NÃO ENGULA O CAROÇO!

NÃO ENGULA O CAROÇO!

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, 17.3.13

Tomando o indefectível cafezinho da Igreja, um irmão contou sobre como sua igreja, no Rio de Janeiro, vivia a época de missões. Falou do “caroço missionário”. Distribuíam-se laranjas e as pessoas, ao chupá-las, contavam os caroços e davam sua oferta conforme o número de caroços. Segundo ele, era uma festa para ver quem tinha mais caroços e dava a maior oferta. A pessoa podia dar quanto quisesse, mas o charme era o número de caroços.

Creio que se fizesse isso hoje, haveria gente engolindo caroço, só para não dar oferta. Para reclamar de uma feijoada a R$ 10,00 dá para ver que os tempos mudaram. As pessoas querem receber e não dar. Fui criado numa igreja em que missões eram as suas grandes festas. Era uma igreja de gente pobre. As senhoras faziam doces para vender, os adolescentes lavavam carros, irmãos faziam horas extras na fábrica, tudo para dar uma grande oferta.

As pessoas faziam vales, que resgatavam, aumentando sua oferta. Lembro-me de um casal bem pobre, que doou suas alianças. Um irmão as resgatou e devolveu-lhes de presente. Defini-me, de vez, pelo ministério, em um encerramento de campanha missionária. Um jovem fez um vale. Escreveu num papel: “Vale minha vida para missões!”. Assinou e me pediu para assinar com ele. Assinamos e entregamos o vale. Demos a vida para o ministério. Ele e eu nunca resgatamos o vale. Espero pagar até morrer. Mas o clima de missões que a Igreja Batista de Acari vivia, sob o Pr. João Falcão Sobrinho, me contagiou. Não entendo uma igreja que não ame missões, que não viva nem respire missões. Há igrejas que dão esmolas para missões. Missões merecem o melhor.

O missionário não é um incompetente que, sem condições de pastorear num grande centro urbano, vai para o fim do mundo. Margarida Gonçalves, Guinther Carlos Krieger, Elton Rangel, Antonio Galvão e outros missionários desmentem isso. O missionário não é bagaço. É a elite das tropas de Deus.

Não dê um trocadinho para missões mundiais. Ame missões. Invista em missões. Os fundadores da Central de Macapá tinham visão missionária. Missões estão no DNA da Central. Rejubile-se por ser membro de uma igreja plantada por missionários e pelo campo em que ela está, que é missionário. Olhe além do Amapá. Olhe o mundo.

Dê algo de valor para missões mundiais. O Pr. Yousef, na tradição de missionários de fibra, estava disposto a ser enforcado pela sua fé. Aceitou morrer por Jesus. O Irã cedeu diante de sua firmeza. Outro pastor iraniano está morrendo aos poucos, na prisão. Aqui há gente brincando de igreja: atividades supérfluas, festa e “bênssa”.

Missões precisam de gente que não engula o caroço. Ponha o coração nesta obra. Ame missões. Não com palavras. Com o bolso.