Acusada de desviar fortuna de igreja põe culpa no diabo

Isaltino Gomes Coelho Filho

Eis o que veio na Internet, no dia 20 de março de 2009:

Acusada de desviar fortuna de igreja põe culpa no diabo

Uma senhora de 62 anos, em Washington, EUA, está sendo acusada de ter desviado mais de 72 mil dólares dos cofres de uma igreja onde trabalhava como auxiliar administrativa.

Mais do que o sumiço do dinheiro, o que surpreendeu aos policiais foi a confissão da mulher. Ela, que assumiu uma parte da culpa, disse que o que pesou mais no roubo foi o diabo.

A mulher justificou que ela estava abarrotada com dívidas. Com medo de perder sua casa, acabou sucumbindo às tentações do demônio. Assim, falsificou a assinatura de pastor responsável pela igreja em mais de 80 cheques. Até que foi pega”.

Não é fantástico? Ignorarei a “exatidão” da mídia: a senhora não tem nome, a igreja não é mencionada, o quando do evento não é dado. A gente acredita se quiser. Mas fiquemos com a desculpa da mulher, presumindo que ela tenha existido: Um primor de cinismo ou realidade? Diria eu: as duas coisas. E explico.

O tentador está aí para trabalhar. “Sede sensatos e vigilantes. O Diabo, vosso inimigo, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem devorar” (1Pedro 5.7, King James, em português). Num certo sentido, a mulher está certa. O Maligno trabalhou nas suas carências (excelente conhecedor de nossa realidade, ele sabe qual o nosso ponto fraco) e a levou à queda.

De outro lado, uma desculpa esfarrapada. Por que Tiago diz: “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por esse iludido e arrastado. Em seguida, esse desejo, tendo concebido, faz nascer o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte” (Tg 1.14-15, KJ).

De um lado, o Maligno. De outro, o mau desejo. Ou, como diz a Versão Almeida, “a concupiscência”, isto é, o desejo muito forte.

Não quero teologizar, mas apenas mostrar como nossas carências, quando não são submetidas a Deus, podem nos conduzir à queda. Dificilmente seremos tentados em áreas que não nos dizem respeito. Por, às vezes, quando alguém vê um irmão cair na área em que é forte, censura veemente o irmão. O irmão caiu na área financeira. A pessoa tem muita segurança nesta área e é dura com quem cai aqui. Mas cai na sexualidade, na língua afiada, na fofoca. Caímos na área em que somos fracos ou em que estamos necessitados. Satanás apareceu a Jesus e o tentou na área de transformar pedras em pães, após um jejum de quarenta dias. Jesus devia estar faminto. Tentou-o nas áreas cruciais: aceitação sem passar pela cruz, e os reinos do mundo sem sofrimento. Por isso, devemos cuidar de nossas carências, e submetê-las a Deus em oração. Nosso desejo e o Tentador são dois pontos contra nós.

Mas a história da mulher sem nome, na igreja sem nome, me lembra uma ilustração que ouvi ainda na adolescência. Um sujeito estava confessando seus pecados a Deus, em oração, e se desculpou, dizendo: “Senhor, o Diabo me tentou, e eu caí”. E o Diabo que por ali passava, lhe disse: “Seu mentiroso! Eu nem estava olhando para você!”.

Por isso, antes de colocar a culpa de seus pecados nos outros, veja se você não caiu porque quis, porque aproveitou, porque procurou. O Tentador faz a parte dele. Mas nós não precisamos ajudá-lo, também.

Por isso, Dona Sem Nome, de Washington, e cada um de nós, inclusive eu: é bom ter mente a palavra de Tiago 4.7: “Portanto, sujeitai-vos a Deus. Resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós”.

Aí, não precisaremos culpar a ninguém. Até mesmo porque poderemos vencer a tentação.