Não há santos intercessores

“O SENHOR, porém, me disse: Ainda que Moisés e Samuel intercedessem diante de mim, eu não mostraria favor a este povo. Manda-os embora da minha presença! Que eles saiam!” – Jeremias 15.1 (Almeida Século 21)

Iahweh estava tão desgostoso com Judá que mesmo que Moisés e Samuel intercedessem pela nação ele a destruiria. Em Ezequiel 14.14, o desgosto continua e mesmo que Noé, Daniel e Jó intercedessem nada conseguiriam.

Há duas lições daqui. A primeira é que não há transferência de santidade. O caráter de Noé, Moisés, Samuel, Jó e Daniel não beneficiaria os pecadores. Podemos orar intercessoriamente por alguém, para que Deus aja naquela vida, envie alguém para testemunhar, cure, mas nunca podemos salvar alguém com nossas orações. Nem nós nem os santos finados. Ninguém tem sobra de mérito espiritual para passar a outro. Vez por outra, em algum aeroporto, alguém com excesso de bagagem me pede para embarcar com material seu. Nego-me porque não sei quem é a pessoa nem o que ela transporta. Já vi gente fazer isto e se dar mal. Mas se com bagagem é possível, com Deus não há transferência de aparente crédito espiritual.

A segunda é que a responsabilidade é pessoal. Os vultos do passado não podem ajudar pessoas do presente. Estas respondem por si mesmas. Não há transferência de bênção nem de maldições, como as patéticas maldições hereditárias do neopentecostalismo. Diz Ezequiel 18.19-20: “Contudo dizeis: Por que não levará o filho a iniqüidade do pai? Ora, se o filho proceder com retidão e justiça, e guardar todos os meus estatutos, e os cumprir, certamente viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho, A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”. Antecipando o Novo Testamento, Ezequiel acentua a responsabilidade pessoal. Cada um é responsável por si diante de Deus. Não pagamos contas de nossos antepassados. Nem recebemos créditos deles.

No Novo Testamento Paulo é bem claro: “Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.12). Você não precisa de sacerdotes, pois Jesus é o Sumo Sacerdote e todos somos sacerdotes, no sentido de termos acesso a Deus por causa de nosso Salvador. Nem precisa de caboclos evangélicos de reza forte para quebrar maldições. Se você é de Cristo, guarde esta palavra de João: “Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1Jo 4.4). O Espírito Santo é maior que o Maligno, que domina o mundo (1Jo 5.19) e ele habita em você.

Crentes mais espirituais podem orar por sua vida. Você pode orar pela vida dos outros, inclusive pela minha. Mas você não pode confiar nos méritos (e ninguém tem méritos diante de Deus) dos outros e é responsável por sua vida diante de Deus. Cuide-se espiritualmente. Busque a Deus, leia sua Palavra com avidez, ore. Você é responsável por você. Não é possível constituir alguém como procurador diante de Deus. Ele trata diretamente com cada um de nós.