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	<title>Isaltino Gomes Coelho Filho &#187; Mateus</title>
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		<title>Uma ética cristã para hoje</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 01:07:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um estudo em Mateus 5.1-3, preparado originalmente para a revista “Você”, da UFMBB Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho A Ética é um dos ramos da Filosofia. Trata da conduta ideal do indivíduo. Tem muito a ver conosco, cristãos, porque um dos pontos mais fortes da vida cristã é a conduta diante do mundo. Ou seja, [...]]]></description>
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<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="center">Um estudo em Mateus 5.1-3, preparado originalmente para a revista “Você”, da UFMBB</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%; text-align: right;"><span style="font-size: xx-small;"><em>Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho</em></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">A Ética é um dos ramos da Filosofia. Trata da conduta ideal do indivíduo. Tem muito a ver conosco, cristãos, porque um dos pontos mais fortes da vida cristã é a conduta diante do mundo. Ou seja, como devemos proceder no mundo. Há até um ramo da Ética chamado de Ética Cristã.</p>
<p style="text-indent: 1.27cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Refletir sobre ética, a conduta ideal do cristão no mundo, é bastante oportuno. Afinal, seguir a Cristo não é viver na igreja cantando, mas é viver no mundo. Jesus orou pelos seus seguidores nestes termos: “Não peço que os tires do mundo, mas que o guardes do Maligno” (Jo 17.15). Vivemos no mundo, não dentro da igreja. Então, como vier corretamente?</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Nosso ponto de partida será o chamado “Sermão do Monte” de Jesus, contido em Mateus, capítulos 5 a 7. É o mais famoso discurso religioso de todos os tempos. Trata-se de um primor literário e também de conteúdo. Se todas as pessoas, inclusive nós, cristãos, o praticassem, o mundo seria um paraíso. Ele é considerado como “a constituição do reino de Deus”. Jesus veio pregando o reino de Deus, logo após a tentação no deserto (Mt 4.1-10), começou a pregar e a pregar o reino de Deus. O sermão do monte estabelece as regras de conduta do cidadão do reino.<span id="more-871"></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">COMO JESUS SE APRESENTOU PARA O SERMÃO</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Antes de analisar o sermão, analisemos como Jesus se apresentou para pregar o sermão. Primeiro, ele se sentou (v. 2). Por quê? Porque esta era a postura do mestre diante dos discípulos. O mestre ensinava sentado. Lemos em Mateus 23.2: “Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus”. Daqui vem a palavra “catedrático”, o mestre que tem uma cadeira. Jesus se apresenta como um mestre. Não é um discurso formal, mas de um mestre.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">O texto grego diz que ele “abriu a boca” (Mt 5.2) para ensinar. Parece óbvio. Ninguém pode ensinar de boca fechada. A expressão é um aramaísmo, ou seja, uma forma de se expressar entre os judeus que falavam aramaico. Dá a idéia de algo solene, bem pensado, bem organizado. Então já entendemos que o sermão do monte foi algo bem elaborado e organizado e apresentado por Jesus na condição de mestre. Foi assim que ele se apresentou.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Aqui já aprendemos uma verdade muito importante. Quando Jesus transmitiu a ética do seu reino, não o fez descuidadamente, mas apresentou-se com um mestre que ia apresentar uma verdade solene, bem meditada. Não tirou, como se diz, “da cartola”, mas expôs verdades profundas, bem pensadas, e em linguagem bem simples.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">A BASE DA ÉTICA</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">A base da ética cristã é o ensino de Jesus. Isto já podemos verificar. É o mestre que apresenta seus ensinos de maneira bem ordenada. A igreja deve apresentar para os seus membros uma ética baseada nos ensinos de Jesus.</p>
<p style="text-indent: 1.27cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Qual foi a primeira frase de Jesus neste sermão ético? Alguma proibição? Alguma recomendação de conduta? Não, uma afirmação. Que não tem a ver com conduta, mas com o reconhecimento de uma situação.</p>
