Recuperando o que Perdera

Recuperando o que Perdera

 

            Por conta das comemorações do seu 78º. aniversário, a Igreja do Cambuí trouxe dos Estados Unidos o casal Pr. Benjamin e Carol Geho. Eles trabalharam aqui por pouco tempo, na transição para o pastorado que exerço, mas deixaram marcas consideráveis. De Campinas, o casal foi a Brasília, pois trabalhou lá, na Faculdade Teológica (trabalhamos juntos também em Bauru).

            Como a vida é curiosa! Visitando um irmão, o Pr. Benjamin recebeu dele dois livros meus que estavam no espólio de um senador que eu desconhecia e que falecera. Um é A idade da razão, de Sartre, com meu nome carimbado, datado e localizado em Bauru. O outro, de Clarice Lispector, com meu nome carimbado, datado e localizado em S. Paulo. Recordei-me que em 1986, em Brasília, uma pessoa aparentada com um senador esteve em minha casa e me levou dois livros. Esquecera-me do fato e dos livros. Mas 22 anos depois os recuperei. Os tempos e eu mudamos e acho Sartre chato e A idade da razão uma obra ultrapassada. Sobre Clarice Lispector, não lembro o título do livro.  

            Em outras palavras, os livros não me faziam falta. Mas a sensação de recuperá-los, embora ainda não tenham chegado, foi muito agradável. Pensei na satisfação de Deus quando recupera alguém que ele perdeu. Lembrei das parábolas de Lucas 15 (a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido). Além do traço comum, dos três se perderem, há outro: a alegria de Deus. São parábolas que tratam da alegria de Deus quando recupera um pecador perdido. No dizer de Jesus o que foi recuperado dava mais alegria do que o que foi mantido. Uma congregação de justos e fiéis agrada a Deus. Mas recuperar um que não estava com ele o alegra mais ainda.

            Não precisava dos livros. Até porque chega um ponto em que nos tornamos mais seletivos na compra deles. E como não se pode ajuntá-los indefinidamente, descartamo-nos de alguns. Descartei-me de uns 200 há pouco tempo. Mas Deus nunca é seletivo. Não há pessoa que ele não queira junto de si. E não há gente de quem ele queira se descartar. Ele amou o mundo. Numa frase de Billy Graham, “o coração de Deus bate pelo mundo inteiro”.

            Não sei se o senador leu os livros. Aliás, nem sei como chegaram a ele. Mas voltaram ao dono, “este que vos escreve”. Que já os lera. Deus já leu cada um de nós. Conhece-nos bem e sabe de nosso conteúdo. Nunca nos julga ultrapassados nem nos troca por outros. E é nosso legítimo dono, por direito de criação (Sl 24.1). Por vezes, embora ele seja o dono, as pessoas ficam com outro possuidor (1Jo 5.19). Não digo que o senador era o personagem deste texto. É meramente figurativo.

            Dou boas-vindas aos dois livros. Sejam bem retornados à casa do seu dono. Mas, leitor: pense bem em sua vida. Será que não é tempo de seu legítimo dono, Deus, receber você de volta? Ele lhe dará entusiásticas boas vindas!

            Se você está longe do seu dono, é tempo de regressar. Não espere 22 anos. Se uma pessoa pode se alegrar por recuperar dois livros sem muita importância para ela, imagine o que significa para Deus recuperar você, que vale tanto para ele! Você vale tanto que ele deu Jesus para morrer em seu lugar!   Alegre o coração de Deus! Volte para ele! Volte para seu dono!

            Isaltino Gomes Coelho Filho