A fantasia do Código da Vinci – Uma avaliação não fantasiosa

A FANTASIA DO CÓDIGO DA VINCI: UMA AVALIAÇÃO NÃO FANTASIOSA

Apresentado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para os jovens da IB do Cambuí, em 29 de abril de 2006.

INTRODUÇÃO

O segundo livro de Dan Brown, Fortaleza Digital, dá uma idéia da mente do autor de O Código da Vinci. O livro é confuso, cheio de reviravoltas. Prende o leitor, mas o enredo é um caos de eventos sucedendo-se um após o outro, em tom dramático, de modo absolutamente inverossímil. Sei que ficção é imaginação. Mas mesmo nos maiores arroubos criativos, a ficção guarda certa probabilidade. Ninguém pensaria que a aventura alucinada de Fortaleza tivesse qualquer verossimilhança. Mas O Código, de enredo mais confuso e absurdo, trouxe um frenesi, como se fosse real. Compreende-se: é uma obra que ataca a Igreja Católica, mostrando-a como se fosse um bando de velhos mafiosos, põe em xeque os fundamentos do cristianismo e super-humaniza a pessoa de Jesus. Este último é um processo de dessacralização de sua pessoa, o que já se faz com a tentativa de humanizar a Igreja, dessacralizando-a e nivelando-a a qualquer outra instituição. Alguns têm gostado muito de um Jesus mais humano e de uma igreja mais humana, como se os pregadores os apresentassem como desumanos, e não notam que é uma tentativa de minimizar a divindade de Jesus e a origem divina da igreja. É bom abrir os olhos.

A popularidade da obra de Brown se explica por tratar de dois temas caros ao ocultismo: a enigmática figura de Da Vinci e a busca do cálice da ceia, chamado de Santo Graal. Este Santo Graal tem recebido as mais absurdas interpretações. A ala festiva da maçonaria, que prima por um esoterês ridículo e primevo, chega a ponto de dizer que Melquisedeque usou este cálice para trazer vinho para Abrão (Gn 14). Isto basta para mostrar que este pessoal não pode ser levado a sério. No livro, à página 257 (na edição em inglês, da Doubleday), descobre-se que busca do Santo Graal é uma alegoria “para ajoelhar-se diante dos ossos de Madalena” [1]. Procuram-se os ossos de Maria Madalena, mas eles já foram encontrados e fazem parte de festival de relíquias macabras, da Igreja Católica, sendo levados anualmente em procissão [2]. Ela representa a Mãe Terra, no culto pagão da reprodução. Este culto foi abordado nas obras de Marion Bradley, As Brumas de Avalon, o que mostra que Brown não age isolado de um contexto ou de uma ação.

Muita gente pegou carona com Brown, principalmente grupos ocultistas. A mencionada ala festiva da maçonaria se assanhou, principalmente por alegar que Da Vinci teria sido um de seus confrades, e o livro trataria de um de seus segredos. O ocultismo do movimento nova era gostou e promoveu o livro porque a nova era tenta restabelecer o paganismo do culto à terra, e Brown lhe dá subsídio. É o paganismo do culto à Deusa Mãe, oficiado por sacerdotisas prostitutas que voltou à cena. É o culto do qual a mulher de Oséias era sacerdotisa. Não sei quantos desses ocultistas entusiasmados ofereceriam suas esposas e filhas para atos sexuais com estranhos, em forma de culto à Mãe Terra. Oséias, pelo menos, ficou arrasado por sua esposa proceder assim. Mas Oséias era um hebreu e reagia de acordo com sua fé. Talvez os ocultistas de hoje reajam de acordo com sua fé e não vejam mal algum em suas esposas e filhas se tornarem prostitutas cultuais. Mas as pessoas fazem opções religiosas sem pensar nos desdobramentos. São muito superficiais.

O livro não é uma ficção ingênua. É um instrumento perigoso, que afeta alguns aspectos centrais de nossa fé, como a historicidade e integridade da Bíblia, a pessoa de Jesus, a essência do cristianismo e a doutrina da salvação. Como vivemos num mundo de cultura superficial, em que as pessoas não avaliam o que recebem, ele precisa ser dissecado e exposto para evitar problemas. Além de inculto, o mundo é regido por um poder maligno (1João 5.19). É inculto e desonesto nas avaliações. Tudo que seja anticristão, mesmo apresentado com argumentos frágeis e medíocres, é aceito. Há uma mentalidade cristofóbica no mundo de hoje. Por isso a tentativa de depreciar ou reduzir a pessoa de Jesus. O Código da Vinci serve bem a este propósito. Comentarei o livro brevemente, nesta palestra. Não posso abordá-lo in totum nem refutar todas as suas muitas deturpações da verdade, da fé cristã e da história. Mas focarei nos pontos centrais, que são as pilastras de nossa fé. É uma palestra para um grupo, e não um trabalho acadêmico.

