Um Estudo no Profeta Daniel

Um Estudo no Profeta Daniel

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para a PIB de S. Carlos, nos dias 10 e 11 de agosto de 2007.

 

1. TÍTULO – O nome hebraico Daniyye'l significa “Deus é Juiz” (Príncipe) ou “Deus é meu Juiz” (Príncipe). Daniel e Ezequiel, os dois profetas do exílio, tinham o sufixo El (El, Elah e Eloah, no singular; Elohim, no plural) que significava Deus. Isaías e Jeremias, os outros dois profetas maiores, tinham o sufixo “YAH” de onde vem Iahweh. Embora o consideremos como profeta, e assim Jesus o tenha chamado (Mt 24.15), ele foi colocado entre os Khetubym (“Escritos”), na Bíblia Hebraica. Depois dos Nabyym (“Profetas”). Isto é suficiente para que liberais digam que Daniel nunca existiu, e é um romance tardio, na literatura hebraica. A explicação é simples: ele é mais um estadista que um profeta clássico, e todo seu ministério é entre pagãos. Por isso sua classificação entre os últimos livros, na Bíblia hebraica.

 

2. AUTOR – Daniel era membro da família real, nascido em Jerusalém em 623 a.C. (um ano antes de Ezequiel) durante a reforma de Josias, no início do ministério de Jeremias (627-582).  Alguns acham que ele era um dos descendentes do rei Ezequias (Is 39.5-8; Dn 1.3). Boa parte dos comentaristas pensa que ele foi tornado em eunuco (2Rs 20.17,18; 2Rs 24.1,12-14; Dn 1.3,7).

            Levado para a Babilônia na primeira deportação em 606 a.C., e depois de três anos de estudos, foi selecionado para o serviço real de Nabucodonosor (1.17-21).  Seu nome foi mudado, de acordo com o panteão de deuses babilônicos, para Beltessazar (1.7), “Que Bel proteja a sua vida” ou “Príncipe de Bel” (um dos deuses principais dos babilônios).  Seus amigos de nobreza receberam os seguintes nomes: Hananias (“Iahweh tem sido gracioso”) foi chamado Sadraque,  “Servo de Aku”, o deus da lua Sin; Misael (“semelhante a Deus”) foi chamado Mesaque,  “Quem é igual a Aku”; e Azarias (“Quem Iahweh ajuda”) foi chamado Abede-nego,  “Servo de Nebo”.

 

            Em 603 a.C., com 20 anos de idade, Daniel foi declarado governador da província da Babilônia e chefe supremo de todos os “sábios” (2.48-49). Foi o principal conselheiro de Nabucodonosor durante a destruição de Jerusalém em 586 a.C., e com seus amigos (2.49), exerceu grande influência sobre os judeus cativos levados à Babilônia.  Ajudou muito as vilas e colônias agrícolas dos judeus, como Tel Abibe (outeiro de grão) de Ezequiel (Ez 3.15).

 

            Profetizou durante 67 anos (603-536 a.C.), servindo cinco reis babilônios e dois reis medo-persas.  No governo de três deles (Nabucodonosor, Belsazar e Dario) ele serviu como primeiro ministro.  Seu livro, escrito em cerca de 535 a.C., provavelmente foi trazido de Babilônia para Jerusalém por um dos três grupos que retornaram, liderados por Zorobabel, Esdras e Neemias.  A data e as circunstâncias de sua morte na Babilônia são desconhecidas.

 

            Daniel era um homem resoluto, corajoso, sábio, cheio de fé, e homem de oração. O texto de Daniel 6.3-4 descreve-o como tendo “espírito excelente”, “fiel”, e “sem erro ou falta” (irrepreensível). Os textos de Daniel 9.23 e 10.11 e 19 chamam-no três vezes de “muito amado” (altamente estimado).

 

3. AUTORIA – A autoria do livro de Daniel também é motivo de muitas controvérsias, atualmente.  Questiona-se sua autoria. Os argumentos contra a redação de Daniel são:

            (1) A colocação do livro no cânon hebraico entre os últimos livros históricos, que suposta, mas erroneamente, são considerados como tendo sido canonizados em 165 a.C. enquanto o cânon dos livros proféticos foi completado em 425 a.C.

            (2) As características literárias refletem o tempo dos persas e gregos (8.5,21, o tempo de Alexandre e 8.23, o tempo de Antíoco).

