Até que outro crime nos choque (o retorno) Ou: A Menina Isabella

Até que outro crime nos choque (o retorno)

Ou: A Menina Isabella

Em 18.2.2007 escrevi sobre a morte do menino João Hélio, que ocupava espaço na mídia. Comecei assim: “Um menino de 6 anos foi arrastado por 7 km por bandidos, no Rio de Janeiro. Ele ficou preso, pelo cinto de segurança, do lado de fora do veículo. O corpo foi quicando, durante a fuga. Ficou uma pasta de carne humana. O Sargento Navega, que encontrou o carro, disse: ‘Era um pedaço de carne, já sem roupa, destruído. Mas eu sabia que era uma criança. Peguei o rádio, mas não conseguia me expressar. A voz embargou’. Disse mais o militar:  ‘Eles tiveram oportunidade de deixar a criança com a mãe. Era só deixar o menino descer. Eles não têm Deus no coração’”.

O caso Isabella é diferente. É muito pior. Se as suspeitas policiais se confirmarem é tão cruel que chega a ser inconcebível. Mas eis aí outro crime que nos choca.



Volto àquela pastoral: “Quando um evento nos choca é que questões assim são levantadas. Por umas duas semanas. E são esquecidas até outro crime. Aí, outro atônito dirá: ‘Falta Deus’. Falta, sim. Mas quem quer Deus mesmo? Qual é a fonte de moral e de valores pela qual as pessoas devem nortear suas vidas? Zomba-se da moral, e depois se clama por ética. Destrói-se a dignidade humana, dizendo-se que somos apenas matéria, como um feixe de capim, ou um monte de estrume. Só matéria, nada mais. Depois se clama pela dignidade humana. Que dignidade? Se não há Deus, se não há valores, se a mídia, laboriosamente, tenta desmontar valores, religião e decência, apologizando o estrambótico, por que a queixa?”

Tempos curiosos! O que sempre foi certo hoje é negado e zombado. O que era errado hoje é elogiado. Um jogador de futebol evangélico foi questionado por um promotor por contribuir para sua igreja. Não simpatizo com sua igreja por não achá-la íntegra no tocante a ofertas, mas é direito dele. Nunca vi promotor algum questionar jogador que, sabidamente, tem envolvimento com drogas, para saber quanto ele gasta com traficantes. Este mesmo jogador, vez por outra, é ridicularizado por sua fé. No dia anterior a esta pastoral, outro jogador foi acusado por um travesti (que baranga!) de não pagar um programa. Mas o caso logo foi abafado.

Volto à pastoral: “Não há Deus no coração dos criminosos. Mas quem liga para Deus? Quem liga para responsabilidade, dever, decência, servir aos outros, ser útil, respeitar o próximo? Isto é ‘caretice’. Onde está Deus? Deus está onde a sociedade o colocou: do lado de fora de sua vida. E o que faz ele? Três vezes, ao falar da sociedade humana pecaminosa e pervertida, Paulo declara, na carta aos romanos: “Deus os entregou…”.

Um mundo que virou as costas a Deus não pode esperar que as coisas dêem certo. Em 1964, após a aprovação da Lei dos Direitos Civis, nos EUA, o senador Humphrey disse a Billy Graham: “Billy, a legislação nada conseguirá por si só. A coisa terá que vir de dentro, do coração”. E Dag Hammarskjöld, ex-Secretário da ONU, disse: “A menos que mundo passe por um renascimento espiritual nos próximos anos, a civilização está condenada”.

Concluí a pastoral sobre João Hélio assim: “O caminho de volta se chama conversão. Quando o trilharmos, a situação mudará. Fora disto, é enrolação”. Mantenho o que disse. Precisamos retornar à verdadeira espiritualidade, a do evangelho. Sem Jesus não dá. O mundo irá de mal a pior.

Isaltino Gomes Coelho Filho