Meu mordomo Jarbas

Meu mordomo Jarbas

       Preguei na PIB de Alcântara, S. Gonçalo, RJ. Paulista por opção e estilo, nasci carioca. Assim, sempre me refiro ao “outro lado da ponte”, de brincadeira. Mas minha família é também do outro lado: os Gomes Coelho (pai) e os Werdan (mãe) são de S. José de Ubá. Digo que em todo lugar, eu sou eu. Do outro lado da ponte, como disse alguém, sou “aquele paulista que casou com uma moça da família Lota”. Assim fica 1 a 1.

        O Pr. Vanderlei, obreiro de valor, designou um diácono para buscar-me e acompanhar-me: Aloísio. Como diz o popular, “uma figuraça”. Ri até de dor de dente. Um bom humor a toda prova. Pega-me no aeroporto e diz que está às minhas ordens. Com a convivência surge a amizade e logo o apelidei de Jarbas, pois ele diz que está como meu criado. Aloísio é fiel escudeiro do Pr. Vanderlei. Acompanha-o nas viagens para pregar em igrejas fluminenses. Contam as peripécias. Perguntam-me se tenho companhia assim para viagens. Não tenho. Não tenho um Aloísio. Como diz alguém, tenho “uma dona”, que sai comigo. Mas já fui com Isaías e Angela, casal da igreja, até Ouro Verde, a 640 km de Campinas. Companhia para revezar no volante. Meu “genro” Kleber, casado com minha “filha” Camilla, foi comigo a Rio Claro. Jairo Lisboa, a S. José dos Campos. Mas tenho tantas ovelhas amigas, leais, queridas e prestativas!

        Levo uma vantagem sobre o Pr. Vanderlei. Tenho em minha igreja o crente que faz “o pior café do mundo”, o Enzo. Digo que após bebê-lo uso fio dental para limpar os dentes. E sempre bebo e repito. E a irmã Aparecida? O café dela vem em fatias. Brinco com os dois: querem cometer um “pastoricídio”. E rimos os três.

        Como é bom conviver com o povo de Deus! Fazemos amigos “mais chegados que um irmão” (Pv 17.17). Meu pai é diácono na região de Brasília, onde meu irmão é pastor. Gosto deles, mas lá hospedo-me com Dogival e Irene, amigos de longa data. Em Porto Nacional, Tocantins, hospedei-me com um casal admirável, Luis Nonato e Jussara. Deram-me um livro sobre a história do Tocantins. Em Natal, Targino e Nilza são o casal amigo. Em Porto Velho, Aires e a Ana. Aires tem todos os cassetes com as mensagens que preguei na PIB de Manaus. Em Bauru, Aniel e Rode. Em Manaus, Vanias e Fátima e o Pr. Francisco e a Delmarah. Amigos que vemos episodicamente, mas que ficam no coração. Meses sem trocar uma palavra, mas sempre no coração. Isto é a fraternidade cristã. Gente que nos era desconhecida, de lugares diferentes, culturas diferentes, sotaques diferentes, mas que faz parte de nossa vida.

        Quando adolescente, li um sermão de um pastor cujo nome me foge. Título: “Manuel da Cara Quadrada”, parece-me. Relevem. Minha adolescência está 40 anos atrás. Manuel da Cara Quadrada era um personagem emburrado. Presente em repartições públicas, bancos, balcões, fábricas. Zangado com tudo, inimizando-se com todos. Disse o pastor que, infelizmente, Manuel da Cara Quadrada era membro de muitas igrejas. Elas os têm às dúzias. É verdade. Quarenta anos atrás, havia membros de igrejas que para mostrar valor faziam questão de ser o terror nas sessões administrativas. Atazanar a vida dos líderes, principalmente do pastor, era o máximo de quadradice facial.

        Os caras pintadas sumiram, mas os caras quadradas não. Ainda os há, mas não profusamente. Louvo a Deus porque não os há no Cambuí (em público não), e assim a igreja caminha alegre. O espírito fraterno prevalece quando temos menos Manuel da Cara Quadrada e mais Jarbas. A alegria jarbiana é melhor que a zanga manuelina.

        Bem-aventurados os Jarbas! Espalham alegria e vivem bem. Pobres dos Manuéis da Cara Quadrada! São infelizes! Seja um Jarbas, um amigo!

        Isaltino Gomes Coelho Filho