Aos Pais

Aos Pais

Há poucas semanas, um pai se recusou a pagar fiança do filho bêbado, sem habilitação, que pegou seu carro sem autorização e foi detido. Segundo o pai, seria bom ele passar uns dias preso e refletir sobre a vida. Ao sair, o rapaz disse que aprendera a lição.

Na Internet, um site abriu as famosas consultas para desocupados dizerem sim ou não. Ou palpitarem. Um dos opinadores disse que o pai errara, porque filho é filho e os pais têm que dar apoio.

No Rio, marmanjos espancaram uma doméstica. Pensaram que era uma prostituta. Que raciocínio! Podem-se espancar prostitutas? O pai de um deles disse que os “mininu” não deviam ser presos, porque eram universitários e gente boa. Não eram “mininus” e sim galalaus de mais de vinte anos, freqüentadores de academias e, como universitários, deviam ser mais lúcidos. Deveriam estar mais preparados para a vida. Sugeriram que o pai, que não civilizou seu “mininu”, fosse preso em seu lugar. É óbvio que não. Adultos devem ser responsabilizados e apenados pelos seus erros (não “penalizados” porque “penalizado” é sentir pena).


            Pai é para solidarizar com os erros dos filhos, e sempre defendê-los? Ou saber dizer não, e em algumas ocasiões deixar os filhos aprenderem da vida?

Um dos mais sérios problemas hoje é o de educação doméstica. Pais devem dar aos filhos noções de civilidade e vivência social. Como há selvagens com roupas de grife! Os jovens dos anos sessentas, quando era proibido proibir, são pais e avós, hoje. Muitos não ensinam nada porque não têm conteúdo algum. Seus filhos são produto de pais sem educação. Não se pode esperar muito deles. Há um vazio de bons modos, de respeito, de trato social, que vem de cima. Autoridades fazem gestos obscenos. E dizem chulices em público. Há uma grosseria social enorme! Mas muito dela começa em casa.

São poucas as pessoas que colocam a cadeira no lugar, num restaurante. Poucos sabem se portar em público. Questões que antes eram ensinadas hoje são ridicularizadas. Toca-se o Hino Nacional e o sujeito está de boné e mascando chicletes. Dirão: “Que é isso? Isso cheira a formol!”. Não, é a educação que ensina que há ritos sociais, que há normas de convivência, que há regras de proceder. Há uma liturgia da vida. Que os pais ensinavam.

É em casa que se aprende a dizer “Obrigado”, pedir “Com licença!”, “Por favor!” e “Desculpe!”. O lar é local de socialização. Deve ensinar a convivência social. Não é obrigação das “tias” na escola ensinarem crianças a escovarem dentes e as moças a se sentarem de modo que não revelem a roupa de baixo. É o lar que educa para a vida. Mas muitos pais jogam isto para a escola. E quando os filhos aprontam, saem em defesa cega dos “mininu”, tudo gente boa. Como os “bonzinhos” que queimaram o pataxó Galdino, em Brasília, porque pensaram que era um mendigo. Gente de boa situação social. Mas sem educação. Porque o lar não deu.

O pai tem papel fundamental em tudo isto. É o sacerdote da família, como Jó (Jó 1.5), e deve ser um mestre. Um homem justo, que mostre amor aos filhos, que trate bem a esposa, que se porte corretamente na vida. Que sinalize ao filho o homem que ele deve ser. E à filha o homem que ela deve querer como marido.

Pai cristão, receba meus respeitos. Pela sua fé, pela sua vida conjugal, pela sua paternidade. Mas ser pai é mais que gerar. Cães de rua geram. É preciso educar. Com palavras, atitudes, gestos, caráter. É difícil ser pai hoje, eu sei. Lembre-se de Tiago 1.5: “Mas, se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, e ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos”. Deus o capacite a ser um pai educador!

Isaltino Gomes Coelho Filho