?Todas as coisas contribuem…? – Cremos mesmo nisto?

“Todas as coisas contribuem…” – Cremos mesmo nisto?
            No livro Cura pela Palavra, Marcelo Aguiar conta uma história que eu lera na Internet e perdi. Um rei tinha o hábito de caçar na floresta, acompanhado de seu conselheiro. Certo dia, ao disparar a arma, esta explodiu e lhe arrancou um dedo da mão direita. Ele perguntou ao conselheiro como Deus deixara isto acontecer. O conselheiro respondeu citando Romanos 8.28, que diz que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Irritado com a resposta, o rei mandou encarcerá-lo.

            Tempos depois, o rei foi feito prisioneiro por selvagens que iam sacrificá-lo à sua divindade, mas notaram faltar-lhe um dedo. Como não podia ser uma oferta agradável, decidiram soltá-lo. O rei entendeu o que acontecera e mandou soltar o ex-conselheiro, que havia acertado em sua resposta. Se ele não tivesse perdido o dedo, teria perdido a vida. Mas perguntou-lhe como Deus deixara que ele, o rei, fosse injusto, e o encarcerasse. O ex-conselheiro respondeu que se não tivesse sido encarcerado, teria acompanhado o rei, e como não lhe faltava parte alguma do corpo ele teria sido sacrificado. Nos dois casos, Deus agiu acertadamente. O Pr. Marcelo usa esta ilustração para aplicar Romanos 8.28: “Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano”.

            Sempre vejo com reservas as ilustrações de reis e rainhas. Peço aos meus alunos de Homilética que não as usem, pois soam inverossímeis. No entanto, esta história, evidentemente ficção, ilustra bem o modo de agir de Deus, e o Pr. Marcelo soube usá-la. Porque a lição é esta: por caminhos estranhos e de modos que nos parecem errados, Deus tece seu plano e faz com que seu povo seja abençoado. Ouvi um pregador internacional contar de um vôo que perdera, o que o impossibilitara de pregar em uma cruzada em outro país. Ficou muito irritado. O vôo sofreu um acidente, com a morte dos passageiros. Ele perdera o vôo e por causa deste evento negativo ficou com a vida. Muitos de nós podemos, sem querer racionalizar fracassos, lembrar de episódios negativos que serviram para nosso benefício, mais tarde. Nem sempre entendemos o que Deus está fazendo, mas devemos entender que a história não termina enquanto ele não coloca o ponto final. Lembremos o que Jesus disse a Pedro: “Agora você não entende o que estou fazendo, porém mais tarde vai entender!” (Jo 13.7). Muitos dos nossos aparentes males e dissabores são usados por Deus para nosso benefício. Por isso, não perca a fé nem desanime. Não pense que Deus o abandonou ou que tudo está dando errado. Ele sabe escrever uma história de final feliz passando por capítulos problemáticos.

            Muito mais importante que recitar versículos bíblicos é aplicá-los na nossa vida. É crer no que eles dizem. Impressiona o número de pessoas que se dizem fiéis, tementes a Deus, que dizem crer nele, mas vivem em constante estado de ansiedade. Elas crêem com a mente, mas na prática não crêem. Crer é mais que mera admissão intelectual de fatos e conceitos. Crer é descansar em Deus. Não basta aparentar entusiasmo, porque muito entusiasmo é mera euforia humana. Crer é aceitar que Deus cuida. É entender que nos piores momentos, ele não nos abandonou. Caso você esteja sofrendo, lembre-se disto: ele não o abandonou. A sua história ainda não terminou. E quando terminar, se você é um dos fiéis dele, terminará bem. A história dos filhos de Deus sempre termina bem. Por isso, creia que “todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano”.

 

            Isaltino Gomes Coelho Filho