Usando a Bíblia corretamente

Usando a Bíblia corretamente
 
            No livro Princípios para uma cosmovisão bíblica, John MacArthur Jr. tem um capítulo sobre objetividade. Ele censura o relativismo da cultura contemporânea em que cada pessoa faz sua verdade. Para elas, tudo é tolerável. Só lhes é intolerável ter uma cosmovisão bíblica, ou seja, uma visão do mundo pela Bíblia. Tenta-se ajustar a Bíblia à visão das pessoas e amoldá-la às correntes de pensamento. Assim se fazem leituras marxistas, leituras feministas, leituras afros da Bíblia, em vez de se ler estes movimentos à luz da Bíblia. Ela deixou de ser nossa regra de fé e prática e passou a coadjuvar uma visão secular que temos da vida.

Isto não está apenas em nível teológico. Diz MacArthur: “É só participar de um típico encontro evangélico para estudo da Bíblia no lar e você verá que, com grande probabilidade, será convidado a compartilhar sua opinião sobre ‘o que este versículo significa para mim’, como se a mensagem das Escrituras fosse diferente para cada indivíduo. É raro o professor estar preocupado com o que as Escrituras significam para Deus”. O que ele diz é simples: a Bíblia tem um significado e ele deve ser buscado e aplicado na vida de todos. Não temos o direito de fazer uma interpretação pessoal à parte do sentido. Não se pode fazer como se vê em muitos estudos: “O que qui cê acha?”. E alguém responde: “Eu penso assim, ó…”.

Não é o que pensamos ou “o que qui cê acha”. É o que a Bíblia diz. Sua autoridade tem sido diminuída em nosso meio. O experiencialismo prevalece sobre ela em muitas igrejas. Uma senhora me disse uma vez que não iria ficar na Cambuí porque enfatizávamos muito a Bíblia e ela queria uma igreja em que houvesse mais relatos de experiências. Eu lhe agradeci por procurar outra igreja. Ela não era o tipo de ovelha que eu queria.

Volto a MacArthur: “A mensagem das Escrituras não é maleável. Não é singular para cada pessoa. Não é determinada pela experiência pessoal ou opinião pessoal”. Não é nossa opinião, mas o ensino bíblico que deve reger a vida da igreja e a nossa, conseqüentemente.

Ele conclui o capítulo com esta observação: “Alguns simplesmente vivem pelo que sentem e moldam suas crenças segundo suas preferências pessoais. Outros alegam que Deus lhes fala diretamente por meio de vozes, impressões fortes ou sentimentos vagos que eles interpretam como revelações diretas do Espírito Santo. Outros ainda pensam que as Escrituras são escritos improvisados que eles podem modificar ou interpretar da maneira que desejarem. De qualquer modo, a vida e crença deles são comandadas pelas suas preferências pessoais. As crenças deles não são diferentes daquelas dos seguidores da Nova Era que acreditam que a verdade é encontrada dentro deles mesmos”. Que triste verdade!

Muitos confundem seus sentimentos com a revelação de Deus. “Deus falou ao meu coração” é sua frase preferida. Quando pergunto o que isto significa exatamente, não sabem dizer com clareza. Jeremias 17.9 diz que o coração é enganoso e corrupto. O que sentimos no coração pode ser apenas reflexo da nossa vontade. Mas o que a Bíblia diz será sempre Palavra de Deus.

Precisamos redescobrir o princípio teológico do reformador Lutero: Sola Scriptura, “Só as Escrituras”. Lutero rejeitou a Tradição e o Magistério católicos como padrão. Rejeitemos o experiencialismo, as “revelações” e o subjetivismo de grupos ditos evangélicos.  Precisamos submeter a igreja ao crivo da Bíblia, subordinar nossas experiências a ela e reger a vida eclesiástica por ela e não por insights de “iluminados”. Amemos, valorizemos e estudemos a Bíblia, para aplicá-la à nossa vida. É dela que precisamos. E menos de opiniões de gurus do momento. Ela é eterna e eles são modismo.

Isaltino Gomes Coelho Filho