            (3) Os conceitos teológicos a respeito do Messias (9.24-27), dos anjos, e da ressurreição são anacrônicos, refletindo a literatura apócrifa dos séculos II e III a.C.

            (4) As profecias sobre os gregos e a época dos macabeus (Dn 11.1-45).  Segundo o ponto de vista humanista, não existe predição do futuro, e, portanto Daniel teria sido escrito depois dos acontecimentos dos macabeus; isto é, depois de 165 a.C., pois Daniel escreveu de Alexandre o Magno (8.5; 11.3), de Antíoco Epifânio – 175-164 a.C. (8.23).

            (5) Os milagres fantásticos (3 e 6).

            (6) As alegadas referências históricas inexatas.

            (7) O uso da terceira pessoa, como se fosse uma outra escrevendo (1.1 – 7.1) e da primeira pessoa (7.2 – fim). Mas Moisés, Samuel, Esdras usaram a mesma forma literária; estilo daquela época).

Os argumentos que defendem a autoria de Daniel são:

            (1) O autor identifica-se muitas vezes como "Eu, Daniel" (7.2; 8.1; 9.2; 10.2)

            (2) Ezequiel reconheceu-o como personagem histórico junto a Noé e Jó (Ez 14.14,20; 28.3). Lembremos que Ezequiel e Daniel foram contemporâneos. Daniel na corte e Ezequiel, no campo.

            (3) O autor conhecia intimamente os hábitos, costumes, história e religiões do sexto século (1.5,10;2.2;3.3,10).

            (4) Jesus deu crédito a Daniel como autor das visões do livro (Mt 24.15; Dn 9.27).

            (5)  Josefo (75 d.C.) escreveu que Alexandre, o Grande foi anunciado em 8.21; 11.3.

            (6) As tradições judaica e cristã sempre têm reconhecido Daniel como o autor.

 

4. LÍNGUAS – Daniel foi escrito em hebraico e aramaico, como Esdras também (Ed 4.18-6.18; 7.12-26 estão escritos em aramaico, bem como Jr 10.11). A forma escrita do aramaico é a mesma do hebraico.  Daniel 1.1 – 2.4a, escrito para os judeus está em hebraico;  Daniel 2.4b – 7.28, que traz profecias sobre as nações gentílicas, está em aramaico, a língua da região;  Daniel 8.1 – 12.13, que traz  profecias sobre a nação judaica, está em hebraico.  O aramaico foi a língua oficial dos discursos diplomáticos; a língua franca do Oriente Médio durante os séculos 7 a.C. a 7 d.C. (2Rs 18.26,28).  O hebraico desapareceu como a língua vernácula dos judeus durante o exílio. Permaneceu a língua religiosa, mas não a língua popular, comum.  Jesus falava aramaico em casa e na rua, e hebraico no templo e na sinagoga. Devia conhecer bem o latim, língua pública, de contato com os romanos. O hebraico voltou a ser a língua oficial, em 1948 com a fundação do estado de Israel, em 19/5/1948.

 

5. TIPO DE LITERATURA – Daniel é considerado um livro histórico na Bíblia Hebraica, não um livro profético.  Daniel tinha o dom da profecia, mas não exerceu o ministério profético. Serviu muito mais nas cortes dos reis gentílicos e profetizou muito a respeito das nações presentes e futuras deles. Na realidade, Daniel foi muito mais um estadista. Uma lição para nós: Deus não precisa apenas de profetas, mas também de administradores e políticos fiéis e  leais a ele.

            Daniel, Ezequiel, e Zacarias, no AT e o Apocalipse, no NT, pertencem ao tipo de literatura conhecido como apocalíptica.  Ela floresceu muito entre 200 a.C. e 100 d.C., mas já existia vários séculos antes.  Esta literatura se caracterizava por visões e imagens simbólicas, vagas, bizarras e sobrenaturais. Tratava de catástrofes cósmicas e iminentes, mostrando as forças do bem vencendo as forças do mal.  Muitos pseudepígrafos eram deste tipo de literatura que tinha uma abordagem determinista e foram escritos para encorajar os fiéis a lutarem até o final com a certeza que o bem vencerá o mal.

            O livro de Daniel não foi nos dado por Deus para promover o misticismo, nem a adivinhação escatológica, mas para fortalecer nosso caráter; não para despertar nossa curiosidade, mas para promover coragem.