1. O ENREDO DO LIVRO

O enredo tem um início atraente, bem escrito, no estilo envolvente e dinâmico de Brown. Vamos analisá-lo devagarinho. Robert Langdon, professor de Simbologia Religiosa, em Harvard, visita Paris. Houve um crime no Museu do Louvre. Jacques Saunière, especialista na Deusa e no “sagrado feminino” foi assassinado. Antes de morrer, teve tempo para colocar seu corpo na posição do desenho de Da Vinci chamado Homem Vitruviano, uma imagem masculina, com os braços e pernas estendidos dentro de um círculo, formando um pentagrama (pernas, braços e cabeça) dentro de um círculo.  Além disso, ainda teve tempo de deixar algumas outras pistas em forma de números, anagramas e um pentagrama que ele desenhou em seu próprio corpo com seu próprio sangue. Sujeito resistente e metódico! Langdon acaba envolvido porque Sauniére tomou todas estas medidas para que ele fosse chamado à cena, e com seu conhecimento de simbologia religiosa, descobrisse porque o mataram e assumisse a história a seguir.

Uma neta de Sauniére, Sophie, criptologista, recebera um telefonema do avô para ir visitá-la, dado horas antes dele morrer. Sophie, mais tarde, será instruída um pouco por Langdon, mas muito mais por Teabing, sobre os segredos do Santo Graal. A estrutura de O Código nada mais é que um decalque sobre outra obra, O Mundo de Sofia, onde a menina Sofia é instruída por um correspondente. Brown, que foi processado sob a alegação de ter plagiado esta obra (e ganhou o processo), mostra que copia bem os esquemas dos outros. Sua Sophie é de uma ignorância enorme para uma pessoa com sua formação. Mas ficção é ficção.

Sauniére era membro de um grupo chamado “O Priorado de Sião”. Este grupo guardaria a verdade sobre Jesus, Maria Madalena e a verdadeira religião que os homens sempre praticaram. Originalmente, a humanidade praticava uma religião que fundia os elementos masculino e feminino, num equilíbrio. As deusas e o poder feminino prevaleciam. Este é o tema de As Brumas de Avalon, o culto à Terra, o velho paganismo britânico, que o cristianismo venceu.  Mas foi isso, diz Brown, que Jesus pregou. Ele e Maria Madalena se casaram, para dar forças a esse equilíbrio entre masculino e feminino. Ele confiou a liderança da Igreja a ela, e não a Pedro. Quando Jesus foi crucificado, ela esperava uma filha dele, que veio a se chamar Sarah. Pedro tentou matar Madalena e ela fugiu para a França. A descendência dela e de Jesus originou a linhagem merovíngia da França. No dizer de Brown, e aqui cito a edição em português, porque estava sem a edição em inglês, na página 274, a família real merovíngia fundou a cidade de Paris. Desconhecedor de história, Brown ignora que Paris foi fundada no terceiro século antes de Cristo, por uma tribo celta chamada Parisii, daí o nome Paris. Isto mostra que quando o autor do Código tenta mostrar que fez um trabalho erudito de pesquisa para elaborar seu romance está mentindo. Ou, na melhor das hipóteses, está equivocado. É um homem superficial.

O livro mostra uma luta, que nunca houve, entre a Igreja Católica e o Priorado. A Igreja, segundo o livro, fez um cânon para impor sua doutrina e assim, o ensino verdadeiro de Jesus foi esquecido. Leonardo da Vinci também foi desse Priorado, e deixou em suas obras pistas do segredo. Por isso, Sauniére assumiu a posição de uma de suas obras, para que Langdon descobrisse o que era. Assim, este professor de Simbologia Religiosa, de Harvard, aliás, disciplina que não existe, vai explicando para Sophie qual é o verdadeiro cristianismo. Uma das alegações mais ridículas é que o quadro da Santa Ceia, de Da Vinci, mostraria Madalena, um braço estranho, etc. Dispenso-me de comentar isto para não perder o fio da meada, mas faço três observações; (1) Um quadro não é uma fotografia; (2) A pintura é irreal porque não havia mesas como aquela entre os judeus; elas eram baixas, como nossas mesinhas de centro; (3) As reproduções que temos  da pintura não são da pintura original, que foi feita na parede de um mosteiro, que sofreu obras dos monges para abrir uma porta na parede, para que a comida não esfriasse, pois os servidores da mesa davam uma volta longa. As reproduções são da obra restaurada. Isto basta.

