Até Que Outro Crime Nos Choque

Até Que Outro Crime Nos Choque
 

            Um menino de 6 anos foi arrastado por 7 km por bandidos, no Rio de Janeiro. Ele ficou preso, pelo cinto de segurança, do lado de fora do veículo. O corpo foi quicando, durante a fuga. Ficou uma pasta de carne humana. O Sargento Navega, que encontrou o carro, disse: “Era um pedaço de carne, já sem roupa, destruído. Mas eu sabia que era uma criança. Peguei o rádio, mas não conseguia me expressar. A voz embargou”. Disse mais o militar:  “Eles tiveram oportunidade de deixar a criança com a mãe. Era só deixar o menino descer. Eles não têm Deus no coração”.

Passada a emoção, isto dará em nada. No Brasil, não se discute com seriedade. Veja o noticiário televisivo. Após uma notícia chocante vem sempre uma trivial, como um desfile de moda com roupas ridículas que ninguém usará. Não se discute sensata e racionalmente. Apenas nos chocamos com eventos.

Fujo da discussão sobre punição a menores. Não é meu objetivo. A questão é a frase do Sargento: “Eles não têm Deus no coração”. Não, não têm, Sargento. Não só eles. A sociedade como um todo não tem.  Deus foi banido de nosso meio.

Quando um evento nos choca é que questões assim são levantadas. Por umas duas semanas. E são esquecidas até outro crime. Aí, outro atônito dirá: “Falta Deus”. Falta, sim. Mas quem quer Deus mesmo? Qual é a fonte de moral e de valores pela qual as pessoas devem nortear suas vidas? Zomba-se da moral, e depois se clama por ética. Destrói-se a dignidade humana, dizendo-se que somos apenas matéria, como um feixe de capim, ou um monte de estrume. Só matéria, nada mais. Depois se clama pela dignidade humana. Que dignidade? Se não há Deus, se não há valores, se a mídia, laboriosamente, tenta desmontar valores, religião e decência, apologizando o estrambótico, por que a queixa? Paremos com o blábláblá de culpar a sociedade. Ela não é uma entidade etérea, alheia a nós. Somos nós. Nós construímos nosso mundo. Nós fazemos nosso estilo de vida. Os criminosos não são vítimas do sistema. Embora vivam dentro de um conjunto de valores (ou “desvalores”) de uma cultura que zomba da virtude e enaltece o erro, são culpados. Fizeram opções.

Críticos trabalham para desmontar a fé cristã. Orgulham-se em descenderem de macacos, em serem animais, e defendendo a liberdade de expressão, vedam-na aos discordantes, chamando-os de “fundamentalistas”. Uma escola de samba quis ridicularizar a Igreja Católica, usando as figuras de Cristo e de Maria num desfile. Impedida, se queixou de falta de liberdade de expressão. Era mesmo necessário fazer isso? Qual o sentido desta provocação?

Pessoas que não queremos como genros e noras, de comportamento que não queremos ver em nossos filhos, são exaltados como heróis. As novelas exaltam a mediocridade, a licenciosidade, e os de comportamento mais sério são sempre mostrados como patetas.

Cerceia-se o bem e exalta-se o erro. Que dificuldades uma igreja encontra para conseguir construir um novo templo! Com que facilidade se abre um bar, espalham-se mesas sobre calçadas, impelindo pedestres para a rua, e permite-se som em alto volume de bares até de madrugada (embora as igrejas também devam ter educação).

Não há Deus no coração dos criminosos. Mas quem liga para Deus? Quem liga para responsabilidade, dever, decência, servir aos outros, ser útil, respeitar o próximo? Isto é “caretice”.

Onde está Deus? Deus está onde a sociedade o colocou: do lado de fora de sua vida. E o que faz ele? Três vezes, ao falar da sociedade humana pecaminosa e pervertida, Paulo declara, na carta aos romanos: “Deus os entregou…”.

Sou um pastor. Chamem-me de quadrado, de fundamentalista, do que quiserem. Mas nunca me chamarão de uma pessoa amorfa, sem convicções. Afirmo com vigor: o mundo colhe o que semeou. Decidiu banir Deus, Deus o entregou às suas paixões e maldades.

O caminho de volta se chama conversão. Quando o trilharmos, a situação mudará. Fora disto, é enrolação.

Isaltino Gomes Coelho Filho