Um pai que passa valores aos filhos

Um pai que passa valores aos filhos

 

            Hoje é o dia dos pais. Mesmo comemorada e estimulada pelo comércio, a data não tem o brilho do dia das mães. Em parte porque a figura da mãe é ímpar, quase mística, em nossa cultura. É mais terna, muito romântica.

O pai leva algumas desvantagens na cultura ocidental. Nossa estrutura o apenou. Em muitos lares é ele quem fica com a disciplina. Chega em casa, à noite, cansado do trabalho, e lhe diz a esposa: “Você precisa dar um jeito nesse menino!”. E o garoto pensa: “Pronto, meu pai chegou em casa, chegou a hora da bronca”.  Mas na cultura oriental, o pai, além de provedor é referência e padrão para os mais jovens. Mas dois personagens nos ajudarão a pensar sobre ser pai, à parte de conceitos culturais.

            Um é Davi. Deus o chamou de “o homem segundo o meu coração”. Foi um grande rei, o maior de Israel, a ponto de seu nome se tornar sinônimo de Messias. Grande guerreiro, excelente líder, excelente administrador, poeta extraordinário. E péssimo pai. Sua família foi uma bagunça.  Seus filhos foram uma calamidade. Há um caso de incesto, em que o irmão violenta a irmã, e um caso de fratricídio, em que um mata o outro. Dois deles, Adonias e Absalão, tentaram depô-lo. Foi muito espiritual, mas errou como pai! Temos uma razão na forma como tratou um dos filhos: “E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? E era ele também muito formoso de parecer; e Hagite o tivera depois de Absalão” (1Rs 1.6). Um pai frouxo, não corrigiu o filho. Mimou-o demais e não o orientou. Falhou como pai.

            O outro é Simão Cireneu (Mc 15.21), que carregou à cruz à força. Quando Jesus saía levando a cruz, ele vinha do campo. Era de manhã. Deve ter passado a noite cuidando de rebanho. Era nativo de Cirene, na África. Era negro. É até chamado de Simão Níger (At 13.1), literalmente, Simão, o Negro. Tornou-se um dos pastores da igreja. Tinha dois filhos, Alexandre e Rufo. Paulo falou de Rufo e de sua mãe, a esposa de Simão: “Saudai a Rufo, eleito no Senhor, e a sua mãe e minha” (Rm 16.13). A esposa de Simão foi uma mãe para Paulo.

            Simão poderia se queixar da cruz. “Só porque sou negro, sou escravo, me colocaram uma cruz de vinte quilos nas costas (peso médio de uma cruz), depois que trabalhei a noite toda!”. Ele a carregou por obrigação. Depois, tomou-a como sua. Passou-a para a esposa e para os filhos. Dois filhos pastores e uma esposa que era mãe adotiva de missionários. Eis um pai que passou seus valores espirituais para toda a família.

            Há pais que carregam a cruz sem alegria. Sua fé não é contagiante. A de Simão era. Que pai cristão você é? De fé apática? Ou, como Simão, toma a cruz e a ensina aos filhos? Pai cristão digno do nome carrega a cruz com alegria e a ensina aos filhos. Um dia, os filhos a tomam como deles, também. Se isto não suceder, pelo menos o pai terá a consciência tranqüila. Cumpriu sua missão.

Ser pai é fantástico. Jesus mostrou Deus como Pai. Chamava-o de Pai e ensinou seus seguidores a chamarem-no de Pai.  Um sublime modelo para nós. Sejamos dignos do nome de pai. Vivamos à altura do título, com temor, e Deus nos capacite para que cada um de nós seja um pai segundo o coração divino.

Isaltino Gomes Coelho Filho