Assuntando em Icaraí

Assuntando em Icaraí

 

Isaltino Gomes Coelho Filho

 

            Os eruditos filosofam. São filósofos como o mutante Mangabeira e a agora calada Chauí. O semi-erudito é um pensador. Eu, se muito, sou “assuntador”. Campineiro, apenas “assunto”. Mas, semântica à parte, vamos em frente.

 

            Três dias de folga no meio da semana! Que bom! Assim, “assuntava” na bela praia de Icaraí, na aprazível Niterói. Meacir e Nelya estavam na areia, filha deitada no colo da mãe e eu andando. Manhã tranqüila, eu identificando lugares. Um hotel onde fora hospedado em outra ocasião, dois restaurantes onde irmãos de igrejas da cidade me levaram, o apartamento de um jogador de futebol onde me hospedei, o restaurante onde almocei com minha irmã, quando ela voltou de Londres. Olhava o mar tranqüilo, o trânsito ordeiro, uma barca indo da Praça XV para Charitas, um avião alçando vôo do Santos Dumont… Que tranqüilidade! Que paz!

 

            De repente, um estrondo! Gritos, buzinas, apitos, banhistas correndo para a avenida. Um caminhão causara tudo.  A carga de canos deslizara para um lado, o caminhão tombou, fechando o trânsito. Carros amassados e gente machucada? Não sei, não fui ver. Não tinha como socorrer ninguém e seria mais um no tumulto atrapalhando quem podia ajudar. Guardas mantinham tudo sob controle e afastavam as pessoas.

 

            Assuntei na praia (enfim cheguei ao título). Muitas vezes, a vida parece assim. Tudo tão bem, tranqüilo, a pessoa se sente segura, em paz, absolutamente despreocupada. Eu mesmo, muitas vezes, disse: “Se melhorar estraga”. De repente um caminhão tomba. Vem o tumulto de canos rolando. A paz se vai e a inquietação surge.

 

            Nosso caminhão tomba de várias formas. Uma enfermidade bruta e brusca. O desemprego. Descobrimos que uma pessoa que estimávamos é fingida e nos usava (isto machuca!). A morte de alguém. A separação de um ente querido que nos deixa e vai para longe. Tudo estava tão em paz! Em um segundo o ambiente se agita. Vem o tumulto com o acidente. Que são inesperados e nos pegam de surpresa. Muitas vezes a vida traz acidentes e nos desorienta.

 

            Fiquei assuntando, como caipira assumido. Nestas horas, como agir? Até chegar um guincho para levantar o caminhão e máquinas para levantar os pesados canos, foi um tumulto. Quando ficamos em tumulto, como agir? O bucólico e o edênico (de Éden) cedem lugar à agitação.

 

            Se não fosse pela fé em Cristo eu não saberia viver. Graças a Jesus, podemos passar por tumultos e sobreviver. No meio de canos rolando, caminhões virados e desorientação do momento, podemos sobreviver. Quando chegam os desastres é hora de um poderoso Salvador, que socorre, que orienta, que põe ordem no caos. Quando Judá estava na Babilônia, desorientado, sofrendo o tumulto do cativeiro, a palavra do Senhor chegou: “Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is 43.1-2).

 

            Os tumultos vêm. São inevitáveis. A agitação chega. Não espera ser convidada. Ela se intromete. Mas Deus diz: “Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele, aquele que os susterá. Eu os fiz e eu os levarei; eu os sustentarei e eu os salvarei” (Is 46.4).

 

            Na sua vida, quando o caminhão tombar e os canos rolarem, lembre: há alguém que cuida e põe ordem no caos. Aquele que, ressuscitado, teve como primeira palavra à igreja: “Paz seja convosco!” (Jo 20.26). Com ele nós vencemos! E você pode vencer!

 

Isaltino Gomes Coelho Filho