Que tal destruir alguns humanos hoje?

Que tal destruir alguns humanos hoje? 

            Este é o título de um game anunciado num portal da Internet. Para relaxar, após um dia estressante, uma partidinha, em que um simpático alienígena mata alguns humanos. Nada de violento. Apenas para relaxar…

            A questão é controvertida, esgrimindo as partes litigantes dados a seu bel-prazer, mas fala-se muito da influência de jogos violentos no comportamento de jovens. Um ponto parece-me claro: violência como entretenimento não é muito sadio. E não produz pessoas pacíficas. Dizer que funciona como uma catarse soa-me simplista. Acho curioso que alguns digam que conviver com a pobreza causa violência. E que conviver com a violência não causa violência.


            Mas quem sou eu para discutir com doutos psicólogos e eruditos sociólogos?  Só me intriga isso: é esta a melhor maneira de relaxar? Por que a atração pela violência, o fascínio pelo mal? Por que não um game tipo “Que tal salvar uma vida hoje?”. Por que temos esta inclinação para o mal? Platão achava que se uma pessoa conhecesse a virtude optaria por ela. O problema do mal era falta de conhecimento do bem. Ele cria na bondade inata do homem e pensava que bastava educação para eliminar o mal. O platonismo permeou muitas correntes de pensamento e ensinos religiosos. Basta mostrar o bem às pessoas que elas  o abraçarão. “O problema da humanidade é sua ignorância do bem”, dizia uma coluna astrológica com uma filosofia de almanaque de farmácia.

            A Bíblia diz que não basta conhecer o bem. Paulo foi bem claro: “Pois eu sei que aquilo que é bom não vive em mim, isto é, na minha natureza humana. Porque, mesmo tendo dentro de mim a vontade de fazer o bem, eu não consigo fazê-lo. Pois não faço o bem que quero, mas justamente o mal  que não quero fazer é que eu faço”  (Rm 7.18-19). O platonismo filosófico, religioso e pedagógico ignora Paulo: “Mas, se faço o que não quero, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que vive em mim é que faz”! (Rm 7.20). É ingenuidade e romantismo crer na bondade inata do homem. A criança é tão bonitinha, tão engraçadinha! É impossível que seja pecadora! Nossa visão, até como cristãos, é romântica. Deve ser bíblica: “De fato, tenho sido mau desde que nasci; tenho sido pecador desde o dia em que fui concebido” (Sl 51.5). Nós somos pecadores! Carregamos conosco a inclinação para o mal. É o resultado da queda.

            É claro que boa educação é necessária. Muita gente é tão grosseira que é incapaz de colocar uma cadeira de volta ao lugar (vejam as praças de alimentação nos shoppings) ou fechar uma porta que assim encontrou. Nos metrôs, jovens ocupam assentos destinados a idosos. Vagas para idosos e deficientes, em estacionamentos, são ocupadas por gente sarada. Educação faz bem. É óbvio dizer que boa moradia e boas condições financeiras são coisas boas. Só políticos que se cevam na miséria é que gostam dela. Mas o problema fundamental da raça humana é o desacerto com Deus. A teologia chama isso de pecado. A Bíblia diz que fomos criados para viver com Deus e que longe dele nos degradamos. Não adianta racionalizar.

            Para desestressar não é preciso matar alguns humanos. É preciso acertar a vida com Deus, buscá-lo, descansar em suas promessas e seus cuidados. É preciso a fé de uma criança, que se deixa levar pela mão do pai ou da mãe, certa de que está sendo bem conduzida.

Não é de mais violência que precisamos. Ela não nos fará  deixar a violência. O mal não se cura pela prática do mal. Cura-se pela aceitação do Sumo Bem, o Bem encarnado, na pessoa de Jesus. Não é de games esquisitos que precisamos, mas do Deus e Pai do Nosso Senhor Jesus Cristo. Precisamos de Deus, não um deus, vaga energia cósmica, mas o Deus revelado em Jesus. Ele desestressa quem descansa nele.

           Isaltino Gomes Coelho Filho