Alma à venda

Alma à venda

            A Internet é um poderoso meio de comunicação e de instrução, pelas possibilidades de pesquisas. Mas pode ser perda de tempo, em “chats” para conversar “abobrinha” ou fonte de imoralidade, pelos muitos sites de pornografia, alguns promovendo pedofilia, que é crime. E tem banalidade em demasia. Um site de humor tem uma seção chamada “Notícias que vão mudar o mundo”. Uma delas mostrava uma atriz numa farmácia, e a legenda: “Fulana de tal compra esmaltes”.

            Mas veio uma notícia banal, sobre a qual desenvolvo a pastoral de hoje. Um rapaz de 24 anos, na Nova Zelândia, pôs a alma à venda, num leilão pela Internet. Que coisa mais sem nexo! Os lances chegaram a U$ 189 (parece que a alma dele não vale muito). Pois é, e esta notícia correu o mundo.

            Se a comento aqui é por aspectos espirituais e não comerciais. Há um equívoco no ato. O vendedor  e os demais pensam na alma como parte do corpo. É a visão, não bíblica, mas platônica, de que o corpo tem uma alma. A alma, numa visão cristã, é o que dá vida ao corpo. É o fôlego da vida. O homem não tem uma alma. Ele é uma “alma vivente” (Gn 2.7). Não temos uma alma; somos uma alma e um corpo. Não são compartimentos estanques, mas são indissoluvelmente ligados.

            Só quem pode comprar uma alma é Jesus Cristo. Com a queda, nós nos afastamos de Deus. Apesar de todo alarido que apregoa a bondade inata do homem e do esoterismo primevo que diz que somos divinos, na realidade somos pecadores, caídos e corrompidos. O mito da bondade do homem se esboroa diante de guerras, campos de concentração, torturas por regimes políticos, pela exploração do homem pelo homem. Nesta semana, a figura da maternidade foi, mais uma vez, deslustrada. Uma mãe largou a filha dentro de um carro, e foi para um desfile gay. Às 14h30min, funcionários de uma farmácia resgataram a menina e lhe deram água e comida. Estava quase desidratada. A mãe se lembrou dela às 22 horas. Em outro lugar, um saco foi atropelado por um carro. Dentro dele, um bebê recém-nascido. Uma mãe jogou a filha pela janela do sexto andar e se disse aliviada, pois se livrara de um fardo. São pessoas divinas ou caídas?

            É difícil entender o pensamento cultural atual. O homem é apenas matéria, mas mesmo assim é bom e é divino. Ora, se  é apenas matéria não pode ser divino. Se é matéria, apenas, não pode ser bom ou mau, pois estes são adjetivos que carecem de uma avaliação moral ou ética. A matéria não pode ter avaliação ética.

            A missão de Jesus não foi ensinar o amor aos outros, até mesmo porque isto já era ensinado antes dele. Sua missão foi levantar o caído.  Sua missão foi resgatar a humanidade do poder do pecado, efeito da queda, que produz a maldade no homem. “Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). Ele deu sua vida para nos resgatar. A corte celestial, em Apocalipse 5.9-10, celebrou sua missão: “E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra”.

Jesus é o único que pode comprar uma alma, resgatá-la do poder do mal, e entregá-la a Deus Pai. O resto é brincadeira de gente ociosa divulgada por gente ociosa.

Isaltino Gomes Coelho Filho