Reflexão sobre A menina que roubava livros

Reflexão sobre A menina que roubava livros

 

De Campinas a Natal, parando em S. Paulo e Recife, há muito tempo para se ler. Assim li A menina que roubava livros, de Zusak. O livro está há 65 semanas na lista da Veja dos mais vendidos. Ao terminar, fiquei entre engasgar e aplaudir.

Nele se vê o sofrimento das crianças com a guerra. Quantas maldades elas sofrem dos adultos, em geral! O livro tira também aquela impressão de que todos os alemães são nazistas. Muitos discordavam de Hitler, mas o patrulhamento ideológico calava quem não seguia o pensamento oficial. Mostra a perplexidade de judeus alemães. Por que sua pátria os perseguia? Mostra a fragilidade das pessoas e suas crises no meio da multidão. A maldade humana é sem limites e o homem pode ser de incrível selvageria. A maçonaria costuma dizer que escolhe os homens bons e os torna melhores. Ingenuidade! A Bíblia diz que não há homens bons. Todos são pecadores, todos são caídos, passíveis de atos brutais. Não pode haver bondade sem a graça de Deus, que age e transforma. Tentar tornar homens bons pela razão é a utopia do Iluminismo. Os homens bons do conhecimento iluminista produziram duas guerras mundiais e criaram regimes de terror. Hitler, Stalin, Idi Amin, Bokassa, Fidel, Pinochet e assassinos menores são de nosso mundo racionalista. Razão sem a graça cria algozes mais capacitados. A razão é dom de Deus, mas também foi contaminada pela queda.

No vôo de volta, um rapaz espírita comentou comigo que os homens estão evoluindo. Voamos de avião e não andamos mais de carroça. Temos vacinas e remédios que curam doenças antes mortais. O mundo está melhor. Somos melhores. Respondi que ele confundia tecnologia com caráter e máquinas com pessoas. Disse que temos máquinas mais perfeitas e loucos mais capazes. Um doido pode destruir milhões de vidas apertando um botão. A exploração econômica e a prostituição infantil continuam em nosso mundo de luzes. O racismo, o trabalho infantil, a escravidão moderna (trabalhar pela comida) continuam. Casos como o de Suzane Richtofen, João Hélio e Isabella não são episódicos. A insanidade do aborto indiscriminado, como se o feto fosse um tumor maligno, e não uma vida, é pregada aos quatro ventos. Quem se opõe é falso moralista e religioso retrógrado. Como os nazistas, a maldade patrulha seus discordantes.

Olhar para o homem é frustrar-se. As pessoas são más. São caídas, pecadoras e cruéis. Até mesmo muita religiosidade é cruel. Em nome de Deus muitos crimes foram e são cometidos! Há gente religiosa que parece jagunço!

Olhar para Jesus é ter esperança. Quando vemos sua pessoa, seus atos e ensinos, temos um poderoso incentivo para mudar. Ele pode transformar. Só o evangelho autêntico de Jesus, que exige arrependimento e entrega da vida a Deus pode mudar uma pessoa. O evangelho faz nascer de novo. A razão ajuda, mas não transforma. Ela esclarece, mas carece do poder regenerador do Espírito Santo. Foi o evangelho que transformou João, o “filho do trovão”, no “apóstolo do amor”, e o perseguidor dos cristãos no mestre da teologia cristã, Paulo.

A menina que roubava livros me comoveu, mas o livro que mais pessoas comoveu, abalou e mudou é a Bíblia, que conta a história do amor de Deus. A menina é narrada pela morte. A Bíblia foi inspirada pelo Espírito da Vida. Isto faz toda a diferença.

Isaltino Gomes Coelho Filho