<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho</title>
	<atom:link href="http://www.isaltino.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.isaltino.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Thu, 17 May 2012 15:34:11 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	
		<item>
		<title>UMA IGREJA RESPONSÁVEL</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/05/uma-igreja-responsavel/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/05/uma-igreja-responsavel/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 May 2012 15:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pastorais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2410</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 20.5.12             A vida que prezamos, de Elton Trueblood, é um livro que comprei quando seminarista, e que li umas cinco vezes. Vez por outra o folheio e revejo as anotações. Um de seus capítulos é “A aceitação da responsabilidade”. Trueblood [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">
<p align="center">Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 20.5.12</p>
<p align="center">
<p>            <em>A vida que prezamos,</em> de Elton Trueblood, é um livro que comprei quando seminarista, e que li umas cinco vezes. Vez por outra o folheio e revejo as anotações. Um de seus capítulos é “A aceitação da responsabilidade”. Trueblood cita Robert Luis Stevenson, que diz: <em>“Algum dia o mundo voltará à palavra ‘dever’ e abandonará a palavra ‘prêmio’. Não há prêmios, e há muitos deveres. E quanto mais cedo um homem reconhecer isso e agir de acordo, tanto melhor para ele”</em> (p. 79).<span id="more-2410"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Daí, Trueblood fala da “filosofia da responsabilidade”. Segundo ele, “<em>quanto maior o poder à nossa disposição, tanto maior nossa responsabilidade no usá-lo sabiamente e para o bem de todos</em>”. O “poder” a que ele alude não é o espiritual, mas o material, os recursos econômicos. As vantagens que temos não devem ser utilizadas apenas para nós mesmos, pois nos são dadas em confiança. Devemos usá-las para o bem comum.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje, as pessoas pensam em ajuntar e ter sempre mais, vivendo sua vidinha, sem olhar para fora de si. É-me tola a pessoa que vai a uma Daslu e se orgulha de pagar R$ 1.000,00 por um par de sapatos que em outra loja custa R$ 100,00. Ela pagou e acha chique.  Uma vez ouvi a conversa de dois homens. Um deles se orgulhava de ter pagado R$ 800,00 por uma garrafa de vinho. Um mendigo que lhe pediu um pastel foi rechaçado com veemência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Muita gente vive em função de coisas e de prestígio. Há quem diga seguir a Cristo, mas na realidade é materialista. Seu interesse maior são as coisas. Muitos até buscam uma igreja que lhes prometa coisas. São idólatras. Amam coisas e não a Deus. Engajamento, responsabilidade e compromisso afugentam-nas. Uma igreja neopentecostal, em S. Paulo, anos atrás, anunciava: “Aqui o seu dízimo é apenas 7%”. Se o dízimo é visto como imposto ou fardo, os mesquinhos que assim pensam devem ir para lá. Mas gente séria deve passar longe de igreja tão venal.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“O que vou ganhar se seguir a Cristo?”, perguntam alguns. Seguindo a linha de Trueblood, eu respondo “Responsabilidade, dever, uma chamada ao compromisso”. Como pastor, não quero formatar uma igreja que veja o evangelho como um “toma lá dá cá” com Deus: “Dou-te um trocado; dá-me bênçãos”. Quero formatar minha igreja como um grupo que ama a Cristo, sente-se responsável pela pregação do evangelho e em manter o reino, que se veja como construtora de um novo mundo, e não como recebedora de um “mensalão” material e espiritual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Seguir a Cristo não é seguir a Papai Noel. É ter um compromisso com Deus de viver o evangelho, testemunhar da fé e manter a igreja, com bens, tempo, emoções e orações. Esta é uma das maiores necessidades da igreja: gente responsável. Você é responsável. Pela sua igreja e pelo andamento do evangelho neste mundo. Cumpra seu papel!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/05/uma-igreja-responsavel/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 1 – “As Escrituras Sagradas”</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/05/grandes-doutrinas-da-biblia-1-as-escrituras-sagradas/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/05/grandes-doutrinas-da-biblia-1-as-escrituras-sagradas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2012 18:31:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2407</guid>
		<description><![CDATA[IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 1 – “As Escrituras Sagradas” Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho &#160; INTRODUÇÃO O estudo de doutrinas deve começar pelo conceito que temos sobre a Bíblia. Ela é a fonte de autoridade, para nós em matéria de religião. Não podemos discutir nada sem sua orientação. Comecemos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</p>
<p>GRANDES DOUTRINAS DA BÍBLIA – 1 – “As Escrituras Sagradas”</p>
<p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>O estudo de doutrinas deve começar pelo conceito que temos sobre a Bíblia. Ela é a fonte de autoridade, para nós em matéria de religião. Não podemos discutir nada sem sua orientação. Comecemos por aqui. Eis o tópico primeiro da Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira: <strong>Escrituras Sagradas.</strong><em></em></p>
<p><em>A Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana. 1 É o registro da revelação que Deus fez de si mesmo aos homens.2 Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo.3 Tem por finalidade revelar os propósitos de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes e promover a glória de Deus.4 Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro, e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina.5 Revela o destino final do mundo e os critérios pelo qual Deus julgará todos os homens.6 A Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo qual devem ser aferidas as doutrinas e a conduta dos homens.7 Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa e dos ensinos de Jesus Cristo.8<span id="more-2407"></span></em><em></em></p>
<p>1 Sl 119.89; Hb 1.1; Is 40.8; Mt 24.35; Lc 24.44,45; Jo 10.35; Rm 3.2; 1Pe 1.25; 2Pe 1.21<br />
2Is 40.8; Mt 22.29; Hb 1.1,2; Mt 24.35; Lc 16.29; 24.44,45;  Rm 16.25,26; 1Pe 1.25<br />
3 Ex 24.4; 2Sm 23.2; At 3.21; 2Pe 1.21<br />
4 Lc 16.29; Rm 1.16; 2Tm 3.16,17; 1Pe 2.2; Hb 4.12; Ef 6.17; Rm 15.4<br />
5 Sl 19.7-9; 119.105; Pv 30.5; Jo 10.35; 17.17; Rm 3.4; 15.4; 2Tm 3.15-17<br />
6 Jo 12.47,48; Rm 2.12,13<br />
7 2Cr 24.19; Sl 19.7-9; Is 8.20; 34.16; Mt 5.17,18;  At 17.11; Gl 6.16; Fp 3.16; 2Tm 1.13<br />
8 Lc 24.44,45; Mt 5.22,28,32,34,39; 11.29,30; 17.5;  Jo 5.39,40; Hb 1.1,2; Jo 1.1,2,14</p>
<p><em>Primeira afirmação</em>: a Bíblia é a Palavra de Deus. É fonte de autoridade em matéria de religião. Mórmons: Livro do Mórmon; Adventistas: Ellen White. Para nós, a Bíblia. A Declaração é indicativa, não normativa. AT: 2.100 vezes “Assim diz o Senhor”  e assemelhados. Escrita por homens sob inspiração divina. Testemunho dela sobre si: Is 40.8 e Mt 7.4-7. Seus resultados: Is 55.1 e Jo 20.31(levar a crer). Não é para curiosidades. Tema central: o amor de Deus pelo homem.</p>
<p><em>Segunda afirmação</em>: sua mensagem. Não é dar informações, mas revelar Deus. Para nosso bem: Rm 15.4. Ela tem grande valor cultural e histórico, mas o maior valor está no seu sentido espiritual. Este só pode ser assimilado pela fé: Sl 145.18, Jr 29.13 e Hb 11.6. É preciso uma atitude de fé. As coisas de Deus são discernidas pela fé: 1Co 2.14.</p>
<p><em>Terceira afirmação:</em> sua interpretação. Há verdades bem simples. Salvação, o amor de Deus, seu cuidado, tudo isso é simples. Mas há verdades profundas. Problemas de cronologia, geografia, cultura, língua, etc. demanda estudo. Não é preciso ser teólogo para entendê-la, mas deve haver cautela em afirmações bombásticas, de gente que viu o que nunca foi visto antes. Jesus Cristo é a chave. A Bíblia é um testemunho sobre ele: Jo 20.30-31.</p>
<p><em>Quarta afirmação: </em>nesta interpretação, dois aspectos precisam ser levados em conta. <em> O primeiro </em>é que a Bíblia é um livro humano. Condicionada pela cultura, vocabulário, etc.. Por exemplo: o mundo é visto como uma casa com sobrado e porão. O porão é o mundo dos mortos, o primeiro andar é onde vivemos e o superior é o nível das entidades espirituais. Alguns trechos são pastoris, outros são monárquicos. O <em>segundo </em> é que a Bíblia é um livro divino: 2Pe 1.21 e 2Tm 3.16. “Inspirada” vem do grego <em>theopneustos</em>, que significa “soprada por Deus”. Por isso ela é inerrante. Mas não devemos ver nela conceitos científicos ou que fujam ao propósito espiritual.</p>