 

6. TEMA – Deus é o soberano governador das nações do mundo (2.21; 4.17,35). O versículo 2.44 é chave para entendimento do livro. Deus é o Senhor da história. Ela não é uma sucessão de fatos sem nexo nem pode ser controlada pelos homens. Há alguém nos bastidores, conduzindo-a para um ponto determinado, que podemos compreender qual seja em Efésios 1.10, Filipenses 2.9-11. Isto acontecerá quando se cumprir o texto de Apocalipse 1.7.

 

 

7. ESBOÇO DO LIVRO

I.  História – narrativas da vida de Daniel (interpreta sonhos dos outros)                 1-6

1. Cativeiro e preparo na corte gentílica ……..  1.1-21  (hebraico) Nabucodonosor

            2. Interpretação da grande estátua ………………           2.1-49  (aramaico) Nabucodonosor

            3. Três amigos hebreus na fornalha ……………           3.1-30  (aramaico) Nabucodonosor

            4. Interpretação da grande árvore ………………            4.1-37  (aramaico) Nabucodonosor

            5. Interpretação da escrita na parede ………..  5.1-31  (aramaico) Belsazar

            6. Livramento da cova dos leões ………………..           6.1-28  (aramaico) Dario o Medo

II. Profecia – visões de Daniel (um anjo interpreta seus sonhos)………………….        7 – 12

            1. Visão dos quatro animais e o filho do homem… 7.1-28  (aramaico) Belsazar

            2. Visão do carneiro persa e do bode grego ….           8.1-27  (hebraico) Belsazar

            3. Visão das setenta semanas de Israel …………           9.1-27  (hebraico)  Dario

            4. Visão da oposição a Israel e o triunfo final.           10-12   (hebraico) Ciro

 

8.  COMPARAÇÃO DOS PROFETAS MAIORES

 

ISAÍAS

JEREMIAS

EZEQUIEL

DANIEL

CONHECIDO

COMO

Profeta evangélico, real,

messiânico.

Profeta sensível

Profeta do julgamento

Profeta das visões, do exílio,

Profeta dos tempos gentílicos

PREGOU

PARA

Hebreus em Judá

Hebreus em Judá e no cativeiro

Hebreus cativos na

Babilônia

Reis gentílicos e

hebreus cativos

TEMA

Judá e Jerusalém

Is 1.1; 2.1

Uzias, Jotão, Acaz

Judá e as nações

Jr 1.5,9,10; 2.1,2

Josias, Jeoacaz

Casa inteira de Israel

Ez 2.3-6; 3.4-10,17

Zedequias de Judá

Nações gentias e

Israel – Dn 2.36; 9.24

Jeoiaquim, Joaquim

TEMPO

Ezequias, reis de Judá

Is 1.1

Jeoiaquim, Joaquim,

Zedequias – Jr 1.2,3

Nabucodonosor de

Babilônia

Zedequias,

Nabucodonosor, Dario e Ciro

DATA

740-680 a.C.

60 anos (42 oficiais)

627-582 a.C.

45 anos

591-570 a.C.

22 anos

603-536 a.C.

67 anos

CHAMADA

Is 6.1-8

Jr 1.4-19

Ez 1.1 e 3.27

Nenhuma

FUNDO POLÍTICO

Judá ameaçada p/Síria e Israel; Aliança com Assíria; Queda-Israel

Hostilidade c/ Egito e Babilônia; deportação de Judá

Hebreus cativos na

Babilônia; outros

hebreus em Judá

Hebreus cativos na

Babilônia

FUNDO RELIGIOSO

Apostasia; hipocrisia fachada exterior

Avivamento sob Josias e depois idolatria

Incredulidade  da nação, desobediência e rebelião

Nação sem comunhão com Deus

FUNDO HISTÓRICO

2Rs 15-10; 2Cr 26-30

2Rs 24,25

Dn 1-6

Dn 1-6

 