Para dar credibilidade ao Priorado de Sião, Brown coloca vultos como Da Vinci, Isac Newton e Victor Hugo como supostos grãos mestres da ordem. Ele escreve ficção envolvendo vultos históricos em seu enredo para assumir credibilidade. Os vultos históricos, falecidos, não podem desmenti-lo. Se algum biógrafo deles negar, Brown alegará que o Priorado era uma ordem secreta, por isso os biógrafos não souberam encontrar esta verdade. A velha técnica de se possuir um segredo que abalará a humanidade. Dezenas de grupos esotéricos que dizem coisas desconexas ou irrelevantes se valem deste método, de atribuir a vultos reais do passado um envolvimento com supostos segredos que esses grupos hoje possuem. Uma aura de importância a gente sem importância e que exagera seu valor. O Priorado de Sião teria sido ajudado pelos Cavaleiros Templários, também motivos de lendas e de associações com grupos esotéricos, gente irrelevante, sem marcas na história, que exagera sua importância.

Existiu um Priorado de Sião? Sim, há registro da existência de três. O primeiro foi uma ordem monástica católica fundada em 1.100, no monastério de Nossa Senhora do Monte Sião, em Jerusalém. Deixou de existir em 1617, absorvido pelos jesuítas. O segundo e o terceiro foram organizados por um cidadão francês, Pierre Plantard (1920-2000). Em 1942 ele fundou um grupo antimaçônico e antijudeu, o Alfa Gálatas. O suporte deste grupo seguia a ideologia confusa de Plantard: antimaçonaria, ódio aos judeus, posições nazistas, espiritualidade esotérica e mitologia. Em 1953, Plantard ficou preso por seis meses, por fraude e desfalque. Em 1956, ele e mais três amigos fundaram um clube social a que chamaram de Priorado de Sião, que foi dissolvido um ano depois. Ele organizou outro Priorado, em 1960. Estava obcecado pela idéia de ser um mestre ocultista e descendente de reis. Recrutou seguidores e começou uma campanha para reinstalar a monarquia na França. Divulgou a idéia que havia uma linhagem real escondida na França. Para alcançar seu propósito, os companheiros de Plantard incluíram papéis falsificados em bibliotecas, incluindo a Nacional de Paris. Nestes papéis, Plantard incluiu uma suposta lista de grãos mestres do Priorado, incluindo nelas Leonardo da Vinci. Brown cita este documento em O Código, mas não diz que era um documento falso criado por Plantard, em 1967. Ele o dá como verídico. Cita-o como sendo intitulado Les dossiers secrets, omitindo seu nome verdadeiro Les dossiers secrets d’Henri Lobineau, porque eles foram desmascarados com este nome. Num outro documento falso, Les descendants merovigiens ou l’enigma du Razes wisigoth, a linhagem dos reis merovíngios é estabelecida. Brown diz que Sauniére encontrou os pergaminhos escondidos.

Os documentos secretos que provam a ligação entre Jesus, Madalena, e a linhagem dos dois, a linhagem merovíngia, estão sob a guarda do Priorado, segundo O Código (p. 160, em inglês). Todas as provas e todos os documentos estão com o inexistente Priorado. Se Brown desejasse fazer apenas uma obra de ficção, isso seria tolerado. O problema é que ele pretende fazer um “jornalismo investigativo”, insistindo que trata de assuntos reais, com instituições reais. Ele usa obras falsas, de um charlatão ensandecido, e as apresenta como documentos históricos que um Priorado, inexistente, que ele dá como existente, tem em seu poder. Não existem os documentos nem existe o Priorado de Sião.

Sophie descobrirá que faz parte desta linhagem de Madalena, a linhagem merovíngia. Ela rompera com o avô depois de ter descoberto uma sala secreta na casa de campo dele, e tê-lo visto em relação sexual com uma mulher, no meio de um grupo de espectadores mascarados. Era o culto da fertilidade ou fecundidade, praticado pelo cananitas, quando Israel entrou em Canaã, e sobre o qual Israel foi duramente advertido para não praticar e reprimir. O velho paganismo está de volta, como uma personagem de Avalon preconiza, que um dia eles voltariam.  E com uma obra fantasiosa que se apresenta como histórica. Realmente, bem pagão. Sophie, sem fundamentação cristã alguma, se choca com o culto da fertilidade, celebrado em ato sexual público. Achou-o chocante. Este velho paganismo que se tenta ressuscitar acha normal.