<p><em>Quinta afirmação: </em>o propósito do conhecimento da Bíblia.</p>
<p>(1)   Fortalecimento e firmeza da fé: 2Tm 3.14-14.</p>
<p>(2)   Capacitação para compartilhar. O que aprendemos devemos compartilhar: 2Tm 4.2.</p>
<p>(3)   Uma vida de sobriedade e de serviço a Deus: 2Tm 4.5.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/05/grandes-doutrinas-da-biblia-1-as-escrituras-sagradas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ESTUDO BÍBLICO SOBRE DIACONATO – 1</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/05/estudo-biblico-sobre-diaconato-1/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/05/estudo-biblico-sobre-diaconato-1/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 May 2012 11:54:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2400</guid>
		<description><![CDATA[IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ ESTUDO BÍBLICO SOBRE DIACONATO – 1 Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho INTRODUÇÃO               “Diácono” vem de diákonos,  que significa “servo”. Originalmente, “quem serve à mesa”.  Era o escravo que, sem habilidade artística ou manual, servia às mesas. Era o servo mais indigno.  Mas antes de ver a função, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">IGREJA BATISTA CENTRAL DE MACAPÁ</p>
<p align="left">ESTUDO BÍBLICO SOBRE DIACONATO – 1</p>
<p align="left">Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="left">INTRODUÇÃO</p>
<p align="left">              “Diácono” vem de <em>diákonos, </em> que significa “servo”. Originalmente, “quem serve à mesa”.  Era o escravo que, sem habilidade artística ou manual, servia às mesas. Era o servo mais indigno.  Mas antes de ver a função, vamos ver o conceito de “diaconía”.<span id="more-2400"></span></p>
<p align="left">1. O CONCEITO DE DIACONIA</p>
<p>              <em>Diakonía</em> pode ser traduzido por “ministério”. Hoje é um termo pomposo, como “ministro”,  outra tradução para “diácono”. Ministros são auxiliares do Presidente. A ideia é que ajudam alguém que tem uma função mais elevada. O exemplo disso no Novo Testamento: Atos 6.2-4. Mas a ideia de auxiliar alguém na Bíblia, como ministro, diácono ou servo (sinônimos) está em Êxodo 18.13-26. Os auxiliares de Moisés eram um tribunal de pequenas causas, liberando-o para causas mais importantes. Esta é a função do diácono. Ele libera o pastor, sem este viés jurídico, mas administrativo. O pano de fundo de Atos 6 e Êxodo 18 é o mesmo: desembaraçar o líder para sua tarefa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. DIACONIA NÃO É SÓ PARA DIÁCONOS</p>
<p>A Declaração Doutrinária (DD) da Convenção Batista Brasileira(CBB) diz, no Artigo VII, item 3: “Há nas igrejas, segundo as Escrituras, duas espécies de oficiais: pastores e diáconos”. Mais tarde veremos isso. Mas a atividade de diaconía não se restringe aos diáconos. Eis alguns exemplos:</p>
<p>(1) Os primeiros diáconos do NT foram anjos: Marcos 1.13. O grego é <em>diékonoun</em>, “prestar serviço”.<em>  </em></p>
<p>(2) Mateus 8.15. Maria se levantou e <em>diakonéi, </em>“foi servir”. A ideia é a de prestar um serviço a Jesus, mesmo que como dona de casa. O serviço a Jesus é um ato de diaconía ou serviço de um diácono.</p>
<p>(3) Lucas 8.1-3. “Serviam” é <em>diákonoun. </em>A ideia se repete em Mateus 27.55. Pode se diaconar a Jesus com os bens. Isto é: colocar os bens a serviço a dele.</p>
<p>(4) 1Pedro 4.10. Todos são diáconos de todos. O grego é <em>diakonountes, </em>“ponde-vos a serviço uns dos outros”. Além de servirmos a Jesus, servimos aos irmãos. Todos somos diáconos dele e todos somos diáconos dos outros. Diácono não domina, mas serve.</p>
<p>Que bagunça! Todo mundo é diácono, então? Não! Lembre-se da DD da CBB. Todos devem ter este espírito de serviço. A vida cristã é serviço a Deus e aos outros. Quando servimos a Jesus imitamos os anjos (lembra de Marcos 1.13?). Também parecemos com eles quando servimos aos irmãos: Hebreus 1.14 diz que eles são espíritos enviados para <em>diakonían </em>(“fazer diaconato”).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>“O que eu ganho servindo aos outros?”, perguntará alguém. Você se torna parecido com Jesus: João 13.1-5. Ele serviu. Marcos 10.45:  “Pois também o Filho do homem não veio para ser diaconado, mas para diaconar e dar a sua vida em resgate de muitos”. Jesus foi o supremo diácono. Ele nos deu o exemplo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/05/estudo-biblico-sobre-diaconato-1/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A TRADUÇÃO DE MINHA MÃE</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/05/a-traducao-de-minha-mae/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/05/a-traducao-de-minha-mae/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 May 2012 11:42:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pastorais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2397</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 13 de maio de 2012               Alguns pastores conversavam sobre traduções bíblicas, comentando os prós e contras e dizendo qual era sua tradução preferida. Um deles disse que sua versão preferida era a da sua mãe. Um colega, surpreso, lhe disse: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">
<p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">
<p align="center">Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 13 de maio de 2012</p>
<p align="center">
<p>              Alguns pastores conversavam sobre traduções bíblicas, comentando os prós e contras e dizendo qual era sua tradução preferida. Um deles disse que sua versão preferida era a da sua mãe. Um colega, surpreso, lhe disse: “Eu não sabia que sua mãe conhecia tão bem hebraico, aramaico e grego para fazer uma tradução!”. O primeiro retorquiu: “Ela não sabia. Na realidade, sabia pouco do português. Ela traduziu a Bíblia em sua vida!”.<span id="more-2397"></span></p>
<p>Minha mãe não traduziu a Bíblia em sua vida. Nossos parentes crentes nunca lhe falaram de Jesus, e ela se envolveu com o espiritismo, em busca de cura, pois cedo enfermou. Só fui batizado na Igreja Católica com 4 anos, pois ela e meu pai não sabiam que instrução religiosa me dar. Mas outra mulher, que me supriu a ausência de figura feminina, a mãe dos meus filhos, traduz a Bíblia em sua vida.</p>
<p>Contei isso para dizer que tive mãe, Nelya Werdan. Tive uma avó que me foi mãe, Marie Werdan (eu sou um Werdan). Não sou “antimãe”. Mas sempre busco despertá-las para sua responsabilidade como mães cristãs nesta data. Uma mãe cristã que ora e instrui os filhos no evangelho é uma arma poderosa na expansão do Reino de Deus. Mães que oram tapam brechas na vida da igreja e dos filhos. Mães que oram causam estragos no império das trevas.</p>
<p>Minha mãe me ensinou a ler aos 6 anos. Dava-me livros de presente. Fez-me ledor voraz. Sou marido de uma mãe e pai de outra. Nunca denegriria a figura materna. Mas nesta palavra às mães cristãs, quero chamá-las a refletir sobre a tradução da Bíblia que fazem em suas vidas. Hoje elas são louvadas (termo corretamente usado em Provérbios 31.30). Mas devem refletir sobre seu papel como mães cristãs. Há duas frases profundas sobre maternidade. Uma é de Victor Hugo: “A mão que embala o berço embala o mundo”. A outra é atribuída, entre muitos, a P. Vires: “A mão que embala o berço rege o mundo”. Ambas têm grande conteúdo. Permitam-me outra: “Os joelhos maternos que se dobram em oração causam grande impacto no mundo”.  Essa é minha. Não almejo entrar na história com ela, mas quero despertá-las para o fato de que o mundo ficou extremamente perigoso. A falta de rumo, o culto ao sexo, a avalanche das drogas, o clima do “liberou geral” estão acuando os jovens. Precisamos de mães que orem pelos filhos! Sou pastor, mas quem moldou o caráter espiritual dos meus filhos não fui eu nem meus sermões. Foi a mãe deles.</p>
<p>Mãe cristã, eis um pedido: seja uma intercessora pelos filhos. Oração de mãe é valiosa. E você, filho cristão: louve a Deus por sua mãe, que lhe deu à luz, que lhe mostrou a Luz de Cristo e ora para você permanecer na Luz.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/05/a-traducao-de-minha-mae/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>REFLEXÕES À BEIRA DO RIO MADEIRA</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/05/reflexoes-a-beira-do-rio-madeira/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/05/reflexoes-a-beira-do-rio-madeira/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 May 2012 13:33:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pastorais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2393</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 6.5.12                 Voltei a Porto Velho, após três anos. Eu fora em 2009, falar no retiro dos pastores de Rondônia. Fez frio. Ventos vindos dos Andes caíram a temperatura a 17 graus. Preguei com um casaco emprestado pelo Pr. Shirleyton, da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 6.5.12</p>