9. CENÁRIO RELIGIOSO – A religião da Babilônia centralizava-se em Bel (cognato de Baal) Merodaque (Marduque, ver Jr 50.2) com seu grande e único templo, Esagila, destacada por uma enorme torre.  Havia Enlil, o deus padroeiro de Nipur (aonde morava Ezequiel, 64 km. de Babilônia), e que chegou a ser considerado o “senhor do mundo”. Com a posterior ascensão da cidade de Babilônia, Merodaque, seu deus padroeiro, tornou-se mais importante, passando a ser o senhor ou Bel do panteão dos deuses do Império Babilônico.  Ao templo de Merodaque os sacerdotes traziam anualmente as estátuas dos deuses por ocasião da festa de Nisã. Merodaque era o deus supremo, quase ao nível de deus único (monoteísmo); mas havia muitos outros regionais como Enlil, o deus da tempestade de Nipur; Shamash, o deus do sol de Sipar; Sin, o deus da lua de Ur e Haras; Nebo, o deus da sabedoria e da astrologia de Borsipa (Is 46.1).  Assim, não foi tão difícil para Nabucodonosor conferir ao Deus dos judeus os títulos “Deus dos deuses” (Dn 2.47) e “O Altíssimo” (Dn 4.34) depois de ver que Deus deu sabedoria a Daniel de interpretar sonhos (Dn 2.26-28), protegeu os três jovens na fornalha (Dn 3.28); e estabelece e depõe os reis da terra (Dn 4.32,34-37).

 

10. OBJETIVOS DO LIVRO DE DANIEL – O principal é de declarar a soberania de Deus sobre todas as nações do mundo e mostrar o programa histórico de Deus.  “Os tempos dos gentios” (Dn 2.36-45; 7.2-18; Lc 21.24) começaram com Nabucodonosor e terminarão quando "o Deus do céu suscitar um reino que não será jamais destruído" (Dn 2.44; 7.14), o reino messiânico (Sl 2.6; Is 2.1-4; 11.2-9; Jr 33.15-21; Mq 4.7; Ap 20.1-6). Suas bases foram estabelecidas por Jesus Cristo.

 

11. ÊNFASE NO LIVRO DE DANIEL – Daniel destaca os reinos dos gentios e o programa de Deus para eles. Menciona Judá e Israel apenas 12 vezes.  Os outros profetas enfatizavam os judeus. Isaías, por exemplo, menciona Judá e Israel 201 vezes; Oséias faz 59 referências a eles. Por causa disto, da ênfase nos gentios e o governo divino, Daniel fala do Anticristo, tipificado por outras figuras históricas. Ele é destacado em:

 

(1)   7.8-11 como o “outro chifre, pequeno”

(2)   8.9-25 como o “chifre pequeno que cresceu muito para o sul e o oriente”

(3)   11.36-45 como um rei que se exaltará contra Deus

(4) 12.1,11 como aquele que estabelecerá a abominação desoladora.

 

 

12. A INTERPRETAÇÕES DA SETENTA SEMANAS

            (1) Interpretação tradicional messiânica – A 70ª (setuagésima) semana em 9.26,27 refere-se à destruição de Jerusalém em 70 d.C. pelos romanos.  O “príncipe” (9.26) é o general romano Tito.  Toda a profecia de Daniel, segundo esta interpretação, já se cumpriu em 70 d.C.

            (2) Interpretação dispensacionalista pré-milenista   A 70ª semana ainda virá.  Há um hiato entre a 69ª e a 70ª semanas.  Assim sendo, o “príncipe” de 9.26,27 é, na realidade, o anticristo, tipificado parcialmente por Tito, e os eventos da 70ª semana se cumprirão na sua totalidade ainda em nosso futuro.

 

13. A ESTÁTUA DO CAPÍTULO 2 – Temos, neste capítulo, uma síntese gráfica de uma teologia da história. Os impérios se sucedem uns aos outros e vão caindo.  Nos dias do último grande império mundial (o romano), o Deus do céu implantou um reino que nunca seria ultrapassado, o de Cristo. Uma pedra, cortada sem mão humana, esfarela a estátua, símbolo do poder humano. Este reino, o de Cristo, nunca passará.  Em 2.21 temos uma síntese da teologia da história: Deus a conduz como quer. Remove e estabelece reinos (no passado remoto), governos (passado mais próximo) e, hoje, pode-se dizer, eleva e derruba culturas. A história não é cega. Segue o desígnio de Deus e tudo acabará dentro de seus propósitos.

