New Addictions (Novas Dependências)

New Addictions (Novas Dependências)

 

                “News addictions” é um livro que ganhei no dia dos namorados. “Addiction” é uma palavra inglesa para “hábito, vício”. É mais ampla que “dependence” (dependência), porque indica uma situação de dependência psicológica que leva a buscar algo sem a qual a vida se torna sem sentido.  O autor, Guerreschi, a usa para designar dependências emocionais, sem substância química. Bem documentado, com quadros e gráficos, o livro mostra o vazio contemporâneo e a luta em preenchê-lo.

                Eis três das novas dependências emocionais: internet, celular e compras.  A internet, expressão da telemática (junção de telecomunicações e informática) beneficia muito em pesquisa e informações. Mas permite algumas patologias, como a IAD (Internet addiction desorder). A internet não é má, mas o comportamento dos seus usuários pode ser problemático. Pode vir a ser fuga da realidade.

                Aumentando as horas diante do computador, a pessoa diminui o tempo para pessoas reais, inclusive a família. E se refugia em relacionamentos superficiais, protegida pelo anonimato, tornando-se uma sombra.

                O celular virou uma praga. Há quem chega para o café da manhã, em hotéis, com ele ligado.  Não almoçam em paz. Já vi pessoas conversando, em supermercado, em prateleiras diferentes, sobre produtos a adquirir. E há o exibicionismo do produto novo, que alguém já tem, e quem não tem fica humilhado. As máquinas devem facilitar o trabalho humano, mas trazem novos valores e referenciais e fazem as pessoas valer pelo que têm.

                A febre de compras é pior. Comprar dá sensação de poder. A pessoa é bem atendida, respeitada por vendedores, satisfaz a necessidade de ter coisas (algumas inúteis), endivida-se e traz problemas para si e os outros. É animada pela balela de crédito imediato. É crédito enquanto não se usa. Usado é débito imediato.

                Doutor em Psicologia, psicoterapeuta especializado em problemas de álcool, fármacos e jogos de azar, Guerreschi é brilhante. Ele mostra como uma pessoa vazia, sem sentido na vida, não se realiza. Mostra que coisas não dão sentido à vida.

                Jesus não tinha duas mudas de roupa nem onde reclinar a cabeça. Mas era um homem realizado. Eis seu sentido de existência: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e terminar o trabalho que ele me deu para fazer” (Jo 4.34). Ele ensina que uma vida espiritualmente rica, centrada em Deus, amando ao Senhor e buscando sua vontade, é realizada.

O homem é mais que um animal. Não lhe basta ter coisas. Precisa de sentido. Eis a questão: qual o sentido da vida?A vida não tem sentido, nós lhe damos sentido. Jesus, como homem, deu sentido à sua vida. E foi claro ao mostrar como uma pessoa pode achar sua vida: “Pois quem põe seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha causa terá a vida verdadeira” (Lc 9.24).

                Não importa a tranqueira você consiga ajuntar, nem as quinquilharias eletrônicas que tenha. Nem o volume de bens que adquira. Coisas não alimentam a alma. Não dão sentido existencial. Não preenchem o vazio do coração. Nossa geração é a mais bem aquinhoada da história. E como é frustrada!  Se você quer realização, lembre-se: o vazio de Deus só pode ser preenchido por Deus. Drogas químicas ou mecânicas frustram. Mas a fé posta em Cristo leva a uma vida realizada final como Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7).

Não faça uma viagem fútil e frustrante. Faça uma caminhada segura com Cristo. Ele dará significado à sua vida.

Isaltino Gomes Coelho Filho