<p>                Voltei a Porto Velho, após três anos. Eu fora em 2009, falar no retiro dos pastores de Rondônia. Fez frio. Ventos vindos dos Andes caíram a temperatura a 17 graus. Preguei com um casaco emprestado pelo Pr. Shirleyton, da PIB de P. Velho. Brinquei com os pastores: valeu-me muito, pois com o casaco veio a espiritualidade do Shirleyton. Ele é tão santo que a gente pega santidade dele por osmose.<span id="more-2393"></span></p>
<p>Agora falei no 8º. Encontro dos Gideões Internacionais do Acre e Rondônia, no Hotel Aquarius, onde comi a segunda melhor feijoada do Brasil. Ainda dou o primeiro lugar ao Hotel Aipana, em Boa Vista, Roraima. Mas chega de amenidades gastronômicas. Esses restaurantes não me darão nem um cafezinho pelo elogio. Foi só para dizer que na Amazônia se come muito bem. Vamos ao que interessa.</p>
<p>O trabalho dos Gideões impressiona. São homens de negócio que bancam suas despesas, contribuem para a impressão de Bíblias, e saem a distribuí-las. Os relatórios comoveram. Alcançaram várias comunidades ribeirinhas com a Palavra, o trabalho nas escolas, hospitais e aldeias. A distribuição em 1.700 km de Transamazônica é épico. Já me atolei em 280 km, o bastante para saber o que é percorrer um trecho tão longo!</p>
<p>Que testemunhos! Uma jovem senhora, segundo suas palavras, não tivera moral muito certa, mas ao sair de uma empresa levou consigo o Novo Testamento dos Gideões, leu-o, converteu-se e agora era serva do Senhor, e ali estava com o esposo. Um irmão contou que recebeu um Novo Testamento na sala de aula, quando tinha 13 anos de idade. Quinze anos depois, formado e pós-graduado, em crise profunda na vida, recuperando-se de uma cirurgia, pegou o Novo Testamento recebido na adolescência, leu-o, rendeu-se a Jesus, e procurou a SIB de Porto Velho. O Pr. Eliel, grande figura, o doutrinou e batizou. Agora ele era Gideão e distribuía Novos Testamentos.</p>
<p>Só a eternidade revelará os resultados da distribuição da Palavra de Deus. Foi assim, comprando “o livrinho que conta a história de Jesus”, que o líder espírita José Galdino da Silva Lota, avô de Meacir Carolina, minha esposa, se converteu. Tornou-se o Pr. Lota, grande missionário no Estado do Rio. Este evento se desdobra até hoje: há muitos Lotas no pastorado, em missões e na área de Música, netos do homem que leu “o livrinho”, converteu-se a Jesus e deixou o espiritismo. Eles continuam sua tarefa. A Palavra de Deus é poderosa!</p>
<p>Meacir não conhecia Rondônia. Agora, falta-lhe o Acre. Lá a levarei em 2013. Eu conhecia pouco dos Gideões.  Agora conheço mais. Tiro-lhes o chapéu. Manifesto-lhes meu respeito. Aos homens batistas ouso uma palavra: eis uma organização para se filiarem e serem úteis. Envolvam-se com os Gideões. Eles se esforçam para divulgar a Palavra de Deus e a pessoa de Jesus Cristo ao mundo. Beneficiarão muitos perdidos.  Minha admiração, Gideões!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/05/reflexoes-a-beira-do-rio-madeira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>JUÍZES 6.11 &#8211; APRENDENDO COM GIDEÃO</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/05/juizes-6-11-aprendendo-com-gideao/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/05/juizes-6-11-aprendendo-com-gideao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 06 May 2012 13:30:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2390</guid>
		<description><![CDATA[JUÍZES 6.11 APRENDENDO COM GIDEÃO Preparado para o VII Encontro dos Gideões Internacionais, campo Rondônia/Acre e repartido com a Igreja Batista Central de Macapá Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho &#160; INTRODUÇÃO Gideão surge em Juízes 6.11.  Seu nome significa “lenhador” ou “cortador”. Um sentido secundário é “guerreiro”. Surge amedrontado, escondido, sacudindo e limpando trigo. Um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>JUÍZES 6.11</p>
<p>APRENDENDO COM GIDEÃO</p>
<p>Preparado para o VII Encontro dos Gideões Internacionais, campo Rondônia/Acre e repartido com a Igreja Batista Central de Macapá</p>
<p>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>Gideão surge em Juízes 6.11.  Seu nome significa “lenhador” ou “cortador”. Um sentido secundário é “guerreiro”. Surge amedrontado, escondido, sacudindo e limpando trigo. Um anjo o encarrega de libertar o seu povo. De medroso ele passa a libertador. Esta é a primeira lição que aprendemos de sua vida: sem Deus, os obstáculos são enormes. Quando Deus entra em nossa vida, tudo muda. Só o poder de Deus pode transformar radicalmente uma pessoa e todo o seu contexto. A presença de Deus numa vida faz diferença.</p>
<p><span id="more-2390"></span></p>
<p>1. A SAUDAÇÃO DO ANJO</p>
<p>A vida de Gideão começa a mudar com a apresentação do anjo de Yahweh a ele: “Então, veio o Anjo do SENHOR, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o pôr a salvo dos midianitas. Então, o Anjo do SENHOR lhe apareceu e lhe disse: O SENHOR é contigo, homem valente” (Jz 6.11-12).</p>
<p>Duas expressões merecem atenção: (1) “O SENHOR é contigo” e “homem valente”.  Nenhuma das duas parecia real. Não parecia que o SENHOR estava com Gideão e ele não era valente. Aprendemos algumas lições aqui:</p>
<p>(1) Deus nos vê a nós e a nossa realidade de maneira diferente da que vemos.</p>
<p>(2) Deus está conosco mesmo nos momentos em que não nos parece estar.</p>
<p>(3) Deus vê potencial em nós, potencial que nem nós mesmos enxergamos.</p>
<p>Somos pecadores, mas mesmo com os efeitos da Queda, somos imagem e semelhança de Deus. Temos potencial, arranhado pela Queda e maculado pelas nossas limitações. Mas a Graça (Graça é Deus vindo a nós) nos socorre e nos capacita para tarefas e missões que ele nos outorga.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2. A DÚVIDA E A RESPOSTA</p>
<p>Está em 6.15-16: “E ele lhe disse: Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai. Tornou-lhe o SENHOR: Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem”. Ele externa sua dúvida e sua insegurança. Deus lhe responde que vai usá-lo. A lição aqui é esta: Deus usa os fracos. O mundo cultua o poder e a força. Deus usa os fracos para derrubar os fortes porque ele fortalece a fraqueza dos que usa. Há uma advertência aqui: enquanto foi fraca, a Igreja de Cristo foi poderosa. Quando passou a cultuar o poder e se aliou a ele, ela enfraqueceu. Muitos, na Igreja de hoje, querem a força política, social e econômica. A força da Igreja está no poder de Deus que age nela. Não confundamos as coisas e não amemos o poder humano e secular. Nem ambicionemos poder espiritual. Seja nosso desejo que a glória de Deus se manifeste em nossa vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>3. ASPECTOS DA VIDA DE GIDEÃO</p>
<p>(1) No tanque de espremer uvas (6.11). Estava trabalhando Deus nunca chamou ociosos. Todas as pessoas que Deus chamou estavam trabalhando. Está correto o provérbio que diz: “Quer que algo seja bem feito? Entregue a quem está ocupado!”. Trabalho não é maldição, mas disciplina e processo pedagógico. O trabalho não foi efeito da Queda, mas surge no Éden, pois o homem foi posto no jardim para trabalhar (Gn 2.15).</p>
<p>(2) Os altares. Há dois altares na vida de Gideão. Um ele fez (Jz 6.22-24). A compreensão de quem é Deus nos leva a erigir altares. Compreender mais de Deus nos leva a cultuá-lo. Traz impacto, reverência, temor. Como em Isaías 6.5 e Lucas 5.8. Nunca percam a reverência. Sejam tementes a Deus e à sua Palavra. O outro altar ele derrubou: Juízes 6.25. A lição aqui: derrube altares dos deuses falsos que se instalam em sua vida (os deuses Dinheiro, Sexo, Poder) e levante um altar ao Deus de verdade.</p>
<p>(3) A porção de lã (Jz 6.36-40). Choca-se com Mateus 4.7? Não. A seriedade de sua missão, que seria a grande missão de sua vida, exigia dele muita certeza. Deus não se ofendeu. Ele conhece nossas limitações. Quando tudo lhe foi confirmado, Gideão não relutou: Juízes 7.1 ( “Então&#8230;”). A lição aqui: tem convicção de que a tarefa proposta vem de Deus? Entre com tudo!</p>
<p>(4) Na beira d’água (Jz 7.4-7). Deus queria uma minoria. Estranho! Nós nos impressionamos muito com massa, com multidão. A razão de Deus: Juízes 7.2.  As advertências aqui: cuidado com o culto ao homem, cuidado com o culto à organização! Valorizamos técnicas e métodos porque são nossas ações. Chegamos a sacralizar alguns deles como se fossem divinos. O poder está com Deus e o sucesso vem dele. Cuidado com a vaidade!</p>
<p>(5) Sua recusa (Jz 8.22-23). Foi a primeira tentativa de Israel em ter um rei. Ele se recusou a ser rei. Opta pela teocracia e não pela monarquia. O espírito real por trás da monarquia: 1Samuel 8.19-20. É triste quando o povo de Deus quer ser clone do mundo ao invés de ser original. A lição aqui: cuidado com a tentação do domínio.  O espírito cristão é de servo, pois este foi o espírito de Cristo (Mc 10.45).</p>
