Um Bom Futuro

Um Bom Futuro
 

            Neste semestre lecionei três classes de Homilética, na Faculdade Teológica de S. Paulo. Na de Campinas lecionei uma classe de Teologia do Ministério Pastoral. Trabalhei na administração de dois seminários e leciono em seminários desde os 23 anos. Tive muitas classes e muitos alunos. Como comecei cedo, fui professor de pastores que já se aposentaram. Fui professor de um pastor no seminário de Bauru e, anos depois, de seu filho, na faculdade de S. Paulo. Mas deixemos as reminiscências de lado. Quando se envelhece se olha demais para trás. E a questão não é esta.


            Algo me impressionou nestas classes: o número de jovens e adultos com uma visão séria do reino de Deus, com vontade de servir, com vida cristã séria. A consciência de vocação e serviço me impressionou. Numa das turmas de S. Paulo tínhamos um momento de oração muito precioso. Sabedores que, no dia 4 de dezembro, era meu aniversário de casado, as turmas de S. Paulo oraram por mim, pela esposa e família. A despedida foi com abraços. Além da evidente espiritualidade, uma excelente camaradagem.

            Domingo passado, a Igreja se despediu de uma de suas jovens, que tem vocação missionária. Ela seguiu para o Projeto Radical na América Latina. Mais dois jovens me procuraram, querendo cursar seminário. Antes que se pense que é gente sem futuro, que tem medo de lutar na vida secular, dou algumas informações. Um de meus alunos é médico cardiologista. Outro é gerente de uma multinacional. A jovem missionária tem pós-graduação, fluência em Inglês, e é intérprete e tradutora. Um dos jovens que me procuraram está concluindo o doutorado na Unicamp, onde já leciona. Não é gente sem perspectiva. Pelo contrário. É gente que tem segurança, mas tem vocação. Na realidade, isto é o mover do Espírito Santo, chamando os crentes para mais perto de Deus e para servi-lo. A igreja onde o Espírito age não é a mais barulhenta, mas aquela onde mais vidas se comprometem com o Senhor e querem gastar-se no serviço. É confortador ver vocações para o serviço cristão. É alentador verificar que pessoas estabilizadas estão colocando sua vida à disposição de Deus.

            Talvez você diga que não tem vocação ministerial. Não se sente chamado para ser pastor ou missionário. Isto não o faz inferior a quem se sente chamado. Nem menos responsável. Também lhe compete fazer o nome de Jesus brilhar. William Carey, o pai das missões modernas, quando ia para missões na Índia, legou uma figura para a posteridade. Ele se via como quem ia descer às minas a buscar tesouros para o Senhor. Os que ficavam tinham a incumbência de segurar as cordas. A vida cristã não é passar tempo num prédio. Não é a busca de felicidade. É firmar um compromisso com Cristo para levar seu nome a todos os lugares. Alguns são chamados para ir. Outros são chamados para sustentar, com orações e recursos, os que vão. Os que ficam e os que vão são responsáveis pela obra de Deus.

            A Igreja de Cristo tem um bom futuro. Eu creio nisto. Seu Senhor é imbatível. Sua proposta nenhuma outra organização tem: vida com Deus. Falta apenas empenho dos seguidores de Jesus. Nem todos podem ir. Mas todos podem orar.  E todos podem contribuir. Nenhum é isentado do serviço. O bom futuro da obra de Cristo depende do poder de Deus, não do poder humano. Mas a dedicação dos crentes, o engajamento, a oração, a contribuição e a disposição de todos facilitam o andamento da obra.

            A Igreja de Cristo tem futuro glorioso. Por causa Dele. Pela ação do Espírito. Pelo poder do Pai. Pelo engajamento dos filhos de Deus. Neste sentido podemos dar um bom futuro à Igreja. Que o demos.

Isaltino Gomes Coelho Filho