2. A IGREJA FALSIFICOU O ENSINO DE JESUS ?

Uma das idéias mais fortes do Código da Vinci é que a Igreja Católica se apossou da religião de Jesus e a desfigurou, inclusive forjando um cânon bíblico para dar suporte às suas idéias. A religião de Jesus, segundo Brown, dava ênfase ao “sagrado feminino”. Esta religião teria florescido nos três primeiros séculos, até que o Imperador Constantino, em conluio com a Igreja Católica, a aniquilou, deu um cânon (conjunto de livros religiosos, o Novo Testamento) à cristandade, promulgou a divindade de Jesus, mudando todo o sistema. Isto é tão absurdo e tão anti-histórico que qualquer pessoa com um grama de inteligência (se ela pudesse ser pesada) recusaria a idéia. Mas é anticristão, então rende. Mas é importante ressaltar que o “sagrado feminino” é resquício, senão a totalidade do culto da fertilidade dos cananeus. Chamava-se “prostituição cultual”. Volto a dizer que os entusiasmados com a obra de Brown não seriam coerentes em seu entusiasmo, cedendo esposas e filhas para se prostituírem em honra à Deusa. Eu cederia meus filhos para o serviço de Cristo com profundo júbilo. Cederão eles seus filhos para o serviço da Deusa?

Brown cita obras esotéricas, livros de teor duvidoso no sentido de que estudiosos sérios nunca os consideraram, comete erros históricos e desconhece a geografia de Paris. Toda sua bibliografia não resiste a um teste de integridade acadêmica. Vale a pena citar Welborn:

Não há nem ao menos uma obra séria sobre a história do Cristianismo na sua bibliografia – nem uma obra significativa de estudo do Novo Testamento, ou mesmo referências bibliográficas comuns que se espera que sejam usadas por qualquer leitor não formado em história do Cristianismo primitivo. Ele nem mesmo cita o próprio Novo Testamento como fonte dos primórdios da história cristã [3].

Brown cita dois documentos: O Evangelho de Felipe e O Evangelho de Maria. Um dos personagens, Teabing, lê trechos desses evangelhos indicando que Jesus e Madalena tiveram um relacionamento íntimo, do qual os apóstolos tinham ciúmes.  Segundo ele, estes dois documentos foram descobertos em 1945, em Nag Hammadi, no Egito em 1945. Houve esta descoberta de documentos em Nag Hammadi, mas a comunidade ali não era cristã, e sim gnóstica, corrente adversária do cristianismo no primeiro século, como vemos nas cartas de João. Com base em testes feitos, os estudiosos presumem que foram escritos do ano 350 para o ano 400. Além de não serem cristãos, são o que se chama de “pseudepigrafia”, ou seja, “falsos escritos”, obras escritas com os nomes de pessoas famosas do passado, para reivindicar atenção. No Evangelho de Maria, Jesus teria instruído Madalena em como conduzir a Igreja, o que teria desagradado a Pedro. É assim que se inicia a crise entre duas linhas de cristianismo, o verdadeiro (de Madalena) e o deturpador e usurpador (de Pedro).

Este Evangelho de Maria existe. Há apenas fragmentos de histórias muito curtas, em grego. Dataria do século III de nossa era.  Uma cópia, datada do século V, escrita em copta, também existe. Novamente o caso de um pseudepígrafo. Mas nada dizem de Jesus ter confiado a liderança da Igreja à Madalena. Na realidade, como documentos gnósticos que são, e isso Brown não comenta, eles falam de poderes metafísicos e como usá-los para dominar o espírito, em casos de ignorância e de ódio.

O Evangelho de Felipe, como documento gnóstico, exalta o celibato. Mais uma vez Brown distorce os fatos. Para os gnósticos, toda substância física era má. A matéria era má, conseqüentemente, as relações sexuais também. As relações sexuais eram a pior depravação da matéria.  Eis um trecho do Evangelho de Felipe, na tradução de Wesley Isenberg: “Mulheres sujas são todas as mulheres que participam do relacionamento sexual, ou seja, do ‘casamento da contaminação’ que é carnal e voluptuoso” [4]. Tal documento se choca com as idéias de Brown.

Welborn faz uma observação bem pertinente, que mostra a desonestidade intelectual e a mentira com que Brown procede: “É estranho denunciar o Cristianismo pelo celibato e pela aversão ao corpo, enquanto ignora exatamente as mesmas imperfeições no gnosticismo [5]”.

Segundo ele, o cristianismo reprimiu as mulheres, enquanto o culto à Deusa, que Jesus veio ensinar, valorizava. Ele se vale de textos gnósticos, mas isto é um tiro no pé. Ele também cita o Evangelho de Tomé, outro documento gnóstico, em defesa de sua teoria. Pois bem, eis um trecho deste Evangelho:

Simão Pedro disse a eles: “Deixem que Maria nos abandone, porque as mulheres não são merecedoras da Vida”. Disse Jesus: “Eu mesmo vou fazer dela um homem, para que assim ela possa tornar um espírito vivo como vocês, homens. Porque toda mulher que se fizer homem entrará no Reino dos Céus” [6].