<p style="text-indent: 1.27cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). Uma tradução que me parece ser a mais acertada seria “pobres no espírito”. Que estranho! Esta declaração inicia uma série de dez, que começam, todas, com “bem-aventurados” (a pessoa realizada).  A ética de Jesus, a conduta ideal que ele espera de seus seguidores, não é para privá-los de coisas boas ou torná-las pessoas frustradas. É para sejam pessoas realizadas. A pessoa verdadeiramente realizada não é aquela que faz o que deseja, mas a que faz o que se espera dela. Há muitas pessoas que buscam a realização na busca do prazer, do que as agrada, e depois de muito tempo se sentem frustradas. Talvez devessem pensar mais em deveres. Principalmente se for um seguidor de Jesus.  Aí, sim, sua preocupação maior deve ser como agradar a Deus, como proceder de maneira que Deus espera dela. Esta é a base da ética cristã: quem segue e Jesus quer agradar a Deus.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">MAS, POR QUE ESTE COMEÇO?</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Mas voltemos a “pobres de espírito” ou “pobres no espírito”. Muita gente pensa que “pobre de espírito” é uma pessoa medíocre. “Ah, Fulano é um pobre de espírito!”, dizem, desprezando alguém que é simplório. A Linguagem de Hoje traduziu por “sabem que são espiritualmente pobres”.  Outra tradução diz “humildes de espírito”. Dá para entender por que Jesus começou por aqui? Porque o termo se refere a pessoas que sabem que não são completas, que não estão orgulhosas de si, do que são, mas se vêem como espiritualmente pobres, espiritualmente carentes.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Gente que se julga completa ou perfeita dificilmente aprenderá alguma coisa. E se a ética é a ciência que trata da conduta da pessoa, as pessoas que querem melhorar sua conduta aprenderão mais. E se aperfeiçoarão. Jesus sabia o que dizia. Suas palavras são sempre cheias de sentido, sem merecer qualquer reparo. Ele nos ensina que só uma pessoa que se acha imperfeita e quer melhorar pode se realizar. Ele não diz os “ricos de espírito”, ou seja, os cheios de boas obras, de caráter excelente, de reputação acima de qualquer crítica. Nenhuma pessoa atingiu a perfeição moral. Ninguém tem uma conduta que não possa melhorar. E se a pessoa se julga espiritual e moralmente rica, está no caminho errado. O caminho correto é da busca constante de melhorar o nosso jeito de ser.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">POR ISSO, SEMPRE MELHORANDO</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Uma música de um roqueiro brasileiro, Raul Seixas, dizia: “Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, tudo”.  Nós, cristãos, temos opiniões formadas. Não somos “Maria-vai-com-as-outras”. Temos convicção de nossa fé, e assim temos convicção de nossas responsabilidades, bem como dos direitos que Jesus nos outorgou na cruz (salvação, perdão dos pecados, vida eterna com ele, etc). Mas somos uma metamorfose ambulante. Estamos sempre procurando crescer e ser melhores. É conselho bíblico: “Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18). Cada dia, um cristão quer ser uma pessoa melhor. E isso se inicia com o conhecimento maior de Jesus.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">FINALIZANDO</p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Vamos ver se resumimos tudo o que foi dito:</p>
<ol>
<li>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">A Ética trata da conduta ideal da pessoa.</p>
</li>
<li>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Existe uma Ética Cristã, a conduta ideal do cristão.</p>
</li>
<li>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Ela se baseia nos ensinos de Jesus, o Mestre do reino, que ensinou 	com autoridade de um catedrático.</p>
</li>
<li>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Ela começa com o reconhecimento de que somos pobres e precisamos 	nos enriquecer. Este é um conselho bíblico: “que se enriqueçam 	de boas obras” (1Tm 6.18).</p>
</li>
</ol>
<p style="text-indent: 1.27cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="justify">Assim podemos chegar ao final com esta afirmação: uma boa conduta cristã começa com o reconhecimento de que não a temos, e com uma atitude de busca. Quem procura sem uma pessoa de conduta correta, principalmente uma conduta cristã correta, será uma pessoa realizada. E este é um desafio para você: reconhecer que precisa melhorar, por melhor que seja, para crescer espiritual e moralmente, enriquecendo-se de boas obras. Então, você será uma pessoa realizada. “Quem faz o bem é de Deus” (3Jo 11).</p>
