O Aniversário Não Era Meu, Mas o Presente Foi

O Aniversário Não Era Meu, Mas o Presente Foi 

Estava no Strog&Noff, para o café evangelístico, em que pregou o Pr. Ricardo Sturz Jr., da nossa Igreja. Excelente mensagem! Chegou a família Pierangeli. Batizei primeiro a mãe, depois os filhos adolescentes. Gabrielle primeiro, depois o Rafael. Gabrielle veio radiante. Aniversariava na semana e chamamos os aniversariantes do mês, no café, para orar por eles. Segundo a mãe, nem dormiu à noite.

 

 

Ela se frustrou numa ocasião. Era seu aniversário e foi à igreja esperando que eu chamasse os aniversariantes da semana para orar por eles. Eu viajei e quem dirigiu o culto esqueceu dos aniversariantes. Mas desta vez foi lembrada. Pr. Ricardo chamou os aniversariantes e orou por eles. Parabéns, Gabrielle, pelo seu aniversário.

 

Brincando, eu lhe disse que na sua idade, aniversário é festa. Na minha é tristeza. Mas não é este o ponto. O ponto é a atitude da ovelhinha: quer que mencionem seu nome e que orem por ela. Muitos adultos esquecem que sua vida é dom de Deus. Atarefados com as dificuldades do cotidiano não têm tempo para agradecer a Deus. Gabrielle queria ser apresentada diante de Deus em oração. E que agradecêssemos a Deus por sua vida.

 

Na igreja em que me converti, chamavam-se os aniversariantes à frente, na EBD, e orava-se por suas vidas. Recitava-se o Salmo 90.12: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”. A vida deve ser vivida na presença de Deus, e os dias devem ser administrados com a sabedoria vinda dele.

 

Em “O mundo de Sofia”, o instrutor da menina Sofia nos caminhos da filosofia diz quem nem todas as pessoas filosofam porque se tornam tão absorvidas pelo cotidiano, “que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida” (p. 30). O filósofo, diz Gaarder, nunca se acostuma com o mundo. É receptivo e sensível como um bebê, que está aprendendo as coisas. Esta é a diferença entre um crente fervoroso e um apático. O fervoroso nunca se acostumou às belezas da vida cristã. O apático já. Nada mais lhe encanta. Tudo é rotina. Lembra o crente novo que está deslumbrado, descobrindo coisas novas, e o crente velho, “que já sabe tudo”. Há crentes novos, com 50 anos de igreja. E há crentes velhos que têm três meses de igreja. Não é o tempo. É a capacidade de se encantar.

 

Pois é, Gabrielle, enquanto sorvia a infusão da rubiácea, ruminava estas coisas. Que bom se todos continuássemos adolescentes, ao invés de velhos rabugentos. Mas não quero ser adolescente na idade. A minha adolescência foi uma barra. Ruim pra dedéu. E gosto muito de minha atual idade. Está melhor hoje do que há dez anos. Falo de adolescência espiritual. Se cada crente continuasse alegre com a vida, vendo-a como dom de Deus, expondo a todos sua alegria, ansioso para expressar sua gratidão, a ponto de nem dormir. Se cada um de nós valorizasse a oração e ficasse feliz em saber que oram por nós, e que devemos orar uns pelos outros. Adolescentes espirituais, que às 7h30min já estivessem arrumados, em um restaurante, para um culto. Há adultos que não conseguem chegar ao culto dominical às 9 da manhã!

 

Isto é um retrato da vida cristã autêntica. A vida é um dom de Deus, devo agradecer-lhe por isto, alegrar-me com suas bênçãos, desejar que todos saibam que recebi bênçãos, não me envergonhar de me alegrar no Senhor. Esta lição a Gabrielle me ensinou.  Foi um presente. E um alerta: tenho tanto para agradecer a Deus, mas me irrito e deprimo quando as coisas não saem como eu queria! Ensine-nos Deus a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios. E adolescentes!

 

             Isaltino Gomes Coelho Filho