A Igreja falsificou os ensinos de Jesus ou Brown falsificou os ensinos dos gnósticos? O Jesus do Novo Testamento dos cristãos recebia mulheres e o ensino do Novo Testamento diz que “em Cristo não há diferença entre (…) homens e mulheres” (Gl 3.28). O Jesus gnóstico é machista. Brown se incomoda com o Jesus do Novo Testamento e pede um Jesus mais humano. Por “mais humano” ele quer dizer um Jesus que praticava o sexo. Porque humano Jesus sempre se mostrou. Se ler os evangelhos, Brown verá um Jesus que chora, que come, que bebe, que exulta, que se entristece e se angustia. Na realidade, ele deseja um Jesus que não imponha limites morais. Mas não deveria se abeberar nos gnósticos, que em sua maior parte eram celibatários e viam o sexo como imundo.

Para encerrar este tópico, lembro que Brown chama para apoiar seu conceito de um Jesus diferente do da Igreja, os manuscritos do Mar Morto, que, diz ele, foram descobertos em 1950. Mais uma vez tropeça na história. Foram descobertos em 1947. Mas nenhum manuscrito do Mar Morto é cristão. Eram documentos essênios, que não se relacionam com o cristianismo. Por isso, não faz sentido sua declaração segundo a qual a Igreja tenta impedir a divulgação dos manuscritos do Mar Morto porque eles mostrariam o verdadeiro cristianismo, pois são “os registros cristãos primitivos” (Código, p. 234, em inglês). Os manuscritos de Qumram, como se chamam, não têm ligação alguma com o cristianismo. Os essênios e os cristãos não se encontraram. E a maior parte dos manuscritos do Mar Morto estão com Israel. Os que estão com a Igreja foram fotocopiados e distribuídos. Qualquer especialista em hebraico pode lê-los. Já vi fotos suas e já traduzi o que pude entender.  O que eles têm de mais notável é que confirmam o teor dos textos do nosso Antigo Testamento (como judeus e protestantes o têm). Inclusive uma cópia do livro de Isaías, datada do ano 100 antes de Cristo, segundo testes de carbono 14, e que confirma o texto de Isaías que temos.

A ala festiva e esotérica da maçonaria é que, numa incrível crise de bobeira, uma especialidade sua, atribui aos essênios até a arte da levitação, eles que eram judeus dissidentes, ultraconservadores e racistas. Brown, em defesa de seu Jesus, em oposição ao do cristianismo, diz, por meio de Teabing, que os documentos de Nag Hammadi também confirmam esta idéia. Apenas dois dos quarenta e cinco documentos de Hammadi falam de um relacionamento de Jesus com Maria Madalena, mas não de forma marital. Brown é desonesto. Na sua desonestidade falsifica até documentos gnósticos, além de aceitar os documentos falsos do falsário Plantard.

3. O CÂNON CRISTÃO FOI UMA IMPOSIÇÃO PARA CONTER O CULTO À DEUSA?

Segundo O Código, Jesus era um mestre cuja vida foi objeto de “milhares” (p. 248, em português) de relatos durante aqueles primeiros séculos. Ainda segundo a obra, havia mais de oitenta evangelhos, mas Constantino, em conluio com a Igreja, escolheu apenas quatro, em 325. Os outros documentos foram suprimidos, os que contavam “a história original de Jesus” (p. 251, português).

Isto ultrapassa os limites. É uma besteira inominável, e só uma pessoa estúpida poderia levar isto a sério. Na realidade, a vida de Jesus foi ignorada pela maior parte da população de sua época. Relatos no livro de Atos, cuja historicidade ninguém pode negar, tamanha a farta documentação que seu autor cita e porque seus eventos são confirmados fora da Bíblia, mostram que Jesus passou em branco fora do círculo estreito de sua convivência. Festo ironizou Paulo, dizendo que ele pregava um tal Jesus defunto e ainda insistia em dizer que ele estava vivo (At 25.19). Ouvindo o discurso de Paulo, quando este falava sobre Jesus, Festo o interrompeu, dizendo que Paulo estava louco (At 26.24). Até mesmo judeus fora da Palestina ignoravam Jesus. Em Atos 28.17 em diante se vê que os judeus romanos disseram nada saber da seita à qual Paulo pertencia, a não ser que falavam mal dela em todo lugar (v. 22). Jesus passou despercebido para o mundo. Foram os apóstolos que, aos poucos, pelo poder do Espírito Santo, divulgaram seu nome por todo o mundo.

