Mães Tradutoras da Bíblia

Mães Tradutoras da Bíblia

                Um grupo de seminaristas conversava entre si. O assunto era qual a tradução bíblica preferida de cada um. Um dizia preferir tal versão por causa de sua linguagem mais dinâmica e contextualizada. Outro preferia uma versão mais literal ao texto original enquanto um terceiro preferia uma tradução mais próxima do sentido da expressão e não da letra.

                Mais um opinou dando sua preferência por uma versão que trazia um português mais clássico, mais erudito (não era eu, não). Por fim, um que se mantivera calado até então, disse preferir a versão de sua mãe. Os demais ficaram surpresos, sem saber o que dizer, até que um declarou, em tom irônico:


                – Eu não sabia que sua mãe conhecia hebraico e grego tão bem para fazer uma tradução da Bíblia!

           – Na realidade, ela não sabe nada de hebraico e grego – respondeu o seminarista. E continuou:

                – Ela é semi-analfabeta e conhece mal o português.

                – E que tradução ela fez? – perguntou outro.

                O seminarista respondeu:

                – Ela traduziu a Bíblia na sua vida e no seu caráter. Seu amor pelo Senhor Jesus, seu testemunho aos de fora e a maneira com que nos ensinou sobre Deus e viveu as verdades da Bíblia foram sua tradução. Nunca vi uma pessoa traduzir tão bem a Bíblia. E não em palavras, mas em vida.

                Os demais se calaram.

Precisamos de mães que sejam tradutoras da Bíblia em sua vida. É tão triste verificar o quadro de analfabetismo bíblico em nossas igrejas! Muitos crentes sabem poucos versículos bíblicos de cor, não fazem conexão entre eventos bíblicos e não têm respostas adequadas aos que os inquirem sobre sua fé. A autoridade da Palavra, na vida de muitos, cedeu espaço à “autoridade” de gurus e de pastores sem rebanho, mas com fã clube. O sentimentalismo e o experiencialismo substituem a autoridade da Bíblia em nossas igrejas. O pior é ela não ser mais a regra de fé e prática dos crentes, a não ser em recitação teórica. Na prática, ela não rege mais a vida de muitos dos que dizem ser ela a Palavra de Deus.

                A mãe cristã encarna a Bíblia na sua vida. Ela não apenas embala o berço, mas ora ao pé do berço. Não apenas canta para embalar os filhos, mas canta hinos para transmitir a fé aos filhos. Senta-se com eles não apenas ver as lições da escola, mas para estudar as lições da Escola Bíblica Dominical (e há mães que não são alunas desta!).

                Já fui “acusado” de “bater nas mães” no dia das mães. Ou seja, não usei o sermão para enaltecê-las e glorificá-las, num culto ao homem (no caso, à mulher), como esperavam. Não creio que devemos cultuar as mães no dia das mães (e infelizmente algumas comemorações são culto às mães). Como não devemos adorar os pais no dia dos pais. Nem o pastor, no dia do pastor. Agradeço a Deus por tantas mulheres cristãs, fiéis e tementes a Deus. Outras, que por motivos que aqui não contam, não são crentes, mas educam e cuidam de seus filhos. Graças a Deus por elas também.  Mas sou um pastor, um homem que deve ensinar o povo de Deus nos caminhos de Deus. E aproveito o ensejo para dizer às mães membros de minha igreja: ensinem seus filhos no caminho do Senhor. Traduzam a Bíblia na sua vida, no amor, no trato, na fidelidade a Jesus.

                Parabéns, mãe cristã, por este dia. Que começou numa igreja batista, por sinal. E assuma um propósito de ser uma tradutora da Bíblia para seus filhos. Deus abençoe cada uma de vocês.

                Isaltino Gomes Coelho Filho