Amigo é para se guardar do lado esquerdo do peito

Amigo é para se guardar do lado esquerdo do peito

Isaltino Gomes Coelho Filho 

                Tive a honra de ser o orador da assembléia da Convenção Batista Cearense, dias 2 e 3 de novembro, em Fortaleza. Muita coisa boa, mas o melhor foram as pessoas. Em  eventos assim é bom rever amigos. Revi o Pr. Abdoral, meu sucessor na PIB de Bauru, reeleito presidente da Convenção, e o Pr. Valdemiro Saraiva e família, ex-ovelhas na Cambuí. Revi o Chuck, da Missão Sem Limites, que construiu mais de 100 templos na Amazônia e completou o 200º., no Ceará. Mas o júbilo foi rever a Fernanda Collyer, que batizei menina, em Manaus, hoje moça vistosa, e um casal, Júnior e Ester, que batizei em S. Paulo. Fernanda e o casal se decidiram quando preguei e foram batizados por mim. O vínculo de afeto é muito grande. O pastor acaba vendo estas pessoas como filhas na fé, mesmo que elas tenham sido evangelizadas por outros. São fruto de outras pessoas, mas um pedaço nosso ficou nelas. E um pedaço delas em nós.

 

                A vida cristã nos dá uma rede de amigos. Gente que fica guardada no peito. No mês passado fiz o casamento de um jovem, doutor em Física, em S. Carlos.  Batizei-o adolescente, na amada Igreja da Quadra 02, em Sobradinho, DF. É muito agradável. São irmãos na fé, muitos mais chegados que irmãos carnais. São parte de nossa vida. Mas não estou contando vantagem nem histórias de quem está envelhecendo e olha para o passado. É que a estes casos se junta a palavra de um irmão recém batizado, que devido a atividade profissional tinha intensa vida social com políticos e pessoas públicas. Disse-me ele: “Não sinto falta daquelas pessoas. A igreja me supre de toda amizade que necessito”. Que bom!

 

                Há pessoas pródigas em queixas e críticas aos irmãos na fé. Alguns dizem que preferem negociar com incrédulos, e dar emprego a eles ou relacionar-se com eles que com membros de igreja. Isto por causa de uma decepção que tiveram com algum irmão. Esquecem os bons momentos com irmãos e que incrédulos também os frustraram. Mas elas pensam que o mundo sem Cristo é o melhor dos ambientes. Recordo de alguém, dito como crente, que para seu aniversário não convidou amigos da igreja. Segundo ele, seus melhores amigos estavam no mundo. Ele era um péssimo amigo para estes companheiros. Repartia com eles uma festa, mas não repartiu o bem mais precioso que possuía, a fé em Cristo. Conviveu com eles tanto tempo, e eles continuaram sem Cristo. Mau amigo!

 

                Fazemos amigos no evangelho. Amigos que ficam para sempre. Paulo fala de Onesíforo, que foi uma bênção para ele (2Tm 1.16-18). Seu nome significa “portador de benefícios” e ele era um. No final da carta aos romanos, Paulo se desmancha em elogios a irmãos que lhe foram úteis: Priscila, Áquila, Epêneto, Andrônico e Júnias, Ampliato, Estáquis, Rufo, cuja mãe era como mãe para ele, e outros. Por vezes vemos os defeitos dos irmãos, esquecidos de que também os temos. E deixamos de ver suas virtudes, sendo que muitas nos faltam.

 

                Quando vejo um crente ranzinza e sem amigos na igreja, sempre se queixando que os outros não o amam nem são dignos dele, ponho-me a pensar se não é o oposto. Porque a igreja é um celeiro de amigos. Ele não os fez nem os quis. Talvez nem os tenha procurado.

 

                Muitos crentes falharam comigo. Mas também falhei com muitos. Não somos perfeitos e temos falhas. Mas o evangelho nos dá amigos “mais chegados que irmão” (Pv 18.24). É bom ter amigos, tipo que “ama em todo o tempo” (Pv 17.17). E é muito bom ser amigo. Ser levado no peito é bom. E lêvar alguém do lado esquerdo do peito também é bom. Seja amigo!

 

Isaltino Gomes Coelho Filho