Que Mundo!

Que Mundo!

 

            Não recordo o livro e o autor, só o término. Após analisar as possibilidades que a tecnologia oferece, o autor concluiu: “Que época fascinante para viver!”. Vou parodiá-lo: “Que época miserável para viver!”. E justifico. Não é o desejo de ser diferente. É real.

            Veio no Correio Popular, de Campinas: uma mãe de 25 anos de idade deixou o filho de um ano num carro fechado e foi dançar pagode. Quando o policial a interpelou, depois de alertado por alguém, ela perguntou: “E daí? Que é que tem?”.  No mesmo dia, uma criança de dois anos foi abandonada na fria noite paulistana, nua da cintura para baixo, com uma chupeta na boca. No dia anterior, uma mãe de 16 anos esganou o filho de um ano, que chorava, e foi dormir. Um pai esqueceu o filho de um ano e três meses num carro fechado. Multiplicam-se os casos de crianças abandonadas, mortas pelos pais, esquecidas enquanto pais dançam ou bebem.

Não é verdade que estamos nos aperfeiçoando. O mundo está se brutalizando. A sociedade banalizou a violência, é conivente com o banditismo individual, estrutural e político, ri da virtude e zomba da retidão. São os dias dos quais Ruy Barbosa disse: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,  o homem chega a desanimar-se da virtude,  a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Os trambiqueiros estão triunfando.

Falta-me espaço para fazer uma exegese dos tempos atuais. Mas sustento um ponto: os valores espirituais foram banidos.  Li, tempos atrás, um artigo em que o autor dizia que Darwin fulminara a religião porque colocou o homem no seu lugar. Não é criação divina. Apenas um animal, nada mais que isso. Galileu já baqueara a religião ao provar que a Terra, lar do Salvador, não era o centro do universo. Com Freud, outro golpe: os impulsos sexuais dirigem a vida do homem. O articulista exultava com a derrocada, segundo ele, da religião cristã.

O homem deixou de ser alguém com dignidade intrínseca e tornou-se apenas um acidente, um acaso. Somos só matéria, poeira das estrelas, como qualquer outra matéria do universo. Nada de Deus, nada de um valor fora do homem. Entre nós, um macaco, uma barata, um feixe de capim e um monte de estrume, nenhuma diferença. Apenas matéria. É o naturalismo, que nos ensina que a realidade última do mundo é a matéria.

Nos nossos dias, os fins justificam os meios, e cada um faz seus próprios referenciais. Nada de absolutos. Maternidade e paternidade são conceitos que inventamos. É um retorno à cultura pré-cristã, em que a maldade e imoralidade eram normais. A crueldade estava incorporada ao cotidiano. Um escravo era apenas res, “coisa”, nos tempos romanos. As meninas, por não terem valor, podiam ser abandonadas para morrer. É um regresso ao paganismo. O ataque ao cristianismo é bem orquestrado: questiona-se a Bíblia, “descobrem-se” novos documentos que a modificam, Judas passa a ser herói ou um injustiçado, a Igreja é um bando de mafiosos e Jesus um homem comum que teve filhos com Madalena, etc. Tenta-se calar a Igreja e cristãos a desmoralizam, ao não viverem como devem, e imitarem um mundo mau e medíocre.

Precisamos de cristãos conscientes de seus valores, que não sejam massificados pelo mundo nem se envergonhem de sua fé! O mundo está errado. O evangelho está certo. Não o amoldemos nem nos apequenemos.

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2, NVI). Não sejamos clones do mundo, mas cristãos autênticos, vivendo os valores do Reino num mundo pervertido! A esperança do mundo está no evangelho!

            Isaltino Gomes Coelho Filho