocupação com seu mundo pessoal. Como isto nos serve! Busquemos coisas grandes para o reino, e insiramo-nos no propósito eterno de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Autonomia não invalida cooperação, porque não significa isolamento. E cooperação não diminui ninguém, mas aumenta sua utilidade. Quando nos virmos como cooperadores e entendermos o valor da denominação, mudaremos muito de nossa realidade atual.</p>
<p>Autonomia, sim. Cooperação, sim. Interferência e omissão, não. Se a igreja é um corpo, a denominação, embora não seja uma super igreja, também é um corpo. Que nunca fraturemos o corpo, e que saibamos mantê-lo sadio e funcionando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<hr size="1" />
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftnref1">[1]</a> CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA. <em>Declaração doutrinária. </em>3a. ed.  Rio de Janeiro: JUERP, item VIII, número 3.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftnref2">[2]</a> Nota de rodapé do Novo Testamento King James, Edição de Estudo.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftnref3">[3]</a> ROBERTSON, A. T. <em>Word pictures in the New Testament. Vol. III, Acts. </em>Nashville: Broadman Press, s/d., p. 235.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/AUTONOMIA%20E%20COOPERA%C3%87%C3%83O%20NAS%20IGREJAS%20BATISTAS.docx#_ftnref4">[4]</a> KHANNA, Parag. <em>O segundo mundo – impérios e influência na nova ordem global. </em>Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008, p. 194.</p>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2011/05/autonomia-e-cooperacao-nas-igrejas-batistas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>POR QUE SOMOS BATISTAS HOJE</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2011/05/por-que-somos-batistas-hoje/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2011/05/por-que-somos-batistas-hoje/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 14 May 2011 09:47:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=1862</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, preparada para o Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Secção Pará – Palestra 1 &#160; INTRODUÇÃO Esta primeira palestra brota do coração. Sou batista. Não me envergonho de sê-lo e não pretendo deixar de sê-lo. Conheci o evangelho numa igreja batista. Foi por causa do ministério de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2011%2F05%2Fpor-que-somos-batistas-hoje%2F&title=POR+QUE+SOMOS+BATISTAS+HOJE&desc=Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%2C+preparada+para+o+Congresso+da+Ordem+dos+Pastores+Batistas+do+Brasil%2C+Sec%C3%A7%C3%A3o+Par%C3%A1+%E2%80%93+Palestra+1%0D%0A%0D%0A%26nbsp%3B%0D%0A%0D%0AINTRODU%C3%87%C3%83O%0D%0A%0D%0AEsta+primeira+palestra+brota+do+cora%C3%A7%C3&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p><em>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, preparada para o Congresso da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Secção Pará – Palestra 1</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Esta primeira palestra brota do coração. Sou batista. Não me envergonho de sê-lo e não pretendo deixar de sê-lo. Conheci o evangelho numa igreja batista. Foi por causa do ministério de uma delas que conheci Jesus Cristo como meu Salvador. Estudei num seminário batista, sustentado por igrejas batistas, e foi nele que recebi minha base teológica, e onde me apaixonei pela Teologia. Fui consagrado por um concílio de pastores batistas, a pedido de uma igreja batista, e sempre recebi sustento de igrejas batistas. O mínimo que posso ter pelos batistas é gratidão. Não vi incompatibilidade entre uma igreja batista e a essência do evangelho. Como nunca tive sonhos de ser <em>megastar</em> evangélico, não  pensei em carreira solo nem escrever meu nome em gás néon, permaneci como pastor batista. Já me é um título honroso e bastante pesado, por isso nunca aspirei a ser bispo, arcebispo, apóstolo, patriarca, cardeal ou outra coisa. Sempre pedi a Deus que me concedesse sensibilidade para distinguir entre minha frustração com pessoas e com a estrutura comandada por pessoas, e a denominação como um todo, com sua doutrina, sua história e seus princípios. Subordinei minhas birras pessoais (e sou birrento) à visão do todo. Afoguei minhas ambições pessoais, com a graça de Deus. Estou em paz com minha denominação, amo-a, e se ela não me ama pelo menos me tolera.<span id="more-1862"></span></p>
<p>Em outras palavras, não apenas não me envergonho de ser batista, mas me rejubilo nisto. Completo, em novembro, quarenta anos de consagração ao ministério batista. Caminho para o poente com a consciência de que falhei em muitos pontos, que deixei a desejar em outros, mas que dentro de minhas limitações, fui útil. Sairei de cena em paz com o grupo onde entrei e onde quis permanecer. Entrei pela porta da frente e sairei pela porta da frente. Lamento não ter mais quarenta anos pela frente. Porque gosto de servir a Cristo como pastor batista.</p>
<p>Se parecer a alguns que estou me ufanando, ponderem bem: estou mesmo me ufanando ou estão tão acostumados a ouvir críticas a denominação que quando alguém diz que a ama isto lhes desconcerta e incomoda? Eu amo minha denominação. Não me aproveito dela. Eu a sirvo.</p>
<p>Mas vamos à questão: por que somos batistas hoje? Ofereço algumas respostas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1. POR ACIDENTE</p>