Nunca houve oitenta evangelhos em circulação. Havia, realmente,  outros documentos, tanto que Lucas diz que pesquisou (Lc 1.1-4). Tem-se como certo que o primeiro livro do Novo Testamento escrito foi 1Tessalonicenses, no ano 46 de nossa era. Paulo, seu autor, produziu quase a metade do Novo Testamento. Deveria ser consultado como fonte nas “pesquisas” de Brown, mas é ignorado. Uma pessoa séria não pode fazer pesquisas sobre o cristianismo em suas origens ignorando o apóstolo Paulo. Brown faz isso. O cético Renan foi mais coerente: para esvaziar o cristianismo depreciou a figura de Paulo.

Segundo O Código, o cânon do Novo Testamento surgiu para eliminar o grupo original cristão, o de Madalena, e fortalecer o de Pedro, em atitude tomada por Constantino, ao convocar o Concílio de Nicéia, em 325. Na realidade, o cânon foi definido em dois concílios, o de Laodicéia, em 363, e o de Hippo, em 393, que definiu o cânon do Novo Testamento, incluindo o Apocalipse. Isto foi quase 70 anos depois de Constantino e o Concílio de Nicéia. Mas isto não significa que o Novo Testamento passou a existir nesta ocasião.

Todos os livros que compõem o Novo Testamento estavam em circulação antes do ano 70, exceção ao Apocalipse e, provavelmente, as cartas de João. Pedro foi morto em 65. Obviamente suas cartas datam de antes disto. Nenhum livro do Novo Testamento menciona sua morte. Paulo foi morto em 67. Suas cartas, obviamente, são anteriores a esta data. Jerusalém foi destruída no ano 70. Nenhum livro menciona este fato. Até mesmo o desconhecido autor de Hebreus (Apolo? Barnabé?) cita este fato. Todos eles dão Jerusalém e os ritos do templo ainda vivos. Ou seja, trinta anos depois de Jesus, os livros do Novo Testamento, exceção ao Apocalipse e às cartas de João, estavam circulando.

Brown cita um documento chamado Q, que teria sido escrito por Cristo, cuja existência até o Vaticano admite (p. 273, em português). Ouviu o galo cantar e não sabe onde. Q é a sigla para um hipotético documento chamado Quelle (“fonte”, em alemão), que os estudiosos do Novo Testamento presumiam ter existido, quando fizeram uma análise dos quatro evangelhos e se surpreenderam com os pontos de coincidência. Segundo eles, os evangelistas deveriam ter usado uma fonte comum, daí o nome Quelle, ou Documento Q. Tem-se hoje por certo que essa fonte documental não existiu, e que Marcos teria sido o evangelho padrão usado por Mateus e Lucas, sendo que João não é sinótico. Quando Mateus e Lucas concordam, sempre concordam com Marcos. E quando apresentam aparentes divergências, um dos dois sempre está com Marcos. Se houve um Q, é Marcos. Mas se esse documento tivesse existido, seria absolutamente irrelevante para o cânon, para o cristianismo e para a Igreja Católica. Em nada abalaria a fé cristã.

Outra tolice dita por Teabing, o discursador mor de O Código, é que a Bíblia passou por “incontáveis traduções, acréscimos e revisões. A história jamais teve uma versão definitiva do livro” (p. 248, português). Desonestidade e parcialidade não têm limites na obra de Brown. Há mais de cinco mil manuscritos dos escritos do Novo Testamento. O mais antigo data de 125, e mais de trinta datam do final do século 2. As variações nas comparações destes manuscritos, segundo pesquisas de especialistas, não chegaria a 3% e se constituem em questões de uma ou duas frases, e em palavras isoladas.

Há um Evangelho dos hebreus, um Evangelho dos egípcios, e um chamado Evangelho de Pedro. Este é um caso de pseudepigrafia, porque tem-se por certo que o evangelho de Marcos ressoa a voz de Pedro, pois era na casa de Marcos que Pedro se hospedava, tanto que as pessoas foram para lá orar por ele, quando de sua prisão (At 12.12). Quanto aos dois outros evangelhos, tem-se por certo que foram obras devocionais, mas sem o peso dos demais documentos do Novo Testamento.

O cânon do Novo Testamento se formou seguindo alguns critérios. O primeiro foi o de que o autor fosse alguém do corpo apostólico. Tiago e Judas eram os convertidos irmãos de Jesus. Foram aceitos. Mateus, Lucas e João foram discípulos e apóstolos. Foram aceitos. Paulo teve sua autoridade reconhecida pelos apóstolos, que lhe deram a mão (Gl 2.1-10). Pedro elogiou suas cartas (2Pe 3.15-16) e as chama de “Escrituras Sagradas”. Muitos motivos para ser aceito. A exceção seria o livro de Hebreus. O estilo não é paulino e a estrutura filosófica da carta não é da escola de pensamento que Paulo seguia. Paulo seguia a escola ética de Alexandria, e o autor de Hebreus segue a escola metafísica de Alexandria. Ambos têm cultura grega, mas por um viés diferente. Pensa-se em Apolo e em Barnabé, que eram da comunidade apostólica. Inclino-me para Apolo, por razões que aqui não comportam, mas isto é irrelevante.