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		<title>A bênção da dor no coração</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 01:03:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um estudo em Mateus 5.7, preparado originalmente para a revista “Você”, da UFMBB “Bem-aventurados os misericordiosos&#8230;” Mateus 5.7 Em nosso estudo da ética do sermão do monte, estamos analisando as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus. Chegamos à quinta, que tem uma estrutura diferente das demais. Ela é retribuidora. Explico. Nas bem-aventuranças anteriores, a pessoa era algo [...]]]></description>
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										</div><p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;" align="center">Um estudo em Mateus 5.7, preparado originalmente para a revista “Você”, da UFMBB</p>
<p style="margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.46cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"> “<span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><em>Bem-aventurados os misericordiosos&#8230;”</em> Mateus 5.7</span></span></span></p>
<p style="margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.4cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Em nosso estudo da ética do sermão do monte, estamos analisando as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus. Chegamos à quinta, que tem uma estrutura diferente das demais. Ela é retribuidora. Explico. Nas bem-aventuranças anteriores, a pessoa era algo e por isso recebia alguma coisa. Nesta, a pessoa receberá o que ela é. Na realidade, não se diz que receberá o que é, mas que alcançará para si o que faz aos outros. É como se fosse algo que está lá, esperando por ela.</span></span></span></p>
<p style="margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Quem for misericordioso alcançará a misericórdia. Vivemos num mundo em que o negócio é ser forte, competitivo, em que os fracos vão caindo pelo caminho. E quem deseja vencer e triunfar na vida precisa sobrepujar os outros. É a ética do mundo. Quem tiver a boca maior engole o outro. Mas o cristão é exortado a usar de misericórdia para alcançá-la para si. Vamos ver o que Jesus pretendia nos ensinar com esta bem-aventurança.</span></span></span></p>
<p style="margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.42cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>O que é misericórdia? </strong></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span id="more-869"></span>Em português, o significado da palavra é muito rico. “Misericórdia” vem de <em>misere cardia</em>, “dor no coração”. Não se trata, evidentemente, de angina ou ataque cardíaco. Refere-se a um sentimento profundo de compaixão, que faz doer o coração.  É mais que “ter peninha” de alguém.  No aramaico, a língua natal de Jesus, a palavra teria soado como o hebraico <em>hesed </em>(pronuncia-se <em>réssed</em>), de tradução sempre falha. Alguns gostam de traduzi-la por “amor inalterável”. É empregada mais de 150 vezes no Antigo Testamento. Em 96 delas, a Bíblia de Almeida traduziu por “misericórdia”. Em 38, por “bondade”. Nas outras, por “graça”, “amor” e “benignidade”. </span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">A <em>hesed </em>dura para sempre, como podemos ler em 1Crônicas 16.34, 2Crônicas 7.3, Esdras 3.11, Salmo 106.1, 107.1, 138.8 e 26 vezes no Salmo 136. Viu que riqueza? Viu como os hebreus a valorizavam e cantavam? <em>Hesed </em>designa a bondade que vem do coração de Deus.  É um sentimento próprio de Deus, que ele tem e usa para conosco.</span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><em>Hesed </em> se relaciona com “verdade”, como podemos ver Gênesis 24.27, Salmo 25.10, 57.3 e 89.14. Seria bom que as passagens bíblicas fossem examinadas, para se entender bem o que está sendo dito. E mais uma explicação para nos aprofundarmos no conhecimento da Palavra de Deus: No hebraico, “verdade” é a palavra <em>‘êmeth</em>. É daqui que vem “amém”. Quando você diz “amém” em uma oração, está dizendo que o que foi dito é verdade e você concorda com aquilo. Quando Jesus diz à igreja de Laodicéia que ele é o “Amém”, está dizendo que ele concorda com Deus Pai em tudo. Ele é a verdade que Deus Pai tem para dizer ao mundo.</span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><em>´Êmeth </em>nunca é uma verdade intelectual ou acadêmica, mas de caráter. Significa constância e fidelidade a um propósito. Você pode achar estranho que tenhamos optado por manter estas duas palavras hebraicas, mas elas são muito ricas, difíceis de expressar em português. Elas fazem parte do caráter de Deus. Ele nos fez promessas e se mantém fiel a elas: <em>“&#8230;se somos infiéis, ele permanece fiel; porque não pode negar-se a si mesmo” </em>(2Timóteo 2.13). É a essência do caráter de Deus. Ele nunca falha, nunca mente, nunca nos engana. </span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Vamos então deixar bem definido: É bem-aventurado aquele que tem um coração como o coração de Deus, ainda que não seja, evidentemente, no nível dele, que é o Absoluto. Mas em nosso nível. Um coração que sente dor. Dor pela miséria do mundo, dor pelas dores dos homens, dor pelo destino dos que vivem sem Cristo. É <em>hesed</em>, é misericórdia, é dor no coração, é sensibilidade.