<p>(6) O desastre (Jz 8.27). Tudo aqui é uma lição. Cuidado com o poder religioso! Ele venceu o poder militar e a tentação do poder político, mas cedeu ante a tentação do poder religioso. Este é sutil e muita gente se rende a ele. Sejam auxiliares! Não se ensoberbeçam! Não se envaideçam!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO &#8211; UMA SÍNTESE DO CARÁTER DE GIDEÃO</p>
<p>Humilde (Jz 6.15), cauteloso (6.17), espiritual (6.24), obediente (6.27), estrategista (7.16-18), conciliador (8.1-3), leal a Deus (8.23), próspero (8.30-31). Parece, pela ordem dos eventos no texto bíblico, que sua prosperidade foi a consequência natural de uma vida dedicada e fiel, que Deus abençoou. Ela não foi sua motivação espiritual. Esta foi servir a Deus.</p>
<p>Gideão é um dos heróis da fé (Hb 11.32). Mas uma brecha o prejudicou. Cuidado com brechas em sua vida. Seja íntegro. Se, eventualmente, surgirem brechas, lembre-se que a Graça é maior que elas. Deus é bondoso e o socorrerá.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/05/juizes-6-11-aprendendo-com-gideao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>UMA CRISTOLOGIA NO LIVRO DE SALMOS &#8211; 3</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-3/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-3/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 22:18:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2382</guid>
		<description><![CDATA[OS SOFRIMENTOS DO MESSIAS &#8211; UMA ANÁLISE  DO SALMO 69  Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012                 Do Salmo 22 passemos ao 69. Nele, vamos nos deter apenas nos versículos 3, 7-9, 12 e 19-21. &#160; Vejamos um pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">OS SOFRIMENTOS DO MESSIAS &#8211; UMA ANÁLISE  DO SALMO 69</p>
<p style="text-align: left;" align="center"> Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012</p>
<p align="center">
<p>                Do Salmo 22 passemos ao 69. Nele, vamos nos deter apenas nos versículos 3, 7-9, 12 e 19-21.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vejamos um pouco do seu contexto. Dois comentaristas bíblicos nos ajudarão a entender do que se trata. O primeiro deles é Kidner: “Este salmo revela um homem vulnerável: é alguém que não podia dar somenos importância à calúnia, à traição ou auto-acusação (v. 5); somente uma pessoa endurecida ou ensimesmada, e cujo senso de justiça tinha sido embotado, poderia fazer assim. Tanto suas orações como suas maldições brotaram desta sensibilidade pessoal e moral, e o Novo Testamento vê a prefiguração de Cristo no zelo que o cantor demonstra para com a casa de Deus, e nos seus sofrimentos. Mesmo assim, a própria justaposição entre Davi, que amaldiçoava seus perseguidores, e Jesus, que orava em prol dos Seus (sic), ressalta a grande diferença entre o tipo e o antítipo, e realmente, entre as atitudes que se aceitavam entre os santos do Antigo Testamento e os do Novo”. <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftn1">[1]</a></p>
<p><span id="more-2382"></span></p>
<p>O segundo comentarista é Weiser.  Assim diz ele “Depois do Salmo 22, o Salmo 69 é o mais citado no Novo Testamento, sendo interpretado messianicamente com referência a Cristo. Ainda que originalmente as afirmações em particular não se tenham entendido como profecias sobre Cristo, este emocionante testemunho de paixão humana porta traços tão típicos do sofrimento, que a relação para com aquele que carregou toda a paixão do mundo impõe-se por si mesma a uma consideração séria”. <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftn2">[2]</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quanto à afirmação de Kidner sobre a diferença entre o tipo e o antítipo, de que Davi amaldiçoava seus perseguidores e Jesus orava, intercessoriamente, pelos seus, dois motivos justificam o contraste. O primeiro é que o Salmo 69 é um salmo de imprecação. Uma característica deste tipo de salmo é a maldição exatamente como teste pragmático. O homem errado, ímpio, ou seja qual for o adjetivo que a ele se aplique, deve ser castigado. O teste pragmático consistia nisto: o justo deve ser abençoado e o ímpio deve ser amaldiçoado. É esta a linguagem do Salmo 1º , por exemplo. Muito mais que extravasar ódio, a imprecação mostrava a necessidade do ímpio ser punido. Escapando de qualquer punição, ele burlava a moralidade do mundo de Deus e, por que não dizer, do próprio Deus? A imprecação era necessária, no esquema de pensamento hebreu, para haver moralidade no mundo. O segundo motivo é que o conceito de perdão alcança seu clímax e sua expressão máxima no Novo Testamento e, especificamente, na pessoa de Jesus Cristo, o messias de Deus.  Não está plenamente desenvolvida no Antigo Testamento. Cabe aqui uma observação: parece que muitas vezes a pregação da teologia da prosperidade insiste num teste pragmático, como no Antigo Testamento. Os bons devem prosperar e os maus (os de fora da Igreja) devem se dar mal na vida. O ensino neotestamentário não permite a imprecação. A maldição pragmática inexiste no evangelho. Jesus manda orar pelos inimigos (Mt 5.44) e mostra que, diferentemente do Antigo Testamento, onde Deus declara fazer distinção entre os filhos de Israel e os egípcios (Êx 11.7), Jesus ensina que  “ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos”(Mt 5.45).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A questão que deve ser afirmada é: <em>o sofrimento faz parte dos propósitos divinos. Não  é uma excrescência ao seu plano. Não se pode eliminar o sofrimento enquanto o homem estiver na terra. O messias sofreu e seu sofrimento foi vicário, mas pedagógico e também padrão</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O versículo 3 mostra a sede como efeito da febre, produto do sofrimento causado pela cruz. Comentado anteriormente, quando da observação do Salmo 22, pode ser posto de lado sem mais exegeses. Mostra-nos que o sofrimento físico do messias de Deus foi real e angustiante. A dor cruel está na vida do fundador do cristianismo e ensinador do evangelho de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O segundo bloco de versículos vai do 7 ao 9. Trata de algo que pode ser entendido como mais doloroso e angustiante que o sofrimento físico, como já dito, o sofrimento moral. No versículo 7, ele suportou “afrontas” e está sendo “confuso”, no sentido de estar sendo envergonhado, confundido. Ele aceita sofrer na alma, na psiquê, na sua interioridade. O ensino bíblico é que o sofrimento faz parte da vida, e isso não apenas com o sofrimento físico, do corpo, mas  também o sofrimento psíquico. Corpo e psiquê sofrem. Não há redoma de vidro para proteger os fiéis, imunizando-os contra qualquer tipo de sofrimento. O futuro messias sofrerá no corpo e no espírito. Até mesmo sua família o rejeitará, criando-lhe uma situação constrangedora: a de não ter apoio doméstico. Quando o mundo se volta contra uma pessoa, mas tem ela o apoio do seu lar, é possível para ela encontrar forças para lutar e vencer. Mas quando, dentro da própria casa, ela encontra uma hostilidade tão grande como a da rua, a situação se torna desesperadora. E é esta a situação de muito crente no Senhor Jesus, que enfrenta as contrariedades da vida pela sua fé, que sofre o assédio do pecado, e, muitas vezes, por causa de sua fé, encontra oposição dentro de sua própria casa. A situação de muitos cristãos não é tão rósea como se pinta. Mas esta condição foi antecipada pelo messias. Ele enfrentou a oposição de toda a elite dirigente de seu país e, em casa, mais oposição, a ponto de seus irmãos presumirem que ele estava louco e desejaram prendê-lo (Mc 3.21). Muitas vezes a oposição da família se abate sobre uma pessoa justamente porque ela se comprometeu com o evangelho. O evangelho não traz toda tranquilidade do mundo para alguém. Pode desencadear perseguições e hostilidades.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma curiosidade: o versículo 8 é a única declaração da Bíblia que permite entender que Maria teve filhos seus, de seu ventre, e não de um casamento anterior de José: “um estranho para os meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe”. O autor deste trabalho pode ilustrar isso em sua família.  