?Eu Tremi, Mas A Rocha, Não!?

“Eu Tremi, Mas A Rocha, Não!”

 

          Desconhecia o espanhol César Vidal, até que Meacir me deu dois livros dele. Ele é doutor em História, Teologia, Filosofia e bacharel em Direito. O primeiro livro é um tratado histórico sobre uma organização dita como secreta, mas que é apenas discreta, pois é visível. Vidal não a aprecia. O segundo é O crime dos illuminati, romance de fundo histórico, ambientado na Idade Média. O título espanhol é Los hijos de la luz, mas a palavra “crime” atrai muito, em português. 

 

          Neste livro, um intelectual protestante e um policial católico se tornam amigos. O policial, Steiner, nunca viu uma Bíblia e diz que lhe é proibido tê-la. O protestante, Lebendig, lhe dá uma, na língua dos dois, o alemão. A conversa resvala para religião. O policial, que sempre se impressionara com a segurança do intelectual, lhe pergunta se nunca teve dúvidas em sua fé, ou se já temeu.

 

          O protestante diz que quando foi a Inglaterra lhe contaram que um grupo de malfeitores ia, imediatamente, a qualquer naufrágio na costa inglesa, a matar os sobreviventes e saquear seus pertences. Numa ocasião, um náufrago se afastou da praia a nado e se segurou num rochedo no meio das ondas, fugindo deles. Encharcado até os ossos e debaixo de uma chuva insuportável, ele esperou até aparecer um barco do rei que o salvou. Recuperado, agasalhado, e após uma bebida quente, ouviu do oficial da marinha real a pergunta, se em meio à tempestade não havia tremido.

 

          Ele respondeu: “Eu tremi, sim, mas a rocha em que eu descansava não tremeu”. Lebendig continuou, dizendo ser esta sua experiência. Muitas vezes ele tremia e sentia medo, ainda mais na situação de perseguição religiosa na Europa, mas disse: “a rocha sobre a qual eu descanso não treme”.

 

          O policial pergunta: “E a que o senhor se refere?”. A resposta é imediata: “A rocha sobre a qual eu descanso é Jesus, o Filho de Deus”. E completa: “Cristo… Cristo é uma rocha que não se mexe, que não treme, que lhe oferece, se você procura e realmente deseja, o apoio mais completo e absoluto”.

 

          Eu ouvira esta história do náufrago inglês, mas agora, sabedor que Vidal é um historiador respeitado e que seu romance é bem pesquisado e repleto de dados históricos bem fundamentados, dei-lhe crédito como algo que aconteceu. Mas independente do fundo histórico, este evento reflete bem o que significa crer em Jesus Cristo. É sempre se sentir seguro, mesmo em meio às maiores tempestades. Mesmo em meio às maiores perseguições e hostilidades. Cristo é a rocha que nunca treme. É aquele que oferece o apoio mais completo e absoluto que necessitamos. Há tempestades, naufrágios e saqueadores, mas há uma rocha à qual se agarrar. Ela dá segurança neste mundo. Só Jesus Cristo pode fazer isto, dar segurança ao aflito. E faz mais: dá a vida eterna, no seu reino.

 

          Paulo estava na prisão, ao escrever a Timóteo. Suas palavras não são de frustração nem de amargura, mas de uma confiança triunfante: “Mas o Senhor esteve ao meu lado e me fortaleceu, para que por mim fosse cumprida a pregação, e a ouvissem todos os gentios; e fiquei livre da boca do leão. E o Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial; a quem seja a glória para todo o sempre. Amém” (2Tm 4.17-18).

 

          Podemos tremer, mas nossa rocha nunca treme. É a rocha dos séculos. Bem diz o hino 305 do HCC, é a “Rocha eterna”. E sob o título do hino, lê-se 2Samuel 22.2: “O Senhor é o meu rochedo, a minha fortaleza e o meu libertador”. Bendita seja a rocha que nunca treme! Bem-aventurado quem se segura nela!

 

Isaltino Gomes Coelho Filho