Esperando Socorro

Esperando Socorro

 

            Andei a reler um agradável livro, Super-heróis e a filosofia – verdade, justiça e o caminho socrático. Um de seus capítulos é de autoria de Felix Tallon e Jerry Walls, este professor de Filosofia no Seminário Teológico Asbury.  O capítulo se intitula “Super-homem e o reino dos céus: a surpresa da teologia filosófica”. Parece confuso? Vou clarear, prometo.

            Os autores falam das duas linhas de interpretação do mundo mais comuns no ocidente: o teísmo cristão (cristianismo) e o naturalismo. Este coloca toda a explicação do mundo nisto: não existe o sobrenatural. Apenas forças naturais. Não há Deus ou forças espirituais que interfiram no mundo material. Só há a matéria em movimento, governada por leis naturais. A religião é uma doença, uma infantilidade. O cristianismo afirma que há um Deus Criador, um Ser moral, com propósito, que entrou na criação na pessoa do homem chamado Jesus e que no fim intervirá definitivamente no mundo.

            Para o naturalismo, não há alma nem eternidade.  Apenas a matéria, que se expandirá até tudo terminar. Depois, só o silêncio. Os autores abrem uma discussão filosófica que não cabe aqui, e dizem que o problema para o naturalista, para quem só existe a matéria, é encontrar base para a moralidade. De onde viria a fonte para a moral do mundo? De partículas subatômicas, campos de força e supercordas multidimensionais de energia?

            Depois os dois analisam uma história do Super-Homem, “Kingdom Come” (“O reino por vir”). Há dois grupos de super-heróis maldosos lutando e as pessoas expressam a necessidade do Super-Homem, que sumira, intervir. Olhares se voltam para o céu para esperar o salvador, e ele chega. No fim, com o mal vencido, ele põe os pés nos degraus da ONU. Um observador exclama: “A segunda vinda do Super-Homem”. A história termina numa igreja, com um pastor falando de esperança.

            O mundo do naturalista é frio, sem esperança. Um mundo triste. Não dá nem para fazer um gibi. Super-Homem não é Jesus e a história narrada neste gibi não é um tratado teológico. Mas é uma bela metáfora que mostra algo enraizado no âmago de cada um de nós: precisamos de esperança! Não podemos viver sem ela! Na hora de crise, olhamos para o céu, esperando alguém maior que nós.

            O sucesso alcançado pelos super-heróis é porque tocam em algo que está lá dentro de nós. Queremos alguém maior que nós, que nos ajude, que nos socorra, que seja acessível ao nosso desespero, que viva entre nós, mas não seja como nós. Isto nada mais é que é o anseio por Deus, especificamente pelo Deus cristão, que se fez homem e esteve entre nós, na pessoa de Jesus de Nazaré.

            Repito que Clark Kent não é Jesus e que a Bíblia não é um gibi. Mas Aquele que nos conhece, escreveu um livro fantástico, mais que qualquer história em quadrinhos, a Bíblia. Aproveitou a estrutura de nossas emoções e anseios. Legou uma história envolvente e apaixonante, de alguém que viveu entre nós, como um de nós, é maior e melhor que nós, se compadece de nós e nos socorre. Ele respondeu ao nosso anseio e nos deu Jesus, diante de quem qualquer outro vulto se apequena e é humilhado se a ele comparado.

            O naturalista não tem esperança. Não pode esperar socorro. O cristão, porém, por crer num Deus pessoal, pode dizer: “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu a terra” (Sl 121.2). Graças a Deus por Jesus!

            Isaltino Gomes Coelho Filho