<p>Muitos são batistas “por acidente”. Eu mesmo poderia ter me convertido em uma igreja de outra denominação. Mas estes batistas “acidentais” de que falo nunca aprofundaram seus vínculos nem buscaram conhecer a história do seu grupo. Não têm noção de nada. Infelizmente há alguns assim. Fui presidente de convenção estadual e não poucas vezes obreiros insatisfeitos em seus grupos queriam se tornar batistas. Não tinham convicção doutrinária alguma. Queriam apenas uma ocupação que gerasse renda. O ministério lhes era apenas uma atividade remunerada, sem qualquer paixão. Era um emprego. Não deu certo numa empresa, muda para outra. Gente sem paixão e sem lealdade doutrinária alguma.</p>
<p>Mas os que, como eu, se tornaram batistas “por acidente”, e depois por opção, assim fizeram porque examinaram e ficaram. Optaram por continuar no grupo. O “acidente” (sempre entre aspas) se tornou opção. Numa época de frustração pessoal com a denominação, recebi sondagens de dois outros grupos, mas sou batista por opção. Nem saberia como sair. E não amaria o lugar para onde poderia ir, porque me faltariam os vínculos existenciais. Sou batista por “acidente”, um destes “acidentes” conduzidos por Deus. Como muitos dos meus ouvintes. Por este motivo sou e muitos de nós somos batistas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. POR AMOR À NOSSA HISTÓRIA</p>
<p>Uma das razões pelas quais decidi permanecer como batista é por conhecer nossa história. Ela me encanta. Não nascemos de um racha por dinheiro nem de briga por poder. Surgimos ao redor de princípios e os mais elevados: a suficiência das Escrituras, a liberdade religiosa, o batismo de pessoas convertidas a Cristo, ênfase na regeneração, autonomia das igrejas, batismo e ceia como ordenanças e não como sacramentos. Somos os paladinos na luta pela liberdade religiosa. Temos uma história como poucos grupos a têm. Ela deveria ser mais estudada e bem conhecida em nossas igrejas e bem sabida por todos os pastores batistas.</p>
<p>Grande parte disso se deve ao fato de que os batistas não têm um fundador, um homem em especial que descobriu uma doutrina, como a alegada visão de Hellen White de ter visto as tábuas da Lei no céu, com o mandamento de guardar o sábado envolto em luz. Nem como Hagin que recebeu uma visitação especial de Jesus e este lhe ter dito que alguém se opusesse a ele seria aniquilado. Nascemos ao redor de princípios que vários cristãos, em vários lugares, em estudo criterioso das Escrituras, viram que a Reforma não assimilara, e que ela necessitava ser completada. Agruparam-se homens e mulheres em busca do certo, e não do conveniente e do mais vantajoso. Thomas Helwys, John Smyth e aqueles trinta e oito que com eles fundaram uma igreja batista na Holanda, em 1609, estavam direcionados por princípios teológicos, e não por briga por dinheiro ou espaço político. Não tinham uma revelação especial, mas se prendiam à velha revelação, a das Escrituras. Queriam cumpri-la. Thomas Helwys fundou a primeira igreja batista na Inglaterra, em Spitafields, em 1612. Ele redigiu o primeiro documento pedindo liberdade religiosa, e tentou entregá-lo ao rei Tiago I. Quando foi encarcerado, provavelmente em 1614, a liderança da igreja foi transferida para John Murton, que seguiu na mesma linha de pedir liberdade religiosa <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftn1">[1]</a>. Os batistas sempre defenderam o direito de a pessoa escolher a fé que deseja, e até mesmo não ter fé alguma.</p>
<p>A um crítico de nossa denominação, disse eu certa vez: “Nós, os tradicionais, assim pejorativamente chamados, trouxemos o evangelho para este país. Tivemos Bíblias apreendidas e queimadas em praças públicas, pregadores intimidados e apedrejados, templos apedrejados. Sem retórica, obreiros nossos derramaram sangue para estabelecer o evangelho nesta terra. Aplainamos a estrada por onde vocês andam à sombra das árvores que plantamos. Levamos cem anos para estabelecer um nome respeitado no Brasil. De repente, um grupo que ninguém sabe de onde veio, surgiu, maculou a imagem de crentes, e ainda nos joga pedras. No mínimo, vocês nos devem respeito!”.</p>
<p>Não comento isto por ufanismo, mas por observar que alguns dentre nós parecem sentir um complexo de inferioridade quando, numa visão do reino  equivocada em sua teologia e mundana na sua essência, quantificam o reino e avaliam o conteúdo e a história de uma denominação pelos números. Se números validam a verdade, os muçulmanos estão com a verdade. Como os comunistas estiveram com ela, no passado. Nós temos uma origem nobre, um passado limpo e um futuro cheio de possibilidades. Nossa história nos faz detentores de um nome honrado e nos coloca com a responsabilidade de dar continuidade a uma saga de heróis. Eu me sinto jubiloso em trabalhar na Amazônia. Deus não me deu o privilégio de nascer nesta região, mas eu optei por ela. E ele me deu netos nascidos nesta região. Meus descendentes serão amazônidas. Minha família faz parte da Amazônia. E a Amazônia está impregnada na nossa alma. Louvo a Deus por isso. Mas trabalhar aqui me lembra que estou dando continuidade à saga de um “monstro sagrado” como Eurico Nelson, e seguindo os passos de um visionário como Paul Edwin Sanderson. Nossos antepassados são suficientes para que digamos: “Sou batista porque o passado do meu povo é honroso!”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. PORQUE TEMOS UM CORPO DOUTRINÁRIO COERENTE</p>