Seu pai casou-se duas vezes. Com sua mãe e, depois do falecimento desta, com sua madrasta. Tem ele uma irmã, filha de sua mãe, e quatro meio-irmãos, filhos de sua madrasta. Pode dizer  “meus irmãos” referindo-se aos filhos de sua madrasta. São seus irmãos, filhos do seu pai. Mas, filha da sua mãe, há apenas uma. Pois bem, o poeta-profeta tornou-se um estranho  para os filhos de sua mãe, não de seu pai. Sua mãe teve filhos e não apenas os “herdou” em casamento com um viúvo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Passada a curiosidade, voltemos ao texto em si. O versículo 9 diz “pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que afrontam caíram sobre mim”. É oportuno voltar a considerar o comentarista Kidner, neste contexto. Diz ele: “O fato de que ambas as metades do versículo 9 haveriam de se cumprir em Cristo (Jo 2.17; Rm 15.3), coloca o assunto num contexto tão novo que o leitor tem dificuldades em sentir como Davi se achava desorientado, além da dor que sentia. A ‘fraqueza de Deus’ agora faz sentido, pois é redentora; e ‘sofrer afrontas por esse Nome’ (At 5.41) é, apesar do seu alto custo, um elogio”. <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftn3">[3]</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A identificação do cristão com o seu Senhor e Salvador no sofrimento pela fidelidade, por exemplo, é sinal de prestígio, de qualidade espiritual, e não um demérito. É a honra da  identificação. O Fiel por excelência sofreu sem pecado. Os fiéis não devem pensar que não sofrerão. Pelo contrário, uma prova de sua fidelidade é exatamente o sofrimento. “E na verdade, todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3.12). Não somos chamados para nos identificarmos com o Salvador na sua glória, porque não a temos, porque ainda não entramos nela. Mas somos chamados a nos identificar com ele no sofrimento. Diz bem 1Pedro 4.13: “mas regozijai-vos por serdes participantes  das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis”. O sofrimento por amor a Cristo é medalha no peito de um combatente espiritual. Sobre esta questão voltaremos a falar mais à frente, quando apresentarmos a visão da teologia da prosperidade sobre enfermidades, de forma mais específica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os versículos 19-21 receberam de Kidner o título de “A taça do sofrimento”. O versículo 19 traz três substantivos que mostram a dor moral do messias por vir: opróbrio, vergonha e ignomínia. Vale a pena, mais uma vez, citar o aludido comentarista aqui:  “Na sociedade de relacionamentos estreitos do Antigo Testamento, a vergonha pública era ainda mais devastadora do que na nossa” <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftn4">[4]</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Essa vergonha pública, antecipada no Salmo 22 (versículos 6-8, principalmente), e ratificada aqui, se cumpriu muito bem na vida de Jesus, como mostram Mateus 27.39-44. Mas as expressões “fel” e  “vinagre”, encontradas no Salmo 69.21, são, na <em>Septuaginta</em>, as mesmas encontradas no Novo Testamento. A descrição do escárnio, feita no Salmo 69, lembra muito de perto a zombaria da cruz: “Afrontas quebraram-me o coração, e estou debilitado. Esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei”. A zombaria da cruz mostra outra faceta do sofrimento, a moral. Não é muito diferente da zombaria que enfrenta um estudante universitário, por exemplo, no Brasil. E muito parecido com a hostilidade que este autor viu os crentes cubanos sofrerem nas mãos da elite dirigente do país, toda ela membro do Partido Comunista. A depreciação, a falta de oportunidades, a situação de estar sempre como culpado antes de poder provar sua inocência (e por vezes, mesmo provando sua inocência), toda uma situação de exposição ao ridículo e tratamento como um ser inferior. A vergonha do ridículo e o enfrentamento de zombaria são constantes em situações assim. O messias sofrerá no corpo, mas, mais ainda, será objeto de zombaria e escárnio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>UM RESUMO &#8211; Não tão extenso nem tão rico como o Salmo 22, o Salmo 69 nos mostra mais alguns aspectos do sofrimento do messias. O sofrimento físico foi acompanhado do moral e a estes dois se juntou algo mais pungente: a dor da rejeição da própria família. Dissabores estão alistados na vida do servo e do messias.  E também fazem parte do contexto da fé cristã. São, na realidade,  a terra fértil de onde brotará o cristianismo. Este não ensina como se livrar do sofrimento, e nem mesmo acena com uma vida de triunfos constantes, sem jamais conhecer algum dissabor. Mas sim como saber viver no sofrimento. Um cristão não é aquele que não sofre. É aquele que sabe como enfrentar o sofrimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftnref1">[1]</a> KIDNER, Derek. <em>Salmos 1-72.</em> S. Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1980. p. 267.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftnref2">[2]</a> WEISER, Arthur. <em>Os Salmos. </em>S. Paulo: Paulinas, 1994, p. 370.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftnref3">[3]</a> KIDNER, op. cit., p. 268</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%203.docx#_ftnref4">[4]</a> KIDNER, op. cit., p. 269</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-3/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>TADINHA DA CAROL!</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/04/tadinha-da-carol/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/04/tadinha-da-carol/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 03:02:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pastorais]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2386</guid>
		<description><![CDATA[Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 29.4.12                 “Mas Carol, tu é burra!”, ouvi no aeroporto de Fortaleza, na espera do voo para Natal. O cidadão falou quase uma hora ao celular (que boa bateria!), brigando com seus funcionários. Tadinha da Carol! O consolo é que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</p>
<p align="center">
<p align="center">Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 29.4.12</p>
<p align="center">
<p align="center">
<p>                “Mas Carol, tu é burra!”, ouvi no aeroporto de Fortaleza, na espera do voo para Natal. O cidadão falou quase uma hora ao celular (que boa bateria!), brigando com seus funcionários. Tadinha da Carol! O consolo é que o grosso também agredia o português. “Tu é” é ignorância. O certo é “tu és”. Rude com a Carol e com o idioma. Mas dava-se ares de importância.<span id="more-2386"></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A mãe brigava ao celular com a filha: não levou Toinho ao veterinário. Que seria o Toinho? Gato, cachorro, lagarto? Dengosa,  Chuchuca dizia a Docinho que chegaria para almoçar com ele (o amor é lindo!). O celular fez as pessoas perderem a privacidade e o pudor. Contam suas vidas aos berros, em locais públicos. E perderam a classe. Celulares tocam em aulas, funerais, concertos, cultos, etc. A carência leva a pessoa a abrir mão da privacidade. Todos devem saber que ela é a Chuchuca do Docinho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As pessoas se exibem também na Internet. Postam tudo que fazem, onde e com quem dormem, e, se criticadas, bradam: “Ninguém tem nada com a minha vida!”. Ora, não a publiquem! Guardem-na!</p>
<p>Gente emocionalmente carente gosta de receber atenção. É insegura e, por vezes, uma bomba emocional. Para sobreviver, requer atenção a qualquer preço. Num programa de televisão tipo “mundo cão”, um sujeito contava com alegria que sua esposa fugira com seu irmão. Traído, mas feliz: era foco de atenção!  Mas um cristão sabe de seu valor. Tem noção de quem é. É sensato e se cuida. É simples como a pomba e prudente como a serpente. Não se orgulha de suas falhas. Lamenta-as e tenta superá-las.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As pessoas reclamam quando as outras não lhes dão destaque nem reconhecimento.  Querem que os outros tenham a ver com sua vida. Mas quando estão em pecado ninguém ter nada a ver com sua vida. Um cristão deve ser maduro. Não pode dizer: “Ninguém tem nada a ver com minha vida”. Porque todos têm. A vida cristã é mutualidade, aconselhamento e parceria espiritual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Muitos que se queixam de falta de atenção não dão atenção a ninguém. Queixam-se de falta de amor, mas não o mostram no trato com outros. Quando erradas, ninguém tem nada a ver com sua vida. Mas todos têm a ver com suas carências.  E elas não têm nada com ninguém. Só se interessam por si.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quem se põe como centro do seu mundo, acaba fútil e amargo. Quem cultua seu EU põe Deus na rabeira da vida e deixa de fazer bons amigos. E perde os que consegue. Porque só se interessa por si. O cristão maduro se doa, serve, busca ser útil. Aí, seguro e realizado, não ofende a Carol nem alardeia para todos que é a Chuchuca. Não clama por atenção. Ele a tem. Quem ama é amado. Abra-se para os outros e sua vida mudará. Você não precisará falar aos gritos, exibindo-se e pedindo atenção. Será maduro, sensato e realizado.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/04/tadinha-da-carol/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>UMA CRISTOLOGIA NO LIVRO DE SALMOS – 2</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-2/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 22:17:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2380</guid>
