A necessidade de um bom amigo

A necessidade de um bom amigo

 

            No excelente livro Automotivação, alta performance, de Zig Ziglar (obrigado pelo presente, Nelya!), há um capítulo intitulado “Pessoas e propósitos”. Ziglar, batista e professor de EBD em sua igreja (de 22.000 membros), fala da necessidade de amigos, mostrando como bons relacionamentos ajudam, inclusive, na recuperação médica.

            Ele cita o poeta inglês John Donne que disse que “Nenhum homem é uma ilha” (título de um romance do austríaco Mario Simmel). Segue dizendo que, infelizmente, há pessoas que se trancam e fazem questão de não ter amigos. É verdade. Algumas parecem trazer um letreiro na testa: “Não se aproxime”. Zig diz entender que algumas dessas pessoas se frustraram com outras, por isso querem distância. E cita um ditado rabínico: “Quem procura um amigo sem imperfeições jamais terá amigos”.

Relacionar-se é arriscar-se. Mas vale a pena. Fechar-se é pior. Lembra-me uma frase atribuída a Vitor Hugo: “Se não queres sofrer, guarda teu coração em cofre de ferro e não o dês a ninguém. Mas neste cofre ele minguará e tu serás infeliz”. É provável que todos tenhamos nos decepcionado com alguém. Mas é provável que também tenhamos sido enriquecidos por amigos. E que tenhamos falhado com pessoas que esperavam de nós. Também podemos ser maus amigos, em ocasiões. Mas todos nós já fomos bons amigos.

Embora seja empresário, Ziglar é bem versado em Teologia e faz uso acertado da Bíblia. Ele mostra que Deus nos fez pessoas sensíveis, necessitadas de relacionamentos. É verdade. E, seguindo pela trilha por ele aberta, vou além: Deus se propôs a ser nosso amigo.

Ele se dignou a escolher um homem, Abraão, para ser seu amigo (2Cr 20.7 e Tg 2.23). O Deus que se basta, que é auto-suficiente, quis fazer de um homem seu amigo. É verdade que para isso lhe fez uma exigência (porque escolher amigos é um ato seletivo): “Anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1).

Jesus fez de seus seguidores seus amigos. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer” (Jo 15.15). Jesus viveu entre pessoas, e não em meditação transcendental, alienado de gente.

Às vezes amigos nos decepcionam. Davi se frustrou com Aïtofel, que o traiu e se bandeou para Absalão (Sl 55.13). Mas Jesus é o amigo que não falha nem decepciona. Ele é digno de confiança. Pode não aceitar nossa conduta, mas não nos rejeita. Mesmo que nosso estado não seja dos melhores, ele não nos deixa de lado, e sempre nos restaura. Pedro foi um mau amigo, falhou com ele, mas ele confiou a Pedro o pastorado das ovelhas, reiterando a tarefa por três vezes (Jo 21.15-17).

A Cruzada Mundial de Literatura teve um folheto evangelístico de larga circulação, durante anos: “Ele quer ser seu amigo”. É verdade. Ele quer ser seu amigo. Quer sua companhia. Aceite-a, ande com ele. Jesus é o amigo que não falha, que não decepciona, que restaura e cuja companhia sempre faz bem. Ah, em tempo: ele é o amigo perfeito.

Isaltino Gomes Coelho Filho