</span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Este sentimento se associa à verdade, a um <em>´êmeth,</em> o caráter de Deus. Só pode ter uma verdadeira dor pelo mundo quem tem uma concordância com Deus, quem vive com ele.</span></span></span></p>
<p style="margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.42cm;" lang="pt-BR" align="left">“<span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>Bem-aventurados os misericordiosos&#8230;”</strong></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"> <span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Nos tempos de Jesus, a misericórdia era muito rara. Um filósofo do porte de Aristóteles dizia que “o escravo é uma ferramenta”. Outro personagem daquela época, Vedius Pollo, lançou um escravo às piranhas do seu aquário porque este quebrou uma taça. Hilário, em uma carta à esposa grávida, escreveu: “Se for menino, deixa viver; se for menina, tirando-a, deixa morrer”. As mulheres não tinham valor. Os escravos eram coisa. E isto na sociedade culturalmente mais adiantada da época.</span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">É num contexto desse que Jesus fala de misericórdia. Não era para nutrir o ódio, nem cultivar a força, mas sentir dor no coração pelos sofredores. Os que tivessem tal sentimento é que seriam bem-aventurados. </span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Misericórdia era o sentimento de Jesus, como você bem pode ler em Mateus 9.36: <em>“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas&#8230;”</em> Paulo recomendou que nós tivéssemos este sentimento: <em>“Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus&#8230;”</em> (Filipenses 2.5). Precisamos levar isto a sério, porque muitas religiões têm semeado ódio. Houve as cruzadas e as guerras da Reforma, há os terroristas islâmicos, há o ódio entre os grupos que se julgam mais especiais ou mais santos que os outros, e assim por diante.</span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Tenho muito medo dos santos aos seus próprios olhos.  Alguns são tão rabugentos! Mas uma pessoa santa deveria ser bondosa. Jesus deixou bem claro o padrão para nós: <em>“Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” </em>(Lucas 6.36). A igreja primitiva viveu isso muito bem. Confira, agora, lendo Atos 2.44-47 e 4.32-35. Nós também devemos viver em nível de solidariedade.</span></span></span></p>
<p style="margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.42cm;" lang="pt-BR" align="left">“<span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>&#8230;alcançarão misericórdia&#8230;”</strong></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Conforme Jesus ensinou, o fiel é avaliado pelo que dá: <em>“Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós” </em>(Mateus 7.2). Em outras palavras, receberemos o que dispensamos aos outros. </span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.38cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"> <span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Mas receberemos da parte de quem? Acima de tudo, e é isto que deve nos preocupar, receberemos de Deus.  Ele devolve o que damos e não dá o que não damos: <em>“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas” </em>(Mateus 6.14-15). Na parábola do credor incompassivo, lemos: <em>“Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste; não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti?” </em>(Mateus 18.32-35). Resumindo: assim como Deus tem <em>hesed</em>, misericórdia de nós, devemos ter misericórdia dos outros. O cristão provou a bondade de Deus em sua vida, logo deve ser bondoso. E quanto mais bondoso for, mais bondade recebe.  Deus é misericordioso com os misericordiosos. É muito bom termos em mente as palavras de Tiago 2.13: <em>“Porque o juízo será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia.” </em>Cuidado com a maneira pela qual você trata os outros. Deus tratará você assim. E se você dispensa misericórdia aos outros, o Pai celestial dispensará misericórdia a você.</span></span></span></p>
