A Teoria Dos Seis Graus

A Teoria Dos Seis Graus

 

Comecei assim a pastoral passada: “’News addictions` é um livro que ganhei no dia dos namorados”. Hoje começo assim: “’Não sou uma só: diário de uma bipolar’ é um livro que Meacir Carolina ganhou no dia dos namorados”.

Transtorno bipolar é o nome antigo da psicose maníaco-depressiva. Na tendência de suavizar, mudaram seu nome. Alguns psicanalistas preferem o antigo, porque “transtorno bipolar é um eufemismo e a intensidade da coisa não fica clara” (Jamison). Mas deixemos o tecnicismo de lado. Nem é de transtorno bipolar que quero falar.


 

                Meacir ainda não leu o livro. Está às voltas com “O físico – a epopéia de um médico medieval”, que ganhei do amigo Hone. Li antes dela. A autora, Marina W, sofre de transtorno bipolar e habilmente narra sua vivência com a doença.

Mas não vou falar de questões emocionais, psicológicas ou semelhantes. Uma citação, de passagem, de Marina me chamou a atenção e motivou esta mensagem. É a “teoria dos seis graus”, elaborada por Milgram, em 1967.

Milgram juntou alguns voluntários para provar que todos ali poderiam conhecer todo o mundo através de seis conexões com outras pessoas. Segundo ele, apenas seis pessoas nos separam de qualquer outra do planeta. Os desdobramentos em nossos relacionamentos nos fariam contatar todo o mundo. Não estou no Orkut, mas uma vez minha filha me chamou para ver se eu conhecia certa pessoa. Ela estava conectada a mais de um milhão no mundo.

Isto me impressionou (embora o livro tenha me ensinado muito): é possível evangelizar o mundo. Você, que está no Orkut, já pensou quantas pessoas podem ser alcançadas pelo evangelho se você pedir aos seus amigos (mais de seis) que repassem o texto de João 3.16 para todos de sua lista?

Quando dirigi a Faculdade Teológica Batista de Brasília, esta abrigou uma reunião com os pastores e líderes locais para incrementar a evangelização do Distrito Federal. Um dos participantes perguntou se havia recursos financeiros, porque, segundo ele, sem dinheiro não se evangeliza.

Dinheiro é necessário para projetos evangelísticos e missionários, mas não é o mais importante. O mais importante são boca e coração. A igreja primitiva não tinha recursos, mas seu coração ardia pelo evangelho e a boca ansiava por falar de Jesus. Trinta anos depois da morte de Jesus, já havia cristãos no palácio de César (Fp 4.22). Isto não sucedeu por causa do dinheiro, mas por causa da teoria dos seis graus posta em prática. Cada um alcançando um, o evangelho se expande. O melhor, mais funcional e barato método de evangelização é este: “Filipe, como André e Pedro, era da cidade de Betsaida. Filipe encontrou Natanael e lhe disse: ‘Achamos aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei, e a respeito de quem os profetas também escreveram: Jesus de Nazaré, filho de José`.  Perguntou Natanael: ‘Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá?’ Disse Filipe: ‘Venha e veja’” (Jo 1.44-46). É o método dos “santos fofoqueiros”. Compartilhar a fé, pessoa a pessoa. Imagine a teoria do seis graus aplicada à evangelização do Estado de S. Paulo: 40.000.000 de habitantes, 25% da população brasileira. Dizia o Pr. André Peticov: “Evangelizar S. Paulo é evangelizar o Brasil”. Qual brasileiro não tem um parente, um amigo, um conhecido em S. Paulo?

Aplique a teoria dos seis graus à sua vida de cristão. Comunique sua fé. E contribua para a evangelização de S. Paulo, o fantástico Estado da bandeira das treze listas, “que traz no topo o coração dos paulistas”.

Isaltino Gomes Coelho Filho