<p>Porque nosso corpo doutrinário é coerente e sólido. Não temos uma crença tipo comida por quilo, em que o sujeito mistura peixe ensopado com feijoada e lasanha, e ainda joga queijo ralado por cima. Não somos uma mistura de opiniões, um amontoado de idéias, mas temos uma teologia coerente e muito bem embasada biblicamente. Tanto que dos grandes teólogos bíblicos do passado e dos contemporâneos podemos colocar os batistas no topo. Desde o início de sua história os batistas articularam sua teologia. Não brincaram de “cabra cega”, seguindo um líder errático. Puseram seu credo no papel, exposto à análise e à crítica. Assim, desde 1611, com a primeira declaração batista da história, feita por Thomas Helwys, temos teologia<a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftn2">[2]</a>. Bem feita, bíblica, coerente e espiritual. Um Strong, um Conner, um Mullins, um Gundry, e muitos outros mostram que somos uma denominação que pode expor suas idéias, e que elas podem ser examinadas e debatidas. Não apelamos para um autoritarismo em que apenas uma voz se pode ouvir. Não temos uma Helen White que foi elevada à categoria de inspirada no mesmo nível das Escrituras. Temos muitos teólogos, mas nenhum deles é nossa voz oficial. Isto porque damos espaço para fazer teologia.</p>
<p>Os batistas brasileiros temos uma Declaração Doutrinária que é um documento muito bem elaborado, biblicamente embasado, com uma visão geral das Escrituras e da vida. Nele é possível verificar que a Bíblia é, para nós, o todo que rege as partes. Muitos grupos analisam o todo pela parte. As Escrituras passam a ser interpretadas à luz da experiência de alguém ou de um evento bíblico, em particular. É uma visão atomizada da Bíblia e a formação de uma teologia manca, porque sai do particular para interpretar o geral. No nosso caso, nossa visão não é fragmentária nem temos uma doutrina preferida por um líder em particular e que subordina as demais a si.</p>
<p>Eu era seminarista quando o Pr. Irland, que foi meu professor, contou que, em uma de suas viagens, sentou-se junto a ele um cônego, que disse ter feito seu doutorado no Vaticano, especializando-se no estudo de grupos evangélicos. O cônego lhe teria dito que após estudar vários grupos evangélicos, reconheceu que os batistas eram os que mais se aproximavam do ensino do Novo Testamento. Eis um testemunho bem forte de quem somos. Temos um credo bíblico, norteado pelas Escrituras. Até mesmo nossa maneira de elaborar teologia dá segurança. As Escrituras são o nosso cânon e o nosso eixo, e Cristo, numa frase feliz de Lutero, é “o cânon dentro do cânon”. Por isso somos batistas. Somos bíblicos e cristocêntricos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>4. PORQUE TEMOS ESPAÇO PARA DISCORDÂNCIA</p>
<p>Aqui vou além. Sou batista e da Convenção Batista Brasileira. Abrigamos calvinistas e arminianos. Pré, pós e amilenistas. Lecionei em um seminário batista de outro grupo. Fui respeitado e os respeitei, mas teria dificuldades em ser daquele grupo porque ele é declaradamente prémilenista. Mas éramos batistas, com um corpo doutrinário em comum muito maior do que pontos específicos. Preguei em algumas igrejas deles e muitos deles, quando de férias, iam à minha igreja. A amizade se ampliou a ponto de relacionamento doméstico, entre famílias.</p>
<p>O sistema de governo eclesiástico batista é congregacional. Neste sentido, as igrejas são confederadas em convenções que não têm poder jurisdicional sobre elas, mas que devem submeter-se à voz delas. No sistema batista, a base pode mudar a cúpula. Isto garante espaço para discordância, o que é mais difícil em sistemas eclesiásticos de administração piramidal descendente, em que a  autoridade emana de cima para baixo. Nosso modelo  traz certa desordem, quando a vaidade fala mais alto que o espírito de solidariedade, mas impede o domínio de uma pessoa ou de um grupo. Na assembléia local, cada batista é um voto. Na assembléia associacional ou convencional, a maior e mais rica igreja não tem domínio sobre as igrejas menores e mais pobres. A proporcionalidade pode parecer domínio, mas não é e manifesta justiça. Os problemas que surgem por manipulação e pressão em bastidores (ou mesmo em público) devem ser atribuídos a pessoas, que são más e pecadoras, mas não ao sistema. Qualquer sistema oferecerá problemas, porque será usado por homens pecadores. Mas o sistema congregacional e confederado, além de bíblico, é equilibrado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>5. PORQUE TEMOS POSSIBILIDADES DE COOPERAÇÃO</p>
<p>Cooperação sempre foi uma palavra chave entre nós. Nenhuma igreja, em particular, poderia manter o que a Convenção Batista Brasileira mantém em termos de missões mundiais e nacionais. Nenhuma igreja, em particular, poderia manter o trabalho de missões estaduais, como nossas convenções mantêm. Temos mecanismos de promoção do reino que funcionam muito bem quando nos agrupamos. Por isso que cooperação nos é fundamental. Sem ela ficamos mutilados.</p>
<p>Vivemos numa época de fragmentação e de culto ao “eu”. A cooperação tem cedido lugar ao individualismo, tanto de pessoas como de igrejas. O culto ao “eu” é pecado, mas tem sido visto como virtude.  Parece que uma negação de Gálatas 2.20: “Não mais Cristo, mas EU”. Assim temos uma doença chamada “umbiguite”. Foge-me a memória neste momento, por isso não posso afirmar se é de Packer ou de Tozer a expressão “adoradores de umbigo”. Aplica-se ao obreiro e da igreja que olha apenas seu ministério, em egoística alienação. É a mesma idéia de Marrou, que na sua obra <em>Teologia da história, </em>fala do homem que cultiva seu jardinzinho, sem noção de história, buscando apenas ser beneficiário do processo social <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftn3">[3]</a>. É a visão de si mesmo e o olhar ao grupo com a pergunta: “O que eu ganho?”. Talvez a pessoa tenha noção de história, mas da sua história pessoal. Este me parece ser um dos maiores problemas batistas, hoje: a perda de uma visão histórica global e o enxergar apenas sua história. Isto permeia a denominação, com obreiros que nunca se ajuntam, nunca somam, porque vêem apenas seu ministério. Estão decididos a brilhar e a serem figurões. Querem ter “seu” ministério, e não fazer de seu trabalho um ministério que se ajunte aos demais. Esta atitude também permeia as igrejas, com tanta gente que está preocupada com sua vida, e não com o reino de Deus em geral. A visão, tanto do obreiro como do membro de igreja, nestes casos, é utilitária: quais os benefícios que recebo? Quem tem uma visão histórica do grupo com o qual está envolvido tem atitude doadora e até mesmo sacrificial. Falta, a muitos de nós, a visão de grupo. Falta corpo e sobre umbigo. Há muito personalismo e pouco envolvimento com os demais.</p>
