A Glória de Ser Igreja

A Glória de Ser Igreja

 

            O Dr. Scott Horrel foi meu professor no mestrado, na FTBSP. Teólogo brilhante, bíblico e espiritual, ele foi uma bênção. Ministrou-nos o módulo “Uma cosmovisão trinitariana”. Ensinou como sustentar a fé cristã diante das grandes religiões universais e do materialismo, e a analisar estas religiões e o materialismo pela perspectiva da Trindade. Ele escreveu alguns artigos sobre a obra de Cristo, e inseri um de seus gráficos numa das apostilas de Teologia Sistemática que preparei para a EBD da Igreja do Cambuí.  

            Possuía dois livros seus, um deles com dedicatória. Entrando numa livraria teológica em Campinas, encontrei nova obra do Dr. Scott: A essência da igreja. Nem pestanejei para adquirir. O autor é brilhante, e igreja é minha segunda paixão em estudo, sendo a pessoa de Jesus o primeiro.


            Ele defende que a igreja começa no dia de pentecostes, com a vinda do Espírito Santo. Isto creio e ensino, que o ministério do Espírito e da igreja coincidem. Ele fala do batismo no Espírito Santo, não como bênção posterior, mas a inserção do crente no corpo de Cristo, que é a igreja. Não é plenitude nem enchimento com o Espírito, mas algo que acontece na conversão e põe a pessoa como membro do corpo de Cristo. Diz ele: “Se uma pessoa não é batizada no Espírito Santo, ela não é parte do corpo de Cristo. O batismo no Espírito Santo é o milagre espiritual que insere o crente no corpo de Cristo” (p. 56). Que milagre! Só o Espírito pode pegar um pecador perdido e fazê-lo parte do corpo de Cristo!

 

            Segue meu sempre mestre: “O batismo no Espírito Santo não é idêntico a preenchimento e plenitude, pois, na verdade, ele traz cada verdadeiro cristão a uma unidade orgânica com a Cabeça do corpo e com os outros membros do corpo invisível de Cristo” (p. 57). E conclui: “A frase em si mesma define a imersão ou a junção do crente ao corpo espiritual de Cristo, a Igreja universal”.

 

            Agora fala o aluno, eu. Quando o templo construído por Salomão foi dedicado a Deus, a glória do Senhor encheu o prédio (1Rs 8.11). Jesus trouxe uma grande mudança. O templo, lugar da morada de Deus, não é um prédio, mas é uma pessoa, ele, Jesus (Jo 2.21). A glória de Deus estava nele. Com sua ida para o Pai e a vinda do Espírito Santo, o templo passou a ser os crentes: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16). Para “santuário”, Paulo usa o grego naón, que designava o lugar onde só o sumo sacerdote podia entrar uma vez por ano. O lugar terrível, onde Deus ficava. Que fantástico: é em nós, pecadores e imperfeitos, que Deus mora! Prédios são lugares onde nos reunimos como igreja, para estudar a Bíblia e nos reencontrarmos com os irmãos. Mas somos o verdadeiro templo, somos a morada de Deus, somos sua casa, como diz o autor de Hebreus: “Cristo é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa somos nós…” (Hb 3.5-6). A glória de Deus está em nós. Só Deus pode tornar homens e mulheres pecadores, cheios de defeitos, em pessoas em cujas vidas ele habita, por graça e misericórdia. Só ele pode nos levantar do monturo dos nossos pecados e nos tornar a casa que lhe dá prazer. E não por nosso mérito. Por causa de Cristo. É ele quem, com infinita ternura, nos diz: “Não temas, ó pequeno rebanho…” (Lc 12.32).

 

            Apesar de nossas falhas, somos nós o lugar em que a glória de Deus habita. Ela deve encher a nossa vida. E deve vazar para o mundo. Saibamos disto: aos olhos do Pai temos grande valor. Somos sua casa. Que glória para nós!

 

            Isaltino Gomes Coelho Filho