Ditadura do Pensamento Único

Ditadura do Pensamento Único

 

            No “Folha de S. Paulo” de 21.6 , Clóvis Rossi, no artigo “Não há arroz para todos”, comenta a visão simplista do Presidente Lula sobre a questão dos alimentos no mundo. A seguir, usa a expressão “ditadura do pensamento único” para se queixar da busca de consenso que se vê hoje.

            Saúdo Rossi pela expressão “ditadura do pensamento único”. Como cristão, eu a sinto há mais tempo. Querem nos obrigar a pensar como os demais, acatando pontos de vista e abrindo mão dos nossos. Nunca pedem aos demais para respeitar os nossos, nem lhes pedem para concordar conosco. Por exemplo, se aprovada a lei contra homofobia, que visa amordaçar os discordantes, não poderemos mais dizer que o homossexualismo é errado. Pode-se discordar da opção política, futebolística, religiosa, filosófica, mas não sexual das pessoas. Será crime. É a ditadura do pensamento único da minoria. Ao invés de respeitar a minoria, temos que pensar como ela.

 

            Na discussão sobre células tronco, os religiosos foram taxados de retrógrados e medievais, de se oporem aos doentes. Antes de ouvir argumentos nos criticaram. Sequer explicaram, e nem ouviram os demais lados. Quem detém o poder da informação direciona a discussão. Disseram que dissemos o que não dissemos.

            Todo argumento em favor da moral é “falso moralismo”. Não dizem qual o verdadeiro moralismo. É o politicamente correto. Tudo é verdade. Ora, se tudo é verdade, nada é verdade. Contrários e contraditórios não podem ser verdade ao mesmo tempo. Há um esforço para limitar o direito de opinião, a não ser a favor de quem manipula cordéis nos bastidores. Não gosto de ficção escatológica, mas vejo o cenário armado para impor um pensamento único à sociedade: manipulação, desonestidade e intimidação. Alguém, defendendo o ateísmo, disse que as maiores violências do mundo foram cometidas pelos religiosos. E disse: religião é um mal! Os maiores assassinos da história, em número de mortos, foram os ateus Stalin, Mao Tse-Tung e Hitler. Nas novelas, os religiosos são patetas. Os errados são românticos e bonzinhos.

            Todos os pontos de vista devem ser respeitados, mas a fé cristã é atacada com veemência. Uma instituição vetou a realização de um encontro evangélico, alegando que o espaço não era religioso. Mas promoveu encontros de feng shui e de nova era. Fui a um encontro com um grupo que discutiria filosofia.  Tenho formação em Filosofia, mas fui orientado a não fazer intervenções de fundo religioso. Um dos participantes leu um artigo de Chico Xavier (que não foi filósofo). Pedi para ler um artigo de Lutero. Não deixaram.

            Há um espírito cristofóbico e anticristão no mundo. “Intelectuais” reclamaram quando a Igreja Católica se queixou de escolas de samba usarem a figura de Jesus e de Maria. “O Estado é leigo e as pessoas têm direito de se expressar”. E se calaram quando muçulmanos cometeram atos de violência por causa de charges contra Maomé. Há um direcionamento contra o evangelho, contra a Bíblia e contra o cristianismo.

            A solução não é fazer abaixo assinado e passeatas. É viver o evangelho com seriedade, mostrar que ele faz diferença, impactar o mundo com sua mensagem. E olho vivo: “Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.28).

            Isaltino Gomes Coelho Filho