Outro critério foi a circulação da obra. As igrejas recebiam os documentos e os trocavam entre si. “Peço que, depois de lerem esta carta, vocês a mandem para Laodicéia a fim de que os irmãos de lá também a leiam. E vocês leiam a carta que vai chegar de Laodicéia” (Cl 4.16) mostra que havia esta troca de cartas apostólicas entre as igrejas. Os apóstolos, e não Constantino, defendiam o cânon, que estava se formando. Paulo advertiu os gálatas para não aceitarem outro evangelho, nem que fosse anunciado por anjos (Gl 1.8).

Outro critério era que o escrito estive em consonância com o ensino de Jesus preservado pelos apóstolos. Na primeira carta João diz que ouviu, viu e tocou a Jesus (1.1-2). Os apóstolos eram testemunhas oculares. Tanto que Paulo alegou em sua defesa que tinha visto a Jesus, e que recebera dele seu evangelho (Gl 1.11-12). Como testemunhas oculares eles referendavam a doutrina. A primeira carta de João bate duramente no gnosticismo, doutrina esotérica que está ressuscitando em nosso tempo, e tenta tomar o lugar do autêntico cristianismo, como fez nos dias do Novo Testamento. O Código é uma de suas pontas de lança.

O cânon foi estabelecido em fins do quarto século, em termos formais, mas já estava definido na aceitação das igrejas. A única mudança que houve na Bíblia foi feita pela Igreja Católica, em 1546, ao acrescentar livros à Bíblia, no Concílio de Trento. Ela modificou o Antigo Testamento, que para nós permanece o mesmo que ela aceitava e que os judeus aceitam ainda hoje.  Aliás, é a Bíblia Católica que tem livros a mais, e não a Protestante que tem livros a menos.

Autoria, circulação e ortodoxia foram os critérios mais fortes na elaboração do cânon. Foi um processo que se cristalizou por três séculos. Quando se cristalizou foi muito mais uma ratificação do que já se fazia. Assim, podemos dizer com toda segurança, sem medo de errar: O Novo Testamento que temos merece confiança. Além do arrazoado exposto, cremos que o Espírito Santo guiou os autores dos livros e o processo de seleção das obras.

4. O QUE JESUS REALMENTE ENSINOU?

Ignorando o evangelho, as pessoas costumam dizer que Jesus pregou o amor. Teria sido um desperdício Deus ter enviado seu Filho para morrer na cruz só para pregar o amor. Não faz muito sentido que Jesus tenha sido crucificado por pregar o amor. E pregar o amor todo mundo prega. A não ser os insensatos aiatolás, do Islã, uma religião que prega o ódio. Mas é isso que as pessoas afirmam. Um leitor da revista Época, na coluna dos leitores, em 24 de abril de 2006, ao comentar o evangelho de Judas, outra patacoada que nos é impingida, diz que “seria uma grande incoerência Jesus pregar o amor e perdão e não perdoar Judas” [7].

O leitor de Época, presumivelmente, não conhece o Novo Testamento. Não conhece os demais evangelhos e defende o de Judas. Conhecesse-os e saberia que Jesus assim se pronunciou sobre Judas: “Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei no nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura” (Jo 17.12). Tivesse lido os evangelhos, ele que defende o de Judas, conheceria Mateus 26.23-24: “Afirmou Jesus: ‘Aquele que comeu comigo do mesmo prato há de me trair. O Filho do homem vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele que trai o Filho do homem! Melhor lhe seria não haver nascido’”. Tivesse lido os evangelhos saberia que Jesus chamou a Judas de diabo (Jo 6.70). As pessoas deveriam ler a Bíblia antes de se pronunciar sobre a Bíblia. E, como se julgam geniais e brilhantes em suas críticas, deveriam presumir que não somos patetas, temos excelentes lingüistas, eruditos, conhecedores da história, e que sabemos em quem temos crido. Só não temos mais espaço porque a mídia se deleita em divulgar o que combate o evangelho. É o espírito cristofóbico presente num mundo pervertido.

