Debaixo da figueira

“Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel” (Jo 1.48-49).

Que confissão de fé estranha! Porque Jesus disse que o vira antes, debaixo da figueira, Natanael se rende a ele, com três declarações: “Rabi, filho de Deus e rei de Israel”. Tanta coisa por uma alegação de que fora visto debaixo de uma figueira? O que há de tão inusitado nisto?

Tudo começa com o fato de que ao ser apresentado a Jesus, Natanael ouve dele um elogio. Ele, Natanael, é um israelita em que não há “fingimento” (Almeida Século 21). Natanael nunca se encontrou com Jesus. Como Jesus pode afirmar isto dele? Jesus o viu debaixo da figueira, antes que Felipe o chamasse. Natanael fica tão estupefato que se rende, com três declarações de fé em Jesus. O que há por trás disso?

As casas dos israelitas eram pouco claras e, não raro, por causa de crianças e animais que eram criados, eram lugares muito barulhentos. Os homens piedosos iam orar debaixo das árvores, sendo a figueira, pela copa, a mais comum para esta finalidade. Assim, a figueira havia se tornado a árvore do conhecimento da Torah, onde os hebreus a estudavam e oravam. Segundo o rabi Aqiba, era “a árvore do conhecimento da felicidade e da desgraça”. Porque sob ela os israelitas meditavam, expressavam suas inquietações e oravam.

A presciência de Jesus causa profundo impacto em Natanael. O que havia ele pensado debaixo da figueira? Teria ele orado pedindo a Deus para conhecer o Messias? Afinal, havia um frêmito enorme por causa do ministério de João Batista e a expectativa pela vinda do Messias fervilhava! A tríplice declaração de fé de Natanael mostra que ele foi alcançado em três pontos. Jesus era o Rabi, o Mestre. Era Filho de Deus. Era o Rei de Israel. Seriam estes os anseios de Natanael expressos em momentos de oração, debaixo da figueira?

Especular é sempre agradável, mas pode ser perigoso. O que é possível saber é isto: se a figueira era lugar de oração, quando Natanael orava, Jesus o vira. Como isto é confortador! Quando oramos, Jesus vê! Como diz o hino 340 do Cantor Cristão:    “Oh! Sim, eu sei,

Jesus bem vê

O que eu estou a sofrer.

Em cruel peleja, pavor, inveja

Jesus me quer valer”.

A expressão aqui é metafórica (e preciso deixar isto bem claro porque há uma enorme falta de bom senso no cenário evangélico): precisamos plantar e firmar nossas figueiras. Precisamos firmar nossos lugares e momentos de oração. Jesus nos vê debaixo da nossa figueira e conhece o nosso sentimento. Como Natanael, sejamos pessoas sem fingimento, que prezem sua figueira, e que se rendam diante de Jesus!