<p style="margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.42cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><strong>Conclusão</strong></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Hoje, em nossas igrejas, fala-se muito de culto e de louvor. Parece até que a coisa mais importante que o seguidor de Jesus Cristo pode fazer em sua vida é cantar. Louvar a Deus é muito bom e agrada a ele, mas não é o mais importante na vida cristã.  Faz-nos bem, mas não é o que Deus mais deseja em nossa vida. Oséias 6.6 mostra isso: <em>“Pois misericórdia (hesed) quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.”</em> O sacrifício era a forma mais sublime de culto no judaísmo, mas Deus quer de nós um sentimento de bondade e de amor para com ele. Este sentimento de amor a Deus transborda na direção do mundo. Jesus amava o Pai e amava os homens. Ele nos deu o exemplo.   Revelou um  sentimento de amor a Deus e aos outros. Se dermos isso, receberemos isso.</span></span></span></p>
<p style="text-indent: 0.3cm; margin-top: 0.42cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 0.39cm;" lang="pt-BR" align="left"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;">Adolescente, ame a Deus para amar os homens. Viva na presença de Deus para viver corretamente na presença dos homens. Seja misericordioso, e Deus será misericordioso com você. </span></span></span></p>
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		<title>Casa de Oração ou Antro de Assaltantes?</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 03:22:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Isaltino</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Discurso paraninfal do Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho aos bacharelandos em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Campinas, em 7 de março de 2009 Eis o texto de Mateus 21.12-13, na Almeida Século 21: “Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali vendiam e compravam; e revirou as mesas dos cambistas e as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="padding-top:5px;padding-right:0px;padding-bottom:5px;padding-left:0px;;">
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										</div><p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="center"><span style="font-size: small;"><strong>Discurso paraninfal do Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho aos bacharelandos</strong></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="center"><span style="font-size: small;"><strong> em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de Campinas, </strong></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="center"><span style="font-size: small;"><strong>em 7 de março de 2009</strong></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="center">
<p style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="center"><span style="font-size: small;"><strong><br />
</strong></span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Eis o texto de Mateus 21.12-13, na Almeida Século 21: “Jesus entrou no templo e expulsou todos os que ali vendiam e compravam; e revirou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, fazeis dela um antro de assaltantes”. Não seguirei pelos vários usos deste texto em nosso meio. Analisá-lo-ei á luz do seu contexto. Jesus citou Jeremias, 7, onde o escopo é maior que a venda de bugigangas no templo, coisa, aliás, ainda em voga em nosso meio. Há seitas neopentecostais a vender bênçãos. É lhes raso vender quinquilharias. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Ao citar Jeremias, Jesus foi além do comércio no templo. Este era um dos aspectos da questão. O pano de fundo de Jeremias vivia-se no tempo de Jesus. E no nosso. Bem disse Durkheim: “A única lição que a história nos ensina é que não aprendemos nada das lições da história”. Por isso vejamos o assunto casa de oração x antro de assaltantes.<img src="../wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" border="0" alt="" width="1" height="1" align="bottom" /><span id="more-602"></span></span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Casa de oração é a casa de Deus. Antro de assaltantes é o estado espiritual de uma sociedade e igreja doentes. Antro de assaltantes não é banditismo, mas abandono do propósito divino, e estabelecimento do nosso. É recusa da vontade de Deus, que é santa, e estabelecimento da nossa, que, mesmo cheia de boas intenções, é pecaminosa. Antro de assaltantes é o desvio que os homens fazem do propósito divino. Deus queria de um jeito e o povo de outro. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><strong>O primeiro sintoma da sociedade e da igreja antro de assaltantes é a confiança na instituição e o desprezo pela conversão.