Jesus veio pregar o amor e o perdão? Só isso? Só por isso o crucificaram? Eis a resposta em Marcos 14.60-64: “Depois o sumo sacerdote levantou-se diante deles e perguntou a Jesus: ‘Você não vai responder à acusação que estes lhe fazem?’ Mas Jesus permaneceu em silêncio e nada respondeu. Outra vez o sumo sacerdote lhe perguntou: ‘Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?’. ‘Sou’, disse Jesus. ‘E vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo com as nuvens do céu’. O sumo sacerdote, rasgando as próprias vestes, perguntou: ‘Por que precisamos de mais testemunhas? Vocês ouviram a blasfêmia. Que acham? Todos o julgaram digno de morte”.’Jesus foi morto porque disse ser o Filho de Deus. Ele não pregou o amor ou perdão ou a bondade. Isto é contingente. Ele pregou-se a si mesmo. Eis algumas declarações suas que mostram o teor de sua pregação:

“Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar ao Pai a não ser por mim” (Jo 14.6).

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12).

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá” (Jo 11.25).

Para alguns Jesus era apenas um homem bom, o melhor de todos, mestre de moral. Não se podem fazer afirmações condescendentes sobre Jesus. Ou se aceita sua pessoa ou se nega sua pessoa. Ele fez questão de dizer que era mais que um homem. Ele nunca pretendeu ser apenas um homem. Ou Jesus era Deus, como dizia que era, ou era um louco. Um homem que afirmasse coisas a seu respeito como ele afirmava, não poderia ser um homem bom ou um mestre de moral. Ou é Deus ou é tão louco como o homem que diz de si mesmo que é um ovo frito. Eis algumas palavras suas: “Digo-lhes a verdade: Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem” (Jo 1.51). E esta: “Depois de dizer isso, Jesus olhou para o céu e orou: ‘Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique.  Pois lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.  Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer. E agora, Pai, glorifica-me junto a ti, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”. Aqui Jesus está dizendo nada mais nada menos que isto: ele é eterno e já existia antes do mundo, quando vivia em glória com o Pai. Ou é Deus ou é louco de pedra.

Jesus pregou sua pessoa. Ele não perguntou, ao instituir a Igreja, o que os discípulos achavam de seus ensinos, de sua ética, de sua mensagem de amor e de perdão. Perguntou: “Quem vocês dizem que eu sou?” (Mt 16.15). Quando Pedro respondeu: “O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo”, Jesus respondeu que esta resposta viera a Pedro diretamente de seu “Pai, que está no céu” (Mt 16.17). A partir daqui a Igreja é declarada. Furto-me a discussões sobre quem seja a pedra, que para mim é Pedro, mas fica claro que a base para a edificação da Igreja é a pessoa de Jesus, e não o amor, a bondade ou o perdão.

CONCLUSÃO

Oscilo entre a irritação pela desonestidade, pela mentira e pelo falseamento de dados por Brown, e pena pela sua ignorância. As pessoas que lhe dão crédito me dão pena. São pessoas de cultura superficial, estabanadas, mas também são culpadas. Poderiam perguntar a gente do outro lado, gente que pudesse lhe responder. Mas as pessoas de hoje, como Paulo bem disse sobre as pessoas do último tempo, têm coceira nos ouvidos, e vão atrás de ventos de doutrinas.

O cristianismo tem 2.000 anos de existência. E por causa dele e de Jesus, o Jesus do Novo Testamento, milhões de pessoas morreram. Os apóstolos do Novo Testamento ouviram o chamado de Jesus, deixaram tudo, apostaram suas vidas nele, e morreram por ele.  E milhões de pessoas dariam a vida, ainda hoje. Sem resvalar para o dramático e para o exagero, eu morreria por Jesus. Com alegria. Seria uma honra. Estas pessoas e eu não somos idiotas. Você morreria por uma mentira? Você morreria para defender a idéia de que Lampião, o rei do cangaço, é Deus, Salvador e voltará em poder e glória? Não! Mas se é um cristão digno do nome está disposto a sofrer por Jesus. Ninguém morre por uma mentira. Corrigindo, uma ou duas pessoas, alguém desequilibrado. Mas milhões morreram e milhões aceitam morrer pelo Jesus do Novo Testamento. Brown morreria por Madalena, por Sarah, pelo Priorado de Sião? Ou o valor de tudo isto é o dinheiro que ele ganhou?

Há um espírito do erro operando no mundo, a Bíblia ensina. O Código da Vinci é um dos seus instrumentos.

E minha palavra final é esta: “Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém” (Jd 24-25).


[1] ABANES, Richard. A verdade por trás do Código da Vinci. S. Paulo: Celebris, 2005, p. 16.

[2] ABANES, p. 112. b

[3] WELBORN, Amy. Decodificando da Vinci. S. Paulo: Cultrix, 3ª. ed., 2004, p. 18

[4] ISENBERG, The gospel of Philip, citado por Abanes, p. 126.

[5] WELBORN, p. 60.

[6] ROBINSON (ed.), James. The Nag Hammadi Library. N. York: Harper and Row, 1976, p. 130.

[7] Revista Época, número 414, 24 de abril de 2006, p. 9.