Por que deixei de ser espírita

Por que deixei de ser espírita

 

Hoje percebo: eu já andei nas trevas, pensando andar na luz. Só quem, como eu, foi, por 32 anos, espírita, pode avaliar como é bom poder orar sem apagar as luzes, sem esperar que um poder extraordinário, mas não divino, viesse dar forma à emoção que todos queríamos viver e não conseguíamos de modo normal , como sinto agora…
Hoje percebo que as reuniões espíritas provocam o recolhimento e a concentração para que as pessoas não percebam quanto estão fora de si, de seu racional. Orar a Deus e chegar ante Ele não é perder o controle do próprio corpo, a ponto de deixar que “outra vontade” nos domine.

 


Hoje, só hoje, reconheço que colocava os espíritos acima de Deus. Como me arrependo de achar que seria responsável pela minha própria salvação e que poderia gerir minha vida por meus próprios meios. Pedia a ajuda de Deus, mas não permitia que Sua vontade se fizesse, pois a decisão era só minha. Dizia  nas orações que fosse feita a vontade de Deus, mas nunca esperava para saber qual era ela, sempre fazia  o que achava melhor, porque, afinal, o carma viria mesmo!…

Quantas vezes tive vontade de “jogar tudo para o alto”, mas não o fiz porque poderia piorar a minha situação na próxima vida!… Hipocrisia! Querer ser, santa sem sê-lo! Forçar uma aparência de bondade, mais parecida com tolerância e resistência férrea aos próprios desejos da alma! Falsidade! Ser humilde é ser o que se é! É procurar mudar por amor, não por medo de punição! Salvar-se é crer, com todas as forças da alma e da mente , que o Senhor está no comando, que Ele é bom, é misericordioso,mas seus caminhos são insondáveis a criaturas pequeninas como nós, seus filhos amados!

Vejo com clareza que um dos grandes argumentos contra a existência do Espiritismo kardecista é a própria bem-aventurança sobre a qual fiz tantas palestras e, hoje, noto que contém uma verdade contrária ao próprio espírito da doutrina de Kardec: “Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos Céus, pois eles verão a Deus…”

 O Espiritismo é o oposto à simplicidade intelectual. No seu cerne, está o pressuposto de que a ciência pode explicar as coisas de Deus, os milagres, os seus mandamentos. Dentro dele, a orientação de estudar não objetiva o crescimento moral, apenas, mas o conhecimento de todas as explicações possíveis e alcançáveis pelos homens através da análise, do exame, enfim, de  raciocínios que obscurecem o poder de Deus. Se Ele mesmo se intitulou EU  SOU , não há como chegar a um entendimento material daquele que é imaterial, ou seja, não há como falar de Deus como “causa primária de todas as coisas” e viver relegando sua vontade e poder a um plano inferior ao da inteligência humana. Deus é, e isto basta para felicitar o ser humano.

Usar as peripécias de romances visionários e não provados, como são os supostos livros psicografados espíritas, para dar provas de que existe um mundo espiritual que nos cerca e interpenetra, é fazer mais historinhas do que entender a cura do cego de Siloé pela simples força da fé.

O Espiritismo não vê Jesus pelo prisma correto – Jesus é grande demais para ser apenas nosso irmão, um filho de Deus como nós mesmos – Jesus é Deus. O que viveu e fez por nós prova que  não Se deixaria jamais ser dominado por qualquer vontade externa que O subjugasse.

Hoje compreendo que não precisamos reencarnar para obter a santidade. Jesus é suficiente para isso, pois quem segue Seu exemplo não precisa voltar à Terra para ser digno de salvação. Hoje me arrependo de todas as vezes em que neguei isto; de todas as vezes em que afirmei que só acreditaria em Deus se houvesse reencarnação; de todas as vezes em que preguei contra as frases “Deus é fiel” e “O sangue de Jesus tem poder”. É, eu realmente não sabia o que fazia…

Lamento, entretanto, por aqueles que permanecem na obscuridade, pois há muitas pessoas de bons sentimentos e de muita honestidade entre os espíritas. Eles ainda não conseguem enxergar que estão diminuindo o valor de Jesus, pensando estar enaltecendo-O. Não vêem que o sacrifício da Cruz não é vergonha para os homens, e sim prova do amor de Deus para conosco.

Tenho sofrido bastante: não é fácil ser a primeira da família a ser convertida.

Tenho, contudo, a consciência tranqüila, pois sei que não minto mais a mim mesma, confesso meus pecados, meus erros, meus enganos. Sei que Deus está me vendo e me entendendo, embora meus antigos amigos e até minhas filhas, às vezes, julguem-me fora do eixo. Não tem importância. A esperança é cada vez mais viva em meu coração. Sonho com o dia em que todos que amo pelos laços consangüíneos,   também conhecerão a verdade que os libertará.

 Peço a Deus que assim seja! 
           Negação do Espiritismo e da mediunidade: setembro de 2001.

          Conversão: 6 de março de 2002.

          Entrega a Jesus na Igreja Batista Itacuruçá: 9 de novembro de 2002.

          Batismo: 21 de fevereiro de 2003.

        
Obs: Descobri que minha fé veio gradativamente:

1- Conversão. Crer que a cruz nos redime. Renegar a reencarnação.

2- Crer na graça e na salvação gratuitas de Deus.

3- Reconhecer a malícia e o papel do mal em nós.

4- Reconhecer que era pecadora, sim.

5- Acreditar na trindade.

6- Entender o que é o Espírito Santo.

7- Acreditar no retorno de  Jesus e no Juízo Final.

8- Esperar a morte com tranqüilidade, pois morte é vida e a vida é Jesus.

9- A reencarnação é uma bengala; só os espíritos fortes vivem bem em Deus sem ela.

10- Jesus é a grande Verdade  e qualquer coisa ou idéia que diminua o seu valor me torna infeliz.

O grande parâmetro de fé que hoje tenho e sigo é que Jesus é meu Salvador, ele é Deus, o Espírito Santo vive em mim e a Palavra Viva é Deus entre nós. Qualquer idéia religiosa que diminua o alcance desta concepção, para mim, é errada e não deve ser seguida.

Maria Celeste de Castro Machado –  [email protected]