Não Me Engana Que Eu Não Gosto

Não Me Engana Que Eu Não Gosto

 

            Em janeiro, Meacir e eu estávamos hospedados num hotel em Palmas. Eu ia pregar em algumas cidades do sul do Pará, e Palmas era o ponto de partida. De lá iríamos a Xinguara, Rio Maria, Tucumã e Redenção. Usávamos nosso fim de férias numa região que amamos, a Amazônia.

            Compramos um jornal local para ler. É bom ler sobre o local onde se está. Na primeira página, a prévia para disputa pela Prefeitura de Palmas. Uma mulher, Dona N, lidera com 23,63%, tanto na pesquisa espontânea como na direcionada. Numa página interna, uma auto-intitulada bruxa, lendo o tarô, faz previsões para 2008. Lugar comum. Fim e início de ano é a mesma bobeira.  


            A bruxa, Dona Z, faz uma previsão “incrível”: a Prefeitura de Palmas será ocupada por uma mulher, cujo nome ela ainda não consegue ver, “mas essa mulher tem carisma e muita força”. Ora, Dona Z: não sou bruxo, mas deixe-me adivinhar: não será a Dona N? Com a dica do instituto de pesquisa, tanto faz adivinhar com tarô, borra de café, fígado de animal, folha de chá, azeite na água. Quem lidera uma pesquisa, vencendo o atual prefeito e outros caciques, tem carisma e muita força.

            De quebra, ela prevê que os habitantes do planeta sofrerão muito com os danos ao meio ambiente. Quer mais? Sem incremento por parte dos gestores não haverá avanço na cultura local.

            Comparei Dona Z com Miquéias. Sete séculos antes, ele disse que o Messias nasceria em Belém. Semanas antes de o Messias nascer, sua mãe estava longe de Belém. Na distante Roma o decreto de um rei pagão faz a mãe do Messias empreender uma longa viagem para se recensear. E o Messias nasce onde Miquéias disse. Isto é previsão. Sem instituto de pesquisa. Sem demagogia.

            As pessoas querem ser enganadas. Crêem em cada tolice! Mas não aceitam o Livro que nunca errou, que não se engana, e sempre faz afirmações corretas, a Bíblia. E ela não é um manual de adivinhações, mas a auto-revelação de Deus ao mundo. Neste processo de se auto-revelar, Deus fez previsões sobre o futuro, mas elas não são o cerne da Bíblia. Seu tema central é o plano de Deus para redimir o homem e trazê-lo de volta para Si.

            Paulo diagnosticou isto muito bem: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém” (Rm 1.25). Esta palavra é atual. As pessoas seguem orientação de astros e de cartas, e não a da Bíblia. Buscam uma energia, que não existe, em cores e cristais, em vez de buscar a força do Espírito de Deus que capacita para viver. A essas pessoas se aplica um trecho do discurso de Estevão: “Mas nossos antepassados se recusaram a obedecer-lhe; ao contrário, rejeitaram-no, e em seu coração voltaram para o Egito. Disseram a Arão: 'Faça para nós deuses que nos conduzam…’” (At 7.39-40). Eles não queriam seguir o Deus verdadeiro, em avanço, e sim deuses feitos pelo homem, para trás.

            Há quem recuse o progresso do evangelho e queira o atraso ocultista. Rejeita a orientação divina e pede deuses do seu tamanho. Às vezes, menores, pois uma carta de baralho é menor que um homem.

            Alguém levará Dona Z a sério. Tem direito. Ser trouxa é ruim, mas é um direito. Quanto a mim, prefiro a orientação segura da velha Bíblia. Que nunca é obscura e oportunista. Mesmo quando é difícil, a iluminação do Espírito mostra como agir. Não me engana que eu não gosto.

 

Isaltino Gomes Coelho Filho