O Piauí e o Mato Grosso do Sul são frios, o Canadá é um país tropical e o tomate é marrom

Isaltino Gomes Coelho Filho

Explico o título. Decidi seguir uma hermenêutica teológica e assim analisei o mundo por ela.

Estive em Teresina por cinco dias. Falei ao Seminário de Teresina, às Ordens de Pastores das Convenções do Meio Norte e Piauiense. Choveu o tempo todo. Até fez frio. Eu vi teresinenses agasalhados. Houve algo inusitado: um rapaz foi atravessar uma enchente com sua moto, esta foi derrubada e ele morreu afogado numa das ruas de Teresina. Além de frio, o Piauí é alagadiço. Os livros e a Internet dizem que não. Mas eu experimentei. Eu tive a experiência de que o Piauí em geral e Teresina em particular são frios e alagadiços. É preciso roupa de frio para viver lá. Eu tive esta experiência. Se outros não a tiveram, paciência, mas eu tive, e minha experiência é real. Não importa o que está escrito e o que seja. Eu senti.

Em Campo Grande foi pior. Preguei na igreja do Pr. Oswaldo Bomfim, colega de turma no Seminário do Sul. Que frio! Dizem que uma das noites deu 6 graus. Acredito! Voltei para casa num vôo de 5h30 da manhã e o vento cortava meu rosto enquanto caminhava para o avião. O Mato Grosso é gélido. Estão errados os livros e os que dizem que não. Minha experiência prova que o Mato Grosso é frio e se precisa de agasalhos pesados para viver lá.

Estive no Canadá. Fazia 31 graus, com um sol seco, ardido. As pessoas se banhavam no lago Erie, porque o calor era forte. Vi que o Canadá é um país tropical, muito quente. Não adianta os livros dizerem que não. Eu tive a experiência de que o Canadá é quente e seco, com um clima ardido. Até suei lá.

Gilberto Gil cantou que “o morango é vermelho”. Talvez seja. Não tenho experiência com o morango, a não ser comê-lo. Mas o tomate é marrom, eu sei. Tive esta experiência. Pastor na casa dos vinte e poucos anos, comprei um terno marrom, em Bauru. Era da cor de um par de sapatos e de um par de meias que eu tinha. Eu comparei. Quando cheguei em casa, Meacir me olhou com ar surpreso e me disse: “Bem, este terno é vermelho! Você não deveria comprar roupa sozinho, você é daltônico, bem, e se equivoca!”. E colocou um tomate junto do terno para eu ver. O tomate e o terno eram da mesma cor, o que prova que o tomate era marrom. Eu tive esta experiência sensorial. Meus sentidos provavam que o tomate era marrom, como o terno, o sapato e as meias. Não iria discutir com ela, mas Meacir fez Biologia, coitada. Não estudou Filosofia. Se tivesse estudado Locke, saberia que as operações de nossas mentes validam as verdades. A certeza nos vem à mente pela experiência sensorial. Desdobrando o pensamento dele, posso dizer que minha experiência me traz a verdade. Se ele não disse isso, andou perto. A verdade é o que eu sinto.

Até entendi a crítica que uma senhora me fez. Ela disse que eu só tinha a Bíblia, e ela tinha suas experiências. As experiências é que importavam. Consegui entender um episódio que MacArthur narra e com o qual se indignou, mas ele está errado. Um rapaz lhe escreveu uma carta narrando que foi levado aos pés da cruz de Jesus e o sangue do Salvador jorrou sobre ele. O Senhor o encheu com o seu Espírito e o transportou pelo véu até a cidade de Jerusalém dentro do Santo dos Santos. Lá ele foi batizado como que pelo fogo e o amor de Jesus veio morar nele. Por isso, diz o rapaz: “Não sinto a necessidade de estudar as Escrituras, pois conheço a Jesus como ele se revelou dentro de mim, e como Ele habita dentro de mim, há em mim a Palavra” (“Os carismáticos”, p. 32). Também não faz sentido o espanto de MacArthur com a declaração de um carismático: “Não importa o que a Bíblia diga; eu tive uma experiência”.

Não me importa o que digam os especialistas em clima, nem os livros. Eu sei que o Piauí e o Mato Grosso são lugares frios, que o Canadá é um país tropical e que o tomate é marrom. Eu tive estas experiências. Meus sentidos me provaram isto.