		<description><![CDATA[OS SOFRIMENTOS DO MESSIAS &#8211; UMA ANÁLISE NO SALMO 22 Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012 &#160; O Salmo 22 é chamado de “o salmo da cruz”. Normalmente pensamos apenas nos Profetas como anunciadores da vinda e do ministério [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">OS SOFRIMENTOS DO MESSIAS &#8211; UMA ANÁLISE NO SALMO 22</p>
<p align="center">
<p>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">
<p align="center">
<p>O Salmo 22 é chamado de “o salmo da cruz”. Normalmente pensamos apenas nos Profetas como anunciadores da vinda e do ministério do Messias, mas também os salmos testemunham dele com abundância de dados. O próprio Senhor Jesus assim declarou, em Lucas 24.44: “São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. É muito provável que Jesus empregasse a palavra Salmos referindo-se à terceira parte da Bíblia Hebraica, Os Escritos. Mas a passagem em tela ilustra bem a verdade que Jesus se viu nos Salmos. Aliás, uma observação de Agostinho, em um de seus comentários sobre os Salmos mostra isso. Ele se referiu a Jesus como “este admirável cantor dos salmos” <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftn1">[1]</a>.</p>
<p><span id="more-2380"></span></p>
<p>Poucos textos do Antigo Testamento são tão realistas e detalhistas sobre a morte do messias de Deus, Jesus de Nazaré, como o Salmo 22. O relato é de profundo impacto. Basta dizer que Aage Bentzen, que não é conhecido propriamente por escrever estudos devocionais, mas sim artigos bem críticos, comentou sobre seu conteúdo: “não é a descrição de uma doença, mas, sim, a de uma <em>execução</em>” <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftn2">[2]</a>. A Bíblia de Jerusalém comentou, em nota de rodapé: “ (&#8230;) Próximo do poema do Servo sofredor (Is 52.13-53.12) este Salmo, cujo início Cristo pronunciou sobre a cruz e no qual os evangelistas viram descritos diversos episódios da Paixão, é, portanto, messiânico, ao menos em sentido típico” <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftn3">[3]</a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foi nela que Jesus buscou sua quarta palavra pronunciada na cruz e que é apresentada em Mateus 27.46: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”.  Das sete palavras pronunciadas pelo Salvador, na cruz, esta é, sem dúvida, a mais sofrida. O sofrimento da cruz não foi acidental. Jesus se apropria de um escrito de quase um milênio antes de seu nascimento e cujo cumprimento, mais do que em qualquer outro, cabe muito bem nele. Valham-nos as palavras do pregador puritano Arthur Pink, em um sermão em Mateus 27.46:  “A palavra ‘desamparado’ é uma das mais trágicas do discurso humano. O escritor (parece-me ser ele, nota minha) não esquecerá facilmente sua sensação de ter passado por uma cidade deserta de todos os seus habitantes &#8211; uma cidade abandonada. Quantas calamidades cabem nesta palavra &#8211; um homem abandonado por seus amigos, uma mulher abandonada por seu marido, uma criança abandonada por seus pais! Mas uma criatura abandonada pelo seu Criador, um homem desamparado por seu Deus &#8211; ó, isto é o mais trágico de tudo”. <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftn4">[4]</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jesus proferiu o Salmo 22.1 em sua língua natal, o aramaico. Foi aqui que ele manifestou o maior de todos os seus sofrimentos: o Pai o abandonara. Ele, que antes dissera “eu estou no Pai, o Pai está em mim” (Jo 14.10), agora se vê desamparado pelo Pai. Aqui se pode ver o cumprimento de Gálatas 3.13, segundo o qual ele nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição em nosso lugar. O fato é que o sofrimento de Jesus é muito bem descrito aqui. O sofrimento físico, infligido ao seu corpo, é muito bem demonstrado nos versículos 14-16. “Os meus ossos todos se desconjuntam” mostram o efeito da crucificação e seu poder de desconjuntar o corpo humano.  “Meu coração está como a cera” é uma perfeita descrição de como o coração se sobrecarregava com a crucificação. Todo o corpo pendia dos braços, a respiração se tornava difícil e o trabalho de bombear o sangue, com escassez de oxigênio, se tornava um esforço enorme. Um artigo escrito por um pastor, médico, analisando a crucificação, põe esta situação em termos mais científicos: “Sofreu durante horas a fio a dor sem limites, ciclos de retorcimento, cãibras que desconjuntavam seus ossos, asfixia parcial e intermitente e dor ardente quando os tecidos eram arrancados de suas costas dilaceradas ao mover-se de baixo para cima contra o madeiro áspero da cruz. Então veio outra agonia: a dor profunda e esmagadora no peito quando o pericárdio, a membrana que envolve o  coração, começou a encher-se de soro e pressionava o coração. A profecia no Salmo 22.14 estava sendo cumprida: ‘Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se-me dentro de mim’”. <a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftn5">[5]</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Seco está o meu paladar, como um caco, e minha língua colada ao maxilar” (v. 15) é uma perfeita descrição da sede, produto da febre. É neste momento que ele expressa sua sede: “Tenho sede” (Jo 19.28). É neste momento que lhe dão vinagre (Jo 19.29), cumprindo-se, então, outro salmo messiânico e também de sofrimento, o 69, em seu versículo 21: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ainda no contexto da dor física, o versículo 17 (na <em>Bíblia de Jerusalém</em>, mas 16 na <em>Versão Revisada</em>) traz um problema de tradução. Diz ele: “um bando de malfeitores me envolve, como para retalhar minhas mãos e meus pés”. O problema é com o verbo traduzido por “retalhar” (<em>Bíblia de Jerusalém</em>) ou “traspassaram” (na <em>Versão Revisada</em> &#8211; “traspassaram-me as mãos e os pés”). Citamos a <em>Bíblia de Jerusalém</em>, em rodapé, porque o Texto Massorético está incompleto e traz uma nota de rodapé declarando como a <em>New International Version</em> lê: <em>karû. </em>Diz a BJ: “‘Como para retalhar’: <em>ke’erô</em> (do verbo <em>‘arah</em>), conj.; ‘como um leão’: <em>ka’ari</em>; hebraico, ininteligível; grego: ‘eles cavaram’; siríaca: ‘eles feriram’; Vulgata: ‘eles furaram’. A passagem recorda Isaías 53.5, mas os evangelistas não a utilizaram no relato da Paixão”.<a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftn6">[6]</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além do sofrimento físico, houve o sofrimento moral. Pode parecer estranho, mas creio que este dói muito mais que o físico. É sabido que feridas emocionais e morais custam a cicatrizar muito mais lentamente que as físicas. Os versículos 12-13 (“Muitos touros me cercam; fortes touros de Basã me rodeiam. Abrem contra mim a sua boca, como um leão que despedaça e que ruge “) mostram algo deste sofrimento. Havia ódio, um profundo ódio. Que se nota, novamente, no versículo 16: “pois cães me rodeiam; um ajuntamento de malfeitores me cerca”. Parece haver na multidão uma atitude de ironia, de deboche ou desejo sádico de ver a morte de alguém: “eles  me olham e ficam a mirar-me” (v. 18).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os seus despojos são repartidos, numa atitude de desprezo. Ainda não está morto, mas é tratado como se fosse, com a túnica sendo sorteada: “repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica  lançam sortes” (v. 19). Este texto é cumprido em   Lucas 23.34. Os despojos de um criminoso eram o pagamento dos seus executores. Algo parecido com o que fazem os chineses, hoje: quando alguém é executado à bala, a conta da bala é encaminhada à família. A lei foi cumprida, mas a pessoa é tão inútil e danosa ao Estado que sua execução é cobrada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esta zombaria é muito bem mostrada nos versículos 6 a 8 : “Quanto a mim, sou verme, não homem, riso dos homens e desprezo do povo; todos os que me vêem caçoam de mim, abrem a boca e meneiam a cabeça: ‘Voltou-se a Iahweh, que ele o liberte, que o salve, se é que o ama!’” (<em>Bíblia de Jerusalém</em>). É o sarcasmo dos circunstantes ao pé da cruz, como se vê no relato dos evangelistas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há dois outros aspectos que são altamente relevantes, do ponto de vista profético e teológico, no corpo do Salmo 22. Do versículo 19 ao 22 vem o livramento e do 27 ao 31, a declaração de sua vitória. Mas sem deixar de ter estas idéias como fundamentais à nossa fé, importa que ressaltemos o testemunho profético do salmo messiânico, relatando o sofrimento necessário do messias. E algo importante: <em>seu livramento e sua exaltação sucedem por causa do seu sofrimento.</em> Ou seja, o sofrimento do messias está presente nos planos do Senhor.  Voltamos a este ponto: sofrer não significa  falta de fé e não indica ausência de confiança em Deus.<em> </em>O sofrimento faz parte do plano de Deus e está na raiz da redenção da Igreja.  