</strong> Deus dizia: “Endireitai os vossos caminhos e as vossas ações, e vos farei habitar neste lugar” (Jr 7.3). Era uma chamada à conversão. O povo respondia dizendo: “Este é o templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR” (V. 4). À chamada à conversão, o povo respondia com religiosidade supersticiosa. A instituição “templo” lhes era um sinal de que nada lhes aconteceria. Para que conversão? Tinham o templo, tinham religião, tinham a instituição. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">O mesmo acontece hoje. Nossa sociedade é religiosa. E também usa a religião contra Deus e seu chamado à conversão. Vivemos numa época de politicamente correto, em que tudo é certo, e todo mundo deve ser acatado. Exigir conversão é ser fundamentalista. É ser radical e intolerante. Afinal, religião, todo mundo tem. E mesmo quem não tem é gente boa, é de Deus. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Deus pedia conversão e o povo respondia com a instituição. Como hoje. “Precisamos de mais instituições, mais escolas e mais área de lazer (a delinqüência juvenil, descobriu-se, é por falta de lazer dos jovens – então, mais lazer para eles)”. Estas coisas são boas, mas são paliativas, e não tocam no fundo da questão. O problema do ser humano, mais que econômico e recreacional, é espiritual. Não é epidérmico, mas vem de dentro. “O coração do homem é mau desde a sua meninice”, diz a Bíblia. Apregoa-se o discurso falido do Iluminismo, da bondade inata do homem, e pensa-se que se criarmos mais instituições, o mundo será melhor.</span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Quanta ingenuidade no noticiário midiático! Alguém foi ministrar aulas de capoeira numa favela carioca. Surgiram discursos elogiando isto como “resgate da cidadania dos jovens marginalizados pela sociedade”. Com capoeira? Este discurso me soa superficial. Ele não toca na questão fundamental. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Nosso problema não é institucional, é espiritual. Muitos pensadores cristãos facilitam este equívoco. Para eles, tudo tem explicação sociológica, nunca espiritual. Respondem a tudo e tudo interpretam por pensadores seculares, e não pelo evangelho. Pensadores são, mas não pensadores cristãos. Não sustentam a visão cristã. Sua cosmovisão é acristã, se não anticristã. É o triunfo da instituição, o nome que dou, nesta fala, à construção humana. É a recusa à conversão, que é a chamada de Deus.</span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Nossa editora oficial e a boa parte de nossas instituições (colégios, seminários e juntas) passam por crise financeira. Algumas faliram. Na mesma época que a JUERP (minha editora até o fim) entrou em crise, a CPAD também entrou. Esta se recuperou e é uma editora de peso, com livros de valor. Lembro-me de uma foto publicada em algum lugar (esqueci-me onde) de pastores assembleianos de joelhos, numa reunião da CPAD, na hora da crise. Eles resolveram com oração e a orientação divina que veio em resposta. Nós, quando entramos em crise, criamos um GT, uma comissão, alguma instituição. Sou batista do papo amarelo, mas vejo que nutrimos uma crença ingênua e quase idolátrica em nossas instituições. Fui para o seminário com 19 anos, e discutíamos reestruturação denominacional. Tenho 37 anos de ministério, e estamos discutindo reestruturação denominacional. Quando Jesus regressar, estaremos discutindo reestruturação denominacional. Não será que nossas instituições precisam de conversão, ao invés de mais mudança de nomenclatura e de forma? Por que não uma chamada ao jejum e à oração nacionais pela denominação batista, para Deus remover o que e quem está errado? Por que mais GTs?</span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Para ficar claro que não estou atacando minha denominação, que amo e na qual quero encerrar minha carreira: há muita igreja antiinstitucional que se tornou instituição, e passou a se valorizar mais que qualquer outra coisa. O fenômeno é mais amplo e atinge muita gente. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><strong>O segundo sintoma da sociedade e da igreja antro de assaltantes é a ênfase no culto, na liturgia, e não no caráter. </strong>Deus pedia conversão e ética no relacionamento social: a prática da justiça, não oprimir o estrangeiro, o órfão e a viúva, não derramar sangue inocente (vv. 5-6). A seqüência da conversão, falando como cristão, é mais que praticar fórmulas litúrgicas. É deixar que o caráter de Cristo se forme em nós, por obra do Espírito Santo. O povo respondia com sua religiosidade, inclusive o culto a Baal. Como temos cultos hoje! No bairro em que moro há quase cinqüenta igrejas evangélicas. Talvez haja mais igrejas que bares. Só batistas contei oito, num perímetro de cinco quilômetros. Mas que cultos são esses, que adoração é essa, que não produzem retidão nem impacto na sociedade? Muitos cultos são catarse pura. Outros são insanos. Pode-se levar a sério uma igreja cujo credo traga “sapateado de anjos”? Bem, sapateiem os anjos lá e sigamos cá. Uma das razões da destruição de Judá foi a injustiça social, ou seja, o abandono da ética. A adoração que não produz vida correta é mero alarido. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Tenho muitas dificuldades com a liturgia de nossas igrejas. Não agüento mais cantar corinhos ingênuos, de música pobre e de teologia manca. A imaginação é fértil, mas canhestra. Num culto desses, um dia desses, cantou-se um corinho em que as três primeiras sentenças gramaticais não tinham qualquer conexão entre si, cada uma tinha um sujeito diferente e cada uma abordava um tema diferente. Nada entendi. O que me deixou pior foi que as pessoas faziam cara de quem sentia dor, fechavam os olhos, com um ar sofrido, e se requebravam. Aflige-me ouvir, após cada corinho, um sermãozinho sem nexo algum. As coisas deviam ser bem definidas. Quem prega, que pregue, não cante. Quem canta, que cante, não pregue. É duro agüentar sermão de grupo de louvor. Nenhum pensante merece! Mas é moda. Ai do pastor que disser que a maior parte dos corinhos tem música pobre e letra capenga, sem sentido, e que se sustentam só pelo alto volume (barulho é coisa de quem não tem conteúdo) e pelo gestual! Como temos louvor, e como nos falta santidade! Como temos adoração, cultos, templos, e como falta integridade aos adoradores! É a filosofia do antro de assaltantes: mais importância ao culto e à liturgia que ao caráter. Ela mascara a ausência de santidade com ritualística. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Vocês enfrentarão esta mentalidade no ministério. Gente que quererá festa, mas não correção. Que quererá liberdade para fazer o que quer, sem restrição. Que quererá um culto para se soltar e não para aprender as verdades da Bíblia. Quererá adoração, mas não caráter. Muitas igrejas querem festa, mas Deus diz “Para que me trazeis tantos sacrifícios? Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais de engorda. Não me agrado do sangue de novilhos, de cordeiros e de bode” (Is 1.11). Ele diz que está farto de cultos! E o que deseja ele? “Lavai-vos e purificai-vos; tirai de diante de meus olhos as vossas obras más; parai de praticar o mal; aprendei a praticar o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1.16-17). Deus quer retidão. Não digo que a liturgia seja hipócrita, mas não aceito que vida cristã seja o que sucede num determinado dia da semana, conduzido por determinadas pessoas, num momento determinado, num lugar determinado, chamado culto. Isto é mais que confundir a casca com o miolo. É confundir o farelo com o pão. É guetizar a igreja. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Vocês não foram chamados para serem animadores de auditório, mas orientadores do povo de Deus. Não foram chamados para ganharem um concurso de popularidade, mas serem fiéis aos propósitos divinos exarados na Bíblia. Não permitam que o antro de assaltantes de uma sociedade festiva vaze para dentro da igreja e a contamine. Não sou contra o culto nem contra cânticos. <em>Repito: </em><em><strong>Não sou contra o culto nem contra cânticos</strong></em><em>.</em> Sou contra a bobagem, a superficialidade, a alegria fingida, a manipulação e a ênfase na liturgia mais que no caráter. Vivemos numa época de baixíssimo nível cultural. Hoje não há espaço para um Beethoven, mas para DJs. Não há espaço para um Monet, Picasso, um Di Cavalcanti, uma Tarsila, mas para pichadores, pois dizem que isto é arte. As pessoas não conhecem Machado de Assis, mas BBB. A mediocridade é chocante e invadiu a igreja. A pobreza musical e litúrgica de nossos cultos é desalentadora. Mas algo incomoda mais que a pobreza: o copismo nível cultural do mundo. A igreja não mais vanguardeia, mas copia. O antro de assaltantes de uma crença em que “o que vale é a intenção” entrou em nosso meio. Para Deus não vale a intenção. Vale o certo. Não ousarei definir o que é certo em liturgia, mas defino o que é errado. Tudo que é sensual, que apela aos sentidos físicos mais que ao espírito, que busca satisfazer os anseios ao invés de nos levar a alcançar a perspectiva de Deus para nos, é errado. Se não promove a santidade, mas satisfaz à necessidade de balanço, de meneios, de se soltar, deve ser repensado. Adoração não é catarse. É consciência do Sagrado e quebrantamento diante dele.