<p>A ênfase em si mesmo é muito problemática. E por vezes é justificada porque o obreiro não confia nos demais e tem uma indulgente  e até excessiva imagem de si mesmo. Ele se superdimensiona. Isto, além de prejudicar os demais, pode trazer dificuldades para o autoconfiante. Chesterton comenta uma observação do editor de seus livros, apontando-lhe uma pessoa: “Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo”. Chesterton respondeu: “Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens que acreditam em si mesmos com uma confiança mais colossal que a de Napoleão ou César&#8230; Os homens que acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos” <a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftn4">[4]</a>. É o culto a si mesmo, a supervalorização de si, de uma maneira que raia à megalomania. Não é virtude. É doença.</p>
<p>Preguei em igrejas batistas em outros países. Senti-me realizado em ver que fazia parte de um grupo mundial. Que tinha irmãos na fé e na doutrina, no mundo inteiro.  É bom saber que fazemos parte de um todo, e que podemos colaborar com o todo, em todo lugar. A visão de umbigo prescinde de cooperação, alimenta a vaidade e prejudica a obra como um todo. Como batistas, podemos cooperar. Fazemos parte de um projeto mundial. Fiquei muito comovido quando fui a Altamira, e vi o trabalho desempenhado pelos irmãos daquela região. Esta comoção se renovou quando estive em Uruará. Como é bom fazer parte de um grupo e poder cooperar com o grupo! O ermitão tem problemas sérios. O ermitão eclesiástico também. Evitemos o isolacionismo. A vida em grupo nos enriquece.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>6. PORQUE TEMOS FUTURO</p>
<p>Não somos uma denominação fracassada. Nem liderada por pessoas sem competência. Nem ainda um grupo sem conteúdo. A denominação batista brasileira tem futuro, porque tem rumo, conteúdo, mostrou que sabe superar crises, e não se fossilizou. Temos efetuado mudanças, não de essência, mas de embalagem. Superamos crises como as das juntas que faliram, de colégios que foram mal, seminários com problemas financeiros e liderança que estava deixando a desejar.</p>
<p>Creio na existência do Maligno e de seu poder e interesse em estorvar o povo de Deus. Ele é nosso maior inimigo. Depois dele, somos nós mesmos e nossa dificuldade de convivência, que me parece grave indício de baixa espiritualidade.</p>
<p>Entrei no seminário em 1968, ainda adolescente. Desde aquela época ouço coveiros da denominação falando do seu fim. Os coveiros eram obreiros com prazo de validade. Foram fazer outra coisa na vida e a denominação continuou. Exatamente porque é um projeto sério, que as falhas humanas não conseguem sufocar. Voltamos ao início: ela não repousa sobre pessoas ou estruturas, mas sobre princípios e valores eternos. Há falhas porque é tocada por pessoas, mas uma denominação que, no Brasil, no deu homens como José dos Reis Pereira, João Filson Soren, Éber Vasconcelos, Werner Kaschel, Luis Sayão, Waldemiro Tymchak, Fernando Brandão, e mulheres como Beatriz Silva e Margarida Gonçalves, sem dúvida que merece respeito. Deu gente de valor, dá gente de valor e dará gente de valor.</p>
<p>Temos futuro porque não pertencemos a um povo irrisório, mas a um povo de valor, e que tem tudo para continuar sua marcha, fazendo correções de rota que se tornarem necessárias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Esta palestra, deu para notar, é uma declaração de amor à denominação. É também uma renovação de minha confiança em meu povo, e de reiteração de meu envolvimento com ela. Quero convidá-los a declararem seu amor à denominação que os recebeu e lhes dá oportunidades de servir a Cristo. E de renovarem sua confiança e reiterarem seu envolvimento com ela.</p>
<p>Há problemas? Sim, há. E muitos. Mas ao invés de reclamar e de apedrejar, coloquemos os ombros sob a carga, e trabalhemos com afinco. Ela merece isso de nós.</p>
<div>
<hr size="1" />
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftnref1">[1]</a> OLIVEIRA, Zaqueu. <em>Liberdade e exclusivismo – ensaios sobre os batistas ingleses. </em>Rio de Janeiro: Horizonal, e Recife: STBNB Edições, 1997, p. 42.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftnref2">[2]</a> Esta declaração se intitulava <em>A declaration of  faith of  English people remainingin Amsterdam in Holland </em>(“Uma declaração de fé do povo inglês permanecendo em Amsterdã na Holanda”).</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftnref3">[3]</a> MARROU, Henri-Irenée. <em>Teologia da história. </em>Petrópolis: Editora Vozes, 1989, p. 18.</p>
</div>
<div>