E, mais uma vez, precisamos retornar a uma declaração do Senhor Jesus: “não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, guardarão também a vossa” (Jo 15.20). Não se pode pensar numa vida cristã sem sofrimentos, quando se reconhece que eles estão presentes na vida do próprio Salvador. E de tal maneira decididos que foram profetizados um milênio antes. O sofrimento de Jesus, o messias dos salmos, não foi acidental. Foi planejado e por isso profetizado. Pode o discípulo pretender não sofrer? Pode-se ver o sofrimento como estando fora do propósito divino? Temos direito de presumir uma vida de vitória.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>UM RESUMO &#8211; Torna-se difícil fazer um resumo das observações do Salmo 22 pela vastidão da matéria. Mas pode-se sintetizar seu conteúdo nos seguintes termos: o caminho escolhido pelo messias é o do sofrimento. Não nos parece racional, a nós, no século XX, produtos da cultura ocidental e filhos intelectuais dos gregos que somos. Mas o caminho não é difícil de entender, à luz da cultura oriental: o pecado trouxe o sofrimento. Mas é o sofrimento que traz a redenção. Um homem carrega o mais intenso sofrimento para carregar o pecado da humanidade, para levantá-la e reconduzi-la a Deus, na trilha que seguia ela antes do pecado. Sofrimento não é, necessariamente, indício de abandono da parte de Deus nem falta de fé. Pode ser a pedagogia divina para que seus planos obtenham consecução. Pensar nisso se torna necessário, tamanha a ênfase no sofrimento do Messias como mostra o Salmo 22.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div><br clear="all" /></p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftnref1">[1]</a> GOURGUES, M. <em>Os Salmos e Jesus &#8211; Jesus e os Salmos.</em> S. Paulo: Edições Paulinas, 1984, p. 96.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftnref2">[2]</a> BENTZEN, Aage. <em>King and Messiah.</em> Citado por KIDNER, Derek, em <em>Salmos 1-72 &#8211; Introdução e Comentário.</em>S. Paulo:  Vida Nova e Mundo Cristão, 1980, p.  123. Conforme Kidner, o itálico é de Bentzen.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftnref3">[3]</a> Trecho da nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém, em comentário sobre o Salmo 22.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftnref4">[4]</a> PINK, Arthur. <em>The Seven  Sayings of the Saviour on the Cross. </em>Grand Rapids, Michigan: Baker Book House. 1958, p. 65.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftnref5">[5]</a> Artigo  “A crucificação: uma descrição médica”, publicada no jornal<em> Palavra da Fé</em>, ano II, no. 4, março/abril de 1984, página 5. Não possuo mais dados do jornal, pois o que tenho é um recorte contendo o artigo usado.</p>
</div>
<div>
<p><a title="" href="file:///C:/Users/IBC/Downloads/UMA%20CRISTOLOGIA%20NO%20LIVRO%20DE%20SALMOS%20-%202.docx#_ftnref6">[6]</a> É o que traz o rodapé da Bíblia de Jerusalém, em comentário <em>in loco</em>, mostrando as variantes do texto. O hebraico não faz sentido e nem mesmo qualquer tradução pode ser entendida facilmente. A idéia é de mãos sendo rasgadas, possibilitando entender a crucificação. Isto torna o relato fantástico, posto que os hebreus desconheciam a morte por cruz. Os romanos a copiaram dos cartagineses e a disseminaram. Mas na época do Salmo 22, um milênio antes de Jesus, sua declaração foge ao limite da compreensão natural. Mais aspectos desta questão crítica aparecem em Kidner (op. cit.), p. 126 e em DELITZSCH, Franz, <em>Biblical Commentary on the Psalms,</em> vol. 1, ps. 317-320.</p>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>UMA CRISTOLOGIA NO LIVRO DE SALMOS &#8211; 1</title>
		<link>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-1/</link>
		<comments>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-1/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 22:15:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.isaltino.com.br/?p=2377</guid>
		<description><![CDATA[Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012 Admiramos-nos, por vezes, da cabeça dura dos discípulos. Está tão claro para nós! Sim, porque temos a revelação completa! Mas, mesmo com dois mil anos de cristianismo, como há confusão, ainda sobre Jesus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a Ordem dos Pastores Batistas do Rio Grande do Norte, em abril de 2012</p>
<p>Admiramos-nos, por vezes, da cabeça dura dos discípulos. Está tão claro para nós! Sim, porque temos a revelação completa! Mas, mesmo com dois mil anos de cristianismo, como há confusão, ainda sobre Jesus e o conteúdo de sua mensagem, em nosso tempo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imaginem os discípulos, que em três anos tiveram seu mundo teológico, toda a sua cultura religiosa, social e até mesmo nacional, posta de ponta-cabeça! “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora”, disse-lhes Jesus (Jo 16.12). Jesus não conseguiu colocar tudo o que tinha para ensinar, na cabeça dos discípulos. O Espírito Santo viria completar seu ensino, como ele mesmo declarou: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras”. O ensino de Jesus seria completado pelo Espírito. O Messias não conseguiu se fazer entender por completo. As Escrituras, que são produto final do Espírito Santo, fariam isto. Na realidade, as Escrituras do Novo Testamento surgiram, em boa parte, como necessidade da comunidade cristã primitiva em entender o Antigo Testamento no que ele dizia sobre o Messias.  Neste sentido, o livro de Salmos foi bastante explorado neste sentido.</p>
<p><span id="more-2377"></span></p>
<p>O evento Jesus foi tão extraordinário que os discípulos ficaram atordoados. Criados num rígido monoteísmo, na idéia da unicidade de Deus, de repente, tiveram a informação de que Deus era mais que uma pessoa. Era mais que Espírito. Era matéria, também. E eles viam isto se confirmar! Não era informação verbal, mas experiencial! “Quem é este?”, perguntavam-se as pessoas.  A noção de que Deus se fez homem na pessoa de Jesus pode nos parecer mais tranqüila, hoje, mas naquela época foi algo muito difícil de aceitar. E lembremos que, no terceiro século do cristianismo ainda havia discussões teológicas para definir doutrinas sobre a pessoa de Jesus. Imaginemos os apóstolos, então.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A comunidade cristã primitiva precisou se explicar e precisou  explicar o que acontecera com ela. É notável, em Atos, que os primeiros cristãos não estavam querendo sair do judaísmo. Eles se consideravam como judeus e ainda não tinham enxergado o alcance de sua missão e o de sua própria existência. Eles se viam como mais uma das muitas seitas judaicas e tentaram harmonizar sua situação com o judaísmo até o momento narrado em Atos 15. Em Atos 5.17, os saduceus são vistos como uma seita judaica. Em Atos 15.5, os fariseus é que são assim chamados.  Em Atos 24.14, o cristianismo é chamado “caminho” e tido como seita judaica. Paulo também o chama assim, em Atos 22.4. O nome se confirma em Atos 28.22, na boca dos judeus que moravam em Roma. O próprio Lucas o chama assim, em Atos 24.22. Eles tiveram que reinterpretar o judaísmo e as Escrituras do Antigo Testamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na tentativa de se explicar e se justificar, a comunidade cristã primitiva se debruçou com seriedade e sob a inspiração divina, no estudo do Antigo Testamento. Quando analisamos os sermões de Pedro, no dia de Pentecostes (At 2)  e no sinédrio (At 4) vemos que eles estão cheios de alusões ao Antigo Testamento. Chama a atenção o fato de que muitas destas passagens são do livro de Salmos.  A comunidade cristã primitiva descobriu que este era o livro mais adequado para se centrar na sua pregação e no exame do fenômeno Jesus. É curioso que textos que nos são tão preciosos, como Isaías 53 não são tão explorados como Salmos. Para entender Jesus, a igreja primitiva foi ao livro de Salmos. Por quê?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>POR QUE SALMOS?</p>