</span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><strong>Por fim, antro de assaltantes é a confiança em si e em seus deuses. </strong>Judá não confiava em Iahweh, mas em Baal, no Egito, na Síria. Fazia seus deuses e se rendia a eles. Os contemporâneos de Jesus não criam nele, mas confiavam na sua visão pessoal. Disse Lutero: “Aquilo em que um homem confia isso é o seu deus”. A sociedade não quer Deus, o Deus Vivo e Verdadeiro, e faz os seus deuses. A igreja de hoje confia mais no poder humano que em Deus. Tem um Deus, mas crê em deuses que ela constrói. Certos planejamentos financeiros, certas abordagens, certas ênfases, certas posturas políticas, certos bastidores, me fazem crer que a crença no poder de Deus é secundária. Apoio a políticos sabidamente sem caráter e lançamento de evangélicos absolutamente despreparados à vida política, e a sofreguidão com que a igreja busca o poder material, seja financeiro ou político, me levam a perguntar: “Em quem cremos, afinal?”. E ainda: “O que queremos com o credo antro de assaltantes?”. Intrigou-me ver crentes brasileiros discutindo o evento Obama com um fervor quase religioso. A mídia falou de “obamania”. Talvez o correto seja “obamalatria”. Já vi este filme antes, com títulos diferentes: “lulatria”, “colloratria”, “tancredolatria”, “planocruzadolatria”. Todos deram errado. Porque toda confiança em homens, instituições e ideologias, além de idolatria, é frustração. Nossa teologia nos ensina a depravação da raça humana, a pecaminosidade total da raça. Mas esperamos socorro do produto da raça pecaminosa. Muitos dos problemas da igreja residem aqui: não levar a Queda a sério. Achar que é uma historiazinha engraçada, a fábula de uma serpente falante, sem considerar seu ensino. O homem tornou-se mau, corrompido e corruptor. O homem é um Midas às avessas. O que Midas tocava se transformava em ouro. O que o homem toca se torna em pecado. Por isso não creio na redenção via instituição. Por isso censuro a festa religiosa sem santidade, sem foco em Deus e com foco no homem. E por isso censuro a visão de que políticos e ideologias podem nos trazer o reino de Deus ou transformar o mundo. Não creio que pecadores inconversos podem nos salvar. </span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Não estou censurando a visão política. Estou censurando nossa expectativa em messias humanos, em salvadores terrenos. Tenho visto que os olhos da igreja se voltam para mais para a terra que para os céus. Como Nietzsche pediu em uma de suas obras. Aliás, já vi pastor dizer-se apaixonado por Nietzsche. Se o leu não o entendeu&#8230;</span></p>
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="text-indent: 1.25cm; margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Deuses terrenos não são misericordiosos. Nada podem fazer, nada fazem, e cobram caro pela não ajuda. Quando aprenderemos o que é depender da graça, o que é confiar no poder de Deus, e esperar sua ação? Quando mostraremos que os valores do reino nos são mais importantes que as moedas dos cambistas? Quando valorizaremos mais a cruz que a mesa do cambista?</span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><strong>CONCLUSÃO</strong></span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">O que Jesus fez no antro de assaltantes? Derrubou as mesas, expulsou os cambistas e proclamou a santidade do templo. Eis o que espero que vocês façam:</span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">1º) Não ponham instituições acima de Deus e dos valores do reino. Não desprezem a conversão, a santidade e a piedade. Não preguem adesão a um grupo social. Preguem conversão. Igreja é mais que instituição. É o corpo de Cristo. Amem-na, valorizem-na, dediquem-se a ela. Vivam para Deus e não para ideologias eclesiásticas.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">2º.) Sejam pregadores da Palavra, homens e mulheres da Bíblia. Sejam condutores do povo de Deus, e não animadores de auditório. Evitem o estrelismo e fujam das estrelas do culto. Dobrar joelhos é mais importante que bater palmas. Culto é quebrantamento e não forró. Levem o povo de Deus a buscar seriedade espiritual e não a catarse. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">3º) Dependam da graça de Deus. Não aceitem as insidiosas e sutis manifestações de idolatria eclesiástica contemporânea. Sejam “cristomaníacos” e não “qualqueroutracoisamaníacos”.</span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;">Derrubem as mesas da profanação do evangelho e afirmem a santidade de Deus! </span></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"><span style="font-size: small;"><br />
</span></p>
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