<p><a href="file:///C:/Documents%20and%20Settings/kleber/My%20Documents/Downloads/POR%20QUE%20SOMOS%20BATISTAS%20HOJE.docx#_ftnref4">[4]</a> CHESTERTON, Gilbert. <em>Ortodoxia. </em>São Paulo: Mundo Cristão, 2007, p. 26.</p>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2011/05/por-que-somos-batistas-hoje/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A FOME DOS CRISTÃOS DE ZÂMBIA</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2010/12/a-fome-dos-cristaos-de-zambia/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2010/12/a-fome-dos-cristaos-de-zambia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 10:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=1651</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Pastoral do boletim da IBC de Macapá em 26.12.2010 Li no site da ADIBERJ (Associação dos Diáconos Batistas do Estado do Rio de Janeiro) que “centenas de cristãos africanos estão prontos para ingressar no campo missionário. Mas infelizmente, muitos deles não têm recursos para fazê-lo”. Um missionário da Zâmbia queria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2010%2F12%2Fa-fome-dos-cristaos-de-zambia%2F&title=A+FOME+DOS+CRIST%C3%83OS+DE+Z%C3%82MBIA&desc=Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%0D%0A%0D%0APastoral+do+boletim+da+IBC+de+Macap%C3%A1+em+26.12.2010%0D%0A%0D%0ALi+no+site+da+ADIBERJ+%28Associa%C3%A7%C3%A3o+dos+Di%C3%A1conos+Batistas+do+Estado+do+Rio+de+Janeiro%29+que+%E2%80%9Ccentenas+de+cri&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>Pastoral do boletim da IBC de Macapá em 26.12.2010</p>
<p>Li no site da ADIBERJ (Associação dos Diáconos Batistas do Estado do Rio de Janeiro) que <em>“centenas de cristãos africanos estão prontos para ingressar no campo missionário. Mas infelizmente, muitos deles não têm recursos para fazê-lo”.</em> Um missionário da Zâmbia queria evangelizar os muçulmanos, na Tanzânia. Precisava de US$ 500 para as despesas, incluindo um colchão, bicicleta e US$ 50 por mês. Sua igreja decidiu enviá-lo e para isso vendeu roupas e deixou de fazer a terceira refeição do dia. Após algumas semanas, conseguiu enviar o obreiro para o campo. Sobre sua fome voluntária de alimentos avulta outra fome, a de anunciar Jesus ao mundo.</p>
<p><span id="more-1651"></span></p>
<p>No Brasil, muitos buscam uma igreja para serem abençoados e terem coisas. Até supérfluas. Muitos gostam de testemunhar como Deus os abençoou e passaram a ter mais bens, com os quais se julgam especiais de Deus.  Não é um testemunho de fé, mas de infantilidade espiritual e de baixa compreensão do que é o evangelho. Fazem correntes de prosperidade e sustentam gurus que “os tornarão melhores de vida”. Até nas igrejas tradicionais, as pessoas avaliam espiritualidade pelo que ajuntam. Muitos têm coisas, mas sua pequenez espiritual é lamentável!</p>
<p>Vejo muito o adesivo “Sou abençoado!”. Nunca vi um “Sou comprometido!”. Reflexo da visão míope de ver Deus como provedor e o evangelho como um meio de conseguir uma vida segura e feliz. Uma passagem de primeira classe por este mundo. A igreja passa a ser o lugar aonde vamos receber coisas boas, e não a comunhão com os santos, onde adoramos, servimos aos outros e nos fortalecemos. O culto passa a ser festa e agito, porque gostamos disso, e não quebrantamento. Levantamos as mãos, mas não dobramos os joelhos. Não choramos nossos pecados, mas vemos os alheios.</p>
<p>Os cristãos de Zâmbia são um modelo. Têm recursos escassos: renda de menos de um dólar por dia. A vida lhes é dura. E testemunhar aos muçulmanos é bem mais difícil que pagar ingresso para um show gospel. A muitos de nós sobram recursos. Futilmente gastos. Como somos pobres! E como esses africanos são ricos!</p>
<p>Quando o evangelho e a igreja de Jesus forem nossa paixão e formos comprometidos com eles, muita coisa mudará no mundo. Nossa própria vida se encherá de sentido como nunca pensamos! Gastar-se e investir recursos na obra de Deus trazem uma recompensa emocional e espiritual que nada substitui!</p>
<p>Qual é nossa paixão? Nós mesmos?  A dos cristãos de Zâmbia é o evangelho de Jesus. Têm pouco, mas estão realizados. E quanta gente abastada está frustrada! Cristãos narcisistas nunca são felizes. Porque lhes falta sentido de missão. Quando isto acontece, o muito material é um nada emocional.</p>
<p>“Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês”, disse Jesus (Mt 6.21).Se nosso bem maior forem coisas, nosso coração será mundano e pequeno. Se nosso bem maior for o evangelho de Jesus, investiremos nele. E seremos realizados. Que nossa maior riqueza seja espiritual: a certeza de estar investindo bens, tempo, emoções e vida no evangelho de Jesus! Como os cristãos de Zâmbia. A eles, meu respeito e minha admiração!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2010/12/a-fome-dos-cristaos-de-zambia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A MONARQUIA EM ISRAEL</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2010/10/a-monarquia-em-israel/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2010/10/a-monarquia-em-israel/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 17:20:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Palestras]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=1518</guid>
		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para a PIB de Nova Odessa, em 2 de julho de 2002 A visão bíblica sobre a monarquia em Israel é um pouco ambígua. Há duas posições bem nítidas, é forçoso reconhecer, sem escamotear a verdade. Uma é a que vemos no primeiro livro de Samuel. Em 1Samuel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
											<iframe
												style="height:25px !important; border:0px solid gray !important; overflow:hidden !important; width:550px !important;" frameborder="0" scrolling="no" allowTransparency="true"