 

Daniel

 

14. O BANQUETE DE BELSAZAR – No capítulo 5 está a última noite do grande império babilônico. As palavras escritas estavam em hebraico:  mene, tequel e parsim (o u de ufarsim é nosso conetivo "e").  Peres, como  farsim é transcrito no v. 28, é o singular de  farsim. As palavras significam: contar, pesar (avaliar) e dividir. O rei poderia entender o significado literal, mas não o conceitual, que Daniel interpretou. Muito alarido se criou porque nunca houve registro de um rei chamado Belsazar.  O último rei caldeu se chamou Nabonido. Em 1853, descobriu-se uma tábua de argila com uma oração de Nabonido, pedindo por seu filho Belsazar. Note-se, em 5.16, que o rei prometeu a Daniel o terceiro lugar no reino, significando que era um regente ou substituto, ocupando o segundo. A arqueologia veio comprovar o texto bíblico. O grande império babilônico terminou em uma noite de orgia e de bebedeira. Embora muitos queiram reconstruir Babilônia, em função de suas perspectivas escatológicas, a Bíblia é bem clara sobre o futuro de Babilônia: Isaías  13, principalmente os versículos 13-22. O texto de Isaías 14 mostra que o rei de Babilônia era a encarnação de Satanás, principalmente os versículos 9-15.

 

15. FILHO DO HOMEM – Esta é uma expressão chave em Daniel. Aparece pela primeira vez em Números 23.19, designando uma pessoa humana bem distinta da natureza humana e da natureza bruta. Tem o sentido de perfeita humanidade.Daniel é assim chamado por Gabriel, em 3.17. Ezequiel também foi chamado assim (Ez 2.1). E a partir daqui foi sempre chamado assim. Em Daniel 7.13-14, o Ancião de Dias, uma figura de Deus Pai, está no trono. E um “semelhante a um filho de homem” se chega a ele e recebe toda autoridade (7.13-14). É a segunda pessoa da Trindade, o Filho. Desde Daniel “filho do homem” passou a designar um personagem misterioso, com conotação messiânica. Jesus assumiu ser este personagem: Mateus 16.27-28, 24.30. Em Mateus 28.18 se associa a este personagem. Em Mateus 26.62-67, num diálogo tenso, o termo é associado com “Filho de Deus” e “Cristo”. Jesus o usou para designar sua messianidade e sua humanidade.


 

16. AS LIÇÕES DE DANIEL PARA NOSSA VIDA

Não basta estudar Daniel para conhecer mais sobre ela. A Bíblia foi escrita para nossa edificação e orientação nos caminhos do Senhor. A questão é: o que Daniel nos ensina?

(1)   Que é possível manter a fidelidade num ambiente pagão.

(2)   Que Deus pessoas de todas as classes sociais, em todos os ambientes. Ezequiel estava como líder dos cativos no campo, e Daniel servindo aos dominadores, no palácio.

(3)   Que um jovem não precisa ser como os jovens do mundo para se realizar.

(4)   Que é possível servir a Deus sem ser pastor ou missionário. Deus precisa de homens sérios que o sirvam em qualquer ambiente.

(5)   Que um servo de Deus, entrando em ambiente político, não deve se corromper, mas manter-se fiel. Aos políticos evangélicos de hoje, envolvidos e atolados na corrupção, falta o perfil de um José e um Daniel.

(6)   Que Deus usa poderosamente uma vida que se consagra a ele.

(7)   Que Deus tem a história em sua mão, seu propósito se cumpre e tudo termina de acordo com sua vontade.

(8)   Que o reino de Cristo é imbatível, indetível, que tudo terminará nas mãos de Jesus, ou, se preferirmos, debaixo de seus pés.

(9)   Que nem sempre Deus impede que sejamos lançados na fornalha ou no meio dos leões. Mas quando somos lançados, ele está conosco, seja na fornalha seja na cova (Dn 3.24-25 e 6.22).

(10)     E cada um de nós deve viver dentro do ensino do último versículo de Daniel: 12.13.

 

BIBLIOGRAFIA SOBRE ASSUNTO:

1.      Mesquita, Antonio.  Estudo no livro de Daniel,  3ª ed., Rio de Janeiro; Juerp, 1993

2.      Litz, Osvaldo.  A estátua e a pedra.  Rio de Janeiro: Juerp, 1985

3.      Wallace, Ronald.  A mensagem de Daniel.  S. Paulo: ABU Editora, 1985

4.      Baldwin. Joyce.  Daniel – introdução e comentário.  S. Paulo: Vida, 1983

5.      Marconcini,  Benito.  Daniel.  S. Paulo: Edições Paulinas, 1984