Quem Cuida da Lojinha?

Quem Cuida da Lojinha?
 

            A piada é infame, mas vá lá. Façam de contas que nunca a ouviram e achem graça. O comerciante, moribundo, reúne a família ao redor de si. Pergunta: “Sarah, você está aqui?”. “Estou”, responde Sarah. “Isac está aqui?”, pergunta ele. “Estou, papai”, responde Isac. “Miguel está aqui?”. Miguel responde afirmativamente. O homem se senta na cama e pergunta: “E quem está tomando conta da lojinha?”.

            Lembrei-me da piada no dia da eleição. Votei na 914 Norte, no Colégio Leonardo Da Vinci, e levei Meacir para votar na Escola Classe na 115 Norte. Ainda votamos em Brasília. A fila no TRE de Campinas, perto da minha casa, desanimava quem desejava transferir o título. Soava-me um desrespeito para com o cidadão (pois é, a fantástica Campinas tem suas falhas). Mas deixa pra lá. O que tem a piada com a eleição?

 

            Na relação dos candidatos a deputado distrital em Brasília havia cinco pastores, duas pastoras, três bispos e um evangelista. Perguntei-me: “Por que esses pastores e bispos não vão cuidar das igrejas?”. Por que não cuidam da lojinha?

            Creio que Deus pode chamar um  pastor para a vida política. Mas entendo que um pastor, prioritariamente, deve cuidar de um rebanho. Se entender que Deus não o quer mais com o rebanho, deixe-o. Se entender que deve ter uma atividade não pastoral, mas ainda no reino, em seminário, instituição denominacional, vá e sirva. Se entender que Deus o chama para uma atividade secular, vá e sirva a Deus lá. Como José, Moisés e Daniel, que são modelos para os políticos evangélicos. Mas pastor é para a obra religiosa. Como batista, entendo que bispo, pastor e presbítero se referem a aspectos diferentes da mesma função. Os presbíteros de Atos 20.17 são pastores do rebanho em Atos  20.28 (Linguagem de Hoje). E entendo que foram chamados para a obra de Deus. Há pastores demais na política (até bispos!), mas faltam-nos nas igrejas. Uma igreja de bom porte, equilibrada, com visão teológica do reino e fundada nas raízes teológicas dos batistas, quando fica sem pastor, entra em dificuldades. Faltam pastores que queiram ser pastores. Que alimentem o rebanho, que o confortem, que o repreendam, que orem por ele, que riam, alegrem-se e entristeçam-se com ele.

            Temos seminaristas na nossa igreja. Mais dois jovens manifestaram desejo de ingressar num seminário. Deus os faça amantes da lojinha. Ela está sofrendo por falta de cuidado e de atenção. Até mesmo os crentes não ligam muito para ela. Envolvem-se com ela se não tiverem outro compromisso social. A tônica parece ser: “Primeiro meus negócios. Havendo tempo, envolvo-me com o reino de Deus”. Há muitos consumidores nas igrejas e poucos obreiros. E se pastores e líderes usarem a igreja como trampolim, a situação piorará.

            Estou chamando a igreja de “lojinha” não em desrespeito, mas no espírito da piada. O dono da lojinha estava preocupado. Quem cuidaria dela na sua ausência? O Senhor nos confiou a sua igreja aqui na terra. É responsabilidade nossa. Sua igreja é responsabilidade sua, meu irmão. Você não pode ser apenas um eventual assistente de cultos, mas um obreiro engajado. Muitas lojinhas vão mal porque há muita gente cuidando de muita coisa, mas não delas.

            Sua igreja precisa muito de você. De sua freqüência, que contagia outros e impressiona visitantes. De suas orações intercessórias. De sua contribuição. De seu afeto. Como a igreja de Cristo tem críticos em suas fileiras! Ela precisa de amantes, não de apedrejadores.

            Quem está cuidando da lojinha? Não apenas o pastor, mas cada membro da igreja deve cuidar dela, ter amor por ela e investir nela. Ame sua igreja e lute por ela.

            Isaltino Gomes Coelho Filho