												src="http://www.linksalpha.com/social?blog=Isaltino+Gomes+Coelho+Filho&link=http%3A%2F%2Fwww.isaltino.com.br%2F2010%2F10%2Fa-monarquia-em-israel%2F&title=A+MONARQUIA+EM+ISRAEL&desc=Preparado+pelo+Pr.+Isaltino+Gomes+Coelho+Filho%2C+para+a+PIB+de+Nova+Odessa%2C+em+2+de+julho+de+2002%0D%0A%0D%0A+%0D%0A%0D%0AA+vis%C3%A3o+b%C3%ADblica+sobre+a+monarquia+em+Israel+%C3%A9+um+pouco+amb%C3%ADgua.+H%C3%A1+duas+posi%C3%A7%C3%B5es+bem+n%C3%AD&fc=333333&fs=arial&fblname=like&fblref=facebook&fbllang=pt_BR&fblshow=1&fbsbutton=1&fbsctr=1&fbslang=en&fbsendbutton=0&twbutton=1&twlang=en&twmention=isaltinogomes&twrelated1=isaltinogomes&twrelated2=&twctr=1&lnkdshow=noshow&lnkdctr=1&buzzbutton=1&buzzlang=pt_BR&buzzctr=1&diggbutton=1&diggctr=1&stblbutton=1&stblctr=1&g1button=1&g1ctr=1&g1lang=pt-BR">
											</iframe>
										</div><p>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para a PIB de Nova Odessa, em 2 de julho de 2002</p>
<p><em> </em></p>
<p>A visão bíblica sobre a monarquia em Israel é um pouco ambígua. Há duas posições bem nítidas, é forçoso reconhecer, sem escamotear a verdade. Uma é a que vemos no primeiro livro de Samuel. Em 1Samuel 8.6, ao receber o pedido do povo por um rei, ele se desgostou. Havia certa lógica em seu sentimento. Era o sacerdote, sem dúvida alguma, o grande sacerdote de Israel. A forma de governo era sacerdotal, e ele perderia parte de seu poder. Ele até viu como rejeição a si, pessoalmente, como lemos na palavra que Deus lhe dirige, em 8.7, que o agravo não é a ele, Samuel. Talvez isto explique, humanamente, o choque entre ele e Saul, que, no fundo, foi a luta entre um poder que saiu e outro que entrou. Mais ou menos como os conflitos que vemos, hoje, em igrejas que ficam sem pastor, e este chega e esbarra com um líder leigo que se acostumou em ser o centro de atenções e decisões e se sente desprestigiado. Houve um conflito de personalidades.</p>
<p><span id="more-1518"></span></p>
<p>Mas é em 1Samuel 8.6-8 que esta visão negativa para com a monarquia é bem mais acentuada: “Mas pareceu mal aos olhos de Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei para nos julgar. Então Samuel orou ao Senhor. Disse o Senhor a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que eu não reine sobre eles. Conforme todas as obras que fizeram desde o dia em que os tirei do Egito até o dia de hoje, deixando-me a mim e servindo a outros deuses, assim também fazem a ti”. O enfoque é completamente negativo.</p>
<p>No entanto, o livro de Juízes apresenta uma visão favorável à monarquia. O livro é, claramente, uma apologia do poder centralizado, particularmente nas mãos de um rei, e não de um sacerdote ou líder carismático eventual, como o foram os juízes. Sua expressão final é bem clara: “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Jz 21.25).  A expressão aparece anteriormente em 17.6, 18.1 e 19.1. Em 17.6, a declaração está associada com o episódio da idolatria de Mica, o homem que aluga um sacerdote para si, privatizando a religião. Em 18.1, ela aparece no caso dos danitas, que ainda não tinham seu problema de terra resolvido, tomaram Laís, que era de outra tribo, a de Efraim, e se envolveram em uma questão com a religião particular de Mica. Em 19.1, a expressão se liga a um caso de abuso sexual. Os males sociais e os pecados são atribuídos à falta de um poder central, mais especificamente, à monarquia. A monarquia é vista com bons olhos, em Juízes.</p>
<p>Mas temos mais um problema. Em Juízes, Gideão foi convidado para ser rei e se recusou, dizendo que o rei deveria ser o Senhor (8.22-23). O texto favorece a situação de domínio sacerdotal, o regime teocrático, ou, mais especificamente “sacerdocrático”, com desculpas pelo péssimo neologismo.  Abimeleque se ofereceu como rei (9.1-6), o que provocou uma reação emocional de Jotão. Mas a morte de Abimeleque fez cessar a incipiente monarquia e houve um retorno ao sistema de juízes, com Tola, e ratificado com Jair. A monarquia é ensaiada, mas não concretizada, em Juízes. É ansiada, mas não consumada. As sementes foram lançadas.</p>
<p>MAIS SIMPATIA COM A MONARQUIA: O LIVRO DE RUTE E A SUA INCORPORAÇÃO PELA LEI MOSAICA</p>
<p>O livro de Rute, que as senhoras de nossas igrejas estudam para ver a amizade feminina, não tem esta preocupação central, a de mostrar a amizade entre duas mulheres. É, na realidade, outra obra que faz a apologia da monarquia. O primeiro versículo mostra que o cenário é na época dos juízes (1.1). Há fome, fome tal que obriga as pessoas a saírem de Israel. Alguma coisa está errada no tempo dos juízes, é o ensaio. A última palavra do livro é Davi (4.22). O livro é uma ponte entre o juizado, mostrado em um período da fome, e a monarquia. Mas não se trata da monarquia como sistema, e sim a monarquia de Davi, já o segundo rei. O livro é pós-davídico, ou seja, foi escrito após Davi. Talvez tenha sido escrito até mesmo no período do exílio, para reforçar as esperanças de um novo rei, como fora Davi. Os dois limites são bem claros. O livro é para justificar as origens de Davi, o grande e maior rei de Israel. Mas se inicia mostrando fome no tempo dos juízes. Seu tema sugere uma apologia da monarquia e da dinastia davídica.</p>
<p>Dificilmente se poderia considerar a monarquia uma catástrofe tão grande, com dois livros no Antigo Testamento justificando-a. O livro de Juízes faz a sua apologia, e o de Rute é um cartão de apresentação de Davi. Isto vai nos ajudar a nos posicionarmos um pouco mais equilibradamente em nossas interpretações. Com base em alguns comentários que se fazem sobre a monarquia, parece que Deus foi surpreendido por ela, que não a queria, mas os homens a impuseram a ele, e ele, meio a contragosto, teve que aceitá-la. Devemos levar em conta em conta que Deuteronômio 17.14-20 traz a monarquia como algo previsto, incorporado à lei, e prescreve, inclusive, os deveres do rei. A monarquia está prevista na lei, portanto. Não é intrusa ao propósito divino. Ele não foi pego de surpresa. Ele não é o patético Deus do teísmo aberto.</p>
