O Mês do deus Janus

O Mês do deus Janus

 

O primeiro mês do ano, janeiro, recebeu seu nome em homenagem ao deus romano Janus, que era retratado como tendo dois rostos antepostos. Um olhava para trás e o outro para frente. O nome do mês se associa à reflexão necessária pela época que o mês estabelece. É o início do ano, um momento adequado para se fazer uma retrospectiva de vida e um estabelecimento de objetivos para o novo ano. É uma transição mais emocional e mítica, porque qualquer época do ano é época de olhar para trás e para frente. Mas janeiro traz esta mística.

            Todos nós podemos fazer como Janus e ter duas caras (no bom sentido, pessoal!) em janeiro. Uma para olhar para trás, para 2007, e outra para olhar para frente, para 2008. Ou seja, olhar o ano passado e verificar onde erramos e procurar não reincidir na prática dos mesmos erros em 2008. E aproveitar que temos um ano inteiro para novos propósitos. Pessoalmente, o ano que se foi me trouxe baixos e altos. Muito desgaste emocional por frustrações que não precisavam ser causadas. Mas muita recompensa emocional pela redescoberta de aspectos nos quais vinha deixando de investir, mesmo sem sentir. Foi necessário reavaliar, fazer cortes, alguns bruscos, e dar novo rumo em situações. Nada demais. Nada escandaloso ou profundamente existencial. De um modo ou de outro, qualquer pessoa que tenha uma dose mínima de reflexão chega a esta conclusão. Todos nós temos coisas por deixar e coisas por assumir. Gostaríamos de apagar situações e pessoas do passado, mas estão lá. Gostaríamos de ter uma vida melhor pela frente. Bem, se não dá para refazer o passado dá, pelo menos, para pensar melhor o futuro. Se não podemos deletar (palavra da moda!) pessoas do passado, podemos escolher melhor as do futuro. Não precisamos nos prender ao que não presta, ao que não edifica, ao que não contribui para nosso bem.

            Uma palavra de Rice nos ajuda nesta compreensão: “Não importa como foi o passado de um homem, seu futuro é sem mancha”. O que se foi, já se foi. Não há como consertar nem dá para apagar. Mas o que ainda não veio está em branco. Depende de nós. Não somos vítimas de astros, nem de números de letras de nosso nome, nem de cores, nem de pedras ou figuras geométricas. Nós somos o resultado de nossos atos, de nossas decisões, de nossos pensamentos, de companhias que aceitamos ou rejeitamos. Por isso que janeiro, o mês do deus das duas caras, é excelente para novos propósitos. Aliás, muitos os fazem e bem poucos os cumprem. Mas é excelente para determinar o que desejamos fazer e ser. Pelo menos é necessário começar estabelecendo propósitos.

            É verdade que muitos alvos para um ano ficam pelo caminho. Mas é bom tê-los e marchar para sua consecução. E lembrar-se de Isaías 26.3: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti”. Firme sua mente em Deus, ponha sobre ele a base de seus propósitos. E vá em frente.

            Estabeleça bons propósitos para 2008. No mês das duas caras resolva ter uma só. Fuja das pessoas que não têm uma só. Elas não acrescentam e puxam para baixo.  E firme-se na fé no homem de um rosto só, Jesus Cristo. Ele é o rosto de Deus. “Ele é a imagem visível do Deus invisível” (Cl 1.15).

 

Isaltino Gomes Coelho Filho