<p>A resposta é muito simples. O livro de Salmos trata dos anseios humanos. Eles, os salmos, nos falam de  sentimentos pessoais de frustração, de dor, de medo, de pedido de vingança. Falam da dependência de Deus, dos sonhos, das orações por justiça, por intervenção divina.  Mas também nos falam dos sentimentos coletivos. A nação pede ajuda quando está assolada por crise econômica motivada por seca ou por alguma praga de gafanhotos. Pede ajuda quando experimenta medo diante de um inimigo militarmente mais poderoso. Pede perdão quando experimenta o juízo divino. Espera socorro divino. Projeta sua confiança para um libertador ou um salvador. Tudo isto é material para dar substância a um Messias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os Salmos trazem também as expectativas espirituais dos judeus. Sendo poesia, eles eram o melhor veículo para que os fiéis expressassem suas perspectivas espirituais. O anseio pelo Messias não poderia ter melhor espaço que as canções e hinos entoados nos cultos, ao redor das fogueiras no campo, nas lamentações à beira de sepulturas, ou nas marchas pelo deserto. Os judeus veneravam suas Escrituras e faziam uso dela não apenas no templo e nas sinagogas, mas em todas as áreas da vida.  Como o livro de Salmos é o maior livro do Antigo Testamento, consequentemente teria que ser o mais citado pelos judeus, em seu uso das Escrituras. Aliás, é o livro do Antigo mais citado no Novo Testamento. Por este aspecto, a incidência do uso de Salmos em profecias acabaria sendo até mesmo uma simples questão matemática. Mas, o fato de serem expressões práticas de fé, tornaram-nos recomendáveis para subsidiar a figura do Messias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há outro aspecto a ser considerado. Muitos dos salmos foram compostos para cânticos nacionais associados com a figura do rei de Jerusalém. Quando da entronização de um novo rei, por exemplo. A rebelião dos reis contra um deles produziu o Salmo 2, que da mesma maneira foi identificado como sendo um salmo messiânico. Era prefigurava o que aconteceria no futuro. É fácil entender isto. O rei de Jerusalém era da dinastia de Davi. Todos os reis de Judá eram descendentes de Davi.  Por mais desqualificado que fosse qualquer um deles, do ponto de vista espiritual, era um antecessor do Grande Rei, do Novo Davi, do Messias vindouro. Estes cânticos celebrando um momento específico na vida do rei de Jerusalém foram transpostos para a figura do Messias, Jesus Cristo, vendo a comunidade cristã primitiva neles um anúncio de algum aspecto da vida do Salvador. Até mesmo as crises pessoais do rei de Jerusalém acabaram prefigurando crises pessoais do Messias. Isto explica porque o livro de Salmos se tornou a maior base para se elaborar explicações sobre a pessoa de Jesus por parte da comunidade cristã  primitiva. Ele antecipou momentos da vida de Jesus. E para a igreja foi compreensível: Judá era o povo governado pelo rei da dinastia de Davi, o grupo fiel, o remanescente. A igreja se viu como o novo Judá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O próprio Jesus  testificou que os Salmos falavam dele, como vemos em Lucas 24.25-27, 32, 44-46.  Ele entendeu que havia neles um testemunho a seu respeito. Particularmente na conversa com os caminhantes de Emaús ele deixou isto bem claro. Ele se viu nos Salmos. E usou-os muito ao falar sobre si. Por isso Agostinho chamou Jesus de “esse admirável cantor de Salmos”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>OS SALMOS MESSIÂNICOS</p>
<p>Os salmos que ficaram marcados como sendo testemunhos sobre Jesus passaram a chamar-se de messiânicos. Alguns já eram considerados assim, antes do advento de Jesus. por isso, só a sua aplicação ao Salvador já aponta para a messianidade de Jesus. Os salmos mais reconhecidamente messiânicos são: <span style="text-decoration: underline;">2</span>, 8, 16, <span style="text-decoration: underline;">22</span>,  24, 40, 41, 45, 68, <span style="text-decoration: underline;">69</span>, <span style="text-decoration: underline;">72</span>, 87, 89, 102, <span style="text-decoration: underline;">110</span>, 118 (os principais estão sublinhados). Uma análise global deles nos mostra que eles enfatizam três temas messiânicos que são encontrados na teologia do Novo Testamento, em seu aspecto cristológico:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1) A humilhação e exaltação do Messias.</p>
<p>(2) As tristezas presentes e o livramento  futuro de Israel.</p>
<p>(3) As bênçãos futuras de todas as nações através do Messias reinante de Israel.</p>
<p>Estes temas foram bem assimilados na teologia do Novo Testamento, como mencionei anteriormente. Paulo tratou do primeiro em Filipenses 2.9-11, no texto clássico do esvaziamento de Jesus e o recebimento dele de um nome sobre todo o nome. Paulo não criou esta idéia baseando-se nos Salmos. Jesus havia falado de sua rejeição e de sua morte, mas também de sua ressurreição e segunda vinda. A comunidade cristã primitiva subsidiou as informações de Jesus sobre si mesmo com estas declarações dos Salmos e assim os interpretou. Vemos aqui a regra primeira de Hermenêutica: o Novo Testamento interpreta o Antigo e o Antigo subsidia o Novo. Assim, Salmos foi tornado mais claro no Novo Testamento. Ao mesmo tempo, deu base teológica para o Novo Testamento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As tristezas presentes e o livramento futuro de Israel foram abordados por Paulo em Romanos  9-11. A questão foi descobrir como a comunidade anterior, a da antiga aliança, tema que estudamos na primeira palestra, teria seu espaço dentro do propósito de Deus. Crendo que Israel, mais uma vez, rejeitara a seu Senhor, e agora de maneira mais drástica com a morte de Jesus, os cristãos foram se perguntar: “e o futuro de Israel?”. Esta questão lhes era relevante até mesmo porque a maior parte deles se compunha, na época, de pessoas vindas da fé judaica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A comunidade cristã primitiva teve a compreensão de que o Messias não era apenas o Salvador dos judeus, mas do mundo inteiro. Mas ela não criou isso. Ela viu isso nos Salmos (2.8, 22.31, 45.17, por exemplo). Não deixa de ser irônico que sendo tão exclusivistas a ponto de comporem uma canção pedindo que seus inimigos tivessem os filhos esmagados nas pedras, os judeus tivessem alguns de seus cânticos trazendo bênçãos para seus inimigos. A comunidade cristã primitiva foi orientada pelo Espírito para ler nos Salmos o que Israel não conseguiu ler. Aquilo que Jesus delineou no Sermão do Monte: “Foi dito&#8230; eu, porém, vos digo&#8230;”, foi posto na mente deles pelo Espírito. Ele completou o ensino de Jesus e os levou a entender que Jesus tinha autoridade para uma nova revelação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eles até reinterpretaram os Salmos. Veja-se que o Salmo 1, que é a síntese e o prólogo do Saltério, estabelece a Torah, a palavra de Deus, como critério para avaliar a vida dos homens. A conclusão do Sermão do Monte nos mostra Jesus estabelecendo “estas minhas palavras” como critério para avaliar a vida dos homens. Ele reinterpretou o Antigo Testamento, inclusive os Salmos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quais aspectos da vida de Jesus os salmos messiânicos conseguiram contemplar? Alisto, a seguir, alguns deles. Não creio que tenha esgotado a lista, mas estes me parecem os mais notáveis. Vale a pena ver não apenas os tópicos, mas as passagens, e entender seu sentido.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(1) Jesus é o Filho de Deus &#8211; Sl 2.7; 45.6-7; 102.25-27.</p>
<p>(2) Jesus é o Filho do Homem &#8211; Sl 8.4-6, etc. Se no tópico anterior sua divindade é realçada, neste, sua humanidade é afirmada.                                        .</p>
<p>(3) Jesus é o Filho de Davi &#8211; Sl 89.3-4,27,29. Todo rei de Jerusalém era filho de Davi. Mas se o davidismo, que já mencionei anteriormente, estava em curso, a aplicação seria bem restritiva, ignorando-se o rei de Jerusalém, e projetando-se para uma figura por vir.</p>
<p>(4) Jesus é mostrado como sendo Profeta ou o Arauto que apresenta os irmãos diante do Senhor- Sl 22.22, 25 e 40.9-10. Profeta, aqui, não é o pregoeiro de juízo, mas o arauto, que se chega diante do Rei Eterno e apresenta os irmãos menores, que somos nós.</p>
<p>(5) Jesus é Rei &#8211; Sl 2; Sl 24; etc. O Salmo 24 parece ter sido composto para a entronização da arca em Jerusalém. Isto o tornaria altamente messiânico, pois a arca era um símbolo da presença de Deus com seu povo, como Jesus é a presença divina conosco.</p>
<p>(6) Jesus é Divino &#8211; Sl 45.6-7; 102.25-27 (cf. com Hebreus 1.8-14). Aliás, o autor de Hebreus vai se valer muito da idéia de Melquisedeque como um tipo de Jesus. Vale-se dos Salmos, mais que em Gênesis.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>CONCLUSÃO</p>
<p>É nos possível verificar porque o livro de Salmos foi um solo fértil para as idéias messiânicas. Sendo um povo que se expressava mais poeticamente do que discursivamente, que usava mais figuras de linguagem que conceitos, que se valia da tipologia (um tipo prefigurava outro), os discípulos interpretaram várias passagens como alusivas a Jesus. Isto não significa que agiram erradamente. Pelo contrário. Agiram certos, inspirados pelo Espírito Santo de Deus. Mas não pensemos em psicografia espírita, em que foram possessos por alguma entidade, ou que receberam uma mensagem num vácuo intelectual e cultural. Eles foram pesquisar em sua religião e em sua cultura o que acontecera. E descobriram aquilo que cremos de todo coração: que o Antigo Testamento em geral, e os Salmos, em particular, dão testemunho de Jesus como o Messias de Deus.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.isaltino.com.br/2012/04/uma-cristologia-no-livro-de-salmos-1/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