<p>O PROBLEMA DA MONARQUIA</p>
<p>Do ponto de vista sacerdotal, a monarquia foi problemática. Ela cortou os poderes dos sacerdotes e os reduziu ao ofício religioso. Seria uma tentativa de secularizar o poder decisório. Os sacerdotes foram confinados aos sacrifícios religiosos, e mais tarde se aliaram ao poder civil. Os profetas é que se chocaram contra o rei, mas os sacerdotes (exceção do que enfrentou Urias) se aliaram ao poder. Aliás, esta é uma questão que se repete há séculos. O ofício religioso, com razoável constância, ambiciona o domínio temporal.  As religiões falam do céu, mas tentam estabelecer um domínio aqui na terra.  Os pastores estudam Teologia, e depois opinam sobre Economia e tecem comentários sociológicos. A linha entre os dois poderes, o religioso e o temporal, é constantemente apagada, muito mais vezes pelo poder religioso.</p>
<p>A monarquia teve um problema enorme. Segundo Deuteronômio, o rei deveria proclamar a lei e ensiná-la ao povo. Ele seria rei em nome de Iahweh. Entre os orientais, o rei era filho da divindade nacional, como entre os cananeus. No Egito, era a encarnação da própria divindade nacional. Entre os hebreus, deveria ser o representante do Deus nacional, Iahweh. Após a divisão do reino unido em Israel, no Norte, e Judá, no Sul, os reis se tornaram promotores da idolatria. Em 1Reis 12 encontramos a divisão do reino unido. Israel, o Norte, nasceu sob o signo da idolatria. Todos os reis de Israel, sem exceção, foram idólatras, adorando o bezerro de ouro. Em Judá, o Sul, houve reis idólatras, mas houve reis piedosos como Uzias, Josias, Ezequias e Asa.</p>
<p>A influência para o mal, na monarquia, foi muito maior que a influência para o bem. Os reis idólatras, em Judá, deixaram marcas muito mais profundas que os reis piedosos. Isto não é contradição nem enigma. O mal é muito forte. Pode-se adquirir doença de alguém, mas não se pega saúde de alguém. Vemos isto nas palavras de Ageu 2.12-14: “Se alguém levar na aba de suas vestes carne santa, e com a sua aba tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em qualquer outro mantimento, ficará este santificado? E os sacerdotes responderam: Não. Então perguntou Ageu: Se alguém, que for contaminado pelo contato com o corpo morto, tocar nalguma destas coisas, ficará ela imunda? E os sacerdotes responderam: Ficará imunda. Ao que respondeu Ageu, dizendo: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o Senhor; assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é”.</p>
<p>O maior exemplo disto é o que nos diz 2Reis 24.3-4: “Foi, na verdade, por ordem do Senhor que isto veio sobre Judá para removê-lo de diante da sua face, por causa de todos os pecados cometidos por Manassés, bem como por causa do sangue inocente que ele derramou; pois encheu Jerusalém de sangue inocente; e por isso o Senhor não quis perdoar”. “Manassés foi ou não perdoado?”, poderá perguntar alguém. O texto não está falando de perdão em termos do ensino do Novo Testamento. Manassés foi reconduzido ao poder, como 2Crônicas nos mostra. Mas as raízes de sua idolatria ficaram tão arraigadas em 55 anos de governo (2Cr 33.1), que sua breve reforma não logrou continuidade. Tanto que em dois anos seu filho Amom conseguiu reverter o que o pai fizera após sua mudança (2Cr 33.21-22). Nem o rei Josias, em 31 anos (2Cr 34.1), conseguiu modificar o quadro. Tudo o que conseguiu foi que a profetisa Hulda dissesse coisas boas sobre sua descendência, mas a nação estava arruinada. Pastores, seminaristas e líderes leigos em geral em nossas igrejas e na estrutura denominacional, deveriam refletir seriamente sobre o exemplo de Manassés. Há gente que é tão ruinosa que suas sementes são como tiririca. Nunca podem ser consideradas totalmente extirpadas. Há líder que em vez de semear trigo semeia tiririca. Joio ainda pode ser arrancado. Tiririca é uma praga. Voltando à monarquia, ela foi uma desgraça para a nação por causa dos reis idólatras.</p>
<p>Mas devemos levar algo em conta. Se não tivesse havido a monarquia, haveria a idolatria. Em Êxodo 32, assim que Moisés desce do Sinai, o povo já está envolvido com a idolatria, adorando o bezerro de ouro, em culto cananeu, com orgia sexual, que nossa Versão Revisada, de maneira eufemística traduziu como “levantou-se para folgar” (Êx 32.6). A monarquia não criou a idolatria, mas o poder central a facilitou.</p>
<p>A monarquia foi ruim? O problema não foi a monarquia em, como instituição. O problema foi o homem. Ele é pecador em qualquer sistema. No patriarcado, no sistema de clãs, no juizado, no sistema monárquico, em regime militar e em democracia. Os males que aconteceram por causa da monarquia aconteceriam em outro sistema. Afinal, os filhos de Eli eram sacerdotes e juízes, e eram corruptos (1Sm 2.12-17). O juizado e o governo sacerdotal não eram garantia de espiritualidade. Na igreja primitiva, quando tudo ia bem, de vento em popa, veio a falsidade de Ananias e Safira (At 5)  e logo depois a murmuração de uma parcela da membresia da igreja (At 6).</p>
<p>A VANTAGEM DA MONARQUIA</p>
<p>A monarquia trouxe benefícios para Israel, e não se pode ignorá-los. O primeiro e mais forte foi a manutenção da unidade nacional. Ela deu um senso de povo, de organização social, que não se nota em Juízes. Em momentos de crise, Deus levantava um juiz que liderava o povo. Mas uma nação precisa de mais que líderes eventuais para ter identidade nacional. A institucionalização da monarquia pela lei, atribuindo deveres e responsabilidades ao rei, mostra que o próprio Deus atribuiu méritos à monarquia. Ela deveria ser o instrumento para que o povo fosse instruído dentro da vontade de Iahweh.</p>
