De Volta A Um Velho Tema

De Volta A Um Velho Tema

             No Dia Internacional da Mulher, o “Correio Popular”, de Campinas, publicou foto de péssimo gosto, na primeira página. Uma patricinha com uma arma na mão e um cigarro na outra, numa pose tola.  O tema: jovem, loira, bonita, universitária, moradora num edifício de luxo do Cambuí, um apartamento por andar, presa como líder de gangue. Segundo o “Correio”, tornou-se bandida por amor a um desses jovens tolos que se julgam geniais.

            No dia seguinte, uma professora reclamou na coluna dos leitores. Aquilo não era amor. Esta palavra foi desmoralizada. Cio, fixação, desequilíbrio, patologias emocionais, tudo recebe o nome de amor. Mas o rumo das reportagens a seguir foi desconexo. Como alguém de classe média alta, na rica Campinas, no elegante Cambuí, era chefe de quadrilha? E a discussão: “Por que jovens de classe média se tornam bandidos?”. Continuam a nos dizer que violência e banditismo são causados por pobreza. Como uma moça rica, universitária de Direito se tornou bandida?

 

            É racismo social dizer que pobreza causa banditismo. Há gente decente nas favelas e crentes santos em igrejas pobres. Banditismo é opção. No caso da maluquete e sua gangue, havia um componente nefasto: drogas, flagelo social do qual ninguém quer falar. Elas estão destruindo a sociedade.

 

            Um Delegado de Campinas declarou que a destruição dos valores morais e espirituais e a desintegração da família são responsáveis pelo crescimento do banditismo em todos os níveis, e não a pobreza. Bem-vindo, Delegado, ao clube dos reacionários, do qual sou presidente honorário. Há mais de quinze anos que digo que a sociedade quer se liberar de todas as amarras, para viver no pecado, e está se suicidando. É bom tê-lo no meu time. A exaltação de relações efêmeras, a apologia das drogas e a apresentação de gente vazia e fútil como modelo de vida causam tudo isto.

 

            O pai do namorado da moça é presbiteriano. Sua entrevista ao jornal foi um primor de sensatez. Disse que criou o filho no evangelho, não o inocentou e o culpou pela opção feita.  Disse que o filho optou por más companhias e colhia o que semeara.

 

            Disto nos ficam algumas lições. 1ª) Jovens precisam de regras e rumo. Erram os pais que não educam os filhos, deixando que eles decidam “quando chegar a hora”. “Ensina a criança no caminho que deve andar” (Pv 22.6). Se educando um filho ele faz opções erradas, imagine deixando-o sem orientação. 2ª) Não basta dar coisas. É preciso dar valores morais, como respeito,  dignidade,  decência na vida social.  3ª) É preciso acompanhar os filhos. Há pais que não sabem com quem os filhos andam e não questionam suas amizades. Há pouco, uma adolescente morreu num racha, numa das avenidas da cidade. O carro estava, segundo cálculos, a 150 por hora. Era uma hora da manhã, a menina tinha 15 anos e o pai não sabia onde ela estava. Nem com quem andava. 4º) Somos massificados por conceitos mundanos veiculados pela mídia. Sentimo-nos acuados e queremos ser modernos. Achamos que modernidade é “liberou geral”. Precisamos resistir.

 

            Pais têm responsabilidade de educar filhos. Estes lhes devem obediência. As autoridades, se justas, não podem ser desmoralizadas, e noções mínimas de ordem social precisam ser ensinadas.

 

            Acima de tudo, algo deve ser feito com urgência: uma volta para Deus. Sem ele, a sociedade adoece. Diz Oséias 4.6: “o meu povo não quer saber de mim e por isso está sendo destruído”. Deixar Deus e os valores da sua Palavra de lado são um suicídio lento. É tempo de procurar por Deus. “Procurem fazer o que é certo e não o que é errado, para que vocês vivam” (Am 5.14).

 

             Isaltino Gomes Coelho Filho