<p>“Como o têm todas as nações”, foi a base do povo para pedir um rei. Esta frase deve ser bem pensada. O poder centralizado era visto como sinal de segurança. Havia certo sentido. Um núcleo para decidir, em vez de reuniões de conselhos, de grupos, de tribos enviando representantes para tomada de decisões. Mas o problema foi o desejo de ser cópia, em vez de ser original. Isto invadiu outras áreas da vida israelita, inclusive a área espiritual. Em vez de ser original, no ponto de vista espiritual, a nação se tornou cópia, seguindo a outras divindades.</p>
<p>Mas a monarquia trouxe algumas vantagens. <em>Uma delas</em> foi a centralização do culto, o que sucedeu com Davi.  Em 2Samuel 7 vemos o interesse de Davi em edificar um templo ao Senhor. Isto é mais que o desejo de construir um prédio. Era o desejo de fixar Iahweh como o Deus nacional e centralizar o culto em Jerusalém. Esta fixação e esta centralização fariam com que oculto fosse mantido puro. Havia um grupo fixo, embora renovável, os levitas, para o culto. Haveria um templo só em uma cidade. Uma religião nacional, fixada em um ponto geográfico, nas mãos de um grupo que se reproduziria teologicamente, sem novidades.</p>
<p>Uma <em>segunda vantagem</em> foi a institucionalização de Davi e sua família, como padrão monárquico. As falhas de Davi nunca impediram nem apagaram isto: ele é o rei padrão. E sua família seria uma família de reis. Veja-se o texto de 2Samuel 7.16: “A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre”. Os reis descendentes de Davi poderiam falhar, mas isto não faria com que Deus os abandonasse. Lemos em 2Samuel 7.14-15: “Eu lhe serei pai, e ele me será filho. E, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens; mas não retirarei dele a minha benignidade como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti”. A alusão é a Salomão. Iahweh não lhe retiraria a sua <em>benignidade</em>. O hebraico é <em>hesed</em>, o termo para o amor do pacto. Nenhuma falha dos reis que sucedessem a Davi anularia o pacto que ele fez com Davi. O texto de 2Samuel 7 é muito importante na teologia do Antigo Testamento. É o momento da aliança de Iahweh com Davi, a chamada aliança davídica. A partir daqui, todo o Antigo Testamento órbita ao redor de Davi. Aqui está o significado maior da monarquia. O seu maior vulto não é um sacerdote, mas um rei. Tanto que o Messias passou a ser visto como um novo Davi. Lemos em Ezequiel 34.23-24:” E suscitarei sobre elas um só pastor para as apascentar, o meu servo Davi. Ele as apascentará, e lhes servirá de pastor. E eu, o Senhor, serei o seu Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o Senhor, o disse”.</p>
<p>É explicável. O reinado de Davi foi o momento de maior segurança em Israel. Apesar de tantos elogios que fazemos a Salomão, seu reinado foi uma catástrofe. Ele introduziu a mais bruta idolatria em Israel.  O autor de Crônicas, favorável à linhagem de Davi, omite o desastre de Salomão, tecendo-lhe apenas elogios. Mas o autor de Reis não age assim. Tanto que em 2Reis usa todo o capítulo 11 para mostrar que Salomão arruinou Israel com sua idolatria. 1Reis 11.7 nos mostra que ele instituiu o culto a Moloque, com sacrifício de crianças, em Jerusalém. E 1Reis 11.9-13 mostra que o maior vulto do reinado de Salomão foi Davi. Mas fiquemos com Davi. No cativeiro, época de desastre econômico e político, o povo sentiu saudades do passado e desejou uma volta aos tempos áureos. Por isto que Davi acaba sendo evocado como o grande rei que viria, um símbolo do Messias. O messianismo em Israel é, na realidade, um desdobramento do davidismo político.</p>
<p>O REFLEXO DA MONARQUIA DAVÍDICA OU DO DAVIDISMO EM ISRAEL</p>
<p>Nos tempos de Jesus, sob dominação romana, os judeus esperavam um novo Davi. Veja-se qual é a primeira declaração do Novo Testamento sobre Jesus, em Mateus 1.1. Escrevendo para judeus, Mateus quer deixar bem claro que Jesus é o Davi prometido. O reino chegou, é a tônica da pregação de Jesus. E ele tem autoridade para dize-lo, pois é descendente de Davi.</p>
<p>A última palavra de Jesus, no Novo Testamento, está em Apocalipse 22.16: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã”. Ele é a raiz de Davi, é da sua descendência. O Novo Testamento se abre e se fecha falando de Davi. E no meio da abertura e do encerramento, está a pessoa de Jesus.</p>
<p>Com isto podemos fazer uma pergunta e respondê-la: “a monarquia foi uma catástrofe?”. A resposta me parece ser esta: “Não, a monarquia era inevitável e era necessária”. E lembro que se o governo monárquico produziu a institucionalização da idolatria, foi o governo sacerdotal que tramou e conseguiu a morte de Jesus. Sacerdotes não são melhores que reis. São pecadores, também. E algumas das pessoas mais cruéis que o mundo conheceu foram pessoas profundamente religiosas.</p>
<p>Somos cristãos, vivemos em regime democrático e presidencialista. Mas também esperamos um rei. Isto prova que a monarquia deixou marcas até em nossa teologia. Qual de nós não aguarda, com ansiedade, a concretização do reino, e a chegada do Rei?</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>Estas considerações sobre a monarquia devem nos levar a um ponto. A história não surpreende a Deus. A monarquia não o frustrou, Saul não o frustrou, como a rejeição de Israel ao seu rei, o Davi que é Jesus, não o frustrou. Deus nunca é frustrado pelos homens, no sentido de ser pego de surpresa e precisar refazer seus planos. E devem nos fazer parar em um outro ponto: também esperamos pelo novo Davi, o Messias de Deus, Jesus de Nazaré. Também viveremos sob uma monarquia, e sob o domínio de um Grande Rei.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2010/10/a-monarquia-em-israel/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

